quinta-feira, 28 de julho de 2011

Alberto Conte: O Homem e a Obra

As Tentativas de Emancipação Educacional e a Dependência Externa do Brasil

Quem pode constituir a melhor biografia sem dúvida é individuo estudado social que pode dar referências exatas, mesmo que a oralidade possua alguma referência somente visualizada por quem depõe. Evidente que quando não se tem o depoimento não é mais possível pela determinante natural do fim de existência, o pesquisador tem que recolher parte disso com aqueles que estavam próximos do homenageado e de uma bibliografia anteriormente constituída.

As instituições de poder por sua vez, possuem as ferramentas oficializadas para produção de documentos e são nestas fimbrias que o pesquisador se vale para atingir o objetivo. Oficializar documentos compete ao Estado que definem datas e o momento que se inicia determinadas organizações.

O professor Alberto Conte nascido em 12 de junho de 1896, em Avaré, São Paulo, após uma vida prolifera em prol da educação partiu em 22 de julho de 1947. Nesta época foi proposto pela Assembléia Estadual de São Paulo, pelo deputado Henrique Richetti, que o Ginásio (no hodierno denominado Fundamental II) de Avaré, terra natal do professor Alberto Conte, recebesse tão honroso nome, sendo que à época dirige-se a assembléia dizendo em plenária:

“A fecunda atividade intelectual de Alberto Conte bastaria para torná-lo digno de nossa admiração, mas o que mais nos comove em sua vida é a sua encantadora simplicidade, a sua modéstia, o seu amor ao trabalho e ao estudo, e ainda o seu coração tão grande e tão bom. Conseguiu... firmar na existência um roteiro, que conduziu o seu espírito religiosamente céptico a uma fórmula de vida profunda e satisfatória. Condensou a sua conduta no “amor ao próximo”, tendo oferecido freqüentes provas desta acrisolada sensibilidade.”

Neste mesmo tempo estava no prelo o livro “Monteiro Lobato: O Homem e a Obra”, sendo preparado para ser editado pela Editora Brasiliense Ltda quando o professor foi arrebatado da vida, impedindo-o de ver obra concretizada, que seria uma vitória para o eminente educador. A referida obra foi concretizada em 1948.

Devido a estas proposta em edificar a memória do educador começa a ser proposto nominar um colégio dentro do Estado de São Paulo, indicada através de Oficio datado de 7 de janeiro de 1948 pelo Secretário de Educação para o diretor do Departamento Nacional de Educação quando se discutia também o projeto pelo legislativo das Leis e Diretrizes e Bases da Educação e da realização dos primeiros exames de admissão.

Nesta época começou a funcionar o “Ginásio Estadual de Santo Amaro”, em São Paulo, ocupando duas salas do tradicional Grupo Escolar Paulo Eiró, na Rua Campos Sales, atual Rua Mário Lopes Leão, próximo a praça Floriano Peixoto. À frente de tão importante missão estava o professor Luiz Contier, catedrático do Grupo Escolar da Vila Mariana, sendo que as duas primeiras salas eram freqüentadas de segunda a sábado das 8 horas às 12:00 horas, um início modesto das metas modernas de pedagogia a serem implantadas. Somente no ano de 1949 o “Ginásio Estadual de Santo Amaro” receberia o nome “Ginásio Estadual Professor Alberto Conte”, mas ainda sem dependências próprias, sendo que somente em junho de 1951 a prefeitura de São Paulo desapropriaria o que era anteriormente o campo de tradicional equipe de futebol de Santo Amaro, uma área de 7243 m2 , para serem iniciadas as obras de engenharia civil, finalizada em 1954, quando então o diretor do ginásio, Octavio Lopes Corrêa, solicita ao Inspetor Seccional de Ensino Secundário (as inspetorias foram criadas em 1954) a mudança da escola para as novas instalações, ocorrida em 1955 onde se iniciam as atividades nas modernas dependências onde seriam implantadas as Classes Experimentais, referência educacional para as estruturas vocacionais e criticas coincidindo com os anos áureos da Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário- CADES - implantada pela efêmera democracia brasileira saída do Estado Novo, autoritário e centralizador que limitava a liberdade de criação dos educadores, meras peças burocratas e executores das disposições legais do sistema impetrado.

Na década de 1950 houve necessidade de mudanças exclusivamente pela nova estrutura econômica mundial, após a segunda guerra, sendo que os debates educacionais tiveram seu apogeu, no Brasil, a partir de 1955, com implantação das indústrias automotivas no país, deficitária de mão de obra especializada, e com novo modelo político, que causou reflexo na cultura, no campo social e ideológico, encerrado após uma década, por imposição do regime de exceção de 1964.

Considerações:

Depois de meio século o país não se refez do autoritarismo do poder pseudo-democrático e prestes a perder novamente o fluxo do movimento histórico por despreparo educacional sem projeto efetivo permanente que liberte o povo dos controladores do poder, que criam e recriam as condições ideais para fomentar os movimentos de opressão.

Referências:

1- NUNES, Clarice. Escola e Dependência: O Ensino Secundário e a Manutenção da Ordem. Rio de Janeiro. Ed. Achiamé, 1980.

2- Matéria Gazeta de Santo Amaro, data 15 de abril de 1994

3- CONTE, Alberto. Monteiro Lobato: O Homem e a Obra. Editora Brasiliense Ltda. São Paulo, 1948.

1 comentário:

Josy Mendes disse...

Muito interessante, estava dando uma olhada aqui agora temos que montar um blog relacionado com a área da educação vou precisar de sua ajuda!! rs.