quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Cidade Dutra - São Paulo/SP: Urbanismo e Planejamento

O grande desafio do Extremo Sul de São Paulo: Responsabilidade Ambiental

A construção da Auto-Estrada S/A, depois denominada Washington Luís em 1928, com 16 Km, ligava a cidade de São Paulo à cidade de Santo Amaro atingido a região do Socorro através do complemento da Avenida Interlagos.

A Cidade Dutra tem como data oficial o início das obras em 25 de janeiro de 1949, com implantação do grande empreendimento residencial prevista para 1500 casas sendo o loteamento planejado e construído com incentivo da empresa Auto-Estrada S/A, do empreendedor Louis Romero Sanson e com financiamento do Caixa de Aposentadoria e Pensões de Serviços Públicos em São Paulo, para uso habitacional de servidores, sendo seu então presidente Dr. Joaquim Fernandes Moreira. Os moradores faziam parte da caixa mutuaria da CAPSP, e funcionários da Light, Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), Companhia de Gás, Departamento de Águas e Esgotos, VASP e da própria Caixa. Foi dotado desse nome em homenagem ao Marechal Eurico Gaspar Dutra, que fora Ministro da Guerra do Governo de Getúlio Vargas e que exercia a presidência do Brasil à época da criação do empreendimento. 
 Eurico Gaspar Dutra.  Crédito da foto de 1939: John Phillips

Possuía infra-estrutura básica com algumas ruas pavimentadas, e alguma iluminação pública, sendo água bombeada de nascentes que formavam o Lago do Autódromo.
O sistema de transporte coletivo possuía deficiência em pontualidade, com poucos ônibus e era feito pela Empresa Marsilac Ltda e depois pela Primor se encarregou dessa área sempre com deficiência costumeiro da setor.
Em 1º de julho de 1950 dar-se-ia a inauguração da “Cidade Previdenciária Presidente Dutra” encontrava-se completamente isolada, mas representou uma experiência pioneira na região. Logo foram estabelecidas linhas de ônibus para atender ao novo bairro que passou a exercer função polarizadora no desenvolvimento de seus arredores.

Em 12 de outubro de 1950 houve por bem da população para reivindicar melhorias, além de participação social e cultural, fundar a Sociedade Amigos de Interlagos, SAI, ocorrendo a primeira reunião à Rua Pagão, hoje Oswaldo Caetano Tosi, em homenagem ao seu primeiro presidente. 



A estrutura administrativa além do mencionado presidente era constituída pelo vice, José Faria Barbosa; secretário Francisco Sales Cleto, seguido de Antonio Mandarino e Felício Sanicandro; com os tesoureiros Nicolau Angelo Martin e Virgílio do Nascimento, tendo um Conselho com os seguintes membros João Aquila; Floriano Embo, Paulo Horcel Sobrinho; João Teixeira de Paula; Francisco de Pasqual; Manuel Gonzales Portela; Germinal de Paula; Vitor Pires, Mario Poggi; Ernesto Pereira Amarante; José França; Atílio Ruggiero; Jacinto da Silva; Silvio Guimarães, Elias Abrão e muitos outros colaboradores.

Depois foi edificada a sede na Rua Mangaratiba, 316, que assim se tornava integrante das Sociedades Amigos de Bairros, Vilas e Cidades do Estado de São Paulo. Pela Lei Municipal 11.066, de 04 de setembro de 1991, foi instituído o “Dia do Bairro Cidade Dutra”.

O JORNALISMO PIONEIRO

O primeiro jornal da Dutra chamou-se Obelisco e foi fundado por Yolando Gomes Sant’Anna, sendo seus colaboradores João Teixeira de Paula e Geraldo Trindade de Morais e seu primeiro número saiu em junho de 1953.
Em agosto de 1955 foi idealizado o segundo jornal denominado “O Cidade Dutra”, sendo seu diretor Walter Bayerlein, com o redator Paulo Horcel Sobrinho e secretário Vicente de Paula Pires.

Depois em novembro de 1964 saia também "O Interlagos" fundado por João Teixeira de Paula.

MARCOS IMPORTANTES 

Alguns marcos ficam registrados ligados pela Avenida Teotônio Vilela








Praça Dona Carmela Dutra, Praça Escolar





 Paróquia São Joaquim, na Rua Maria Adelina França Whitaker, 450 


 Nossa Senhora da Esperança, Rua Nossa Senhora de Nazaré, 101.



EQUIPAMENTOS LÚDICOS E CULTURAIS

Como referência lúdica há de citar o Acadêmicos da Cidade Dutra, o Parque Castelo, o CDC Barcelona, a Sala Chico Buarque de Holanda, CEU Cidade Dutra, enfim uma gama de locais de referência incluindo a Organização Santamarense de Ensino e Cultura, OSEC, que atualmente responde pelo ensino superior como UNISA, além de hospital e maternidade de referência para a população, na  Rua Guaiúba , 312 fundado em 1954.

Outros bairros continuavam a se formar como resultado de iniciativas imobiliárias, através de loteamento de glebas quase sempre sem preocupações urbanísticas ou outros critérios além da obtenção de lucros. Característica comum a todos foi o fato de que a linha de ônibus surgiu em decorrência do núcleo já loteado e ocupado. Por outro lado, as estradas percorridas pelos ônibus funcionaram como eixos, gerando pequenas aglomerações em torno dos pontos de parada ou no terminal da linha. Nestes locais instalaram-se estabelecimentos comerciais e de serviços, geralmente modestos, para atender às necessidades locais e expandiram-se transformando o espaço urbano.


Muito há que contar e acrescer à crônica, que está aberta para novas referências históricas com novas considerações que possam advir da população que “fez a Cidade Dutra”. 


Outros textos complementares disponíveis:

RIO GRANDE DE JURUBATUBA, A “ILHA” DO BORORÉ E A REPRESA BILLINGS

Cidade Satélite de Interlagos, Avenida Washington Luís e o Aeroporto de Congonhas.

EXTREMO SUL DA CIDADE DE SANTO AMARO: SOCORRO!


Referências:

Revista Brasil Novo Milênio, julho/agosto de 2006

A TRIBUNA, 4 de outubro de 1975, p. 9 
  
VALDIR MARTINS, INTERLAGOS: Desafios de um Projeto de ‘Cidade-Jardim’- CAPÍTULO IV Interlagos: do idealizado loteamento estilo ‘Cidade-Jardim’ ao bairro



Zoneamento da cidade de São Paulo:



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A MÚSICA CAIPIRA DE SANTO AMARO/SP

A VIOLA E A CASA DO VIOLEIRO[1]

A viola é o símbolo da música sertaneja[2], conhecida como moda de viola ou música de raiz. É um instrumento de cordas e há várias denominações desse instrumento como, por exemplo: viola de pinho, viola de caipira, viola sertaneja, viola de arame, viola de cabocla, viola nordestina, viola de Queluz, viola de serena, viola brasileira entre tantas outras denominações. A origem está nas violas portuguesas provenientes de instrumentos árabes, como o alaúde, trazidas provavelmente por colonos e jesuítas que faziam uso catequético delas. Faz parte do folclore que preserva a cultura caipira oriunda de uma época colonial e que possui fortes laços religiosos e com alguma superstição enraizada no contexto. Sua relação está com os habitantes do interior onde se preservou certas características de costumes como São Paulo, Minas Gerais, como um termo próprio de capiau, no Nordeste conhecido como matuto e mais ao sul como colono. A história destas pessoas foram passadas para entoadas próprias que muito contavam de si e seu jeito de ser.

A PARÓQUIA SÃO LUIZ GONZAGA E A CASA DOS VIOLEIROS DE SANTO AMARO

Em agosto de 1973 Santo Amaro com auspiciosa colaboração da Paróquia São Luiz Gonzaga, através de seu pároco Edmundo da Mata participava da formação da “Casa do Violeiro de Santo Amaro”, onde houve apresentação de gala nas dependências da igreja que ocorreu em 14 de outubro de 1973 em “missa ao som de violas e violões”. Na ocasião houve a colaboração de seu organizador o “caboclo” Silva Araújo, o professor Armando Vidal e o senhor Armando Cury, que á época era diretor da revista Acampamento.

SANTO AMARO E A MANIFESTAÇÃO DA MÚSICA CAIPIRA

Com o passar do tempo os Violeiros de Santo Amaro, como a população os chamava, foi se apresentando em “rodas de viola” em manifestação de cultura popular ligada a história de Santo Amaro, prontos a se manifestarem com boa música caipira, que em seus quadros possuíam compositores e improvisadores.  A manifestação era imediata, espontânea e a platéia ficava entretida a observar os acordes de grandes violeiros que se apresentavam em praça pública da Floriano Peixoto, o Jardim de Santo Amaro e muitas vezes no Mercado Velho Municipal. Havia no grupo do já citado incentivador Silva Araujo que tinha vindo de São Manoel e fixado residência em Santo Amaro e chegou a criar o Festival da Viola de Santo Amaro onde se reunia uma turma grande de violeiros de várias partes do Brasil. A competição e grande mais salutar com um show digno da grandeza santamarense e geralmente apresentavam-se na Praça da Viola. Sem muito apoio conseguiram manter por muito tempo apenas pela dedicação e amor a música de raiz. Silva Araújo levava toda essa manifestação artística folclórica a se apresentar em Tietê na “Semana de Cornélio Pires[3]” no mês de agosto. Houve ainda o 1º Festival de Música Sertaneja da Rádio Record, em São Paulo, em 1978, que apresentou esse universo da música caipira.
CARICATURA de Cornélio Pires - CAPA DO LIVRO "MEU SAMBURÁ": Companhia Editora Nacional, 1928

Há uma série de manifestações que eram apresentadas como a catira, cururu, folia de reis, fandango de tamanco, bugre da caiapó, moçambique, congada, quadrilha, enfim uma série de manifestações folclóricas de grande representatividade.

Assim era a música caipira alegrava Santo Amaro!



Espera-se a crítica da crônica e material fotográfico que se possa disponibilizar para ilustrar este momento representativo sobre os Violeiros de Santo Amaro.



REFERÊNCIAS







Memória da Cultura Popular. Acervo Instituto Memória do Brasil. Nº 17, 9/9/2013

OS TERRATENENTES DO BRASIL (18): Termos Pejorativos Usados para Designar os Povos da América





[1] A criação da primeira Casa do Violeiro do Brasil aconteceu oficialmente em 10 de fevereiro de1971, embora se apresentassem antes da formação da entidade civil. Foi da Casa do Violeiro que saiu a primeira Orquestra de Violeiros do Brasil, com sede em Osasco, São Paulo, iniciando na Igreja de Santo Antônio com apoio do monsenhor Camilo Ferrarini. O fundador da Casa do Violeiro do Brasil foi o tenente Marino Cafundó de Moraes (1921-2010), regente e compositor de música sertaneja. É dele e de Marçal e Duartinho a autoria da Missa sertaneja (Edições Paulinas), gravada em disco compacto em 1979. O tenente Mariano Cafundó de Moraes morreu em 28 de fevereiro de 2010, aos 88 anos e a orquestra perpetua-se com abnegados que mantêm as tradições da música caipira.

[2] Atualmente a música caipira é chamada de música raiz para se diferenciar da música sertaneja.

[3] “O que são caipiras? São os filhos de nossas brenhas, de nossos campos, de nossas montanhas e de ubérrimos vales de nossos piscosos rios”, perguntava e ao mesmo tempo respondia Cornélio Pires, o mais importante e dedicado estudioso espontâneo dos usos e costumes do povo do campo.
O grande incentivador da vida rural paulista até hoje foi Cornélio Pires (1884-1958), nascido em Tietê, que viveu toda a vida desempenhando profissões de jornalista, humorista, brincante etc.. Ele deixou 23 livros publicados, o primeiro de 1910 (Musa caipira; Livraria Guimarães) e dois filmes, “Brasil pitoresco” de 1923; e “Vamos passear” de 1934, dirigidos por ele, dando espaço a música caipira quando ninguém acreditava ser rentável patrociná-la. Cornélio foi também o primeiro produtor de discos independentes do Brasil. Cornélio em selo independente produziu até o início de 1931 uma série de 49 discos, com 98 gravações, patrocinando os custos de produção do que se convencionaria chamar de moda de viola. No campo da música caipira, quase tão importante quanto Cornélio foi o seu sobrinho Ariowaldo Pires (1907-1976), autodenominado de Capitão Prudêncio Pombo Furtado ou Capitão Furtado, como gostava de assinar suas obras; um personagem fictício da Revolução Constitucionalista de 1932. Descobriu talentos como Tonico e Tinoco, Alvarenga e Ranchinho e Hebe Camargo, entre outros, era um homenzarrão brincalhão e afável e também o mais profícuo compositor de São Paulo, possuindo muitas composições, versões e adaptações do gênero.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ÍNDICE: TEXTOS SOBRE O BAIRRO JARDIM SÃO LUIZ-SÃO PAULO/SP

TEMPO E ESPAÇO HISTÓRICO

Anexamos alguns links da parte da história do Bairro Jardim São Luiz, para conhecimento daquilo que um dia foi “um pedaço de chão” aonde nossos pais e avós vieram lutar pela vida no cotidiano e hoje faz parte de nossa história.

Interagir com o espaço ocupado, permanecer no “lugar” deve ser entendido como aceitação Cada pessoa é responsável pelo espaço em que vive e melhorá-lo como integrante do bem estar social e convivência harmoniosa.

Não pertencemos somente porque nascemos em determinado espaço, mas porque participamos deste espaço.

Na história precisa-se desarmar de tudo e a observação deve ser desprendida, sem prévios conceitos de nossas convicções e penetrar no universo dos outros, a alteridade, aceitação das diferenças, mesmo que ela pareça estranha a nossa ótica.

Podemos discordar de opiniões, mas os fatos se sobressaem aos nossos conceitos subjetivos, pois possuímos o livre arbítrio e a liberdade de expressão.

Boa leitura de ampliação do conhecimento local e que compartilhemos nossas experiências para que recuperemos parte de nossa identidade onde cada local represente algo de pertencimento na vida de cada jardinense.


TEXTOS: não há uma sequência a seguir, pode-se ler independente um do outro 

01-BAIRRO JARDIM SÃO LUIZ, São Paulo/SP

02-João Dias, em Santo Amaro e o Bairro Jardim São Luiz /SP

03-Yoshimara Minamoto, o Bairro Jardim Brasília e o time de várzea: Distrito São Luiz

04-Os Ônibus de Emílio Guerra, a Viação Colúmbia e a Empresa São Luiz Viação Ltda

05-O BAIRRO NAGIB SALEM E A SAGA SÍRIO-LIBANESA NO JARDIM SÃO LUIZ/SP

06-Bernardo Vicente Xavier e o Bairro Jardim São Luiz, São Paulo

07-A Pintura Artística na Paróquia São Luís Gonzaga: Frei Lázaro Aparecido Diogo

08-O Escultor Marino Del Favero e a Imagem de Nossa Senhora da Penha no Bairro Jardim São Luiz/SP

09-PONTE LAGUNA E PONTE ITAPAIÚNA, NO RIO PINHEIROS, SÃO PAULO

10-Escola Adventista e o Capão Redondo: 100 anos de convívio

11-Geraldo Fraga de Oliveira, um expoente do Bairro Jardim São Luiz/SP http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2017/02/geraldo-fraga-de-oliveira-um-expoente.html


12-O Morro do Elizeu e o Centro Empresarial de São Paulo no Bairro Jardim São Luiz / São Paulo  http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2016/01/o-morro-do-elizeu-e-o-centro.html

13-Padre Edmundo da Mata e o Bairro Jardim São Luiz-São Paulo https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2018/06/padre-edmundo-da-mata-e-o-bairro-jardim.html

14-O Peixeiro Amaro “Macuco”: Jardim São Luiz/ São Paulo 

15-Baby Pignatari e Nelita Alves de Lima: Fundação Julita (Jardim São Luiz)

16-O Jardim São João e “seu” João Manecão

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2013/09/o-jardim-sao-joao-e-seu-joao-manecao.html


17-A escultura “Homenagem a Alceu Amoroso Lima” de León Ferrari e o Jardim São Luiz/SP http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2016/07/a-escultura-homenagem-alceu-amoroso.html

18-João Brito de Araújo e a Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio no Jardim São Luiz/SP http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2017/01/joao-brito-de-araujo-e-piramides.html

19-Os feirantes mais antigos do Bairro Jardim São Luiz, quiçá de São Paulo, na ativa! http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2017/04/os-feirantes-mais-antigos-do-bairro.html

20-Santo Amaro e Jardim São Luiz: do carro de boi ao metrô de São Paulo http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2018/03/santo-amaro-e-jardim-sao-luiz-do-carro.html

21-Benzedeiras, Criações e Parteiras: Bairro Jardim São Luiz, São Paulo




24-A PRIMEIRA COMISSÃO DA CONSTRUÇÃO DA PARÓQUIA SÃO LUIZ GONZAGA/SÃO PAULO http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2016/08/a-primeira-comissao-da-construcao-da.html



26-IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE SAÚDE NO JARDIM SÃO LUIZ: SUS, UBS, AMA, AME e PSF http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2016/06/implantacao-do-sistema-de-saude-no.html 

27-Maria do Carmo Felismino (Dona Corrinha) e o Bairro Jardim São Luiz/São Paulo http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2016/06/maria-do-carmo-felismino-dona-corrinha.html

28-O futebol de várzea e "Seu" Quita do "Sete de Setembro": Jardim São Luiz/SP http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2016/06/o-futebol-de-varzea-e-seu-quita-do-sete.html 

29-Antonio Manuel Alves de Lima: A Elite Cafeeira de São Paulo e o Jardim São Luiz/SP http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2016/06/antonio-manuel-alves-de-lima-elite.html

30-A Catedral de São Paulo, o artífice Daniele Amato Pascale e o Jardim São Luiz/SP http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2015/12/a-catedral-de-sao-paulo-o-artifice.html

31- Pioneirismo da “Panificadora São Luiz” no Bairro Jardim São Luiz/SP https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2019/06/pioneirismo-da-panificadora-sao-luiz-no.html

32- Bairro Jardim São Luiz: Loteamento em São Paulo de 1938! https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2019/06/bairro-jardim-sao-luiz-loteamento-em.html

33- Projeto identidade e pertencimento no Bairro Jardim São Luiz/SP https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2019/06/projeto-identidade-e-pertencimento-no.html

34- Antônio da Mata Júnior, a Rua da Paróquia São Luiz Gonzaga: Jardim São Luiz, São Paulo https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2019/05/antonio-da-mata-junior-rua-da-paroquia.html

35- A PRIMEIRA CAPELA DE SÃO LUIZ GONZAGA: BAIRRO JARDIM SÃO LUIZ, SÃO PAULO https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2019/05/a-primeira-capela-de-sao-luiz-gonzaga.html

36- O Chafariz do Largo da Misericórdia em São Paulo em granito doado pela Vila de Santo Amaro! Será? https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2019/02/o-chafariz-do-largo-da-misericordia-em.html


37- As Crianças da rua amiga (RUA 25): Jardim São Luiz/São Paulo https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2018/12/as-criancas-da-rua-amiga-rua-25-jardim.html

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Yoshimara Minamoto, o Bairro Jardim Brasília e o time de várzea: Distrito São Luiz

IDENTIDADE E PERTENCIMENTO LOCAL

A família Minamoto, é parte de tantas outras que vieram do Sol Nascente e iniciaram sua saga no Brasil a partir de 1908 quando aportaram em Santos com o navio Kasato Maru.
Yoshimasa Minamoto
Yoshimasa Minamoto veio muito jovem para o Brasil, em 1923, e era natural da província de Ishikawa-Ken, onde nasceu em 1903, honrou sobremaneira a história de sua família e de seu país, o Japão.
Há no Bairro Jardim Brasília, que se confunde com o bairro Jardim São Luiz, uma rua em homenagem ao senhor Minamoto, mas que por desconhecimento do significado importante de seu nome em japonês, o requerimento da Câmara Municipal registrou a rua com o nome Yoshimara ao invés de Yoshimasa.
Das tradições enraizadas no bushidô (código de honra) com mais de 700 anos de tradição histórica, baseado no código moral ético com valores de perseverança, retidão e honra, definia-se como sendo da linhagem dos samurais, ao qual pertencia. Estabeleceu-se no início como colono em fazendas de café na região da Alta Mogiana, deslocando-se depois para a cidade de Pitangueiras.
Em 1936, mudou para a Alta Sorocabana, próximo as cidades de Álvares Machado e Presidente Bernardes, em São Paulo, localidade de fortes laços nipônicos, dedicando-se a agricultura típica do local, café, amendoim e algodão. Hoje essa região do Pontal se tornou área de pasto para animais da pecuária brasileira.
Contraiu matrimônio com a senhora Taka Minamoto e precisava buscar novos rumos, pois a família crescia. Em 1947, com muitos sonhos e ideais, embarcou no moderno sistema ferroviário paulista de então e com coragem dirigiu-se para a Capital de São Paulo, instalando-se em Santo Amaro, onde se situa atualmente o Bairro do Panambi, na estrada velha do Morumbi, na Rua Itapaiúna, próximo a Ponte João Dias, onde cultivava hortaliças, batatas e frutas. Hoje o local está se desenvolvendo com a especulação imobiliária e ganhando nova estrutura viária com a ponte Itapaiúna.
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MESMO ESPAÇO EM DOIS MOMENTOS: DÉCADA DE 1960 E ATUALMENTE

CONSTRUÇÃO DA PONTE ITAPAIÚNA
A família cresceu e completada pelos filhos Romário, Fuguetsu, Shooin, Teruko, Mitiko e Satiko, tornando-se pioneiros na região exercendo sua cultura milenar mesclada com o jeito caipira do local.
Para que seus filhos pudessem estudar o senhor Minamoto atravessava- os em um pequeno barco a remo de uma margem a outra do Rio Pinheiros, onde caminhavam até o Grupo Escolar Paulo Eiró, em Santo Amaro. Depois faziam o caminho inverso e eram reencaminhados para casa, atravessando em canoa o mesmo rio.
Marco de uma era cultural efervescente de Santo Amaro com o brilho das festas de cunho religioso com todo fervor popular como as festas do Divino e festas juninas, a família dava continuidade disciplinar aos Minamoto, no estilo japonês de respeito às culturas locais. 

MESMO ESPAÇO EM DOIS MOMENTOS: 1928 e 1978 ano da demolição completa


O Grupo Escolar Paulo Eiró foi demolido pelo Poder Público sem motivo aparente na década de 1970, sendo em seu lugar construída a Praça Salim Farah Maluf e a escola Paulo Eiró ganhou novas instalações na Rua Padre José Maria, perto do atual terminal de ônibus Santo Amaro.
Da família Minamoto surgiu uma educadora conhecida no bairro como a professora “Dona Terezinha”, que era como seus alunos chamavam à senhora Mitiko Minamoto, que lecionou por muito tempo em escolas públicas do Jardim São Luiz.
Mais tarde o senhor Yoshimasa arrendou terras na "Chácara dos Padres" nas proximidades da Avenida João Dias, que pelo afluxo de muitos nipônicos ficou registrado oficialmente como “Chácara Japonesa” próximas ao lado oposto ao antigo Mercado Municipal de Santo Amaro, atualmente Casa da Cultura Manoel Cardoso de Mendonça, onde se apresenta o Samba da Vela.

MESMO ESPAÇO EM DOIS MOMENTOS: ÁREA DE INTERESSE IMOBILIÁRIO
Neste local onde era uma área de cunho rural instalou-se mais tarde o Laboratório Squibb, iniciando a produção de medicamentos. Encerrou suas atividades na Avenida João Dias, número 966, no início da década de 2000. Por algum tempo ainda manteve em suas dependências a Prodotti Laboratório Farmacêutico, mas depois foi tudo demolido e na atualidade é um terreno que esta sendo descontaminado para dar lugar a empreendimentos imobiliários.
Com a vinda deste laboratório as terras ocupadas pelos agricultores foram vendidas, obrigando-os a entregar a propriedade. Sempre com sonhos e usando a força do trabalho, no ano de 1948 o senhor Yoshimasa mudou-se de Santo Amaro onde as terras eram arrendas para o florescente Bairro do Jardim São Luiz. 



Loteamento iniciado em 1938, pela Companhia Paulistana de Terrenos, com típicas características rurais, o senhor Yoshimasa adquiriu um alqueire e meio de terras aráveis, onde, mais tarde, originou-se parte do Bairro do Jardim Brasília, divisa com o Jardim São Luiz pela Rua João Fernandes Camisa Nova Junior, onde se situa a Padaria Rainha do Bairro e onde foi anteriormente pasto de cavalos, num descampado ainda coberto por grande vegetação.
Os Minamoto iniciaram novo modelo de empreendimento, diferenciado do costumeiro, que era cada família possuir um galinheiro particular repleto de aves para completar o sustento. Assim se construiu a primeira granja para produção e comercialização de aves e ovos na região.

Tanto foi sua participação no quotidiano santamarense que presidiu ainda a "Associação Japonesa de Santo Amaro" e também a "Comercial de Santo Amaro" com dedicação e honradez que o caracterizou ao longo da vida estampado no seu próprio nome.
Yoshimasa Minamoto com méritos por serviços prestados na região foi agraciado pela Câmara Municipal de São Paulo com comenda de mais relevante honraria, característica que o marcou até o limiar de sua existência acontecido em 24 de agosto de 1977, ficando seu nome como exemplo às futuras gerações como o próprio nome Yoshimasa representa: "Grande e de Bons Feitos".





No ano de 2015 comemora-se 120 anos do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão, iniciado em 1895 que possibilitou a vinda deste povo laborioso, que hoje vêem seus filhos fazerem o caminho inverso para o Japão onde são conhecidos com decasséguis, literalmente “trabalhando distante de casa” como fizeram seus antepassados anteriormente vindos ao Brasil.

A Rua Yoshimara Minamoto, que mesmo com o nome com erro em sua escrita, representa a possibilidade de expansão imobiliária de grandes edifícios para moradias, por ter áreas grandes desocupadas(GLEBAS) que estão sendo adquiridas por grandes empreiteiras crescendo o número de prédios circunvizinhos aos vilarejos locais que se situam no Distrito São Luiz. 

MESMO ESPAÇO EM DOIS MOMENTOS: ONTEM E HOJE 

(Qual é o Plano Diretor para a região que se expande sem controle e com uma infraestrutura antiga?)

Esperemos que o poder público esteja atento a este crescimento imobiliário e de respostas positivas com implantação de infraestrutura condizente com o urbanismo que avança pela região propiciando a vinda de um enorme contingente de pessoas que demandarão necessidades básicas de bem estar social.

O Bairro do Jardim Brasília ganhou infra-estrutura e desenvolveu-se ganhando organizações de cunho social como a Casa do Meninos, entidade que fomenta amparo a juventude e ainda uma casa de amparo “Casa Madre Teodora dos Idosos” tendo a frente da administração a irmã Natalina Cerchiaro. 



Este local foi anteriormente um  campo de futebol de várzea do Vasquinho onde se reuniam todos os adeptos desta modalidade esportiva. Depois a área passando a ter cunho social foi idealizado novo campo de futebol para receber os jovens que começaram a defender as cores do C.R. Vermelhinhos do Ritmo que mais tarde passou a ser denominado de Jardim Brasília Futebol Clube, JEBEC, com data de fundação em 20 de maio de 1964, pelo decreto 12.429/75 e ata de fundação de 26 de abril de 1976, que passou a fazer parte dos locais lúdicos sendo denominado como Clube Desportivo Municipal União Brasiliense de Esportes, e que ganhou na década do ano 2000 o nome de Clube da Comunidade, diretamente subordinado a Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo.


MESMO ESPAÇO EM DOIS MOMENTOS

Yoshimasa Minamoto é exemplo de tenacidade no trabalho e exemplo que deve permanece para as gerações precedentes que possuem identidade e pertencimento com Bairro Jardim Brasília e são responsáveis para cultuar o bem estar social de toda comunidade em todos os campos de relações pessoais.



Muito há de se contar, e a crônica está aberta para novas referências históricas.


Vide: