sábado, 1 de novembro de 2014

Transição de Paróquia à Catedral de Santo Amaro / São Paulo

De Nigro a Negri, uma pastoral em movimento constante

A atual Matriz da Diocese de Santo Amaro foi elevada à paróquia pelo decreto de 14 de janeiro de 1686, pelo Bispo do Rio de Janeiro, Dom José de Barros Alarcão, que nomeou como seu primeiro pároco o Padre João de Pontes, irmão do Padre Belchior de Pontes, assumindo a paróquia em dia 25 de janeiro de 1686, conforme consta de relatos registrados pela Cúria Metropolitana de São Paulo. Está localizada no Largo 13 de Maio, sem número, com seu frontispício voltado para a Alameda Santo Amaro, em São Paulo.

A construção da atual Catedral de Santo Amaro teve seu início em 1833, um ano após a elevação à Vila de Santo Amaro e a inauguração da Paróquia ocorreu em primeiro de novembro de 1924.

Em 3 de fevereiro de 1895, o jornal O Estado de São Paulo, apregoava a seguinte referência jornalística:

"O cidadão Manuel Antonio de Borba, abastado Fazendeiro do Município de Araraquara, acaba de fazer o valioso donativo de um relógio para a Matriz da Vila de Santo Amaro. A encomenda já foi feita na Europa."



Quando a arquidiocese de São Paulo foi dividida em regiões episcopais, Santo Amaro ficou sendo a sede da Região Episcopal da Zona Sul. A Diocese de Santo Amaro foi instalada no dia 27 de maio de 1989, com Dom Fernando Figueiredo tomando posse como primeiro bispo local.

Santo Amaro teve ao longo do tempo um elenco de grandes sacerdotes que deram seus préstimos valiosos para este marco religioso e histórico da antiga Vila de Santo Amaro.
A TRIBUNA, 27 de abril de 1979

No final da década de 1950, teve à frente da Paróquia o Padre Afonso de Moraes Passos sendo seu substituto da missão evangélica para Santo Amaro o padre Antonio Nigro Júnior, que adotou Nigro como sua referência nominativa, mas que por vezes grafavam em reportagens locais como Nigri, e ao que parece nenhum e nem outro eram corretos, mas sim Nery, tornando-se pároco de Santo Amaro desde 22 de fevereiro de 1959 permanecendo nesta missão por mais de trinta anos, sendo depois ordenado como Monsenhor, vindo a falecer em outubro de 1999.

Em 6 de fevereiro de 1983 aconteceu na Catedral Metropolitana de São Paulo a Ordenação Episcopal de Dom Antonio Gaspar como bispo auxiliar de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo de São Paulo, para a região de Santo Amaro, por nomeação de Bula Papal, sendo sagrante de tal ato Dom Paulo, como consagrantes Dom Vieira e Dom Joel e como acólitos Monsenhor Luiz Gonzaga e o Monsenhor Nigro.

A transição ocorrida de Paróquia para Catedral pela instalação em 1989 da diocese teve como seu pároco, Monsenhor Getúlio Vieira, nascido em 1942, no Brooklin Paulista. Estudou no Colégio Beatíssima Virgem Maria e no Colégio Meninópolis, administrado pelos padres da Paróquia Sagrado Coração de Jesus. Cursou o Seminário Menor em Aparecida (Filosofia), depois no Seminário de São Roque e concluiu seus estudos de Teologia no Seminário do Ipiranga.  sendo ordenado sacerdote no dia 15 de dezembro de 1968, pelo cardeal Agnelo Rossi, na paróquia citada Brooklin. Assumiu como curador Catedral em 24 de janeiro de 1993, num momento critico para a mesma com a expansão da linha 5 do metrô que abalou a estrutura do prédio obrigando a uma intervenção a partir de 21 de fevereiro de 2000, até sua reabertura em 8 de dezembro de 2012. Tornou-se monsenhor no dia 29 de outubro de 1997.

Em 27 de maio de 1989 foram criadas quatro novas dioceses, desmembradas da Arquidiocese de São Paulo, a saber: Diocese do Campo Limpo, Diocese de Osasco, Diocese de São Miguel Paulista e a Diocese de Santo Amaro, tornando “Catedral” desta última à antiga paróquia de Santo Amaro, tendo sido nomeado pelo Papa João Paulo II como seu primeiro Bispo Dom Fernando Figueiredo. Nascido em Minas Gerais, na cidade de Muzambinho, em primeiro de Dezembro de 1939. Pertencente a Ordem Franciscana dos Frades Menores, trabalhou em Petrópolis, tornando-se professor de Teologia Dogmática e Patrística. Tornou-se pároco em Piabetá, na Baixada Fluminense, Estado do Rio de Janeiro. Foi ordenado Bispo de Teoófilo Otoni, em Minas Gerais, em 10 de março de 1984. Como primeiro Bispo da então pequena Diocese de Santo Amaro, D. Fernando, ao longo dos anos, instituiu 75 novas paróquias e 122 comunidades, sempre tendo como lema: “A serviço do Evangelho”, foi ainda responsável por instituir o Santuário Mãe de Deus e implantar o seminário local.

Seguiu-se a administração e colaboração do padre Wander Maia e atualmente a Catedral de Santo Amaro, em reformas para recuperação de seu legado histórico, tem como curador e Pároco o padre Rogério Cataldo Bhering, empossado no distinto cargo em primeiro de março de 2009, assessorado pelo Vigário Paroquial Alcides Galinari.

Em 29 de outubro de 2014, o bispo Dom José Negri foi nomeado pelo Papa Francisco Bispo-coadjutor da Diocese de Santo Amaroassumindo este encargo em 17 de janeiro de 2015.

Assumirá o bispado de Santo Amaro, por ordenação do Papa Francisco, o atual Bispo de Blumenau, Santa Catarina, Dom José Negri, que sucederá Dom Fernando Figueiredo, que completará 75 anos, em dezembro de 2014.

Dom José Negri, nasceu na cidade italiana de Milão em 18 de setembro de 1959, completou seus estudos religiosos em Monza e foi ordenado em 1986. No Brasil esteve a frente de trabalhos missionários em Minas Gerais e em outras cidades de Santa Catarina, onde em 2009 foi ordenado Bispo de Blumenau.

Aguarda-o com muito fervor os vários carismas existentes a comunidade santamarense, sempre fiel aos princípios religiosos da fé cristã, que caminha juntamente com o corpo da Igreja e com as relações de bom entendimento, irmanados pela boa convivência com a estrutura ministerial, nestes 25 anos, na existência da Diocese de Santo Amaro.

*Em 2 de dezembro de 2015, Dom José Negri, assumiu sua missão pastoral e evangelizadora, como Bispo da Diocese de Santo Amaro.

Referências:


O Estado de São Paulo, 30 de outubro de 2014, Caderno A, página 22
O Estado de São Paulo, 19 de junho de 1988
GAZETA DE SANTO AMARO, 27 de maio de 1989
GAZETA DE SANTO AMARO, 12 de fevereiro de 1983
A TRIBUNA, 27 de dezembro de 1958
A TRIBUNA, 27 de abril de 1979

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Fatta la Legge Trovato l'inganno

A lei é feita quando se encontra a falha!

 É um provérbio que se refere àqueles que conseguem, às escondidas, evitar as ações previstas por lei. Nem sempre algo imprevisto pode ser definido “fora da lei” e que não possa ser aplicada alguma sanção, algo que seja considerado ilegal por não estar previsto ainda.

Há sempre um elo que une aqueles que promulgam a lei para todos aqueles que são obrigados a cumprir com a lei, inclusive o legislador.
A interpretação muitas vezes abre brechas, não previstas, que analisando sobre o significado das coisas que estão escritas, para limitar os efeitos da lei, ou mesmo infringir uma norma de direito sem cair na ilegalidade.

Nos casos mais controversos, os juízes têm o dever de interpretar a lei e a diretriz do(s) legislador(es), com o objetivo principal da aplicação da lei no caminho certo, sem expecular com a lei para beneficio de interpretações errôneas.

Todos os casos devem ser interpretados à luz da lei, sem infrigí-la por algum motivo que deturpe a mesma.

Descoberto o engano, torna-se lei.” 
Nestes anos todos de aprendizado de democracia nacional, de dificil amadurecimento, sobre a necessidade da lei se adaptar a sociedade em suas demandas, muitas vezes a legislação acobertou o "engano" ou "as coisas no limite da legalidade" por alguns membros do Estado, acima de tudo, nossos executivos governantes e seu ministério que deturbam os fatos para inibir a ação da lei, pois acreditam estarem acima da lei, àquela que devem cumprir e foi constituída para ser um padrão de legalidade para todo cidadão. É fonte exclusiva da lei a “vontade geral” que beneficie todo o conjunto comunitário havendo a necessidade de adaptar-se em cada momento histórico, conectando-se com a dinâmica da sociedade.

Há exemplos de ações de ilegalidade dentro da estrutura governamental que denota abuso de poder ao se beneficiar de uso indevido da máquina administrativa apoderando-se de cargos para enriquecimento ilícito, como nítida improbidade administrativa.

O provérbio possui espírito desafiante que se pode também encontrar entre quadrilhas e mandatários que usam energia de “desmandos” para fins pessoais, no maior desrespeito ao senso comum de valores como ética e justiça.

No hodierno navega-se à deriva, sendo necessário endireitar o rumo das demandas sem "desmandos de fomento de regras subjetivas em desrespeito constitucional" de quem  comanda o poder e promove articulações de subterfúgio para contornar a lei que deve ser aplicada sem distinção e onde a Carta Magna deve promover a ordem e o progresso da Nação em benefício geral.

Vide:
Fatta la legge trovato l'inganno
http://25-agosto-2009.blogspot.com.br/2011/02/fatta-la-legge-trovato-linganno.html

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Nicolau Maquiavel e o Estado Brasileiro

O Estado como realmente é: Método de perpetuação

O livro de cabeceira de toda política nacional esta respaldada, sem sombras de dúvidas no “O Príncipe”, que versa como deve ser governado o Estado, desassociando princípios de moral e ética com a maneira de governar tendo a política como parte primordial das ações, sendo ela o contexto principal de interesses, onde os maiores esforços estão voltados para manter a máquina do Estado em atividade voltada simplesmente aos interesses daquele que governa.

Tudo no âmbito social deve estar sobre o controle supremo do Chefe de Governo, que demanda as regras de como governar pelos interesses subjetivos que dá o subsídio suficiente para as demandas de controle em todas as esferas de governo, mantendo o corpo judiciário sobre as régias normas e onde o legislativo esteja sobre determinados conchavos detendo a Câmara sobre rígidas prerrogativas a algum dispêndio de interesses gerais. 

Além disso, deve-se manter a ordem por um aparato policial que de tempos em tempos promove ações sobre a massa popular, e esta por sua vez mantêm-se sobre as rédeas do controle do Estado. A massa deve ser mantida sobre o domínio do Estado aceitando as mínimas condições de oferecimento populista de paternalismo, ganhando as paupérrimas ações de oferecimento de esmolas mensais, ofertadas em rótulos de bolsa auxílio, sem possuir as condições de sair de seu lamaçal de pobreza, pois lhe falta um sistema educacional que lhe dê condições de sair da paupérrima condição de letargia e por falta desta condição de falta de conhecimento do saber se submete ao mínimo necessário de subsistência.

O Estado de controle de massa ao invés de ofertar dignidade de trabalho e renda, fomento ainda as organizações sociais que são meras instituições entregadoras de subsídios infiltradas por correligionários partidários do interesse do Estado, embrutecidos em suas ações destruidoras que mantém o modelo sempre em atividade, pois possuem o interesse do modelo da máquina administrativa, pois vivem destas mazelas.

Estão infiltrados em todos os campos de corporações de ofício, religião, no meio esportivo é até no âmbito familiar doutrinando os interesses do partido e suas ações para fomentar o controle maior possível criando comitês disfarçados que são encobertos sobre a égide de conselhos participativos, onde a massa é controlada por uma mesa que demanda os interesses do Estado e do governante.

Tudo pelo Estado é a regra suprema do Chefe de Estado, que mantém as rédeas de seu próprio interesse e de seu séquito que busca abarcar a todo o custo as demandas necessárias para que o padrão de controle não seja alterado.

Todo este controle pode estar embasado na permissão de mentir quando isto lhe forneça mais possibilidades de se manter no poder, subornar para de certa forma angariar benefícios da informação que a oferta enriqueça um grupo seleto, usar da hipocrisia para perpetuar seus maiores interesses monetários, e até do crime para silenciar o passado obscuro do fim justificando os meios, onde textualmente descreve o mentor:


“Importa ter ânimo disposto a dirigir-se segundo o obrigam os ventos e as variações da fortuna; podendo, não se afastar do bem; mas se for preciso, enveredar pelo mal.” Esta é a regra prática do Governante (O Príncipe) para se manter no poder, sendo observado que para os amigos tudo seja ofertado, mas para os inimigos seja ofertada a lei!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Conselhos comunitários: marionetes dos governantes

Fracassei em tudo o que tentei na vida. 
Darcy Ribeiro

“Fracassei em tudo o que tentei na vida. 
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. 
Tentei salvar os índios, não consegui. 
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. 
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei, 
Mas os fracassos são minhas vitórias. 
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”. 


Esse faz de conta que o Estado norteia em suas demandas, grande máquina trituradora de pessoas, faz-nos refletir sobre as situações que criam para manter o controle sobre a massa popular. Criam e recriam sistemas para usar os que se dizem serem lideres sociais, mas são apenas marionetes de manobra dos governantes, um extrato saído de camadas manipuladoras de interesses particulares.

Os conselhos revolucionários existiram na história para dirigir algumas urgências necessárias à época, o que não deixou de ser um controle sobre as massas, onde as forças eram controladas por um seleto grupo “encastelado” que manipulavam esses conselhos embrionários e se apoderaram deles para sufocar as pretensões do povo. Quem por sua vez saiu às ruas para exigir reformas foram controlados por uma minoria que detinham o poder pela força, com slogan de lutas populares e bandeiras flamejantes como armas poderosas contra o inimigo antes externo que batia a porta do castelo, agora inflamado dentro do próprio castelo, transfigurado atualmente em nação. O modelo repressivo de todas as nações é o padrão básico de todo o policiamento, pois desde o fardamento até as armas letais e não letais são parecidas em todo o globo, e os carros de combate abrem as trincheiras de ruas e avenidas contra um inimigo combatente contra as regalias dos detentores do poder.

Isto é um paradigma mundial das populações que são vilipendiadas em seus direitos básicos e deste modo opera para então manterem a ordem estabelecida por interesses unicamente de poder contra os “sublevados” contra os desmandos do Estado. Uma determinada camada estratificada se apoderou de grupos de pessoas que se dizem lideres comunitários, de determinada região, de uma comunidade, e pequenos aglomerados circundantes em campos de futebol, onde há ajuntamento destas estruturas sociais para manipulação de interesses particulares. Esses líderes são cooptados a ficarem do lado dos que detém a massa de manobra e eles próprios são manobrados. Quando há algum interesse comum de determinado setor básico como saúde, educação, habitação ou outros segmentos quaisquer, os estratos de controle, que são chefes de departamentos, determinam por bem convocar um grupo de pessoas para delas extraírem as suas necessidades e alcançarem resultados almejados. Deste modo são idealizados os conselhos comunitários e as cartas vão para o debate marcadas pelos interesses pré determinados.

Os conselhos comunitários nada mais são do que um grupo de pessoas que se interessam para angariar alguma benfeitoria local, mas que nas votações de prioridades são controlados e manipulados para dirigirem o maior interesse de gestão pública; simplificando: votam pelos interesses do Estado nas esferas municipais, estaduais e federais.

O consenso é manipulado, pois a metade dos conselhos comunitários são representados por moradores locais e a outra metade é representada pelo funcionalismo público e/ou seus parceiros diretos que são denominados parceiras ou organizações sociais e recebem subsídio para manterem o mínimo necessário de práticas de sustentação daquele segmento que está representando numa manipulação de interesses de determinada secretaria.

As atas são dirigidas por uma mesa que tem como presidente o gerente daquele segmento do órgão público, logo as atas são apresentadas de maneira a não denegrir de maneira alguma o gerenciamento e seus seguidores em um quadro de interesses.

Quando a votação de ordem do dia acontece os argumentos são manipulados com planilhas para demonstrar o alto rendimento do setor e todos aplaudem sem questionamento gerando uma ata elogiável ao sistema.

Os conselhos são dirigidos para satisfazerem os interesses governamentais em todos os sentidos e em todas as esferas de governo, pois criaram o padrão das prerrogativas do que deve ser um conselheiro, numa obrigação sem contestação, onde a mesa diretora e suprema nas prerrogativas que querem fomentar como prioridades de governo. As supervisões, por sua vez, não conseguem visualizar a dimensão e o grau de manipulação de suas parceiras e aceitam planilhas mensais para deste modo debitar o recurso monetário das parceiras ou organizações sociais.


É um faz de conta perfeito, história da carochinha, e os conselheiros comunitários tornam-se marionetes dos governantes.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Joaquim Gil Pinheiro, da Freguesia de Alcaide para Embu das Artes, São Paulo

Biografia resumida de Joaquim Gil Pinheiro




BUSTO EM MÁRMORE GIL PINHEIRO 

Joaquim Gil Pinheiro nasceu na Freguesia de Alcaide, Fundão, Portugal, em 1855 e emigrou para o Brasil no ano de 1878, onde angariou fortuna notável, como apicultor e fabricante de velas, conhecimento adquirido com muito esforço no Brasil e transferido para Alcaide onde existia a “fábrica” do Lagar da Cera.

LAGAR DA CERA DE GIL PINHEIRO ALCAIDE, PORTUGAL    

Conta Joaquim Gil Pinheiro, no prefácio p. 5, do Livro Primícias: Poema dos Principaes factos da História do Brasil até a sua Independência, editado em 1900, em São Paulo:

“Cheguei ao Rio de Janeiro no dia 3 de junho de 1878, com dois vinténs no bolso, sem recomendações e sem nenhuns conhecimentos; porém, não me foi difícil encontrar hospedagem em uma grande casa comercial da Rua do Ouvidor, na qual não fiquei como empregado porque tencionava vir residir em São Paulo, onde já tinha um conhecido e parente remoto, ao qual escrevi, partindo para esta cidade em 21 do mesmo mês, e logo que aqui cheguei fui para a fábrica de velas de cera (em Santa Cecília) de propriedade desse meu conhecido e parente, onde me hospedei, e em poucos dias aprendi a fabricar toda classe de velas de cera, sem que anteriormente as tivesse visto fazer.”

Neste momento Joaquim Gil Pinheiro retira-se para a freguesia de São Bernardo (hoje São Bernardo do Campo) e percorre três léguas, aproximados 17 quilômetros indo pela estrada de rodagem de acesso a Santos e se hospeda em casa de um indivíduo que se tornou seu amigo.

“Como não tinha dinheiro, nem outros meios, dediquei-me à cultura de abelhas, a quis seu proprietário não ligava importância, por não haver quem delas quisesse tratar com medo das ferroadas; e então comprei cem colméias, a prazo de seis meses, e as levei para uma chacarazinha, onde comecei lidar com elas sem nunca ter visto ou saber a maneira e o modo porque eram cultivadas, principalmente aqui onde tinha chegado há poucos meses, mas com elas fui aprendendo, mesmo porque a necessidade me obrigava a assim proceder, e com energia e força de vontade, as quais sempre presidiram todos os meus empreendimentos, ganhei a prática precisa, de modo que elas próprias me ensinaram a cultivá-las. Tanto foram as minhas observações, adquiridas em um ano e meio, que inda hoje, apesar de já terem passado vinte anos, seria capaz de escrever um tratado prático de apicultura, se fosse preciso, e talvez mais explícito (ainda que resumido) do que alguns já publicados, no que respeita ao tratamento, cultivação, preparação de mel e cera, e seus rendimentos e despesas.”
“A fim de tornar bem conhecida a minha indústria de velas de cera, resolvi exibir na Exposição provincial ou regional, que aqui se realizou em 1885, diversos produtos de cera em obra, os quais mereceram ser premiados.”

Joaquim Gil Pinheiro liquidou sua casa comercial denominada Casa Vermelha do Riachuelo em 1891, casa esta fundada em junho de 1881, anexo a uma fábrica de velas e cera, olhando para o futuro para não voltar ao passado!

A este benfeitor ficou a dever-se em Alcaide a exploração e canalização de água para o abastecimento da população, bem como a construção dos chafarizes da praça, em 1914, onde se encontra uma escultura com o seu busto, o tanque dos burros para os animais sedentos e o chafariz do Adro da Igreja.

O Chafariz da Praça, com HERMA de Joaquim Gil Pinheiro, na altura da inauguração. 

Tinha uma gratidão pelo Brasil, onde viveu em São Paulo, e até fixando residência na cidade de M’Boy, atualmente denominada de Embu das Artes, no Estado de São Paulo.
Joaquim Gil Pinheiro com sua máquina fotográfica registrando a história embuense

Tinha apurado senso de observação e diz em “Primícias”, página 10: “não ter cursos científicos nem estudos secundários, mas simplesmente conhecimentos literários adquiridos na vida prática”, sendo um observador e grande estudioso autodidata, que recolhia fontes para idealizar suas obras e ser responsável por trabalhos onde se destacam:

Primícias: Poema dos Principaes factos da História do Brasil até a sua Independência, 1900, São Paulo.     (exemplar da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin- http://www.brasiliana.usp.br/bbd/search?&fq=dc.contributor.author%3APinheiro%2C%5C+Joaquim%5C+Gil )

Roteiro de Lisboa – Histórico, Hidrográfico, Corográfico, Arqueológico e Estatístico, 1905, São Paulo, Brasil.

 Memórias de MBoy, etnográficas, históricas e etimológicas, São Paulo: Empreza Graphica Moderna, 1911.

 Os Dois Carecas, comédia em três atos de costumes portugueses

 Maricas, cena cômica em um ato em três quadros.

Faleceu em Coimbra, em 28 de novembro de 1926, sendo transladado para o Brasil. Os seus restos mortais encontram-se no Cemitério São Paulo, localizado na Rua Cardeal Arco Verde, Bairro de Pinheiros, na cidade de São Paulo, no Brasil.

MAUSOLÉU DE JOAQUIM GIL PINHEIRO, CEMITÉRIO SÃO PAULO

Biografia de personalidades de Alcaide, Fundão, Portugal 
http://www.terralusa.net/?site=108&sec=part5


Embu das Artes no tempo de Joaquim Gil Pinheiro

“A uns 26 quilômetros do Largo da Sé, para o sudoeste desta capital do Estado de São Paulo, por uma mal conservada estrada de rodagem, que fez parte do circuito automobilista de Itapecerica, em uma região empolada por vastos montes de várias alturas, a 900 metros mais ou menos acima do nível do mar, jaz, no planalto do contraforte de uma cordilheira desses outeiros, a povoação de Mboy, entra as ribeiras de Ressaca e de Mboy, que se juntam ao fundo da povoação formando ali a figur de um ângulo. A seguir à junção das duas ribeiras, toma o nome de rio Mboy-mirim, que vai entrar na margem esquerda do rio Mboy-Guassu, tributário do rio Pinheiros, e todos do rio Tietê.” (Pinheiro, p.14)
CHALET  NA RUA DE BAIXO

“Mandei em 1902 construir um pequeno chalet, dentro da povoação de Mboy ou Embu, (hoje denominado Embu das Artes) como alguns moradores do lugar a tratam... E, lá, sem preocupações nem distrações, num sossego abstrato contrario os meus hábitos de homem da lide, resolvi entreter-me com alguma coisa para dar expansão ao meu espírito irrequieto, comecei em princípio de 1910 a iniciar o meu trabalho, na persuasão de algum dia ser útil aos que fizerem história do lugar e aos filhos da terra que se interessem por sabê-la; bem como aos estudiosos amantes da arqueologia histórica, que poderão encontrar alguma coisa em minha resenha que intitulei: Memórias de Mboy” (preâmbulo)

OBRA NO POSTO PARANÁ-EMBU DAS ARTES

Joaquim Gil Pinheiro relata os costumes da região da atual cidade de Embu das Artes que na época tinha toda a exuberância de local “quase virgem” e cercada de matas verdejantes, mas que já havia a preocupação do autor, pois acreditava que esta região seria povoada e que se apagaria grande parte dos costumes da gente da roça por interferência de outros grupos que trariam outros costumes de suas terras de origem.


“A região do Mboy, ainda não explorada nem colonizada, apesar de tão próxima da capital do Estado de São Paulo, devido não só a falta de fácil condução, a que nós da cidade estamos acostumados para comodidade pessoal e material, como a desdém do governo do Estado, descurar desta vasta e fértil zona, talvez por ter muitas outras que lhe merecem mais atenção, quiçá em melhores condições a colonizar, já adaptadas para esse fim, posto que mais distantes da capital, ainda com bastantes falhas por falta de quem as queira habitar, não obstante os grandes favores que o referido governo dispensa aos colonos agrícolas, consignados nas leis do Estado e da União...”
“Apenas existem três estradas de rodagem, que servem em parte esta região, bastante acidentadas, devido à aglomeração de morros por aqueles sítios, hoje mais ou menos estragadas por falta de conserva; a duas das quais apelidaram de “Circuito Automobilista de Itapecerica”. Partem paralelamente desta capital, uma pelo bairro de Pinheiros e Mboy, e a outra por Santo Amaro, até se encontrarem na vila de Itapecerica; por cujo circuito se fez até hoje apenas uma corrida oficial de automóveis...”

O acesso para o sudoeste do Estado era de grande dificuldade por falta de estradas que ligassem a região com vilas mais próximas, inclusive a Vila de Santo Amaro, portanto esse intercâmbio entre lugarejos era de grande dificuldade como cita o autor em sua análise da região a uma “distância histórica” de mais de um século.

CONSTRUÇÃO DA ESTRADA M'BOY -1936

“Não há mais estradas para aqueles sítios, a não ser a que também parte desta capital à cidade de Sorocaba, nas mesmas condições das precedentes, que passa a uma légua mais ou menos da povoação de Mboy; apenas tortuosos caminhos mal feitos e mal cuidados, que às primeiras chuvas se tornam intransitáveis, feitas por moradores vizinhos sem orientação técnica de espécie alguma, os quais se ocupam em tapar buracos com terra, e isso quando obrigados pelas Câmaras Municipais, sob pena de multa ou prisão”.
“As conduções de hoje pro esses caminhos e estradas desde esta capital em pouco diferem com as de há cem anos: carros de bois, tropas soltas e com cargueiros, cavaleiros, manadas de gado de várias espécies, etc.; apenas de longe aparece até Itapecerica, algum automóvel, carro de praça ou aranha (tipo de charrete) em risco de ficarem estragados, devido ao mal estado das estradas, mormente em tempo chuvoso.
O movimento agrícola à beira dessas estradas e caminhos é quase nulo, pois somente se encontram campos, vales, montes, etc.; em estado agreste sem nenhum preparo agrícola, servindo de pasto para animais, sobretudo vacum e cavalar, já principiando por ali o lanígero em pequena quantidade relativa...”
“De longe em longe, se deparam algumas roças de milho, feijão, canaviais de cano doce pra fazer aguardente; sendo de notar que as matas nas proximidades desta capital até Mboy, estão bastante devastadas para lenha e carvão.”

Toda a região que compreendia Santo Amaro, Itapecerica da Serra, Embu das Artes(M’Boy), Cotia e outras vilas próximas eram grandes fornecedores de carvão vegetal para abastecer a cidade de São Paulo, inclusive usavam até a Represa de Santo Amaro, depois denominada de Guarapiranga, para escoar parte desta produção.

“As casas a beira ou nas proximidades desses caminhos, são de pobre aspecto, mal conservadas e mal cuidados os terrenos em volta delas, vendo-se penas perto de algumas, mal tratado pomares de laranjas, pessegueiros, limas, nespereiras e bananas, as demais, quase em geral, espalham-se pelos campos ou à beira do mato perto da água ou lenha.”

Há de se notar que estamos no início do século 20 e o Brasil é exclusivamente formado por terras agrícolas e não tínhamos uma indústria de transformação ocorrida pela “revolução tardia” ocorrida apenas após entre as duas primeiras guerras mundiais, quando os países da Europa no envolvimento beligerante necessitavam de matérias primas e gêneros de primeiras necessidades em suas terras arrasadas pelo conflito.
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi idealizada pelo Padre Belchior de Pontes(1644-1719) em taipa de pilão por volta de 1690 nas terras doadas por Catarina Camacha (ou Camacho) em testamento aos padres jesuítas do Colégio de São Paulo (atual Pateo do Collegio- Museu Anchieta/SP). O convento foi anexado à Igreja e parcialmente finalizada pelos idos de 1734 para uso dos padres jesuítas que trabalhavam na catequese dos índios da Aldeia de M’Boy. Atualmente o local abriga vários acervos, como imagens, oratórios e altares de barroco paulista de grande valor histórico feitos por artesãos entre os séculos 17 e 19. Foi tombado pelo IPHAN, em 1939 por pertencer à arquitetura barroca paulista do século 17. Localização: Largo dos Jesuítas, 67 – Centro Histórico de Embu das Artes, Estado de São Paulo, Brasil. 

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

Foi criado para preservação histórica o “Museu de Arte Sacra dos Jesuítas” de grande relevância em seu acervo bem conservado em suas obras de cunho religioso que se localiza na antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário e antiga residência jesuíta e o “Museu Histórico, Folclórico e Artístico de Embu”, que consta do livro “Embu: Terra das Artes e Berço de Tradições”, de Moacyr de Faria Jordão, da Editora Noovha América, São Paulo, 2004, Capítulo 18, página 149:

“Criado por força de Decreto nº 49307, de 13 de janeiro de 1968, no Governo Abreu Sodré, foi instalado por conta da Prefeitura Municipal em prédio da Rua Andronico dos Prazeres Gonçalves, nº 27, constando de Seção de Folclore dedicada a Gil Pinheiro, Seção de Artes, tendo com patrono Henrique Boccolini, funcionando juntamente com a Secretaria, pela exigüidade do Prédio.”

Em plebiscito realizado em 1º maio de 2005 optou-se pelo nome de Embu das Artes, e não mais somente Embu e sancionado em Lei Estadual 14.537/11. Considerada estância turística do Estado de São Paulo, atualmente possuí aproximadamente 250 mil habitantes, com área física de 70 quilômetros quadrados, ligada pela Rodovias Régis Bittencourt (BR 116), Rodoanel e Raposo Tavares (SP-270) sendo reconhecida por ser expoente de grandes artistas iniciada por Cássio M'Boy e Tadakiyo Sakai, Mestre Assis, Solano Trindade, pioneiros que somaram outros nomes de referência no campo das artes.( Jordão, Editora Noovha, p. 11)

Referências:

Pinheiro, Joaquim Gil. Memórias de Mboy- etnográficas, históricas e etimológicas. São Paulo: Empreza Graphica Moderna, 1911.

Pinheiro, Joaquim Gil. Primícias: Poema dos Principaes factos da História do Brasil até a sua Independência, 1900, São Paulo.

Freguesia de Alcaide, Fundão, Portugal- http://www.terralusa.net/?site=108&sec=part4



Visita ao Cemitério São Paulo, localizado na Rua Cardeal Arco Verde, Bairro de Pinheiros, na cidade de São Paulo, no Brasil.

Jordão, Moacyr de Faria. Embu: Terra das Artes e Berço de Tradições. Editora Nova América, São Paulo, 2004.

Jordão, Moacyr de Faria. O Embu na História de São Paulo. 2ª edição revista e aumentada, São Paulo, 1964.

Prefeitura de Embu das Artes - Rua Andronico dos Prazeres Gonçalves, 114 - Centro
Estado de São Paulo - Brasil - CEP:06804-200



Vide:
Joaquim Gil Pinheiro e a Doação à Prefeitura de São Paulo
http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2015/07/joaquim-gil-pinheiro-e-doacao.html


Negrito do texto foi por conta do missivista do blog. Esperam-se as críticas da crônica para aproximarem-se os fatos da realidade no tempo e espaço!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A função do sobrenome: Fattore

Patronímico das famílias italianas

Há dúvidas se existe um brasão da família FATTORE (lli), pois já houve alguns problemas com heráldicas (brasões e escudos) que não possuíam registros oficiais de famílias. Não se inventa historiografia, mas ela é construída em fatos que remete a alguma condição verídica de existência.

Os FATTORE (lli), pelo que tudo indica, eram pessoas ligadas ao cultivo da terra, trabalhadores de "derramar suor da testa", ou seja, não tinham relações com a nobreza. Poderiam ter capacidade de direcionar serviços, e por isso gerenciavam alguma função de trabalho, encarregando-se da administração das “terras comuns” do feudo, que pertenciam ao rei.  Houve levantamento do nome Fattore há algum tempo, precisava confirmar fatos, mas sem ascensão de nobreza que merecesse um "brasão" de préstimos ao soberano de algum reino.

Os emigrantes, Antonio Rocco, 1910.

Pode ser um bom momento de estudarmos melhor essa descendência numerosa espalhada pelo Brasil, originários principalmente do nordeste da Itália, mais precisamente Vêneto, sabendo que trabalhavam em fazendas (fattoria) e tinham alguma responsabilidade no gerenciamento do trabalho da fazenda, disto resultando os FATTORE (lli)

Definição de Fattore: aquele que coordena determinada função

O gerente é responsável pela equipe de trabalhadores que são atribuídos a execução material de um trabalho específico.
Origem da ocupação de administrador
A capacidade dos homens em construir edifícios datam dos tempos antigos. O grau de perfeição dos edifícios da Assíria e Egito, bem como o primeiro quartel e os primeiros monumentos megalíticos são bem conhecidos. A capacidade destes artesãos antigos primeiros na fabricação de blocos de alvenaria, de resistência comprovada, sem qualquer junta de argamassa foi algo notável.

Os gregos e os romanos fizeram autênticas obras-primas, que são preservadas até hoje. Os godos deram para construir a simetria e força admirável, mas perderam a aparência de simplicidade que tinham as construções dos romanos; por outro lado, obteve uma maior variedade e elegância.
Significado do "capataz" (lat. capitacium): Fattore

Pessoa que tem por função monitorar um número de operadores sendo responsável pelo cultivo e administração das propriedades do campo. Nas casas da moeda é o responsável pela recepção, marcação do metal fundido e tarefas pesadas.


Ele é quem governa e é responsável de um certo número de trabalhadores. Pessoa responsável pelo preparo do solo e a gestão de campo. No âmbito da legislação trabalhista, a posição do gerente, responde por um grau intermediário entre o que rege as normas de trabalho e o subalterno. Suas funções são para controle e distribuição de trabalho e a imposição de medidas disciplinares para evitar violações de operação; não pertencem em modo direto pela produção, para o trabalho de uma empresa. Ainda assim, esta representação especial do empregador não priva o gerente de seu caráter de trabalhadores subordinados à empresa. Entre os chamados trabalho manual e intelectual, existem áreas intermediárias, tais como os chamados “trabalho qualificado”, que deve ser incluído o gerente, sem negar a qualidade de trabalhador ou os benefícios da legislação social. Mesmo exercício de competências delegadas, a prestação continua sendo subordinada. 

DEFINIÇÕES

Italiano: Fattore: administrador de um grupo de trabalhadores braçais. Procurador, administrador, feitor ou criador de uma fazenda. 




Francês: Contremaître, chef d’équipe, (generale) facteur: é aquele que é responsável por um sítio (rancho) ou fazenda.

Espanhol: capataz, (fem.) capataza(ou el capataz; la capataz) caporal; mayoral
supervisor; encarregado. Pessoa que se encarrega da lavoura (labranza) no campo e da administração das fazendas (haciendas). 

Alemão - erzeuger, schaffner, gutsverwalter, schöpfer, urheber, faktor, umstand, meier, moment, vorarbeiter, aufseher, werkmeister, polier, rottenführer, bahnmeister

Inglês -bailiff,farmer;maker,creator;factor,foreman, foreperson, captain,gaffer, ganger, overman, overseer; taskmaster; keeper




Compete aos interessados na matéria fazer a crítica da crônica, pela salutar compreensão de uma historiografia que urge ser completada para entendimento das gerações futuras.