quarta-feira, 7 de julho de 2010

Oralidade dos Moradores da Capela do Socorro e o Monumento da Travessia do Atlântico

História: POVO PRESENTE!

Quem faz um lugar, uma vila, um lugarejo senão pessoas, que vieram estabelecer raízes para constituir um núcleo familiar e criar relações de convívio social, estrutura dos primeiros contatos de amizade, que depois formaram as relações com interação étnica com miscigenação de nuances de cores maravilhosas, únicas no mundo, formação também da “Cidade de Santo Amaro”, que as matizes deram origem ao “caboclismo” que preservou raízes de interior.

Santo Amaro possuía um território invejável que parece uma história de relações dos primórdios do reino de Portugal. No planalto por meio de outorga as terras recebidas em sucessório pelos irmãos Martim Afonso de Sousa e Pero Lopes de Sousa, que resultou em célebre litígio que se prolongou entre donatários da família da Condessa de Vimieiro, dona Mariana de Souza Guerra, repelida da sua Vila Capital de São Vicente, bem como de Santos, São Paulo e de Mogi das Cruzes que através de Capitães-mores-governadores, cada um dos quais governando com ampla jurisdição. Ao outorgar vantagens municipais às cidades conquistadas, permitia a prática de velhos usos e costumes desde que não contrariassem a política geral do Estado, o que possibilitou a preservação de terras por vezes de Espanha que não eram reclamadas. Deste modo surgia o que era a prática de autogoverno enraizada no espírito daqueles que ocuparam as terras. Por sua vez os Monsantos, representado pelo Conde de Monsanto, neto de Pero Lopes de Sousa, intentou uma ação para tomar de volta como herdeiro a capitânia, com fundamento jurídico, sendo descendente do Lopes de Sousa, o 1º donatário, com direito ao “morgado”, propriedade dada ao filho mais velho por herança. Disto ressurge um interesse do governo de Portugal assumir o controle implantando normas de ocupação desde que as terras tivessem uso de ocupação familiar.

Este é um pequeno prelúdio de formação dos povoados paulistas e no sul, encaixados também como formação das prevenções de ocupação que mais tarde culminou com as colônias maciças abaixo do Trópico de Capricórnio, a partir de século dezenove, terras de interesse aos imigrantes, com características mais próximas do clima das estações européias. Por outro lado foram aceitos com contratos assumidos entre as partes do Império do Brasil e as potências européias de então, “arrumaram” uma solução para conflitos internos sociais, pois resolviam problemas de uma massa humana que na Europa estavam sem trabalho, enfim sem renda de sustento básico, e as “colônias de imigrantes” resolviam a falta de ocupação de território do Brasil em litígio antigo com a Espanha.

Em Santo Amaro, cidade encaixada na citação acima, implantou-se a primeira Colônia imigratória de alemães em 1829, e desde então a região recebeu novo ciclo da história, iniciando a formação de desenvolvimento local, uma entrada para a Boca do Sertão, quando a região era somente conhecida por Coruroca. Com tudo isto após quase um século passado, amerissam em 1927, na Represa de Guarapiranga os aviadores Francesco De Pinedo e João Ribeiro De Barros, ambos alcançaram o mérito de atravessarem o espaço do Oceano Atlântico sem escala e sem que houvesse suporte naval em tão arriscada travessia. Disto resultou digna homenagem, erigindo-se o “Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico”, obra de Ottone Zorlini, na Capela do Socorro, até então subdistrito de Santo Amaro. Quando neste momento histórico, um menino franzino corria a ver um avião pousar nas águas, cercada de Ford bigode, e gente “aprumada” como em apresentação de gala. Era o senhor Francisco de Moraes, nascido em 15 de março de 1915, que começa a relatar fatos impressionantes da época, acompanhado de seus filhos Eulálio e Inês, foi dando uma aula de exatidão em recordações minuciosas, quando descrevia seus momentos, no auge da peraltice de menino que brilhava os olhos no horizonte, ao ver “aquele avião lindo”, o Jahú. Depois viu a “vila” crescer e vir a se ajuntar ao pioneirismo dos Moraes outros tantos, que após a travessia do Atlântico se aproximavam das ruas de terra que receberiam nomes do feito histórico em homenagem ao aviador italiano Francesco De Pinedo, e o brasileiro João (Ribeiro) de Barros, o intrépido aviador da cidade de Jaú, interior de São Paulo, que logrou também concluir o feito apesar dos revezes e trapaças para atravessar o oceano que recebeu também digna homenagem na Avenida Atlântica, mais tarde rebatizada de Avenida Robert Kennedy, com todo respeito ao estadista norte-americano, sem referência ao feito histórico.
Foram-se aos poucos se achegando ao local em franca expansão as famílias de Paulo Vaz, Amaro Branco, João Hessel, também conhecido por Ambura, Silvano Klein, Cristina Luz, Antonio Alves, Amaro Ferreira, Guilherme Ficher, os da família Ponjulippi, Saturino de Moraes, José Lameira, os Cavalcanti, Martins Pelúcio, Eliseu Gusbert, Virgílio Pavanelli. Orlando Bercari, Júlio Pires, Mauro Branco Jacinto, Adão Remberg, que os amigos chamavam de garça, por se magro e de pernas finas. A professora “dona” Amália, somava sua competência educacional, transmitindo a toda a cultura necessária, com formação aos jovens recém chegados, recordações de sua importância representativa é, mesmo passados o tempo, extremamente respeitada. Seu João Zillig da Silva, com a calma dos grandes sábios, nascido em 9 de outubro de 1927, parece eternizar aquele momento em contemplação diante de algumas fotos locais, que ressalta os primeiros encontros religiosos na casa do senhor Adão Remberg, que cedia gentilmente, na avenida empoeirada do que um dia se tornaria a Avenida De Pinedo. Descreve o “balão” do bonde próximo ao largo onde a Capela possuía a imagem de Santa Terezinha, que depois foi enviada para o Embu-Guaçu, dando lugar a Nossa Senhora do Socorro, igreja fundeada em 1952, onde passaram sacerdotes que demarcaram a história local: Manoel, Tadeu, Natal, Olívio, Albino,Mario Ganezzi, Alcides, Simão Benedito, Simão Bento, Plácido de Almeiro, Antonio Lima, Marson. Seguia esse importante depoimento seu sobrinho Acácio Zillig da Silva e sua esposa Maria Amélia, reforçando detalhes, citando pessoas que por contingências da vida viviam como andarilhos na região com seu Honorato, a negra Luiza, que antes era eximia cozinheira mas perdeu o sentido do racional, não conseguia ter a concentração da juventude, além do memorável Big, que dizem alguns que quando jovem foi mecânico e depois, pelos revezes da vida, tornou-se um andarilho pelos arredores de Santo Amaro.

Memória naquele instante não faltava, onde a única que falhava era a deste missivista; começa um depoimento das recordações de ilustre personalidade da Capela, senhor Jeremias Homero Bhering, nascido em 31 de outubro de 1929, por muito tempo servindo como farmacêutico, profissão aprendida com Pascoal Militelo na “Pharmacia Internacional”, na Avenida De Pinedo, nº 145, que a modernidade rebatizou após o ano 2000 como “Help”, onde o “Socorro” faz parte desta história, e agora recebe de volta seu MONUMENTO, aliás, de onde nunca deveria ter saído, pois os monumentos representam um marco local, e não pertence ao poder efêmero e momentâneo, pertence ao local da origem do feito onde reside o povo que presenciou o fato!
Em 1938 a Capela do Socorro ganhou ares de autonomia com a implantação do Cartório do Registro Civil e Notas, na Rua dos Italianos, atual Amaro Luz, nº 155, esquina da Avenida Atlântica, que os depoentes recordam a presença marcante do senhor Antonio, que além de suas atribuições casamenteiras com a outorga de juiz de paz, era também diretor da banda da localidade.

Sorriam os três a nos olhar como que olhando o tempo que nós não tínhamos a dimensão exata desta época e sua grandeza, e começam a lembrar das manadas a circular vindo pelo caminho do Embu Guaçu, na Estrada da Boiada, onde a Light em meados de 1946 fez a ponte e depois disto com o “desenvolvimento” recebeu a atual Avenida Guarapiranga, que ganhou pavimento deste ponto até o Largo do Socorro, num custo aproximado de 200 mil cruzeiros!!! Tudo isso era transportado em carroças atreladas aos burros, como as de Alfredo Leitão, que chegando ao local com seixos ou terra destravava a amarra “basculando” a carga, um inovação extraordinária para a época. Antes, repetem os depoentes, testemunhas vivas deste momento histórico, era necessário contornar pelo Bairro da Comporta, o Mercadinho para ter acesso ao sentido do Largo da Capela do Socorro. Um belo dia, vindo uma manada desenfreada em um “estouro de boiada”, desgarraram alguns bois pelos charcos, alguns foram recolhidos pelos tropeiros, mas um após a passagem da manada ficou no local, e se tornou atração, sendo batizado de Tenório, um belo exemplar de pelugem preta, vagava pelo local, tornando-se integrante da farra juvenil que saciava sua sede com cerveja, que, aliás, era sua bebida preferida!!! A região abastecia com lenha, combustível de então, para ser transportado para São Paulo através de Santo Amaro, onde se descarregava a carga. O bonde circulou pela Capela do Socorro, atravessando uma ponte de madeira de via única, aproximadamente onde há atualmente a Estação do Socorro da CPTM, até ser desativado, mas é um fato que a historiografia não possui definição da data. Por muito tempo o local ficou com características interioranas pelo afastamento da cidade e por este motivo era natural a cooperação entre os moradores, facilitando ainda mais a conservação dos usos e costumes nos núcleos formados que repercutiam nas festas do Divino, as juninas, que eram animadas pelas famílias de Benedito Fogueteiro, Pedro Mariano, que ganhavam o “socorro” dos barqueiros Orlando Candiani, e de Joaquim Capinzeiro, que abastecia o mercado com capim para forragem de colchão. O fato é que pelas dificuldades da época o pioneirismo desfrutou de grande suporte popular, onde todos se ajudavam entre si, com normas de ações próprias como um autogoverno que ficou no espírito da população, que no hodierno conseguiu reverter ao seu local de origem o “Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico” parte da saga Monumental.

O exposto foi colocado com a coerência do recolhimento da oralidade, com aquilo que temos de real, onde nosso único comprometimento é com o fato histórico e respeito ao “corpo” disso tudo, que são as pessoas, independente da Colônia que pertençam! É um fragmento de tantos que participaram deste momento, há muito mais a ser recolhido e preservado. Pode haver grafia que não seja definida como correta, podendo ser corrigida por aqueles que fazem parte deste universo!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Transporte do “Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico”

Heróicos Comandantes : Francesco De Pinedo(Itália) e João Ribeiro De Barros(Brasil)

Profissionais do ramo da engenharia civil transportaram o Monumento do Jardim América para a Capela do Socorro, na Represa de Guarapiranga, em São Paulo, que reverencia os aviadores que atravessaram o Atlântico, em reide de 1927, numa época em que pouco havia de instrumentação, em um “vôo cego”, fizeram o épico para a união da relação dos povos continentais, Europa e América e que foi imortalizado pela obra de Ottone Zorlini.

Embora se louve o trabalho destes profissionais, sendo formado no ramo industrial e tendo trabalhado em grandes construções de metalurgia como nos maiores fornos de forjaria e tratamento térmico da América Latina, e nas máquinas de estocagem e carregamento da maior empresa mineradora do mundo, tendo experiência profissional no setor de engenharia[1], não tão apurada quanto aos citados profissionais que entendem sem sombra de dúvidas, de logística de transporte, mas sem um projeto de seqüência de just-in-time, onde cada peça deveria ter manipulação adequada com a importância de seu idealizador, deveria respeitar uma meta seqüencial. Parece que tendo um cronograma a respeitar e não um organograma, tudo deve que estar em algum lugar em um tempo que respeite unicamente uma meta de engenharia civil. Não citemos que seria necessário remeter aos profissionais do setor arqueológico pela importância do fuste romano e o capitel compósito, que parece que não será recuperado, nem a um historiador renomado para acompanhamento do tempo e espaço, mas um estudioso no campo de restauro histórico seria “mister” conveniente respeitar.
Enfim a obra de quarenta e quatro peças não tem dentro de seu contexto histórico acompanhamento técnico suficiente para a importância da obra, não há seqüência lógica, embora todo respeito tenhamos pelos profissionais envolvidos, até os responsáveis das instituições de preservação calam-se, por interferência da condição do poder que produz documento e a só cabendo citações de interesses do vencedor ao preço de R$ 394.992,77. Embora calem as vozes dos vencidos as pedras falarão para a posteridade, pois tudo que emana da política tem efemeridade.
Se cometo algum deslize, provem pelo interesse da historiografia!

[1] “Louvar-se a si próprio é deplorável” - Dante

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Represa de Guarapiranga e a Volta do Monumento ao Paredão

Parques Públicos na Orla da Represa de Guarapiranga

Há uma “gentrificação”, enobrecimento da cidade de São Paulo e que agora se expande para o extremo sul do município na orla da Represa de Guarapiranga, em operação desde 1907, época em que no Rio Pinheiros, construiu-se o canal de alimentação que passa pela ponte da Estrada do Guarapiranga, ligando-se com a Represa, sendo referência os fundos do Clube Atlético Indiano, de muita tradição, fundado em 1930. Desta origem segue o que se denominou chamar de Barragem, ou popularmente Paredão, barreira de contenção das águas da Represa. Em 1906, a Light iniciava as obras da conhecida Represa de Santo Amaro, depois denominada Represa de Guarapiranga, com barreira de contenção de 1,5 km de comprimento, 19 metros de altura e armazenagem para 200 milhões de metros cúbicos de água.

Neste início da orla, em 1927, amerissaram intrépidos pilotos da Primeira Travessia do Atlântico, nas pessoas de Francesco De Pinedo, italiano, natural de Nápoles, e João Ribeiro de Barros, brasileiro, natural da cidade de "Jahú", e onde se erigiu o Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico, para perpetuar a história e em homenagem ao fato, e que por longos quase 60 anos permaneceu um marco intocável, sendo que em 1987 o Governo Municipal transferiu o monumento para a Praça Nossa Senhora do Brasil, no Jardim América, local que não possuía nem vínculo com a travessia do Atlântico, nem com a Represa Guarapiranga. Seguindo pelas Avenidas De Pinedo e João de Barros, que também se seqüestrou o Ribeiro, será construído o primeiro parque da orla da Represa Guarapiranga, com nome de "Parque Barragem", que muito bem caberia o nome "Travessia do Atlântico". Esta orla no passado também já possuiu o galhardo nome de "Riviera Paulista". Este parque será inserido na história da Capela do Socorro, e de todos quanto, de alguma maneira, fazem parte desta região de Santo Amaro, São Paulo. Partindo deste ponto até a esquina da Avenida Robert Kennedy, que também, um dia, chamou-se Avenida Atlântica, ligada ao fato da travessia citada, teremos aproximadamente 90 mil metros quadrados previsto investimento na ordem de 1,5 milhões de reais. Seguindo à frente já na Avenida Robert Kennedy, antiga Atlântica, teremos o segundo parque com a denominação "Parque Praia de São Paulo", que terá limites em frente de grandes clubes náuticos e outros afins, como o São Paulo Athletic Clube (SPAC), São Paulo Yatch Clube (SPYC), Yatch Clube de Santo Amaro (YCSA), Marina Atlântica, Golf Center Interlagos, em frente ao clube Centro Associativo Fazenda Estadual, CAFE, n.º 2447, da referida avenida. Um pouco mais à frente temos o Club ADC, Marina Silvestre, Bombeiros Interlagos, com larga experiência em salvamento de submersão, pois próximo à base há o que, costumeiramente, os banhistas de fins de semana chamam de Prainha, que carece de cuidados especiais, pois se trata da Guarapiranga Beach Paulistana. Segue mais à frente o Clube Desportivo Municipal (alterado atualmente para "Comunitário" por autoridades municipais) de Iatismo (CDMI). Tudo isto está demarcado em área física de 18 mil metros quadrados de parque inteiramente arborizado, com orçamento próximo de um milhão de reais.

Nas proximidades deste, um pouco adiante na Avenida Robert Kennedy, teremos o terceiro parque com o nome "Parque Castelo", área de extrema beleza e preservação onde encontramos o Clube de Campo Castelo, sendo seus limites na outra margem com o campo de futebol do Barcelona Capela, e abrangerá 87 mil metros quadrados, também orçados próximo de um milhão de reais.

Após este, teremos o quarto parque previsto para 538 mil metros quadrados, o maior deles, com investimento na ordem de 5,4 milhões de reais, denominado "Parque Nove de Julho", onde se estruturarão quadras diversas, ciclovias, campos de futebol, pistas, enfim, uma série de complementos que deverão ser disponibilizados ao lazer diário da população, pois há um número grande de bairros adjacentes a todos estes empreendimentos que serão idealizados.

O quinto e último é o "Parque São José", com 95 mil metros quadrados, embora tenha dimensões semelhantes aos dois primeiros terá investimento maior, na ordem de 5,7 milhões de reais, pois será constituído de uma infra-estrutura reforçada de equipamentos por estar próximo das confluências das Avenidas Robert Kennedy e Senador Teotônio Vilela, onde há grande contingente populacional, tendo como ponto de referência de localização, atrás da Universidade de Santo Amaro, UNISA, unidade Interlagos, próximo a cidade Dutra, onde do outro lado segue-se em direção ao "Autódromo José Carlos Pace", comumente chamado de Interlagos, em homenagem a um dos grandes pilotos brasileiros, dentre tantos, onde se destacam curvas marcantes como a Curva "S" do Senna, do lendário e inesquecível piloto Ayrton Senna, sem esquecer-se dos irmãos Fittipaldi, que muitas alegrias trouxeram ao esporte automobilístico, juntamente com Nelson Piquet, e outros tantos excelentes pilotos brasileiros!Assim, pela expansão da cidade de São Paulo sobre a periferia do extremo sul de São Paulo, há necessidade de uma infra-estrutura compatível ao local, pois estamos dentro de um manancial necessário ao bem estar humano, e que a população merece, sendo necessária sua "preservação" deste investimento próximo dos quase 15 milhões de reais, vindos dos governos Estadual, Municipal e do Banco Mundial.

Volta também em julho de 2010, ao seu local de origem o "Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico", do escultor italiano Ottone Zorlini, inaugurado em 21 de agosto de 1929, que homenageia o feito dos heróicos aviadores, que foi erigida na Represa do Guarapiranga, um marco e reparação do Governo Municipal, responsável por aprovar a remoção em 1987, onde o administrador sempre tem responsabilidades dos feitos do poder a que se sujeita!


"Desistimos de incriminar as circunstâncias e de com elas nos preocupar quando vemos outrem aceitar as mesmas circunstâncias plácida e alegremente. Quando as coisas não correm na medida dos nossos desejos, muito contribuirá para o nosso contentamento pensarmos nas coisas agradáveis e encantadoras que nos pertencem; na mistura, o melhor eclipsa o pior. Quando os nossos olhos são ofuscados pela claridade excessiva, nós acalmamo-los olhando para a verde relva e para as flores; todavia, mantemos a mente absorta com o que é penoso e forçamo-la a remoer sem trégua os vexames, desviando-a violentamente de pensamentos mais reconfortantes".
(Plutarco, in "Do Contentamento")

Totem Fascista ou Monumento aos Heróis Aviadores da Travessia do Atlântico e o Monumento à Independência.

Translado definitivo: julho de 2010, da Praça Nossa Senhora do Brasil, Jardim América para o Parque Barragem, Capela do Socorro; Santo Amaro, São Paulo. Valor R$ 394.992,77 Deparamo-nos com o contexto estampado em matutino de circulação corrente em São Paulo, com os dizeres: “Totem Fascista de volta à Guarapiranga”. Parece que o Monumento aos aviadores da primeira travessia do Atlântico, sem escala e suporte naval, é tudo: estátua, totem menos ser o que representa sua real constituição: Monumento!

Não irei declinar novamente sobre estátua e monumento, mas o que representa a matéria e a especificada definição totem, pelo acadêmico Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, em o Novo Aurélio, Dicionário da Língua Portuguesa, século XXI, Editora Nova Fronteira:

“totem: em diversos povos e sociedades, animal, vegetal ou qualquer entidade ou objeto em relação ao qual um grupo ou subgrupo social, coloca-se numa relação simbólica especial, que envolve crenças e práticas especificas, variáveis conforme a sociedade ou cultura considerada”.
Que há relação simbólica do Monumento por ser um épico humano, onde o momento permitiu o ato heróico que culminou com o sucesso da chegada, é fato notório e confirmado pelos anais históricos, mas não uma prática de ancestralidade. Existe um fato que precisa ser exposto às gerações que não participaram do momento histórico, mas não se trata de um objeto de peregrinação de cunho religioso.
O "Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico", de Ottone Zorlini, não é mera estátua, nem um totem, mas realmente um Monumento, pois “Monumento é Documento”, de feitos humanos, o único animal a fazê-lo em registro histórico! Outro fato é a repetição do termo “fascista”, também já colocado em texto anterior, mas se há interesse em refletir como algo desmerecido, temos outro monumento representativo, no Ipiranga, de Ettore Ximenes, escultor italiano, onde nos vértices da base do pedestal central
“em cada vértice, formado pelos quatro painéis em granito, que envolvem a base do pedestal, há um fascio, símbolo do império romano, que significa o poder de vencer os inimigos da nação”, explicação esta que se encontra no interior do referido “Monumento à Independência”, do Brasil! Além disso, na entrada das escadarias externas do Museu Paulista, conhecido por Museu do Ipiranga, há também os referidos fascios completados com as franquisques! Não se define em momento algum que ambas as representações tenha cunho do autoritarismo! Isto deixa evidente a importância dos Monumentos à Independência do Brasil e Aos Heróis Aviadores da Travessia do Atlântico, suas reais representações.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

SONHOS MONUMENTAIS

Santo Amaro, São Carlos, Jau e a Volta do Monumento aos Aviadores

Raridades da aviação fizeram-me deslocar por 350 quilômetros, acrescidos pela ida a cidade de Jau, do comandante João Ribeiro de Barros, para vê-las neste maravilhoso acervo no “Museu Asas de Um Sonho”, da TAM, em São Carlos, além de certa relação com a cidade, pois meu bisavô casou-se na cidade em 1904. Saímos de São Paulo com a convicção de ir ao encontro da história, memória da audácia de homens desbravadores, e que minha formação acadêmica sempre perseguiu.
Quando jovem estudava na Avenida De Pinedo confluência com Avenida João de Barros, (outro erro crasso, pois falta o Ribeiro) onde neste local situava-se o Monumento pela amerissagem da primeira travessia Atlântica, entre continentes, nome antigo da avenida que circunda a Represa de Guarapiranga, depois mudada para Avenida Robert Kennedy, nome este sem relação alguma com o feito histórico. Depois de formado em mecânica industrial tornei-me projetista de ferramentas de fundição de motores Mecedes-Benz, na extinta SOFUNGE, na Vila Anastácio, Lapa, e lá passei a admirar ainda mais o pioneirismo da industrialização paulista, embora tardia, dava todo o suporte as necessidades “destes homens malucos e suas máquinas voadoras”. Fui estudar história, pois estava no sangue como autodidata; alcancei o bacharelado e licenciatura e assim comecei a perseguir um sonho: reabilitar a volta do monumento seqüestrado de Santo Amaro, na Capela do Socorro. Textualizei em 2008 “A Represa do Guarapiranga e a Primeira Travessia do Atlântico” dando referência ao "Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico", de Ottone Zorlini com escultura de bronze, denominada “Vitória Alada”, lembrança do sonho de Ícaro.
O descrédito por parte dos detentores de recursos do Estado fazia-nos perseverar e acreditar mais em poder reaver para o local citado o Monumento, e não estátua, em homenagem aos intrépidos aviadores, e que fora “seqüestrado” ao tempo do governo municipal, do então prefeito Jânio da Silva Quadros e levado em 1987 para a Praça Nossa Senhora do Brasil, na região do Jardim América, local sem vínculo nenhum com a travessia.
A saga do hidroavião JAHÚ e a volta do monumento tornaram-se obsessão. Em 2008 tentei rever o avião, que anteriormente estava na OCA, no Ibirapuera, Museu da Aeronáutica, mas o museu da TAM à época havia fechado para reforma, fiquei um pouco apreensivo por não saber quando poderia rever o JAHÚ, pois o mesmo havia sido abandonado anteriormente e estava em disputa judicial, havia o desrespeito com a “obra prima”, caso corriqueiramente comum com a história do país.
Neste ínterim o foco era lutar em prol da história pelo retorno do Monumento ao seu local de origem. Fiquei contente quando meia dúzia de abnegados estava sonhando o que eu também sonhava, integramo-nos para ir às autoridades locais buscar respaldo e adesão. No primeiro instante as autoridades mostraram-se céticos, sem saberem a importância do que nós achávamos importante, que era o Monumento no seu local de origem, na Represa de Guarapiranga. Fomos expondo a idéia como formiguinhas repassando nossa intenção ao rol de nossas relações. Os políticos não pareciam interessados, mas historiador “é um teimoso até a idéia se concretizar”; vendo uma oportunidade de efeito político os mesmos que se recusaram no passado abraçaram a causa e assim o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, CONDEPHAAT, dava o aval para a volta do Monumento que tanto buscávamos reaver.
Repentinamente foram disponibilizados para operação de desmonte e montagem em seqüência criteriosa com recursos de emenda parlamentar, R$ 394.992,77 com centavos e tudo, para transportar o Monumento, marco da aviação. A batalha chegava ao fim, e o poder assumiu assim o retorno, com documentos oficiais. Esperamos que o translade seja feito com festividade à altura do feito, pela aviação brasileira sobrevoando o local com o merecimento que se faça jus.
Coincidentemente a TAM reabriu seu magnífico acervo para visitação, fato esperado por mim com certa ansiedade. Programamo-nos em ir atrás de rever nas “Asas de Um Sonho”, um sonho solitário que se tornou solidário, do Savóia Marchetti S-55 que foi parte integrante desta história, com os motores em V perfeitamente conservados, e aqui enaltecemos a perseverança da família Amaro e seu inesquecível comandante Rolim, pois como único exemplar no mundo, depois do que passou o hidroavião, podemo-nos orgulhar como brasileiro de possuir a única peça existente no mundo e com os dois motores Isotta Fraschini ASSO 500 HP
Do museu ainda deixo outra ressalva que era estar em frente com o Paulistinha, da Companhia Aeronáutica Paulista, de Baby Pignatari, da família Matarazzo, empresário da Caraíba Metais, que apaixonado por aviação e por uma atriz, nascida na Itália, à princesa Ira de Furstemberg brilhou nas telas do cinema, construiu nas matas afastadas da cidade um local aprazível para recebê-la convidando seus amigos, o arquiteto Oscar Niemeyer e o paisagista Burle Marx, (no hodierno nome perpetuado como parque) a dar o requinte ao local virginal de Mata Atlântica, no costado da Chácara Tangará, hoje condomínios entre Vila Andrade e Morumbi, em São Paulo, uma divisão de águas entre o urbano e o subúrbio.

O Thundebolt P-47 foi outro avião marcante, uma pelos feitos heróicos do “SENTA A PÚA!”, na campanha da segunda guerra mundial que a audácia do grupo de aviação de caça da FAB transformou ases da mais alta estirpe, muitas vezes sem o reconhecimento merecido por parte do Estado, mas foi também um “Monumento” que marcou meus olhos infantis quando meu pai levava-me a visitar os “oriundi” no “Bairro do Bixiga”. Estava lá um P-47 imponente na Praça 14 Bis, a praça esta lá sufocada pelos prédios e o Thundebolt “sumiu”. Uns falam que lá nunca houve um avião, outros que era a réplica do 14 BIS, mas minha mente gravou um instante óptico e ela não mente para mim.Depois seguimos para a cidade de Jau, paramos na “Praça Siqueira Campos” onde há um Monumento erigido em 1953, no centenário da cidade do comandante João Ribeiro de Barros e logo abaixo, na “Praça da República”, há talvez o mais antigo monumento relacionado ao feito, homenagem esta feita em 1927 pela comunidade sírio-libanesa, um pouco escondido atrás de uma fonte, entre folhagens. Seguimos ao “Cemitério Municipal Ana Rosa de Paula” e deparamos com o Mausoléu do Aviador, iluminado pelos raios de sol refletidos na morada de quem lutou muito e partiu cedo, mas deixando o legado de um sonho perseguido com todas as diversidades encontradas. Tive a feliz aproximação no Museu, com o presidente João Francisco Amaro, clássico anfitrião, requisitado pelos visitantes inclusive este missivista, falei de “nosso” sonho, ele ficou admirado, citei o valor do “resgate” do Monumento, ele ficou impressionado, disse-lhe que seria remoção e recuperação das peças, inclusive o “Capitel Compósito Romano” e limpeza do Ícaro Alado, não saberia dizer se o custo estava dentro dos parâmetros, mas havia na apresentação dos responsáveis um amadurecimento profissional.

Isto foi parte do que vi, indescritível, mas um pouco da historia da aviação nacional, e “quem dormiu e não sonhou perdeu o sono por não sonhar”!

"Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico”: Data Vênia

*"Que disse, fiz, portanto feito está."

"Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico", de Ottone Zorlini. Escultura em bronze com coluna romana autêntica em granito rosa doada pelo rei Victor Emanuel atualmente localizada na Praça Nossa Senhora do Brasil, esquina da Avenida Brasil com a Rua Colômbia, Jardim América, com translado definido para orla da Represa Guarapiranga, "Parque Barragem".

1) Monumento ou Estátua
Aos egrégios representantes do poder, há colocações de suma importância histórica quanto ao retorno do “Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico”, que por si já se define como tal, pois “Monumento é Documento” e visto desta maneira pelos historiadores. Monumento é obra ou construção destinada a transmitir à posteridade a memória de fato ou pessoa notável; estátua é escultura em três dimensões, que representa figura humana, ou não, por vezes sem expressão definida de valor histórico, portanto temos diante disto o que representa a obra em homenagem aos aviadores do Atlântico, Francesco Zefinelli, o Marquês De Pinedo e João Ribeiro de Barros, epopéia do pioneirismo heróico da tripulação, pois foi o primeiro feito realizado sem acompanhamento naval, somente realizado com o que havia de melhor em instrumentação à época.

2) Vitória Alada

No topo de um alto pedestal, uma escultura de bronze, chamada de “Vitória Alada”, lembrança do sonho de Ícaro, apontando na direção do Oceano Atlântico. Na face frontal do pedestal de granito, estrelas de bronze compõem a constelação do Cruzeiro do Sul, além de dois fascios que se encontram nas laterais; um deles com a esfera celeste e a inscrição “Ordem e Progresso” da bandeira brasileira; o outro, o símbolo de Roma: a loba amamentando os irmãos Rômulo e Remo.

3) Autor da Obra: O Italiano Ottone Zorlini

Outro fato relevante é quanto ao autor da obra. Evidentemente que possuímos grandes expressões na arte escultural que engrandece sobremaneira este campo expressivo e de reconhecimento internacional, mas ao dizer que o monumento em questão é obra genuína nacional foge ao contexto e expressa uma inverdade histórica.
O monumento que faz parte de um contexto que recebeu a sensibilidade de Ottone Zorlini, nascido em Treviso, Itália, em 20 de setembro 1891, fixou residência em São Paulo a partir de 1928 aonde veio a falecer em 06 de junho 1967. Inicia sua trajetória profissional, aos 13 anos, quando começa a trabalhar em uma fábrica de cerâmica; em Veneza a partir de 1906, cursa a Academia de Belas Artes, freqüenta os ateliês do escultor Umberto Feltrin e do ceramista Cacciapuoti. Na cidade berço renascentista executa várias obras e em 1927, vem para o Brasil realizar o “Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico” com participação da Sociedade Dante Alighieri, edificado junto à Barragem da Represa de Guarapiranga, próximo ao local das amerissagens, concluído em 1928 e inaugurado no dia 21 de agosto de 1929, definida pelo autor como “a junção ideal da época da Roma Antiga às modernas conquistas que renovam e perpetua a grandeza do passado”, obra realizada quando já possuía 37 anos, Em São Paulo berço da imigração italiana conheceu artistas como Mario Zanini, Francisco Rebolo e Alfredo Volpi, integrantes do “Grupo Santa Helena”, com os quais viajava para pintar os arredores da cidade e trechos do litoral paulista, integrando-se depois na formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo.
4) Os Fascios

Outra questão a elucidar é quanto à representação dos adornos laterais que causam polêmicas, apresentados e definidos na mídia como símbolo do fascismo:
“Dois fascios (feixes de lenha, que sustentam machados) de bronze nas laterais também ajudaram a apimentar a polêmica. Na época da primeira transferência, o passado controverso não foi esquecido: "Acaba hoje instalação do monumento fascista nos Jardins" e "Monumento ostenta símbolo fascista" foram títulos de reportagens na época da transferência da obra para os Jardins. A justificativa do prefeito Jânio Quadros era que a escultura estava "escondida" na zona sul”.
Primeiramente não é lenha, ou qualquer madeira tosca, para usar como combustível, mas forma a representação das varas de jurisdição a cargo da justiça. O termo latino “fasces”, na expressão fasces lictoris "feixe de lictor", era simbologia de origem etrusca incorporada pelo Império Romano, associado ao poder e à autoridade, denominado fasces lictoriae, por ser carregado pelo “lictor”, o qual na Roma Antiga, em cerimônias oficiais (jurídicas, militares e outras de poder) precedia a passagem de figuras da suprema magistratura, abrindo caminho em meio ao povo. O lictor era encarregado de convocar o réu, quando fosse solicitado pelo magistrado.
O Ícaro de asas abertas como que a fitar a imensidão do espaço e a sobrevoar a rota escolhida desponta o Cruzeiro do Sul, que são as cinco estrelas fixadas na base de sustentação. Na parte frontal do monumento apresenta-se a coluna romana que demonstra a beleza do “capitel” que remete o homem na busca incessante da perfeição. Em ambos os lados estão à representação da aplicação da lei, um molho de varas que era levado pelo “lictor”, o magistrado romano, e ao centro do fascio a “franquisque”. Um deles no Monumento tem a esfera celeste e a inscrição “Ordem e Progresso” da bandeira brasileira; o outro, o símbolo de Roma: uma loba alimentando os irmãos Rômulo e Remo. Durante a Segunda Guerra Mundial, os fascios de bronze do monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico foram retirados, pois diziam que refletia alusão ao fascismo, e toda simbologia que lembrasse os movimentos nacionalistas do Eixo, Itália, Alemanha e Japão foram proibidos, inclusive a língua.

5) Franquisque

Quanto a “machadinha” trata-se realmente de um “machado de guerra” de nome “franquisque” que foi utilizado durante os anos iniciais da Idade Média pelos francos, de onde extraiu-se o nome. Esta arma tornou-se característica desse povo, em especial durante os anos de 500 a 750 d.C. Apesar de ser mais comumente associada aos francos, por sua notória utilização durante o reino de Carlos Magno (768-814 d.C.), era também utilizada por outros povos germânicos, incluindo os anglo-saxões. A primeira referência ao termo francisque surge no livro "Ethymologiarum sive originum, libri XVIII", de Isidore de Sevilha (c. 560 - 636 d.C.), como o nome utilizado entre os espanhóis referia-se aos francos para se referir a estas armas, provavelmente porque eram utilizados pelos povos além dos Pirineus, para penetrar atacando e rasgando com puxão brusco e cortante o corpo do combatente inimigo.

6) Coluna Romana:

A Sociedade Dante Alighieri propôs a construção de um monumento “Aos Heróis da Travessia do Atlântico” junto à barragem do Guarapiranga, próximo ao local das amerissagens, inaugurado no dia 21 de agosto de 1929.
Escultura de bronze sobre pedestal de granito com fustel romana autêntica de granito rosa, doada pelo rei Victor Emanuel, retirada em escavação arqueológica milenar recém-descoberta no Monte Capitólio, em Roma. Em “Inventário de Obras de Arte em Logradouros Públicos da Cidade de São Paulo” tem citação como jônica, mas suas características são uma somatória junto ao estilo coríntio, valendo-se da união das duas para formar a ordem compósita. Para celebrar a aventura dos compatriotas, Benito Mussolini, primeiro-ministro da Itália, pelo reinado de Victor Emanuel, entre 1922 e 1943, enviou a São Paulo a coluna que foi incorporada à parte inferior do monumento pelo autor da obra.
A cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, também recebeu uma coluna romana do Monte Capitólio, doada em 1931. Implantada no Pátio do Instituto Histórico e Geográfico, na Cidade Alta, era conhecida como “Coluna Capitolina” ou “Coluna Del Prete”. Comemora a travessia em linha reta e vôo direto, sem escalas, de Roma à praia de Touros, realizada pelos aviadores Carlo Del Prete e Arturo Ferrarin em 1928. Associada à figura de Mussolini, a coluna foi derrubada em 1935, durante a Intentona Comunista.

7) Mussolini

Mussolini, primeiro-ministro da Itália entre 1922 e 1943, buscava interesses estratégicos nos vôos pioneiros e queria criar pontos de apoio para sua frota aérea. O tenente-coronel Francesco De Pinedo assumiu a direção do Estado Maior da Aeronáutica e era chamado por Mussolini de “Senhor das Distâncias” por causa da viagem pelo Atlântico e pelas duas Américas. O hidroavião Savóia Marchetti S-55, com amerissagem estilo catamarã e com características militares, recebeu o nome de “Santa Maria”, lembrando a descoberta da América pelo navegador genovês Colombo, nome de uma de suas caravelas. No livro “Il Mio Volo Attraverso l’Atlantico e le Due Americhe”, De Pinedo relata que, durante sua permanência no Rio de Janeiro, foi convencido por “oriundi” de São Paulo, onde a colônia italiana era numerosa, a desviar sua rota e pousar na Represa de Guarapiranga em Santo Amaro, quando sua rota previa parar apenas em Santos. Assim o hidroavião chegaria à Represa de Guarapiranga, com efusão da multidão às margens da represa aclamando o feito do sucesso. Deste modo abriram-se novos horizontes para implantação da aviação comercial unindo continentes distantes.

Em 1985, o Instituto Cultural Umbro-Toscano de São Paulo solicitou a readequação do local de implantação do monumento à Prefeitura. A entidade temia pela integridade da obra, e o translado foi realizado pelo governo municipal em 1987, cujo resgate histórico ocorrerá no ano de 2010, com seu retorno ao local de onde nunca deveria ter saído; às margens da Represa de Guarapiranga, São Paulo.

*"Cui dixit, fecit, autem factum est."

VIDE:
Federico, Maria Elvira Bonavita. Meio Ambiente e Degradação Cultural. São Paulo: FAPESP, 2005

CAPITEL DO "MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO"

Capitel com Volutas e Folhas de Acanto: Ordem Compósita

O "Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico" foi idealizado pelo escultor italiano Ottone Zorlini; atualmente localizada na Praça Nossa Senhora do Brasil, esquina da Avenida Brasil com Rua Colômbia com translado definido para a Orla da Represa de Guarapiranga, "Parque Barragem", na Capela do Socorro, São Paulo, local da amerissagem dos aviadores, comandante Francesco De Pinedo e João Ribeiro de Barros em 1927; com hidroaviões Savóia Marchetti em reide.

O Monumento foi edificado junto à barragem de Guarapiranga, concluído em 1928 e inaugurado no dia 21 de agosto de 1929, definida pelo autor como “a junção ideal da época da Roma Antiga às modernas conquistas que renovam e perpetua a grandeza do passado”. Monumento este formado por escultura em bronze denominada “Vitória Alada”, lembrança do sonho de Ícaro, além do Fuste, (do latim: pau de madeira), que é o elemento vertical de apoio, constituindo a parte central, fazendo a ligação entre a base de apoio (socalco de sustentação da coluna) e o capitel, constituindo desta forma a coluna, onde o fuste é de autêntico granito rosa doada pelo rei Victor Emanuel, da Itália.
O Capitel soluciona problemas técnicos e estéticos sendo normalmente a parte mais trabalhada da coluna, a parte mais característica de uma dada ordem ou estilo. A arte romana sofreu influências Gregas e Etruscas, no entanto, não deixou de ser original. O Estado fez das grandes obras de engenharia, dos edifícios públicos e da escultura monumental um meio de propaganda política. A arquitetura romana integrou elementos arquitetônicos gregos, das ordens Dórica, Jônica e Coríntia. Mas os romanos acrescentaram aos estilos herdados, duas novas formas de construção: Toscana e Compósita. O interesse para entendimento do Capitel do Monumento em homenagem aos aviadores da primeira travessia do Atlântico, sem suporte marítimo, fica concentrado na ordem compósita.
A compósita foi uma ordem desenvolvida a partir dos desenhos das ordens jônica e coríntia.

Até o período do Renascimento a ordem foi considerada uma versão tardia do coríntio. Trata-se de um estilo misto em que se inserem no capitel as volutas do jónico e as folhas de acanto do coríntio.
Ordem Coríntia e compósita, esboço de Jean Goujon, referência Vitrúvio

O traçado do capitel compósito é o mesmo que o empregado para o capitel coríntio, a única diferença consiste na alteração das volutas, que são desenhadas nesta ordem da mesma forma que as da ordem jônica. Os antigos romanos, quando tomaram uma parte da ordem jônica e outra da coríntia, fizeram um composto para reunir numa só ordem toda a beleza possível.
Fica expressa que o Capitel, do "Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico" exige recuperação e estudo mais apurado da ordem de sua constituição, não se resumindo a simplesmente remanejá-lo sem uma interferência histórica!
VIGNOLA, Giacomo Barozzio de. Tratado Prático Elementar de Arquitetura (estudo das cinco ordens); ilustração de J.A. LÉVEIL. F. & Cia Editores, RIO DE JANEIRO.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Vigiar e Punir!

É MUITO MAIS IMPORTANTE SER MILITAR DO QUE PROFESSOR!

Educar é uma causa a ser atingida pelas maiores nações do mundo, formação e competência para tornarem-se povos livres. No Brasil isto é assunto secundário, e pode sentir a reflexão disso quando vemos dois pesos e duas medidas e uma distância muito grande, verdadeiro abismo entre as votações pelos egrégios representantes da nação, que acordam sobre pressões diferentes das duas profissões em questão, sendo que obrigam a aceitação do piso do professor enquanto dos policiais discutem até se exaurir, pois o receio de serem acuados é muito maior por parte das estruturas policias do que pelas estruturas educacionais e suas representações. Ainda gera mais penitenciárias modernas em detrimento às escolas!!!
Há outros fatores que o idealismo gerador do saber ainda insiste em formar as gerações, embora precariamente, sem a obrigação do Estado em formar cônscios homens compromissados em transformar uma realidade de espúrias soluções paliativas, que se militariza ao invés de humanizar seus cidadãos!

Alguns fragmentos confirmam estes argumentos, se são evidências dos fatos:

1) MEC divulga reajuste de 7,86% a professores a partir de 2010 - 30 de dezembro de 2009
Após consultar a Advocacia-Geral da União (AGU), o Ministério da Educação divulgou nesta quarta-feira que o piso salarial dos professores terá um reajuste de 7,68% em 1º de janeiro de 2010. A aplicação do percentual eleva o piso de R$ 950 para R$ 1.024,67 para uma jornada de 40 horas semanais. Embora a interpretação da AGU não seja vinculante, esta será a recomendação do MEC aos entes federados que o consultarem sobre o tema. O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira que tem convicção de que Estados e municípios têm condições de pagar o piso salarial dos professores, no valor de R$ 1.024,67.

2) Câmara aprova PEC sobre piso salarial de policiais e bombeiros
A Câmara dos Deputados aprovou há pouco, em primeiro turno, proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui piso salarial para servidores policiais civis e militares. De acordo com o texto aprovado, a remuneração dos servidores ativos, inativos e pensionistas integrantes das polícias Civil e Militar, incluindo os bombeiros militares será fixada em lei federal.

Agência Brasil - 03/03/2010

Pela proposta aprovada, até que a lei federal institua o piso nacional e o índice de revisão anual, o valor para o menor cargo ou graduação (soldado) será de R$ 3.500 e de R$ 7.000 para o menor posto ou patente militar (oficial). A proposta estabelece o prazo de 180 dias após a promulgação para o inicio da implantação do piso nacional. A aprovação do piso nacional ocorreu após muita polêmica e discussão no plenário da Câmara.

3) Policiais pressionam Câmara por votação de piso salarial - 20/05/2010 Agência Estado

Medida provisória 479

O plenário da Câmara ficou praticamente refém na noite de ontem até o início da madrugada de hoje pelas galerias tomadas por policiais. Eles pressionavam para a votação das propostas de emenda constitucional que fixa o piso salarial nacional da categoria e que cria a polícia penal. Às 11h30 da noite, o clima de tensão crescente fez que se suspendesse a sessão e convocasse uma reunião de emergência com os líderes partidários em busca de uma saída para o impasse. Grande parte da reunião com os líderes foi em busca de uma saída para encerrar a sessão. Deputados estavam prevendo agressões por parte dos policiais assim que Maia encerrasse a sessão sem a votação do projeto.

O que fazer?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

São Paulo Apaga Seu Passado

Que Cidade é Esta?

São Paulo perdeu sua vocação de produção primária, por motivos inexplicáveis; o parque industrial foi desativado e a massa deslocada da lavoura para ser a mão-de-obra operacional das indústrias de produção permaneceu no perímetro urbano numa outra realidade sujeitando-se a outras atividades secundárias, não se deslocando na mesma proporção da desarticulação dessas indústrias, que mudaram para outras regiões buscando vantagens em tributos fiscais, ou simplesmente "faliram-se" deixando rombos e prejudicando uma massa operária que até hoje sente os reflexos dessa máquina de construir falências! Todo o grande complexo industrial foi desarticulado sem aviso prévio, e hoje a cidade se caracteriza por uma corrida imobiliária de destruição avassaladora enterrando várias São Paulo(s) sem comprometimento com preservação, em nome de um progresso sem planejamento, unicamente em nome dos interesses internacionais que fabricam varredura destrutiva do passado, que deve abrir espaço imobiliário, modernizando as capitais fomentadas pelo moderno ópio do povo, o futebol, que “apaga” outras crises!!! Todo este contexto aguarda análise acadêmica com profundidade merecida de entendimento sociológico.
Ao fundo Morumbi, SP
Praça América, Avenida Brasil, SP
Praça e Igreja Nossa Senhora do Brasil, SP
Avenida Brasil Esquina com Rua Colômbia, SP
Rua Colômbia, SP - LITERALMENTE "TOMBADO"
Avenda Rio Branco, SP
Avenida Rio Branco com Alameda Glete, SP
rua Helvétia com Alameda Barão de Piracicaba, SP
Teatro Municipal, SP: Quanto Custa a Reforma Social?
Igreja Nossa Senhora da Consolação, SP
Rua Caio Prado, SP
Colégio DES OISEAUX ou Sociedade Armando Conde Investimentos, quanto vale ou para que valem 24 mil m² em área de interesse imobiliário na Rua Caio Prado, SP
COLÉGIO DES OISEAUX Década 1920. Qual o sentido da demolição?
Rua Caio Prado, 255, SP
Augusta, Rua Augusta, onde está tua Augusta Juventude? Caída Pelo Descaso -SP
Rua Augusta, SP
1913, Glórias Esquecidas - Rua Augusta, SP
Desabas Como Descartas Cartas. Rua Augusta, SP
Antes horizontavas no horizonte e agora verticalizas.Viaduto Prof. Bernardino Tranchesi, SP
Hospital Matarazzo ou Humberto Primo, que importa O NOME se pouco importam por ti - SP
Rua Antonio Bandeira, Santo Amaro, SP - Hotel Vagas da Demolição Paulistana
Industrias PAulistanas, tua pujança são somente ruínas pichadas pelos muitos Josés.- Santo Amaro, SP

E agora José? Hípica de Santo Amaro, SP

A cidade de São Paulo ocupa a 117ª posição em um ranking de qualidade de vida divulgado pela consultoria internacional em Recursos Humanos Mercer. São Paulo aparece atrás das outras duas cidades brasileiras incluídas no ranking, Rio de Janeiro em 116º e Brasília 104º lugar.

Mercer divulga também uma segunda lista, das "ecocidades", e a performance de São Paulo neste ranking é o 148º lugar.

"Altos índices de criminalidade também continuam sendo um dos maiores problemas em muitas cidades da região".

Quando o valor imobiliário é maior do que o humano, beiramos o caos!
O local das Américas Central e do Sul com a melhor colocação no ranking de qualidade de vida é Pointe-à-Pitre, em Guadalupe, no 62º lugar, seguido de San Juan, em Porto Rico 72º, e a capital argentina, Buenos Aires em 78º lugar.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

CACICADO NACIONAL E O INTERESSE INTERNACIONAL

“Uma Mentira Bem Contada” ou “Autoritarismo Econômico Democrático”!!!...

Muito se contribuiu com o governo brasileiro na sua pseudo-modernização em sua industrialização tardia, embora tudo financiado com investimento estrangeiro, porque o Brasil não possuí reservas para impulsionar pesquisas de monta ao nosso imenso potencial, ou por incapacidade administrativa ou falta de planejamento. Empresas estrangeiras contratadas para ampliar o “parque industrial” brasileiro “tropicalizaram”[1] máquinas para siderurgia e mineração, com know-how vindo de países detentores do saber tecnológico, porque infelizmente há déficit de tecnologia de ponta no país. Somos o “maior” em alguns segmentos, que não faz parte ao interessa de grupos estrangeiros de alto desenvolvimento tecnológicos, a saber: quando se necessita construir qualquer equipamento gigantesco como carcaças das estruturas metálicas recorre-se a caldeirarias, fomentamos nossa mão de obra barata, desqualificada, formada em cursinhos técnicos de ocasião, para construir produtos com tecnologias estrangeiras, financiadas por capital estrangeiro que assumem o controle acionário, mas só construímos o invólucro do equipamento. Hoje vangloriam de construção de estaleiros gigantescos, mas havia anteriormente a FRONAPE, ou nosso campo siderúrgico controlado atualmente por grandes trustes internacionais, já houve, um dia, investimentos no setor pela SIDERBRÁS, enfim citemos apenas dois potenciais “assassinados” na raiz por influências externas.

O Brasil nunca proporcionou uma revolução industrial, sempre tornou-se subalterno e dependente, com um povo humilde que é controlado pelas oligarquias em todo território nacional. Estamos submissos aos interesses de poucos autocratas que governam pouco para o todo e muito para si. Não há nisso espanto, pois o continuísmo do "cacicado" vem de longa data e perdura, ora como golpe, ora como ditadura, ora como república sindicalista, mas nunca uma real revolução, no âmago do problema, pois a preocupação maior do Estado é criar subsídio aos interesses políticos e econômicos. Este casamento, política e economia, geraram uma estrutura social abandonada, com filho pobre sem estudo, sem condições básicas de moradia com déficit de 28 milhões de residências populares, onde no Fórum Social Mundial de 2009, o representante mor do país proclamava, para impressionar a mídia, a construção de um milhão de residências ao valor de R$ 34.000,00 a unidade. Pergunta-se onde estão as mesmas, e qual o valor de venda para a população? Vivem de demagogia, haja vista que em São Paulo com sua famigerada "gentrificação", enobrecimento do centro da capital as empreiteiras, construtora de prédios de luxo, enchem a “burra da algibeira” com valores exorbitantes com construções verticalizadas.

Porque não evoluímos na proporção direta da extração das matérias primas?

Sempre resta a indignação desta incapacidade de resolver os problemas do país, onde a democracia inexiste como direito de opinar nas grandes questões, questionando o que fazer para construir uma nação livre, pois tudo está atrelado ao poder que cria “soviets”, conselhos manipulados e controlados por mesa autoritária, onde a plenária nunca é absoluta, capitalizando os lucros para poucos e socializando as perdas para muitos, uma mistura que poderíamos batizar de “Autoritarismo Econômico Democrático”!!!...
Toda América Latina esta acorrentada pelos interesses capitalistas e a única virtude que possa existir no país, por mérito natural, é possuir reservas vitais suficientes para crescer ainda mais a economia dos países mais ricos do mundo, os maiores interessados nessas reservas, num nítido “segundo estágio de colonização” através do extrativismo de reservas esgotáveis, deixando para trás rastro de miséria e destruição, esgotando ao limite a capacidade local, além da destruição e prostituição humana.
O povo é adestrado para ser usado como “exército de reserva” de mão de obra descartável, que na sua simplicidade não observa a sutileza a sua volta, ainda não se apercebeu que o soldo recebido por determinada atividade esta sobre o controle do Estado mancomunado com os interesses de uma economia globalizada e controlada por um grupo que detém toda a riqueza produzida nas três "AS": América, África e Ásia, sempre abaixo da linha do Equador, campeia a miséria instituída.

Uma massa da população que tem direito ao sufrágio universal pela democracia é forçada ao ato obrigatório de dirigir-se às urnas, recebendo sanções pelo não cumprimento cívico, deslocam-se em osmose 127 milhões de eleitores, onde metade não concluiu o ensino que lhe forneça o fundamental, ou seja, menos de 8 anos de estudos, sem contar a informalidade que é produto de um progresso insustentável, as custas da miséria popular usada como massa de manobra,, promessas vãs de incautos homens públicos.
Países de grande investimento em pesquisa tecnológica estabeleceu-se um "destino manifesto" de formarem homens para controle das massas em países considerados subdesenvolvidos ou emergente, sem caracterizar esta qualidade, e que são executivos escolhidos em suas sedes de origem para manter sobre as rédeas desta massa proletariada disforme, nome depreciativo no seu contexto, remetendo àqueles que fazem prole e acasalam-se para produzir mais e mais mão de obra a custo baixo. Este indivíduo será mais um consumidor voraz das benesses oferecidas desde seu nascimento, recebido com alegria, pois será um potencial grande ou pequeno de consumo de bens, produtos industrializados que serão anunciados dia e noite em rede nacional, e que depois de sua vida ser consumida por cartões de crédito ou financiamentos bancários, agiotagem permissível, terá uma morte inevitável a todo ser vivo. Muitos irão chorar a perda, pois não consumirá mais, sendo a indústria funerária o último setor lucrativo, onde a Prefeitura paulistana não abre mão deste controle. Todos enfim lamentarão inclusive os credores, que assumiram alguma hipoteca de algum empréstimo financeiro para socorrer o imediatismo da vida moderna, que por falta de pagamento aos agiotas institucionalizados, terá os bens arrolados pelo sistema financeiro. Banco é uma praga a ser extirpada, não produz nada e controla o jogo de interesse capitalista.

Desta retórica emergem os poucos empregos formalizados existentes e vemos que as empresas hoje se dão ao luxo de analisar uma gama enorme de currículos para entre tantos determinar aquele que poderá ser o colaborador ideal nas suas pretensões desenvolvimentistas do Estado Forte apregoado. Depois de exaustivas provas de capacidade e entrevistas de especialistas em comportamento humano, eis que surgirá no universo deste exército industrial de reserva, um “soldado” capaz de exercer as funções que permeiam o setor produtivo de determinado segmento e estarão sujeitas as regras do jogo trabalhista.
Este "colaborador" receberá treinamento de destreza para operar tudo aquilo que se apresentar como lucro aos interesses dos detentores dos meios de produção. O colaborador-operador agora é o mais novo homem máquina desta legião silenciosa que marcha em direção a almejada vaga onde ele se saiu o grande vencedor. Haverá direitos adquiridos pela legislação vigente e também estará sujeito as obrigações inerentes ao cargo empossado. A regra número um é não chegar atrasado, e por isso a indústria fornece os vales transportes para que no tom paternalista, estará ajudando o funcionário, aquele que na fábrica irá exercer função determinada, a subsidiar e dele cobrar pontualidade.

Na cidade de São Paulo, o transporte coletivo esta sobre controle de poucos, na nova modalidade de lobby da parceria empresarial-político, legislando pela aprovação da concessão mais rendosa financeiramente. O transporte coletivo é feito por demanda de carga, e carga são todos que se servem deste meio de locomoção, pagos a vista na boca do caixa às roletas de controle coletivo pelo cartão magnético ou a circulante moeda corrente. Na hora de alta concentração humana, parte da manhã e no período noturno, os empresários de transporte enviam ônibus articulados que saem de suas respectivas garagens vazios, com o letreiro “recolhe”, percorrendo uma distância considerável para “recolher” essa massa disforme. Veículos articulados capazes de transportar 300 pessoas numa condição de "carregamento de gado", pelo déficit do transporte coletivo e alta demanda. As horas despendidas no transporte não são remuneradas pelo empregador, mas gasta energia de "produção de locomoção", uma nova modalidade do “progresso” industrial moderno.

Nas empresas que o novo colaborador atuará, cada funcionário terá seu guarda objetos, que compreenderá macacão de operador, farda de soldado industrial, fornecido com módico desconto em folha de pagamento no holerite. Junto vem uma gama de proteções, como óculos, capacete, botina, protetor auricular, máscara contra gases indesejáveis, como se fosse possível gás desejável. Enfim, aparelhados, estará dispostos para a jornada habitual de trabalho, para a grandeza da nação.
Desde o momento que o “indivíduo” adentrar no piso da fábrica, será denominado “operador”, devendo tomar precauções necessárias suficiente para preservar sua integridade física, para não ser mutilado por máquinas monstruosas irracionais, doravante controladoras do sujeito racional que fará parte da máquina, que irá ditar as regras de produção, com sua capacidade limite em número de peças por hora.
O proletário racional, com o mínimo de estudo fundamental irá depois do treinamento, apertar somente dois botões, um verde para iniciar a operação e outro vermelho para parar a operação e que somente será desligado por algum inconveniente de produção ou no término da jornada, incessante, estafante, sem analisar o mérito da condição insalubre. Se por ventura as condições fisiológicas do operador exigir deslocamento a privada pública, local de necessidades básicas, tem que ser comunicado ao encarregado do setor, o chefe de divisão para providenciar a sua substituição temporária. Assim a classe bastarda deslocar-se-á para necessidades fisiológicas e os detentores dos meios de produção, classe abastada, idealizaram em determinados setores máquinas de trabalho contínuo automático, através de “robô”, pois os mesmos não precisam ausentar-se para ir ao banheiro e nem se deslocar para fazer refeições, nítida substituição do homem.
A alimentação do operário, ou operária, é controlada por nutricionista, fazendo o balanço energético necessário de calorias para aquela atividade específica para manter tudo sobre controle. Atualmente as empresas trabalham com sistemas de operação de “operário controlando operário” onde uma tarefa esta atrelada a tarefa do outro operador, espécie de células de trabalho, tipo confinamento de alta produção industrial pelos sistemas "just-in-time"[2], "kanban"[3], incorporado a produção após a Segunda Guerra na Europa proveniente de conceito japonês, pelo pouco espaço territorial.

O Brasil não possuiu uma revolução em seu processo de produção industrial, aliás, toda a América Latina. As máquinas chegaram ao país para certo interesse de determinado finalidade, produto de interesse de consumo em grande escala, e foram montadas em galpões, estilo inglês, começando a produzir o que era necessário ao mercado externo.
Os ingleses iniciaram com maestria toda esta logística, para “logicamente” suprir demandas de seus próprios interesses, adaptando um testa de ferro local arregimentado na origem, comandando operações de transporte, para escoamento de produção, em locomotivas a vapor depois substituídas pelo diesel e tração por motores geradores de eletricidade e deste progresso mentiroso e subjetivamente inglês escoou-se por muito tempo a economia do Brasil por portos de estivas ou gruas elevatórias alimentando navios de transporte.
A América Latina não precisa necessariamente do modelo europeu de desenvolvimento, nem precisa estar atrelada ao modelo econômico de alienável propriedade privada. A terra sempre foi para os povos latinos americanos, terras comunitárias, tanto quanto a água, que querem privatizar. O Brasil, na atualidade, já comercializou uma carteira de intenções com grupo francês para monopólio de parte da água doce da Amazônia, sem contar que é um território cercado pelo arame farpado de terras improdutivas com meia dúzia de cabeça de ruminantes que possuem mais direito a propriedade, a saber: qual espaço necessário a cada animal, explicitando humano e ruminante?...

Políticas espúrias de governantes, sabendo serem efêmeros, querem a todo custo usufruir as benesses do poder ao máximo, demandando intenções arbitrárias em detrimento ao interesse geral, aprova o reprovável, submetendo as futuras gerações à submissão local, sem direitos básicos de usufruírem aquilo que lhe é natural. Poder-se-ia alargar-se no tema da miséria que estão criando na América Latina, fazendo uma latrina de sujeiras que deverá ser limpa desta contaminação do poder da compra, aquisição pelo prazer de possuir. As futuras gerações necessitará promover uma revolução nas mentalidades, para rever está miséria construída do poder, verdadeiros lesa pátria.

[1] Tropicalizar era termo corrente para um pacote de projeto, o dossiê, ser adaptado às condições do país aonde ir-se-ia montar determinado equipamento, com normas adaptáveis da Associação Brasileira de Normas Técnicas,(ABNT), que de miscelâneas de normas estrangeiras adaptou-se sistemas métricos e polegadas, usando ambos!

[2] Just in time é um sistema que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora exata. Pode ser aplicado em qualquer organização, para reduzir estoques e os custos decorrentes. O produto ou matéria prima chega ao local de utilização somente no momento exato em que for necessário. Os produtos somente são fabricados ou entregues a tempo de serem vendidos ou montados. Está relacionado a produção por demanda, onde primeiramente vende-se o produto para depois comprar a matéria prima e posteriormente fabricá-lo ou montá-lo.

[3] Kanban é uma ferramenta (cartões de controle) por meio da qual o sistema puxado de produção (que é o eixo da produção Just in Time) é gerenciado. Um sistema de controle de produção para controlar o movimento de materiais entre centros de trabalho, bem como a produção de novos materiais para recolocar aqueles mandados para o próximo centro de trabalho. São cartões kanban que coordenam o sistema de produção.