terça-feira, 31 de maio de 2022

A Casa “Allemã” na Cidade de São Paulo e a Fábrica de Móveis Indústrias Paulus Ltda, em Santo Amaro: Um Elo Familiar

Alemanha e Brasil juntos

A família de Ernst Gustav Paulus[1], futuro arquiteto, nascido em 1868, sua mãe Lisette Ottilie (nascida Oehler) e seu pai, Heinrich Emil Paulus, decidiram se mudar de Kleve, no Baixo Reno, para Westphalia, onde Heinrich era gerente da propriedade florestal em Dickenhagen, perto de Altena, na Alemanha.

Os filhos Ernst Gustav e Paul Otto Paulus provavelmente saíram de casa cedo, pois a situação econômica era muito difícil.

Ernst Gustav Paulus começou a estudar na Royal Prussian Building Trades School em Nienburg an der Weser, escola técnica de Hanover, onde finalmente trabalhou nos departamentos em dezembro de 1888.

Graduado em Arquitetura e Engenharia Civil, em 1890, Paulus teve que cumprir seu serviço militar de três anos como "soldado do regimento ferroviário" em Berlim.

Em 1898 Ernst Paulus casou-se com  Katharina Antonie Mathilde Elisabeth “Elli” Schade (falecida 8 maio 1952), de onde vieram os filhos Ernst Günther Paul Friedrich Paulus, em 1898, Anneliese Paulus, em 1904, e Rolf Emil Paulus, em 1908.

Em 1901 tornou-se sócio do escritório  de arquitetos “Grisebach und Dinklage” dos fundadores Hans Grisebach e August Dinklage. Em 1904, juntou-se ao norueguês Olaf Lilloe. Por causa da situação econômica da Alemanha ao final da Primeira Guerra Mundial, Olaf Lilloe deixou o país em 1918 e voltou para a Noruega.

Em 1925, Ernst Gustav fundou um novo escritório de arquitetura com seu filho Günther, que estudara arquitetura em Karlsruhe e Berlim, recebendo seu doutorado em Darmstadt em 1924.

Ernst Gustav Paulus desde 1896 era membro da loja maçônica “Friedrich Wilhelm zur Morgenrote”. A chamada “Vila Heydenreich”, construída entre 1914 e 1916. O construtor, Adolf Heydenreich, era sócio da empresa “Heydenreich Irmãos” especializada em artigos de moda, e sócio limitado de uma loja de roupas sediada em São Paulo, Brasil, desde 1883. A residência ele a construiu para si, sua esposa Mathilde Plaeschke e filhos, imediatamente após retornarem do exterior.

Os laços da família foram perpetuados pelo matrimônio as duas filhas de Adolf Heydenreich Irmgard e Charlotte, na década de 1930 com os dois filhos de Ernst Paulus, Günther e Rolf.

A construção de uma igreja neste local foi originalmente planejada em 1911, paralizada pela 1ª guerra e finalizada em 1929, obra do escritório de arquitetura “Architekten Paulus”, que Ernst e Günther Paulus administraram juntos. A igreja (Kreuzkirche) é hoje um dos poucos monumentos sobreviventes da arquitetura expressionista desta época.

Ernst Günther Paul Friedrich Paulus casou-se em 6 de maio de 1933 com Irmgard Heydenreich em Berlin-Dahlem, de onde vieram os filhos, Klaus-Günther (6 de maio de 1933), Rolf Dieter Konrad Paulus (15 de abril de 1935), Gotz Hartmut Paulus (11 de junho de 1941) e Irmgard-Verena ( 22 de setembro de 1942)

Com o início da guerra em 1939, Günther Paulus foi convocado, servindo na Finlândia e Alemanha. Após o fim da guerra, em 1945, a família mudou-se para a Suíça, onde permaneceu encontrando um emprego na Schweizer Architekten Max Kopp, em Zurique. Em 1946, Paulus tornou-se assistente de desenhos de construção e arquitetura na Universidade Técnica Federal Suíça em Zurique, perto de Friedrich Hess. Neste mesmo ano a família emigrou para o Brasil. 

Em 1950, tornou-se diretor-gerente e coproprietário da “Galleria Paulista de Modas Ltda", antiga Casa Allemã, alterado o nome em 1942, sendo a primeira loja de departamento,  iniciada por Daniel Heidenreich, Traugott, Carl Andreas e Hermann com a razão social Heidenreich Irmãos & Cia, que era administrada pela família desde sua fundação em 1883.

Mathilde Plaeschke com Walter, Bruno, Erich, Irmgard e Charlotte. Mathilde Plaeschke era esposa do Adolf Friedrich Heydenreich, irmão de Daniel, Traugott, Carl Andreas e Hermann Heydenreich.(Crédito: Instituto Martius Staden)

Em 1953 inaugurou-se também em São Paulo a fábrica de móveis Indústrias Paulus Ltda, situada na Avenida João Dias, número, 2046, Santo Amaro, onde se localiza o atual Centro Universitário Ítalo Brasileiro. Em 1955 o escritório de arquitetura e construção Construtora Paulus.

A Indústrias Paulus, primeiramente focou sua produção no mercado interno e depois expandiu para outros países, com produção de móveis sobre encomenda.
Deste modo o showroom da empresa possuía sessões de mostruário de dormitórios, copas, salas de jantar e estar, cozinhas, especializando em modelos especiais para mobília infantil. Toda esta estrutura estava a cargo de Klaus e Gotz  Paulus, com atenta supervisão de Irmgard.



Em 1968 Günther Paulus retornou à Alemanha e se estabeleceu em Tegernsee, onde faleceu em 8 de setembro de 1976.


Referências: 

Alexander Ahrens (Seine_Jugend_war_hart_Der_Architekt_Ern.pdf)

https://www.gunde.de/genealogie/individual.php?pid=I2249&ged=scholz.GED

 

O Estado de São Paulo 9 de maio de 1952

Jornal do Brooklin, 24 a 30 de março de 1973

https://www.academia.edu/41574668/_Seine_Jugend_war_hart_Der_Architekt_Ernst_Paulus_Ein_in_Kleve_geborener_Baumeister_in_Berlin_in_Kalender_f%C3%BCr_das_Klever_Land_auf_das_Jahr_2020_Duisburg_2019_20_28

 

Quem, porventura, tiver informações ou imagens a respeito da referida crônica, favor contatar, para ilustrar o assunto.

 

 

 

Obs: Todos os direitos autorais, textos, imagens, obras ou criações de qualquer natureza disponibilizadas pertencem ao Projeto “A Fotografia como Concepção Histórica”  de pesquisa ou a terceiros que autorizaram o uso do material exposto ou plágio, mesmo com alterações sutis. É vedada quaisquer utilizações para uso comercial no todo ou em partes, sem citação da fonte utilizada. A violação destes direitos está prevista nas Leis 9.610/98 e 9.279/96 e no art. 184 do Código Penal Brasileiro, sujeito às penalidades legais como indenização pelos prejuízos causados.



[1] Ernst Gustav Paulus

Nasceu em 29 Agosto 1868, em Kleve, Rheinprovinz, Preußen

Esposa Irmgard Heydenreich Paulus

Filhos:

Ernst Günther Paul Friedrich Paulus 1898–1976

Anneliese Paulus 1904– (FILHA) casada com Fritz Dally

Rolf Emil Paulus 1908– (FILHO) casado com Charlotte Heydenreich Paulus

Faleceu em Berlin, Preußen, Deutsches Reich, a 25 Julho 1935 

 

quarta-feira, 25 de maio de 2022

As Duas Primeiras Escolas do Bairro Jardim São Luiz: A Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra e a Escola Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva

“O bairro Jardim São Luiz possuía um grupo escolar, edificado como galpão de madeira, onde se ministrava o equivalente hoje ao fundamental I e a continuação que se denominava à época de ginásio, hoje equivalente ao fundamental II, não existia, tendo que se buscar esse recurso em Santo Amaro. Assim a educação básica era feita na única escola existente, o Grupo Escolar Jardim São Luiz.

O 3º Convênio Escolar, responsável pela maioria da construção de galpões de madeira, foi promulgado através da Lei Estadual nº 2.816, de 27 de novembro de 1954. O 3º Convênio foi extinto em 1959, longe de alcançar a qualidade que apresentou o 2º Convênio: enquanto o 2º Convênio Escolar construiu 52 escolas em 5 anos, o 3º construiu somente 17 escolas também em 5 anos de existência.

Durante sua vigência, as ações do 3º Convênio estiveram muito mais voltadas à construção de galpões de madeira, cerca de 500 galpões de madeira foram construídos para medir a demanda de uma determinada região, para, posteriormente, serem substituídos por edifícios de alvenaria. Esses galpões, porém, passaram a fazer parte da paisagem da cidade durante vários anos, inclusive no bairro do Jardim São Luiz.

A população reivindicava a construção de uma nova escola, pois o antigo de madeira não suportava mais a demanda de estudantes que era crescente no bairro.

Deste modo foi edificada uma nova escola, denominada “Escola Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva, construída pelo governador de São Paulo, Carlos Alberto Alves de Carvalho Pinto, que dirigiu o Estado na gestão de 1959 a 1963.

A demanda crescia na proporção direta do crescimento da cidade de São Paulo, mais especificamente na região de Santo Amaro que a partir da década de 1950, teve uma expansão industrial que afluíam uma mão de obra necessária para as indústrias locais crescentes.

Foi implantado então o Fundo Estadual de Construções Escolares (FECE) criado pelo governo do Estado para o planejamento da rede escolar, para atender à construção, ampliação e equipamentos destinados a escolas de ensino público, primário e médio do Estado, sendo, para isso, criada a LEI N. 5.444, DE 17 DE NOVEMBRO DE 1959.

Além disso através do IPESP-Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, contrataram arquitetos como Villanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha e João Clodomiro Browne de Abreu,  arquitetos modernistas paulistas, sendo que o arquiteto e urbanista João Clodomiro foi responsável por aproximadamente 40 edificações escolares em São Paulo.


Foi deste modo que foi implantada a Escola Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva, situado à Rua Geraldo Fraga de Oliveira, número, 324, com início do ano letivo de1962 com alunos remanescentes do Grupo Escolar do Jardim São Luiz, hoje a atual Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra. A oferta de ensino foi ampliada, englobando o curso primário da antiga escola, hoje o curso fundamental I, indo até o ginasial, correspondendo atualmente ao fundamental II, e depois expandindo para o colegial, hoje ensino médio.

A partir de 1985 foi derrubado o antigo galpão de madeira e construído em seu lugar outra arquitetura em alvenaria, recebendo o nome de Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra[1], voltada para o ensino fundamental, localizada à Rua Hipólito Cordeiro, s/n no Jardim São Luiz”. 



[1] Nem a Diretoria, nem a Secretaria da Educação nem a direção da Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra, sabem informar sobre a história da escola, quem foi seu primeiro diretor (a), os professores (as), nem a data de "fundação" da escola!!!

 

terça-feira, 10 de maio de 2022

Amassando barro no "fim do mundo"!

 História ORIGINAL publicada no site de São Paulo Minha Cidade em 28/11/2013

Saímos da Vila Nova Conceição, na década de 50, para irmos “morar no mato”, pois assim falavam nossos parentes; mas o que poderia fazer meu pai Ernesto, um operário que como tantos outros eram “expulsos” para mais longe de São Paulo? Os recursos eram parcos, não se dava casa com as facilidades da atualidade, não havia “Minha Casa, Minha Vida”, existia somente a vida, nem bolsa disso ou daquilo, apenas uma “algibeira vazia de sonhos” de muita gente conduzida por uma garra enorme de tentar construir alguma coisa que poder-se-ia chamar de seu!

Meu pai já tinha vindo para a região de Santo Amaro de bonde e descido nas cercanias do Largo São Sebastião, atual Bonneville, onde ficavam corretores para apresentar os “jardins” que se formavam e foi através de um deles que meu pai conheceu o Jardim São Luiz, com “Z” mesmo, que havia sido regularizado no final da década de 30, mas ninguém ousava vir para “esse fim de mundo”. Hoje, está bem diferente, brinco que moramos também nos Jardins, mas que não é o Jardim Europa, nem América, mas sim o São Luiz!

O “véio” veio de lá todo entusiasmado com um bocado de promissórias nas mãos, eram as prestações de um terreno de dez metros de frente por trinta de fundos. Fez nele um barracão de madeira, bem aprumado, estilo daqueles que ele havia visto na divisa do Paraná com São Paulo, quando era moço e vivia a colher café pelas fazendas. Os banheiros eram do lado de fora, pois, a latrina era “direta e reta”, não tinha esgoto de concessionária, não tinha energia elétrica, não tinha “nada”.

O caminhão partiu lá da Vila Nova Conceição, com as tralhas de minha mãe Elza, uma bicicleta de meu pai, comigo e a mãe na boleia e meu pai na carroceria. O Fordeco velho gemia no caminho da velha estrada de Santo Amaro, comia poeira amarelada que misturava com o enfumaçado do caminhão e rasgava o tempo todo um caminho esburacado. Diante de nossos olhos parecia um “mato grosso” todo fechado, que até a luz do sol pedia licença para entrar e chegando próximo ao destino dava para vislumbrar uma ponte da Light que ligava os extremos do Rio Pinheiros, ainda de águas límpidas ou próximo disso.

Quando entramos pela rua principal avistavam-se morros para todos os lados, o meu pai tinha adquirido um terreno “que dava até para pegar o Céu com a mão” e cercado por mata verdejante, não havia na época cinquenta casas no lugar, era “bem” longe de São Paulo, e não havia nem transporte coletivo, isso era artigo de luxo, pois passava uma linha que ligava Itapecerica da Serra até Santo Amaro da viação Emílio Guerra, que passava um dia “talvez” e outro dia “jamais”!

Era ali que nós “iriamos fazer nossas vidas”, sem bolsa família sem bolsa gás, porque nem precisava, cozinhava-se na lenha. O chão da cozinha era terra dura batida, o quarto tinha assoalho de madeira, em tempo frio era quentinho e no calor fervia. O banheiro tinha chuveiro “moderno”: era um balde, amarrado em uma corda, onde havia sido soldado um chuveiro com um registro, ensaboava-se todo o corpo e depois enxaguava tudo de um só vez, e se a água não desse saia ensaboado mesmo. O sabão era feito de gordura com soda cáustica, misturado com cinzas, falavam que era pra branquear roupa, mas nelas se usava pedra de anil para o mesmo feitio, não dava para entender essas práticas, eu aceitava e acabou, morria o assunto, não havia muitas perguntas.

A “bufunfa”, ou seja, o dinheiro, era curta, mas não podia faltar para a prestação do bem mais precioso, que era o terreno, assinado por compromisso de compra e venda, que se pagava na “cidade”, na Rua Brigadeiro Tobias, para a Sociedade Paulistana de Terrenos.

Foi assim o começo de muita gente que se enveredou por esse “mundão afora de São Paulo”, não se invadia nada, tudo era comprado com dinheiro “minguado” e era pago “religiosamente”. Hoje, pode tudo, meu pai iria até gostar de ganhar um terreno, uma casa, água encanada, pois a nossa foi de sarilho em poço de 35 metros cavado no barranco onde estava a casa e a fossa para detritos era um buraco de seis metros, que se esgotava de tempos em tempos, nada da “massa” ir para o Rio Pinheiros.

Agora, no século 21, o “edil” quer cobrar “caro” o imposto, algo realmente “imposto, na marra”, mas ele não tinha nem nascido e muita gente já amassava barro na lama das ruas dos incipientes bairros paulistanos, pois nem havia asfalto.

Assim nasceram muitos bairros afastados da periferia de São Paulo e se há semelhança é mera coincidência pela periferia paulistana!

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Hiram Abiff, o Construtor do Templo: Não se rouba conhecimento!

O EDIFICADOR EM PLENITUDE PELA GLÓRIA DIVINA

Hiram Abiff, (ou Hirão Abiú ou Hirão-Abi) o construtor fenício da cidade de Tiro, era um homem muito habilidoso, capaz de trabalhar com metais, madeiras, pedras e versado no ramo da construção, incumbido de ser o Mestre construtor do Templo de Salomão, que se prepara para uma grande obra:

"Porém, quem seria capaz de lhe edificar uma casa, visto que os céus e até os céus dos céus o não podem conter? E quem sou eu, que lhe edificasse casa, salvo para queimar incenso perante ele? (O rei) Hiram de Tiro, manda-me, pois, agora um homem hábil para trabalhar em ouro, em prata, em bronze, em ferro, em púrpura, em carmesim e em azul; e que saiba lavrar ao buril, juntamente com os peritos que estão comigo em Judá e em Jerusalém, os quais Davi, meu pai, preparou. Manda-me também madeiras de cedro, de cipreste, e sândalo do Líbano; porque bem sei eu que os teus servos sabem cortar madeira no Líbano; e eis que os meus servos estarão com os teus servos. E isso para prepararem muita madeira; porque a casa que estou para fazer há de ser grande e maravilhosa."

E Hiram, rei de Tiro, (homônimo de Hiram o construtor) respondeu por escrito a Salomão:

"Porque o Senhor tem amado o seu povo, te constituiu sobre ele rei. Disse mais Hiram: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, que fez os céus e a terra; o que deu ao rei Davi um filho sábio, de grande prudência e entendimento, que edifique casa ao Senhor, e para o seu reino. Agora, pois, envio um homem sábio de grande entendimento, a saber, Hiram Abiff. Filho de uma mulher das filhas de Dan, e cujo pai foi homem de Tiro; este sabe trabalhar em ouro, em prata, em bronze, em ferro, em pedras e em madeira, em púrpura, em azul, e em linho fino, e em carmesim, e é hábil para toda a obra do buril, e para toda a espécie de invenções, qualquer coisa que se lhe propuser, juntamente com os teus peritos, e os peritos de Davi, meu senhor, teu pai." 

{2 Crônicas 2:5-181 (Reis 7:13,14)}

Hiram, o rei de Tiro, o rei Salomão e Hiram Abiff eram todos mestres de grande sabedoria e guardavam os segredos e conhecimentos.

Hiram Abiff teria guardado segredos da edificação nos pilares ocos do templo, despertando a cobiça de trabalhadores menos preparados para uma grande obra, que conspiram contra o Mestre, para obter o segredo de edificar e sair da condição de trabalhadores braçais.

Hiram Abiff foi abordado três vezes para revelar o segredo por ser Mestre no projeto do Templo, senão perderia sua vida.

Por duas vezes Hiram Abiff recusou-se a transmitir a sabedoria a neófitos despreparados que não haviam atingido o estágio necessário da sabedoria de edificar.

Os conspiradores armaram uma emboscada para Hiram Abiff que se recusou revelar seus segredos, podendo até usurpadores roubarem os instrumentos usados para edificar mesmo não sabendo usá-los. Por essa recusa Hiram Abiff foi ferido. "Perco minha vida, mas não revelo os segredos", e deste modo ceifaram-lhe a vida. Os assassinos Jubela, Jubelo e Jubelum fugiram abandonando o corpo que é encontrado por outros pedreiros do Templo.

No dia seguinte, Salomão envia um grupo para investigar e descobrir a respeito do Mestre. Seu corpo é encontrado embaixo de um pé de acácias.

Hiram o arquiteto existiu; a história dos Hebreus o refere; e ele foi assassinado por três construtores do templo de Salomão, as quais tinham cobiça.

 É necessário saber usar o prumo, o nível e o esquadro para corretamente edificar, e sem passar pela base do aprendizado, com o macete e a trolha (colher de pedreiro) a vida jamais terá um alicerce a altura de um grande Mestre!!!

 

Não se rouba conhecimento...quem tem ouvidos, que ouça!

sexta-feira, 15 de abril de 2022

A Indústria Farmacêutica Squibb em Santo Amaro/SP e a Penicilina

Introdução

Com o surgimento dos antibióticos, na década de 1940 os laboratórios nacionais passaram a representar os fabricantes de penicilina[1] e outros antibióticos, sendo que essa associação entre empresas nacionais e estrangeiras marcaram o início da fabricação desses medicamentos no Brasil. Os laboratórios nacionais queriam o domínio dessa nova tecnologia das fermentações, hoje denominada biotecnologia, e por sua vez os grupos internacionais queriam uma parcela de 50 milhões de consumidores. Em 1946 foi publicado o Decreto nº 20.397/46 para regulamentação da indústria farmacêutica. Na década de 1950 havia no Brasil 525 indústrias farmacêuticas, sendo 31 grandes, 92 médias e 402 pequenas, localizadas principalmente nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Nessa época o governo brasileiro procurava criar indústrias atraindo o capital estrangeiro com incentivos fiscais. O Brasil se situava entre países que estavam em recente industrialização que não competiam com as potências industriais europeias ou estadunidenses. O Brasil carecia de investimentos para desenvolver medicamentos, por isso importava insumos (matéria-prima, equipamentos, capital etc.)  adquirindo o direito de reproduzir fórmulas representado os laboratórios estrangeiros com o processamento dos compostos e a comercialização dos produtos. Houve o incentivo para atrair empresas estrangeiras do setor com a isenção de direitos e taxas aduaneiras para importação da maquinaria necessária ao fabrico de antibióticos, pela Lei 1964, de 28 de agosto de 1953. Deste modo, embora com industrialização tardia, iniciava-se a expansão dos laboratórios farmacêuticos de empresas estrangeiras no Brasil.

 Squibb e seu criador


Edward Robinson Squibb (imagem do site da empresa)

O laboratório Squibb foi criado pelo médico e farmacêutico Edward Robinson Squibb nos Estados Unidos, Nova York, Brooklin, em setembro de 1858. O Dr. Squibb era conhecido pelas campanhas contra medicamentos adulterados e contribuiu decisivamente para a criação da Lei de Drogas e Alimentos Puros, que, mais tarde, deu originando o órgão que controla a qualidade de produtos alimentícios e farmacêuticos no país. (Food and Drug Administration-FDA).Deste modo nascia a Squibb & Sons.


Squibb e sua indústria em Santo Amaro/SP

Os produtos do laboratório Squibb já eram importados na década de 1930 pela empresa M. Barbosa Netto & Cia.

REVISTA DA SEMANA 11 DE JUNHO DE 1938
Gazeta da Farmácia - setembro de 1953

O laboratório iniciou sua atividade no Brasil em 1944, na Rua Tupi, 330, Perdizes, em razão de um programa de expansão decorrente da pesquisa e da fabricação da penicilina, trazendo primeiramente matéria beneficiada de sua matriz.

São Paulo, na antiga “Chácara dos Padres”, no bairro Chácara Japonesa, na Avenida João Dias, 1084, em Santo Amaro, recebia em 1950 a pedra fundamental e no ano de 1954, uma fábrica moderna era implantada, para produção imediata de penicilina, tendo à frente do empreendimento como gerente geral, Joseph William Schaller.


A demanda inicial de produção da penicilina era de 1 trilhão e 800 bilhões por mês, que na época era a metade da demanda no Brasil. Para fermentação da cultura a empresa dispunha de  4 tanques de 280 mil litros de caldo para a penicilina.


A chaminé de aço possuía uma altura aproximada de 45 metros e pesava 14 toneladas.

A torre de água, que se tornou referência e marco de localização na Avenida João Dias, ocupava área aproximada de 45 metros quadrados em seu diâmetro de base e tinha uma capacidade de armazenagem de 350 mil litros.

Os equipamentos de alta potência elétrica consome 800 HP para os agitadores do preparo para a fermentação do caldo da penicilina, sendo que a casa de máquinas possuía 4 compressores de 400 HP cada unidade.

O edifício de três andares da administração ocupa uma área de 1270 metros quadrados. 


Os dois andares  do  edifício do laboratório estavam equipados com a casa do ar-condicionado e torre de resfriamento, perfazendo uma área de quase 4 mil metros quadrados. 



O edifício do armazém, no térreo era uma área aproximada de 4 mil em quinhentos metros quadrados sendo que externamente era completada com plataforma de 42 metros quadrados. A casa de máquinas ocupava área aproximada de 1 mil e duzentos metros quadrados. A casa das caldeiras ocupava área aproximada de 150 metros quadrados. A casa de filtros e fermentação no andar térreo, ocupava área aproximada de 430 metros quadrados. As demais dependências, estavam localizadas em áreas menores, como cabine de medições, a casa de guardas, cabine elétrica, tudo isso perfazendo com as áreas livres, 50 mil metros quadrados.


Posteriormente o local abrigou atividades da empresa Prodotti Laboratório Farmacêutico Ltda. Depois a construção civil foi totalmente demolida para futuramente serem implantados neste local conjuntos imobiliários, aguardando a descontaminação química total do terreno.

O terreno onde se localizava Squibb em Santo Amaro foi adquirido pela companhia americana de investimentos, que atua para descontaminar o solo da antiga Squibb para construir um conjunto residencial. 









A fusão dos laboratórios Bristol e Squibb

O laboratório Squibb foi instalado no Brasil em 1944 em razão de um programa de expansão decorrente da pesquisa e da fabricação da penicilina. Já o Bristol-Myers chegou ao País em 1949, com a distribuição de produtos feita por meio da Laborterápica.  



A Bristol-Myers Squibb surgiu da fusão de dois laboratórios americanos em outubro de 1989, tornando-se Bristol-Myers Squibb Company.

 

Blochman, Lawrence Goldtree, Doctor Squibb: The Life and Times of a Rugged Idealist, Simon and Schuster, 1958.Bibliografia:

Blochman, Lawrence Goldtree, Doutor Squibb: A Life and Times Robusto de um idealista, Simon e Schuster, 1958.

Squibb, Edward Robinson, The Journal of Edward Robinson Squibb, George E. Crosby Co., 1930. Squibb, Edward Robinson, The Journal of Edward Robinson Squibb, George E. Crosby Co., 1930.

"History of Bristol-Myers Squibb," http://www.bms.com/aboutbms/ourhis/data/ahisto.html (January 4, 2001).História da Bristol-Myers Squibb:
http://www.bms.com/aboutbms/ourhis/data/ahisto.html

http://www.bioanalytical.com/calendar/99/02squibb.html 

http://www.britannica.com/soe/e/edward-robinson-squibb

https://sindusfarma.org.br/images/1212_livro_sindusfarma.pdf 

https://www.scielo.br/j/jbpml/a/jY6NfbwqjkMQTbCdFBRbp4M

https://pt.khanacademy.org/science/4-ano/vida-e-evoluo-microorganismos/fungos/a/a-descoberta-da-penicilina

Código da Propriedade Industrial: Decreto-Lei Nº 7.903 De 27 de agosto de 1945

HOBSBAWM, Eric. A era dos extremos. Tradução de Marcos Santarrita. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Revista Acrópole, 1954

https://www.nossasaopaulo.org.br/2018/01/05/latifundios-urbanos-de-sao-paulo-devem-um-novo-hospital-em-iptu/

https://jurishand.com/lei-1964-de-28-agosto-1953

 

 

Vide também:

OS “FRICHES” de Santo Amaro/SP: Áreas contaminadas cobiçadas por empreiteiras imobiliárias

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/05/os-friches-de-santo-amarosp-areas.html


Obs: Todos os direitos autorais, textos, imagens, obras ou criações de qualquer natureza disponibilizadas pertencem ao Projeto “A Fotografia como Concepção Histórica”  de pesquisa ou a terceiros que autorizaram o uso do material exposto ou plágio, mesmo com alterações sutis. É vedada quaisquer utilizações para uso comercial no todo ou em partes, sem citação da fonte utilizada. A violação destes direitos está prevista nas Leis 9.610/98 e 9.279/96 e no art. 184 do Código Penal Brasileiro, sujeito às penalidades legais como indenização pelos prejuízos causados.



[1] A penicilina foi descoberta pelo médico oficial inglês Alexander Fleming (1881-1955). Seus estudos foram impulsionados pela vontade de descobrir maneiras de curar as feridas infectadas de soldados após atuar na Primeira Guerra Mundial.

Em 1928, em St. Mary´s Hospital, em Londres, dedicou se a estudar a bactéria Staphylococcus aureus, responsável pelos abscessos em feridas abertas provocadas por armas de fogo.

Estudou tão intensamente que, um dia, exausto, resolveu se dar de presente alguns dias de férias. Saiu, deixando os recipientes de vidro do laboratório, com as culturas da bactéria, sem supervisão. Esse desleixo fez com que, ao retornar, encontrasse um dos vidros sem tampa e com a cultura exposta e contaminada com o mofo da própria atmosfera.

Após as descobertas de Fleming, as pesquisas continuaram e, em 1938, a penicilina foi isolada por Howard Florey e Ernst Chain na Inglaterra. Os avanços continuaram até que, em 1940, o primeiro paciente humano recebeu antibiótico para curar uma grave infecção no sangue. Na época da Segunda Guerra Mundial, esta substância foi produzida em larga escala, por fermentação, salvando milhares de vidas. A penicilina tornou-se disponível para a população civil na década de 40, medicação capaz de impedir a morte e complicações de doenças como pneumonia, sífilis, difteria, meningite, bronquite, dentre outras.

Fleming, Florey e Chain receberam o Prêmio Nobel de Medicina em 1945 por seus trabalhos com a penicilina.