segunda-feira, 2 de julho de 2012

Escrivão da Vintena da Freguesia de Santo Amaro em 1740

Documento: Ordens Régias de 1740, nº 428.
Registro de uma provisão[1] do escrivão da vintena[2] da Freguesia de Santo Amaro

Os oficiais do Senado da Câmara desta cidade de São Paulo que presentemente servimos por eleição e bem das ordenações de sua majestade que Deus guarde. Fazemos saber aos que esta nossa provisão virem que tendo respeito ao que nos representou Francisco Luis de Faria, morador em Santo Amaro, que ele fora nomeado pelo juiz da vintena para ser o escrivão porque nele concorriam os requisitos necessários para exercer a dita ocupação; pedia-nos lhe fizéssemos mercê[3] mandar lhe passar provisão na forma do estilo, e atendendo o que alegou e a informação que dele deu o juiz da vintena e esperarmos dele servir a dita ocupação com interesse e satisfação. Havemos por bem fazer-lhe mercê como por esta lhe fazemos ao dito Francisco Luis de o provermos na serventia do oficio de escrivão do juiz de vintena daquele bairro de Santo Amaro até o fim de dezembro ou enquanto não nos mandar o contrário e com ele haverá os prós, e percalços que diretamente lhe pertencerem servindo debaixo do juramento que tomará nas mãos do juiz presidente e em tudo guardará o serviço de Sua Majestade, que Deus guarde, e os direitos das partes cumprissem e guardassem esta provisão inteiramente como nela se contem a qual lhe mandamos dar e passar por nós assinada e selada com selo real deste Senado.  São Paulo, vinte de janeiro de mil setecentos e quarenta, e, eu, Francisco Angelo Xavier de Aguirre, escrivão da Câmara, que o subescrevi.

Lugar do selo

Toledo, digo Diogo de Toledo Lara, Manoel José da Cunha, Lourenço de Siqueira Preto, Salvador Pires Montero. Provisão porque vossas mercês hão por bem fazer mercê a Francisco Luis de provê-lo no ofício de escrivão de juiz de vintena do bairro de Santo Amaro como nela se declara. Para vossas mercês verem e não se continha mais na dita provisão do que aqui está transladado que o fiz transladar bem e fielmente da própria a que me reporto. São Paulo, vinte e seis de janeiro de mil setecentos e quarenta, e, eu, Francisco Angelo Xavier de Aguirre, escrivão da Câmara, que o escrevi, assinei e conferi. Francisco Angelo Xavier de Aguirre. Conferido por mim. Aguirre.

Nota:
Documento com ortografia e pontuação atual e nomes próprios originais conforme apresentado.

Bibliografia:
Revista do Arquivo Municipal, 1943; fl. 92, 93

GUEDES, João Alfredo Libânio. História Administrativa do Brasil. Brasília: Ed. Universidade de Brasília/Fundação Centro de Formação do Serviço Público, 1983.



[1] Provisão: Carta pela qual o governo confere mercê, cargo, ou expede qualquer ordem ou providência. Ato de prover as necessidades locais, fornecer.

[2] Juiz de Vintena:Atividade de jurisdição do período colonial. O juiz de Vintena era escolhido por moradores, entre os “homens bons”, onde possuísse vinte fogos (casas) de moradores de uma cidade ou vila, com distância entre elas de uma légua, onde eram resolvidas pequenas causas de até 100 réis e sem direito a apelação.
[3] Mercê: Concessão de uma graça, benefício ou favor. Provimento num cargo público ou num título honorífico.
s. f.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Assim Nascem os Bairros em São Paulo: Deslocamento Desordenado das Massas

Vila Nova Conceição, antiga periferia de São Paulo


O movimento das cidades obriga o deslocamento (constante) de antigos moradores, que formaram o núcleo dos nascedouros de vários bairros periféricos de São Paulo, e que foram responsáveis pelo desenvolvimento local criando o primeiro contorno das relações sociais entre grupos étnicos diferentes, mas semelhantes nas necessidades.
Há todo um decretar dos gabinetes do poder do Estado, que determinam onde e quando se deve expandir determinada área física da cidade e “fabricar condições” que obriguem a "identidade enraizada" por longo tempo de “pertencimento” local a se deslocar de onde já existia certo vínculo de relação de comprometimento entre os seus habitantes originais, e que de certa maneira cooperavam entre si nas moradias, poços d’água, roçados, caminhos que originaram depois as ruas oficiais, e outras necessidades pertinentes, contornando deste modo as carências locais.
CHÁCARA NA RUA JACQUES FELIX NA VILA NOVA CONCEIÇÃO/SP
CHÁCARA "HOJE"

Este ciclo de deslocamento de grupos de um local a outro demanda(va) algumas décadas para serem considerados regularizados, fomentando "contratos de compra e venda" de sustentação cartorial de registro com uma estrutura criada por  “terreiristas” que não registravam estes loteamentos, dificultando as escrituras definitivas. Por outro lado isto fornecia um cenário que fortalecia o interesse por parte do poder de apoderar-se das áreas de interesse do desenvolvimento “urbano” ampliando seus tentáculos nos espaços “suburbanos”, determinando qual o modelo que compete seguir para ampliação da cidade. Resulta nesse modelo viciado,  uma série de medidas administrativas impostas de valorização que redigida através das câmaras administrativas, elaboram os decretos leis necessários para o empreendimento que se quer implantar. A periferia não tem, dentro do plano diretor da cidade, um planejamento de ocupação do espaço geográfico.

Vamos exemplificar observando todo este processo de deslocamento da cidade naquilo que anteriormente eram chácaras e sítios de subsistência e de abastecimento do núcleo da cidade de São Paulo e que seus antigos proprietários ou arrendadores são obrigados a se deslocarem para outras áreas físicas buscando outro espaço para as suas necessidades de subsistência, pois agem sobre estes as políticas públicas  e financeiras em detrimento do social, este último sempre à margem da Metrópole. Tomemos um exemplo prático, de bairros avizinhados da capital paulista:

Em 1944 no bairro da Vila Nova Conceição, na época periferia de São Paulo, hoje área urbana “gentrificada”, enobrecida por uma série de transformações, moravam muitos operários que davam suporte de mão de obra, de pouca qualificação, ao desenvolvimento da cidade e ali residiam, pedreiros, padeiros, feirantes, carroceiros, jardineiros, cozinheiras, e uma gama de outros ofícios que por sua vez alimentavam com seus serviços as regiões dos Jardins, e outros assemelhados bairros planejados por grupos de expansão imobiliária com conhecimento de arquitetura proveniente da Europa, tendo como exemplo deste modelo a Cia City[1], que depois ampliou sua participação para, por exemplo, Santo Amaro (Campo Grande, próximos a Interlagos) local tipicamente ocupado por imigrantes que se organizaram e se miscigenaram com a estrutura anterior de caboclos da região.
VILA NOVA CONCEIÇÃO: CASAS DE MADEIRA E CRIAÇÃO DE PEQUENOS ANIMAIS

Na Vila Nova Conceição, separada do Itaim Bibi, pela Avenida Santo Amaro, havia a necessidade mínima em se manter estes servidores braçais e para isso foi determinado por decreto-lei a construção de uma escola infantil, para toda “prole” deste proletariado, mão de obra usada na expansão de São Paulo. Assim em 1944 se determinava a prefeitura de São Paulo:
VILA NOVA CONCEIÇÃO: LOCAL DA ESCOLA IMPLANTADA EM 1944(AO FUNDO IGREJA SÃO DIMAS NA RUA DOMINGUES FERNANDES) - Foto: Oswaldo Valente
IGREJA SÃO DIMAS: HOJE

Decreto nº 532, de 21 de agosto de 1944
Declara de utilidade publica áreas de terreno necessárias à construção e instalações destinadas à educação infantil.
O prefeito do município de São Paulo, usando de suas atribuições na conformidade do disposto no artigo 6º do decreto-lei federal nº 3.365, de 21 de junho de 1941,
Decreta:
Art. 1º - Ficam declaradas de utilidade pública, para o fim de serem desapropriados judicialmente ou mediante acordo, os imóveis situados na quadra compreendida entre as ruas Braz Cardoso, Jacques Felix, Domingos Fernandes e Domingos Leme, figuradas na planta anexa, devidamente rubricada pelo Prefeito, e necessárias à construção e instalações destinadas à educação infantil.
Art. 2º - É de natureza urgente a desapropriação de que trata o presente decreto, de acordo com o disposto no artigo 15 do citado decreto-lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941.
Art. 3º - As despesas com a execução do presente decreto ocorrerão por conta de verba própria (n. 99-8392) do orçamento vigente.
Art. 4º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Prefeitura do Município de São Paulo, 21 de junho de 1941,, 391º da fundação de São Paulo.
O Prefeito
Francisco Prestes Maia
O Diretor Subst. do Departamento do Expediente e do Pessoal
Paulo Teixeira Nogueira
O Diretor do Departamento de Obras Públicas
João Florence de Ulhôa Cintra
Pelo Diretor do Departamento Jurídico
J. Avila D. Junqueira

Com o tempo a cidade foi se transformando e expandindo, necessitando de novas áreas para que o setor imobiliário ampliasse a demanda de procura e oferta por moradia ou escritórios de serviços. A cidade ainda não requeria grandes edificações e a maioria das residências eram térreas ou assobradadas, numa conformidade horizontal.
Estes decretos leis são aplicados como instrumentos administrativos que possibilitam dar legitimidade no que deve tramitar dentro dos interesses da cidade. Assim uma área considerada de interesse público, mas que deve ser vista mais como de interesse imobiliário, ganha conotação de prioritário e as demandas do Estado são por consenso através de acordo ou por ação judicial.
O documento acima (Decreto nº 532, de 21 de agosto de 1944) originou a “Escola Estadual Martim Francisco”, onde muitos jovens estudaram e eram filhos dos trabalhadores que viviam na “periferia” paulistana de Vila Nova Conceição.
Há poucas décadas existiam espaços vazios no referido bairro, onde proliferavam campos de futebol, o lazer mais comum das áreas onde se concentravam o maior número de operários, mas depois houve uma demanda grande de áreas pelo setor imobiliário que resultou na ocupação destas áreas de várzea, havendo deslocamento de um contingente de artífices para Santo Amaro, e que foi usado como força de trabalho nas indústrias locais, em franca expansão, resultando numa gama grande de novos bairros oriundo deste deslocamento, dessa massa de “exército de reserva de mão de obra” que residiam na região do Itaim Bibi e Vila Nova Conceição. Não havia implantação de infra-estrutura básica  nestes novos bairros implantados na região de Santo Amaro, como água canalizada, energia elétrica, esgoto além de escolas secundárias, hospitais, áreas lúdicas, transporte, obrigando a população a se organizar em Sociedades Amigos de Bairros, mas também controlada pelo poder público, que dava apenas o mínimo de sustentabilidade local nestes loteamentos, com por exemplo "arruamentos", sendo que estes locais tornavam-se  também “curral político”, fomentado pela barganha do voto.
Assim se formaram muitos dos bairros operários que em poucas décadas foram transformados em espaços de interesse dos grandes investimentos imobiliários, onde residirão (ou residem) um contingente que não possui vinculo algum com o local, apenas adquiriram um bem patrimonial para valorização futura, não possuindo história com o novo habitat.
VILA NOVA CONCEIÇÃO: FREI JUSTINO APOIO SOCIAL - Foto: Oswaldo Valente

Voltemos ao documento que originou a escola estadual na Vila Nova Conceição, implantada em um terreno municipal (veja acima o decreto-lei de 1944). Esta escola tornou-se “vilã do progresso”, pois fora implantada em terreno atualmente super valorizado de 10 mil metros quadrados onde apartamentos, não mais casas, mas uma verticalização constante,  são vendidos na região por até R$ 5,5 milhões.
VILA NOVA CONCEIÇÃO: ÁREA VALORIZADA DE INTERESSE IMOBILIÁRIO

Esta área está avaliada em mais de R$ 30 milhões, são a cobiça financeira de empreendedores imobiliários de certos grupos empresariais que queriam barganhar esta área valorizada financeiramente por outra área próxima da periferia da cidade, até em outro município vizinho, em acerto com o governo estadual e municipal, onde se construiriam conjuntos habitacionais para pessoas de baixa renda, quem sabe, hipoteticamente, filhos, ou netos dos antigos operários da antiga periferia de São Paulo, a Vila Nova Conceição.
VILA NOVA HOJE: O CAPITALISMO VIVE DE SUA PRÓPRIA DESTRUIÇÃO

As sutilezas do Estado para que haja ocupação de área física pelos investidores imobiliários, criou-se na atualidade as parcerias entre ambos originando  a CEPAC, Certificados de Potencial Adicional de Construção, criada para investimentos públicos em áreas de interesse de mercado, ou seja, onde esta sendo implantado o investimento imobiliário, valorizando mais ainda estas áreas, estes títulos são “leiloados” pela Bovespa, e serão aplicados em áreas de interesse do investidor, jamais estes recursos serão aplicados para melhorias da periferia de São Paulo[2].  





[1] A City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited foi fundada em 1912, e ficou conhecida com o nome de Companhia City, urbanizando vários bairros de São Paulo, adquirindo áreas da “Freguesia da Consolação” sendo responsável também pela implantação de muitos projetos nas várzeas paulistana.

[2] UMA PONTE PARA A ESPECULAÇÃO- ou a arte da renda na montagem de uma “cidade global”-Mariana Fix, arquiteta e urbanista da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP

segunda-feira, 18 de junho de 2012

PRODUÇÃO E REPRODUÇÃO HISTORIOGRÁFICA

Vencido e vencedor
Existem dois tipos de história: a de reprodução e a de produção;

a 1ª é copiar aquilo que já foi feito,

a 2ª é criar aquilo que não foi feito,

a 1ª é mais simples, basta plagiar algo!

a 2ª também é simples, basta observar algo!

Este algo é o objeto destacado do “sujeito produtor” da história.

Nosso "objeto" é uma localidade ou individuo "sujeito" da construção de uma historiografia local, de uma experiência adquirida!

O narrador transmite de certo modo parte daquilo que se observou, uma parte do todo, jamais o todo, impossível de captar, embora a investigação reconstitua parte do “crime”, sendo o narrador o observador existencialista e também o redator num tempo contemporâneo, onde a proposta é o cálculo de uma ciência com suas variáveis.

Vencedores escrevem o que lhe apraz, os vencidos são aqueles que foram subjugados pelo poder!

Walter Benjamin, na “Teoria do Fascismo Alemão” questiona o significado de perder ou ganhar uma guerra:

“O vencedor conserva a guerra, o derrotado deixa de possuí-la; o vencedor incorpora em seu patrimônio, transformando em coisa sua, o vencido não a tem mais, é obrigado a viver sem ela”.

Progresso e verdade são pontos questionáveis que maturam no tempo da experiência individual repassada ao coletivo.

Há “considerações” a serem expostas dentro de um esquema de tese defendida, cuidando em não expor “conclusões” que podem ser alteradas com novas experiências numa nova condição de modernidade, mutável constantemente.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

SÍMBOLO E SIMBOLISMO SANTAMARENSE: AS FESTAS RELIGIOSAS MUDAM DE LUGAR

IDENTIDADE E PERTENCIMENTO

Perfilar todas as festas que emanam da identidade popular, requer um estudo aprofundado, mas pode-se alinhavar uma interpretação, pois somos parte deste conceito histórico que um dia foi enraizado pelo orgulho, sem soberba, em termos como lugar, se não raiz, ao menos pertencimento em Santo Amaro.
Toda historiografia parece estar contida ao redor de um símbolo, e deste modo, nasceram às cidades antigas ao redor das paróquias formadas em cada “freguesia”. Santo Amaro, não fugiu à regra e foi idealizada em função do simbolismo religioso. Não vamos elencar datas ou contextos de sua formação, pois muitos historiadores, catedráticos ou não, já o fizeram com maestria, sendo fonte para encontro do caminho no momento presente. A Igreja como assembléia dos homens irmanados, foi sem dúvida, o ponto de partida do desenvolvimento da Cidade de Santo Amaro.

A força cristã está embasada em momentos da vida de Deus diante dos homens, “vivendo” Jesus em sua participação terrena, reverenciada na liturgia. Há todo um rito incorporado pela fé popular, que contrito, reverencia estes instantes. Estas representações fizeram parte do imaginário, que abarca o religioso, e está acima do que comumente interpretamos como folclore, que compeliu sempre o santamarense a estar presente nestes vários momentos sublimados, desde a paixão do Kyrios à Ressurreição, com o rito do fogo da “Luz do Mundo”, Jesus, simbolizado pelo Círio Pascal. É um tempo de vigília, outro simbolismo de espera, (como o é também o do Advento) o momento em que Deus formaliza em Pentecostes as raízes da Igreja.
Praça Santa Cruz, em Santo Amaro/SP: painéis de azulejo de José Wasth Rodrigues, esquecida entre as árvores na Avenida Adolfo Pinheiro!

Santo Amaro sempre esteve presente em cada um destes momentos, com a festa de Santa Cruz, como também a festa do Divino Espírito Santo, e seu estandarte vermelho e dourado, que arrebatou paulistanos para Santo Amaro, em um passado não muito distante; ou suas devoções ao Bom Jesus, com suas romarias que desafiam o tempo, dignas de tombamento histórico, ou a de São Cristovão, e ao Padroeiro Santo Amaro entre tantos santificados.
Parece que no momento há um entorpecer momentâneo nestas práticas, talvez efeito de uma transformação urbana em Santo Amaro, jamais vista em outros tempos, ocorrendo neste início do século 21. Os “festeiros” não se desencantaram, pois o encanto não morre por forças políticas, mas parece que se deslocou para as cercanias dos bairros avizinhados que fazem parte do que comumente chamamos de Santo Amaro, levados como em procissão.

Como exemplo, tomemos o bairro Jardim São Luiz, pequenino no tamanho (-sem contar com sua dimensão distrital de 25 km2-), mas fervoroso na fé. Fazendo parte da Diocese Campo Limpo, (idealizada em 1989, ao mesmo tempo da formação da Diocese de Santo Amaro, juntamente com Osasco e São Miguel Paulista) a Paróquia São Luís Gonzaga tem em seu padre Edmundo da Mata, o pároco que em seus 48 anos está á frente da mesma, em uma longeva administração digna de citação, quiçá um recorde! Talvez devido a isto, temos as tradições perpetuadas na missa de Lava Pés, ou no cortejo fúnebre da Paixão na Semana Santa, a sexta feira Maior, ou até acender a fogueira fora da paróquia para apresentar a “Luz do Mundo”, ou ainda ter todo o cortejo de Pentecostes, apresentando os Dons do Espírito Santo, onde os paroquianos participam em cada ato de Ação de Graças.

Além disto, há a procissão do Corpus Christi, o dom da Eucaristia, importante momento de consagração do Corpo e Sangue de Cristo, onde um grupo de artistas anônimos faz alusão ao momento sublimado no tempo, com tapetes coloridos, que acolherá a procissão seguida pelas ruas da localidade e que encerra com todos do cortejo sobre esta obra jardinense e que é repetido também em outras localidades.  
Evidente que estas adorações sempre culminam com o fervor popular, mas parece também estarem com seus dias contados na região do extremo sul de São Paulo, com o setor imobiliário expandindo-se pelas fronteiras do lado oposto ao Rio Pinheiros, que assiste silencioso as antigas glórias do que representou o orgulho caipira da Cidade de Santo Amaro, onde não há, neste deslocamento humano nos atuais complexos residenciais, comprometimento de pertencimento e identidade e nem as antigas “malhas viárias”, onde antes circulavam carroças, único meio de transporte antes do advento automotivo, comportam, no hodierno, tanta gente em circulação "motorizada" que as "ruas" também “não querem mais” procissões!

Até quando, Santo Amaro, irão vilipendiar-te em nome do “progresso”, apagando tua história?

quarta-feira, 13 de junho de 2012

São Benedito, o “abre alas” das procissões e romarias

Devoção: Irmandades e festas

Todas as romarias onde comumente há os andores costumeiros e os estandartes que abrem a cerimônia têm-se o costume comumente aceito de estarem no cortejo às representações do santo onde se dirige a romaria (exemplo Bom Jesus), seguido, do santo padroeiro local, de onde parte a romaria e vindo acompanhado da Virgem de  Aparecida, padroeira do Brasil. Um dos fatos que nos fez relembrar os passos das antigas peregrinações era sempre estarem alinhados todos os santos do cortejo sendo que a abertura da caminhada peregrina estava presente São Benedito. Há todo um relevante cumprimento as tradições, mas parece que em alguns lugares o santo protetor dos cozinheiros não teve a sua importância perpetuada.
SANTO AMARO-SÃO PAULO-ESTANDARTE Á FRENTE

Este santo tem dentro do sincretismo religioso uma importância impar sendo além de protetor da cozinha, (e cozinheiro!) onde os adeptos preservam sua imagem em pequeno nicho central. Há ainda o oferecimento das primeiras xícaras de café matutinas para que não faltasse alimento, além de outro costume do interior é colocar três galhos de salsa para afastar apuros financeiros.
NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DA PENHA DE FRANÇA-SÃO PAULO

Os estandartes das procissões de romeiros são apresentados em reverência a Deus com a benevolência do santo intercessor de alguma causa procurada pelos devotos, os quais alcançados por preceitos espirituais.
VILA DAS BELEZAS-SÃO PAULO-ANDOR

Assim segue todo cortejo das procissões onde a presença das irmandades, devotos de São Benedito, é ponto de honra, com a corte seguindo o cortejo, dando ao santo Benedito a sua complacência perante o tempo: a presença do santo esta relacionada ao bom tempo no dia da procissão ou romaria, para que não chovesse durante o cortejo.

Há ainda o costume do levantamento do mastro através do “capitão do mastro”, onde se prepara anteriormente um tronco com diâmetro médio, que não envergue cortado na lua minguante, geralmente pintado com cores vivas primárias predominantes, onde o azul simbolizando os céus, com detalhes do branco, como culto da fertilização da Terra mãe, símbolo de fecundidade e fartura.
O mastro é costume antigo desde os tempos medievais, onde os cruzados seguindo para o Santo Sepulcro marcavam cada território em referência a determinado santo, com um mastro que representava sua presença.
São Benedito é um santo festeiro, onde se acompanha na caminhada dos andores e estandartes, as congadas, moçambiques[1] e batuques.
VENERÁVEL ORDEM 3ª DO ROSÁRIO - PELOURINHO -SALVADOR/BAHIA

As irmandades foram perdendo suas referências no espaço dos grandes centros urbanos e deste modo as festividades foram abarcadas pelo poder público, mas sem o brilho da identidade das festividades anteriores, pois não possuíam mais o envolvimento das comunidades, que ao seu modo tinha um pertencimento de lugar, primordial nas festas, com ás libações de alegria dos coloridos subjetivos de cada participante, além dos quitutes, competia uma função numa mistura de gêneros sem preconceitos de várias gerações juntas, efusivas e radiantes.
CHAPADA DOS VEADEIROS-GOIÁS-COMUNIDADE DE SÃO JORGE

O cortejo das procissões tradicionalmente era iniciado pelo “guião da irmandade” levando uma cruz onde se ostentava a bandeira, com cordões pendentes que retinham a força dos ventos.
LARGO PAISSANDU-SÃO PAULO-IGREJA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
Estas festividades chegaram ao Brasil por influência portuguesa, quando da vinda dos negros africanos, estes começaram a cultuar Nossa Senhora do Rosário, chamada também de Nossa Senhora dos Homens Pretos. A devoção a Nossa Senhora do Rosário mais tarde foi associada também a São Benedito e sua festa é realizada sempre uma semana após a Páscoa.
APARECIDA-SÃO PAULO-IGREJA DE SÃO BENEDITO




Biografia:

BARROS, Cleusa M. Matos de. São Benedito, O Santo Negro. São Paulo: Paulus, 1982

FELÍCIO, J.G. Murade. São Benedito, Um Santo Festeiro. São Paulo: Ed. Santuário, 1993

ELIADE, Mircea.Trad. Fernandes, Rogério. O Sagrado e o Profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

REIS, João José. Batuque Negro: Repressão e Permissão na Bahia Oitocentista. Festa Cultura e Sociabilidade na América Portuguesa. São Paulo: Hucitec/FAPESP/Imprensa Oficial, 2001

BASTIDE, Roger. As Religiões Africanas no Brasil. São Paulo: Ed. Pioneira, 1971

Revista do Arquivo Municipal, ano 12 (1946) Volume 107: Festas e Tradições de Tietê


[1] A dança é considerada “dança de religião”, e também conhecida como “Dança de São Benedito”. No bailado existe uma vestimenta branca, com algum colorido representativo, azul e vermelho, seguido de guizos (paiás) amarrados às pernas batidos em sons ritmados, onde o mestre tira os versos respondidos pelos cantantes conforme o esquema da música (da linha ou ponto)  batem seus bastões de madeira cruzando-os em X seguido de coreografia.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Conexão de São Paulo a Salvador: Antes da Copa do Mundo

Como resolver a ineficiência administrativa do Brasil
  
O 3º Encontro Nacional de Bloqueir@s aconteceu em Salvador, Bahia, de 25 a 27 de maio de 2012, para integrar e interagir a comunicação em rede e o interesse em dialogar sobre a constituição do “novo marco regulatório”!
Havia necessidade de uma logística pessoal para que chegássemos a Salvador. Primeiro a aquisição da passagem aérea antecipada promocional “ida-e-volta” com custo de R$ 400,00. Um detalhe tem que se deixar evidente: não perca o embarque de uma cidade a outra adquirindo estas passagens “econômicas”  porque se você perder o primeiro embarque perde  o direito de voltar com o “pacote de ida e vinda” tendo o dissabor de ter que votar com um vôo com o dobro do valor do pacote adquirido anteriormente! É ilegal, mas se porventura ocorrer, precisará apelar na justiça!

A conexão entre as duas cidades, em São Paulo é feito pelo “Aeroporto Internacional de Guarulhos - Governador André Franco Montoro” começa com o deslocamento de um bairro da periferia até Congonhas onde pode ser adquirida a passagem em ônibus executivo no valor de R$ 35,00. O tempo da chegada com escoamento livre de trânsito é de aproximadamente  45 minutos, mas com o congestionamento “normal” da cidade de São Paulo pode ser considerado até o dobro de tempo. O melhor horário deste deslocamento é no período noturno. Se a opção for em taxi a distância percorrida de 37 quilômetros, com bandeira 1, pode-se gastar R$100,00.
ÔNIBUS EXECUTIVO DO AEROPORTO EM SÃO PAULO
O percurso aéreo de 1450 quilômetros será feito em 2:30 horas, entre embarque de desembarque e a aterrissagem  acontecerá no “Aeroporto Internacional de Salvador Deputado Luís Eduardo Magalhães” que dista 32 quilômetros da Praça da Sé, centro da cidade.

Para o deslocamento do aeroporto para a Sé, no local de desembarque há três opções distintas de transporte: a primeira opção é aquela anunciada logo na saída de desembarque pelos taxistas regulares com a “corrida” fechada por R$ 80,00, sendo que se houver outro passageiro contatado anteriormente e que tenha o mesmo destino pode-se dividir a despesa. Fiz isso com um casal de sul-americanos. Há o anúncio interno do aeroporto em não aceitar os transportes clandestinos que também fazem ponto próximo a garagem e anuncia a mesma viagem pela metade do preço do anterior. Há o ônibus circular Praça da Sé-aeroporto, que percorre o trajeto em aproximadamente 1:15 horas tem o valor da passagem de R$ 3,00 , mas devido a greve local não estava circulando em  25 de maio de 2012.
ÔNIBUS URBANO NO AEROPORTO DE SALVADOR

O deslocamento em taxi foi pela Avenida Paralela, passando pelo Centro Administrativo da Bahia, mas devido à greve referida, havia um engarrafamento muito grande, pois os veículos particulares tomaram as ruas para se deslocarem ao seu trabalho, o que normalmente fazem de ônibus, neste congestionamento onde a velocidade não excedia a 20 Km/h quando não parada totalmente, gastou-se 2 horas para chegar a Praça da Sé.

A primeira referência do ponto de ônibus é o Elevador Lacerda, próximo a Casa do Governador, que não abriu no sábado e domingo alegando ser por causa da greve, mas a mesma terminou no sábado havendo circulação dos coletivos.  
CASA DO GOVERNADOR -MEIO ABERTA SEM DIREITO A VISITA
Seguindo mais a frente vamos a Praça Terreiro de Jesus, onde é rodeada de uma bela arquitetura barroca das igrejas sendo a mais visitada a de  Igreja e Convento São Francisco com sua azulejaria “hidráulica” importada e consta através dos guias algo em torno de 800 quilogramas de finíssimas laminas ouro, metal extremamente dúctil , que reveste todos os entalhes, sendo a maior do gênero no Brasil.
IGREJA E CONVENTO SÃO FRANCISCO: EXTERNO E INTERNO
Hotéis fora de temporadas podem ter preços variados entre $ 150,00 a $200,00, evidentemente que se a solução é pernoitar sem muita pompa de recepção pode-se optar pelos serviços de um “hostel”, onde a economia é considerável, próximos dos R$ 30,00 a diária e com café da manhã.

Nas cantinas pode-se alimentar com preços em torno de R$25,00 sendo que em restaurantes próximos ao Farol da Barra há preços em torno de R$ 50,00, de boa comida típica.
PELOURINHO: "O CORAÇÃO DA BAHIA"
O Pelourinho que liga a cidade alta com a cidade baixa, nível da Baía de Todos o Santos, possui aproximadamente a diferença de 75 metros de nível, onde há a tarifa de $0,15 para uso do elevador.   
ELEVADOR LACERDA: ACESSO DAS DUAS CIDADES
Detalhe: quando requerer um guia que oferece seus préstimos pela cidade e ficam próximos aos pontos mais visitados de Salvador, tem que se acertar o preço de R$ 50,00 antes, e pode ser diluído entre vários que queiram fazer a visita com guia histórico.
Os ambulantes possuem um cadastro para exercer suas atividades, com um jaleco amarelo, ofertam-se fitas que representam a felicidade, a sorte, o amor, enfim todo o tipo de virtude que pode advir de bons fluidos do sincretismo religioso baiano nas praças, nos largos onde estão presentes toda religiosidade de nomes sugestivos como a  Praça Terreiro de Jesus. Os colares médios com um pouco de barganha pode sair por R$ 15,00.
A maioria destes ambulantes está sendo cadastrada para formação “rápida” em língua estrangeira, onde as mais usuais serão o inglês e o espanhol, conhecimento que deveria vir do sistema educacional regular brasileiro, mas até isso é precário no país, e Salvador tem seus professores em greve por salários dignos. Neste atropelo os jovens receberão uniformização modelo FIFA, e, uma alimentação básica num período de 4 meses  e uma “ajuda de custo” de R$ 10,00 por dia! Os mais céticos dizem que até a abertura da copa haverá esse contingente em disponibilidade, mas que depois irá haver um debandada, pois terão maiores lucros nas suas atividades antigas!

O ônibus da rota Salvador Bus, não se encontra em fins de semana, então se programe para encontrá-lo somente durante os dias úteis, com programação de turista.

Em Salvador quando chove é de grande intensidade, talvez competindo com a mesma força dos dias bonitos ensolarados, onde o sol convida a circular pela orla de belas praias.
FAROL DA BARRA AO ENTARDECER

O retorno de Salvador para São Paulo pode ser feito com o ônibus que faz o itinerário Praça da Sé ao Aeroporto. Chegue com um tempo maior do que aquele requerido pelas companhias aéreas em vôos domésticos que é de 60 minutos antes da partida para o check-in, pois o ônibus, demora no mínimo 40 minutos entre um e outro e mais 1:15 horas para chegar ao Aeroporto de Salvador.
AEROPORTO DE SALVADOR

As companhias aéreas possuem um “ritmo doméstico” e tem algum tempo de atraso que às vezes excede a normalidade quando não suspendem o vôo como foi o caso deste missivista. Houve uma tensão inicial todos os passageiros tiveram que voltar a esteira para recuperar suas bagagens, onde remanejaram todos para um canto do aeroporto próximo as escadas rolantes. Anunciaram que dariam prioridade para pessoas idosas, gestantes e portadores de deficiência, mas este critério foi quebrado e quem ousou “gritar mais alto” foi locado como prioridade.

Providenciaram a “alimentação”, lanches de uma franquia de enlatados americanos, tipo alta caloria e baixa proteína e nenhuma vitamina. Outros exigiam acomodação, mas evidente que isso parece à última opção das companhias, logo descartada, a prioridade é alojar todos nos vôos das outras companhias e solucionar o problema. As informações são precárias e escassas, enfim após 4 horas de espera estava dentro de uma das aeronaves, que tinha seu vôo já atrasado esperando embarque destes passageiros remanejados.
METRÔ EM SALVADOR - OBRAS

Enfim parabéns ao Ministério de Infra Estrutura, Transporte, que pela “competência” não cobra definição do metrô de Salvador uma linha curta, com uma dezena de anos parado, que pela voz baiana “leva nada a lugar nenhum” e ao Ministério dos Esportes que esta a “todo vapor” em bilhões de dólares banqueiros internacionais  construindo Fontes Novas e Itaqueirões pelo Brasil afora “num só ritmo”: o da incompetência!
NOVA FONTE NOVA EM SALVADOR /BAHIA - OBRAS
ITAQUERA EM SÃO PAULO/SP - OBRAS

Necessário seria um “MARCO REGULATÓRIO PARA A COPA DO MUNDO DE 2014 NO BRASIL”. As faturas cairão depois das festas!!!


domingo, 20 de maio de 2012

O PODER NA TEORIA E NA PRÁTICA

A REFORMA DO CORETO, DA HERMA E DA BIBLIOTECA DE SANTO AMARO/SP

Há uma distância enorme entre o discurso político, onde se pode expor sem considerar aquilo que se verbaliza, sem comprometimento oficial, daquilo que realmente será feito!
Santo Amaro está em obras, uma transformação jamais ocorrida, uma expansão  muito grande de edifícios de alto nível de engenharia civil. Onde antes estava o maior campo industrial de São Paulo, rivalizando com outros de importância fabril pela cidade, no hodierno tudo foi “tombado” virando entulho, para dar espaço para uma gama de prédios, onde irá residir um contingente humano jamais imaginável na parte central de Santo Amaro, e que se definiu como Largo 13 de Maio, mas que abrange todo o contorno deste mesmo largo.
Fora isso também há manobras ilegais fechando vias públicas para ampliação de projetos megalômano, fecham vias de acesso, ruas oficiais, em detrimento do interesse comum da sociedade.
Onde antes passavam carroças, agora se adensa uma frota imensa congestionando este localidade. A malha viária do passado continua a mesma para toda esta transformação, onde circulam automóveis, ônibus, caminhões.
Sem um planejamento e falta de um plano diretor eficiente por aquilo que estava por vir, ou seja, a expansão desenfreada de interesses econômicos. O metrô entre o Largo 13 de Maio à Chácara Klabin compensará (um pouco) este caos anunciado desafogando este centro medieval, de vias estreitas, uma estrutura de cidadela feudal onde se perde no labirinto do que outrora foi a cidade pacata de Santo Amaro.
Evidentemente que o poder agora corre atrás do prejuízo e busca rever todos seus equipamentos como praças, bibliotecas, escolas, enfim tudo aquilo que retém e estimula a sociedade a interagir no meio.

BIBLIOTECA PRESTES MAIA

BIBLIOTECA EM FASE DE CONCLUSÃO...

Santo Amaro possui a Biblioteca Prestes Maia, anteriormente denominada Presidente Kennedy, que detém bom acervo para pesquisa, além de fomentar o complemento do acervo historiográfico sobre a antiga cidade de Santo Amaro e hoje bairro de São Paulo. Em 02 de dezembro de 2010, nas dependências da referida biblioteca,  as esferas municipais anunciaram que a mesma seria beneficiada com uma ampla reforma orçada em R$ 6.208.467,80, uma invejável soma financeira para todo o complexo.
APRESENTAÇÃO DO PROJETO DE REFORMA DA BIBLIOTECA
Os representantes municipais e escritórios de arquitetura apresentaram, em tarde festiva, o que seria idealizado, desde uma nova estrutura do hall de entrada, flaps quebra sol nas janelas do prédio, uma reforma em todas as dependências externas além de uma arborização (mantendo o que fosse possível) e jardinagem em seu entorno. Além disso, seria contemplado com iluminação todo o contorno da Praça Marcos Manzini, e, até cogitaram cercá-la, mas isso é algo que mereceria uma análise mais detalhada, pois a cerca tira a função da “ágora”, local de expressão do povo!
Em 17 de maio de 2012, no SESC Santo Amaro, em outro encontro junto à “sociedade organizada” (como se houvesse um desorganização social) anunciaram que a biblioteca fará parte de um eixo histórico e que a praça no futuro seria reformada!
EIXO HISTÓRICO E O CUMPRIMENTO DAS POSIÇÕES ASSUMIDAS 
Isto não foi o que anunciaram em 2010, tudo iria ser reformado, (biblioteca, praça, iluminação) agora se muda o discurso, não existem meias reformas e sim aquilo que se anunciou em assembléia no saguão da biblioteca para os presentes! A expectativa por esta infra-estrutura que o discurso verbalizou, foi exposto em slides para acompanhamento do anteprojeto da obra dos órgãos municipais.
CORETO DA PRAÇA FLORIANO PEIXOTO

Em outra localidade em Santo Amaro onde o poder público resolveu contornar a praça de grades, há equipamentos que parecem ter sido direcionados verba municipal para reforma, no caso do coreto da Praça Floriano Peixoto. Este “equipamento” foi idealizado para ali se apresentar toda sorte de cultura musical, onde anteriormente se apresentavam bandas musicais e violeiros sertanejos santamarenses.
Hoje é apenas um resquício mudo deste passado, por décadas nada se apresenta com galhardia neste local. Mas está lá, cercado de tapumes sem nada de concreto iniciado, aguardam-se resultados, não apenas uma opaca pintura caiada como feito hoje na Praça da Biblioteca Prestes Maia.
A OBRA AO POETA PAULO EIRÓ (apenas lembrança: não há disposição de verba)

DESCARACTERIZAÇÃO DE OBRA
Na mesma praça há outra obra abandonada a própria sorte, onde da “estela” metaforicamente o poeta Paulo Eiró “observa” desiludido com o descaso, como a procurar a musa Iguatinga, a pentear suas mechas no “espelho d’água seco”, uma caricatura de obra do artista Júlio Guerra. Falta-lhe o conjunto contemplativo do poeta e sua musa refletindo sua beleza no espelho d’água.
HERMA DO TEN. CEL. CARLOS DA SILVA ARAÚJO
ONDE ESTAIS?
Tudo isto o poder público omite, pois há de se perguntar e reforçar o ultimato: onde está a herma de Carlos Silva Araújo? Quando das festividades de aniversário de Santo Amaro a assessoria disse a todos os santamarenses presentes na Biblioteca Belmonte em 18 de janeiro de 2012, que o busto estava sendo recuperado e que voltaria “breve” para dentro da Praça Floriano Peixoto, mas não há nada no antigo local, na Rua Mario Lopes Leão, que explique para o cidadão deste translado e recuperação da obra, caso de improbidade administrativa. Roga-se, desde já, a Lei do Acesso a Informação em vigor: quais os custos da reforma do coreto e da herma?
Assim toda a comunidade santamarense espera um posicionamento aos egrégios representantes municipais que informem aquilo que fazem com o erário público e que realmente cumpram suas promessas das luzes da ribalta onde a mídia presente faz o registro, cabendo cobrança constante do cidadão para não cair no esquecimento a importância histórica de Santo Amaro.

As adulações fazem parte de um sistema, o elogio deve ser guardado para após a concretização das obras a serem finalizadas no todo e que contemple as necessidades locais. Sabemos que existem outras prioridades, mas estes elencados, foram orçados e dispensados recursos!
Os partidários de legendas partidárias rasgam seda “inter pares” parabenizando o outro em voz alta em assembléia, dizendo ser aquele administrador da mais alta competência, articulações sutis do jogo do poder. Cabe ao administrador fazer sua função a contento e se não possuir autonomia administrativa, cesse a função, e que o poder central busque alternativa eficiente. É de bom alvitre ter o melhor funcionário no posto administrativo, o administrador tem que ter competência na função, não apenas fazer uso da cátedra por fazer parte desta ou daquela ideologia política partidária.
O que é mais importante no âmbito de reforma: a biblioteca, a herma, ou o coreto de Santo Amaro?

Se todos, cumpram-se o que foi prometido e comprometido!

Assumam seus compromissos, egrégios representantes municipais!

Com a palavra o poder!