sexta-feira, 15 de abril de 2022

A Indústria Farmacêutica Squibb em Santo Amaro/SP e a Penicilina

Introdução

Com o surgimento dos antibióticos, na década de 1940 os laboratórios nacionais passaram a representar os fabricantes de penicilina[1] e outros antibióticos, sendo que essa associação entre empresas nacionais e estrangeiras marcaram o início da fabricação desses medicamentos no Brasil. Os laboratórios nacionais queriam o domínio dessa nova tecnologia das fermentações, hoje denominada biotecnologia, e por sua vez os grupos internacionais queriam uma parcela de 50 milhões de consumidores. Em 1946 foi publicado o Decreto nº 20.397/46 para regulamentação da indústria farmacêutica. Na década de 1950 havia no Brasil 525 indústrias farmacêuticas, sendo 31 grandes, 92 médias e 402 pequenas, localizadas principalmente nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Nessa época o governo brasileiro procurava criar indústrias atraindo o capital estrangeiro com incentivos fiscais. O Brasil se situava entre países que estavam em recente industrialização que não competiam com as potências industriais europeias ou estadunidenses. O Brasil carecia de investimentos para desenvolver medicamentos, por isso importava insumos (matéria-prima, equipamentos, capital etc.)  adquirindo o direito de reproduzir fórmulas representado os laboratórios estrangeiros com o processamento dos compostos e a comercialização dos produtos. Houve o incentivo para atrair empresas estrangeiras do setor com a isenção de direitos e taxas aduaneiras para importação da maquinaria necessária ao fabrico de antibióticos, pela Lei 1964, de 28 de agosto de 1953. Deste modo, embora com industrialização tardia, iniciava-se a expansão dos laboratórios farmacêuticos de empresas estrangeiras no Brasil.

 Squibb e seu criador


Edward Robinson Squibb (imagem do site da empresa)

O laboratório Squibb foi criado pelo médico e farmacêutico Edward Robinson Squibb nos Estados Unidos, Nova York, Brooklin, em setembro de 1858. O Dr. Squibb era conhecido pelas campanhas contra medicamentos adulterados e contribuiu decisivamente para a criação da Lei de Drogas e Alimentos Puros, que, mais tarde, deu originando o órgão que controla a qualidade de produtos alimentícios e farmacêuticos no país. (Food and Drug Administration-FDA).Deste modo nascia a Squibb & Sons.


Squibb e sua indústria em Santo Amaro/SP

Os produtos do laboratório Squibb já eram importados na década de 1930 pela empresa M. Barbosa Netto & Cia.

REVISTA DA SEMANA 11 DE JUNHO DE 1938
Gazeta da Farmácia - setembro de 1953

O laboratório iniciou sua atividade no Brasil em 1944, na Rua Tupi, 330, Perdizes, em razão de um programa de expansão decorrente da pesquisa e da fabricação da penicilina, trazendo primeiramente matéria beneficiada de sua matriz.

São Paulo, na antiga “Chácara dos Padres”, no bairro Chácara Japonesa, na Avenida João Dias, 1084, em Santo Amaro, recebia em 1950 a pedra fundamental e no ano de 1954, uma fábrica moderna era implantada, para produção imediata de penicilina, tendo à frente do empreendimento como gerente geral, Joseph William Schaller.


A demanda inicial de produção da penicilina era de 1 trilhão e 800 bilhões por mês, que na época era a metade da demanda no Brasil. Para fermentação da cultura a empresa dispunha de  4 tanques de 280 mil litros de caldo para a penicilina.


A chaminé de aço possuía uma altura aproximada de 45 metros e pesava 14 toneladas.

A torre de água, que se tornou referência e marco de localização na Avenida João Dias, ocupava área aproximada de 45 metros quadrados em seu diâmetro de base e tinha uma capacidade de armazenagem de 350 mil litros.

Os equipamentos de alta potência elétrica consome 800 HP para os agitadores do preparo para a fermentação do caldo da penicilina, sendo que a casa de máquinas possuía 4 compressores de 400 HP cada unidade.

O edifício de três andares da administração ocupa uma área de 1270 metros quadrados. 


Os dois andares  do  edifício do laboratório estavam equipados com a casa do ar-condicionado e torre de resfriamento, perfazendo uma área de quase 4 mil metros quadrados. 



O edifício do armazém, no térreo era uma área aproximada de 4 mil em quinhentos metros quadrados sendo que externamente era completada com plataforma de 42 metros quadrados. A casa de máquinas ocupava área aproximada de 1 mil e duzentos metros quadrados. A casa das caldeiras ocupava área aproximada de 150 metros quadrados. A casa de filtros e fermentação no andar térreo, ocupava área aproximada de 430 metros quadrados. As demais dependências, estavam localizadas em áreas menores, como cabine de medições, a casa de guardas, cabine elétrica, tudo isso perfazendo com as áreas livres, 50 mil metros quadrados.


Posteriormente o local abrigou atividades da empresa Prodotti Laboratório Farmacêutico Ltda. Depois a construção civil foi totalmente demolida para futuramente serem implantados neste local conjuntos imobiliários, aguardando a descontaminação química total do terreno.

O terreno onde se localizava Squibb em Santo Amaro foi adquirido pela companhia americana de investimentos, que atua para descontaminar o solo da antiga Squibb para construir um conjunto residencial. 









A fusão dos laboratórios Bristol e Squibb

O laboratório Squibb foi instalado no Brasil em 1944 em razão de um programa de expansão decorrente da pesquisa e da fabricação da penicilina. Já o Bristol-Myers chegou ao País em 1949, com a distribuição de produtos feita por meio da Laborterápica.  



A Bristol-Myers Squibb surgiu da fusão de dois laboratórios americanos em outubro de 1989, tornando-se Bristol-Myers Squibb Company.

 

Blochman, Lawrence Goldtree, Doctor Squibb: The Life and Times of a Rugged Idealist, Simon and Schuster, 1958.Bibliografia:

Blochman, Lawrence Goldtree, Doutor Squibb: A Life and Times Robusto de um idealista, Simon e Schuster, 1958.

Squibb, Edward Robinson, The Journal of Edward Robinson Squibb, George E. Crosby Co., 1930. Squibb, Edward Robinson, The Journal of Edward Robinson Squibb, George E. Crosby Co., 1930.

"History of Bristol-Myers Squibb," http://www.bms.com/aboutbms/ourhis/data/ahisto.html (January 4, 2001).História da Bristol-Myers Squibb:
http://www.bms.com/aboutbms/ourhis/data/ahisto.html

http://www.bioanalytical.com/calendar/99/02squibb.html 

http://www.britannica.com/soe/e/edward-robinson-squibb

https://sindusfarma.org.br/images/1212_livro_sindusfarma.pdf 

https://www.scielo.br/j/jbpml/a/jY6NfbwqjkMQTbCdFBRbp4M

https://pt.khanacademy.org/science/4-ano/vida-e-evoluo-microorganismos/fungos/a/a-descoberta-da-penicilina

Código da Propriedade Industrial: Decreto-Lei Nº 7.903 De 27 de agosto de 1945

HOBSBAWM, Eric. A era dos extremos. Tradução de Marcos Santarrita. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Revista Acrópole, 1954

https://www.nossasaopaulo.org.br/2018/01/05/latifundios-urbanos-de-sao-paulo-devem-um-novo-hospital-em-iptu/

https://jurishand.com/lei-1964-de-28-agosto-1953

 

 

Vide também:

OS “FRICHES” de Santo Amaro/SP: Áreas contaminadas cobiçadas por empreiteiras imobiliárias

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/05/os-friches-de-santo-amarosp-areas.html


Obs: Todos os direitos autorais, textos, imagens, obras ou criações de qualquer natureza disponibilizadas pertencem ao Projeto “A Fotografia como Concepção Histórica”  de pesquisa ou a terceiros que autorizaram o uso do material exposto ou plágio, mesmo com alterações sutis. É vedada quaisquer utilizações para uso comercial no todo ou em partes, sem citação da fonte utilizada. A violação destes direitos está prevista nas Leis 9.610/98 e 9.279/96 e no art. 184 do Código Penal Brasileiro, sujeito às penalidades legais como indenização pelos prejuízos causados.



[1] A penicilina foi descoberta pelo médico oficial inglês Alexander Fleming (1881-1955). Seus estudos foram impulsionados pela vontade de descobrir maneiras de curar as feridas infectadas de soldados após atuar na Primeira Guerra Mundial.

Em 1928, em St. Mary´s Hospital, em Londres, dedicou se a estudar a bactéria Staphylococcus aureus, responsável pelos abscessos em feridas abertas provocadas por armas de fogo.

Estudou tão intensamente que, um dia, exausto, resolveu se dar de presente alguns dias de férias. Saiu, deixando os recipientes de vidro do laboratório, com as culturas da bactéria, sem supervisão. Esse desleixo fez com que, ao retornar, encontrasse um dos vidros sem tampa e com a cultura exposta e contaminada com o mofo da própria atmosfera.

Após as descobertas de Fleming, as pesquisas continuaram e, em 1938, a penicilina foi isolada por Howard Florey e Ernst Chain na Inglaterra. Os avanços continuaram até que, em 1940, o primeiro paciente humano recebeu antibiótico para curar uma grave infecção no sangue. Na época da Segunda Guerra Mundial, esta substância foi produzida em larga escala, por fermentação, salvando milhares de vidas. A penicilina tornou-se disponível para a população civil na década de 40, medicação capaz de impedir a morte e complicações de doenças como pneumonia, sífilis, difteria, meningite, bronquite, dentre outras.

Fleming, Florey e Chain receberam o Prêmio Nobel de Medicina em 1945 por seus trabalhos com a penicilina.

 










domingo, 10 de abril de 2022

"Monumento Marco da Paz", em Santo Amaro: Inauguração 10 de abril de 2022

A busca pela paz faz parte da história humana!

Gaetano Brancati Luigi, criador do Monumento Marco da Paz, nasceu na cidade de Orsomarso, província de Cosenza,  Itália.

Com o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, Luigi então com 8 anos, ouviu os sinos que ecoavam que anunciavam esse trágico acontecimento. Essa imagem foi marcante para o menino que sonhava com o entendimento das nações: a paz!

A Europa ainda se recuperando do impacto da destruição das cidades pelo conflito, a família de Luigi (ele com 12 anos) imigrou, em 1949, para a América, fixando-se na Argentina, e depois mudando-se para o bairro da Lapa, no Brasil.

( Monumento que carece de restauração na Praça Augusto Tortorelo de Araújo: foto de 10 de abril de 2022)

No "Pateo do Collegio", onde os jesuítas fundaram a cidade de São Paulo, em 25 de janeiro de 1554, por iniciativa do padre Manoel da Nobrega e o noviço José de Anchieta, onde havia a aldeia de Tibiriçá, não possuía o tradicional sino da torre, símbolo das igrejas. Isso promoveu um trabalho para recuperar o sino local histórico, e, a partir deste momento, ressurgiu a ideia do Marco da Paz.

Assim o símbolo foi criado em forma de um arco (do triunfo da paz) com uma pomba e o sino. 


Foi deste modo instalado o primeiro monumento no “Pateo do Collegio”, em 25 de dezembro de 2000.  Desde então outras localidades ganharam seu Monumento Marco da Paz, incluindo-se alguns países adotaram esse símbolo.




Hoje, 10 de abril de 2022, (10 de abril: Dia da Engenharia no Brasil) recebe o Monumento Marco da Paz, fixada à Praça Augusto Tortorelo de Araújo, próximo à Estátua de Borba Gato, Chácara Santo Antônio, São Paulo, região de Santo Amaro.



Ref.:

https://doisdobrasil.com/marcodapaz.php

https://jornaldagente.tudoeste.com.br/2013/10/26/marco-da-paz-da-lapa-completa-dez-anos/




sexta-feira, 1 de abril de 2022

Um reservatório de água para Santo Amaro (de Cidade Paulista a Bairro Paulistano) e a Dívida Extinta com a Perda da Autonomia

 Santo Amaro, dormiu "cidade", acordou "bairro" em 1935

Em 15 de junho de 1931 a Secretaria de Viação celebra um termo de acordo entre os governos do Estado de São Paulo através do coronel João Alberto Lins de barros, Interventor Federal no Estado de São Paulo, e a prefeitura de Santo Amaro, através do Decreto Estadual número 5048, para realização de serviços de águas e esgotos. O governo do Estado comprometeu-se a fornecer 3 mil metros cúbicos de água filtrada devendo a prefeitura de Santo Amaro fazer a elevação desse volume para o abastecimento da cidade. O reservatório vai ser construído pela prefeitura em terreno que o Estado possui no Alto da Boas Vista, Chácara Flora. Pelo volume de água fornecia, pela cessão do terreno do reservatório a prefeitura de Santo Amaro pagará ao Estado a quantia de 1000 réis por mês por prédio abastecido e mais sobre 10% sobre o excedente calculado de 10000 réis por prédio abastecido.

No Artigo 4.º do decreto nº 5.048, de 1.º de junho de 1931, estabelece ainda o acordo:

No caso de incorporação do município de Santo Amaro ao desta Capital, os serviços referidos nos artigos anteriores reverterão ao Estado, sem indenização alguma á Prefeitura Municipal de Santo Amaro, ficando somente a cargo do Estado o saldo empréstimo para a primeira instalação, não podendo ser contraída qualquer outra dívida para o custeio desses serviços sem anuência prévia do Estado.

A Repartição de Águas e Esgotos e Repartição de Saneamento farão as disposições legaes, que lhes sejam aplicáveis, vigentes na Secretaria de Estado dos Negócios da Viação e Obras Públicas. (grafia de época)

Considerando que dentro do plano geral de urbanismo da cidade de São Paulo, o Município de Santo Amaro está destinado a constituir um dos seus atraentes centros de recreio, considerando que para a organização desse plano, o Estado tem que auxiliar diretamente ou por ato da prefeitura, as finanças de Santo Amaro tanto que desde já declara extinta a responsabilidade para com o tesouro do Estado, proveniente do contrato de 18 de junho de 1931, e que muito onera o seu orçamento e muito dificulta a sua expansão econômica e cultural:

Considerando que, liquidada essa dívida, todas as suas rendas poderão ser aplicadas no seu próprio desenvolvimento;

Considerando, ainda, que o Estado não só se dispõe incrementar em Santo Amaro, a construção de hotéis e estabelecimentos balneários que permitam o funcionamento de cassinos nos moldes do decreto n° 6948, de 6 de fevereiro  de 1935[1], como também já destinou verba para melhorar as estradas de rodagem que servem aquela cidade, facilitando os meios de comunicação rápida e eficiente, com o centro urbano.

Providencia ainda o decreto, sobre a criação de uma subprefeitura de Santo Amaro, cargo criado pelo Decreto Municipal número 6.983, de 22 de fevereiro de 1935 e Ato Municipal nº 1.146 de julho de 1936.

Dependente diretamente da prefeitura da Capital, sobre o aproveitamento dos funcionários do município que se pretendo extinguir, e mande cancelar o adiantamento de 500:000$000 (réis, moeda extinta somente em 1942, dando lugar ao cruzeiro) atualmente acrescido dos juros de 124:658$600 e que foi feito ao município de Santo Amaro em virtude do contrato de 18 de julho de 1931.


 

Bibliografia:

O Estado de São Paulo- 18 de junho de 1931 Reservatório De Água no Alto da Boa Vista

Decreto Municipal nº 6.983. publicado em Diário Oficial, de 23 de fevereiro de 1935

Correio Paulistano 21-02-1935


Obs:

Todos os direitos autorais, textos, imagens, obras ou criações de qualquer natureza disponibilizadas pertencem ao Projeto “A Fotografia como Concepção Histórica”  de pesquisa ou a terceiros que autorizaram o uso do material exposto ou plágio, mesmo com alterações sutis. É vedada quaisquer utilizações para uso comercial no todo ou em partes, sem citação da fonte utilizada. A violação destes direitos está prevista nas Leis 9.610/98 e 9.279/96 e no art. 184 do Código Penal Brasileiro, sujeito às penalidades legais como indenização pelos prejuízos causados.



[1] Santo Amaro em 1935 Perda da Autonomia

Após a Extinção do município de Santo Amaro pelo DECRETO N. 6.983, DE 22 DE FEVEREIRO DE 1935, ARMANDO DE SALLES OLIVEIRA, Interventor Federal no Estado de São Paulo, enviou agentes para fazerem reconhecimento da região de 640 quilômetros quadrados que foram anexados ao município de São Paulo, resultando várias imagens que se tornaram registros históricos.

 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Rolamentos Schaeffler do Brasil Ltda, em Santo Amaro-SP / "INA- Indústria de Rolamentos de Agulha"

Schaeffler uma empresa alemã na Segunda Guerra Mundial

A "Davistan Krimmer, Plüsch und Teppichfabriken AG" (Davistan Krimmer, Fábrica de Pelúcia e Tapetes) empresa que deu origem ao  Grupo Schaeffler foi fundada em Berlim  em 1850 com a razão social David & Co e sediada em Katscher, Alta Silésia, hoje Kietrz polonesa. A partir de 1907 iniciou sua própria produção como Davistan AG empresa alemã de pelúcia e tapetes.

A empresa pertencia ao empresário judeu Ernst Frank, que saiu da Alemanha a partir da formação do Estado nazista na década de 1930. A empresa estava endividada, conforme citou o
historiador Gregor Schöllgen[1], e os bancos credores procuraram em vão por um comprador durante três anos antes que o auditor Wilhelm Schaeffler agisse em outubro de 1940. Wilhelm Schaeffler tinha 31 anos na altura da aquisição da Davistan e, na sua função de "auditor operacional", era contratado pelo Dresdner Bank.  
Em setembro de 1942, ele mudou o nome da empresa para "Wilhelm Schaeffler AG". No final do ano, seu irmão mais novo, Georg entrou para a empresa para auxiliar na produção de dispositivos de lançamento para a Força Aérea alemã, bem como peças para veículos blindados, canhões de assalto e sistemas de lançamento para bombas de aeronaves. Rolamentos de agulha para correntes de tanque são adicionados posteriormente. Em meados de 1944, a empresa empregava 290 pessoas na produção de armamentos. Outros 476 trabalhavam em uma fábrica têxtil.
Após a guerra, os irmãos Wilhelm e Georg Schaeffler e Heinz Fritsch fundaram a "Fritsch & Schaeffler Agricultural Machinery Factory" em Schwarzenhammer, na região da Bavaria, Alemanha.

Desenvolvimento adicional da empresa

Depois da guerra, o segundo pilar do Grupo Schaeffler foi a produção de tapetes, o antigo negócio principal da Davistan AG. Na década de 1970, o Grupo Schaeffler era um dos maiores produtores de tapetes e carpetes da República Federal da Alemanha.

Schaeffler Technologies AG & Co. KG , também conhecido como Grupo Schaeffler tornou-se fabricante de rolamentos para automóveisaeronaves e máquinas industriais

Foi administrada em 1946 pelos irmãos Wilhelm Schaeffler (1908-1981) e Georg Schaeffler (1917-1996).

Desde 1948 sob o nome de "Industrie-Nadel-Lager" (INA- Indústria de Rolamentos de Agulha) tornou-se um grupo de operação global em décadas com o know-how na produção industrial de rolamentos de agulhas.

Em 1943, a produção de rolamentos de agulhas teve um início lento, para dar suporte a FAG (Fischer Automatische Gussstahlkugelfabrik) com sede em Schweinfurt, que foi contratada para fabricar rolamentos de agulhas para correntes blindadas de tanques na Segunda Guerra Mundial, mas estava sobrecarregada após a destruição de boa parte de suas instalações de produção por bombardeios. Deste modo a Schaeffler mudou sua empresa para a produção de armamentos. Para este propósito, uma KG (sociedade limitada) e uma AG (Aktiengesellschaft, abreviada como AG é uma sociedade por ações, sociedade anonima) foram criados. De acordo com um registro oficial, a Schaeffler KG deveria fabricar veículos blindados, armas de assalto e bombas para aviões essenciais para o esforço de guerra.

Em 1º de agosto de 1945, com o armistício, obviamente foi criada uma solução temporária e foi inaugurada uma “fábrica de máquinas agrícolas”. Além da parceria que ocorreu durante a guerra a Schaeffler KG também está envolvida neste GmbH[2].

 Em 1949, Georg Schaeffler agilizou a produção do rolamento de agulhas com gaiola. O produto já era utilizado, porém a novidade foi a redução dos níveis de torção e atrito, resultando em menos ruído, maior segurança e vida útil.

O desenvolvimento da gaiola de agulhas INA, ajudou a empresa a alcançar um avanço industrial fornecendo para o desenvolvimento tecnológico da engenharia mecânica industrial.

 Deste modo a sigla INA tornou-se sinônimo de superação:

 INA = "Immer Neue Aufgaben!"= "Sempre Novas Tarefas!"


Rolamentos Schaeffler do Brasil Ltda


Quando o grupo veio para o Brasil, em 1958, a indústria automobilística nacional estava na fase de implantação das indústrias automotivas. A empresa Rolamentos Schaeffler do Brasil Ltda, instalou-se em Santo Amaro, à Avenida Mário Lopes Leão, 700, em Santo Amaro, São Paulo.  

Os irmãos Wilhelm Schaeffler e Georg Schaeffler fundaram a Rolamentos Schaeffler do Brasil em agosto de 1958. Foi um momento propício para investimentos na área automobilística, pois grandes empresas deste ramo, como Volkswagen, Mercedes-Benz, DKW (Audi), General Motors e Ford já possuíam filiais no Brasil e os incentivos fiscais eram vantajosos sendo que algumas iniciavam a construção de suas fábricas para produzirem caminhões e automóveis.


A integração entre os funcionários no Brasil, era o modelo de participação integrada de vários setores da empresa e para isso foi criado o Grêmio Recreativo Rolamentos Schaeffler, onde as festas comemorativas e os campeonatos de futebol de salão eram concorridos.



 Mais duas empresas para o Grupo Schaeffler: FAG E LUK

 FAG ou “Fischer Automatische Gussstahlkugelfabrik”

Em 1883, Friedrich Fischer, fundador da FAG, idealizou uma retificadora de esferas de aço fundidas, patenteada por ele e usada até hoje.

Em 29 de julho de 1905 a marca FAG foi registrado com o escritório de patentes em Berlim, Alemanha. FAG é marca registrada é um acrônimo para " Fischer Automatische Gussstahlkugelfabrik", ou "Fischer Fábrica de Esfera de Aço Automática."

Com o aperfeiçoamento, a FAG investiu no desenvolvimento de rolamentos para outras aplicações assumindo a liderança nos segmentos industrial e aeroespacial.

A INA como um dos investidores da FAG , assumia definitivamente a empresa em 1999. Em 2002 a Schaeffler adquire a FAG Kugelfischer AG

 LuK ou “Lamellen und Kupplungsbau”

 A LuK, Lamellen und Kupplungsbau GmbH marcou a história da tecnologia industrial em 1965, com as embreagens “chapéu chinês”, também chamado de mola-diafragma, um sistema de mola-membrana na produção dos platôs, substituindo deste modo as molas helicoidais usadas anteriormente.

Com componentes importados da matriz, em Bühl (Alemanha), são montados em 1975 os primeiros platôs e discos de embreagens para o Passat, da Volkswagen.

Dois anos após a criação de sua razão social em 1972, a LuK do Brasil Embreagens, pertencente ao Grupo LuK, controlado pela Schaeffler, em associação com a Ferodo francesa, começou a operar até 1975, sendo transferida para Sorocaba, no interior paulista.

Em 1976 inicia-se a produção de embreagens duplas para tratores, das linhas Massey Ferguson e Valmet.

 O Grupo Schaeffler  reúne as marcas INA, FAG e LuK.

Em 2003 as empresas INA, FAG e LuK formam o Grupo Schaeffler que em 2011 tornou-se Schaeffler AG e Schaeffler Technologies AG & Co. KG

Uma nova empresa foi incorporada ao Grupo Schaeffler, denominada Ruville (Egon von Ruville GmbH). É uma empresa alemã líder na fabricação de peças para veículos no mercado internacional.  A marca faz parte da Schaeffler na Alemanha desde 2001. Os produtos da marca Ruville estão no mercado sul-americano, onde são comercializados pela Aftermarket Automotivo, Schaeffler América do Sul desde 2007.

A Schaeffler Automotive Aftermarket fornece peças de reposição das marcas LuK, INA, FAG e Ruville a oficinas de automóveis e o comércio.

Schaeffler hoje

O Grupo Schaeffler é um dos principais fornecedores integrados automotivos com componentes e sistemas de precisão em motores, transmissões e chassis, bem como soluções de rolamentos deslizantes para uma ampla gama de aplicações industriais.

 

 

 

 

 

Bibliografia:

Schaeffler Group: https://pt.wikipedia.org/wiki/Schaeffler_Group

https://www.schaeffler.com.br/content.schaeffler.com.br/pt/empresa/hist%C3%B3ria/index.jsp

https://de.wikipedia.org/wiki/Georg_Schaeffler

https://pt.qwe.wiki/wiki/Schaeffler_Group

https://second.wiki/wiki/davistan

https://www.sueddeutsche.de/wirtschaft/schaeffler-und-die-ns-zeit-haessliche-braune-flecken-1.483170

https://brasilalemanhanews.com.br/economia/empresas/schaeffler-lanca-marca-ruville-no-brasil/

*Imagens da empresa e/ou autor da crônica

[1] Gregor Schöllgen, Professor de História Moderna da Universidade de Erlangen-Nuremberg.

Wilhelm Schaeffler, assumiu uma empresa em 1940 cujos proprietários judeus haviam fugido da Alemanha anos antes dos governantes nazistas.
Wilhelm Schaeffler era auditor de um banco e tornou-se um empresário por acaso, e a "Davistan AG", como a empresa ficou sob a direção dos bancos desde o final de maio de 1934, tornando-se a pedra angular do que viria a ser a empresa INA, o coração do atual Grupo Schaeffler.

[2] Uma Gesellschaft mit beschränkter Haftung (GmbH) é um tipo de sociedade comercial muito comum na Alemanha (onde foi criada em 1892), na Áustria (adotada em 1906) e na Suíça. "Gesellschaft mit beschränkter Haftung", corresponde às sociedades limitadas (LTDAs)

sábado, 13 de novembro de 2021

Trololó Sem Pé nem Cabeça de Coisa Virulenta

NO LINGUAJÁ DA ROÇA (SEM PRECONCEITO)

Na bera do barcão, depois da roça
Dois cumpadre num trololó iniciado
Bem de mansinho
intendidos dos assunto do dia a dia
Fumando cada um pito depois do gole
começa uma conversação:
Bicho farso esse danado
Veio bem de mansinho
Dai todo mundo ficô doido
E foi uma correria
Pra arrumá a solução!!!
Mas que nada, diz o cumpanhero
o espertanhão
mudava toda hora
e ocê viu que começô uma briga
entre os sabichão de laboratório:
Isso cura um pocô
isso cura um pocô mais,
e foi se furando
uma veiz, duas veiz
e diserô na televisão:
acho que tá bão
tá não fura dinovo novamente
e pica lá e pica cá
e briga um, com outro um,
e ninguém intendi di nada
e mascareia todo mundo
e num sai di jeito manera
sinão ocê pode ser pego!!!
Um oto caipira irscutando essa conversa
de doido varrido intromete no assunto:
Disserô que agora tem remédio
Vendendo na farmácia
Uma outra invenção, outra droga,
é mais uma coisa contra o infeliz
mais laboratórios dispurtando
que dizem que dá muito dinheiro
esse negócio de pesquisa
e a barriga ronca cá farta de comida,
mais um gole, um aperitivo
eta esse é remédio muito dos bão:
A nossa saúde cumpade
mesmo que a cabeça fique maluca quece tar
que ninguém nunca vê,
vale sabe que dando pro santo um tiquinho
ele nem chega perto!!!
A gentaiada da vila tem muito medo,
reza toda hora:
Cruze credo, nos livre, amém!!!
Outro do lado observando o falatório,
diz que a coisa tá acarmando
até os médico já chegou na conclusão
os homem não caba com ele não
mas ele tá saindo fora
devagarinho vai tirando o time
porque deixou todo mundo apavorado,
muito mais do que o povão já era.
Me contarô lá armazém do seu Tinoco
que ele tá saindo do planeta,
pois já num guenta tanta falação
de faiz isso, faiz aquilo!
Agora pelo jeito dos entendido prozeando
coisa tá votando a acarmá
mas não se sabe bem o que ele era
e pelo jeito da coversera,
ele não foi vencido,
só deu um sustinho
nessa cambada da doideira
e tá de partida, só alertô:
“ou oceis muda de jeito
ou eu mato todo mundo doutra veiz”!!!
Comecei o falatório e pra finda digo:
Costumei fica mascarado
mesmo que esse invisiver vai embora
Já tô programando uma festança,
Rastá o pé até amanhã de manhã
nos dia de carnavá
pra festeja...cum máscara de fantasia!!!

domingo, 7 de novembro de 2021

O Parque Augusta Prefeito Bruno Covas dos antigos Colégio Des Oiseaux e Santa Mônica

Foi inaugurada em 6 de novembro de 2021 o Parque Augusta Prefeito Bruno Covas, situado onde antes existia os Colégios Des Oiseaux e Santa Mônica.

No Parque Augusta localizava-se o antigo Palacete Uchoa, de três luxuosos andares, onde se instalou o Colégio Des Oiseaux de 1907 a 1967, doado para a Prefeitura, mas passou à iniciativa privada em 1996 e da qual restou pequena edificação remanescente e portaria.


 O terreno fica perto da Praça Roosevelt entre as Ruas Augusta, Caio Prado e Marquês de Paranaguá e, desde 2008, já é uma área de utilidade pública.

 O terreno de aproximadamente 25 mil metros quadrados (1 alqueire) do Parque Augusta pertencia as construtoras Setin e Cyrela, e era estimado em 2015 em torno de $ 200 milhões de reais que foi repassado a prefeitura.

O investimento das construtoras na elaboração do parque foi da ordem de R$ 11 milhões com obras como a restauração da portaria e da edificação do antigo Colégio Des Oiseaux e terraplenagem que em troca poderão construir empreendimentos em outras áreas de São Paulo pela transferência de potencial construtivo, sendo a troca de áreas da zona central por outras na zona oeste de São Paulo.


 

Um depoimento do local

 As vezes achamos fragmentos arqueológicos da parte da história que aparecem do nada, pois o que você está procurando, está procurando você!

Encontrei dentro do Parque Augusta o sr. Laércio, que foi uns dos internos da Escola Santa Mônica localizado também no terreno do Des Oiseaux, mas destinados aos estudantes pobres, como relatou o amigo. As estruturas foram demolidas em 1974, sendo usado para estacionamento na região até ser oficialmente convertido em parque público.


 Segue foto do amigo Laércio, estudante do Santa Mônica, perto de um nicho pelo que tudo indica ser de uma santa no jardim do colégio, que foi preservado da demolição...a mangueira é “arte atual”...

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

A Nova Estação João Dias de trens da CPTM, na Vila Mandu, em Santo Amaro/SP

TUDO SE TRANSFORMA!

Onde aproximadamente existia uma estação (plataforma) antiga da  ferrovia Sorocabana, que descia para a baixada santista, litoral sul, sentido São Paulo/Estação Júlio Prestes a Itanháem /Peruíbe, hoje localiza-se, a menos de trezentos metros desse local, a nova Estação João Dias!




 LOCALIZAÇÃO DA PRIMEIRA ESTAÇÃO DE TREM “JOÃO DIAS/SEMP” - déc. 1950

Nova Estação João Dias

Foi inaugurada em 05 de novembro de 2021, a nova Estação João Dias integrante da Linha 9-Esmeralda (Osasco/Grajaú), da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, CPTM, (Osasco/Grajaú), construída pela economia privada, empresa Brookfield Properties, doada para o governo do Estado de São Paulo.

A estação João Dias situa-se na altura do nº 17.007 da Av. das Nações Unidas, entre as estações Granja Julieta e Santo Amaro.  A localização remete ao antigo lugar que se chamava Vila Mandu, na margem do Rio Pinheiros, denominada de Várzea de Baixo.

 A nova estação foi construída pela empresa Brookfield Properties, investidora e gestora global de ativos imobiliários, que investiu R$ 60 milhões de reais, situada em frente a um de seus principais empreendimentos imobiliários na capital, em área da antiga empresa de móveis de escritório Giroflex.

 O convênio foi assinado em 1 de março de 2019, entre a CPTM e a Brookfield, através de sua subsidiária Tegra, que “doou” os direitos sobre o terreno anexo à estação para implantação.

Necessário remanejar o ponto dos ônibus e integrando-os a CPTM!!!


Para melhorias futuras seria de bom alvitre integrar os ônibus conveniados à prefeitura juntamente com a CPTM, gerenciada pelo governo do Estado de São Paulo, inserindo um ponto dos coletivos próximo a esta nova estação, deslocando-o dos muros da antiga indústria SEMP-TOSHIBA para a entrada da Avenida Nações Unidas (Marginal)

FOTOS DA INAUGURAÇÃO:












 


Ref.

Estação de Evangelista de Souza, em São Paulo, fim da linha...Qual será o novo RUMO?

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/02/estacao-de-evangelista-de-souza-em-sao.html

Southern São Paulo Railway Co

https://pt.wikipedia.org/wiki/Southern_S%C3%A3o_Paulo_Railway

PARADA PENHINHA 

http://www.estacoesferroviarias.com.br/p/penha.htm?fbclid=IwAR3MazPf2UhLBaASDGgEVKNnMdRT5uk9rgGski7phnPyZdbYMfEamN6wWYo