O engenheiro Luís Romero Sanson implantou o autódromo como chamariz para a venda dos lotes residenciais, querendo aproveitar o potencial turístico formado pela “praia do interior paulistano” no início dos anos 40, com areia vinda de Santos para ser colocada na orla da Represa de Guarapiranga.
domingo, 5 de novembro de 2023
Autódromo José Carlos Pace, em São Paulo: Uma realidade construída em 1940!
sexta-feira, 27 de outubro de 2023
Os Ônibus de Emílio Guerra e a Empresa Nossa Senhora Aparecida, nos limites de Santo Amaro/SP
Emílio Guerra foi um empresário em São Paulo do ramo de transporte coletivo, proprietário Empresa Nossa Senhora Aparecida.
Essa empresa ligava o extremo sul de São Paulo pela Estrada de Itapecerica com outros
distritos que faziam limites territoriais com a região de Santo Amaro, que até 1935 possuía autonomia administrativa, depois se tornando um bairro da Cidade de São Paulo.
No final da década de
1930 detinha as linhas que ligavam São Paulo, Cotia, Itapecerica/Embu(das Artes),
São Roque, Piedade, Taboão, Caxingui, Morro Grande e Santo Amaro. Completava o
raio de ação de seus coletivos o percurso feito de São Paulo a Una, hoje Ibiúna[1], pela estrada da Capital a Capão
Bonito que tinha seu ponto final em Pinheiros.
Sua frota possui ônibus
do fabricante americano Chevrolet, que eram montados em São Paulo pelo modo CKD[2].
Tornou-se prefeito de Cotia
de 4 de janeiro de 1948 a
30 de janeiro de 1951, tendo
sido deputado estadual de 1955 a 1959 exercendo um segundo mandato como
prefeito de 31 de janeiro de 1960
a 30 de janeiro de 1964.
A cidade de Cotia tem sua oficialização como município em 2 de abril de 1856, e
que foi Arraial a partir de 1723 nas terras antes pertencentes a Estevão Lopes
de Camargo com o nome de Nossa Senhora de
Monte Serrat de Cotia.
Contraiu matrimônio com Maria
de Lourdes Santos Guerra, tendo o casal os filhos Dirceu Guerra, Jaime Guerra, Rubens
Guerra, Emílio Júlio Guerra. Maria de Lourdes faleceu em 1965.
Emílio Guerra contraiu
segundas núpcias com Leila Reny
Bechara Guerra, tendo as filhas Mônica de Fátima Bechara Guerra e Patrícia
Christina Bechara Guerra.
Foi atuante também na 3ª Legislatura[3], como deputado estadual (ALESP)
de 1955 a 1959, onde apresentou vários projetos voltados para as regiões que
representava.
Emílio Guerra contribuiu enormemente
com sua atividade participando da emancipação de vários municípios paulistas, interligando-os
por meio de sua empresa de transporte coletivo.
Emílio Guerra depois de muito
trabalho veio a falecer em 23 de fevereiro de 1992.
Abaixo "aerofotos" de 1939/40 localidades mencionadas nesse artigo.
O trabalho foi realizado a mando do Governo Federal, sob supervisão do IGG (Instituto Geográfico e Cartográfico) pela empresa ENFA (Empresa Nacional de Fotos Aéreas) elaborados em cumprimento do Decreto Federal 311 de 2 de março de 1938. (https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1930-1939/decreto-lei-311-2-marco-1938-351501-publicacaooriginal-1-pe.html)
Santo Amaro na zona sul de São Paulo
Região do Centro Urbano de Cotia em 1939
Referências:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_prefeitos_de_Cotia
Viaduto Prefeito Emílio
Guerra https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/1992/lei-7961-16.07.1992.html
https://cotiamemoriaeeducacao.blogspot.com/2015/02/memoria-prefeito-emilio-guerra.html
https://jornalcotiaagora.com.br/contos-causos-de-cotia-uma-foto-de-75-anos-e-muitas-historias/
https://camarajandira.sp.gov.br/historia-de-jandira/
http://www.cotianet.com.br/caucaia/cotihist.html
https://www.ibiuna.sp.leg.br/institucional/historia/historia-do-municipio
[1] Pelo decreto-lei estadual nº 14334 de 30
de novembro de 1944, o Município Paulista de Una passou a denominar-se Ibiúna.
[2] CKD, Completely
Knock-Down ou Complete Knock-Down, é um kit de um produto com peças
completamente desmontadas, fornecidas por empresas estrangeiras, para outra
empresa montadora de outro país, que fornecerá o produto ao mercado consumidor.
[3] 3ª Legislatura (1955 a 1959) ALESP:
Projetos de Lei de Emílio Guerra
Projeto de lei
1288/1958, de 30/07/1958
Retifica item da Lei nº 3735, de
17/01/1957 (Lei de
Auxílios).
Projeto de lei
611/1958, de 02/05/1958
Cria uma escola industrial em Cotia.
Projeto de lei
610/1958, de 02/05/1958
Cria uma escola industrial em Santana do Parnaíba.
Projeto de lei
461/1958, de 22/04/1958
Criação de escola de iniciação agrícola em ibiúna.
Projeto de lei
460/1958, de 22/04/1958
Criação de escola de iniciação agrícola em Piedade.
Projeto de lei
459/1958, de 22/04/1958
Criação de escola de iniciação agrícola em São Roque.
Projeto de lei
457/1958, de 22/04/1958
Criação de uma escola de iniciação agrícola em Itapecerica da Serra.
Projeto de lei
345/1955, de 16/06/1955
Cria um grupo escolar no distrito de Itapevi, município de Cotia.
Padre Edmundo da Mata da Freguesia do Ó ao Jardim São Luiz/SP em 25 de outubro de 1964
Natural da Ilha da Madeira, possessão de Portugal, Pérola do Atlântico, o menino Edmundo da Mata veio ao mundo em 15 de fevereiro de 1935, através de duas famílias portuguesas tradicionais, sendo irmão gêmeo de Feliciano da Mata.
Sua mãe, Angelina Jorge, possuía fervorosa devoção e intensa religiosidade. Seu
pai, homem prático, vivia na lida diária. Deste modo o casal constituiu uma
família numerosa com vários filhos: Feliciano, Helder, Lucinda, Antônio,
Mafalda, Alda e Orlando.
A conturbada situação econômica da Europa, prestes a eclodir a 2ª Guerra
Mundial, fez com que a família decidisse rumar ao Brasil, onde aportou em 1939,
indo residir na Vila Gumercindo, em São Paulo.
Seu pai, Antônio da Mata Júnior, além da grande jornada de trabalho era homem
presente em relação à família. Nas madrugadas paulistanas dirigia-se ao Mercado
Municipal da Cantareira, distribuição do celeiro alimentar de São Paulo,
margeado pelo Tamanduateí, e onde, o Antônio “Botinudo”, este era seu apelido,
transportava hortaliças, frutas e produtos dos mais variados segmentos.
Os irmãos gêmeos trabalharam no Largo Paissandu, em frente à igreja da
Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, com tabuleiro de frutas, mas ambos quase
faliram o pai: comiam mais do que vendiam!
Foi enviado para o Seminário Menor Metropolitano do Imaculado Coração de Maria,
em São Roque, estado de São Paulo. Começava ali a árdua caminhada de serviço
religioso para servir a Deus juntamente com outros rapazes que formaram através
dos anos as amizades que se eternizaram, e, registraram para sempre o “Morro do
Ibaté”, em “ECHUS” inesquecíveis de lembranças memoráveis.
Padre Edmundo da Mata ordenou-se em 08 de dezembro de 1963, em Pleno Concílio
Vaticano II, iniciado pelo Papa João XXIII e terminado em 1965, pelo Papa Paulo
VI. O seu derradeiro aprendizado ainda seria completado no Seminário do
Ipiranga, na Avenida Nazaré, preparando-se para sua longa jornada.
Sua primeira missão religiosa como sacerdote foi na Freguesia do Ó, na atual
Matriz de Nossa Senhora da Expectação, local de grande entusiasmo religioso e
onde ainda na atualidade se apresenta a bonita Festa do Divino.
O padre Edmundo deixou um dia de ser “óiense” para fazer parte da caipiragem
“jardinense” e foi transferido para o bairro do Jardim São Luiz, lugar afastado
nos arrabaldes da antiga cidade de Santo Amaro, mata fechada, verdadeira “boca
de sertão”, e que aparecia nos mapas com o nome de “Coruroca”, trajeto
indígena. Ainda no hodierno há resquício deste tempo no nome indígena na Rua
Nova do Tuparoquera, reminiscência deste passado.
O referido bairro nasceu pelo decreto nº 3.079, em 15 de setembro de 1938,
sendo o 30º subdistrito de Santo Amaro, primeiro bairro do lado oposto ao Rio
Pinheiros, em relação a Santo Amaro, atrás do “Morro da Barra”, onde a
historiografia registrou ter sido edificada em 1607, a primeira Usina de Ferro
das Américas.
No final da década de 1950, a
imagem de São Luís Gonzaga, padroeiro da juventude, vinha em procissão do
Seminário da Rua Verbo Divino, na Chácara Santo Antônio, em Santo Amaro, para
as capoeiras do Jardim São Luiz em um andor enfeitado.
Neste local iniciou-se o maior desafio do jovem Padre Edmundo, a partir de 25
de outubro de 1964, quando chegou, tendo ajuda de alguns fiéis, na consolidada
Paróquia São Luís Gonzaga pelo Decreto de Criação de 21 de abril de 1960 por
providência do arcebispo metropolitano Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos
Motta. Assim unia-se a juventude e a força da gente jardinense para edificar o
maior projeto comunitário, quando pouco ou nada se falavam de ações sociais.
Deste modo surgia as Associações Amigos de Bairros, para reivindicações de bem
feitorias locais. Nascia para o bairro Jardim São Luiz, aquele que tomaria à
frente das causas inerentes da Comunidade, somando nesta trajetória incomum de
meio século de vida religiosa e atuação no bairro.
Hoje a Paróquia São Luís Gonzaga, localiza-se em local privilegiado, sobre uma
área construída de aproximadamente mil e quinhentos metros quadrados. Padre
Edmundo sempre esteve à frente das festas patrocinadas pela colônia portuguesa,
tanto as do Continente quanto das Ilhas, sendo sempre convidado em muitas
cerimônias lusitanas.
Em 2004, a Câmara Municipal de São Paulo, Palácio Anchieta, outorgou-lhe o
“Titulo de Cidadão Paulistano” e em 2011 a mesma Casa, homenageava-lhe com a
honraria “Salva de Prata”, por serviços prestados à comunidade jardinense.
Essa trajetória foi coroada com o reconhecimento da Igreja e Padre Edmundo foi
recebido pelo Papa João Paulo II, em Roma.
Pertenceu a Venerável Irmandade de São Pedro dos Clérigos da Arquidiocese de
São Paulo. Padre Edmundo da Mata e a Paróquia São Luís Gonzaga confundem-se com
toda a história do bairro Jardim São Luiz, hoje tendo à frente para preservar
toda essa identidade religiosa do bairro, Padre Luciano.
Fotos de parte de sua trajetória:





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