segunda-feira, 4 de abril de 2016

Alberto Kuhlmann: Concessão de Terras para lavoura em 1891 em São Paulo

O legislador Kuhlmann e seu interesse na expansão ferroviária

Um modelo de concessão de terras ao longo das vias ferroviárias no inicio da República do Brasil apresentada na Camara dos Deputados do Estado de São Paulo em 1891 para deliberação do avivamento de produção agrícola dando oportunidade aos colonos de adquirirem terras para as condições primordiais de assentamento sendo obrigados a regras de como deveria ser o assentamento e as obrigações sujeitas ao colono para manter seus direitos à terra e quitação da propriedade. (documento com traslado conforme grafia de época)


73ª sessão ordinária em 6 de novembro

Presidência do Sr Miranda de Azevedo

O sr. Alberto Kuhlmann envia a mesa o seguinte

A comissão de agricultura, attendendo a que se faz mister activar e desenvolver a pequena lavoura do Estado, ligando o colono ao solo e tornal-o productivo;
Attendendo a que o meio mais efficaz de chegar-se a esse resultado é aproveitar ads terras situadas nas proximidades das ferro-vias;
Attendendo a que a lei nº 101, de 8 de abril de 1889, nem ao menos como ensaio foi posta em pratica:
Vem offerecer á Camara dos Deputados o seguinte projecto de lei:
O Congresso Legislativo do Estado de S. Paulo decreta:
Art. 1º Fica o presidente do Estado auctorizado a estabelecer nucleos coloniaes nas immediações de todas as estações das estradas de ferro do Estado.

·    1º O centro do nucleo não ficará em distancia superior a cinco kilometros da estação, medidos em linha recta.

·    2º Será o nucleo dividido em lotes, cuja área no mínimo terá dez hectares.

·  3º Nas estações onde não houver terrenos pertencentes ao Estado, para estabelecer os nucleos, serão comprados ou desapropriados os que não estiverem applicados á cultura ou industria e não sejam de extensão menor de cem hectares.

·     4º Os nucleos constarão de dez até 50 lotes

Art. 2º O governo mandará medir e demarcar os lotes e fazer os arruamentos necessários, remettendo á Camara Municipal respectiva copia da planta contendo o calculo da áreas.

Art. 3º Ás Camaras Municipaes compete distribuir os lotes, nas seguintes condições:

1º) aos colonos que provarem haver trabalhado em estabelecimentos agrícolas por mais de um anno, preferindo os que tiverem família;
2º) dará um titulo provisorio ao colono, contendo as condições da concessão, que são as seguintes:
a)      o colono dentro de seis mezes deve estabelecer-se no lote com uma casa provisória e ter roteado, um hectare de terra;
b)      o colono obrigado a, dentro de um anno, ter cercado todo o lote, cabendo aos vizinhos metade deste onus a cada um;
c)      o colono é obrigado a conservar até á linha do eixo as estradas que limitarem o seu lote;
d)      decorridos dois annos, o colono, com guia da Camara Municipal, pagará, na collectoria estadual do logar, a quantia de 50$000, e assim pagará dez prestações annuaes, resgistrando na Camara Municipal cada pagamento;
e)      paga a ultima prestação, a Camara Municipal dará uma guia ao colono pra o presidente do Estado, á vista desta, mandar passar o titulo definitivo;
f)       o colono poderá antecipar os pagamentos, com desconto de 5% ao anno;
g)      o colono que for não pontual no pagamento pagará mais pela mora o juro de 6% ao anno, caducando a concessão si chegar a accumular duas annuidades;
h)      o colono emquanto não tiver o titulo definitivo estará isento de qualquer imposto estadual ou municipal, salvo os sobre industria que exerça, que não a agricola;
i)        o colono que não cumprir as condições a e b perderá o direito o lote e ás bemfeitorias que houver feito, salvo caso de força maior reconhecida pela Camara Municipal que, neste caso, poderá prorrogar os prazos. N a falta do cumprimento da condição c, a Camara compellirá o colono por meio de multas de 5$000 a 20$000, fazendo afinal o serviço á custa deste.
Art. 4º Para a execução da presente lei serão applicadas as disposições orçamentárias relativas á lei nº 101, de 8 de abril de 1889.
Art. 5º Revogam-se s disposições em contrario.
S.R. Sala das sessões, 6 de novembro de 1891.
Alberto Kuhlmann, Paulino de Lima, Fabio Uchoa.

É lido, julgado objecto de deliberação e vae imprimir.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Algacyr da Rocha Ferreira: Santo Amaro, Sua Arte Viva e os Vitrais Conrado Sorgenicht

A arte imita a vida ou a vida imita a arte?

O artista Algacyr da Rocha Ferreira nasceu em São Paulo em 03 de junho de 1937,  sendo seus pais Carlos Maria da Rocha Ferreira e Irany Cuoco da Rocha Ferreira, completando a família seu irmão Antonio Carlos da Rocha Ferreira.


Teve seu caminho artístico inicialmente direcionada pelo seu tio, o mestre laureado Joaquim da Rocha Ferreira[5] que detinha a técnica de mosaicos e pintura em mural afresco. Sempre atento nas novas tendências frequentou a Escola de Belas Artes de São Paulo  e ainda na Fundação Álvares Penteado  estudou a técnica da arte litográfica com Marcelo Grassmann[1] e Darel de Valença Lins[2].


Atuou com ilustrador do Diário de São Paulo e capas de revistas. Fez sua primeira exposição individual na inauguração da Galeria CBI, no Estado do Rio de Janeiro.


Teve o prazer de participar da pioneira e maior empresa de Vitrais do Brasil, a Casa Conrado fundada pelo artista alemão Conrado Sorgenicht[3] onde adquiriu experiência em painéis esmaltados, vitrificados, gravação por jato em areia e espelhos.

Com essa gama de experiência dos “Vitrais Conrado Sorgenicht”[4] que possuía escritório na Rua Bela Cintra, 67 e a parte de produção na Rua Clodomiro Amazonas, no Itaim Bibi, tendo participação do mosaicista seu tio Joaquim da Rocha Ferreira[5], Algacyr aprimorou-se em painéis esmaltados e aprofundou-se da Arte de Vitrais Sacro tornando-se eximiu restaurador sobre orientação da família Conrado, onde era requisitado para reposição de peças em igrejas, edifícios e bancos.

Conrado Adalberto Sorgenicht (1902-1994), neto do fundador é único dos três Conrados nascido em São Paulo. Já como Sociedade Civil Técnico Decorativa Conrado Sorgenicht Filho Ltda assume como sócia a administração da empresa sua esposa Carolina de Revoredo Sorgenicht. Aparece então a nova sociedade assinada por Conrado Adalberto Sorgenicht que também assinava Conrado Sorgenicht Filho sendo feita admissão da sócia Carolina de Revoredo Sorgenicht e Ivan Fleury Meireles.


Algacyr da Rocha Ferreira figura ainda como Sócio Fundador da Academia Paulista de Belas Artes. Em 1980, já conhecido da arte compõe a Comissão Organizadora do 1º Salão da Academia Paulista de Belas Artes. Em 1987 assumi como presidente do júri do 50º Salão Paulista de Belas Artes. Em 1997 integrou a Comissão Organizadora do 41º Salão Paulista de Belas Artes. 

Foi largamente laureado em obras que apresentou em exposições e que hoje fazem parte de coleções particulares e acervos de galerias.

Junto com vários outros artistas santamarenses fundou a Associação dos Artistas de Santo Amaro, AASA, tendo participação efetiva juntamente com Iracema de Almeida, Marli Cuoco, Eline Martiniano de Carvalho, somado a outros tantos e tendo um impulso de mérito destes artistas na gestão de Carlotta Clara Bauchmann.

Teve em todo esse cabedal a felicidade de trabalhar com Julio Guerra[6], grande artista que detinha a arte do afresco, com mosaico em alto relevo, possuindo grandes obras de vulto de grande representatividade artística, sendo Algacyr um restaurador que já compôs monumentos do referido artista.


Ainda em plena atividade artística o “professor” Algacyr leciona em seu ateliê, localizado em Santo Amaro, à Rua Elias Zarzur, 195, onde transmite a arte em bico de pena, afresco, vitrais, pastel e mosaico.
 

Essa sensibilidade artística é repartida ainda com sua esposa Miriam da Rocha Ferreira e as filhas Monica, Paula, Marina e Gabriela de onde tirou a inspiração para constituir a PMG Studio, sua empresa, onde está em franca atividade artística , sendo seu mote principal a região de Santo Amaro, que tem como inspiração.




“SANTO AMARO EM BICO DE PENA”: ALAMEDA DAS SAUDADES


(Denominação dada pelo próprio artista ALGACYR DA ROCHA FERREIRA)









Referências:

Depoimento feito em 10 DE AGOSTO DE 2015 no ateliê do artista Algacyr da Rocha Ferreira

Outras referências fixadas nas notas de rodapé

Crônica sujeita a alterações para aproximar-se da historiografia local com depoimentos de santamrenses.











[1] Marcelo Grassmann (São Simão, 1925 - São Paulo, 2013). Gravador, desenhista, ilustrador, professor. Estuda fundição, mecânica e entalhe em madeira na Escola Profissional Masculina do Brás, em São Paulo, entre 1939 e 1942. Passa a realizar xilogravuras a partir de 1943. Atua como ilustrador do Suplemento Literário do Diário de São Paulo, entre 1947 e 1948, e do jornal O Estado de S. Paulo, em 1948. Reside no Rio de Janeiro a partir de 1949, atuando como ilustrador do Jornal do Estado da Guanabara. Freqüenta, no Liceu de Artes e Ofícios, os cursos de gravura em metal, com Henrique Oswald (1918 - 1965), e de litografia, com Poty (1924 - 1998). Em 1951, recebe prêmio aquisição da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon. Em 1952, reside em Salvador, onde trabalha com Mario Cravo Júnior (1923). Participou de diversas edições da Bienal de Veneza e de São Paulo. Recebe, em 1953, o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM, e viaja para Viena, onde estuda na Academia de Artes Aplicadas.. Passa a dedicar-se principalmente ao desenho, à litografia e à gravura em metal. Em 1969, sua obra completa é adquirida pelo governo do Estado de São Paulo, passando a integrar o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Em 1978, a casa em que nasceu, em São Simão, é transformada em museu, por iniciativa da Secretaria de Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo, e tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo - Condephaat no mesmo ano. Entre 1991 e 1992, Grassmann é bolsista da Fundação Vitae, em São Paulo.

[2] Darel Valença Lins (Palmares PE 1924). Gravador, pintor, desenhista, ilustrador, professor. Estuda na Escola de Belas Artes do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, entre 1941 e 1942, e atua como desenhista técnico. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1946. Estuda gravura em metal com Henrique Oswald (1918 - 1965) no Liceu de Artes e Ofícios, em 1948. Dois anos depois, entra em contato com Oswaldo Goeldi (1895 - 1961). Atua como ilustrador em diversos periódicos, como a revista Manchete e os jornais Última Hora e Diário de Notícias. Entre 1953 e 1966, encarrega-se das publicações da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil. Com o prêmio de viagem ao exterior, recebido no Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM do Rio de Janeiro, em 1957, viaja para a Itália, onde permanece até 1960. Ilustra diversos livros, como Memórias de um Sargento de Milícias, 1957, de Manuel Antônio de Almeida (1831 - 1861); Poranduba Amazonense, 1961, de Barbosa Rodrigues (1842 - 1909); São Bernardo, 1992, de Graciliano Ramos (1892 - 1953); e A Polaquinha, 2002, de Dalton Trevisan (1925). Leciona gravura em metal no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp, em 1951; litografia na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, no Rio de Janeiro, entre 1955 e 1957; e na Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, em São Paulo, de 1961 a 1964. Entre 1968 e 1969, realiza painéis como os do Palácio dos Arcos, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília.

[3]Em1874 chega a São Paulo o artesão Conrado Sorgenicht (1835-1901), vindo de Essen, região ao norte da Alemanha, local de imensas catedrais góticas, onde a guerra franco-prussiana assolara parte da Europa, aceitando a imigração em curso no Brasil, aportou com a família em Cananéia, litoral de São Paulo. Busca trabalho na capital paulista e começa uma pequena oficina onde oferece serviços de pintura de ornamentos, imitações de madeira, faixas decorativas, tapeçaria e vidros planos para vidraças. Foi surpreendido pela intensidade do sol tropical, que tornavam as cores do vidro ainda mais intenso daquela conhecida da Europa. São Paulo cresce, e o ateliê vê novos perspectivas de trabalho. Assim em 1889 fundou a “Casa Conrado”, que desenvolveu a atividade do vitral, pioneirismo no Brasil, criando ao longo do tempo mais de 600 obras espalhadas pelo país. Originária do Oriente no século 10, essa técnica ganharia espaço nos principais prédios públicos, igrejas e mansões paulistanas. A família cresceu e seguiram-se três gerações de “vitralistas”, três Conrado Sorgenicht, pai, filho e neto.
Há dois momentos distintos da elaboração dos vitrais mais significativos. O primeiro período decorre de 1920 a 1935 quando o ateliê tem a direção Conrado Sorgenicht (filho). O segundo vai 1950 a 1965, época quando assume Conrado Adalberto Sorgenicht (neto).
Nas obras do arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo possuía a marca Conrado em seus vitrais, dando leveza e arte aos projetos.

[4] A empresa foi autora dos vitrais da Estação Sorocabana, Teatro Municipal, a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a Catedral da Sé e mais 300 igrejas brasileiras. A confecção dos vitrais do Mercado Municipal demandou a Conrado cinco anos de trabalho árduo iniciados no final da década de 1920. O ponto alto da decoração eram os 55 vitrais em estilo gótico, executados com vidros coloridos vindos da Alemanha, retratando cenas do campo. As peças eram de autoria de Conrado Sorgenicht Filho. No final dos anos 80, Conrado Sorgenicht Neto se encarregou da restauração dos vitrais que seu pai havia criado sessenta anos antes.


[5] Joaquim Ferreira da Rocha (1900: São Paulo, SP – 1965: Idem). Pintor, mosaicista e professor. Iniciou seus estudos artísticos no Liceu de Artes e Ofícios, em São Paulo.
Transferiu-se para Escola Nacional de Belas Artes, onde foi aluno de Lucílio de Albuquerque, no Rio de Janeiro. Viajou para Europa com Julio Guerra, sendo
agraciado com prêmio em arte na Itália, onde se encantou com os mosaicos bizantinos de Ravena, observando a técnica de grandes artistas na Península. Joaquim da Rocha Ferreira, em 1945, contraiu matrimônio com Bianca Maria da Rocha Ferreira na Itália. Participou, entre outras, das seguintes exposições coletivas:
1921, 24, 32 e 36 – Salão Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro (menção honrosa na edição de 1921, medalha de bronze na de 1924, medalha de prata na de 1932, prêmio de viagem ao exterior na de 1936).
1948, 53, 54, 58, 60, 62 e 64 – Salão Paulista de Belas Artes, Galeria Prestes Maia, São Paulo (pequena medalha na edição de 1948 e prêmio viagem ao exterior na de 1962). Foi lembrado, postumamente, na seguinte exposição:
1965 – Salão Paulista de Belas Artes, São Paulo, medalha de honra.

Fontes
LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. p. 448, Artlivre, Rio de Janeiro, 1988.


[6] Júlio Guerra (1912- 2001: Santo Amaro/SP). Escultor e pintor
Iniciou seus estudos na Escola de Belas Artes de São Paulo, em 1930, onde foi aluno de Amadeu Zani. Receberia influência de renomados escultores, como Vitor Brecheret, auxiliando-o na escultura Duque de Caxias de 1942 a 1946, além de Bruno Giorgi e Ernesto de Fiori, mas não aderiu inteiramente aos postulados estéticos dessa corrente, buscando outras alternativas de formas. Em 1938 recebeu do governo paulista um prêmio de viagem ao exterior, o que lhe permitiu ir a Itália e difundir a arte na América do Sul. Em 1946 conquistou a medalha de ouro no Salão Paulista de Belas Artes. Nas décadas de 1950 e 1960 participou de várias edições do Salão Paulista de Arte Moderna, nas quais recebeu diversas premiações, e da Bienal Internacional e São Paulo. Produziu esculturas que ocupam espaços públicos na capital paulista, como do bandeirante Borba Gato, na Avenida Santo Amaro; o mural do Teatro Paulo Eiró, na Avenida Adolfo Pinheiro; e a estátua Mãe Preta, no largo do Paissandu, o Monumento aos Romeiros de Santo Amaro, na Praça Dr. Francisco Ferreira Lopes, na Avenida João Dias. Obras de sua autoria integram os acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Museu de Arte Contemporânea, em Figueira da Foz, em Portugal. Principais exposições coletivas: 1941-46 – Diversas edições do Salão Paulista de Belas Artes, São Paulo, SP – pequena medalha de ouro (1946). 1951-66 – Diversas edições do Salão Paulista de Arte Moderna, São Paulo, SP – grande medalha de ouro e prêmio viagem ao país (1956). 1951-61 - 1ª, 2ª, 3ª, 5ª e 6ª edições da Bienal Internacional de São Paulo, São Paulo, SP.
Fontes
CAVALCANTI, Carlos. Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos. Brasília: MEC/INL, 1974.
MATTOS, Paula de Vincenzo Fidelis Belfort. Júlio Guerra e o Modernismo. Integração. Ano X, n. 38, 2004.

sábado, 26 de março de 2016

A Justiça, a Lei Romana e o Poder: Disputa entre Pôncio Pilatos e Herodes

Uma história constante: As nuances do poder instituído e as forças para mantê-lo
Pôncio Pilatos serviu nas legiões de Germânico em guerra contra as tribos germânicas. Após a campanha promoveu-se e conseguiu o cargo vago de “Procurador da Judeia”. Seu maior interesse em ser deslocado para essa região era estar próximo das riquezas deslocadas para a tesouraria do Templo de Jerusalém. Possui origem hispânica, conseguindo assumir uma posição social de relevância graças ao casamento com Claudia, filha de Juliana, mulher de Tibério, em seu terceiro casamento, que sendo exilada deu a luz à filha que com 13 anos foi enviada a “educar-se” por Tibério que a tomou com tutor, mas que não lhe acrescentava paternidade, sendo bastarda e não tendo pai legítimo.
Tibério por sua vez querendo dar garantias de segurança romana promoveu o casamento de Pilatos com Claudia no Templo de Diana garantindo assim a promoção de Procurador da Judeia.
Na outra ponta do poder estava Herodes Antípatro, adversário de Pôncio Pilatos, um governante tetrarca que ser amigo de Cesar Tibério, mas que na realidade se ligava a Sejano, Ministro Imperial, a quem mandava regularmente ricos presentes de tempos em tempos, e não mantinha relações com Pilatos, pois divergiam da condição de poder, quem mandava mais. Pilatos mantinha relações de concubinato constante sendo que já havia mandado matar dois filhos de Mirian e seu filho herdeiro foi assassinado. Estes fatos sangrentos fizeram com que o Imperador Augusto exclamasse: “Queria ser um leitão a ser filho de Herodes”!
Herodes por sua vez mantinha as aparências sociais, vivendo nas cercanias dos “gentios” e seguindo os preceitos judaicos, frequentava o Templo seguindo os fariseus na interpretação da Lei. 
Para ganhar as glórias do poder político mandou erigir o “Templo de Augusto”, em mármore branco em honra ao imperador falecido. Era essa a ambiguidade do tetrarca da Galiléia e Peréia no conceito religioso “amando” dois senhores, dando ofertas a Deus e ao Imperador, além de manter em concubinato com Herodias, mãe de Salomé, na Corte.
Este quadro de intrigas com dois mandatários era a efervescência daquela área geográfica do Oriente Médio. Pilatos como procurador romano tinha plenos poderes do cargo assumido proclamando a sentença cabível de sua posição pronunciando o veredicto que lhe convinha.
Abolitio:
Emanava do poder soberano do Imperador, e, quando o poder de Roma era instalados nos países conquistados os procônsules tinham direitos mais vastos, fazendo às vezes do Imperador como “Abolitio Privata” ou “Indugentia” para os súditos do Império. Poderia assumir os “Direitos Soberanos” e não se influenciar por escribas e cúpulas sacerdotais ou influencias das multidões. O magistrado assumia por completo a responsabilidade de seus atos embasados nas leis jurídicas de então.
Existia uma guarda que se aquartelava e eram guerreiros experimentados em batalhas do Império Romano. Não foi essa estrutura militar que aprisionou Jesus. Foi outra que assumia guardar o Templo e que era comandada por ordens do Sumo Sacerdote. Depois disso foi entregue a julgamento ao Procurador da Judéia, Pilatos que por sua vez enviou ao Tetrarca, Herodes. Não é culpa de uma geração, mas de uma atitude única de um todo. Neste momento histórico há uma cumplicidade de poder sendo então o prisioneiro Jesus entregue ao “cárcere” para ser flagelado:
Os soldados “em busca de atividade” trataram Jesus como um “Rei de Comédia”, costume originário do povo persa, chamada também de “Festa dos Saces ou Saceus”, onde se toma um prisioneiro condenado e o fazem sentar sobre um trono, vestem-no com a pompa real revestindo-o com uma túnica de sacrifício, fazendo os gostos de comer e beber o que lhe apraz antes de despojá-lo, flagelá-lo e enforcá-lo (ou crucificá-lo) como condenado à morte.
Deram-lhe ainda o coroamento da injustiça perfurando-lhe o semblante com espinhos (botânica: Ziziphus Spina Christis) e um cetro de autoridade momentânea (cetro da iniquidade humana)!
Assim começa a história da salvação humana numa visão cristã!!!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Não há Santo nessa História...do Poder!

O DINHEIRO ESTARÁ SEMPRE NO CORAÇÃO DO PODER!
Nesse imbróglio em que se meteram os atuais governantes do Brasil, que não haverá volta e “nada do tudo que disserem” doravante será considerada coisa séria, pois a podridão é imensurável e não se salva ninguém de partido nenhum, que mais parece até jogo de copa do mundo em que o Brasil perdeu de muito, e vem umas “caras lavadas” darem explicações do desastre e depois de muito blá, blá, blá, continuam em seus “pedestais” para enriquecerem suas vidas com muito dinheiro na algibeira, pouco se importando do que pensam deles nesse jogo de interesses! Viverão abastados em paraísos terrenos e... bye, bye Brasil!
Parlamentam e parlamentam na mídia explicando o inexplicável como se todos os brasileiros fossem um bando de imbecis necessitando constantemente de paternalismo. Todos eles que demandam e desmandam nas estruturas de poder são responsáveis pela situação, não há exceção, não existe nenhum de conduta ilibada, há sim corruptos e corruptores e quando se prende um e não o outro é pacto de uma rede de “gangsteres” que obstruem a legalidade. Aparecerem em rede nacional para argumentarem sobre a situação atual sem convencer, pois “quem muito se explica, muito deve”, sendo este um dizer muito antigo, quando o caráter estava acima dos interesses subjetivos.
Por que quem possui cargo político, eletivo ou não, está isento de ser inquirido, onde a Constituição Nacional proclama que “são todos iguais perante a lei”, e assim sendo, não deveria haver imunidade para ninguém no Estado de direito, republicano e democrático?

Deve haver autonomia dos aplicadores da lei que não deveriam ser escolhidos por um dirigente passageiro do poder, mas por um colegiado não de políticos, mas de juízes pelo interesse da Nação, sempre no princípio de imparcialidade, aplicando o preceito da justiça e a Lei para todo cidadão sem distinção de posição social.

“Brigam-se as comadres, descobrem-se as verdades” e não há santo nessa história e se há, será canonizado em breve!

Escroques formadores de quadrilha “são o que são”!!!

quarta-feira, 9 de março de 2016

Pessoas invisíveis para o poder e os Jogos Olímpicos

 A redefinição do espaço


1)      Urbanizar: urb conjunto de técnicas e de obras que permitem dotar uma cidade ou área de cidade de condições de infraestrutura, planejamento, organização administrativa e embelezamento conformes aos princípios do urbanismo.

2)      Cidade é todo aglomerado urbano envolvendo características sociais, econômicas e culturais em um mesmo ambiente. É um local de tomada de decisões, a cidade é poder. É da cidade que vão sair às ordens que influenciarão todo o território municipal.

Na teoria pode-se entender que o enobrecimento de um local sempre será relacionado como a expansão de um núcleo central que se movimenta para as áreas que antes possuíam pouco ou nenhum valor econômico, mas que devido ao “espaço vital” do crescimento da cidade, necessita-se agora destas áreas antes desvalorizadas.

O poder econômico e político andam de braços dados para requererem estes espaços em detrimento do impacto social, no discurso constante que a higienização da cidade com destruições de moradias construídas anteriormente por pessoas à margem do núcleo de cidade, portanto este indivíduo (de luta individual) que pouca relação tem com o espaço urbanizado, agora tem que ceder seu espaço onde viveram muitos das gerações dos seus familiares.

A redefinição do espaço provoca uma mudança brusca na cidade destes antigos moradores que estão mais a margem desta sociedade “enobrecida”[1] tendo que se deslocar pra muito mais longe, saindo deste local que lhe pertencia (nem tanto) e que agora se tornará urbano, deslocando-se para outro local suburbano, mas que um dia terá as mesmas conseqüências dessa marcha incessante da cidade e também deverá abandonar este local em nome do progresso desenfreado.
   
Há sem sombra de dúvidas um poder oculto que manipula os interesses de desenvolvimento de grandes cidades que não sabem resolver a situação dos grandes aglomerados sem recursos para alterar a física da engenharia civil local e buscam arquitetar um plano novo, buscando estudos para alterar o local através da arquitetura e nesses planos está o fator do impacto da destruição do que era para o que deve vir a ser.

Para se impor essa condição deve-se unir quem detém o poder local e o investimento daquele que se propõe aplicar recursos (geralmente capital de investimento estrangeiro) para usufruir de algum modo do lucro que advenha, no futuro, da administração destes locais. Neste ponto crucial de transformação “estupradora” destes locais estão os jogos entre nações, como copas do mundo e Olimpíadas e que alardeiam serem obras necessárias para a cidade e que o povo receberá disso o legado das infra-estruturas construídas, mesmo que para isso se concretizar provoque a “desconstrução” das vidas da população.

A ordem do poder do Estado é esconder sua incapacidade de gerar condições melhores de vida aos seus cidadãos, derrubando a miséria para ostentar uma riqueza maquiada!


Vide:
OBLITERAÇÃO, GENTRIFICAÇÃO e CONURBAÇÃO




[1] "GENTRIFICAÇÃO", uma nova fronteira de espaço urbano com mudanças que são implantadas por interesses econômicos que se deslocam em direção ao novo espaço de “crescimento” das cidades diretamente ligadas por fatores de interesses econômicos que atuam neste processo.
Há neste modelo “selvagem” uma “barbárie” através da varredura de habitações anteriores expulsando seus antigos proprietários que originaram as vilas, bairros, de pequena estrutura familiar, fimbria da sustentação do circulo e do “núcleo” (a cidade), que em movimento constante, anteriormente cercada pelo subúrbio de sustentação alimentar é seguida de outra periferia, satélite de mão de obra, o exército de reserva que se mantém a margem deste crescimento, onde não há, por parte do Estado, interesse em fomentar infraestrutura de desenvolvimento por condições mínimas de saneamento onde o poder “fabrica” a degradação para assumir no futuro, o controle do modelo pretendido pela expansão de crescimento da cidade, expulsando o “modelo anterior” por força da valorização imobiliária que reedifica o “novo modelo” pretendido nestes espaços com uma intervenção de força de controle do Estado embasado pelo poder econômico, vivendo em colóquio de interesses.

A feira livre, a aritmética e o português

Qual o futuro do Brasil?

Hoje fiz uma experiência na feira livre a qual frequento, pois acho as feiras um lugar de “encanto de encontros” de moradores, parentes, amigos, enfim uma gama muito grande de nuances que transbordam em conversas de bastidores e algumas fofocas. É também um belo campo de experiências do vender e comprar, das pechinchas e relações de compra e venda e como falavam os antigos do “haver e dever”. Descobri tristemente que aquele feirante antigo da barganha está sumindo, pois vejamos:

Na barraca de milho verde 6 espigas estavam sendo vendidas por $5,00 reais, logo por dedução “aritmética”  3 espigas deveriam sair por $2,00 reais e 50 centavos, ledo engano, o feirante respondeu que “desse jeito ele levaria prejuízo”! Nossa onde estava o prejuízo do feirante?  Ah, descobri, o prejuízo dele estava em eu não levar as 3 espigas!

Depois foi a vez do cálculo do vendedor de bananas, que as barracas antigamente eram tipicamente de japoneses, mas acho que estão abandonando o ramo. O vendedor gritava a todos os pulmões (no caso dois!!!) que a dúzia de bananas saia por $4,00 reais, logo por dedução cada 3 bananas saiam por 1,00 real, sugeri colocar 15 bananas e eu pagaria $5,00 reais para facilitar o troco, não houve acordo e levei apenas as 12 bananas por $4,00 reais, pois ele não aceitou o cálculo que fiz.

Na barraca de queijo o de meia cura, cortado pela metade saia $12 reais e 50 centavos, dei uma nota de $ 50,00 reais, a dona da barraca perguntou-me quanto que ela teria que me devolver de troco! Eu quem fiz o troco (justo) para "mim mesmo"! (essa colocação é do agente da ação)

Agora tem uma coisa espetacular: gritam sem cessar, aliás, de pouco entendimento mercantil, anunciando o preço baixo de algo que não pretendemos comprar nem de graça, pois já estão prestes a deteriorar.
No mercadinho ao lado da feira livre, pedi “um quarto” de mortadela fatiada, a moça com ar de espanto perguntou o que era “aquilo”, respondi ser ¼ de um “quilo”, logo duzentos e cinquenta gramas, ela retrucou com ar de vencedora do debate: “duzentas” e cinquenta (sem trema agora) gramas? Não retruquei afinal não iria discutir português também!

Falar em português, àquele comerciante que fazia de cabeça os cálculos e confirmava rapidamente com a caneta ao “pé da orelha”, sumiu de vez ou voltou para Portugal para ver sua “cachopa” (essa é da terrinha mesmo)!

Esta língua é deveras muito difícil, mas é a nossa língua oficial. Aprendi também que em textos de redação não se usam números, mas não perdi esse vício ainda.

Quem irá calcular o prejuízo do futuro do Brasil?



*Esta crônica mesmo real não tira o brilho dos feirantes que possuem a garra de trabalhar logo pela madrugada afora montando as barracas de sol a sol todos os dias, exceto na segunda feira o “seu domingo”. Não esmorecem em dias chuvosos ou mesmo de intenso frio, jamais desistem da jornada. Neste espaço da feira livre encontram-se pessoas que são marcantes pelo humor criativo e tem nas veias a perspicácia do saber comercial. 

terça-feira, 1 de março de 2016

Represa de Guarapiranga: Imagens da Construção da Barragem na Capela do Socorro/SP

"A FOTOGRAFIA COMO CONCEPÇÃO HISTÓRICA"

A história é constituída de fatos, e, por vezes ganha um “colaborador” importante para decifrar um enigma, que são as fotos. Estas relíquias por vezes ficam em alguma gaveta que por “acidente de percurso” são descobertas por acaso e pertenciam a um visionário, sujeito oculto, que as preservou como por encanto.




De repente estas imagens aparecem “do nada” na investigação “acidental” em busca de pistas da “ocorrência” chega-se ao veredito de ser um momento “presente no passado” que representou alguma relevância histórica.



A “teimosia aliada à paciência” forma este quebra cabeças que juntando as peças mostra-nos um resultado da grandeza de um determinado momento no tempo e espaço definido, que no caso é parte da História da Represa de Guarapiranga nos primórdios de sua construção em Santo Amaro, na Capela do Socorro, São Paulo.



Toda essa pesquisa não tem vínculo com nenhuma lei de incentivo a cultura, nem tem patrocínio de nenhuma empresa de âmbito governamental, ou fundação, ou autarquia. Somos livres para pesquisar e disponibilizar em nome da história, onde o único financiamento existente é nossa vontade de trabalhar em prol da historiografia e identidade local.



Esse nicho pertence a todos, que "porventura ou aventura" queiram usufruir destes momentos que de alguma forma faz parte deste pertencimento, responsáveis por cada instante que integrou nosso ser à realidade dos pioneiros que trabalharam arduamente para que o lugar tivesse a qualidade de bem estar atual da Capela do Socorro, região da antiga “Cidade” de Santo Amaro, na cidade de São Paulo.



O extremo sul de São Paulo foi atualmente “descoberto” pelas empreiteiras ávidas por “espaço vital” aonde irão “construir” sobre os escombros desta história! É questão de tempo em nome do “progresso”, algoz do passado!




Deste modo a fotografia marca seu tempo nas imagens capturadas e eternizadas!

Fontes: reivindicações indefinidas, em pesquisa.

A “Democracia Sindical", o Atual Governo do Brasil e o Controle do Novo Ministro da Justiça

Acabou-se a autonomia da Polícia Federal?

O partido e seus “conveniados” são mais fortes do que quem governa o Brasil, e isso é evidente nas decisões tomadas para salvar o partido de desaparecer da história por suas desastrosas atitudes e diretrizes que levou o país próximo ao abismo.

Cortam-se as cabeças daqueles que por alguma razão não fazem o que o partido quer e buscam fantoches nas fileiras partidárias para controlarem as rédeas dos interesses de seus lideres.

É a antiga “dança das cadeiras” em que até o ministério, que em tese teria que ter autonomia de ação, não possui esse critério elementar de uma democracia justa. O chefe do partido manda muito mais que a presidente e dita às reformas por estar ameaçado pela proximidade das investigações de suas ações que beneficiou a si próprio. Está evidente que o novo Ministro da Justiça já entra “amarrado” com o porta voz do governo, por ser ele quem o indicou para reger a orquestra da mentira.

Contem a partir de hoje, primeiro dia de “trabalho” do novo ministro, que ele trabalhará unicamente nos bastidores para enfraquecer as investigações do chefe Máximo do partido nacional dos trabalhadores, aliás, estes são os únicos que não usufruem desta onda de interesses pessoais e são iludidos a todo o momento, mas que infelizmente creditam a legitimidade da violência instituída contra o Brasil com desfalque do erário público.

Haverá ingerência sobre as ações da polícia federal, pois quem controla o orçamento e demanda todas as diretrizes e até nomeia o diretor geral, é o poder máximo da União; logo a de se pensar que haverá também novo diretor geral da polícia federal. Façam suas apostas com grande chance de acertarem, ou irão chamar o atual diretor para desviar a atenção para outro ponto que não seja o chefe do partido e desvirtuarem as operações encaminhadas até então.

O “partido e seu chefe Máximo” são muito mais importantes para as bases do que a presidência do país, que não governa pelos interesses do Brasil, mas pelo interesse do partido que é de fato e não de direito quem realmente controla esta pobre Nação. Temos uma “junta militante” que decide quem manda e quem não manda no país, e que levam todos à miséria instituída para se endeusarem como “salvadores da Pátria amada”, que não é tanto amada assim, mas é, a todo o momento, controlada pelos interesses do partido!

Quem governa o Brasil é o partido que é a extensão de um sindicato que usa a força bruta, e controla instituições populares para seu próprio interesse de se manter governando, onde a história demonstra ser o princípio da democracia livre para a vigiada pelo totalitarismo!

Os males do país estão enraizados em ideologias retrógradas do passado. Não é concebível novo golpe de tristes lembranças, mas urge estadistas verdadeiros para tirarem o Brasil deste marasmo eterno de “país do futuro” que nunca possui presente, para o bem da República e menos para os "bens" destes escroques!