domingo, 6 de junho de 2021

As Duas Primeiras Escolas do Bairro Jardim São Luiz/SP: O Grupo Escolar Jardim São Luiz (atual Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra) e a Escola Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva

Educação e Edificação...Humana!

“O bairro Jardim São Luiz possuía um grupo escolar, edificado como galpão de madeira, onde se ministrava o equivalente hoje ao fundamental I e a continuação que se denominava à época de ginásio, hoje equivalente ao fundamental II, não existia, tendo que se buscar esse recurso em Santo Amaro. Assim a educação básica era feita na única escola existente, o Grupo Escolar Jardim São Luiz.

O 3º Convênio Escolar, responsável pela maioria da construção de galpões de madeira, foi promulgado através da Lei Estadual nº 2.816, de 27 de novembro de 1954. O 3º Convênio foi extinto em 1959, longe de alcançar a qualidade que apresentou o 2º Convênio: enquanto o 2º Convênio Escolar construiu 52 escolas em 5 anos, o 3º construiu somente 17 escolas também em 5 anos de existência.

Durante sua vigência, as ações do 3º Convênio estiveram muito mais voltadas à construção de galpões de madeira, cerca de 500 galpões de madeira foram construídos para medir a demanda de uma determinada região, para, posteriormente, serem substituídos por edifícios de alvenaria. Esses galpões, porém, passaram a fazer parte da paisagem da cidade durante vários anos, inclusive no bairro do Jardim São Luiz.

A população reivindicava a construção de uma nova escola, pois o antigo de madeira não suportava mais a demanda de estudantes que era crescente no bairro.

Deste modo foi edificada uma nova escola, denominada “Escola Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva, construída pelo governador de São Paulo, Carlos Alberto Alves de Carvalho Pinto, que dirigiu o Estado na gestão de 1959 a 1963.

A demanda crescia na proporção direta do crescimento da cidade de São Paulo, mais especificamente na região de Santo Amaro que a partir da década de 1950, teve uma expansão industrial que afluíam uma mão de obra necessária para as indústrias locais crescentes.

Foi implantado então o Fundo Estadual de Construções Escolares (FECE) criado pelo governo do Estado para o planejamento da rede escolar, para atender à construção, ampliação e equipamento destinados a escolas de ensino público, primário e médio do Estado, sendo, para isso, criada a LEI nº 5.444, DE 17 DE NOVEMBRO DE 1959.

Além disso através do IPESP( Instituto de Previdência do Estado de São Paulo), contrataram arquitetos como Villanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha e
João Clodomiro Browne de Abreu,  arquitetos modernistas paulistas, sendo que o arquiteto e urbanista João Clodomiro foi responsável por aproximadamente 40 edificações escolares em São Paulo.



Foi deste modo que foi implantada a "Escola Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva", situado à Rua Geraldo Fraga de Oliveira, número, 324, com início do ano letivo de 1962 com alunos provenientes do Grupo Escolar do Jardim São Luiz, hoje a atual "Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra". A oferta de ensino foi ampliada, englobando o curso primário da antiga escola, hoje o curso fundamental I, indo até o ginasial, correspondendo atualmente ao fundamental II, e depois expandindo para o colegial, hoje ensino médio.

A partir de 1985 foi derrubado o antigo galpão de madeira e construído em seu lugar outra arquitetura em alvenaria, recebendo o nome de Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra, voltada para o ensino fundamental, localizada à Rua Hipólito Cordeiro, s/n no Jardim São Luiz. 

Deste modo foi implantado o sistema educacional no Bairro do Jardim São Luiz.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

HISTOS: Urdidura das linhas tecidas no tempo!!!

    Há dois tipos de história:

A de reprodução e a de produção!
A 1ª é copiar aquilo que já foi feito,
e a 2ª é criar aquilo que não foi feito!
A 1ª é muito simples, basta plagiar algo!
A 2ª também é simples, basta observar algo!
Este algo é o objeto destacado do sujeito produtor da história.
"Progresso" e "verdade" são pontos questionáveis que maturam num tempo qualquer de determinada contemporaneidade.
Nosso "objeto" é a "Cidade" e o homem (e mulher) "sujeito" a construir esta história local!
Somos responsáveis por cada momento observado no presente!

O Centenário de Santo Amaro e a Guerra Civil Paulista de 1932

UMA CIDADE SITIADA

A "Vila de Santo Amaro" expandia-se, sendo visitada até pelo maior urbanista francês Alfred Agache, respeitado mundialmente e que vinha à São Paulo convidado para reestruturar a cidade.  Seria recebido em Santo Amaro para um plano de remodelação urbana.

Santo Amaro possuía a superfície de 640 quilômetros quadrados, localizada a 713 metros do nível do mar. A Cidade de Santo Amaro era completada por lindas campinas cobertas por espessas matas, sendo o sul e o sudeste quase todo montanhoso, formado pela Serra da Conceição de Itanhaém, representada como a Serra do Mar do Atlântico, do Estado de São Paulo.

O "local é por demais aprazível, possuindo um clima muito salubre" o que lhe dá excelente reputação. Possui diversos rios, sendo os mais importantes o Jurubatuba e o Guarapiranga, que responsáveis, com outros afluentes, pela Represa “Velha” de Santo Amaro, projeto viável para implementação do desenvolvimento hidroelétrico através da companhia canadense "The São Paulo Tramway, Light & Power Company Limited", responsável pelo sistema de energia da Metrópole além da concessão das linhas de elétricos dos bondes da Capital Paulista.

Além do mencionado, a malha viária era ampliada para a comunicação com a capital paulista, consideradas excelentes estradas de rodagem, que através de proposta em 1927, da Auto Estradas Sociedade Anônima, formada por Luis Romero Sanson e seu sócio D.L. Derrom, que se fez representar junto a Câmara local, foi promulgada a Lei nº 61, de 2 de janeiro de 1928, concedendo o direito de exclusividade à exploração por 15 anos de "uma superfície revestida de concreto", ligando-se em 14 quilômetros com a capital até as Represas da Light, onde seria ainda construída uma estação balneária.

Deste modo foi também instituído pela Câmara, a lei número 67, de 7 de janeiro de 1930, criando a Diretoria Municipal de Obras e Viação para controle desta expansão.

Havia ainda a divisão eclesiástica, onde Santo Amaro possuía uma "maravilhosa parochia", sendo constituído, de há muito, por um belo monumento de fé que nos últimos tempos foi dotado de nave central, capela, sacristia e consistório, graças aos esforços do padre Luiz Ignácio Tacques Bittencourt, seguido pelo empreendedorismo dos padres Bento Ibanez e o vigário geral nomeado a partir de setembro de 1917, padre José Maria Fernandes.

A população local estava estimada, no início da década de 1930, em 25 mil habitantes, sendo que o município possui 5358 prédios em sua área urbana. Destes, podiam ser destacados a Sede da Prefeitura, luxuosamente adornado na Praça Floriano Peixoto com projeto civil apresentado pelo então prefeito, senhor Isaias Branco de Araujo que, logo após de seu mandato de 12 anos, foi substituído pelo senhor Paulo Goulart que, em solenidade realizada em 10 de janeiro de 1929, entregou o prédio junto com a representação da edilidade. Os dois andares, amplos e elegantes, preenchendo plenamente seus fins. Na "atualidade" ocupa tão importante cadeira o prefeito Francisco Ferreira Lopes.

Outra estrutura de real importância para o município, desde 1910, sem sombras de dúvidas era o "Grupo Escolar de Santo Amaro", que comportava a frequência de 750 estudantes, onde a direção tinha a responsabilidade do professor Rodrigues Rosa de Abreu.

Um dos prédios de grande valia para a saúde pública local, estava sob a responsabilidade da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro, concluída sua parte estrutural em 15 de dezembro de 1895, sendo seu primeiro benemérito o coronel Carlos da Silva Araujo e no mandato de 1931 a 1934 tinha-se o senhor José Abrantes como provedor.

Por iniciativa de abnegados da sociedade santamarense foi também fundada em 15 de agosto de 1931, a Assistência Social de Santo Amaro, na Rua Herculano de Freitas, nº 24, "phone" 208, destinada a prestar assistência médica cirúrgica, dentária e hospitalar aos menos favorecidos da região assumindo mais tarde a diretoria o senhor Waldemar Teixeira Pinto.

Para que a ordem fosse mantida, instalou-se à Praça Floriano Peixoto, nº 341, a Delegacia de Polícia tendo a frente a responsabilidade do delegado Dr. Pedro O'Reilly Souza, nomeado pela portaria de 13 de outubro de 1931 e auxiliado por um contingente formado por 12 praças, um “anspeçada” e um sargento provindo do 5º Batalhão de Caçadores de Polícia do Estado de São Paulo.

Completando este imobiliário, encontrava-se nas imediações da mesma Praça, nº 216, "phone" 96, o moderno Cine Teatro São Francisco, do ilustre empreendedor Francisco José Salles que buscava entreter através da cultura da arte cinematográfica os seus cidadãos, com espaço reservado para três mil lugares.

Outros prédios de relevância estavam neste entorno, citando-se o Matadouro Municipal, um tendal que abastecia a região com seus produtos distribuídos para várias localidades das cercanias e ainda mantinha relação com o Frigorífico Santo Amaro, o pioneiro de embutidos no país que enchia de orgulho e progresso a cidade de Santo Amaro.

Todo este empreendedorismo era completado por 1128 estabelecimentos devidamente registrados que forneciam uma gama de produtos de diversos ramos de ação. As indústrias estão distribuídas em vários segmentos e voltadas para a produção fabril de banha, arreios, fitas de seda, móveis, serraria, carpintaria, tapetes, capachos, oleados, sendo localizadas no perimetral da cidade e ainda havia uma lavoura em franco desenvolvimento na área rural. Santo Amaro estava ampliando o seu desenvolvimento, pois a cidadezinha de zona rural vastíssima via chegar a seus arrabaldes a prosperidade.

Em 10 de julho ocorreria o Primeiro Centenário da Cidade de Santo Amaro sendo que havia sido liberado um auxílio cinquenta contos de réis para os festejos. Realizar-se-ia imponentes realizações onde seria oficializada a abertura de grande Exposição-Feira organizada por contrato com Pedro Paulo Lanza e que seria apresentada no "Grupo Escolar Santo Amaro", que também receberia o nome de Paulo Eiró, nome requerido através de petição municipal ao governo estadual em 2 de julho. Além disso, haveria desfile cívico, esportivo militar e religioso, muita coisa foi montada para registrar para sempre o primeiro Centenário de Santo Amaro, até ópera seria apresentada por uma companhia lírica no Cine São Francisco, com o espetáculo "O Rigoletto", do compositor italiano Giuseppe Verdi.

ESTOURA A BOMBA: COMEÇA A GUERRA CIVIL!

Enquanto Santo Amaro preparava-se para comemorar seu primeiro centenário em 10 de julho de 1932, São Paulo levantava-se contra o arbítrio federal de governar o país ao seu bel prazer, sem restrições por parte do governante empossado pela revolução de 1930. Já haviam tombado os jovens na Praça da República, a 23 de maio de 1932 em nome da liberdade. Os sucedâneos foram inflamados até 9 de julho deste ano, quando São Paulo declarava guerra contra a ingovernabilidade do país. Alguns acreditam que as elites foram os que idealizaram esse movimento, mas pelas proporções alcançadas tinha iniciado uma guerra civil com participação de vários segmentos.

Em Santo Amaro, em festa, reinava o entusiasmo e a alegria. De repente cessa esse encantamento, sabendo que São Paulo requer o regime da legalidade pela Constituição regente dos destinos da Nação, assume seu compromisso de juntarem-se nas trincheiras e ninguém mais pensou na festa programada há muito.

A Comissão resolve à adesão ao movimento e contata o Governo de Pedro Manuel de Toledo que os encaminha ao coronel Euclydes de Figueiredo, inquirindo o que desejavam. A resposta imediata: "Armas e Munição". Neste momento estava formada a "Companhia Isolada do Exército de Santo Amaro" sob o comando do Tenente Moupir Monteiro e do tenente Luís Martins de Araújo, e o “smoking” de festa foi substituído pela farda de combatente, de 300 homens em efetivo, reportando-se ao comandante da Praça de Santos, o coronel Melo Matos.

Os acontecimentos levaram o governo federal a bombardear São Paulo constantemente com os WACO, os temíveis aviões Vermelhinhos, onde os heróis combatiam no intento de conseguir que fossem reconhecidos direitos contrários a quaisquer ditaduras implantadas. São Paulo não se rendia e combateria sozinho em todas as frentes de norte a sul.

Os soldados de Santo Amaro foram responsáveis pelo litoral de Cananéia a Xiririca, local onde tombou Delmiro Sampaio, única baixa santamarense, adentrando depois pelo Paraná. Após o armistício retornaram as suas bases, em 12 de outubro de 1932. As retaliações foram imediatas e pelo decreto nº 6983, Getúlio Vargas insere um interventor em 1935, Armando de Salles Oliveira, para melhor governar o estado insurgente, sendo logo em seguida promulgada a mais efêmera constituição, de 1934 a 1937, pela qual São Paulo tanto se batera contra a ditadura. Santo Amaro perdia deste modo sua autonomia em 1935 e que tanto orgulhou pelo seu empreendedorismo.

domingo, 2 de maio de 2021

ÍNDICE: SANTO AMARO/SP NOS TRILHOS

 

A Primeira Ferrovia de Santo Amaro Paulistana em 1886

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O TREM DA VILA DE SANTO AMARO: A Companhia Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro

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QUANDO OS BONDES CHEGARAM A SANTO AMARO: 7 de julho de 1913

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BONDES DE SANTO AMARO/SP: O “METRÔ” DE NOSSOS ANTEPASSADOS!

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50 ANOS DA ÚLTIMA VIAGEM DOS BONDES DE SANTO AMARO / SÃO PAULO : 27 de março de 1968

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Bondes de São Paulo à Santo Amaro: O Passado no Presente

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METRÔ DE SANTO AMARO APÓS 47 ANOS, ENFIM, COM MUITO CUSTO $ !!!

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METRÔ DE SANTO AMARO NO SÉCULO 20 E O INTERESSE DO FUTEBOL NO SÉCULO 21

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“Santo Amaro Sobre Trilhos: do trem a vapor, ao bonde e ao metrô”

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

ÍNDICE: As Indústrias (antigas) de Santo Amaro, São Paulo/SP

Anteriormente ao grande "boom" industrial da região do ABC, região da grande São Paulo tornar-se o grande centro industrial, Santo Amaro recebeu o maior contingente de empresas nacionais e multinacionais do Brasil. Assim, o grande contingente de operários vindos do interior de São Paulo, que possuia um contingente de mão de obra que estava ociosa pela queda de produção das lavouras de café e vários outros locais do Brasil, se fixou na região, tendo sido a partir da década de 1940/50 o local de maior índice de crescimento migratório no Estado de São Paulo.

Segue abaixo links relativos a essa história industrial que se expandiu e foi desarticulada em um pouco mais de meio século depois. 

Indústria de Chocolates Lacta S.A.

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LABORTERÁPICA: FIM DE MAIS UM CAPÍTULO EM SANTO AMARO/SP

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SEMP Rádio e Televisão: FINAL DE UM MARCO INDUSTRIAL EM SANTO AMARO/SÃO PAULO

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2015/03/semp-radio-e-televisao-final-de-um.html

As Indústrias Villares, o Piso da Fábrica, a Cidade de São Paulo e Santo Amaro

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2015/05/as-industrias-villares-o-piso-da_4.html

João Dias, em Santo Amaro e o Bairro Jardim São Luiz /SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2015/04/joao-dias-em-santo-amaro-e-o-bairro.html (Crônica sobre o Curtume Dias e a Fábrica York)

A EMPRESA AUTO ASBESTOS S.A. E AS BATERIAS DUREX: DO BIXIGA, PARA O BROOKLIN E SOROCABA

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/07/a-empresa-auto-asbestos-sa-e-as.html

Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio, no Bairro Jardim São Luiz, São Paulo/SP

https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2021/02/piramides-brasilia-sa-industria-e.html

João Brito de Araújo e a Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio no Jardim São Luiz/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2017/01/joao-brito-de-araujo-e-piramides.html

AS EMPRESAS WALITA E WAPSA: Pioneirismo no Brasil no “Parque Industrial” de Santo Amaro/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/05/as-empresas-walita-e-wapsa-pioneirismo.html

Não esqueça da minha “Dorel”: História da Caloi de brasileira à canadense!!!

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/06/nao-esqueca-da-minha-dorel-historia-da.html

AS INDÚSTRIAS E A DESINDUSTRIALIZAÇÃO EM SANTO AMARO

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2010/11/as-industrias-e-desendustrializacao-em.html

A FÁBRICA DE FERRO NO MORRO DA BARRA DE SANTO AMARO – SÉCULO XVII – UMA INDAGAÇÃO

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A Saga Grassmann (Graßmann): Pioneirismo em Santo Amaro / São Paulo

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Fábrica de Papel Fotográfico Kodak-Wessel em Santo Amaro/SP

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Alexandre Eder & Cia - Frigorífico Santo Amaro

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A Indústria de brinquedos "Balila" no Bairro Jardim São Luiz/SP

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A Fábrica de Bicicletas Monark S. A. em Chácara Santo Antônio, região de Santo Amaro.

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A Fundição Electroalloy Indústria e Comércio de Aço Ltda, no bairro Jardim São Luiz/SP

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INDUSTRIALIZAÇÃO NO BRASIL

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Zona Carvoeira de Santo Amaro

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Carvão Vegetal: Santo Amaro fornecedor da Cidade de São Paulo

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A FÁBRICA DE DOCES BELA VISTA EM SÃO PAULO: PORTUGUESES DE CADIMA

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A Indústria Farmacêutica Squibb em Santo Amaro/SP e a Penicilina

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Rolamentos Schaeffler do Brasil Ltda, em Santo Amaro-SP / "INA- Indústria de Rolamentos de Agulha"

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A Metal Leve e outras Indústrias em Santo Amaro/SP: Uma Experiência de Vida!

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A Fábrica Pioneira de Pão de Forma “Pullman” na Vila Andrade, em Santo Amaro/SP

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Empresa Brasileira de Relógios Hora S.A. - “HORASA”, Santo Amaro/SP/Brasil

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Indústria de Plástico Reforçado Glaspac Ltda: Fabricante do Primeiro Buggy Brasileiro

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Grupo York S.A. Indústria e Comércio, em Santo Amaro/SP

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Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio, no Bairro Jardim São Luiz, São Paulo/SP

Entre as empresas de porte das indústrias instaladas em São Paulo estava a Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio, fundada por Sami Koudsi, em 22 de julho de 1966, em galpões situados à Avenida Maria Coelho Aguiar, número 573, no bairro Jardim São Luiz.

Sami Koudsi, nasceu em Mosul, Ninawa, Iraque, em 18 de setembro de 1927. Era filho de Ibrahim Aziz Malki e Sara Aziz Gabriel. Teve as irmãs Nohad Malki e Fawzia Aziz Al Kass Issahak, casada com Fariss Kalil Al Kass Issahak. 

O fundador da Pirâmides Brasília veio para o Brasil em 1951, com 24 anos, em navio com imigrantes que resolveram cruzar o Atlântico em direção à América. 

Sami Koudsi foi um dos responsáveis na implementação da Câmara Iraquiana de Comércio, tornando-se seu presidente. As relações diplomáticas comerciais entre Brasil e Iraque, na década de 1970, estavam voltadas ao interesse do Brasil pelo petróleo iraquiano. Para igualar a balança comercial, o Brasil exportou automóveis do modelo Passat da Volkswagen, além de encomendas da Avibrás (no ramo de aviação) e serviços de infraestrutura no Iraque, através de construções da empreiteira Mendes Junior.

No bairro Jardim São Luiz, a Pirâmides Brasília teve sua expansão voltada para o ramo de espuma de colchões, ampliando, mais tarde sua produção para artigos plásticos.

A Pirâmides Brasília tinha um corpo técnico formado por Sami Koudsi, seu diretor-presidente, por Antônio Campelo Haddad, diretor superintendente e Arnaldo Mendes de Oliveira, diretor comercial, que fazia a empresa ter participação forte no mercado interno e externo. 

Com o tempo, foi duplicada a capacidade instalada para a produção de espuma, e a empresa passou a situar-se entre as maiores produtoras do setor na América Latina. Juntamente com a The Dow Chemical Company fundaram o empreendimento Propenasa, Produtos petroquímicos Nacionais S.A. Em 1972, a Pirâmides Brasília S.A. começou a produzir derivados de petróleo, como o polipropileno-glicol, matéria-prima que na época era importada, mas que era fundamental para a fabricação de espumas rígidas e flexíveis.


A Pirâmides Brasília se tornou o Grupo PiraSpuma, investindo em outros segmentos, como por exemplo, o automobilístico, que estava em grande expansão no Brasil. Criou-se a MC Cord Pirâmides S.A. Produtos Plásticos, que com modernos equipamentos estava preparada para produzir painéis, descansa braços e assentos de espuma moldada. Assim a empresa supria as demandas das grandes montadoras automobilísticas instaladas no Brasil.

Sami Koudsi Edição de 6-12 de outubro de 1973. Jornal Brooklin (Grupo Sul News).

Em 1973 Sami Koudsi recebeu o título de “Industrial do Ano” para o empresário, prêmio concedido pelo Centro e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo[1].

Juntamente com sua esposa, Maria Campello Haddad Koudsi fez a Fundação Sami Koudsi, instituída em 14 de outubro de 1974, com endereço de escritório à Avenida Faria Lima, 1815, em Pinheiros.

As dificuldades diante da “década perdida” de 1980 e a rigidez do mercado brasileiro tiveram consequências drásticas na empresa, obrigando-a a Pirâmides Brasília a fechar suas portas, terminando um dos ciclos das indústrias na região.

Sami Koudsi faleceu em São Paulo, em 17 de janeiro de 1990.

 



[1] Matéria do Jornal do Brooklin, de 6 a 12 de outubro de 1973 e de 1 a 7 de dezembro de 1973.


sábado, 20 de fevereiro de 2021

Alfonso Martín Escudero e a Chácara Alfomares em Santo Amaro, São Paulo

Este é um dos casos mais emblemáticos da história de Santo Amaro.

Há algumas interrogações nessa estrutura, que remonta à guerra civil espanhola, pois Alfonso Martín Escudero foi condecorado com a Ordem da Grande Cruz, a maior honraria do governo espanhol.


Alfonso Martín Escudero nasceu em 10 de junho de 1901 em Brihuega (Guadalajara). Empregou-se numa loja de tecidos em Vigo, onde depois abriu uma empresa do ramo com um amigo em La Coruña. Com talento natural para o comércio, manteve relações com grandes fabricantes de tecidos da Catalunha, que o encarregaram da venda exclusiva de grandes lotes de tecidos muito procurados no mercado. 

Edificou empresas de porte considerável na Espanha, como a Alfomelo Iron Mining Company para explorar uma concessão mineira em Lubrin (Almería), em conjunto com uma subsidiária transportadora de minas que escoava o minério extraído em Lubrin, exportando-o para países europeus que tinham grande necessidade de minério de ferro. Na época, ele também adquiriu a empresa C.U.P.A., que possuía uma grande extensão de terreno no Paseo de la Castellana em Madrid. Esses minérios de grande importância para a indústria em geral, também abasteceram a indústria bélica da Segunda Guerra Mundial.  

Seu espírito empreendedor o levou a cruzar o Atlântico abrindo negócios em Cuba. Quando pressentiu que a ilha passaria por grandes transformações, mudou-se para o Brasil, onde, após várias transações comerciais, adquiriu ações de um banco em São Paulo.

Chegou ao Brasil com o equivalente a 2 milhões de dólares em 1954, portanto já com 53 anos de idade. Há uma referência de que Escudero fosse casado na Espanha com Lucia Lavandera Spina, e um detalhe chama atenção: eram casados em separação de bens. Parece que quando chegou ao Brasil, em agosto de 1954, ele já estava viúvo e sem filhos.

A gestão do banco Casa Bancária Belembolia, fundada em 1939 por italianos, com apenas uma agência em São Paulo, trouxe-lhe um conhecimento de primeira mão da situação econômica e comercial do país.  Desse início resultou em 1957 o Banco Alfomares, com a matriz situada na Rua da Quitanda, 123.

 


Criou uma fundação em 27 de junho de 1957, em Madri, que leva seu nome.  Em 1968 o Banco Alfomares possuía 42 agências sendo vendido depois para o Banco do Paraná por 18 milhões de cruzeiros (moeda à época), que seria em torno de 6 milhões de dólares. Assim, adquire toda riqueza e torna-se proprietário de alguns terrenos na Avenida Paulista.  

Consta que, para o alargamento da Avenida Paulista, ele doou 119 m2 em 1972, como muitos proprietários também, variando a metragem doada por cada um. Há registro de uma empresa, Martinero Comércio LTDA, situada à Avenida Angélica, 2364, que era também seu domicílio.  

Alfomares recebeu esse nome devido ao seu último proprietário ALFOnso MARtín EScudero.

Bem antes disso a área pertenceu ao doutor Paulo de Souza Queiroz, político influente no governo estadual e federal no século 19 e início do 20. De 1885 até o final do século havia requerentes de terras, sendo o auge de se distribuir "datas" (lotes de terrenos) pela Villa de Santo Amaro, que de 1832 a 1935, manteve-se administrativamente independente da cidade de São Paulo. 

Só a título de curiosidade, em Ata de 1891 (Revista do Arquivo Municipal, nº63, p.163) há pedido no Alto da Boa Vista a saber:

 “Um requerimento de Gabriel Vieira da Silva e João Antonio Pedroso, requerendo títulos definitivos de duas datas que lhes foram concedidas, sendo uma cada um à rua da Liberdade a título gratuito em terreno municipal, para poderem transferir a terceiros e, com o produto desta, comprarem então outras duas em terreno municipal e mais perto da Villa. Despacho: A Intendência resolveu indeferir o requerimento visto os suplicantes não terem cumprido com a praxe estabelecida pela mesma. Sala da Sessões 3 de julho de 1891. Padre Luiz Bittencourt.” 

Outro pedido de “datas” (lotes de terrenos) (Revista do Arquivo Municipal, nº62, p.259): “Eugenio Bueno, pedindo nove datas de terreno na rua General Ozorio sob números 107, 108, 109, 110, 111, 112, 113, 114 e 115 bem como as datas do Campo das Perdizes sob números, 37, 38, 39, 40, 41. Despacho: Ao alinhador para informar. Santo Amaro, 12 de maio de 1891. Padre Luiz Bittencourt.”

Isso prova que as terras da Villa de Santo Amaro estavam disponíveis a quem quisesse se estabelecer, com nenhum custo pelas terras ou a um custo baixíssimo. Um proprietário provável do que viria a ser conhecida por Alfomares, foi  Charles Emmett Waddell, nascido no Texas, EUA, em 1897, que fazia parte, no Brasil, a partir da década 1940, da diretoria da “Reprensagem e Armazenagem de Algodão S.A.” tornando-se um dos integrantes do comércio de algodão brasileiro, Membro da Câmara Americana de Comércio (São Paulo) e da União Cultural Brasil-Estados Unidos. Em 1936, foi um dos grandes acionistas da Anderson Clayton & Co, além de investimentos no setor algodoeiro do Nordeste do Brasil. 

Consta que o local foi anteriormente chamado de Chácara Narcisa, em homenagem a Narcisa Andrada de Souza Queiroz, esposa de Paulo de Souza Queiroz, uma gleba talvez de 5 alqueires, onde estavam os 63 mil metros da Alfomares, algo em torno de 3 alqueires.



Residência da propriedade

Tanto Charles Emmett Waddell, quanto Alfonso Martín Escudero se conheceram bem antes, pelas relações comerciais de ambos, sendo o primeiro um dos integrantes de exportação de algodão brasileiro e o segundo um dos grandes fornecedores de tecido na Espanha. Não se descarta a possibilidade de Charles Emmett Waddell ter adquirido a Chácara do Francês, no caso de Júlio Contier, e depois ter encontrado um comprador em potencial, Alfonso Martín Escudero.

Alfonso Martín Escudero, já com 88 anos é assassinado em 1º de março de 1990 em seu escritório na Paulista, e não fica nenhum rastro do fato. (Estadão 30 de agosto de 1997- missa). 

Consta no documento de registro do imóvel do Jardim Alfomares, com memorial datado de 06 de fevereiro de 2004, que a área possui 63.687,29 m2, possuía um palacete para residência, uma casa e outras benfeitorias, situados à Rua Visconde de Porto Seguro, 293 (antiga Estrada de Aracassu), estes lançados pela Prefeitura do Município de São Paulo, pela Rua da Fraternidade nº 803, com área total construída de 1528,00 m2, e que a inventariante é Blanca Antonia Martín Escudero, e que na data do documento (26 de junho de 1985) era ainda solteira, com residência em Madri, Espanha, em Passo del Pintor Rosales, nº 16.  Blanca Trindad Martin Escudero casou-se com José Martin Zamorano em Madrid, com comunhão de bens em 14 de setembro de 1987.  Em 1989, Alfonso Martín Escudero fez seu testamento aberto, deixando todos os seus bens para a "Fundação Benéfico Docente Alfonso Martin Escudero" então recorrida no STJ pela filha adotiva Blanca.  Seus bens foram arrolados e foi pedido pela Fundação que fossem a ela adjudicados já que pelo testamento esta seria a herdeira universal. Hoje é uma área importante para todos santamarenses que lutam pela preservação da fauna e flora de Alfomares!


Obs:

O exposto é apenas um fato histórico e está sujeito a revisão sem prévio aviso. 



Vide o link:

Por que do nome Chácara Narcisa, atual Alfomares, no Alto da Boa Vista, em Santo Amaro/São Paulo?

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/12/por-que-do-nome-chacara-narcisa-atual.html

ALFOnso MARtín EScudero=ALFOMARES

https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/12/alfonso-martin-escuderoalfomares.html 



Referências jornalísticas:

Correio Paulistano, 29 de abril de 1941

A Razão, 06 de outubro de 1936

O Estado de São Paulo, 12 de outubro de 1973

O Estado de São Paulo, 10 de junho de 1997

O Estado de São Paulo, 30 de agosto de 1997

Jornal do Brasil, 22 de maio de 1988

Correio da Manhã, 20 de outubro de 1963



Outras referências: 

BROTERO, Frederico de Barros. Descendência do Barões de Souza Queiroz. Revista de Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, p. 441-484

GUERRA, Juvencio e Jurandyr. ALMANACK COMMEMORATIVO DO 1º CENTENARIO DO MUNICÍPIO DE SANTO AMARO. São Paulo: Estab. Graphico Rosolillo, 1932

Registro de Imóveis, matrícula 171.932

Fotos: Fundação Benéfico Docente Alfonso Martín Escudero; outras em pesquisa.