sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Baby Pignatari e as Divas de Hollywood

O JOGO DOS INTERESSES JET-SET

Ao final da década de 1950, houve por parte de Baby Pignatari relacionamentos com as musas de Hollywood, que estavam no auge de suas carreiras e eram as atrizes que possuiam os mais importantes relacionamentos onde as luzes da ribalta atraiam àqueles que estavam no satélite destas glamorosas mulheres e que representavam as mais afortunadas belezas mundiais. Deste rol se aproximaram os maiores elencos de playboys mundiais que possuíam grandes fortunas e também eram alvos do foco das câmaras onde estava todo o glamour nas maiores capitais do mundo e onde faziam questão de demonstrar todo seu poder de persuasão com viagens e presentes de jóias caríssimas. Deste seleto grupo pode-se citar, entre outros Aly Khan, filho do príncipe Aga Khan, Porfírio Rubirosa, diplomata dominicano que atraia conexões diversas inclusive do mundo artístico. Casou-se com a mulher mais rica da época, Doris Duke, e depois com Barbara Huttone ambos terminando em divórcio, proporcionando pequena fortuna atraindo o jet-set das mais importantes atrizes do glamour hollywoodiano, entre elas Ava Gardner, Rita Hayworth, Jayne Mansfield. Eatha Kitt, a imperatriz Soraia, Lake Veronica, Dolores Del Rio, Zsa Zsa Gabor, Marilyn Monroe, entre tantas.
Consta que nos anos 50, o maître de um clube noturno parisiense exultou diante de uma mesa ocupada por Porfirio Rubirosa, Aly Khan, Baby Pignatari e Juan Capuro: “Aqui estão os mais famosos playboys do mundo”.

Cita-se a este clã de homens dispostos a barganhar fortunas o nome de Jorginho Guinle[1] dono de herança de alguns bilhões de dólares vinda dos grandes empreendimentos de Eduardo Palassim Guinle falecido em 1912 e administrado a Guinle & Cia posteriormente por Guilherme Guinle que tinha  hidroelétricas e as Docas de Santos enfrentando a poderosa Light and Power Company Limited dos capitalistas canadenses em São Paulo ou os negócios na Bahia do empresário norte-americano Percival Farquhar.

Acrescenta-se a este seleto grupo o aviador HOWARD HUGHES, bilionário da alta sociedade americana, que ainda detinha em seu currículo o papel de industrial, inventor, produtor e diretor de cinema, sendo fundador do famoso estúdio RKO.

Nesta “equipe” de homens afortunados incluía-se Baby Pignatari, empresário brasileiro nascido em Nápoles, Itália, com cidadania brasileira, possuía todas as qualidades dos demais com atividade empresarial de muita importância e que lhe dava subsídio para ter regalias no mundo das estrelas de cinema, rendendo-lhe prestígio mundial. Dono de importantes empresas brasileiras bancava as relações com as musas de Hollywood adquirindo este glamour e estreitas relações junto as mais belas mulheres da época, as quais elencamos: 
                                                                                  
1)      Anita Ekberg, nome artistico de Kerstin Anita Marianne Ekberg, tornou-se miss Suécia em 1951, representando seu país no Miss Universo, ficando entre as seis finalistas, o que lhe garantia um contrato como starlet do Universal Studios. Foi convidada por Federico Fellini a fazer o filme para viver Sylvia, de A Doce Vita.



3)      Dani Crayne, nome artistico de Danielle Darlyne Swanson, nasceu em 1934, em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos e recebeu um contrato da Universal em 1955. Foi a protagonista no filme épico da “História da Humanidade” como Helena de Tróia. After performing the usual starlet duties of leg art and bit parts, she landed the role of Helen of Troy in The Story of Mankind (1957).

4)      Dolores del Rio, nascida María de los Dolores Asúnsolo y López Negrete, em Durango, México. Iniciou no cinema em 1925, atingindo popularidade devido ao seu fascínio e a sua vigorosa personalidade. Tornou a atriz de cinema mais famosa em seu país, filmando em língua espanhola pela primeira vez, após ter presença garantida em Hollywood não se limitando apenas ao cinema como também dos círculos da alta sociedade.

5)      Elga Andersen, nome de Hymen Elga, nascida em 1935, em Dortmund, na Alemanha. First she hoped to become a dancer but then studied French and English. Pensava em ser dançarina, mas foi estudar Francês e Inglês, indo para Paris em 1953 para se tornar intérprete, participando com o meio dos artistas e posou para fotografias de moda. Estrelou em filmes internacionais da década de 1950 e foi uma artista popular durante a década de 1960, conhecida por cantar a canção-título de Os canhões Navarone (1961). Later she became a producer too. Seu primeiro papel principal foi na produção franco-brasileira Os Bandeirantes, em 1960, de Marcel Camus. Mais tarde ela se tornou produtora.

6)      Elsa Martinelli, nascida Elsa Tia, em 1932, na província de Grosseto, Toscana, Itália, em 1932. Descoberta por Roberto Capucci , tornou-se atriz e modelo italiana. Começou fazendo pequenos papéis no cinema e em 1956 ganhou o prêmio “Urso de Prata” como melhor atriz no Festival de Berlim pelo papel no filme "Donatella" de Mario Monicelli. Desde então, ela ficou dividida entre a Europa e EUA.

(Revista "Manchete")

7)      Princesa Virginia (Ira) de Fürstenberg, filha do Príncipe Tassilo zu Fürstenberg e Clara Agnelli, herdeira da Fiat, ela nasceu em 1940 como Sua Alteza a Princesa Carolina Virginia Theresa Pancrazia Galdina de Fürstenberg emRoma, Itália. e se tornou uma socialite européia, atriz, designer de jóias. The daughter of Prince Tassilo zu Fürstenberg and his first wife, Clara Agnelli, a Fiat heiress, she was born as Her Serene Highness Princess Virginia Carolina Theresa Pancrazia Galdina of Fürstenberg in Rome , Italy .

8)      Jackie Lane, nasceu em Viena, Áustria, em 1937, com o nome de Jocelyn Olga Bolton, estudou balé em Londres. Foi capa da revista Playboy de setembro de 1966.

9)      Jill St. John foi registrada como Jill Arlyn Oppenheim, em Los Angeles, Califórnia, EUA, em 1940. Em 1958 assinou contrato com a 20th Century-Fox contrato. Jill St. John (nascido em 19 de agosto de 1940) é uma atriz estadunidense. Ela é talvez mais conhecida por seu papel como Tiffany, no filme 007 - Os Diamantes São Eternos.

 
10)  Joanna Moore, nascida Dorothy Cook, nasceu em 1934, na Geórgia, Estados Unidos. Ganhou um concurso de beleza e foi trazida para Hollywwod sendo descoberta por um  produtor da Universal.
 
11)  Blanca Rosa Henrietta Stella Welter Vorhauer, conhecida artisticamente como Linda Christian, nasceu em Tampico, México. Viveu na Europa, América Latina e na África e falava sete idiomas. Apelidada de "Bomba Anatômica" pela Revista Life. Fez vários filmes como a "A Marca do Zorro" (1940), "Tarzan e as Sereias" (1948) e "Testemunha de Acusação" (1957), entre outros. Em "Casino Royale" (1954) fez o papel da primeira garota de Bond.

12)  Miiko Taka, nasceu em Seattle, passando a infância em Los Angeles, nissei que se tornou atriz do cinema americano conhecida por haver atuado com Marlon Brando, em 1957,  no filme “Sayonara” com a personagem Hana-ogi e na televisão participou da minissérie “Shogun”.  
13)  Rossana Rory, nome artístico de Ross Cup,(Rossana Coppa)  nascida em 1927 ,em Roma,Lázio, na Itália. Com apenas dezessete anos ele começou a trabalhar como modelo e atriz. É contratada pela Warner Brothers.
14)  Soraya Esfandiari Bakhtiari Nascida na cidade persa de Isfahan. Filha mais velha de Khalil Esfandiary - um nobre da tribo Bakhtiari do sul da Pérsia, embaixador na Alemanha Ocidental na década de 1950. Soraya foi a segunda esposa de Mohammad Reza Parlevi, Xá da Pérsia, de quem se divorciou em 1958.. Soraya lançou-se em carreira de atriz de cinema, utilizando apenas seu primeiro nome. Descreveu sua autobiografia em “O Palácio da Solidão”.

15)  Susan Cabot ou Harriet Pérola Shapiro, nasceu em Boston, Massachusetts, interessa-se em teatro e se junta ao clube de teatro faz sua estréia no cinema como figurante em Nova York, Fox fez Kiss of Death e trabalha em televisão sediada em Nova York

16)  Tina Louise foi registrada Tina Blacker, em Nova York, em 1934, tornou-se atriz de Hollywood em 1958, assumindo papéis musicais da Broadway, e do cinema italiano, e fez quatro álbuns, dois para Concert Hall e outros pela Urania Record.
17)  Vikki Dougan, nome artístico de Edith Tooker, nasceu em 1929 ,na cidade de Nova York, no bairro de Brooklyn foi modelo e atriz norte-americana, apelidada “The back”, que na década de 50, o fotógrafo Ralph Crane, da revista Life, a retratou em várias situações, sempre de costas.

18)  Zsa Zsa Gabor, pseudônimo de Gábor Sári, nasceu em Budapeste em 1917 foi uma famosa atriz e socialite radicando-se nos Estados Unidos. Em 1936, ganhou uma competição de beleza em seu país. Apareceu nos filmes Moulin Rouge (1952), Lili (1953), e em vários outros. Fez também teatro e televisão nas séries Batman (1968)

Esta foi uma época onde a aparências contavam como sublimação do indivíduo e que não se mediam esforços para demonstrar poder, não muito diferente das vaidades humanas de tempos em tempos. Disto lembramos que a história no tempo e espaço determina um modelo que aparece no contexto pensado por Walter Benjamin :
“São os vivos que ressscitam os mortos, que os revitalizam, utilizando-os seletivamente como aliados contra os perigos, as ameaças do presente”

obs: todo material iconografico foi extraido do disposto na internet, reserva-se os direitos aos seus autores.

[1] Octávio Guinle foi um empresário brasileiro, mais conhecido por ser o fundador do hotel Copacabana Palace. Filho do bilionário carioca Eduardo Pallasim Guinle e de Guilhermina Coutinho da Silva, Octávio casou-se com Beatriz Llambí Campbell y Galvez e tiveram como filhos Octácio Guinle Junior, José Eduardo Guinle e Luiz Eduardo Guinle, pai da atriz Guilhermina Guinle. Jorge Eduardo Guinle,este último gerenciou o hotel Copacabana Palace e gastou muito de sua fortuna com festas luxuosas, viagens pelo mundo, presentes e mulheres como  Rita Hayworth, Marilyn Monroe, Romy Schneider, Kim Novak, Ava Gardner, Susan Hayward, Jayne Mansfield, Marlene Dietrich e Janet Leigh.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

BABY PIGNATARI: PRELÚDIO COM AS ESTRELAS DE HOLLYWOOD

Baby Pignatari: O Novo “Playboy” nº 1 (matéria de 1958-adaptação 2ª PARTE: Life Magazine)

VIDE 1ª PARTE EM:
http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2011/11/baby-pignatari-o-novo-playboy-n-1.html

            Em 1957 Baby Pignatari rompeu seu segundo casamento com Nelita Alves de Lima, ele justificava que: “Apesar de confinamento doméstico tenha tentado sua alma, pouco fez num primeiro instante pela restaurando a originalidade da liberdade”. E que: “"por minha segunda esposa desisti dos meus três aviões e minha lancha e  as motocicletas de Nova York. Ela também tinha medo do mar. “Eu até desisti do meu iate de 148 pés". E completava que: “O oásis não existia mais. As boates do Rio não tinham seu charme antigo. Muitos de seus amigos tinham envelhecido. Quietamente, ele partiu para a Europa para encontrar novas palavras para conquistar e renovar uma amizade casual com Linda Christian. O resto, é claro, é história”.

Com a atriz Linda Cristian teve um relacionamento conturbado e curto, então buscou outro relacionamento, mas precisava ter um contato com alguém que tivesse como abrir portas com as famosas estrelas de Hollywood.

Famoso, finalmente, Baby deixou o Brasil novamente para ganhar o mundo. Ele foi para Hollywood para olhar as artistas atuais e, em seguida, com uma nova Harley-Davidson, voou para Cannes para executar a mesma tarefa no festival de cinema de 1958.

Depois encontrou um novo companheiro  e  "secretário social", Richard Gully, um inglês arrojado e maravilhosamente sob medida que conheceu em Hollywood. Gully, um primo do antigo primeiro-ministro inglês Anthony Eden, é um figurão com dentes brancos com um bigode grizalho aparado e um talento para beijar a mão e cumprimentar cordialmente. Ele se identificou com Baby imediatamente. "Ambos temos a personalidade de solteirão", explica Gully, "e como eu fui da indústria do cinema por muitos anos, eu naturalmente sabia muito do glamour de Hollywood e da Europa".

Com Gully ao seu lado – na ocasião, extendendo a frente sua visão para garotas, subordinando maitres e preparando a entrada -Baby começou as alegrias de paradigma de Playboy. Ele progredia tranquilo permanecendo durante três semanas em Roma deitado na praia de Óstia com a atriz italiana Rossana Rory curtindo com ela samba depois de escurecer no exclusivo Hostaria dell'Orso. Em Junho a equipe de Gully e Pignatari foram para Paris para um grande golpe de Verão. Baby contratou a suíte mais cara no Hotel George V e reuniu um carro Mercedes-Benz 300 SL e carros esportes Jaguar sedan com motoristas. Francisco de Assis Chateaubriand de Mello, embaixador na Inglaterra, de viajou por via aérea de Londres trazendo uma limusine Rolls-Royce e um motorista britânico. Baby comprou muitos travelers checks e foi ao negócio montado.

"Baby foi visto com uma nova garota todas as noites", diz Gully aprovando. Uma personalidade de glamour como Baby impressionava com as mulheres. As moças  sabiam que ele tinha casado por duas vezes. Elas sentiam que havia esperança. Baby evita mulheres casadas, mas ele atraia as mulheres. Se ele sente uma atração ele envia um ramalhete  de flores US $ 100,00 para para a mesa da moça como um "tributo a sua beleza". O que elas podem fazerem? Se ele se recusa em aceitá-las, ele não se tornaria conhecido e ficaria ofuscado. Se ele se exalta causa escandalo, Baby é muito grande. Enquanto isso, as garotas o fletam.

"Há uma violência em Baby que as mulheres apreciam. Elas gostam de um homem que vive perigosamente. As garotas tem um pouco medo dele. Baby pode dar a ela um fabuloso presente, mas ele também pode não dar nada, apenas um cumprimento.

Depois de algumas semanas resoluto na procura, no entanto, Baby virou todas as suas atenções para uma verdadeira beldade. Gully apresentou Barbara Cailleux, uma manequim de casa de moda de Balmain, e Baby, foi jantar com ela no Maxim’s, uma reação como um golpe atingido sua cabeça com um porrete. Barbara, aos 23 anos, é legal, bonita, esbelta e regiamente elegante, mas ela olhou para Baby com admiração de menina e, quando ele a levou em sua limusine, parecia sem palavras com deleite do fato. Ela decidiu, no entanto, deixar as suas férias quase instantaneamente e fugiu de Paris com sua companheira de quarto para um chalé na praia perto de Marselha. Baby foi surpreendido e agitado. Finalmente o suspense cresceu a intolerância pegou  sua Mercedes-Benz e partiu, axausto esbrvejando, queimando pneus, foi ao seu encontro. Poucos dias depois o casal retornou feliz a Paris e Barbara encerrou seu trabalho de manequim. "Um dia", diz Gully, "ela foi a melhor manequim de Balmain. No dia seguinte ela foi a melhor cliente da Balmain."
FAZENDO A EUROPA

              Baby e Barbara fizeram uma festa em Paris: após uma noite hilariante de samba, Baby rodeado de cima duas limusines cheias de músicos, regada com doses de champanhe, instalou-os em um restaurante e dançando e apreciando um breakfast. Eles foram para Londres: Hotel Claridge, na embaixada brasileira e no Zoológico de Londres. Eles rodaram o continente: Baby levou  Barbara em sua Mercedes-Benz, Gully segui-os de Rolls Royce com a antiga companheira de quarto de Barbara, manequim Lina Valentin e uma motorista orgulhosamente trazido a tira colo levando 27 bagagens. O porteiro ficou sobessaltado, curvou-se o maitrê, os cozinheiros, em Viena, em Milão, em Deauville, em Florença e, entre as expedições, em Paris.

             No mês passado, Baby, Barbara e Gully voaram para Nova York (Waldorf Towers, "21", Le Pavillon, El Marocco, Quo Vadis). Eles foram ainda mais calorosamente recebidos com em extrema relevância. Como na Europa, Baby foi capaz de desfrutar o seu nome nos jornais calmante. Os colunistas de fofocas das grandes cidades sabiam que ele era o preferido entre os "bonitões afortunados" das noites, e Lolly Parsons[1] advertiu Hollywood que Barbara "era algum prato” como dizem nos círculos especializados.
            
             O apogeu do caso, no entanto, Baby começou mostrando alguns sinais de inquietação. Embora não deixasse transparecer ele começou a esquivar-se,  suspeitando que ele já não estava completamente interessado na senhorita Cailleux. Ele alimentou boatos quando eles jantaram respondendo ao traçar perfil dela em ser como um drinque de frutas. Baby desconversava.

             Como Baby e sua comitiva dirigia-se para o Brasil, mesmo Gully não poderia dizer se havia uma "crise" se aproximando, mas acrescentou alegremente, "Em se tratando de Baby ele irá naturalmente fazer a coisa certa e comprar-lhe um bilhete de primeira classe de volta para Paris."

             E o que vai acontecer a Baby? Ele vai pressionar. O mundo está cheio de garotas, velocidade e perigo, e o Baby não pretende deixar até mesmo o trabalho interferir com os direitos e vantagens de seu título mundial de Playboy. Após apenas dois meses em São Paulo, ele vai para Hollywood e Alcapulco aguardar a primavera (ele odeia frio) e um novo ataque à Europa.

Mas o que esperar do futuro?

"Não posso imaginar-me velho", diz Baby. "Eu sei que a natureza faz alterações lentamente, e que a maioria das pessoas aceitá-as quando elas vêm. Mas antes de mais 10 anos eu acho que seria melhor estar enterrado a sete palmos ".

Referência:

Life Magazine 1º DE DEZEMBRO DE 1958.136 páginas Vol. 45, Nº 22 - Baby Pignatari, New No. 1 Playboy (Pg... 130 ARTICLES: New King of Playboy World: Rich "Baby" Pignatari, Specialist in Speed, Spending and Girls, is Successor to Aly Khan and Rubi. By Paul O'Neil)



[1] Louella O. ("Lolly") Parsons foi colunista durante 40anos, matérias que eram reproduzidas em  mais de 500 jornais do planeta. Era apoiada pelo império jornalístico de William Randolph Hearst, de relevante influência na imprensa norte-americana, adquirindo  em 1895, o New York Morning, informativo que se caracterizava pelo sensacionalismo.No seu apogeu, em meados dos anos 1930, chegou a somar 28 diários e 18 revistas. Louella tinha um poder extraordinário destruía atrizes e bloqueava filmes de Hollywood, era temida por estrelas, diretores e produtores.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Baby Pignatari em Roma: Mecenas do MASP

Recepção a Assis Chateaubriand, o “rei” do Brasil 
A revista “O Cruzeiro”, de 01 de agosto de 1959, traçava em sua edição número 42, ano 31, matéria  sobre Festa Romana promovida pelas irmãs anfitriãs senhoras Mimosa e Fernanda Parodi Delfino e que promoviam o evento para homenagear o embaixador Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo. 

Tornou-se o homem mais influente em muitos campos  de atividades e percurssor da Campanha Nacional da Aviação, ou CNA,  que como jornalista  e proprietário da cadeia de jornais Diários Associados, além da revista “O Cruzeiro”, promoveu campanha para doações de aviões para ampliar os aeroclubes existentes, angariando recursos  que servissem para a compra ou construção de aviões, ampliando hangares e ampliando campos de pouso para consolidar a aviação civil no país. Era um mescenas, e que consta do artigo supracitado a revista “O Cruzeiro”, rodeado das mais infuentes personalidades de então.

Foi grande incentivador para que o Grupo Industrial Pignatari absorvesse a demanda da construção da aviação e grande incentivador da implantação da Companhia Aeronáutica Paulista, do industrial Baby Pignatari, em 1942. Disto a revista expõe sobre Marina Parodi Delfino(Mimosa):

“A velha amiga do homenageado, viveu muitos anos no Brasil, tendo sido um dos esteios da Campanha Nacional da Aviação, promovida por ele. Aviadora, guarda inumeras recordações das proezas aviatórias, inclusive  quando, em 1945, com Assis Chateaubriand a bordo, se perdeu na Foz do Iguaçu.”

Esta era a mulher com quem se casara em 1939, o empresário Baby, dono da Laminação Nacional de Metais S.A., que ainda detinha a Companhia Brasileira do Cobre, CBC, no Rio Grande do Sul, constituída em decreto de 02 de setembro de 1942, autorizando a exploração das Minas Camaquã, para a prospecção de minério. Era o único a realizar todas as fases do processo na produção de cobre e suas ligas abastecendo as indústrias de transformação do setor.  

Mimosa, era filha de um dos mais influentes empresários da Itália, Leopoldo Parodi Delfino, casando-se, veio residir no Brasil, morando no Bairro do Morumbi, em São Paulo. Deste relacionamento nasceu em 16 de fevereiro de 1942, o único herdeiro de Baby, Giulio Cesare Pignatari[1]. O casamento acabou em 1947, com cada qual assumindo seus compromissos em separado.
Em 1959, na homenagem oferecida ao grande embaixador Assis Chateaubriand estavam presentes as mais ilustres representações da sociedade romana à elegante recepção:

Príncipe e princesa de Orleans e Bourbon[2]; Princesa Giovanna Doria D’ Angri (Pignatelli); Princesa Margot Alliata, Princesa Rosanna Del Drago; Princesa Luciana Pignatelli; Príncipe Ferdinando Del Drago Marescotti; Príncipe Dado Ruspoli, Princesa Marília Windish-Graez; Duquesa Gidia Torlonia; Princesa Domitilia Ruspoli;  Princesa Doris Pignatelli; Condessa Mancinelli Scotti (atriz do cinema italiano, Elsa Martinelli); Princesa Laudomia Hercolani; Duquesa Elena Serra Di Cassano; Dom Romano Massara; Sra. Natalie Perrone; Sra. Giovanna Bergonzoni; Dom Lilio Ruspoli; Sr Sandro Perrone; Sra. Teresita Montez, Srta Nicoletta Montanari; ator Walter Chiari, Baby[3] e Giulio Pignatari, e outros que completaram aquela noite brasileira em cenário de nobreza romana.
Giulio Cesare Pignatari

"Chatô" sabia ser um bem humorado anfitrião, e graças ao seu senso de aproximar pessoas soube angariar para planos futuros as maiores benesses, e deste modo constituiu o acervo do Museu de Arte de São Paulo com seu amigo, marchand e jornalista italiano Pietro Maria Bardi, que dava a diretriz dizendo:

“Nós temos que passar como dois hunos sobre a Europa devastada pela guerra comprando quadros. A nobreza e a burguesia européias estão quebradas, seu Bardi, quebradas! Se corrermos, vamos comprar o que há de melhor entre os séculos XIII e XVII a preço de banana! A firme convicção de que havia tesouros na Europa à espera de quem tivesse dinheiro na mão nascera da observação do cotidiano de franceses e ingleses, um ano antes. Chateaubriand fizera uma viagem de poucos dias à Alemanha, França e Inglaterra e voltara impressionado com o estrago e a penúria produzidos pela Segunda Guerra Mundial”.
Um exemplo das relações com o mercado da arte na Europa em carta cabográfica  endereçada a Francisco Pignatari, endereço Haddock Lobo:
EM MINHAS MÃOS QUADRO VAN GOGH NOURRICE FASE HOLANDEZA CATÁLOGO COM EXPERTISE SCHOELLE CONSULTE INTERESSA CHATEAUBRIAND RESPONDA URGENTE PANAIR BRASIL PLAZA ATHENEE HOTEL PARIS ABRAÇO-PAULO SOLEDADE

O Brasil assim, com incentivos das elites empresariais formava um acervo dos mais respeitáveis do mundo, fomentado por recepções entre as mais ilustres representações.

Os bárbaros invadiram a Europa e venceram!

Bibliografia:
“O Cruzeiro”, edição de 01 de agosto de 1959, número 42, ano 31.

Morais, Fernando, 1946- Chatô : o rei do Brasil, a vida de Assis Chateaubriand. São Paulo: Companhia das Letras,1994.

Macedo, Ana Macedo de...(et al.). Baby Pignatari: O Centauro de Bronze. Porto Alegre: Metrópole, 2006.



[1] Há desencontro no ano, sendo que consta em alguma genealogia o ano de 1940!
[2] Carla Parodi Delfino, era irmã de Marina “Mimosa” e se tornou  Princesa Carla de Orleans Bourbon, Duquesa  da Galliera ao se casar em 10 de julho de 1937 em Roma, Itália, com Don Alvaro Antonio Fernando Carlos Felipe de Borbón y Orléans-Sajonia-Coburgo-Gotha, duque de Galliera , filho de Alfonso Maria Francisco Diego de Orléans y de Borbón, quinto duque de Galleria e Beatrice Leopoldina Victoria Saxe-Coburgo-Gota, a princesa do Reino Unido
[3] Museu de Arte de São Paulo- 1ª INAUGURAÇÃO 02 DE OUTUBRO DE 1947: Conseguiu arrancar 3 milhões de cruzeiros da fazendeira Sinhá Junqueira, de Ribeirão Preto, do cafeicultor Geremia Lunardelli (de quem se dizia ser "o maior plantador de café do mundo") e do industrial Francisco "Baby" Pignatari, e não teve dificuldades para obter do presidente Dutra autorização para trocar os cruzeiros por dólares - quase 160 mil dólares (equivalentes a 1,1 milhão de dólares de 1994). Quinze dias depois, em fervilhante festa a rigor no casarão da família Jafet, na avenida Brasil, ele "apresentava à sociedade paulista" o produto das primeiras doações para a galeria - que agora já era chamada por todos de Museu de Arte de São Paulo: dois Tintoretto, um Botticelli, um Murillo, um Francesco Francia e um Magnasco adquiridos em Roma. A "burguesada" que se preparasse que aquilo não ia ter fim. (Morais, Fernando,1946- Chatô : o rei do Brasil, a vida de Assis Chateaubriand. São Paulo : Companhia das Letras,1994)


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Baby Pignatari na Bahia antes da Caraíba Metais

BABY JÁ NÃO É MAIS PLAYBOY

A revista O Cruzeiro traçava em sua edição de 28 de março de 1959, número 24, ano 31, em texto de Arlindo Silva e fotos de Jorge Audi, que “BABY JÁ NÃO É MAIS PLAYBOY”, porque havia se encontrado com a miss Bahia 1958, uma bela moça de 18 anos de olhos negros e gestos discretos, Ana Maria Carvalho.

Ele era um apaixonado pelo carnaval e com alguns amigos seguiu para Salvador, desfilando em carro aberto pela Rua Chile, atiravam serpentina nos transeuntes. Deram-se conta de uma moça cunhada de Newton Faria, amigo de Baby, que participava da carreata. Os dias se seguiram e Baby foi barrado no Clube Baiano de Tênis, quando acompanhado por Newton Faria, sua esposa Yara e sua cunhada Aninha. Baby foi apresentado por Newton, sócio do clube, informando que havia intercâmbio com o Clube Paulistano, onde Baby freqüentava em São Paulo. Não houve argumento para persuadir a entrada do convidado. Baby, mesmo tendo apoio da nata baiana para ser aceito como participante do evento, sentindo-se “desfeiteado”, retirou-se.
Depois deste incidente que causou pequeno mal estar, o milionário paulista foi convidado a participar de famosa feira de gado de Feira de Santana, pelo então prefeito local Sr Heráclito Dias Carvalho, industrial, fazendeiro, exportador de fumo, uma das grandes fortunas da Bahia e...pai de Ana Maria Carvalho, miss Bahia 1958!

Baby Pignatari, com seu tino industrial quiçá interessado em fincar raízes sólidas no estado, e que o fez mais tarde através da Caraíba Metais, prevendo implantação de um complexo de exploração de mina de cobre, se aproximava deste modo, aos mais influentes personalidades políticas sendo acompanhado naquele instante pelo então vereador Carlos Mascarenhas.
Em Feira de Santana iniciou-se o romance entre Aninha e Baby e o pedido de consentimento para o pai de Ana Maria Carvalho, Sr Heráclito, foi feito pelo seu amigo Raimundo Magalhães, substituindo o industrial paulista, Hermenegildo Martini, vice-presidente das Organizações Pignatari em São Paulo, que era mentor de Baby em sua vida industrial, que adoecerá. As formalidades foram concretizadas, seguindo-se um passeio à Praia de Itapuã.
A revista concluiu: “Baby Pignatari, após dois casamentos frustrados, parecia buscar, através de viagens e romances inconseqüentes, um paliativo para seu recalque de fracassado no amor. Mas como o provérbio diz que “cada santo tem seu dia’, o dia de  Baby Pignatari chegou sem que ele ao menos sonhasse.”

O que aconteceu com este Pierrot, ou Arlequim, e Colombina, do carnaval de 1959?

Foi um love-affair que passou como um relâmpago sem deixar vestígios?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Baby Pignatari e Nelita Alves de Lima: Fundação Julita(Jardim São Luiz)

Segunda União de Baby: famílias tradicionais 

Após o rompimento matrimonial de Francisco Baby Pignatari e Marina “Mimosa” Parodi- Delfino, ocorrido em 1947, esta volta para a Itália, sendo que Baby cuida de refazer sua vida familiar , desposando Nelita Alves de Lima, em meados de 1950. Parece haver uma lacuna, mantida por um silêncio próprio onde a historiografia soterrada por camadas custa a responder. Há referências de que Nelita pertencia a uma família tradicional referendada pelo sobre nome Alves de Lima, historicamente formando uma genealogia respeitável.
Francisco Baby Pignatari e Nelita Alves de Lima
A região de Santo Amaro possui um contraste de refúgio de uma constante busca do homem com a natureza. Neste local há referencia da fundação Julita, a partir de um sítio que se prolongava em uma estrada empoeirada denominada Tuparoquera, caminho do sul de São Paulo, através do qual a locomoção era constantemente usada pelos indígenas que buscavam as trilhas em direção ao litoral. A fundação foi criada através de terras existentes de Antônio Manuel Alves de Lima, nascido no interior paulista, na cidade de Tietê em 27 de julho de 1873, Filho de Octaviano Augusto Alves de Lima e dona Izabel de Arruda Alves de Lima. Casou-se em 15 de novembro de 1898 com Julita da Silva Prado, depois senhora Julita Prado Alves de Lima filha do Dr. Martinho da Silva Prado JÚNIOR, conhecido como Martinico Prado(*17 de novembro de 1843 /+ 24 de maio de 1906 -filho de Veridiana Valésia[1] da Silva Prado e Martinho da Silva Prado) e de dona Albertina de Morais Pinto , casando em 22 janeiro 1869, assinando desde então Albertina da Silva Prado.

Antônio Manuel Alves de Lima ampliou as atividades cafeeiras e tornou-se Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo e diretor do antigo Instituto do Café. Enviou J.C. Alves de Lima, comissionado pelo governo do Estado de São Paulo, para percorrer os Estados Unidos em viagem de propaganda dos produtos paulistas, fazendo conferências em Nova York sobre o assunto(O Estado de São Paulo, 11 de novembro de 1911)
Antônio Manuel Alves de Lima
O casal Antônio Manuel e Julita tiveram cinco filhos Jorge Silva Prado de Lima, Maria Isabel Silva Prado de Lima, Stella Silva Prado de Lima, Antonio Silva Prado de Lima e Vera Silva Prado de Lima.  Após o falecimento de sua esposa ocorrida em 1945 a chácara de Santo Amaro passou a sediar a Fundação Julita[2] a partir de 6 de dezembro de 1952. Desta estirpe têm-se evidências da segunda esposade Francisco “Baby” Pignatari, [3]Nelita.
Fundação Julita: Rua Nova do Tuparoquera, 117, Jardim São Luiz - São Paulo - SP

O PROJETO TANGARÁ DE BABY e NELITA

A Chácara Tangará, fazia parte das terras adquiridas em 1951, em glebas várias de  sítios e chácaras por Baby Pignatari, perfazendo um área aproximada de 20 alqueires paulista, formando deste  uma propriedade de grandes dimensões. O plano do novo proprietário era construir nela uma residência por encomenda de um projeto futurista, cercada por vegetação de Mata Atlântica intocada, estando nesta empreitada sua segunda esposa, Nelita Alves Lima. Para isto Pignatari encomendou ao arquiteto Charles Bosworth, um dos pioneiros das construções pré-moldadas as preliminares do ousado projeto.
O arquiteto Charles Bosworth com o casal

O lugar era de rara beleza onde a testada da residencia estaria voltada para as margens do Rio Pinheiros, ainda águas límpidas, onde a casa seria circulada por belo jardim onde a propriedade ainda apresentando perfil fora do contexto urbano apresentava caracteristicas rurais na cidade de São Paulo. Além disso cortava a mata um afluente do rio , um contraste de declive formado por encosta terminando em área plana, bem visivel ainda nos dias auais. Na cobertura vegetal de florestas naturais seria implantado um pomar e a criação de faisões.

A casa foi executada parcialmente no mesmo tempo que se iniciou o planejamento dos jardins e foi projetada por Oscar Niemeyer e Arquitetos Associados. Em 1955, observava-se que haveria três segmentos distintos: o da casa e seu entorno imediato e jardins, uma área de pomar e de criações de animais e outra que assumiria as dimensões de um grande parque. Não foi concluída, parou nas lajes de cobertura,demolida integralmente mais tarde, dando lugar ao Parque Burl Marx, administrado pela Fundação Aron Birmann.
A Mata Atlântica e o interesse imobiliário atual

O paisagista Roberto Burle Marx, acreditava  que executado o projeto deste jardim “teria sido quase que um grande início, um jardim de grandes dimensões, fora do comum”.
 A origem e abandono do encargo seguiram a mesma motivação: “este jardim teve início em função de um grande amor. Foi um amor momentâneo que teve importância na vida do jardim e também no terminar da obra que não foi terminada porque o amor acabou”. O casamento concretizado em 1950 foi interrompido com o divórcio em 1957.

Bibliografia:

Leffingwell, Eward. A Memória do Guardião: a coleção Kim Esteve e Uma História da Chácara Flora.

Lemos, Carlos Alberto Cerqueira. O modernismo arquitetônico em São Paulo. Arquitextos, ano 06, out 2005 (http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.065/413)

Oliveira , Ana Rosa de. Nove anos sem Burle Marx. Arquitextos, ano 04, junho 2003
(http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.037/675)

Obs: aguardamos contatos para complementação, pois há poucas referências deste momento histórico sobre o assunto.

[1] Na vasta referência bibliográfica escrito como Valéria, mas em sua sepultura no Cemitério da Consolação consta como Valesia. Era filha de Antonio da Silva Prado,nasceu em 13-junho-1778 em S Paulo, SP, foi casado com Maria Candida de Moura Vale, falecida em 06-março-1868. Antonio faleceu em 17-abril-1875 em São Paulo, SP. Foi capitão-mor, cavaleiro da Ordem de Cristo; em 1848 tornou-se Barão de Iguape pelos relevantes serviços prestados à causa pública (S Leme, VII, 28). Comendador e Vice-Presidente de São Paulo.
[2] DECRETO Nº 30.443, DE 20 DE SETEMBRO DE 1989 : Considera patrimônio ambiental e declara imunes de corte exemplares arbóreos situados no Município de São Paulo, e dá outras providências. Onde costa errônea referência ao nome Fundação Julieta (Julita) Prado Alves de Lima e Lar Maria Albertina. E que consta em seu Artigo l9 - Os proprietários dos imóveis onde estejam localizados os exemplares arbóreos mencionados neste Decreto ficam responsáveis por sua conservação, devendo tomar as medidas pertinentes, inclusive comunicando à Secretaria do Meio Ambiente sobre quaisquer ocorrências que possam comprometer a integridade dos referidos exemplares arbóreos.
 [3] Depoimento recolhido de Eurides Fantozzi que juntamente com seu sogro Francisco Martinez y Martinez, espanhol de origem, conhecido como Paco, foram, ambos, caseiros da Chácara Tangará.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Baby Pignatari: O Novo “Playboy” nº 1 (matéria de 1958-adaptação 1ª PARTE)

Rico ‘Baby’ Pignatari, especialista em velocidade e moças, é o novo herdeiro do trono

VIDE 2ª PARTE EM: http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2011/12/baby-pignatari-preludio-com-as-estrelas.html

Há uma pequena e real harmonia entre conquistador internacional e a alegre mas não sofisticada massa que o mundo permanece largamente inconsciente dos obstáculos na qual o milionário brasileiro Francisco (Baby) Pignatari superou em alcançar sua presente promissão de preeminência  no Café Society[1]. Baby, hoje tem as melhores mesas nas melhores casas noturnas, com música orquestrada, de Nova York, Paris, Londres e Roma, sendo saudado com sussurros e comentários quando ele entra. Homens fixam os olhos nele. Mulheres suspiram. Garçons pairam sobre ele como urubus circundam a presa. Porém Baby pode somente ser considerado como um pretendente ao trono – e, na verdade, pode até mesmo ser forçado a esperar por algum lucro – se a atriz Linda Christian não tivesse esvaziado os pneus de sua Mercedes uma noite do último ano em Roma.
           Um Playboy internacional, se ele pegar o título de tais gigantes como Aly Khan e Porfirio Rubirosa, deve atender a certos padrões de exigência. Ele deve ser bonito. Ele deve adorar garotas e ser adorado por elas. Ele deve exibir um inconfundível ímpeto em todas as suas ações. Ele também deve ter, requerimentos básicos, posição social, charme, conduta, acesso a muito dinheiro, e sobre tudo, sorte. Baby gloriosamente preenche todos esses requerimentos[2].

           Ele é, para começar, uma bonita e poderosa figura masculina. Ele tem 1,90 de altura, 90 kg, tem cabelos negros e sombra celhas caídas, e tem uma marcante semelhança com o ator de cinema americano Victor Mature (de quem a principio não simpatizava, apesar de nunca terem se encontrado). Baby tem 41 anos de idade (Playboys nunca são garotos). Ele gosta das moças e estas gostam dele. Ele tem ímpeto, ele pode ficar de pé em uma motocicleta a 90 km por hora com seus braços cruzados. E ele é repleto de básicos requerimentos.

Apesar de tudo isso, Baby era virtualmente desconhecido há um ano. Ele tinha tristemente negligenciado, em sua carreira de Playboy, obter a cooperação de atrizes americanas. Publicidade é a pedra de toque da vida de um Playboy, e em tempos modernos nenhum Playboy tinha feito sucesso sem ter tido um caso – ou, ao menos, ter sido casado – com uma estrela de cinema.
Linda Christian

Mas quando o destino levou a senhorita Linda Christian para o encontro de ambos, ela risonha e bonita, que esvaziou os pneus de seu carro depois de uma festa em Roma, Baby não exitou. Ele agarrou não somente a oportunidade, mas também Linda. Ela aceitou alegremente.  De repente, contudo, ela percebeu que um dos brincos de jade tinham sumido. E foi nesse momento que Baby proveu uma vez mais seu galanteio: “Eu te levarei para Hong Kong,” e completou, “e te comprarei outros brincos”.

Essa oferta era a essência para um Playboy, envolvendo dinheiro, impetuosidade e uma linda mulher, mas Linda recusou a proposta. Na verdade, ela em seguida foi para Dusseldorf para “ir para várias festas”- mas reagindo sugeriu para que ele a segui-se até Dusseldorf, mas o deixou enciumado quando Linda insistiu em dançar com dois alemães. Linda foi para Paris. Baby fez as malas e foi com ela novamente. Desta vez, Linda estava interessada na promessa do brinco perdido, e ele a levou triunfantemente ao redor do mundo – Roma, Atenas, Cairo, Bangkok, Tókio, Honolulu, Hollywood, cidade do México, Panamá e finalmente sua cidade natal, São Paulo – colocando seu nome em relevância, mas comprando para ela produtos de pouco valor na viagem.
“Go home Linda”

           Tudo isso, contudo, foi um simples prelúdio da estratégia pela qual Baby finalmente fez o mundo tremer. Aborrecido, depois de algumas semanas, pela qual atingiu ele como uma alarmante possessividade sobre Linda, ele empregou pessoase uma banda para marchar ao redor do hotel dela no Rio de Janeiro, com placas onde diziam “Go home Linda.” Seus amigos Aly Khan tinha sua Rita Hayworth e Rubirosa sua Zsa Zsa Gabor, mas Baby alcançou um resultado maior desprezando Linda ao invés de cortejá-la. A publicidade foi instantânea e marcou-o como o mais novo campeão dos Playboys.
BABY E LINDA

           Desde que assumiu o titulo, Baby causou impressão em todos os sentidos. Ele está firmemente colocado no clã da alta sociedade do Brasil e Roma. Ele é o mais importante, ele é o maior gastador na qual se tornou um modelo quase extinto no EUA porque o modelo dos impostos americanos inibia tais atitudes sociais. Baby nunca comprava travel-cheque em quantidades menores do que USD$ 10.000 (com  assinatura rápida, quando algumas vezes ele precisa de um pouco dos dólares para poucos dias) e não deixa menos de USD$ 100 de gorjeta e USD$ 5.000 nas contas de uma semana de hotel. Quando ele vê um relógio sofisticado de ouro na cidade de Zurique que simultaneamente mostra quais as horas em todas as capitais do mundo, ele compra 10 e distribui como se fossem pirulitos. Baby é brasileiro o suficiente para ficar a noite toda sambando, mas ele fala inglês, espanhol, francês, Italiano, um pouco de alemão, bem o português, e também esta preparado para viver em todas as regiões do mundo ocidental.

            Baby não é um simples Playboy. Ele é um homem duro nas ações, uma mistura (pousse-café) de contradições. É um incomum ganhador de títulos, e na atualidade é capaz de trabalhar muito. (Durante os últimos 20 anos ele juntou o terceiro maior império industrial do Brasil: uma grande laminação reforçada por um formidável complexo de minas, fundindo e fabricando peças). Ele é um inveterado gastador, mas ele ganha muito dinheiro (cerca de USD$2 milhões por ano). Ele é atrevido na ações, romântico, exibicionista, como um latino sensitivo para compromissos de honradez e orgulho pessoal. Mas ele é também intensivamente prático, um industrial que exige eficiência, um mecânico e inventor que entende cada processo usado em sua produção e se alegra em sujar suas mãos nos maquinários.

Como primeira virtude, ele é de fala mansa, pensador, com conduta maravilhosa e quase tímido. Como segundo quesito, ele se veste como um gaúcho ou um rei canibal. Ele tem um jeito selvagem de generosidade, mas suspeita de ter sido usado por um aproveitador, e ele tem uma fobia de assinar o nome em qualquer lugar que não seja cheque bancário. Baby daria a uma mulher um colar de diamantes, mas não enviaria nenhuma nota escrita com o presente, e preferia enviar rosas (20 dúzias todos os dias) a seus amigos do que escrever uma carta, e até mesmo acumular dívidas com contas de telefone. Apesar de tudo ele é rico e detesta: 1) A atitude da maioria  de outros ricos 2) Aqueles que imitam suas maneiras: “Eu sei sobre estes homens da Wall Street com suas gravatinhas e chapeuzinhos. Eles ficam muito bêbados, quando eles pensam que ninguém está olhando. Eles se aproveitam de mulheres que eu não desprezaria. Mas na manhã seguinte eles apontam seus longos narizes para mim com arrogância.”

Referência:

Life Magazine 1º DE DEZEMBRO DE 1958.136 páginas Vol. 45, Nº 22 - Baby Pignatari, New No. 1 Playboy (Pg... 130 ARTICLES: New King of Playboy World: Rich "Baby" Pignatari, Specialist in Speed, Spending and Girls, is Successor to Aly Khan and Rubi. By Paul O'Neil)



[1] Café Society: Barney Josephson, derrubou as barreiras raciais como dono do lendário Café Society aberto em um porão em 2 Sheridan Square, em dezembro de 1938, ele mudou um costume de longa data em boates americanas. Chegou a comentar:''Não houve, até onde eu sei, um lugar parecido em Nova York ou em todo o país.'' Foi o primeiro clube noturno em um bairro branco para receber os clientes de todas as raças. Durante um período de férias na Europa, ele ficou fascinado pela política do cabarés de Praga e Berlim, lugar este de encontro de artistas, intelectuais e profissionais liberais de vários segmentos que se encontravam no “Café Central”, idéia do húngaro Ferenc Molnár (idealizador dos Centrál Kávéház).Barney Josephson havia se tornado um fã de jazz, em suas andanças ao Harlem para ouvir as bandas de Duke Ellington no Cotton Club, quando visitou Nova York. Com US $ 6.000, emprestados de dois amigos de seu irmão Leon, ele alugou o porão de 2 Sheridan Square por US $ 200 por mês, assim começava o Café Society. ( VIDE: http://norumbega.co.uk/2008/05/12/ferenc-molnar/ e The New York Times, de John S. Wilson Published: September 30, 1988 Publicado em 30 de setembro de 1988)
[2] Seria dizer quando se comenta sobre alguém que detenha certo prestígio, ser BCBG(Bon Chic, Bon Genre), ou aproximando de Bom estilo e de boa classe.