segunda-feira, 5 de outubro de 2020

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (08): PASSAGEIROS DO VELEIRO HOLANDÊS "ALEXANDER" EM 1828

 Os emigrantes alemães que chegaram ao Brasil no veleiro holandês "Alexander" eram 174 colonos alemães que continuaram viagem no dia 20 de junho de 1828 embarcando no sumaca[1] “Rocha” para serem levados a Santos, e, em seguida para São Paulo. (ZENHA, p. 74, 1950)



 FAMÍLIA 01

001 Niclolau Backs - 35 anos - Lavrador

002 Catharina, sua mulher – 36 anos

003 Catharina, sua filha – 16 anos

004 Niclolau Backs, seu filho - 14 anos

005 Adão, seu filho - 12 anos

006 Cristiano, seu filho - 10 anos

007 João, seu filho - 8 anos

008 Guilherme, seu filho - 4 anos

FAMÍLIA 02

009 Henrique Gileher, 52 anos - Lavrador

010 Margarida, sua mulher – 54 anos

011 João Jacob, seu filho - 22 anos

012 João Felipe, seu filho - 17 anos

013 Maria, sua filha – 14 anos

FAMÍLIA 03

014 Niclolau Miller - 51 anos – Carpinteiro de carros

015 Maria, sua mulher – 39 anos

016 Barbara, sua filha – 17 anos

017 João, seu filho - 12 anos

018 Isabel, sua filha – 10 anos

019 Margarida, sua filha – 8 anos

FAMÍLIA 04

020 Jacob Grosklos, solteiro - 24 anos – Carpinteiro

FAMÍLIA 05

021 Felipe Schaffer, 54 anos – Lavrador

022 Maria Isabel, sua mulher – 38 anos

023 João, seu filho - 19 anos

024 Pedro, seu filho - 17 anos

025 Frederico, seu filho - 8 anos

FAMÍLIA 06

026 Theobaldo Ulrich, 37 anos – Lavrador

027 Isabel, sua mulher – 37 anos

028 Nicolao, seu filho - 9 anos

029 Frederico, seu filho - 5 anos

030 Filipe, seu filho - 4 anos

031 Adão, seu filho - 2 anos

FAMÍLIA 07

032 Nicolau Klein - 48 anos – Carpinteiro

033 Catharina, sua mulher – 45 anos

034 Carlos, seu filho - 20 anos

035 Margarida, sua filha – 17 anos

036 Catharina, sua filha – 16 anos

037 Filipina, sua filha – 11 anos

038 Isabel, sua filha – 8 anos

039 Jacob, seu filho - 2 anos

FAMÍLIA 08

040 Frederico Lange - 33 anos – Alfaiate

041 Margarida, sua mulher – 26 anos

042 Catharina, sua filha – 3 anos

FAMÍLIA 09

043 Isabel Wolther, viúva, 47 anos

044 Jacob Rey, enteado solteiro  - 24 anos – Alfaiate

045 João, seu filho direto – 18 anos

046 Pedro, seu filho direto – 16 anos

047 Adão, seu filho direto – 9 anos

048 Isabel, sua filha direta – 20 anos

049 Maria, sua filha direta – 13 anos

FAMÍLIA 10

050 João Schwenck, 42 anos – Lavrador

051 Marilla, sua mulher – 40 anos

052 Marilla, sua filha – 13 anos

053 João, seu filho - 9 anos

054 Margarida, sua filha – 7 anos

055 Jacob, seu filho - 2 anos

FAMÍLIA 11

 056 João Stoffel, 36 anos – Lavrador

057 Christina, sua mulher – 25 anos

058 Jacob, seu filho - 6 anos

059 Isabel, sua filha – 1 anos

060 Catharina, sogra – 50 anos

FAMÍLIA 12

061 Pedro Schuck - 48 anos – Carpinteiro

062 Catharina, sua mulher – 25 anos

063 Isabel, sua filha – 7 anos

064 Catharina, sua filha – 3 anos

065 uma filha por batisar (batisou em Santos a 8 de julho de 1828)

FAMÍLIA 13

066 Jacob Mater - 33 anos - Sapateiro

067 Catharina, sua mulher – 35 anos

068 Frederico, seu filho - 11 anos

069 João, seu filho - 5 anos

070 Isabel, sua filha – 3 anos

FAMÍLIA 14

071 Frederico Theobald - 37 anos - Lavrador

072 Catharina, sua mulher – 36 anos (Da família ficaram no Helena e Maria 4 pessoas)

FAMÍLIA 15

073 Frederico Frank - 43 anos - Lavrador

074 Catharina, sua mulher – 37 anos

075 Filipina, sua filha – 18 anos

076 Cristiano, seu filho - 16 anos

077 Catharina, sua filha – 9 anos

078 Pedro, seu filho - 4 anos

079 Isabel, sua filha – 1 ano

FAMÍLIA 16

080 Felipe Weinreich- 36 anos - Lavrador

081 Malina, sua mulher – 36 anos

082 Carolina Brauning, sobrinha

083 Felipe, seu filho - 12 anos

084 Carolina, sua filha – 10 anos

085 Filipina, sua filha – 7 anos

086 Marianna, sua filha – 6 anos

087 Pedro, seu filho - 1 ano

FAMÍLIA 17

088 Felipe Anthony- 52 anos - Lavrador

089 Maria, sua mulher – 52 anos

090 Catharina, sua filha – 25 anos

091 Isabel, sua filha – 17 anos

092 Maria, sua filha – 15 anos

093 Mariana, sua filha – 12 anos

094 Adão, seu filho - 23 anos

095 Filipe, seu filho - 21 anos

096 Jacob, seu filho - 20 anos

097 Daniel, seu filho - 9 anos

FAMÍLIA 18

098 Pedro Schumacker  - 36 anos – Alfaiate

099 Frederica, sua mulher – 38 anos

100 Isabel, sua filha – 15 anos

101 Carlos, seu filho - 20 anos

102 Jacob, seu filho - 2 anos

103 Catharina, sua filha –5 semanas

FAMÍLIA 19

104 Pedro Hesel- 52 anos – Lavrador (Da família ficaram no Helena e Maria 4 pessoas)

105 Catharina, irmã – 19 anos

FAMÍLIA 20

 106 Margaretha Bauer - 44 anos(Da família ficou no Helena e Maria 1 pessoa)

107 Carolina, sua filha – 17 anos

108 Pedro, seu filho - 16 anos

109 Jacob, seu filho - 13 anos

110 Filipe, seu filho - 9 anos

FAMÍLIA 21

111 Christiano Gottfried- 32 anos - Lavrador

112 Catharina, sua mulher – 32 anos

113 Margaretha, sua filha – 11 anos

114 Isabel, sua filha – 9 anos

115 Catharina, sua filha – 6 anos

116 Christiano, seu filho – 1 ano e meio

FAMÍLIA 22

117 Jacob Koons - 37 anos – Lavrador

118 Isabel, sua mulher – 33 anos

119 Maria, sua filha – 10 anos

120 Filipina, sua filha – 9 anos

121 João, seu filho - 7 anos

FAMÍLIA 23

122 Guilherme Hannickel - 41 anos – Lavrador

123 Margareta, sua mulher – 41 anos

124 Isabel, sua filha – 12 anos

125 Mariana, sua filha – 10 anos

126 Pedro, seu filho - 8 anos

127 Guilherme, seu filho - 5 anos

128 José, seu filho - 2 anos e meio

FAMÍLIA 24

129 Jacob Weihmann - 53 anos – Lavrador

130 Eva Isabel, sua mulher – 43 anos

131 Margarida, sua filha – 19 anos

132 Maria Catharina, sua filha – 17 anos

133 Maria Isabel, sua filha – 10 anos

134 Ana Barbara, sua filha – 7 anos

135 Abrahão Analdo José, seu filho – 3 meses

FAMÍLIA 25

136 Adão Klein - 45 anos – Lavrador

137 Isabel, sua mulher – 37 anos

138 Carlos, seu filho - 15 anos

139 Isabel, sua filha – 12 anos

140 Filipina, sua filha – 7 anos

141 Jacob, seu filho - 4 anos

FAMÍLIA 26

142 Nicolas Glaser - 41 anos – Lavrador

143 Juliana, sua mulher – 45 anos

144 Abrahão, seu filho - 15 anos

145 Filipe, seu filho - 13 anos

146 Catharina, sua filha – 11 anos

147 Christina, sua filha – 7 anos

148 Jacob, seu filho - 5 anos

FAMÍLIA 27

149 Daniel Samsel, 46 anos, Lavrador(Da família ficaram no Helena e Maria 7 pessoas)

FAMÍLIA 28

150 Jacob Walter - 46 anos, Ferreiro e Lavrador

151 Anna Maria, sua mulher – 44 anos

152 Jacob, seu filho - 22 anos

153 Pedro, seu filho - 18 anos

154 Daniel, seu filho - 9 anos

155 Maria Margarida, sua filha – 20 anos

156 João Guilcher, criado – 16 anos

157 Maria Catharina, sua filha – 13 anos

158 João Guicher, criado dele – 23 anos

FAMÍLIA 29

159 Henrique Schunk, 52 anos, Lavrador (ficaram no Helena e Maria 5 pessoas)

160 Adão Pobst, seu genro – 26 anos – Lavrador

161 Isabel, sua mulher – 25 anos

162 Henrique, filho do chefe – 18 anos

FAMÍLIA 30

163 Frederico Haesel - 54 anos, viúvo– Lavrador (ficaram no Helena e Maria 5 pessoas)

164 Frederico, seu filho - 23 anos

165 Jacob, seu filho - 18 anos

166 Henrique Fischer, cunhado – 23 anos

AVULSOS

167 Adão Kappel, solteiro - 25 anos – Carpinteiro

168 Juliana Theissen, viúva – 46 anos

169 Filipina Schreck, solteira - 25 anos

170 João Diederico Geers, solteiro - 29 anos - Ferreiro

171 João Mainholz, viúvo– 43 anos - Marinheiro

172 Sebastião A. Andressen, solteiro – 32 anos – Marinheiro

173 Luiz Kettler, solteiro – 35 anos – Marinheiro

174 João Fluer, solteiro – 34 anos – Cirurgião

 

Ficão embarcados a bordo da Sumaca Rocha Cento e settenta e quatro colonos Allemaens, entre homens, mulheres e crianças, constantes de Relação retro; Bordo da Sumaca Rocha surta no Porto do Rio de Janeiro em 20 de Junho de 1828. Por comissão do Ilmo. e Exmo. Snr. Monsenhor Miranda, Inspetor da Colonisação Estrangeira.

João Henrique Kagel, Interprete da Colonização Estrangeira.

São 174 colonos Allemaens

175 Rudolf de Brinan, solt. Idade 29 annos, negociante, protestante.

Declro que são em tudo, cento e settenta e cinco pessoas. Rio ut supra. São 175 colonos Allemaens, interprete da colonisação Estra.



[1] Embarcação pequena de 2 mastros, usada comumente na América do Sul

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (07): ALEMÃES E A “COLONIA PAULISTA” EM SANTO AMARO/SP

Como os alemães chegaram em Santo Amaro

A 6 de janeiro de 1827, o veleiro “Helena e Maria” (erroneamente denominado também de Cäcília) zarpou do porto de Bremen, trazendo a bordo grande leva de imigrantes rumo ao Brasil, onde se estabeleceriam como agricultores ou como soldados para o conflito da região Platina, no Rio Grande do Sul.

Após seis dias de viagem, no dia 12 de janeiro, às 13h, os tripulantes do veleiro “Helena e Maria” foram surpreendidos por uma forte tempestade que, durante quase 24 horas, causou graves danos ao veleiro. Vinte colonos e dois marinheiros morreram afogados. Em dezembro de 1828 chegou a Falmouth um navio chamado James Laing, sob o comando do capitão Sughure, que levaria os imigrantes alemães ao Brasil.

O navio James Laing foi custeado por Felisberto Caldeira Brant, o Marquês de Barbacena, de descendência alemã, diplomata brasileiro da época, que, em passagem por Falmouth, em 24 de setembro de 1828, acompanhando Maria II, filha de D. Pedro I.

Assim, em 03 de janeiro de 1829, os alemães partiram em direção ao Brasil, chegando no Rio de Janeiro em 19 de fevereiro de 1829.

“Uma parte dos imigrantes que não puderam embarcar no “Helena e Maria”, que naufragou na costa da Inglaterra, vieram para São Paulo no navio Alexander, que aportou em Santos. Os emigrantes alemães que chegaram ao Brasil no navio holandês "Alexander" eram 174 colonos alemães[1] que continuaram viagem no dia 20 de junho de 1828 embarcando no sumaca[2] “Rocha” para serem levados a Santos, e, em seguida para São Paulo, sob as ordens do intérprete, Inspetor de colonização de estrangeiros, Johann Heinrich Kagel.

Dessa tripulação que constava 149 famílias alemãs em direção ao Brasil, compreendia 926 indivíduos, incluindo 72 não casados. Na Colônia de Santo Amaro, foram localizadas 336 pessoas. Na vila de Conceição de Itanhaém ficaram 39 pessoas, e 57 em Cubatão de Santos e algumas foram para outras regiões ou permaneceram na cidade e dedicaram-se a diversos trabalhos e ofícios. Os colonos que foram localizados em Santo Amaro eram, na sua maioria, prussianos-renanos, da região de Hundsrueck. Parte deles aceitou as propostas do Governo, acordados entre os dois países para acolhimento inicial antes do embarque na Alemanha, que eram as seguintes:

1) Cada família receberia uma doação de 150 Morgen, medida de área tradicional alemã, onde um morgen era a área para trabalho de um homem em um dia. Um morgen correspondia a 400 braças quadradas, sendo uma braça quadrada correspondente a 4,84m2, logo um morgen seria equivalente a 1936 m2 que estava relacionado a medida agrária padrão que Portugal denominada jeira, medida antiga romana e representava uma jeira(iugerum) a quantidade de terra que um homem podia arar em um dia com uma junta de bois atrelados ao arado.
Do exposto podemos definir que o acerto contratual entre os governos da Alemanha e Brasil à época, foi definido em 150 morgen, ou seja 290.400 m2 o que representava 29 hectares de terra a cada qual disposto a vir arar terras virgens na região de Santo Amaro.

2) Cada pessoa adulta receberia ainda, durante um ano e meio,160 réis diários em moeda e cada criança receberia metade dessa quantia;

3) Bois, cavalos, ovelhas seriam fornecidos pelo Governo, devendo o valor desse gado, em moeda ou espécie, ser restituído dentro de quatro anos;

4) Os colonos que tivessem vindo por conta do Governo teriam isenção de impostos por oito anos e, os que tivessem pago suas passagens, por dez anos;

5) Os colonos ficavam na obrigação de tomar armas, quando em caso de perigo fossem convocados pelo Governo;

6) Recrutamento obrigatório para as crianças;

7) O governo ficava obrigado ao pagamento dos honorários de médicos e padres, durante ano e meio. Outros colonos, geralmente os protestantes, não aceitaram essas condições e preferiram adquirir terras para cultivá-las logo que se apresentasse a oportunidade.

Em 29 de junho de 1829, depois de acordos foram assentados no planalto de Santo Amaro, na então Província de São Paulo, os primeiros imigrantes alemães originários de Hundsrück, Estado da Renânia-Palatinado. O assentamento ocorreu nas áreas compreendidas entre a Serra do Mar, em terras a quatro léguas de Santo Amaro, ao sul da Freguesia, próximo ao Ribeirão Vermelho e a Serra do Mar. Um grupo de 129 colonos aceitou estabelecer-se na Freguesia de Santo Amaro, realizando-se uma cerimônia para sorteio das terras entre 94 famílias que desejavam estabelecer-se no lugar destinado à Colônia em Santo Amaro.

Em 1837, Santo Amaro era responsável pela produção batatas no município de São Paulo, passando a ser considerado o "celeiro da capital", além de fornecer arroz, feijão, milho e mandioca entre outros gêneros alimentícios. Também comercializavam no Mercado de São Paulo gado, aves, madeira e carvão. Os alemães fundaram vilas como Cipó e Parelheiros, referência a parelhas de disputas entre cavaleiros alemães e caboclos brasileiros que já estavam nas proximidades, e que parece ter tido anteriormente o nome de Santa Cruz.



[1] Vide lista em: A EPOPEÍA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (08): PASSAGEIROS DO VELEIRO HOLANDÊS "ALEXANDER" EM 1828

[2] Embarcação pequena de 2 mastros, usado comumente na América do Sul

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (06): AS MISCIGENAÇÕES

 Primeiro período: 1820-1871

A imigração começou propriamente com a abertura dos portos brasileiros, em 1808. O governo passou a estimular a chegada de europeus para ocupar lotes de terra e se tornarem pequenos agricultores. Em 1812, colonos açorianos foram trazidos para o Espírito Santo e em 1819, suíços para Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Após a independência de Portugal, o Império Brasileiro se concentrou na ocupação das províncias do Sul do Brasil, vulnerável aos países da Região da Bacia do Prata.

A partir de 1824, imigrantes da Europa Central passaram a povoar o que hoje é a região de São Leopoldo, na província do Rio Grande do Sul. Em 1830, foi aprovado um projeto de lei proibindo o governo imperial de gastar dinheiro com o assentamento de imigrantes, o que paralisou a imigração até 1834, quando os governos provinciais foram encarregados de promover a imigração.

Em 1859, a Prússia proibiu a emigração para o Brasil. Principalmente por causa das reclamações de que alemães estavam sendo explorados nas plantações de café de São Paulo. Mesmo assim, entre 1820 e 1876, 350.117 imigrantes entraram no Brasil. Destes, 45,73% eram portugueses, 35,74% de “outras nacionalidades”, 12,97% alemães, enquanto os italianos e espanhóis juntos não chegavam a 6%. O número total de imigrantes por ano foi em média de 6.000. Muitos imigrantes, principalmente alemães, foram trazidos para se estabelecer em comunidades rurais como pequenos proprietários de terras. Eles receberam terras, sementes, gado e outros itens para desenvolver.

Entre 1824 e 1972, cerca de 260.000 alemães se estabeleceram no Brasil, a quinta maior nacionalidade a imigrar depois de portugueses, italianos, espanhóis e japoneses. O rápido aumento do número se deve a uma taxa de natalidade muito alta, a mais alta do Brasil.

A grande maioria se instalou nos estados do Sul do Brasil, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além de São Paulo e Rio de Janeiro. Menos de 5% dos alemães se estabeleceram em Minas Gerais, Pernambuco e Espírito Santo.

O estado mais afetado pela imigração alemã é Santa Catarina, o único estado onde os alemães eram a principal nacionalidade entre os imigrantes. Alemães e austríacos representavam cerca de 50% de todos os imigrantes estabelecidos em Santa Catarina, e entre 15 a 20% no Rio Grande do Sul e no Paraná. No resto do país, os alemães representavam menos de 5% dos imigrantes.

O século XIX foi marcado por uma intensa emigração de europeus para diferentes partes do mundo, o que conduziu a um processo de europeização destas áreas. Entre 1816 e 1850, 5 milhões de pessoas deixaram a Europa; entre 1850 e 1880 outros 22 milhões de pessoas emigraram. Entre 1846 e 1932, 60 milhões de europeus emigraram. Muitos alemães deixaram os estados alemães após as revoluções fracassadas de 1848. Entre 1878 e 1892, outros 7 milhões de alemães deixaram a Alemanha; depois da década de 1870, a Alemanha foi um dos países de onde o maior número de pessoas emigrou, a grande maioria para os Estados Unidos. De 1820 a 1840, os alemães representaram 21,4% de todos os imigrantes europeus que entraram nos EUA; 32,2% nas duas décadas seguintes; e no final do século 19 eles eram o maior grupo de imigrantes (21,9%) nos Estados Unidos. [8] A imigração alemã no Brasil foi pequena se comparada ao número que foi para os Estados Unidos, e também comparada à imigração de outras nacionalidades, como portugueses, italianos e espanhóis, que juntos representaram mais de 80% dos imigrantes no Brasil no período de maior imigração de europeus. Os alemães apareciam em quarto lugar entre os imigrantes no Brasil, mas caíram para o quinto lugar quando a imigração japonesa aumentou depois de 1908.

Embora a imigração de alemães para o Brasil tenha sido pequena, ela teve um impacto notável na composição étnica do país, principalmente da população do sul do Brasil. Diferentes fatores levaram a essa grande influência. Em primeiro lugar, a imigração alemã para o Brasil é um fenômeno antigo que começou já em 1824, muitas décadas antes do início da imigração de outras etnias europeias para o Brasil. Por exemplo, os primeiros grupos significativos de italianos a imigrar para o Brasil só chegaram em 1875, muitas décadas após a chegada dos primeiros alemães. Quando começou a colonização de outros europeus no Brasil, os alemães já viviam lá há muitas gerações. Outro fator foram as altas taxas de natalidade entre alemães-brasileiros. A pesquisa descobriu que entre 1826 e 1828 uma mulher brasileira alemão de primeira geração teve uma média de 8,5 filhos, e a segunda geração teve uma média de 10,4 filhos por mulher. As taxas de natalidade entre mulheres alemãs brasileiras eram maiores do que as de outras mulheres brasileiras, resultando em um crescimento mais rápido da população de origem alemã do que da população de origem não alemã e um rápido aumento da população de origem alemã no país.

 

https://en.wikipedia.org/wiki/German_Brazilians

 

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (05): UMA NOVA RELIGIÃO E UMA NOVA LINGUAGEM

 Costumes em choque

A maioria dos colonos alemães do grupo de Kusel[1] eram protestantes. Como eram emigrantes ilegais, não trouxeram consigo um ministro religioso. É por isso que eles não podiam ter cultos em sua própria língua e religião e também nenhuma escola para seus filhos. No início, houve até confrontos hostis entre os colonos e os brasileiros, porque os católicos brasileiros não permitiam enterrar protestante falecido em seu cemitério. Por causa da falta de uma igreja protestante, casamentos alemães foram concluídos pelo Juiz de Paz no início, mas logo os protestantes alemães foram para a igreja católica para o serviço, e já em 1829 batizados de protestantes alemães podiam ser encontrados no cadastro da Matriz de Santo Amaro. Os registros eram redigidos por quem faziam os assentamentos de nascimentos e casamentos. A comunicação verbal era um grande problema, e o padre católico escrevia os nomes alemães conforme sua interpretação.

Para a família de Johannes GILCHER, por exemplo, as seguintes variantes de grafia podem ser encontradas lá: Gil, Guilhe, Guilher, Gillgir, Gilger, Gulcher, Kincher, Kincha, Kuinquer, Guilger, dos quais o último mencionado finalmente permaneceu para sempre.

RHEINBERGER tornou-se Reimberger, Reimper, Remper, Rempar e Reimberg.

HELFENSTEIN foi escrito como Helfsten, Helfstem, Elfestem, Olfingstén, Helfstein.

HAESEL como Hesse, Esse, Eser, Essel, Hessel.

ROCKENBACH como Rocumbac, Rocumback, Rocumbá, mesmo Hocumba.

HEIN tornou-se Hên, Hem.

KLEIN: Clên, Cleim, Clêm.

GOTTFRIED: Gutfrid, Godfrit, Godfrits, Gotsfrits.

WEINMANN tornou-se Weihman, Vaiman, Vaimar.

BACKES tornou-se Packs,

BAUERMANN Paulman e Palman.

Os casamentos entre primos não eram incomuns, mantendo laços entre famílias e das tradições alemãs. As gerações vindouras (netos e bisnetos dos primeiros colonos) foi assimilando tanto a língua e a cultura brasileiras criando laços teuto-brasileiros, perdendo-se o contato com o uso fluente da língua alemã.

 

PANORAMA DA COLÔNIA ALEMÃ DE SANTO AMARO

 

A Colônia Paulista de Santo Amaro não prosperou por muito tempo. Em 1837 Santo Amaro era o único local da província onde se produzia batata e era considerada a “despensa da capital”. Mas já em 1847, o governo da província obtém a informação de que não mais de 9 famílias viviam nesta colônia. Em 1850 as colônias existentes no Estado de São Paulo são oficialmente contadas e descritas. Para Santo Amaro, o relatório diz que existe uma colônia alemã, “a cerca de 4 milhas[2] da vila, (aprox. 6,5 quilometros) praticamente desistida”, onde vivem apenas 4 ou 5 famílias. Talvez fosse um pouco longe da aldeia, os alemães muito entre si, isolados, sem nenhuma igreja ou escola, a qualidade do solo talvez não fosse tão boa quanto o esperado, ou tão ruim quanto os colonos palatinos reivindicavam.

 De qualquer forma, muitas famílias mudaram-se para outros “ranchos” ou fazendas, ou da colônia distante para o centro da Vila de Santo Amaro, que em 1839 compreendia 5400 habitantes ou mudavam-se para locais mais proximos da cidade de São Pauloque à época possuía apenas cerca de 25.000 habitantes, quando chegaram os imigrantes alemães.

 

O antigo Cemitério da Colônia Paulista, criado em 1840 com as grandes lápides com cruzes de ferro feitas na fundição Ipanema, Sorocaba, resistem ao tempo na Colônia, hoje um bairro da região de  Santo Amaro onde se encontra sobrenomes alemães da forma original, trazidos pelos colonos alemães, entre os quais havia muitos palatinos, especialmente da região de Kusel.




[1] Kusel é um distrito da Alemanha localizado no estado da Renânia-Palatinado

[2] A origem da milha terrestre, sistema de medida ainda em uso na Inglaterra e nos Estados Unidos – está no “mille passus”, unidade de comprimento utilizada pelo exército romano que correspondia a 1 000 passos dados por um centurião, o comandante das suas milícias. Os passos do centurião tomados como base eram duplos, mais largos que o normal, e a medida encontrada foi o equivalente a 63,36 polegadas, ou 1.609,34 metros.   (O valor resultante da milha marítima é de 1.853,25 metros. Por convenção internacional, esse valor foi arredondado para 1.852 metros.) - https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-a-milha-nautica-e-diferente-da-milha-terrestre/