sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

ÍNDICE: As Indústrias (antigas) de Santo Amaro, São Paulo/SP

Anteriormente ao grande "boom" industrial da região do ABC, região da grande São Paulo tornar-se o grande centro industrial, Santo Amaro recebeu o maior contingente de empresas nacionais e multinacionais do Brasil. Assim, o grande contingente de operários vindos do interior de São Paulo, que possuia um contingente de mão de obra que estava ociosa pela queda de produção das lavouras de café e vários outros locais do Brasil, se fixou na região, tendo sido a partir da década de 1940/50 o local de maior índice de crescimento migratório no Estado de São Paulo.

Segue abaixo links relativos a essa história industrial que se expandiu e foi desarticulada em um pouco mais de meio século depois. 

Indústria de Chocolates Lacta S.A.

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/07/industria-de-chocolates-lacta-sa.html

LABORTERÁPICA: FIM DE MAIS UM CAPÍTULO EM SANTO AMARO/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2012/08/laboterapica-sa-fim-de-mais-um-capitulo.html

SEMP Rádio e Televisão: FINAL DE UM MARCO INDUSTRIAL EM SANTO AMARO/SÃO PAULO

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2015/03/semp-radio-e-televisao-final-de-um.html

As Indústrias Villares, o Piso da Fábrica, a Cidade de São Paulo e Santo Amaro

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2015/05/as-industrias-villares-o-piso-da_4.html

João Dias, em Santo Amaro e o Bairro Jardim São Luiz /SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2015/04/joao-dias-em-santo-amaro-e-o-bairro.html (Crônica sobre o Curtume Dias e a Fábrica York)

A EMPRESA AUTO ASBESTOS S.A. E AS BATERIAS DUREX: DO BIXIGA, PARA O BROOKLIN E SOROCABA

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/07/a-empresa-auto-asbestos-sa-e-as.html

Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio, no Bairro Jardim São Luiz, São Paulo/SP

https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2021/02/piramides-brasilia-sa-industria-e.html

João Brito de Araújo e a Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio no Jardim São Luiz/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2017/01/joao-brito-de-araujo-e-piramides.html

AS EMPRESAS WALITA E WAPSA: Pioneirismo no Brasil no “Parque Industrial” de Santo Amaro/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/05/as-empresas-walita-e-wapsa-pioneirismo.html

Não esqueça da minha “Dorel”: História da Caloi de brasileira à canadense!!!

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/06/nao-esqueca-da-minha-dorel-historia-da.html

AS INDÚSTRIAS E A DESINDUSTRIALIZAÇÃO EM SANTO AMARO

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2010/11/as-industrias-e-desendustrializacao-em.html

A FÁBRICA DE FERRO NO MORRO DA BARRA DE SANTO AMARO – SÉCULO XVII – UMA INDAGAÇÃO

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2012/02/fabrica-de-ferro-no-morro-da-barra-de.html

A Saga Grassmann (Graßmann): Pioneirismo em Santo Amaro / São Paulo

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2017/02/a-saga-grassmann-gramann-pioneirismo-em.html

Fábrica de Papel Fotográfico Kodak-Wessel em Santo Amaro/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2012/01/fabrica-de-papel-fotografico-kodak.html 

Alexandre Eder & Cia - Frigorífico Santo Amaro

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2011/05/alexandre-eder-cia-frigorifico-santo.html

A Indústria de brinquedos "Balila" no Bairro Jardim São Luiz/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2021/06/a-industria-de-brinquedos-balila-no.html


A Fábrica de Bicicletas Monark S. A. em Chácara Santo Antônio, região de Santo Amaro.

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2021/09/a-fabrica-de-bicicletas-monark-s-em.html

A Fundição Electroalloy Indústria e Comércio de Aço Ltda, no bairro Jardim São Luiz/SP

https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2021/09/a-fundicao-electroalloy-industria-e.html


INDUSTRIALIZAÇÃO NO BRASIL

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2012/10/industrializacao-no-brasil.html

Zona Carvoeira de Santo Amaro

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2012/11/zona-carvoeira-de-santo-amaro.html

Carvão Vegetal: Santo Amaro fornecedor da Cidade de São Paulo

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2012/11/carvao-vegetal-santo-amaro-fornecedor.html

A FÁBRICA DE DOCES BELA VISTA EM SÃO PAULO: PORTUGUESES DE CADIMA

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2021/01/a-fabrica-de-doces-bela-vista-em-sao.html

A Indústria Farmacêutica Squibb em Santo Amaro/SP e a Penicilina

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2022/04/a-industria-farmaceutica-squibb-em.html

Rolamentos Schaeffler do Brasil Ltda, em Santo Amaro-SP / "INA- Indústria de Rolamentos de Agulha"

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2021/12/rolamentos-schaeffler-do-brasil-ltda-em.html

A Metal Leve e outras Indústrias em Santo Amaro/SP: Uma Experiência de Vida!

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2021/10/a-metal-leve-e-outras-industrias-em.html

A Fábrica Pioneira de Pão de Forma “Pullman” na Vila Andrade, em Santo Amaro/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2023/01/a-fabrica-pioneira-de-pao-de-forma.html

Empresa Brasileira de Relógios Hora S.A. - “HORASA”, Santo Amaro/SP/Brasil

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2022/12/empresa-brasileira-de-relogios-hora-sa.html

Indústria de Plástico Reforçado Glaspac Ltda: Fabricante do Primeiro Buggy Brasileiro

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2022/12/industria-de-plastico-reforcado-glaspac.html 

Grupo York S.A. Indústria e Comércio, em Santo Amaro/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2022/06/grupo-york-sa-industria-e-comercio-em.html


Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio, no Bairro Jardim São Luiz, São Paulo/SP

Entre as empresas de porte das indústrias instaladas em São Paulo estava a Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio, fundada por Sami Koudsi, em 22 de julho de 1966, em galpões situados à Avenida Maria Coelho Aguiar, número 573, no bairro Jardim São Luiz.

Sami Koudsi, nasceu em Mosul, Ninawa, Iraque, em 18 de setembro de 1927. Era filho de Ibrahim Aziz Malki e Sara Aziz Gabriel. Teve as irmãs Nohad Malki e Fawzia Aziz Al Kass Issahak, casada com Fariss Kalil Al Kass Issahak. 

O fundador da Pirâmides Brasília veio para o Brasil em 1951, com 24 anos, em navio com imigrantes que resolveram cruzar o Atlântico em direção à América. 

Sami Koudsi foi um dos responsáveis na implementação da Câmara Iraquiana de Comércio, tornando-se seu presidente. As relações diplomáticas comerciais entre Brasil e Iraque, na década de 1970, estavam voltadas ao interesse do Brasil pelo petróleo iraquiano. Para igualar a balança comercial, o Brasil exportou automóveis do modelo Passat da Volkswagen, além de encomendas da Avibrás (no ramo de aviação) e serviços de infraestrutura no Iraque, através de construções da empreiteira Mendes Junior.

No bairro Jardim São Luiz, a Pirâmides Brasília teve sua expansão voltada para o ramo de espuma de colchões, ampliando, mais tarde sua produção para artigos plásticos.

A Pirâmides Brasília tinha um corpo técnico formado por Sami Koudsi, seu diretor-presidente, por Antônio Campelo Haddad, diretor superintendente e Arnaldo Mendes de Oliveira, diretor comercial, que fazia a empresa ter participação forte no mercado interno e externo. 

Com o tempo, foi duplicada a capacidade instalada para a produção de espuma, e a empresa passou a situar-se entre as maiores produtoras do setor na América Latina. Juntamente com a The Dow Chemical Company fundaram o empreendimento Propenasa, Produtos petroquímicos Nacionais S.A. Em 1972, a Pirâmides Brasília S.A. começou a produzir derivados de petróleo, como o polipropileno-glicol, matéria-prima que na época era importada, mas que era fundamental para a fabricação de espumas rígidas e flexíveis.


A Pirâmides Brasília se tornou o Grupo PiraSpuma, investindo em outros segmentos, como por exemplo, o automobilístico, que estava em grande expansão no Brasil. Criou-se a MC Cord Pirâmides S.A. Produtos Plásticos, que com modernos equipamentos estava preparada para produzir painéis, descansa braços e assentos de espuma moldada. Assim a empresa supria as demandas das grandes montadoras automobilísticas instaladas no Brasil.

Sami Koudsi Edição de 6-12 de outubro de 1973. Jornal Brooklin (Grupo Sul News).

Em 1973 Sami Koudsi recebeu o título de “Industrial do Ano” para o empresário, prêmio concedido pelo Centro e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo[1].

Juntamente com sua esposa, Maria Campello Haddad Koudsi fez a Fundação Sami Koudsi, instituída em 14 de outubro de 1974, com endereço de escritório à Avenida Faria Lima, 1815, em Pinheiros.

As dificuldades diante da “década perdida” de 1980 e a rigidez do mercado brasileiro tiveram consequências drásticas na empresa, obrigando-a a Pirâmides Brasília a fechar suas portas, terminando um dos ciclos das indústrias na região.

Sami Koudsi faleceu em São Paulo, em 17 de janeiro de 1990.

 



[1] Matéria do Jornal do Brooklin, de 6 a 12 de outubro de 1973 e de 1 a 7 de dezembro de 1973.


sábado, 20 de fevereiro de 2021

Alfonso Martín Escudero e a Chácara Alfomares em Santo Amaro, São Paulo

Este é um dos casos mais emblemáticos da história de Santo Amaro.

Há algumas interrogações nessa estrutura, que remonta à guerra civil espanhola, pois Alfonso Martín Escudero foi condecorado com a Ordem da Grande Cruz, a maior honraria do governo espanhol.


Alfonso Martín Escudero nasceu em 10 de junho de 1901 em Brihuega (Guadalajara). Empregou-se numa loja de tecidos em Vigo, onde depois abriu uma empresa do ramo com um amigo em La Coruña. Com talento natural para o comércio, manteve relações com grandes fabricantes de tecidos da Catalunha, que o encarregaram da venda exclusiva de grandes lotes de tecidos muito procurados no mercado. 

Edificou empresas de porte considerável na Espanha, como a Alfomelo Iron Mining Company para explorar uma concessão mineira em Lubrin (Almería), em conjunto com uma subsidiária transportadora de minas que escoava o minério extraído em Lubrin, exportando-o para países europeus que tinham grande necessidade de minério de ferro. Na época, ele também adquiriu a empresa C.U.P.A., que possuía uma grande extensão de terreno no Paseo de la Castellana em Madrid. Esses minérios de grande importância para a indústria em geral, também abasteceram a indústria bélica da Segunda Guerra Mundial.  

Seu espírito empreendedor o levou a cruzar o Atlântico abrindo negócios em Cuba. Quando pressentiu que a ilha passaria por grandes transformações, mudou-se para o Brasil, onde, após várias transações comerciais, adquiriu ações de um banco em São Paulo.

Chegou ao Brasil com o equivalente a 2 milhões de dólares em 1954, portanto já com 53 anos de idade. Há uma referência de que Escudero fosse casado na Espanha com Lucia Lavandera Spina, e um detalhe chama atenção: eram casados em separação de bens. Parece que quando chegou ao Brasil, em agosto de 1954, ele já estava viúvo e sem filhos.

A gestão do banco Casa Bancária Belembolia, fundada em 1939 por italianos, com apenas uma agência em São Paulo, trouxe-lhe um conhecimento de primeira mão da situação econômica e comercial do país.  Desse início resultou em 1957 o Banco Alfomares, com a matriz situada na Rua da Quitanda, 123.

 


Criou uma fundação em 27 de junho de 1957, em Madri, que leva seu nome.  Em 1968 o Banco Alfomares possuía 42 agências sendo vendido depois para o Banco do Paraná por 18 milhões de cruzeiros (moeda à época), que seria em torno de 6 milhões de dólares. Assim, adquire toda riqueza e torna-se proprietário de alguns terrenos na Avenida Paulista.  

Consta que, para o alargamento da Avenida Paulista, ele doou 119 m2 em 1972, como muitos proprietários também, variando a metragem doada por cada um. Há registro de uma empresa, Martinero Comércio LTDA, situada à Avenida Angélica, 2364, que era também seu domicílio.  

Alfomares recebeu esse nome devido ao seu último proprietário ALFOnso MARtín EScudero.

Bem antes disso a área pertenceu ao doutor Paulo de Souza Queiroz, político influente no governo estadual e federal no século 19 e início do 20. De 1885 até o final do século havia requerentes de terras, sendo o auge de se distribuir "datas" (lotes de terrenos) pela Villa de Santo Amaro, que de 1832 a 1935, manteve-se administrativamente independente da cidade de São Paulo. 

Só a título de curiosidade, em Ata de 1891 (Revista do Arquivo Municipal, nº63, p.163) há pedido no Alto da Boa Vista a saber:

 “Um requerimento de Gabriel Vieira da Silva e João Antonio Pedroso, requerendo títulos definitivos de duas datas que lhes foram concedidas, sendo uma cada um à rua da Liberdade a título gratuito em terreno municipal, para poderem transferir a terceiros e, com o produto desta, comprarem então outras duas em terreno municipal e mais perto da Villa. Despacho: A Intendência resolveu indeferir o requerimento visto os suplicantes não terem cumprido com a praxe estabelecida pela mesma. Sala da Sessões 3 de julho de 1891. Padre Luiz Bittencourt.” 

Outro pedido de “datas” (lotes de terrenos) (Revista do Arquivo Municipal, nº62, p.259): “Eugenio Bueno, pedindo nove datas de terreno na rua General Ozorio sob números 107, 108, 109, 110, 111, 112, 113, 114 e 115 bem como as datas do Campo das Perdizes sob números, 37, 38, 39, 40, 41. Despacho: Ao alinhador para informar. Santo Amaro, 12 de maio de 1891. Padre Luiz Bittencourt.”

Isso prova que as terras da Villa de Santo Amaro estavam disponíveis a quem quisesse se estabelecer, com nenhum custo pelas terras ou a um custo baixíssimo. Um proprietário provável do que viria a ser conhecida por Alfomares, foi  Charles Emmett Waddell, nascido no Texas, EUA, em 1897, que fazia parte, no Brasil, a partir da década 1940, da diretoria da “Reprensagem e Armazenagem de Algodão S.A.” tornando-se um dos integrantes do comércio de algodão brasileiro, Membro da Câmara Americana de Comércio (São Paulo) e da União Cultural Brasil-Estados Unidos. Em 1936, foi um dos grandes acionistas da Anderson Clayton & Co, além de investimentos no setor algodoeiro do Nordeste do Brasil. 

Consta que o local foi anteriormente chamado de Chácara Narcisa, em homenagem a Narcisa Andrada de Souza Queiroz, esposa de Paulo de Souza Queiroz, uma gleba talvez de 5 alqueires, onde estavam os 63 mil metros da Alfomares, algo em torno de 3 alqueires.



Residência da propriedade

Tanto Charles Emmett Waddell, quanto Alfonso Martín Escudero se conheceram bem antes, pelas relações comerciais de ambos, sendo o primeiro um dos integrantes de exportação de algodão brasileiro e o segundo um dos grandes fornecedores de tecido na Espanha. Não se descarta a possibilidade de Charles Emmett Waddell ter adquirido a Chácara do Francês, no caso de Júlio Contier, e depois ter encontrado um comprador em potencial, Alfonso Martín Escudero.

Alfonso Martín Escudero, já com 88 anos é assassinado em 1º de março de 1990 em seu escritório na Paulista, e não fica nenhum rastro do fato. (Estadão 30 de agosto de 1997- missa). 

Consta no documento de registro do imóvel do Jardim Alfomares, com memorial datado de 06 de fevereiro de 2004, que a área possui 63.687,29 m2, possuía um palacete para residência, uma casa e outras benfeitorias, situados à Rua Visconde de Porto Seguro, 293 (antiga Estrada de Aracassu), estes lançados pela Prefeitura do Município de São Paulo, pela Rua da Fraternidade nº 803, com área total construída de 1528,00 m2, e que a inventariante é Blanca Antonia Martín Escudero, e que na data do documento (26 de junho de 1985) era ainda solteira, com residência em Madri, Espanha, em Passo del Pintor Rosales, nº 16.  Blanca Trindad Martin Escudero casou-se com José Martin Zamorano em Madrid, com comunhão de bens em 14 de setembro de 1987.  Em 1989, Alfonso Martín Escudero fez seu testamento aberto, deixando todos os seus bens para a "Fundação Benéfico Docente Alfonso Martin Escudero" então recorrida no STJ pela filha adotiva Blanca.  Seus bens foram arrolados e foi pedido pela Fundação que fossem a ela adjudicados já que pelo testamento esta seria a herdeira universal. Hoje é uma área importante para todos santamarenses que lutam pela preservação da fauna e flora de Alfomares!


Obs:

O exposto é apenas um fato histórico e está sujeito a revisão sem prévio aviso. 



Vide o link:

Por que do nome Chácara Narcisa, atual Alfomares, no Alto da Boa Vista, em Santo Amaro/São Paulo?

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/12/por-que-do-nome-chacara-narcisa-atual.html

ALFOnso MARtín EScudero=ALFOMARES

https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/12/alfonso-martin-escuderoalfomares.html 



Referências jornalísticas:

Correio Paulistano, 29 de abril de 1941

A Razão, 06 de outubro de 1936

O Estado de São Paulo, 12 de outubro de 1973

O Estado de São Paulo, 10 de junho de 1997

O Estado de São Paulo, 30 de agosto de 1997

Jornal do Brasil, 22 de maio de 1988

Correio da Manhã, 20 de outubro de 1963



Outras referências: 

BROTERO, Frederico de Barros. Descendência do Barões de Souza Queiroz. Revista de Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, p. 441-484

GUERRA, Juvencio e Jurandyr. ALMANACK COMMEMORATIVO DO 1º CENTENARIO DO MUNICÍPIO DE SANTO AMARO. São Paulo: Estab. Graphico Rosolillo, 1932

Registro de Imóveis, matrícula 171.932

Fotos: Fundação Benéfico Docente Alfonso Martín Escudero; outras em pesquisa.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O historiador e a expansão da cidade de São Paulo na Zona Sul, Santo Amaro/SP!

MUITO NHÉM-NHÉM-NHÉM

Fazer história não é para quem fica sentado com a “bunda na cadeira” e se diz representante da associação tal e tal ganhando lauréis imerecidos, apoiado pelos políticos x, y, z que adoram as luzes da ribalta!!!
Batemos constantemente na tecla que fazer história de bairros tradicionais e a coisa mais fácil do mundo! Há acervo disponível em arquivos e fontes primárias, tipo Moóca, Brás, Lapa, Bom Retiro, Centro de São Paulo, basta adquirir os últimos livros publicados e defender alguma tese para tornar-se “doutor”!
Não é para continuar em fazer “reprodução histórica”, tipo meu avô falou para meu pai que falou para mim para que eu seja agora o dono da verdade, mas sim fazer a “produção” histórica da realidade acontecida em determinado tempo e espaço!!!
O que é de extrema dificuldade é “CONSTRUIR” a história dessas vilas operárias da zona sul, ou seja, Santo Amaro.
Possuímos vasto material sobre a zona sul, especificamente o que abrange Santo Amaro, e esse material foi sendo “garimpado” em fragmentos por mais de 30 anos.
Está cheio de disse-me-disse, oralidade, o dono do armazém mais antigo, a padaria, a granja, mas carece de dados confiáveis. No periférico de São Paulo há uma expansão imobiliária e os “doutores” começam a querer os resquícios do que sobrou.
Santo Amaro é exemplo disso, há muito fake news histórico.
Hoje muitos procuram saber do bairro porque ele está em fase de transição de bairro operário, de várias indústrias que se retiraram, para um bairro em expansão imobiliária com gente que está chegando agora!
Novas estruturas residenciais estão sendo construídas. Não há por parte do poder municipal controle disso e onde passavam carroças, estão enchendo de automóveis, e as ruas são as garagens desses “predinhos ou prediões”, onde não há um planejamento urbano dessa nova estrutura.
Poucos se preocupam de coletar material que estruture a história desses locais, infelizmente.
Historiador não tem que saber nada, mas onde está tudo! Neste caso não sabemos onde possa estar parte dessa história que o poder público também não tem interesse em coletar e dificulta ao máximo os pesquisadores.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

A FÁBRICA DE DOCES BELA VISTA EM SÃO PAULO: PORTUGUESES DE CADIMA

A Fábrica de Doces Bela Vista está relacionada aos imigrantes da cidade de São Paulo. Foi fundada em 1915 por um imigrante italiano e depois comprada pelo imigrante português Joaquim Maria (Maraia!!!) de Almeida e Silva, natural de Cadima, Portugal.

Nicola Infante iniciou a fábrica de doces na rua Major Diogo, 226, no bairro que daria nome a Empresa Bela Vista.

A fábrica produzia doces de tipo caseiro, como suspiros, paçocas, caramelos e pés-de-moleque, além de bombons finos e chocolates e distribuídos pela cidade por vendedores que munidos de suas carroças percorriam armazéns, quitandas e vendas a varejo.

Entre os vendedores da Bela Vista estava a figura de Joaquim Maria de Almeida e Silva, (31-08-1903/12-07-1978) inicialmente um vendedor de pães. O fundador da empresa, Nicola Infante decidiu vender a sua fábrica de doces e sair dos negócios, oferecendo-a ao então seu principal vendedor, Joaquim Maria de Almeida que juntamente com seus patrícios, Rodrigo Mendes Barreto e Manuel da Cruz Barreto, adquiriram a Bela Vista por 80 contos de réis.

A fábrica na década de 1940 aumentou a produção consolidando-se como um dos principais fabricantes de doces de nossa cidade. A empresa sediada na rua Major Diogo tornou-se pequena para as atividades industriais e os proprietários decidem construir novas instalações, optando pelo bairro do Pari, na rua Canindé, 948.

A distribuição dos produtos, foram ampliadas por caminhonetes e caminhões, sempre pintados na cor verde e que eternizaram a marca por toda a cidade e interior paulista.

A empresa recebia outros administradores da produção sendo que para fazer as vezes de Joaquim Maria de Almeida e Silva, foi empossado seu cunhado Camilo Costa. Para o de Manuel da Cruz Barreto, assumiu  João Jorge de Carvalho e assumiu para Rodrigo Mendes Barreto, casado com a senhora Ermelinda, o seu cunhado Antônio da Luz Lopes.

Há o livro “Cadima, Sua Gente eu Seu Passado” elaborado por Mário de Almeida Batata, que mostra um pouco dessa aldeia, de onde vieram alguns patrícios. Ele mesmo coloca ter chegado ao Brasil em 1951 e trabalhado como vendedor viajante da Fábrica de Doces Bela Vista.

Em 1969 Joaquim Maria de Almeida junto de seus filhos e genro adquirem as ações de seus sócios. Hoje o presidência da Fábrica de Doces Bela Vista está a cargo de Cid Maraia de Almeida filho de Joaquim Maria de AlmeidaCid Maraia de Almeida presidiu ainda o Sindicato da Indústria de Massas Alimentícias e Biscoitos no Estado de São Paulo(SIMABESP) nas gestões de 1993 a 1996 e de 2005 a 2011.

Os Almeida Maraia, fazem parte do ramo conhecido de Cadima, em Portugal, terra onde todos são primos e primas.

Observações:

Este ensaio buscou fontes confiáveis e depoimento de Odete dos Santos Amaro, esposa de Alcir de Jesus Amaro (falecido) ex funcionário da empresa. Se porventura houver algo que possa enriquecer a crônica, será bem-vindo.Essa empresa está no seio da família. Muitos portugueses dessa "aldeia" (tipo cidade do interior) eram de lá, como minha avó por parte de mãe, e muitos funcionários eram de Cadima!


Vide:

Cadima: Identidade e Pertencimento

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2011/09/cadima-identidade-e-pertencimento.html

Fotos do acervo da empresa e/ou em pesquisa os créditos..

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Não há documento oficial de que Santo Amaro/SP tenha sido “fundada” em 1552!

 Anchieta e a missa que não celebrou!

Santo Amaro (Paulistana) estava em uma região entre o litoral e a Boca de Sertão e era a ponte ente o mar e aquela que viria a ser São Paulo de Piratininga. Evidente que possa haver um elo de datas anteriores ao seu “nascimento”, pois as expedições vinham com o intuito de reconhecimento das terras de El Rey de Portugal. Datas são focos conflitantes quando não se encontram documentos oficiais, ou do Estado ou da Igreja, que possuía toda autoridade de exercer funções de registro. A primeira carta escrita sobre a fundação de São Paulo está desaparecida, mas por algum motivo foi reescrita uma segunda por Anchieta datada de setembro de 1554 que foi enviada a Roma onde consta das Cartas de Anchieta, o seguinte:


Por isso, alguns irmãos mandados para esta aldeia no ano do Senhor de 1554, chegamos a 25 de janeiro e celebramos a primeira missa em uma casa pobrezinha e muito pequena no dia da conversão de São Paulo, e por isso dedicamos ao mesmo nome a esta Casa”. 

 

Os superiores deveriam “escrever” ao provincial e este a hierarquia maior em Roma, muitas delas escritas em duas línguas, no caso espanhol e latim, de domínio do Irmão Joseph de Anchieta, que chegou ao Brasil em 1553, logo não poderia estar em Santo Amaro celebrando missa, no Brasil, em 1552. Ele só foi ordenado em 1566, e não tinha este “venerado irmão” os encargos atribuídos à função de sacerdote até aquela data, ou seja: os ofícios litúrgicos eram professados por sacerdote ordenado, talvez houvesse o direito de proclamar a celebração. mas sem o direito da consagração litúrgica!

 

O primeiro registro de terras em Santo Amaro, talvez por força da autoridade de documento de Ana Pimentel, governadora da capitania  de São Vicente, uma gleba que por muito tempo foi de 640 Km2,  data de 12 de agosto de 1560: duas léguas de terras na margem esquerda do rio (atual Rio Pinheiros) então chamado de Jeribatiba,(Jurubatuba) doadas aos padres jesuítas. 

Em 1560 foi também usado, por ordem de Mem de Sá, um outro caminho entre o planalto e o litoral, mais para oeste, a fim de evitar os ataques dos tamoios.

Essas duas veredas, ordinaríssimas, mal traçavam o trânsito entre o planalto e o Cubatão. Esta última ficou conhecida sob o nome de Caminho do Padre José, não se sabe desde que data e por que razão, talvez por ser frequentada por Anchieta. Em 1560 José de Anchieta era apenas irmão da Companhia de Jesus, só tendo tomado ordens sacerdotais em 1566, na Bahia (Serafim Leite, História da Companhia de Jesus, Vol. 1º, pág. 29, Nota 2). Nem ele tinha poderes, nem a Companhia de Jesus, nessa época, tinha posses para construção de caminhos por piores que fossem. 


Data-se desta época a denominação Santo Amaro, (que não se trata da Capitânia de Santo Amaro, que deu origem ao Guarujá!) homenagem dos jesuítas que trouxeram de Portugal uma imagem do Santo, embora se confira segunda hipótese da doação da imagem por parte do casal João Paes e Suzana Rodrigues, para a Capela Nossa Senhora da Assunção de Ibirapuera, também hipótese contestada pela própria igreja!

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

A Vozinha Amélia e o Corona Vírus

 A vozinha Amélia saiu aplaudida do hospital, venceu o Vírus!!!

Na saída havia repórteres que queriam entrevistá-la.

-Vó Amélia, quantos anos a senhora tem?

-“Fia”, acho que tenho 85...

-A senhora saiu nesses dias?

-Mas de jeito nenhum, se eu sair meus “fios me mata”!

-Então se o vírus não matar os filhos matam a senhora?

-É isso mesmo, tá certinho!!!

-Mas se a senhora não sai de casa, como pegou o vírus.

-Ah, isso num sei não, acho que esse bichinho é danado!

-Como assim bichinho danado?

-Penso que “si nóis num sai ele vem nos visita”.

-Mas ele não pode vir se alguém não o traz!

-Eu tranco tudinho, ele num tem jeito de entrar de modo nenhum.

-Vó, a senhora vive sozinha?

-Sim a casa é minha, vivo com meu netinho, ele é bonzinho.

-Ele que cuida da senhora?

-Desde que o finado se foi!

-Quantos anos ele tem?

-Num sei bem ao certo, mas acho que é 24.

-Então é um moço de responsabilidade?

-“Virge Maria” e muita!

-Fica o tempo todo com a senhora?

-Fica usa "máscra", “faiz” compra, tudo certinho, usa até “arcoo”!!!

-Difícil saber como esse vírus atacou a senhora!

-Verdade...

-A esqueci de só fala uma coisinha sem sentido:

Nos fins de semana meu netinho vai num lugar que se chama “balada”...

Tadinho “trabaia" tanto tem que se diverti um bucadinho, né não???


( A única coisa fictícia dessa história é o nome da vozinha)