sábado, 4 de fevereiro de 2023

As Emendas Parlamentares, a Ocupação das Várzeas e as Enchentes em São Paulo

Para que serve o dinheiro da Emenda Parlamentar do político? O que é uma coisa emendada? 

“O vereador paulistano recebe a “emenda do parlamentar”, um “dinheirinho extra", que vem por fora de seus subsídios e regalias aprovadas em plenário, para usar em suas bases, tipo curral eleitoral, como uma moeda de troca com o eleitor.

O executivo tem que executar obras na cidade fazer alguma coisa, essa é sua obrigação, ao menos para isso foi eleito o prefeito, no caso atual não, ganhou a cadeira de mão beijada! 

Esse dinheiro que dão aos vereadores para “usarem nas bases” é dinheiro público e serve para manipular interesses políticos, uma maneira de manter um cabresto na população que em não vendo suas necessidades serem realizadas, procuram um “vereador bonzinho” que entra na jogada como salvador da população, e assim as necessidades do cidadão ganha o nome nobre de “demandas”.

Deste modo uma empresa mequetrefe coloca sem anunciar o valor da obra, um corrimão em escadas em vielas, ou um asfalto “casca de ovo” na vila, ou faz uma gambiarra no telhado de entidade, ou coloca grama sintética no campinho do bairro, ou mande pintar e trocar a tela da quadra, ou troca o cimentado mais ou menos por um outro pior!

 

O RISCO DE SEMPRE

Na atualidade a “bola da vez” são as fortes chuvas de verão, onde o grande culpado de tudo isso é São Pedro que abre as torneiras do Céu e desagua no asfalto que é levado pela enxurrada e depois vem os caminhões “tapa buraco” para fazer remendo meia boca, limpar alguns bueiros ou canalizar “meio riacho” de quem mora vizinho ao mesmo, porque ele é "líder comunitário", sendo o transbordo do riacho o grande vilão das inundações sempre recorrentes de ano após ano.

Impermeabilizaram toda a cidade e canalizaram os rios que escoavam as grandes torrentes e para substituírem isso inventaram os piscinões...gênios das engenhocas!!!

Sobre o riacho há sempre o risco iminente, e não deveria ter construções ali perto da várzea, que pertence ao riacho e no verão transborda com toda intensidade por brechas abertas e inunda a casa do ocupante da várzea, que o político incentiva ficar na área de risco e promete resolver e até segurar o barranco que vai desmoronar nas tempestades, para ganhar votos nas próximas eleições.

Quando a natureza age com sua força incontrolável, só tem uma saída para o povo: correr, porque nessa hora de aflição, os políticos “somem” desaparecendo com todas as emenda$ para lugares seguros.

Enfim há uma lista infindável de projetos “mequetrefes e sanguessugas” do dinheiro público e que o povo sabe bem que é mutreta, onde as subprefeituras foram loteadas para os parlamentares agirem pelos seus interesses, e sem o aval do mesmo nada se consegue de obras que amenizem a destruição!

Para que “remendar” as coisas sendo que o remendo sai mais caro que uma obra nova e todo ano precisa ser remendado para usar a “emenda parlamentar”?

Uma Corte dos Beija-mãos pelos Favores Oferecidos à Toga e ao Fardamento numa Terra de Muitos Doutores do Reino

Tudo como dantes no quartel d'Abrantes!!!

A transferência da corte portuguesa para o Brasil de 1808 até 1821, graças ao corso, Napoleão Bonaparte, que colaborou com a emancipação da Colônia do Brasil pois seria elevado a Reino unido em 1815, pelo então ainda príncipe regente, D. João em nome de sua mãe, a rainha Dona Maria I.
O Brasil, desde então, foi escolhido para ser a nova sede da corte portuguesa.
D. João 6º distribuiu vários títulos de nobreza outorgando mais títulos no Brasil do que em todos os anos anteriores da história da monarquia portuguesa, tornando-os os agraciados subservientes ao Rei, verdadeiros beija-mãos pelos favores da Coroa. Assim ganhavam as benesses, comprometendo-se a:
Afirmar o caráter generoso e benevolente do rei,
recompensar os serviços prestados,
apaziguar descontentes,
fortalecer a hierarquia e
cooptava para o círculo real personagens influentes estabelecendo laços de dependência e fidelidade em relação ao sistema e à pessoa do monarca, e que em tese deveriam servir como seus sustentáculos políticos e econômicos.
Esses mecanismos foram continuados após a implantação do Império, após a partida do Rei e a posse de seu filho que manteve o continuísmo de favores para preservar a Coroa entre os Bourbons, de lá e de cá, mantenedores de reinos.
Esse corpo de nobres neófitos não tinha uma história de práticas da Corte, mas sua aproximação ao círculo da nobreza portuguesa que se mudou para o Brasil com o rei, permitiu que aprendessem valores da etiqueta aristocrática, um processo que se fortaleceu no Império, que viviam a mercê da vida cortesã dada pelas regalias oferecidas.
Cria-se deste modo um círculo cortesão nacional bastante disforme, com uma nobreza da toga de doutores sem teses, formados nas academias de Recife e São Paulo a partir de 1827 e uma nobreza de espada, conformadas na Guerra do Paraguai, tipos sociais distintos conviviam com seus próprios interesses, pois a formação através de um núcleo de ensino era mínima e precária.
O historiador e cientista político José Murilo de Carvalho nos dá a dimensão da aristocracia portuguesa, necessitada do emprego para garantir a sua sobrevivência. A dependência do Estado e de seu caráter quase parasitário, foi a tradição que se manteve no Brasil desde a vinda da corte até o fim do Império do Brasil.
Nos casos português e brasileiro, essa “nobreza” que ocupava o serviço público tinha que dividir espaço com a nobreza da toga, composta principalmente de legistas, quase todos recrutados entre as camadas não nobres, quase sempre de origem pequeno burguesa.
A nobreza de toga, exerceu um papel fundamental na política e na administração portuguesa e, posteriormente, brasileira, cuidando, neste último caso, da manutenção da ordem imperial repassada com estes os valores com a implantação da República, saída dos quartéis, tal qual a independência capenga do Brasil.
Os favores que outrora vinham da Corte, hoje vem do Estado, uma espécie de direito adquirido, passado de pai para filho, tanto das forças de proteção dos antigos Dragões da Independência, usando a metáfora dizendo que permanecem ainda em seus postos originais, quanto dos tribunais mantenedores da ordem instituída por um modelo de submissão ao direito adquirido desta aristocracia que se mantém há muito, tanto outrora quanto agora, pela interferência excessiva da toga na vida cotidiana do Brasil!

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

A Cidade de Itanhaém/SP e Seu Patrimônio “Tombando”!

De quem é a competência a preservação do patrimônio histórico?

Nestes últimos 10 dias passados desloquei-me para Itanhaém, uma cidade paulista histórica, que deveria estar conservada para atrair turistas, não somente nas praias, mas para recolher informações preciosas dessa base de apoio do Achamento do Brasil.

A coisa parece que não é bem assim, ninguém se interessa por história, só os malucos como este missivista, e se quiser saber algo não recorra a ninguém da cidade, os jovens que são colocados nessas repartições pouco sabem da história local, e quando você fala algo teoricamente fora do comum, para eles, soa em seus ouvidos, um modelo de história apresentada que eles nunca ouviram falar, infelizmente.

O Convento Nossa Sra. Conceição Itanhaém, que possui um acervo barroco relativamente de interesse está fechado, penso quase meia dúzia de anos, corre o risco de “tombamento” na acepção da palavra, colocaram tapumes para evitar o acesso ao local.

A Igreja Matriz de Sant’ Anna causa dó em ver o assoalho carcomido pelo tempo e cupins, com uma santa em oração a implorar por ajuda. Perguntei ao cicerone o que estava sendo providenciado pelos órgãos competentes de recuperação do patrimônio histórico, ele deu uma risadinha, como a dizer: não tem nada sendo providenciado! A sua frente há um Anchieta meio desconsolado, como a fugir desse descaso.

Na praça Benedito Calixto, tem uma herma de Martim Afonso de Sousa, que conheço há muito. Estática, parada no tempo, como a olhar o horizonte e não enxergar nenhum. Parece aqueles guardiões locais como sentinelas londrinas de plantão que parece que pouco tem de valor em proteger, para se manter ali de prontidão eterna.

Enfim decepciona-se quem vive a respirar história, o museu apresenta obras de bom estilo, mas de artistas contemporâneos. 

Não buscamos a informação para reconhecimento por um valor monetário, pois dela não recebemos nada, mas pelo prazer em ter conhecimento histórico.

Nossa história não interessa aos políticos, porque eles não a conhecem e porque eles não acham que é investimento, mas sim custo, então trancam tudo, esconde a história da cidade!

Fotos do descaso:










PRECISAMOS SALVAR A AMAZÔNIA URGENTEMENTE!

....só a Amazônia!!!

Recebemos um auto de infração por parte da Secretaria de Obras do Município de Itanhaém, Estado de São Paulo, com a "Descrição da Infração":
TERRENO SEM A DEVIDA LIMPEZA, SEM ROÇADA.
Fomos à cidade para resolver a “nossa irregularidade” em um terreno todo murado, inclusive sem acesso por portão. A penalidade foi estipulada no valor de 100 (cem) Unidades Fiscais, hoje algo estipulado aproximadamente a $ 4,50 reais/cada unidade.
Começamos essa devida limpeza na base de facão e enxadão...e eis que grande surpresa nos aguardava: Os mesmos que nos denunciaram, eram os mesmos que usaram á área como depósito de lixo dos mais diversos, fora os entulhos de várias reformas e de um telhado inteiro que foram lançados ao bel prazer, não tiveram despesas com caçambas.
O lixo não vou descrevê-lo, pois pensem em tudo que se possa lançar como restos da sujeira humana, neste local estava presente, mas uma específica merece ser citada:
* Carniça de um bicho qualquer que nós limpamos!
Um detalhe simples: EXISTE UM ECOPONTO HÁ MENOS DE 1 QUILOMETRO DO LOCAL ONDE ESTAVA TODA ESSA SUJEIRA E PARA ONDE DESTINAMOS TODA ESSA PORCARIA!
Gente o meio ambiente da Amazônia necessita de sua ajuda...São Paulo não...
"UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS"...VEJAM AS FOTOS:






















Golpe em Alunos na USP é Coisa Antiga: Uma viagem complicada de ônibus pela América Latina em 2006

Uma Viagem de Incertezas 

Esse “bote no pote do dinheiro” por alguém acontecido nestes dias na Universidade de São Paulo, retornou-me ao ocorrido em 2006, quando dois alunos da USP, (que nada tem a ver com o caso) José Werley Torres e Cláudia Santos, namorados à época, promoveram uma viagem por toda a América Latina, para participar de Fórum Social Mundial.
O Sr Werley, fechou contrato com a empresa de ônibus da Arca Turismo da seguinte maneira: pegou um Mapa Mundi, uma régua e um lápis, traçou linhas em escala de São Paulo até Caracas, na Venezuela, passando por países da América Latina, contratando a empresa de ônibus Arca Turismo para uma viagem de ida e volta de 12 mil km.
O fretamento da Arca Turismo foi feito para sair da USP, da Praça do Relógio, até Caracas para o Fórum Social Mundial e depois retornarem ao Brasil. A empresa cumpriu todos os requisitos do contratante, ou melhor, tratante Werley, que planificou a viagem numa escala em linha reta em um mapa da América do Sul, sem acrescentar o relevo do Andes, com montanhas por vezes de mais de 5 mil metros de altitude, chegando ao resultado já citado de 12 mil Km.
A aventura do grupo ficou conhecida e divulgada pelos jornais na época, pela irresponsabilidade do responsável pelo planejamento da viagem, o estudante de filosofia José Werley Torres, que exigiu da empresa que o ônibus cruzasse Bolívia, Peru, Equador e Colômbia antes de chegar à Venezuela. Ele acreditava que fazendo esse trajeto o grupo chegaria a Caracas cinco dias de partida de São Paulo, mas chegamos dez dias depois do embarque.
O grupo participou das atividades do Fórum, embora, tivéssemos chegados com atraso para o início do evento, cada um interessando-se por seu campo de conhecimento, Tinha aproximadamente 40 pessoas, de várias localidades: de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo, mas a maioria era de São Paulo, inclusive este missivista.
Depois de finalizado o evento houve uma reunião com o mentor da excursão, Werley, onde todos queriam saber como iria ser feito o retorno, porque a empresa fretada Arca Turismo, na pessoa de seu Miguel Serrano queria receber o restante para a volta, pois só tinham sido contratados para uma viagem de 12 mil quilômetros e só de ida tinham percorrido mais de 10 mil.

O comportamento desse rapaz era digno de pena, não se misturava com os demais, não participava de nada que o grupo fazia, um ou outro o conhecia, mas a maioria não. Foi feito o depósito via bancária e nos encontramos no dia da viagem. As referências dele eram boas até aquele episódio. Ele se apoderou de parte do montante financeiro, pois isso foi jogado na cara dele em Caracas, para ele usar o que ele se apoderou, pois ficamos sabendo quanto ele tinha pago pelo fretamento e quanto ele tinha arrecadado das 40 pessoas que foram na viagem. A ocasião fez o ladrão! Quem mais nos ajudou foi uma freira que era do grupo e só ficamos sabendo de sua posição religiosa, quando em Quito, Equador, ela providenciou nosso alojamento num convento senão íamos dormir no ônibus, pois nesse país as coisas já estavam azedando. Ela foi a porta voz do grupo com mais alguns, entre membros da embaixada e o grupo.

Esse escroque Werley queria ratear a volta e cobrar por isso, claro que a revolta foi geral, pois o contrato da viagem não rezava um pagamento extra. Já era noite, todos estavam exaustos e ficou decidido que o Werley iria resolver. Ele “resolveu” e fugiu com sua noiva, de Caracas e ficamos com o prejuízo. Ficamos alojados em um hipódromo, em beliches fornecidos pelo exército e a comida foi fornecida por entidades locais.
Por causa do desgaste dos passageiros com a estafante viagem de ida e o fim do dinheiro da maioria, uma operação foi montada pela embaixada brasileira para repatriar o grupo. Apesar de se tratar de uma aeronave de carga, o Hércules C-130 enviado pela Força Aérea Brasileira, foi preparado com assentos improvisados para repatriar-nos por um grupo de oficiais do maior gabarito profissional e muito prestativo, depois de uns 10 dias de negociações entre embaixadas, onde o Brasil foi representado pelo diplomata João Carlos de Souza Gomes.
Depois desses dias à espera da resposta do governo brasileiro ao pedido de repatriação, o ônibus Arca Turismo com seus 3 motoristas, aliás bem prestativos, iniciaram a viagem de volta, conduzindo um ônibus vazio entrando pelo norte do Brasil via Manaus cortando todo o território até São Paulo e a Arca arcando com um grande prejuízo. Abaixo fotos de alguns momentos na América Latina: