Muitas veias de irrigação deste local são abastecidos por mais de 30 pequenos e médios córregos como o Guavirutuba, M’Boi Mirim e Guaçu, Rio Bonito, Rio das Pedras, Tanquinho, Itupu, Parelheiros, enfim tantos quanto fazem parte constante da manutenção da beleza natural e artificial do lugar, que também atraíram praticantes esportistas e um laser que refletiu no cotidiano local, uma “praia” de encantos.
Já em sua conclusão aficionados a náutica deslocavam-se para a prática de vela, como BERT GREENWOOD, superindendente da Mappin Stores, depois comodoro do Sailing Club, clube da comunidade britânica fundado em 1917, que com barco artesanal das estruturados encaixotamentos de madeira de mercadorias importadas fabricou seu barco com dois mastros e seis metros de comprimento e iniciava desta modo o velejar no São Paulo Yacht Club, tornou-se, mais tarde, primeiro presidente da Federação de Vela do Estado de São Paulo. Grandes campeões do iatismo se serviram do local para treinamentos e ganharam projeção internacional como JOERG BRUDER, muitas vezes campeão brasileiro e sul-americano pelo Yatch Club Paulista, velejador da Represa de Guarapiranga, sendo perpetuado seu nome no Centro esportivo Municipal de Santo Amaro e ROBERT SCHEIDT, que pelo Yacht Club Santo Amaro tornou-se campeão olímpico a partir de 1968. Outros se serviram da represa para modalidades aéreas como BABY PIGNATARI, da família Matarazzo, proprietário da Chácara Tangará, hoje parque municipal Burle Marx, com administração privada, aproveitava-se do espaço aéreo da década de 40 para os seus aviões Paulistinhas, um sucesso comercial de então.
As atrações sucedâneas atraíram adeptos que se serviam da represa com hidroaviões para pouso e decolagem. Assim em 1927 dois aviadores amerissaram na represa de Guarapiranga, o tenente-coronel e chefe do Estado Maior do Comando Geral da Aeronáutica da Itália, Francesco De Pinedo com seu hidroavião “Santa Maria”, e o comandante aviador brasileiro João Ribeiro de Barros, com o antigo “Alcione”, rebatizado JAHÚ, homenageando sua terra natal, independentes com tripulação de navegação aérea, completavam o sonho de muitos outros renomados aviadores (Gago Coutinho e Sacadura Cabral, lograram êxito parcial em 1922 com suporte naval de apoio) e aportaram deste modo na represa de Guarapiranga.
Há nesta citação o fato histórico incontestável e expressivo que foi considerado o marco da aviação comercial entre dois continentes separados pelo Mar Tenebroso, o Oceano Atlântico e esta as urdiduras do tecido histórico na Represa de Santo Amaro.
(Na foto o comandante Joaõ Ribeiro de Barros é o 6º da esquerda para a direita e logo em seguida o prefeito anfitrião Isaías Branco de Araujo)
Em depoimento ao jornal Gazeta de Santo Amaro, de 10 de novembro de 1960, Isaias Branco de Araujo, prefeito de Santo Amaro de 1917 a 1928, na época município do estado de São Paulo declarava no subtítulo “De Pinedo e Conde Matarazzo”:
“Recepcionei De Pinedo quando desceu com o Jaú na represa. Em homenagem ao grande aviador, dei o nome à avenida do bairro do Socorro. Quando o Conde Matarazzo, em nome da colônia italiana, veio a esta cidade tratar do monumento na represa em honra ao aviador, foi por mim recebido. Inicialmente a Light deu contra; a meu pedido consentiu que a estátua fosse colocada onde está, até hoje”
O fato tem sua relevância quanto às questões da vinda do ilustre industrial Francesco Matarazzo a Santo Amaro conversar sobre o monumento aos aviadores da travessia do Atlântico, e a surpresa da negação, a principio, da empresa canadense “Light & Power”, que o vulto do maior empresário de então reforçado com o pedido do prefeito Isaias Branco de Araujo, convenceu-se da importância histórica do Monumento.
Logicamente, quando do depoimento, o "Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico" ainda não havia sofrido o esbulho[2] de 1987, por parte do governo municipal, que em 2010 recupera-se ao local da Represa de Guarapiranga, através de reintegração de posse, o que sempre foi por direito objeto do litígio e indignação popular antiga, agora reparado.
[1] SUPERFÍCIES COMPARATIVAS:
*MUNICIPIO DE SÃO PAULO SEC.21: 1523 QUILOMETROS QUADRADOS
*MUNICIPIO DE SANTO AMARO ATÉ 1935: 640 QUILOMETROS QUADRADOS COM ABRANGÊNCIA DESDE O CORREGO DA TRAIÇÃO (HOJE APROX. RUA TEXAS, BROOKLIN) ATÉ DIVISA COM ITANHAÉM, MONGANGUÁ E SÃO VICENTE (Serra do Mar)*DISTRITO DE SANTO AMARO SEC.21: 15,60 QUILOMETROS QUADRADOS
[2] Esbulho: Retirada forçada do bem de seu legítimo possuidor, que pode se dar violenta ou clandestinamente. O possuidor esbulhado tem o direito de ter a posse de seu bem restituída utilizando-se, de atos de defesa que não transcendam o indispensável à restituição. O possuidor também poderá valer-se da ação de reintegração de posse para ter seu bem restituído.


Quem sou? Sou um MONUMENTO e muito REPRESENTO!!!
Da vestimenta de gala mudou-se repentinamente para o caqui do uniforme e os santamarenses foram se debater como Voluntários por São Paulo, que lutou bravamente até haver acordo entre constitucionalistas e legalistas. Com a intervenção federal de Armando Salles Oliveira, pelo decreto 6988, expedido em 22 de fevereiro de 1935, Santo Amaro perdia sua autonomia política e administrativa.
O projeto é do escultor ítalo-brasileiro Galileo Ugo Emendabili, que chegou ao Brasil em 1923, aos 34 anos de idade, contrário ao autoritarismo em seu país, a Itália. É o maior Monumento da cidade e tem 72 metros de altura, sendo um monumento funerário brasileiro localizado no Parque do Ibirapuera, São Paulo onde repousam os corpos dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo
O Obelisco paulista possui detalhes que elucidam a data: 
Savoia-Marchetti S55
Martin PM
Vought 02U-2A Corsair
Santo Amaro possuía um território invejável que parece uma história de relações dos primórdios do reino de Portugal. No planalto por meio de outorga as terras recebidas em sucessório pelos irmãos Martim Afonso de Sousa e Pero Lopes de Sousa, que resultou em célebre litígio que se prolongou entre donatários da família da Condessa de Vimieiro, dona Mariana de Souza Guerra, repelida da sua Vila Capital de São Vicente, bem como de Santos, São Paulo e de Mogi das Cruzes que através de Capitães-mores-governadores, cada um dos quais governando com ampla jurisdição. Ao outorgar vantagens municipais às cidades conquistadas, permitia a prática de velhos usos e costumes desde que não contrariassem a política geral do Estado, o que possibilitou a preservação de terras por vezes de Espanha que não eram reclamadas. Deste modo surgia o que era a prática de autogoverno enraizada no espírito daqueles que ocuparam as terras. Por sua vez os Monsantos, representado pelo Conde de Monsanto, neto de Pero Lopes de Sousa, intentou uma ação para tomar de volta como herdeiro a capitânia, com fundamento jurídico, sendo descendente do Lopes de Sousa, o 1º donatário, com direito ao “morgado”, propriedade dada ao filho mais velho por herança. Disto ressurge um interesse do governo de Portugal assumir o controle implantando normas de ocupação desde que as terras tivessem uso de ocupação familiar.
Com tudo isto após quase um século passado, amerissam em 1927, na Represa de Guarapiranga os aviadores Francesco De Pinedo e João Ribeiro De Barros, ambos alcançaram o mérito de atravessarem o espaço do Oceano Atlântico sem escala e sem que houvesse suporte naval em tão arriscada travessia. Disto resultou digna homenagem, erigindo-se o “Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico”, obra de Ottone Zorlini, na Capela do Socorro, até então subdistrito de Santo Amaro.
Quando neste momento histórico, um menino franzino corria a ver um avião pousar nas águas, cercada de Ford bigode, e gente “aprumada” como em apresentação de gala. Era o senhor Francisco de Moraes, nascido em 15 de março de 1915, que começa a relatar fatos impressionantes da época, acompanhado de seus filhos Eulálio e Inês, foi dando uma aula de exatidão em recordações minuciosas, quando descrevia seus momentos, no auge da peraltice de menino que brilhava os olhos no horizonte, ao ver “aquele avião lindo”, o Jahú.
Depois viu a “vila” crescer e vir a se ajuntar ao pioneirismo dos Moraes outros tantos, que após a travessia do Atlântico se aproximavam das ruas de terra que receberiam nomes do feito histórico em homenagem ao aviador italiano Francesco De Pinedo, e o brasileiro João (Ribeiro) de Barros, o intrépido aviador da cidade de Jaú, interior de São Paulo, que logrou também concluir o feito apesar dos revezes e trapaças para atravessar o oceano que recebeu também digna homenagem na Avenida Atlântica, mais tarde rebatizada de Avenida Robert Kennedy, com todo respeito ao estadista norte-americano, sem referência ao feito histórico.
Seu João Zillig da Silva, com a calma dos grandes sábios, nascido em 9 de outubro de 1927, parece eternizar aquele momento em contemplação diante de algumas fotos locais, que ressalta os primeiros encontros religiosos na casa do senhor Adão Remberg, que cedia gentilmente, na avenida empoeirada do que um dia se tornaria a Avenida De Pinedo. Descreve o “balão” do bonde próximo ao largo onde a Capela possuía a imagem de Santa Terezinha, que depois foi enviada para o Embu-Guaçu, dando lugar a Nossa Senhora do Socorro, igreja fundeada em 1952, onde passaram sacerdotes que demarcaram a história local: Manoel, Tadeu, Natal, Olívio, Albino,Mario Ganezzi, Alcides, Simão Benedito, Simão Bento, Plácido de Almeiro, Antonio Lima, Marson. Seguia esse importante depoimento seu sobrinho Acácio Zillig da Silva e sua esposa Maria Amélia, reforçando detalhes, citando pessoas que por contingências da vida viviam como andarilhos na região com seu Honorato, a negra Luiza, que antes era eximia cozinheira mas perdeu o sentido do racional, não conseguia ter a concentração da juventude, além do memorável Big, que dizem alguns que quando jovem foi mecânico e depois, pelos revezes da vida, tornou-se um andarilho pelos arredores de Santo Amaro.
A região abastecia com lenha, combustível de então, para ser transportado para São Paulo através de Santo Amaro, onde se descarregava a carga. O bonde circulou pela Capela do Socorro, atravessando uma ponte de madeira de via única, aproximadamente onde há atualmente a Estação do Socorro da CPTM, até ser desativado, mas é um fato que a historiografia não possui definição da data.
Por muito tempo o local ficou com características interioranas pelo afastamento da cidade e por este motivo era natural a cooperação entre os moradores, facilitando ainda mais a conservação dos usos e costumes nos núcleos formados que repercutiam nas festas do Divino, as juninas, que eram animadas pelas famílias de Benedito Fogueteiro, Pedro Mariano, que ganhavam o “socorro” dos barqueiros Orlando Candiani, e de Joaquim Capinzeiro, que abastecia o mercado com capim para forragem de colchão.
O fato é que pelas dificuldades da época o pioneirismo desfrutou de grande suporte popular, onde todos se ajudavam entre si, com normas de ações próprias como um autogoverno que ficou no espírito da população, que no hodierno conseguiu reverter ao seu local de origem o “Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico” parte da saga Monumental.
Em 1906, a Light iniciava as obras da conhecida Represa de Santo Amaro, depois denominada Represa de Guarapiranga, com barreira de contenção de 1,5 km de comprimento, 19 metros de altura e armazenagem para 200 milhões de metros cúbicos de água.
Seguindo à frente já na Avenida Robert Kennedy, antiga Atlântica, teremos o segundo parque com a denominação "Parque Praia de São Paulo", que terá limites em frente de grandes clubes náuticos e outros afins, como o São Paulo Athletic Clube (SPAC), São Paulo Yatch Clube (SPYC), Yatch Clube de Santo Amaro (YCSA), Marina Atlântica, Golf Center Interlagos, em frente ao clube Centro Associativo Fazenda Estadual, CAFE, n.º 2447, da referida avenida. Um pouco mais à frente temos o Club ADC, Marina Silvestre, Bombeiros Interlagos, com larga experiência em salvamento de submersão, pois próximo à base há o que, costumeiramente, os banhistas de fins de semana chamam de Prainha, que carece de cuidados especiais, pois se trata da Guarapiranga Beach Paulistana. Segue mais à frente o Clube Desportivo Municipal (alterado atualmente para "Comunitário" por autoridades municipais) de Iatismo (CDMI). Tudo isto está demarcado em área física de 18 mil metros quadrados de parque inteiramente arborizado, com orçamento próximo de um milhão de reais.
Deparamo-nos com o contexto estampado em matutino de circulação corrente em São Paulo, com os dizeres: “Totem Fascista de volta à Guarapiranga”. Parece que o Monumento aos aviadores da primeira travessia do Atlântico, sem escala e suporte naval, é tudo: estátua, totem menos ser o que representa sua real constituição: Monumento!
Outro fato é a repetição do termo “fascista”, também já colocado em texto anterior, mas se há interesse em refletir como algo desmerecido, temos outro monumento representativo, no Ipiranga, de Ettore Ximenes, escultor italiano, onde nos vértices da base do pedestal central 
Além disso, na entrada das escadarias externas do Museu Paulista, conhecido por Museu do Ipiranga, há também os referidos fascios completados com as franquisques! Não se define em momento algum que ambas as representações tenha cunho do autoritarismo!
Isto deixa evidente a importância dos Monumentos à Independência do Brasil e Aos Heróis Aviadores da Travessia do Atlântico, suas reais representações.
Fomos expondo a idéia como formiguinhas repassando nossa intenção ao rol de nossas relações. Os políticos não pareciam interessados, mas historiador “é um teimoso até a idéia se concretizar”; vendo uma oportunidade de efeito político os mesmos que se recusaram no passado abraçaram a causa e assim o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, CONDEPHAAT, dava o aval para a volta do Monumento que tanto buscávamos reaver. 
Do museu ainda deixo outra ressalva que era estar em frente com o Paulistinha, da Companhia Aeronáutica Paulista, de Baby Pignatari, da família Matarazzo, empresário da Caraíba Metais, que apaixonado por aviação e por uma atriz, nascida na Itália, à princesa Ira de Furstemberg brilhou nas telas do cinema, construiu nas matas afastadas da cidade um local aprazível para recebê-la convidando seus amigos, o arquiteto Oscar Niemeyer e o paisagista Burle Marx, (no hodierno nome perpetuado como parque) a dar o requinte ao local virginal de Mata Atlântica, no costado da Chácara Tangará, hoje condomínios entre Vila Andrade e Morumbi, em São Paulo, uma divisão de águas entre o urbano e o subúrbio.
O Thundebolt P-47 foi outro avião marcante, uma pelos feitos heróicos do “SENTA A PÚA!”, na campanha da segunda guerra mundial que a audácia do grupo de aviação de caça da FAB transformou ases da mais alta estirpe, muitas vezes sem o reconhecimento merecido por parte do Estado, mas foi também um “Monumento” que marcou meus olhos infantis quando meu pai levava-me a visitar os “oriundi” no “Bairro do Bixiga”. Estava lá um P-47 imponente na Praça 14 Bis, a praça esta lá sufocada pelos prédios e o Thundebolt “sumiu”. Uns falam que lá nunca houve um avião, outros que era a réplica do 14 BIS, mas minha mente gravou um instante óptico e ela não mente para mim.
Depois seguimos para a cidade de Jau, paramos na “Praça Siqueira Campos” onde há um Monumento erigido em 1953, no centenário da cidade do comandante João Ribeiro de Barros e logo abaixo, na “Praça da República”, há talvez o mais antigo monumento relacionado ao feito, homenagem esta feita em 1927 pela comunidade sírio-libanesa, um pouco escondido atrás de uma fonte, entre folhagens.
Seguimos ao “Cemitério Municipal Ana Rosa de Paula” e deparamos com o Mausoléu do Aviador, iluminado pelos raios de sol refletidos na morada de quem lutou muito e partiu cedo, mas deixando o legado de um sonho perseguido com todas as diversidades encontradas.
Tive a feliz aproximação no Museu, com o presidente João Francisco Amaro, clássico anfitrião, requisitado pelos visitantes inclusive este missivista, falei de “nosso” sonho, ele ficou admirado, citei o valor do “resgate” do Monumento, ele ficou impressionado, disse-lhe que seria remoção e recuperação das peças, inclusive o “Capitel Compósito Romano” e limpeza do Ícaro Alado, não saberia dizer se o custo estava dentro dos parâmetros, mas havia na apresentação dos responsáveis um amadurecimento profissional.
O termo latino “fasces”, na expressão fasces lictoris "feixe de lictor", era simbologia de origem etrusca incorporada pelo Império Romano, associado ao poder e à autoridade, denominado fasces lictoriae, por ser carregado pelo “lictor”, o qual na Roma Antiga, em cerimônias oficiais (jurídicas, militares e outras de poder) precedia a passagem de figuras da suprema magistratura, abrindo caminho em meio ao povo. O lictor era encarregado de convocar o réu, quando fosse solicitado pelo magistrado.