Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

A FÁBRICA DE FERRO NO MORRO DA BARRA DE SANTO AMARO – SÉCULO XVII – UMA INDAGAÇÃO

FATOS, REALIDADE E ORALIDADE
               
              Fatos históricos contados e averbados por documentos são marcantes para desvendar mistérios que ficam por vezes obscuros. Ao possuir maiores informações da história transmitida, surge uma série de indagações presumíveis, da qual pode resultar uma dedução.

Ao descortinar a história, nos aproximamos de uma citação a um rio denominado Geribatiba, o atual Rio Pinheiros, que por certo não possui nenhuma semelhança ao Rio Jurubatuba, com sua nascente na Serra do Paranapiacaba. O Rio Pinheiros teve sua sinuosidade alterada, contornando a margem de Santo Amaro que, diga-se também é a mais antiga vila do planalto, anterior até a São Paulo de Piratininga. À beira do rio, a madeira, combustível básico das forjas, e o minério a céu aberto, eram transportados rapidamente do litoral de Santos, com vilas prósperas, construídas às margens de rios ou litorâneas.1

Assim as forjas, que hoje denominaríamos fábricas, estavam situadas nas terras de Afonso Sardinha que, embora fixado em Santos, possuía lá seus interesses no planalto e aqui tinha morada em Ubatá, atual Butantã. Uma gleba de terra naquele tempo incluía léguas e léguas de distância, até perder-se de vista. Abrangia o “Borapoeira”, tornando-se depois Ibirapuera e que, devido à devoção portuguesa a Santo Amaro, já deu muitas histórias maravilhosas, nascidas da fé erigindo muitas igrejas e capelas. Havia uma capela de Santo Amaro de Ibirapuera referenciada em 1605, anterior a fábrica de ferro datada de 1607 nos assentos de Martin Rodrigues Tenório: “O engenho de Ferro começou a fundir quinta-feira a 16 de agosto de 1607 ao qual possuíram por nome Nossa Senhora de Agosto que é a Assunção Bendita e seu dia 15 do dito mês”.1
FORNO CATALÃO-APROVEITAMENTO DO MORRO PARA SUSTENTAÇÃO
A implantação da forja foi a passos lentos, pois parte do equipamento perdeu-se na viagem marítima, talvez provindo da metrópole portuguesa ou de seus consórcios com holandeses ou ingleses. Citava-se que Diogo de Quadros era provedor das minas, tinha poucas posses e ia devagar com o projeto, mas acabá-lo era importante, pois ali havia muito metal de ferro.

O equipamento era composto de dois malhos de 175 quilos, duas argolas de mesmo peso, duas chapas cada de 30 quilos e duas de 60 quilos. Tudo perfazendo a soma de investimento de 36 mil réis.1

Não havia mão de obra especializada, e era tudo lento, demorando quase dois anos para sua implantação. A produção tornou-se dispendiosa, o ferro era produzido a custo de 4 mil réis o quintal, quando valia só a metade. Queixava-se Diogo de Quadros da baixa produtividade dos “índios maramomís” na produção de carvão e o serviço não se desenvolvia como “Sua Majestade” pretendia, perdendo seus reais quintos, imposto da produção efetiva.[1]

Novos sócios alavancaram o empreendimento, como o próprio marquês das minas, Dom Francisco de Souza e o seu filho mais velho, Dom Antonio de Souza.

Assim, fato contado não é fato consumado, fazendo-nos divagar que à margem oposta ao Rio Pinheiros pode estar enterrada a história do “primeiro engenho das Américas”, anterior ao engenho de Araçoiaba, da Fábrica Real do Ipanema. Podem ter existido antigas vilas, arraiais, núcleos pequenos de grandes homens, que viram antes de nós os morros atuais do atual Bairro do Jardim São Luiz e seu rio, antes sinuoso, a conter um volume imenso de água e, ao lado, as belezas do sítio Guarapiranga, circundante como um jardim de matas verdejantes. Neste local, porta de entrada para a “Cidade de Santo Amaro” onde aportou a primeira expedição, que consta ter sido em 1552, embora não se encontra em anais oficiais para confirmação desta informação verbalizada ao longo do tempo, deslocou-se a primeira expedição rumo a “Boca de Sertão” e que daria origem a cidade de São Paulo, com anuência dos autóctones locais, que teve a inter locução de algum naufrago ou desterrado deixado nestas paragens na expedição ao Brasil com supervisão de Américo Vespúcio, custeada pelos investidores de Veneza, os Médici, OS maiores investidores de então. A intenção primeira da Expedição de Exploração da armada portuguesa comandada pelo fidalgo Martim Afonso de Sousa foi apenas pretensão para aproximar-se da entrada do Rio da Prata, possessão espanhola, disso resultando as fundações de vilas litorâneas auxiliado pelo prático de navegação Henrique Montes[2]. Deste modo começa a saga da interiorização, pelos rios, as primeiras estradas do Brasil e que o Rio Tietê e seus afluentes tiveram suma importância.

RUÍNAS - em que lugar?

           Não há vestígios do que fora a Primeira Fábrica de Ferro das Américas, nas imediações de Santo Amaro, em São Paulo, mas se mantém na oralidade local, sem embasamento oficial da localidade. Compete aos magnânimos estudiosos da arqueologia histórica encontrar no Morro da Barra, referência a barragem natural contra os ventos locais, estudar está lacuna e que foi o início da prospecção da rica mineraria brasileira.  


Considerações sobre a Primeira Usina de Ferro das Américas em Santo Amaro, Patrimônio Histórico do Município
Pesquisando anais historiográficos de Santo Amaro, há tempos nos deparamos com documentos que ora anexamos, com citação sobre a Primeira Usina de Ferro das Américas, datada de 1606/7, situado no Morro da Barra em Santo Amaro. Houve por bem requerer na década de 1970 ao Conselho do Patrimônio Histórico do Município de São Paulo o tombamento histórico ao referido sítio. Em documento da época refere-se a 3(três) fotos de agosto de 1936, as quais não foram localizadas.

Em pleno século 21, Santo Amaro (Paulista) aparece no cenário urbano de São Paulo com espaço importante para expansão do município. Deste modo voltamos a rever antigas pesquisas deste relevante momento e faz-se nova petição, reforçando-a a egrégia administração atual da Subprefeitura de Santo Amaro, requerendo novos estudos arqueológicos deste espaço geográfico em nome da historiografia local.



[1] HOLANDA, S. B. (1948). A Fábrica de Ferro, DIGESTO ECONÔMICO, no 38. 78-81.
[2] Henrique Montes foi uma personalidade do início da era colonial do Brasil, tendo sobrevivido à Armada de Solis, tal como Melchior Ramirez. Teve como funções Prático e Encarregado da nau de mantimentos. Por muitos anos, viveu em São Vicente onde desenvolveu suas atividades até o Rio da Prata junto a Gonçalo da Costa e do Bacharel de São Vicente, mas não prosperou junto a estes e tornou-se desamparado, denotando um possível desentendimento no desejo de posse da Ilha Pequena para prender escravos da tribo Jurubatuba, onde se instalou por dois anos sob permissão de Martim Afonso. Tendo interferindo com o rompimento de poder do Bacharel Cosme Fernandes, ocorreu-lhe o fim de sua existência diante das forças de Rui Mosqueira.

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

O PLÁGIO E O PLAGIADOR

Por que se plagia?
Para ganhar notoriedade, talvez, ou algum reconhecimento, atrelado ao fato de desejar estar no rol de celebridades, comete-se o ilícito do plágio. Usurpar algo mesmo parecendo sem importância acarreta situações que define o plagiador com um parasitário, vivendo da seiva de uma árvore que produz frutos.
É diferente de uma planta epífita, pois esta jamais busca se alimentar do hospedeiro, contrário do parasita que é agente agressor retirando nutrientes para sua subsistência. A epífita troca com o hospedeiro os nutrientes que são suportes para vicejarem juntas sintetizando a luz e usufruindo ambas do ar respirado.

Este sentido figurado remete pensar na condição do plagiador que se hospeda não como epífita, mas como parasita beneficiando-se de todos os benefícios que se propõe arrancar do hospedeiro que o beneficia, roubando-lhe o ar e a luz.

O plagiador não quer aprender como aluno, aquele que não tem luz, mas usufruir das benesses de quem possa lhe oferecer luz, é o plagiador um astro sem luz própria, um satélite que necessita de um hospedeiro para parasitar suas intenções.

Diderot na “Enciclopédia” define que “Um plagiador é um homem que a todo o custo quer ser autor e, não tendo nem gênio nem talento, copia não só frases, mas também páginas e passagens inteiras de outros autores e tem a má fé de não os citar; ou aquele que, com pequenas mudanças e adição de pequenas frases, apresenta a produção dos outros como algo que fosse imaginado ou inventado por si; ou ainda aquele que reclama a honra de uma descoberta feita por outro”.

Não se sabe ao certo se o plagiador tem em seu íntimo a vontade de tornar-se aquele que ele plagia, ou é possuído do ímpeto de um cleptomaníaco, que esta no limiar do prazer e da doença com a intenção do furto das idéias.

A ética deve ser demonstrada por àqueles que de certa maneira subsidia qualquer pesquisa com suas referências, assim se credita o direito da menção do crédito de qualquer trabalho, respeito as árduas horas, dias, anos, despendidos para provar o fato como científico.

COPYRIGHT
Muitos apresentam titularidades falsas, para angariar benefícios em suas carreiras, com pesquisas cientificas alheias,  que complementam teses com cópias de outro trabalho cientifico para usurpar cargos que por direito pertence ao titular da obra. Usurpa tudo a sua volta formando um currículo e existência falsa, são normas das ações do plagiador.
Apoderar-se de algo sem citação bibliográfica é querer subjetivamente os lauréis da honra de uma batalha que jamais participou, nunca pesquisou o campo, jamais saiu em busca das evidências e não sabe discernir o verdadeiro do falso.

Houve cópias de trabalhos científicos que desmascararam seu “pesquisador” que se beneficiou por algum tempo de prestígio e fama, mas a má fé do plagiador trazida à tona constrange o mesmo e o cobre de desonra, além da obrigação de retratação pública.

Buscando prestigio imediato há fatos relatados na mídia recentemente comentou-se o “auto plagio”. Para obtenção de um segundo título maquia-se o original criando-se uma cópia alterada do primeiro trabalho cientifico que tem validade cientifica no meio acadêmico e apresenta outro trabalho, se beneficiando da validade do primeiro, ganhando assim dupla titularidade.

COPYLEFT
Usam de outras estratégias os plagiadores: compelidos pela vontade de reconhecimento adquirem obras de outro país, de língua diferente de sua origem e fazem traduções editando “seus livros” no país de sua nacionalidade, uma reprodução grosseira com alguns enxertos, quase “um crime perfeito”. Esse esquema já rendeu dissabores a muitos adeptos do “plágio da tradução”, inclusive sendo acionados judicialmente por ações com direito a indenizações a quem  age nesta linha de usurpação de trabalhos alheios.

Um fato corriqueiro em trabalhos apresentados são imagens fotográficas que são reproduzidas sem a menção do seu autor, mesmo que as mesmas excedam o tempo liberando para utilização de domínio público, é de bom alvitre e respeito ao autor, fazer a citação para que valorize mais ainda o trabalho em evidência de determinado pesquisador e a imagem recolhida e congelada em determinada época seja usada em estudo contemporâneo.

 DOMÍNIO PÚBLICO
Enfim, todo trabalho que demande referências de outrem requer a menção do autor, para valorizar e autenticar o trabalho onde a fonte é de suma importância em quaisquer campos, para uma autenticação registrada e abalizada para tornar-se um documento reconhecido e confiável, tornado-se fonte para outras pesquisas.

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Fábrica de Papel Fotográfico Kodak-Wessel em Santo Amaro/SP

Dois Momentos Históricos

A família de August Wessel, pequeno industrial de Hamburgo, Alemanha, do ramo de chapéus, decidiu emigrar para a Argentina, na década de 1860, quando o movimento migratório para a América de europeus era intenso. O filho Guilherme Wessel retornou a Hamburgo para estudar Física onde foi atraído pela técnica da fotografia, casando-se com Nicolina Krieger, em 03 de março de 1887. Retornou a Buenos Aires onde nasceram Georg Walter em 10 de abril de 1888 e Ubald Konrad August Wessel em 16 de fevereiro de 1891. Em 1892 a família rumou para o Brasil primeiramente residindo em Sorocaba, e posteriormente seguiram para a capital paulista. Guilherme Wessel tornou-se comerciante na área de fotografia e clicheria, estabelecendo-se à Rua Direita inicialmente, além de professor no bairro da Luz, onde estavam as instalações da Universidade de São Paulo, (USP) onde atualmente ficam as instalações da Fundação Paula Souza, com a Faculdade de Tecnologia (Fatec).

O filho Conrado foi estudar na escola da Vila Mariana conhecida como “Escola Alemã”, mantida pela Associação Benjamin Constant. Apreciava reações químicas aprimorando-se com trabalhos de fotografia. Tornou-se prioridade sua formação para seus pais, pois seu irmão Georg faleceu em 1908. Foi enviado para a Áustria, em 1911, para estudar Fotoquímica em Viena, na K.K. Lehr und Versuchs Antstalt, especializando-se em clichês para revistas e jornais.

Retornou ao Brasil em 1913, com equipamentos destinados à confecção de clichês para impressos em geral. Tornou-se aluno assistente da Escola Politécnica, em São Paulo, auxiliando no laboratório do Prof. Roberto Hottinger, desenvolveu pesquisas por quatro anos onde foram elaboradas fórmulas, tamanhos, reações, natureza do papel das fotos. Instalou uma oficina num prédio de seu pai, na Rua Lopes de Oliveira, 198, Barra Funda, aprimorando, pesquisando, inventando, e aperfeiçoando material até conseguir patentear seu processo em 1921, conseguido no governo brasileiro do Presidente Epitácio Pessoa. Fundou a Fábrica Privilegiada de Papéis Photograficos Wessel, a primeira do gênero no Brasil.

Diz ele de sua insistência de pesquisas em manuscritos: “Fiz inúmeras experiências misturando o nitrato de prata ao brometo de potássio, ao cloreto de sódio e ao iodeto de potássio. Depois de centenas de experiências, cheguei a uma fórmula satisfatória, cujas provas agradaram muito a meu pai”.

Em 1924, com a Revolta Tenentista, chefiada pelo General Isidoro Dias Lopes, a cidade de São Paulo ficou isolada e os produtos fotográficos não chegavam dos países de origem através do porto do Rio de Janeiro, porta de entrada dos produtos importados e assim a demanda do papel fotográfico Wessel tomou, primeiramente, conta do mercado de São Paulo e se efetivou vendendo sua produção, superando em qualidade o papel fotográfico vindo dos EUA e da Europa.
A WESSEL POSSUIA OS PRÓPRIOS MEIOS PARA O ALCANCE DE SEUS PRODUTOS

A líder do mercado fotográfico de então, Kodak, formou em 1949 uma sociedade originando a Fábrica de Papel Fotográfico Kodak-Wessel, em Santo Amaro, São Paulo, ficando o privilégio de distribuição da produção para os americanos.
PRAÇA ADÃO HELFENSTEIN-SANTO AMARO/SP

Conrado Wessel dirigiu a empresa por vinte e cinco anos sendo seu diretor até 1954, quando transferiu os direitos inventivos definitivamente para sua aliada Kodak, que adquiriu a patente e a fábrica.  A Fundação Conrado Wessel, foi constituída em 20 de maio de 1994 com a finalidade de incentivar a Arte, a Ciência e a Cultura. Conrado Wessel faleceu no dia 23 de maio de 1993, deixando vasto patrimônio e o legado do incentivo premiando cientistas brasileiros redigido em testamento de 11 de maio de 1988.
Eastman Kodak: Outros tempos
Seleções-13 FEV.44

Kodak sucumbe à era digital e pede concordata nos Estados Unidos

A queda da Kodak foi um processo longo, que era observado há anos por analistas do mercado. O valor de mercado despencou de US$ 31 bilhões para US$ 150 milhões em 15 anos. As ações, que estavam sendo negociadas por US$ 0,36 antes da suspensão dos negócios, valiam US$ 30 em 2004, quando já estavam em queda e ainda faziam parte do índice Dow Jones, que mede a variação dos principais papéis na Bolsa de Nova York. Foram fechadas 13 fábricas nos EUA, onde a companhia possui hoje 19 mil funcionários. No auge, chegou a empregar 145 mil.
Seleções-01 JUNHO 43
As fotos dos astronautas americanos na Lua também foram feitas com máquinas produzidas pela empresa. Cerca de 80 filmes vencedores do Oscar usaram produtos da Kodak. Com a primeira câmera tendo sido fabricada por George Eastman, em 1888, a Kodak foi por anos o símbolo do futuro e da inovação. A câmera digital foi criada pela primeira vez em 1975, mas chegaria ao mercado pelas mãos de outras empresas apenas cerca de duas décadas mais tarde.
Em crise, Kodak se prepara para pedir concordata
Criada há 131 anos, empresa que já foi sinônimo de fotografia não teve sucesso na transição para o digital.A Kodak, empresa do segmento fotográfico fundada em Nova York há 131 anos, está se preparando para pedir proteção à falência, segundo o jornal The Wall Street Journal. Apesar de tentar evitar a concordata por meio da venda de 1.100 patentes, a companhia já conversa com bancos sobre US$ 1 bilhão em financiamento para se sustentar durante a recuperação judicial.
Seleções-03 MARÇO 44

 Eastman Kodak pede concordata em Nova York

NOVA YORK, 19 (AE) - A Eastman Kodak pediu concordata na manhã desta quinta-feira, depois que a pioneira dos processos fotográficos não conseguiu levantar capital para financiar uma recuperação financeira de longo prazo, segundo reportagem do "The Wall Street Journal".

Kodak sucumbe à era digital e pede concordata nos Estados Unidos

A Kodak não resistiu à competição na era digital e pediu ontem concordata, para tentar se reestruturar, pagar suas dívidas e competir em um mundo diferente daquele que colocou a empresa na liderança do mercado global de fotografias por cerca de um século. A medida afeta apenas os Estados Unidos, não englobando as subsidiárias em outros países.
Seleções-01 JULHO 43

A empresa, com sede em Rochester, no Estado de Nova York, afirma ter assegurado uma linha de crédito de US$ 950 milhões com o Citigroup, e a expectativa é de que a reestruturação seja concluída até 2013. Atualmente, documentos indicam que a Kodak possui US$ 5,1 bilhões em ativos e US$ 6,7 bilhões em passivos com vencimentos em setembro de 2012.
Seleções 249-05- DEZ 44

IMAGEM O ESTADO DE SÃO PAULO 03-05-2008:

DESACREDITOU DE SUA PRÓPRIA INVENÇÃO: A MÁQUINA DIGITAL, POIS DETINHA A MAIOR PRODUÇÃO MUNDIAL DE FILMES
Fontes:
Fundação Conrado Wessel:
http://www.ccb.polmil.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7&Itemid=33
O Estado de São Paulo 06 de janeiro de 2012
O Estado de São Paulo 19 de janeiro de 2012
O Estado de São Paulo 20 de janeiro de 2012

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

A HERMA DO MUNICÍPIO DE SANTO AMARO: DISPÊNDIO POPULAR HÁ 70 ANOS

Jornal “A Tribuna” de 1942 e a Homenagem Póstuma ao  Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo

Mudam-se os administradores, mas não se pode mudar a história. A sociedade dá em confiança as ordenanças para as boas administrações das coisas públicas para o bem coletivo, através do sufrágio, com a condição de um contrato social (Rousseau), não para se apoderarem do bem público, mas para bem administrá-lo. Se porventura for necessária alguma intervenção, toda a coletividade deve estar ciente da intenção por informações por todos os meios de comunicações disponíveis, não somente o séquito da administração em todas as esferas governantes. É deste modo que se exige o mínimo destes alcaides atuais, que deveriam rever a história e a ação dos seus antigos administradores e extrair o que for salutar para o munícipe e não se apoderarem como coisa sua um bem público, que não pertencem a este ou aquele administrador, nem deveriam ser ovacionados em ações que prejudiquem a maioria, recebendo ovação do séquito palmas desmerecidas em palanques de louvores. É necessário não somente o cargo, mas os encargos de uma boa e confiável governança. Não se defende no momento nenhuma divisa aquartelada, mas o bom desempenho nas ações de interesse de âmbito geral.

Exemplificamos deste modo o que foi um pouco da participação popular para erigir a herma ao ilustre cidadão Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo[1]e a iniciativa em 1942, de atingir o objetivo de sublimar, não um homem militar, mas o compromisso de um administrador competente. Colocamos abaixo matérias, não na integra, do ano de 1942, do jornal “A TRIBUNA” que assumiu o planejamento da campanha em prol da herma em homenagem ao Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo, com a participação popular de amealhar fundos para que o intento fosse concretizado.
Vista da Rua Mário Lopes Leão, antiga Rua Campos Salles onde do lado oposto situva-se o "Grupo Escolar Paulo Eiró"- Quanto perdeu e perde Santo Amaro com Planos Diretores a revelia dos interesses coletivos?

A TRIBUNA-26 de ABRIL de 1942
O movimento de adesões pró-herma ao coronel Carlos da Silva Araújo esta semana declinou um pouco, devido a fatores de ordem particular. Atarefados com diversos negócios que dizem respeito da “A Tribuna”, não pudemos na semana que findou há pouco, ir à presença de muitos sanatamarenses para que eles apusessem as suas assinaturas no “Livro de Ouro”. Mesmo assim o número de adesões continua se avolumando, marchando assim, para o volume necessário à ereção da herma.

Além das quantias publicadas em nossos números anteriores, aderiram mais as seguintes pessoas:

Quantia já publicada 4:240$000

Dr. Oscar Fernandes Martins 100$000

José Abrantes100$000

Dr Ruy Amorim Cortez 50$000

Dr Waldemar Teixeira Pinto 50$000

Belmiro Schunk Zenha 20$000

José Guerra Rodrigues 20$000

Julio Silva Junior 20$000

José Reimberg 20$000

Abílio Santo 20$000

Dr Pascoal Gayotto 20$000

A.      A. D’ Aguiar 20$000

Oclávio Conceição de Senne 20$000

Chrispim Hessel 20$000

Agenor Pereira Souza 20$000

                                                                          x x x
O nosso dinâmico e esclarecido subprefeito, dr. Morivalde de Mattos tem sido bastante ativo no sentido de tornar prática a sua adesão à nobre e cívica iniciativa que “A Tribuna” vem vitoriosamente, levando a efeito. S.S. está acelerando os trabalhos de confecção do pedestal do grande benemérito cidadão santoamarense que foi o  coronel Carlos da Silva Araújo

 A TRIBUNA-3 de maio de 1942
Quadro de honra

A direção da “A Tribuna”, na qualidade de patrocinadores da homenagem que se prestará ao Cel. Carlos da Silva Araújo, não tem poupado esforços no sentido de conseguir maior número de adesões pró-herma ao grande benemérito santamarense.

Assim é que até este momento, além dos que relacionamos em nossos números anteriores, apuseram também suas assinaturas no “Livro de Ouro” mais as pessoas que se seguem e que figuram no quadro de honra que contribui  para esta magnífica prova de civismo:

 Quantia já publicada 4:740$000

Izaias Branco de Araujo 50$000

H. Rodrigues 50$000

Sherlock Clube 50$000

José Guilger Sobrinho 50$000

Um amigo do Coronel Araujo 50$000

Manoel Botelho Junior 50$000

Tertuliano B. de Miranda 20$000

Agenor Branco Moreira 20$000

José Libardi 20$000

Dictinio Gonzales 20$000

Joaquim Neves Monteiro 20$000

Benedicto Doll 20$000

Antonio M. Bassi 20$000

Um santamarense20$000

Ascendino Hellenstein 20$000

Honório Prado 20$000

TOTAL 5:240$000

A TRIBUNA-10 de maio de 1942
Quadro de Honra

Santo Amaro nunca viveu dias tão empolgantes como estes que agora vemos passar. Concorre para isto, a campanha que este jornal vem mantendo com o apoio de todo povo santamarense, no sentido de conseguir elementos financeiros com que nossa terra erguerá uma herma em homenagem ao preclaro cidadão Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo. Essa campanha é qualquer coisa de ímpar e notável nos anais da vida cívica desta terra.

Quantia já publicada  5:240$000

Pedro Glasser 50$000

Adde & Chapchap 50$000

Erothydes Luz 20$000

Rodrigo M.Silva 20$000

Salvador Branco de Araujo 20$000

João de Andrade 20$000

Angelo Dalprat 20$000

João Lindau 20$000

TOTAL 5:460$000

A TRIBUNA-17 de maio de 1942
Santamarenses! Ainda alguns dias de paciência e tereis o vosso sonho realizado.A herma do Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo logo estará no seu lugar, para gáudio de todos aqueles que vêem emprestando o seu concurso para o brilhantismo de uma campanha encetada, moldada e conduzida  para realização do mais sublime ideal – testemunhar a alguém a mostra do reconhecimento e da  afeição.

A “A Tribuna” tomando ao seu encargo essa iniciativa, certo estava de que o povo de Santo Amaro, bem compreenderia o significado e a grandiosidade da homenagem póstuma. Melhor vaticínio da realidade impossível seria! As importâncias e as inequívocas provas de simpatia que constantemente vem recebendo atestam a veracidade da assertiva, desde o inicio sustentada.  Falam de per si da benemerência e da compreensão de cada santamarense.

Um apelo, todavia, quase no encerramento desta brilhante campanha, faz a “A Tribuna” a cada concidadâneo no sentido de emprestar a sua colaboração, para que, então o busto de Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo, não seja só a herma inexpressiva, seja sim a homenagem de todos indistintamente, porque ele Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo, prestou os maiores dos benefícios a esta cidade, e assim a todos...indistintamente!...

Damos abaixo, as adesões recebidas durante o correr da semana que findou:

Quantia já publicada  5:460$000

Andreucci & Pandolfi 100$000

Dr Benedito Borba de  Araujo 30$000

TOTAL 5:590$000

A TRIBUNA-24 de maio de 1942
Em prol da nossa iniciativa - Carlos da Silva Araújo

Homem de tempera inconfundível, magnânimo, decidido e de larga visão, não hesitou em agregar os seus melhores esforços para dotar Santo Amaro de grandes melhoramentos e de obras imprescindíveis à cidade, ao seu desenvolvimento, e de grande utilidade à sua população. Assim que criou entre outras coisas a Santa Casa, o Mercado, etc., tendo por outro lado cuidado das praças públicas, concorrendo dessa maneira para o bem estar dos moradores e embelezamento da cidade. - Era um amigo sincero de Santo Amaro, em que além do mais tínhamos o mestre dedicado que acudia à formação espiritual, moral e intelectual dos jovens santamarenses. – é esse cidadão a quem vamos prestar uma homenagem póstuma, cujo nome se salienta no cenário da nossa formação histórica como um dos seus pioneiros e lídimo exemplo de dignificante civismo e espírito de brasilidade. Urge, pois, a ereção do seu busto na principal praça desta nossa cidade, donde a reluzir, para maior ufania nossa, melhor possa projetar luz no espírito dos homens de amanhã, como exemplo nobilitante e dignificante de robusto patriotismo a ser seguido por todos os bons brasileiros. Esse vulto inconfundível, digno da nossa veneração, das nossas honrarias e glorificação, jamais deve se extinguir da memória dos santamarenses, como os grandes exemplos morais e cívicos. Perpetuar, pois em bronze, a figura de marcante brasilidade do Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo, é um dever que cada santamarense tem a cumprir.   

 A TRIBUNA-5 de JULHO de 1942
Esta semana recebemos a grata noticia de que o Grupo Escolar “Paulo Eiró” sob a orientação eficiente e profícua de seu diretor, Sr. Renato Braga, vê no seu corpo docentes e discente, um movimento imenso para nos auxiliar.

Gestos com estes, nos enchem de grande júbilo, porque partindo de um estabelecimento de ensino, de pessoas que, melhor do que ninguém possuem o discernimento no seu mais alto grau,das cousas e nobres realizações, - é porque a nossa campanha é merecedora de franco apoio.

A contribuição que iremos receber do Grupo Escolar “Paulo Eiró”, é por assim dizer a maior de todas até agora recebidas, porque sendo o produto da clarividência de seus professores e de nobres coraçõezinhos, encerra, na importância mínima que seja, sincera espontaneidade: - os professores souberam nos compreender: os pequeninos pagam,  sem o saberem um tributo de gratidão ao Tte. Carlos da Silva Araújo, que sempre estimar as crianças e os jovens.

Ao prof. Renato Braga e a todo corpo docente do Grupo Escolar local, a “A Tribuna”, apresenta seus sinceros agradecimentos pela  iniciativa ora tomada, que muito concorrerá e reafirmará nossos propósitos de, em breve, erigir, em praça pública, o busto do inesquecível cidadão Tte. Carlos da Silva Araújo.
                                                                                     x x x
No próximo dia 24, vamos encerrar a campanha do “Livro de Ouro” pró-herma Tte. Carlos da Silva Araújo.

As importâncias angariadas até o presente, montam em Rs 7:271$300.

           A TRIBUNA-12 de JULHO de 1942

Construção do pedestal da herma ao Tenente Coronel Carlos da Silva Araújo

Segundo anunciamos em nosso número anterior, no dia 24 próximo, daremos por encerrada nossa campanha de subscrição pró-herma ao Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo.

Daremos, destarte, por findos os nossos esforços despendidos naquela campanha, e, em três meses, apenas, conseguimos atingir a meta que desejávamos. Não pouco foram os nossos sacrifícios, mas que felizmente, todo bom santamarense nos soube compreender e dar seu incondicional apoio. O que conseguimos nessa árdua e espinhosa missão de que nos incumbimos, não nos é dado orgulharmos de nós mesmos, porque é lógico, é insofimável- uma empresa por mais fácil que se pareça, urge, é de absoluta necessidade que haja cooperadores desinteressados. Uma única pessoa arrojar-se a um empreendimento- embora seja possuidor de uma incomparável tenacidade- se não contar com os meios, a facilidade para a realização, daquele empreendimento, é certo o seu fracasso.
Agora próximos que estamos ao fim dessa longa arrancada, estejamos satisfeitos: nossos desejos irão se realizar.

Dia 24, impreterivelmente, daremos por encerrada  a campanha pró-herma ao Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo, aguardando tão somente, ordens do Exmo. Sr. Dr. Morivalde de Mattos, para marcarmos a data da inauguração do busto.

O granito para o pedestal já foi escolhido e as obras da confecção deste, serão iniciadas nesta semana, segundo nos afiançou o  Exmo. Dr. Morivalde de Mattos

Quantia já publicada 7:271$300

Silvano Klein Branco 20$000

Gino Arduini 20$000

Schwart & Meladed 20$000

Ozorio C. Cunha 20$000

Total 7:351$300[2]

          A TRIBUNA-26 de JULHO de 1942

Sacrificios e mais sacrifícios, tem-nos acarretado esta missão, porem uma idéia fixa nos guiou sempre, um lume tutelar nos apontou o caminho a seguir:- sobrepujando todos os obstáculos, realçar o empreendimento a que nos propusemos, sem propinas ou aferição de lucros, cumprirem um dever que assumimos perante todos os santamarenses.

Considerações:

Devido a falta de proteção da obra, em janeiro de 2012 a administração de Santo Amaro achou por bem protegê-la contra a depredação e removeu a mesma que “olhava” frontalmente para o Grupo Escola Paulo Eiró, poeta que possui obra protegida dentro do jardim municipal Floriano Peixoto, e que fazia parte do conjunto o espelho d’ água e a Iguatinga, agora terá também, após restauro a herma do Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo, obras de Júlio Guerra, sendo Santo Amaro seu fiel depositário, assim urge aos administradores zelar por este patrimônio! Em 18 de janeiro de 2012 na homenagem ocorrida na Biblioteca Belmonte o representante da subprefeitura garantiu que o mesmo está sendo restaurado e que ocupara local de destaque no Jardim Municipal Floriano Peixoto.
´

“MONUMENTO A PAULO EIRÓ”: OBRA DE JULIO GUERRA REPRESENTA O CONJUNTO ARTISTICO TRIPLO COM O ESPELHO D’ÁGUA E A COLUNA DE PAULO EIRÓ,  AO LADO A NINFA IGUATINGA (BAÍA BRANCA) OBRA QUE FOI APRESENTADA NO XVI SALÃO DE ARTE NO SALÃO ALMEIDA JUNIOR DA GALERIA PRESTES MAIA EM 19 DE ABRIL DE 1951.

Que o "Monumento a Paulo Eiró" seja novamente parte de uma tríplice manifestação de arte que requer o mesmo tratamento dispensado a herma para completar toda a beleza que faz jus o restauro deste conjunto de beleza representada pelo jardim, o coreto, as obras artísticas e o Paço Municipal (atual espaço Cultural Júlio Guerra).

Parabéns pela iniciativa do restauro da obra ao Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo, e, seria bom alvitre  saber o custo da  empreitada da herma, remoção, restauro e nova implantação da mesma pela transparência da res-pública.

Com a palavra a edilidade e a executiva municipal.







OBS: Foi usada grafia atual em matérias de 1942.



[1] - Com o Advento da República em Santo Amaro foi promovida uma reunião, a saber, conforme ÁLBUM DE SANTO AMARO p.77: “Está reunida em sessão solene, a 18 de novembro, aderiu unanimemente ao governo provisório da República e aclamou para direção provisória de Santo Amaro uma junta composta dos srs. cap. Carlos da Silva Araújo, Gustavo Adolfo Pinheiro e Amaro Antonio de Souza, todos republicanos históricos”.
Após grandes préstimos por Santo Amaro já como tenente coronel Carlos da Silva Araújo deixa a cidade de Santo Amaro conforme ÁLBUM DE SANTO AMARO p.82:Depois de larga permanência em Santo Amaro, a cujo município prestou muitos e ótimos serviços, resolveu retirar-se para a Capital o snr. tte cel Carlos da Silva Araújo. A Câmara, de que o ilustre cavalheiro havia sido presidente durante 13 vanos, prestou-lhe significativas homenagens em 10 de novembro de 1903”. 
[2] Total arrecadado em réis, moeda vigente, alterada pelo governo federal neste mesmo ano da arrecadação feita em Santo Amaro. Mil Réis (de 8/10/1833 a 31/10/1942):  Lei no 59, de 08/10/1883 (Rs 2$500 = 1/8 de ouro de 22K) Cruzeiro ( de 01/11/1942 a 30/11/1964): Decreto Lei no 4791, de 05/10/1942.
Cr$ 1,00 = Rs 1$000 - um cruzeiro correspondia a mil-réis

Sábado, 7 de Janeiro de 2012

A “Cracolândia” e a Implosão “Moinhos Matarazzo”

Quando as mentiras se encontram: Haussmanização de São Paulo

Ávidos corretores de imóveis pretendem juntamente com as autoridades interessadas na “haussmanização”[1] do centro da capital paulista implementar o modelo ideal das grandes capitais mundiais, mas sem um critério coerente expulsam a miséria ao redor para lugares periféricos com intervenções desastrosas. Dizer que não há integração de ações de interesse do estado em usar sua máquina de força é no mínimo entender que todo cidadão não possua discernimento analítico.
NOSSA CASA, NOSSA VIDA: PAÍS DESIGUAL
As raposas têm tocas e os pássaros do céu têm ninhos....
Evidente que a miséria campeia nas grandes capitais brasileiras e São Paulo não é exceção, aliás, pode-se ate dizer que é uma das maiores densidades demográficas de miseráveis do Brasil. A mídia propaga que o centro possui imóveis que podem atrair empresas para a região, logo se deduz que o único interesse é formar na capital um grande centro empresarial. Ainda comentam, em matéria jornalística, para que o setor imobiliário e todos que vivam deste segmento fiquem atentos as novas tendências de mercado, e que o setor oferece oportunidades da proposta de renovação do centro da cidade de São Paulo.
MORADIAS NA RUA HELVÉTIA: CONTROLE MILITAR DA CRACOLÂNDIA

Por outro lado vemos uma miséria ambulante onde o maior interesse governamental está pautado em controlar todo o espaço da Estação da Luz para ser a “menina dos olhos” do governo municipal, onde já foram demolidas várias antigas residências para fomentar o interesse dos grandes investidores imobiliários, nas ruas Mauá, Avenida Duque de Caxias, Rio Branco, Alameda Cleveland, esta acessa o Moinho “implodido” em São Paulo, e onde se localiza a estação Júlio Prestes, reduto da miséria provocada pela desigualdade, em frente à Sala São Paulo, na Rua Helvetia.
Praça Princesa Isabel, Monumento Duque de Caxias: Um militar no lugar da Princesa!!!
Não se pactua com a violência praticada por conta de quem pouco ou nada tem a perder, mas os critérios adotados são unicamente o da persuasão da força. Um grande aparato militar foi preparado com um contingente de policia militar, cavalaria, policia municipal para debandar todos os arredores onde a miséria é visível, sendo uma pedra no sapato de toda hierarquia administrativa da capital paulista.
ESTAÇÃO JULIO PRESTES

A prefeitura paulistana é cercada de uma militarização sem igual na história da cidade, onde quase todas as suas subprefeituras são regidas por reformados dos quartéis, parece não haver capacidade civil para esses cargos e estes administradores não possuem habilidade suficiente em administração publica, foram capacitados para interferirem em ações militares, e não possuem aproximação com a população que infelizmente é regida por forças de poder de intimidação.
FACHADA DA SALA SÃO PAULO: CONCERTOS SEM CONSERTOS
O plano urbanístico de interesse unicamente dos grandes investidores não contempla a miséria que campeia por São Paulo, as redes de encaminhamento para recuperação humana são insuficientes, além disso, o que fazer com aqueles recuperados em fomentar condições mínimas de trabalho e renda para dar dignidade e respeito para que estes antigos moradores de rua conseguir viver por si. Disseminam-se e propagam-se soluções paliativas, tudo é um faz de conta, coisa crônica na saúde, na educação, na questão de moradia e trabalho, enfim em todo o campo social.
ANTES DO INCÊNDIO
Houve um incêndio na Favela do Moinho, que é bem próxima a Estação da Luz, seguindo pela Avenida Rio Branco. Foi um incêndio suspeito, pois até o momento não há laudo ou referência como foi iniciado, onde antigamente havia todo o glamour industrial da empresas do grupo Matarazzo, e que foi ocupada por uma favela entre as linhas ferroviárias. Este incêndio ocorreu com sucedâneos acontecimentos inclusive com a intervenção do que costumeiramente chamam de “Cracolândia”, ambos os fatos foram com diferença de dias. A mídia voltou-se para este foco entrevistando os maiores envolvidos no sistema de enobrecimento da cidade de São Paulo. Não se negue que o governo quer acabar com este foco, não querem favelas no centro, e muito menos nas proximidades da Estação da Nova Luz, isso é categórico, não precisa ser um especialista em assuntos de administração pública, mas nossos governantes municipais também não o são, eles trabalham por tentativas de erros e probabilidades. 
VISTA DO VIADUTO ENG.ORLANDO MURGEL: ENCONTRO DAS AVENIDAS RIO BRANCO E RUDGE
Propagou-se em todas as manchetes que o Prédio da antiga empresa Moinhos Matarazzo, necessitava ser “implodido”, pois corria risco de desabamento a qualquer momento. Pararam-se os trens que circulavam no local e providenciaram-se os holofotes para a demolição por efeito cascata, abalando a estrutura com dinamite.

Foi um fiasco, o prédio ficou em pé! Ocorreram para as explicações e a prefeitura com todas as explicações paliativas de praxe expos que foi um sucesso e estava dentro do previsto do custo de 2 milhões de reais. Após o silêncio para articular os diálogos para que fossem uníssonos as entrevistas dos governantes e seus imediatos, esqueceu-se de “convidar” o responsável pela implosão mal sucedida e eis que ele comenta em rede nacional que o prédio realmente foi programado para cair, dizendo: “Com certeza eu esperava que ele fosse todo ao chão”. Esta opinião contradisse aquela do digníssimo representante municipal que disse anteriormente que “a implosão parcial era esperada, já que a demolição total poderia lançar estilhaços na linha”.

Afinal, a nossa engenharia é ineficaz a ponto de não saber proteger arredores? 
Mesmo que houvesse fragmentos, o poder municipal, quando ocorreu o incêndio, parou a circulação dos trens por dias, fizesse o mesmo no instante da implosão e para recolher algo que por ventura chegasse à linha ferroviária.
LINHA DA FERROVIA

Tudo isto leva a uma reflexão: o Estado é incapaz, fala muito, age pouco, não consegue administrar os problemas da cidade e somente está interessado em demandas de lucros financeiros da corretagem da Nova Luz, que não podemos ver uma luz no final deste túnel!!!
OBRAS DO GOVERNO DO ESTADO: FINAL DA ALAMEDA CLEVELAND COM RIBEIRO DA SILVA: INICIADA ANTES DO INCÊNDIO-AO FUNDO PARTE DA "IMPLOSÃO"

vide: http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2011_03_01_archive.html

[1] O barão Haussmann foi prefeito de Paris entre 1853-1870. Ele empreendeu uma profunda e polêmica reforma urbana que inspirou intervenções em várias outras cidades do mundo. O objetivo principal era modernizar Paris que em pleno século XIX mantinha muito de sua estrutura medieval, cujo centro era composto de muitos quarteirões insalubres. Seu projeto consistia em redesenhar o traçado urbano compondo uma “nova cidade” mais racional, organizada e harmônica. Para realizar esta tarefa foram necessárias várias demolições. Isso fez com que muitos estudiosos criticassem duramente essa haussmanização. As críticas não eram contrárias à reforma em si, mas sim na maneira como ela foi realizada.

Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

Baby Pignatari: “Pai rico, Filho nobre, Neto pobre”

Ação de Interdito Proibitório
 
Injustiça, descaso, zelo extremo de confiança em relação aos colaboradores ou uma somatória de efeitos que fizeram com que uma corporação bem estruturada modelo de indústria nacional, uma dezena de empresas de vários segmentos produtivos, sucumbiram em pouco tempo sem um herdeiro a altura para tomar posse a frente do que um dia foi orgulho de planejamento industrial, colocando interesses do pais na prospecção de minérios, mais precisamente do cobre, e talvez sendo precursora para que o governo federal tomasse para si todo o interesse na riqueza mineral do Brasil, nascendo a Vale do Rio Doce em 1942, e que depois foi privatizada alterando sua razão social para Vale, e sendo uma das mais importante exportadora de minério de ferro do mundo.
O STAFF COM PIGNATARI
O que houve para que não houvesse sucessor para as empresas Pignatari? Por que o único herdeiro por uma ação judicial foi considerado “interdito”[1] sem condições de decisões a respeito da herança, mas que depois teve a revogação suspensiva em ação e cercado de demandas parece dilapidado todo o patrimônio manipulado por aproveitadores que se beneficiavam das regalias oferecidas. Baby Pignatari, pelo seu temperamento e sabendo que a única proteção que possuía era não assinar nenhum documento sem saber seu conteúdo, e até era coerente falar que o único documento que assinava era cheques, necessários para aquisição de interesses pessoais, sendo que até em congratulações por cartas preferia anexar um cartão de visitas.
Este zelo não foi repassado com segurança para preservação de bens familiares, cercado de muitos advogados em demandas de espólio, a herança diluiu-se rapidamente e desfazendo-se num exemplo claro do que “tudo que é sólido desmancha no ar” após a morte do empresário playboy ocorrida em 27 de outubro de 1977.

Afinal o que aconteceu ao patrimônio todo?

Por que o filho Giulio foi considerado interdito, e quem foi o responsável do referida ação e como foi revogada a ação?

Quais foram as providências dos antigos administradores que sabiam das empresas Pignatari quando do falecimento do industrial Baby, ocorrido 1977?

Todos os casamentos de Baby Pignatari foi requerido o divórcio, logo seus bens somente se estenderiam aos herdeiros diretos. Por que a questão jurídica do espólio não deu plenos poderes a outra pessoa da família?

Todas as suas esposas tiveram posição social da mais alta envergadura não necessitavam qualquer direito ao património do marido. Havia algum testamento?

Houve uma espécie de casamento morganático onde se desposa alguém de posição social inferior onde geralmente o de ascenção mantém seus títulos, e até seus direitos de sucessão, mas fora algumas excepções, estes não são estendidos ao seu consorte nem aos seus filhos?

O filho Giulio possuia algum problema de relacionamento com os pais?

Quem se beneficiou com a venda de todos os bens e foi o fiel depositário de todo o patrimônio?

O BRASILEIRO MILIONÁRIO PIGNATARI
Considerações destes questionamentos:

“Eu ainda acredito que uma pessoa muito rica deve deixar para seus filhos o suficiente para eles fazerem qualquer coisa, mas não o suficiente para não fazerem nada”. Warren Buffet





[1] Ação de Interdito Proibitório:

O Interdito Proibitório é uma ação judicial que visa repelir alguma ameaça à posse de propriedade de determinado possuidor. Deve ser concedido quando “o possuidor direto ou indireto (...) tenha justo receio de ser molestado na posse” e quando houver ameaça de “turbação” (perturbação) ou “esbulho” (ofensa efetiva que impede o exercício da posse). É uma ação preventiva para quando o proprietário prove ter informações seguras sobre a ameaça que estaria exposto, conforme as determinações do art. 932 do Código de Processo Civil, Lei 5869/73:
Art. 932. O possuidor direto ou indireto, que tenha justo receio de ser molestado na posse, poderá impetrar ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório, em que se comine ao réu determinada pena pecuniária, caso transgrida o preceito

O objetivo da ação é afastar a ameaça que vem sofrendo o possuidor através de mandado judicial.