sexta-feira, 15 de junho de 2018

Penhinha: Jardim São Luiz, São Paulo

História publicada em 19/01/2011 link:


Já em tempos passados, os bandeirantes que desbravaram o interior paulista buscavam a proteção em suas empreitadas, pedindo proteção e recorrendo em preces à "Nossa Senhora da Penha da cidade de São Paulo". Quando ocorriam calamidades públicas de epidemias e secas, era evocado seu nome e, deste modo, a Câmara Municipal outorgou à Capital o título de padroeira da cidade, assim, tornou-se parte da história de São Paulo.

Consta que os paulistanos faziam questão da presença da Senhora da Penha em sua cidade. Remonta a 1814 a primeira ida da imagem a Sé, em festa solene. Devido à tal devoção, a entrada do bairro Jardim São Luiz havia como marco principal uma pequena capela em homenagem à Nossa Senhora da Penha, carinhosamente denominada "Penhinha", que foi erguida em homenagem a santa, por mérito e graça das benesses conseguidas ao longo da trajetória vocacionada na fé.

Ao alto, a capela tinha uma escada frontal que dava acesso aos transeuntes e devotos, que lhe transmitiam o carinho e merecimento, rodeada por altos coqueiros. Havia, na capela, uma nave com um campanário com sinos em bronze, datados de 1904, apoiada por bases laterais e um eixo central que repicava a anunciar um feito importante. Ela era branca como a santidade do lugar e transmitia a segurança necessária ao viajante que pedia saúde e proteção.

Próxima à atual Avenida João Dias, era o entroncamento da estrada que levava ao Município de Itapecerica da Serra, por onde passava toda a boiada da fazenda Santa Gertrudes, (que atualmente será ladeada pelo Rodoanel) em direção ao famoso frigorífico Eder em Santo Amaro, ao lado na Santa Casa de Misericórdia.

A capela era parada obrigatória para boiadeiros devotos que, em suas montarias, atrelavam os animais próximos à Penhinha, onde também existiam armazéns de gêneros básicos, onde se adquiria arroz, feijão, banha, milho, e que faziam parte da vida cotidiana dos transeuntes, matutos caipiras interioranos, felizes, de fala mansa.

As festas em comemoração à santa faziam-se com participação popular dirigindo-se em júbilo para homenagear à "Santa Penhinha". A grandeza de toda comunidade circulante era demonstrada nas bandeirolas e enfeites, colorindo e embelezando tudo ao redor, cercado por mata fechada. A parada tornou-se também obrigatória aos alegres "botinas amarelas", romeiros que partiam de Santo Amaro em direção ao Bom Jesus de Pirapora.

Animais impecáveis, com arreios reluzentes, atrelados às charretes que conduziam famílias inteiras que faziam ali a parada, davam ao lugar um estilo interiorano próprio de Santo Amaro, orgulhoso de ser até um senhor mais velho do que a grande metrópole e que, até 1935, era município autônomo, antes da intervenção do Estado.

A Capelinha abrigava poucas pessoas em seu interior e muitos fatos de relevância eram desenvolvidos à sua volta como, por exemplo, a missa campal, literalmente no campo, em devoção a Deus, com interseção dos distintos Santos: a Nossa Senhora da Penha e o ilustre casamenteiro Santo Antônio, que recebia todo tipo de pedido de mocinhas à procura de seu príncipe encantado.

O local abrigou a empresa de terraplenagem EMPAVI, que, se deslocando para outro local, cedeu o espaço por sua vez, ao sistema poliaquático "The Waves", um conjunto de piscinas cobertas e que foi desativado. Hoje abriga o empreendimento do Supermercado Extra, do grupo Pão de Açúcar.

A famosa Capelinha de Nossa Senhora da Penha foi demolida em maio de 1973.

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