terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O morro do Elizeu e o Centro Empresarial de São Paulo no Bairro Jardim São Luiz

O morro do Elizeu
O “Morro do Elizeu” é toda extensão onde na década de 1970 implantou-se o Centro Empresarial de São Paulo, e que foi administrado pela Lubeca e na atualidade pelo grupo Panamby, da família do então governador de São Paulo, Orestes Quércia e está situado no Bairro Jardim São Luiz, em São Paulo.

O proprietário desta extensão de terra dentro daquilo do que viria a ser parte do bairro do Jardim São Luiz era o senhor Elizeu Schmidt, casado com Maria de Lourdes Queiroz Schmidt, proprietária da escola de corte e costura na Rua Paulo Eiró, em Santo Amaro.

CAPELA NOSSA SENHORA DA PENHA DEMOLIDA EM MAIO DE 1973

Nesta localidade havia pequenas chácaras de produtos agrícolas fornecidos em feiras livres e boa parte abastecia os mercados da cidade de São Paulo. A família de Elizeu Schmidt residia nas imediações, à Rua Capitão Tiago Luz, em Santo Amaro.
Conforme depoimento oral de decanos locais, o pai de Elizeu Schmidt, seu Carlitos, muito conhecido na região, era proprietário legítimo inclusive do conhecido Morro do Elizeu, onde havia uma cruz, (cruzeiro) no alto do morro rodeado por mata nativa e com uma parte de arrendamento para plantação de eucaliptos, visitava este patrimônio de terras que administrava pessoalmente.

MORRO DO ELIZEU: MATA A DIREITA LOCALIDADE DO ATUAL CENTRO EMPRESARIAL DE SÃO PAULO

Vizinho na mesma localidade residia o senhor Horácio, que desfrutava da mina de água que descia das ribanceiras do que mais tarde foi loteado para ser, a partir de 1938, parte do bairro Jardim São Luiz. Os dois vizinhos sempre estavam às rusgas por causa desta benesse, que era a mina d’água. As ofensas eram mútuas, mas sem nunca terem ido às “vias de fato”, ou seja, agredidos fisicamente. O centro das grandes ofensas verbais era a cidade de Santo Amaro, onde passavam em suas montarias bem “arreiadas” vindos da “cidade” de Santo Amaro.

De ofensas em ofensas culminou com um desfecho nada condizente entre os dois cavalheiros: certo dia, nos idos de 1920, seu Horácio estando no bosque da Praça Floriano Peixoto, foi tomar satisfação com seu Carlitos, e em acalorada discussão, seu Horácio golpeou seu vizinho Carlitos que não teve como se defender e jazeu em frente a sua residência, em Santo Amaro. Horácio cumpriu pena pelo delito e depois pôs a venda a propriedade da sua chácara no que viria a ser o Jardim São Luiz, para o comerciante Adib Bechara.
ANTIGA AVENIDA JOÃO DIAS

ATUAL AVENIDA JOÃO DIAS-TERMINAL DE ÔNIBUS

Depois deste trágico acontecimento, o filho primogênito de seu Carlitos, senhor Elizeu, teve que assumir todos os compromissos administrativos dos bens materiais paterno. Manteve por muito tempo o “patrimônio” deixado pelo pai, no Bairro do Jardim São Luiz, vindo a falecer em 1985, aos 80 anos, sendo seu jazigo um “patrimônio” do Cemitério de Santo Amaro, com obra de arte produzida pelo artista santamarense, Julio Guerra.

CEMITÉRIO DE SANTO AMARO: JAZIGO DA FAMÍLIA DE ELIZEU SCHMIDT

As bênçãos advindas de Nossa Senhora da Penha, nos guarde de todo mal! Amém.


O Centro Empresarial de São Paulo e a LUBECA / PANAMBY

O Centro Empresarial de São Paulo é um complexo de escritórios de empresas de médio e grande porte que foi planejado e administrado pela LUBECA S.A. EMPREENDIMENTOS E ADMINISTRAÇÃO em uma área de 23 hectares (230 mil metros quadrados. A LUBECA era associada à S.A. Moinho Santista, sendo o projeto iniciado em 1974. A primeira empresa a se instalar no empreendimento foi a multinacional francesa Rhodia, em 1977.
TERRAPLENAGEM PARA INSTALAÇÃO DO CENTRO EMPRESARIAL  

O Centro Empresarial de São Paulo está localizado a 17 quilômetros do centro da cidade de São Paulo, entre as avenidas Guido Caloi e Maria Coelho Aguiar.

Foi inaugurado em 1977 de quase 500 mil metros quadrados de construção, onde circulam 20 mil pessoas diariamente. O projeto ficou a cargo da Construtora Alfredo Mathias, em 1973, com a assinatura da parte civil do engenheiro João Henrique da Rocha e o paisagismo sobre responsabilidade de Victor Del Mazo.


O conjunto composto em seis espigões foi construído para comportar empresas de renome internacional, lojas, agências bancárias, lanchonetes e restaurantes, centro de convenções, farmácias e correio. O restaurante Belvedere possuía visão panorâmica e ocupava a parte de trás do Morro do Eliseu, como era conhecida toda esta área, oposto a atual Avenida Maria Coelho Aguiar que também já se denominou como Avenida São Luiz. A responsável para a construção do Centro Empresarial de São Paulo, LUBECA, era um braço do Grupo Santista e foi constituída para construir o Centro Empresarial que à época estava orçado em 230 milhões de reais.



A Moinho Santista estava associada a Bunge Y Born o maior grupo empresarial de Argentina, fundada em 1884 por Ernesto Bunge y Jorge Born, com ramificações em várias partes do mundo no ramo de alimentos, ingressando no Brasil no setor algodoeiro. A S.A. Moinhos Santista, a Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro (SANBRA) e a Moinho Fluminense S.A. estavam na composição acionária da empresa LUBECA.

A LUBECA também possuía o interesse em um grande projeto urbanístico denominado Panambi, na antiga Estrada do Morumbi, onde hoje esta sendo construído o complexo viário da ponte Itapaiúna, numa área total de 484 mil metros quadrados de vegetação natural. Á época a LUBECA planejava instalar no local 35 edifícios de alto padrão, residencial, 12 comerciais e 2 parques, área de lazer, um hotel 5 estrelas do grupo HYATT e um centro gastronômico.

LOCAL DO PANAMBI NA DÉCADA DE 1960: SENTIDO ITAPAIÚNA

LOCAL NA ATUALIDADE SEM A PONTE ITAPAIÚNA

PONTE DA LIGHT SOBRE O RIO PINHEIROS

CONSTRUÇÃO DA PONTE ITAPAIÚNA SOBRE O RIO PINHEIROS

O parque público reservado pela LUBECA, exigência municipal, depois de alguns percalços ocorridos, abrangia 63 mil metros quadrados e outra área de 10.500 metros quadrados para um parque privado!
Esta área pertencia Baby Pignatari[1] e foi adquirida em 1951 onde fez construir uma mansão de 7 mil metros quadrados onde o arquiteto do projeto era Oscar Niemeyer, sendo o paisagista Burl Marx. A LUBECA arrematou a área da Chácara Tangará do filho de Baby Pignatari, Giulio Pignatari, em 1986. Era intenção ser o local a nova sede da LUBECA, nesta área de 484 mil metros quadrados.

Existia uma preocupação com as áreas verdes locais e a “Frente Verde” da Câmara Municipal em 1989 acompanhou o “transplante” de árvores nesta área onde a LUBECA pretendia implantar o projeto de loteamento de conjuntos de prédios comerciais, escritórios e residenciais. Esse ajuste de intenções não estava ligado a reposição de quantidades de árvores que sejam arrancadas no local de origem, podendo ser transplantadas em quaisquer locais indicados pela municipalidade.



Seria tudo “estudado” pela Comissão do Meio Ambiente e Urbanismo da Câmara Municipal. Neste tempo alguns estudiosos em gestão de ocupação de solo requeria para a Chácara Tangará tornasse referência  de “zoneamento 8” consideradas de usos especiais que compreende áreas públicas, livres e estrategicamente localizadas, como por exemplo o Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Por razões de cunho empresarial a LUBECA passou a ser denominada Panamby Empreendimentos e Participações Ltda.

A questão está protelada por algum tempo sendo que o parque de 15 mil metros quadrados deveria chamar-se Panaúba onde consta existir somente capoeiras e eucaliptos e o segundo parque deveria ter aproximadamente 130 mil metros quadrados e teria o nome do “causador do empreendimento” requerido, ou seja, Panamby, com “y” e englobaria os jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, onde está hoje o Parque Burl Marx de administração privada da Fundação Aron Birmann.

O Centro Empresarial de São Paulo teve sua primeira etapa concluída em 1977 totalizou com seis blocos de oito andares de escritórios perfazendo uma área de 350 mil metros quadrados, sendo que os blocos possuem altura máxima de 55 metros circundados com 175 metros quadrados de paisagismo.



Havia o processo número 60.553 no Departamento Estadual de Recursos Naturais com estudos técnicos da região e à época eram contrários ao desmatamento do terreno que foi adquirido pela LUBECA e o citado órgão encaminhou à Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) sugerindo a proteção da área. Foi feito por parte da LUBECA, o pedido de abertura e alargamento de vias públicas na Chácara Tangará, comprometendo na época 55 metros quadrados de vegetação.

Os “bárbaros” estão chegando ao Panambi e irão conseguir o seu intento de idealizar os interesses imobiliários!

São estas conjecturas da história, que precisam ser, de certo modo, levadas em consideração em busca dos fatos da realidade. Se há algo que possa ser acrescido, todos podem fazê-lo para ampliar os horizontes históricos do lugar.




[1] Vide:
Baby Pignatari e Nelita Alves de Lima: Fundação Julita(Jardim São Luiz)

1 comentário:

Valins Gourmet disse...

Prezado, Carlos.

Felicito-o por trazer a todos nós, informações históricas de nossa região.

A preservação das nossas raízes são primordiais para entendermos como éramos e onde chegamos.

Parabéns novamente por este excelente trabalho.

Hércules Valins