A história humana (afinal é o único animal que constrói história) são acontecimentos no tempo e espaço (lugar do acontecimento).
terça-feira, 4 de junho de 2024
Tudo é história?
A Empresa de ônibus São Luiz Viação Ltda, hoje Viação Campo Belo, começou no Bairro Jardim São Luiz/SP
A incipiente São Luiz Viação Ltda dos anos de 1960 tornou-se a Viação Campo Belo da atualidade, sendo parte da estrutura do Grupo Ruas, que detém hoje mais de 50% do transporte de passageiros da cidade de São Paulo.
O Grupo Ruas é um grupo empresarial brasileiro de transportes urbanos, fundado em 1961, pelo imigrante português naturalizado brasileiro, José Ruas Vaz. Atualmente o conglomerado possui mais de 30.000 funcionários e tem participação em mais de 50 empresas.
Entre os anos de 1961 e 1984, o Grupo Ruas adquiriu 16 empresas de ônibus no estado de São Paulo.O grupo ganhou espaço grande na prefeitura de São Paulo, e hoje detêm a maior parte da frota de ônibus da cidade com mais de 6.800 ônibus, cerca de 53% da frota da capital paulista.
Em 2001, a Caio é assumida por um grupo de investimento, com forte atuação no mercado de transportes da cidade de São Paulo, dand0 origem ao Grupo Caio Induscar.
Em 2004, o Grupo Ruas fundou a holding RuasInvest, onde torna-se a
acionista majoritária da Caio Induscar.
A Companhia Americana Industrial de Ônibus (Caio) foi fundada em 19 de dezembro de 1945, na rua Guaiaúna, no bairro da Penha, em São Paulo, pelo imigrante italiano José Massa, bisavô do piloto brasileiro de Fórmula 1 Felipe Massa.
Em 2001, o Grupo Ruas assumiu o controle da CAIO, por meio da Induscar e em março de 2009, a Induscar passou definitivamente a ser dona da marca e do parque fabril.
Em 2017, sócios-acionistas e investidores do Grupo Caio Induscar,
adquiriram o parque fabril e a marca Busscar, fabricante de ônibus rodoviários.
A aquisição teve como objetivo ampliar a atuação do Grupo Caio Induscar, nos
mercados interno e externo.
José Ruas Vaz nasceu em 1928, na Serra da Estrela, em Fornos de Algodres, Portugal. Era filho de um promissor criador de ovelhas, Antonio Martins Ruas, e da "fazedora de queijos", Maria da Glória Vaz. Aos 21 anos decidiu vir ao Brasil com a “carta de chamada” dos tios, chegando em 4 de setembro de 1949, onde desembarcou no Porto de Santos, subiu a Serra do Mar de trem e foi morar em um cômodo da casa dos tios comerciantes, à Rua Afonso Sardinha, na Lapa. O rapaz admirava muito outro tio, dono da panificadora Santa Tereza, fundada em 1872, concorrida no coração da cidade, à Praça João Mendes, onde está ainda hoje com nova administração.
Em 1957 adquiriu seu próprio negócio, a “Padaria Salazar”, no número
1.251 da Avenida Pompéia, e por onde vinham os bondes.
Nesta época estava havendo uma transição entre os bondes e os ônibus no transporte de passageiros em São Paulo e em frente a padaria ficava um ponto de ônibus. Um dia, a CMTC, retirou a linha de ônibus em frente à padaria e o movimento do estabelecimento caiu drasticamente porque os passageiros que esperavam o ônibus e frequentavam a padaria deslocaram-se para o novo local. A empresa Pompéia x Fábrica, assumiu o antigo ponto da CMTC e a padaria Salazar recuperou clientela. José Ruas Vaz percebia que os ônibus saíam e chegavam lotados. Em 1961, interessando-se pelo segmento de transporte coletivo fechou acordo com empresários de Santo André, de quem adquiriu a empresa Viação Campo Belo Ltda, (antiga).
Vendeu a Padaria Salazar, com o coração apertado, mas era hora de mudar
de “padeiro” a um dos empresários mais bem sucedidos no sistema de transportes
coletivos do Brasil.
No bairro Jardim São Luiz, em São Paulo, José Ruas teve no “patrício”, Padre Edmundo da
Mata, da Paróquia São Luiz Gonzaga, seu grande amigo e incentivador, para o desenvolvimento, tanto da empresa
quanto ao bairro que deu o nome do primeiro registro da empresa do Grupo Ruas:
São Luiz!
Vide mais em:
Os Ônibus de Emílio Guerra, a Viação Colúmbia e a Empresa São Luiz
Viação Ltda
https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2015/10/os-onibus-de-emilio-guerra-viacao.html
domingo, 2 de junho de 2024
Carros de bois
Pelos anos de 1852, a cidade de S. Paulo,
despovoada e suja modorrava ao sol
ou se esfumava encolhida, na garoa tamizada
do alto como uma cinza úmida. Negros transitavam de torso nu com tabuleiros de
fazendas secas; calcetas, com
grilhões pelos tornozelos, mourejavam no eterno conserto das vielas tortuosas e
esburacadas; clérigos de batinas negras enxameavam, constituindo uma classe tão
saliente como a dos militares: boiadas rumavam para os campos realengos de
Ibirapuera; e tropas estardalhantes, encouradas de bruacas barrigudas chegavam de todos os pontos, enchendo a terra de
efêmero rumor; depois tocavam para o litoral e para a Côrte – ou regressavam ao
hinterland fecundo, em filas ligeiras, seguidas de capatazes mal ajambrados e
empoeirados, como ainda hoje se vêm,
em surtos de estranhas reminiscências, para os lados conservadores de
Itapecerica.
Pelas ruas transitavam então, quase
livremente, os carros de bois, carregados de cereais, de lenha, de terra, de
pedras, de madeiras para construções. Veículos primitivos, de eixos móveis iam
rangendo longamente à tarda andadura
dos ruminantes. O carreiro de pés no chão, as calças de algodão trançado e
listrado, regaçadas pelas canelas, a
camisa entreaberta, o chapéu de couro desabado, trotava à frente dos bois
pacíficos, ou aos seus flancos, de vez em quando ferretoando-os com a ponta de
ferro das aguilhadas.
Esses, os únicos veículos de meados do
século XVIII. Isto é, consta também a existência, por vagas informações de
fiscais e cronistas, de uma ou outra sege, entre elas a do bispo d. Mateus,
morador semi-secular da rua do Carmo. E só. Não. Havia também os bangüês para
as ásperas caminhadas interurbanas. E cadeirinhas românticas, convidando a
passeios citadinos, idas a festas e igrejas. Mas, destes meios de transporte
particular, eram os animais, primitivamente, os índios e, posteriormente, termiminós reforçados, de bons bíceps e
boas pernas, alimentados a feijão com angu e também a milho, do qual, nas
longas excursões, levavam grossas espigas dependuradas na cintura.
De tal sorte, porém, cresceu o número de
carros, que a Câmara Municipal, por intermédio de um dos seus pares, resolveu
regulamentar-lhes o uso com umas posturas, então submetidas ao exame de uma
Comissão Especial. O autor do projeto foi o ilustre paulista, homem público e
historiador, brigadeiro Machado de Oliveira. E ficou desde logo estabelecido
que os carros de boi de Santo Amaro, vindos pela rua da Santa Casa ou pelo
Piques, estacionaram nos largos de S. Gonçalo e S. Francisco; os que entravam
pelas pontes do Carmo e da Tabatinguera, no largo do Carmo, e pelas do Açu e
Constituição, no largo de São Bento. Os procedentes dos lados de Pinheiros, Ó e
Sant’Ana, que se destinassem a Freguesia de Santa Ifigênia, podiam, depois de
descarregados, estacionar nos largos de Santa Ifigênia, no Tanque Zuniga e no
da Consolação.
Em
nenhuma rua, se, exceção deviam conservar-se os carros parados: estes tinham
que seguir pelo centro das vias públicas, um atrás do outro, de modo a não
embaraçar o trânsito. Nos paradeiros retro designados, colocar-se-iam com igual
precaução. E o artigo 9 o especifica ainda que “a carga do carro que se largar
à porta do comprador, nas ruas e praças da cidade, ficará de modo que entre ela
e a porta haja o intervalo pelo menos de uma braça para o trânsito
dos passantes a pé, ficando tão bem no meio da rua o espaço necessário para a
passagem de carros e cavaleiros”. Tudo isso tinha que ser rigorosamente
cumprido, com pena de multas dos faltosos, que variavam de 500 réis a 2$000
réis, conforme os casos e as reincidências.
Tempos depois destas posturas,
estabeleceu-se uma espécie de entreposto de madeiras de construção no largo do
Bexiga, exatamente onde há hoje um mictório. Os antigos ainda se lembram dele.
Era um barracão retangular, cercado de tábuas, tendo um vão para ventilá-lo
entre estas e o teto. O inconveniente dessa abertura é que por ela chovia. E a
umidade, não raro, danificava o material em depósito.
Quanto aos carreiros, conduziam lenha que
vendiam “às carradas” ou “às mocutas”;
verduras e frutas; e também, em um curioso veículo da época, espécie de carroça
formada por enorme quartola[1] deitada, água para ser vendida de porta em porta.
Custavam 40 réis o barril, em 1865. Puxavam-na muares, em vez de bois,
destinando-se estes, propriamente, aos carros, aos quais se atrelavam em
cangas, formando uma junta e, não raro, conforme o peso da carga, diversas
delas.
Isso tudo, porém, ficou para trás, na
sombra evocativa de outras idades.
Referência:
Jornal
Correio Paulistano de 16 de setembro de 1942, com matéria do jornalista Nuto
Sant’ Ana.
Vocabulário:
aguilhar: Estar alerta; ter os olhos abertos.
Ajambrar: Dar jeito em pôr em ordem;
ajeitar; arrumar . Vestimenta
apropriada para certas ocasiões,
adornado, paramentado.
braça: (latim bracchia, -orum, plural de bracchium, braço) Medida de duas varas (uma vara 1,10
m) ou 2,20 metros.
bruaca: Meretriz.
calceta: Grilheta, Pena de trabalhos forçados, O condenado a trabalhos forçados.
Hinterland: (termo alemão) significa a “terra de trás”, de uma cidade ou
porto. Significa também à parte menos desenvolvida de um país, menos dotada de infraestrutura
e menos densamente povoada. Corresponde a uma área geográfica conectada por uma
rede de transportes, através da qual recebe e envia mercadorias ou passageiros
(do porto ou para o porto). O termo pode ser aplicado à área que circunda um
centro de comércio ou serviços e da qual provêm os clientes.
mocuta: feixe de lenha amarado do cipó que lhe dá o nome,
transportado no costado das mulas ou em carroças.
modorra: (espanhol modorra).Vontade irresistível de dormir, sonolência. Indolência, apatia.
tamisar : Passar pelo tamis, depurar; joeirar.
Temiminó: é um termo tupi que significa
"descendente". Era um povo inimigo tradicional dos seus vizinhos
tupinambás na baía de Guanabara,
possuindo traços culturais em
comum com os tupinambás e com outras tribos tupis, tais como a
língua, crenças, e costumes, além da agricultura de subsistência baseada nas queimadas.
MEDIDAS DE VOLUME
Quartola:Casco pequeno correspondente aproximadamente a meia pipa. = CARTOLA.Pipa:Unidade de volume de líquidos correspondente a 25 almudes.
Almude:Medida de capacidade de líquidos, equivalente a 12 canadas ou 48 quartilhos
Medida de aproximadamente
24 litros.
(Esta medida variava segundo as localidades.)
Canada:espanhol “cañada”, medida de vinho. Antiga medida
igual a 4 quartilhos,
ou aproximadamente 2 litros.
Quartilho A quarta parte da canada.
Porção correspondente a meio litro.
quinta-feira, 30 de maio de 2024
O Motivo da Celebração da Solenidade de "Corpus Christi"
Milagre de Orvieto – Bolsena – Itália – 1263
A catedral de Orvieto, na Itália, guarda um dos milagres eucarísticos mais importantes na história da Igreja e que motivou o papa Urbano IV a instituir a solenidade de Corpus Christi.
Em meados do século 13, o padre Pedro de Praga duvidava sobre a presença de Cristo na Eucaristia e realizou uma peregrinação a Roma para rogar sobre o túmulo de São Pedro uma graça de fé.
Ao
regressar, enquanto celebrava a missa em Bolsena, na cripta de Santa Cristina,
a Sagrada Hóstia sangrou, manchando o corporal com o sangue.
A notícia chegou rapidamente ao papa Urbano IV, que estava muito perto de Orvieto e mandou que o corporal fosse levado até ele. A venerada relíquia foi levada em procissão e diz-se que o pontífice, ao ver o milagre, ajoelhou-se diante do corporal e, em seguida, o mostrou à população.
Em 11 de agosto de 1264 o Papa publicou a bula “Transiturus”, onde prescreveu que fosse celebrada a solenidade de Corpus Christi em toda a Igreja na quinta-feira depois do domingo da Santíssima Trindade, (oitava de Pentecostes) em honra ao Corpo de Cristo.
A relíquia do milagre de Bolsena se encontra na Catedral de Orvieto, em uma capela construída em honra a este milagre. Todos os anos o corporal sai em procissão na época da Festa de Corpus Christi.
A
reverência de “Corpus Christi” é a celebração solene que a Igreja comemora o
Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo
Sacramento sai em procissão às ruas.
domingo, 26 de maio de 2024
200 Anos da 1ª Imigração Alemã ao Brasil: São Leopoldo/RS-25 de Julho de 1824
Uma terra arrasada de todos os lados, mas com um povo de fibra: Terás de volta teu Rincão...o Rio Grande do Sul!!!




























