quarta-feira, 24 de novembro de 2010

AS INDÚSTRIAS E A DESINDUSTRIALIZAÇÃO EM SANTO AMARO

Brasil:Estado Forte de Povo Fraco-Tecnicismo Forçado

Temos sempre satisfação em ver que aqueles que estimamos, mesmo não os conhecendo, foram os baluartes do desenvolvimento industrial de Santo Amaro e fizeram com que pesquisássemos este vasto território para descobrir mais sobre a industrialização em São Paulo em demonstração de admiração por muito que representou uma época de grandes realizações. Assim é muito importante recordar o bibliográfico e empresário José Mindlin.
A lembrança deste ilustre homem acadêmico, esta ligada a empresa METAL LEVE, sendo ele um de seus fundadores juntamente com as famílias Gleich, Lafer e Klabin, e que responde na atualidade pela razão social MAHLE Metal Leve S.A. de mudança definitiva para Itajubá, Minas Gerais. A empresa estava localizada à Rua Basílio Luz, nº 535, sempre repleta de operários que buscavam colocação nesta conceituada indústria.

Trabalhei em empresas do ramo automotivo, que desenvolviam pistões, blocos e cabeçotes de motores. Quando jovem recém saído das fileiras de formandos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, SENAI, uma das empresas que mais atraia os interesses dos jovens recém formados era a METAL LEVE. Fui um dos que pleitearam estar entre as fileiras do quadro de colaboradores, pois possuía um campo vasto de aprendizagem apoiado por um afamado departamento técnico de desenvolvimento.
Havia iniciado minha carreira profissional na ELETROMAR, uma empresa de material elétrico, que fabricaram as primeiras luminárias denominadas “pétalas” desenvolvidas para iluminar as Avenidas Marginais, que ainda hoje são vistas em sua extensão. Esta empresa estava situada no final da Rua Amador Bueno, em Santo Amaro, depois adquirida pela
WESTINGHOUSE. Vizinha a esta estava a INBEL S.A., que tinha como referência a fabricação de eletrônicos para armamento bélico, que abastecia os equipamentos da ENGESA, fabricante de tanques e lançadores de mísseis e a visita das altas patentes do exército estavam presentes, pelo ritmo frenético de produção de crescer a todo custo, mesmo sendo alto o preço a pagar.
Na Rua Engenheiro Francisco Pitta Brito, nº 138, estava localizada a COMPANHIA METALÚRGICA PRADA que fabricava latas para embalagem de comestíveis, era concorrente da CANCO que mais tarde se tornaria RHEEM, situada na Chácara Santo Antonio.
Neste mesmo circuito estava a HARTMANN-BRAUN, no final da Rua Campos Salles, nome este alterado mais tarde para Rua Mário Lopes Leão, que produzia equipamentos para controle eletrônico, e na outra esquina estava a empresa LABORATÓRIOS LEPETIT, do Grupo Dow Chemical, que após a desocupação foi usado ainda pela Casa Cor Paulista, e na atualidade todo este complexo industrial foi completamente demolido para dar espaço a prédios imobiliários.
Na Rua Amador Bueno situava-se a BURROUGHS ELETRÔNICA LTDA, fabricante de máquinas de escritório, tornando-se depois depósito de ponta de estoque da loja de departamentos Mappin, área ocupada mais tarde pela NATURA, empresa do ramo de cosméticos.

Nós, recém formados nas fileiras das escolas técnicas, queríamos ser integrados nas melhores empresas em Santo Amaro, onde se incluía a METAL LEVE, mas as contingências da vida fizeram-me enveredar para o campo metalúrgico, siderúrgico e mais tarde o de mineração no desenvolvimento de prospecção da VALE, hoje uma potencia que vale mais de US$ 150 bilhões e foi entregue por menos de 5% desse valor. Um detalhe: as grandes empresas do setor siderúrgico também nunca deram lucro ao país, e depois de adquiridas por grandes conglomerados internacionais, além de valiosíssimas rendem na atualidade grandes dividendos[1]. ENTRADA ANTIGA
ENTRADA ATUAL

Havia feito testes na METAL LEVE e também na FORNOS INDUSTRIAIS PYRO LTDA, na Rua Amador Bueno, nº 219, no local que anteriormente havia sido o galpão da ERWAL, válvulas industriais, onde se construiu o Shopping Largo 13, em frente a AMORTEX, de peças automotivas, e que hoje está instalado o Poupa Tempo de Santo Amaro. Optei pela segunda empresa que havia oferecido alguns benefícios que facilitavam minha vida estudantil.

Havia um contingente enorme de jovens saídos das fileiras de formação profissional do SENAI, onde fomos “treinados para produzir”, e na mesma época havia sido instituído o regime de exceção, com “pressa” de desenvolvimento a qualquer custo, com a implementação do PNDE, Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico.
Havia uma exigência de capacitação pela falta de mão de obra e deste modo formavam-se homens de grande competência técnica e pouca formação intelectual, não era uma determinante pensar, como ainda não o é, para controle das massas é melhor mantê-la na ignorância e deste modo não participar efetivamente nos destinos dos interesses populares e do país. Assim fomos “adestrados” para responder em prol do Estado forte e um povo fraco. Nos murais estudantis os jovens eram procurados para completar o quadro de mão-de-obra especializada, sendo o nosso entusiasmo juvenil o único poder que possuíamos.

Como precisava dar complemento à minha vida estudantil e trabalhista a empresa a qual optei, estava nas proximidades do Largo Treze de Maio, onde fervilhava toda informação necessária aos jovens, onde a formação estava restrita ao campo tecnológico. Para entrar numa escola pública tínhamos que prestar um exame denominado de “vestibulinho” para complementação dos estudos, eram poucos que se prestavam a ter as duas formações, técnica e de conhecimento geral. A Secretaria da Educação, à época representada pela digníssima professora Esther de Figueiredo Ferraz, irmã do prefeito de São Paulo, dificultou a entrada nestes cursos, decretando que jovens acima dos dezoito anos não poderiam cursar o ensino gratuito do Estado. Mesmo assim insisti e fiz os exames seletivos, sendo obrigado a entrar com “mandato de segurança” para exercer o direito em concluir o ensino médio no Colégio Melvin Jones, na Avenida de Pinedo, na Capela do Socorro, onde estudei no período noturno.
Santo Amaro estava dentro do perímetro desenvolvimentista, sendo um dos maiores centros industriais existentes, como outros tantos bairros tiveram este mesmo privilégio, citando o Brás, Mooca, Lapa, que também possuíam um pólo industrial fortíssimo, sendo o reflexo da industrialização de São Paulo, uma gama de empresas que fariam inveja a qualquer pólo industrial de vários países, e que muito depois se deslocou para a região do ABC com o forte de sua capacidade industrial voltada para o setor automotivo. Santo Amaro possuía um vasto campo indústrial em todos os setores imagináveis, desde AVON COSMÉTICA, que foi instalada primeiramente na Avenida João Dias, onde depois se tornou cursinho estudantil do Anglo, mudando-se posteriormente para Avenida Interlagos, nº 4300. Outras, também na mesma avenida, foram pioneiras, e, um destes marcos, sem dúvida, foi representado pela SEMP, pioneira em rádio difusão fixada na região desde 1942, tornando-se satélite da multinacional Toshiba, e prestes a sair de Santo Amaro, em direção ao interior paulista. A SEMP rivalizou por muito tempo com empresas multinacionais ávidas em abarcar o mercado de televisores, citando também neste mesmo seguimento a SHARP, localizada na Estrada do Campo Limpo, também na região de Santo Amaro. Tanto insistiram em adquirir as ações e o controle acionário que hoje se intitula como rótulo de mercado com a denominação Semp-Toshiba, mas nem remedo dos anos de pujança do contingente de operários que se dirigiam no auge da produção industrial em Santo Amaro.
Do lado oposto da Avenida João Dias, havia também a antiga HOOVER, empresa do ramo domestico, mais precisamente maquinas de lavar, onde o galpão alojou mais tarde a PIAL LEGRAND, do ramo elétrico, e onde muitos técnicos do setor recebiam certificação para utilização de seus produtos.
Depois se instalou na mesma avenida a empresa FILTRONA,mudando depois para a Avenida Guarapiranga e mais adiante o LABORATÓRIO SQUIBB, pioneirismo americano do setor de laboratórios para fazer frente a competitividade da Bayer alemã, situada às margens do Rio Pinheiros. Havia também na Avenida João Dias, a REQUIPE, guinchos em geral para transporte de grandes equipamentos, da família Grassmann, hoje estacionamento de veículos da faculdade Ítalo, que anteriormente serviu para implantação da empresa de móveis pré fabricados INDÚSTRIAS PAULUS LTDAda empresaria Irmgard e filhos Klaus e Gotz Paulus.
A KODAK adquiriu na Avenida João Dias, na Praça Adão Helfenstein, a empresa fabricante de material fotográfico, a única na América Latina a fabricar papel especial para o ramo de fotografia no período da segunda guerra, com conhecimentos de um descendente de alemães, onde a família vinda da Argentina erradicou-se na região de Santo Amaro e que se tornou mais tarde Fundação Conrado Wessel, depois mudando-se para São José dos Campos e por um bom tempo se tornou a FACULDADE RADIAL.

Na Avenida Nações Unidas concentravam-se um número considerável de empresas multinacionais e algumas “teimosas” empresas nacionais, para facilitar as saídas rodoviárias pelo fluxo das Marginais dos Rios Pinheiros e Tietê, acesso às Vias Dutra, Castelo Branco, Fernão Dias, e mais tarde pela Airton Senna, rodovia mais recente e que serão vias de contorno para instalação de linhas férreas dos trens bala, ou tecnicamente denominado Trem de Alta Velocidade (TAV) para deslocamento rápido do Rio de Janeiro até Campinas, passando pela capital paulista, para fomentar interesses para a copa do mundo de 2014, um investimento de mais de US$ 20 bilhões.

Indo para a região de Interlagos, tínhamos uma gama de grandes indústrias como a BRASIMET, de tratamento térmico, e a BRASINTER de buchas industriais “sinterizadas”, pó prensado em alta temperatura de alta resistência mecânica. Mais a frente encontrávamos com a potência daCATERPILLAR americana, do ramo de escavadeiras, terraplenagem, ladeada pela MWM MOTORES DIESEL, que abastecia o mercado interno com motores de caminhões e ônibus da MERCEDES BENZ DO BRASIL, onde a empresa SOFUNGE, onde trabalhei na Vila Anastácio, que enviava, por exemplo, o bloco e cabeçote do caminhão MB 608, e o mesmo era todo montado em menos de sete minutos, pronto para montar no chassi, e usar no mercado interno ou exportá-lo, situada nas proximidades da multinacional SANDVIK DO BRASIL de produção de ferramentas de corte standard de aços nobres, e ainda mais a frente estava a empresa alemã de rolamentos FAG tendo como concorrente a INA-SCHAEFFLER, nas proximidades do SENAI Ari Torres. Do lado oposto estava a HISTER EMPILHADEIRAS e a empresa francesa TELEMECANIQUE e próximo a
transversal da Avenida Interlagos estavam grandes empresas como a VILLARES, que abastecia o mercado com equipamento siderúrgico e a ATLAS ELEVADORES, e do lado oposto situava-se também uma área física onde havia deposito de material radioativo e que falavam pertencer a NUCLEBRAS.

O nome Brasil aparecia no nome estampado no logotipo, praxe de muitas indústrias multinacionais. Muitas outras empresas sustentavam a produção das maiores, que por sua vez eram suportes das pequenas indústrias locais, que muitas eram intituladas de “bocas de porco”, o que hoje seriam as micro-empresas para suporte de produção de demanda baixa.
Muitas se seguiram a estas citadas e foram o sustentáculo do Parque Industrial de Santo Amaro: a ATLAS COPCO, nas proximidades da Ponte do Socorro, fabricante de compressores para ar
comprimido, além da ALBARUS SISTEMAS HIDRÁULICO E TRANSMISSÕES INDUSTRIAIS, e se localizava na Avenida De Pinedo, Nº 414, em frente a antiga Rua dos Italianos, depois alterada para Rua Amaro Luz, onde se situava a POSITRON EATON, incorporada mais tarde pela BROWN-BOVERI, hoje o galpão está ocupado pela UNILEVER. Mais à frente, na Rua dos Inocentes, havia uma pequena empresa de linha de fusão de zamak para peças de fogão, e das primeiras fichas telefônicas, de nome FONTAMAC que concorria, com as devidas proporções, com a MAGAL, a poderosa do ramo de carburadores automotivos, na Chácara Santo Antônio, na Rua Américo Brasiliense, próximo a SEECIL RINGSDORFF, fabricantes de escovas de carvão para motores.
No sentido oposto da Avenida Guarapiranga estava à empresa de alimentação KELLOGG´S, que fabricava salgadinhos, uma “novidade” para muitos, pois o país vendia quase tudo a granel. Não havia distância de um quilometro que não houvesse uma indústria na região, SINTARYC, de cerâmicas.
Pelo caminho deparávamos com a BERA do ramo de fundidos de ligas de baixa densidade, depois mais adiante a MONARK, outra empresa que absorvia boa
parte do contingente de trabalhadores, no ramo de bicicletas concorrente da não menos famosa CALOI, na Avenida Guido Caloi, nº1331.
Faz-se uma ressalva: pena que a ciclovia na Margem do Rio Pinheiros, chegou ao final da primeira década do século 21, quando as empresas foram embora de Santo Amaro, mas o que hoje parece ser um grande atrativo aos ciclistas, foi por muito tempo a “primeira estrada ciclísticas de trabalhadores” que alimentavam a mão de obra de muitas empresas que margeavam o Rio Pinheiros, a “novidade atual” não é tanto como foi alardeada na mídia, pois foi a ciclovia dos trabalhadores locais, onde a bicicleta foi o meio de transporte mais utilizado, logicamente não com a estrutura da atualidade. Lembro que meu pai trabalhava nas imediações da Avenida Paulista e pedalava todos os dias pela “Margem do Rio Pinheiros”, anteriormente às Marginais, inexistentes à época, e nos seus apetrechos havia o “Michelin”, para remendo das câmeras de ar dos pneus, chaves de todos os tipos, e uma capa de plástico para
ARBAME-Rua São Sebastião
chuva, e umas presilhas colocadas nas pernas para evitar que as calças “lambuzassem” de graxa ou que as calças prendessem na corrente. Ao seu lado, até certa distância era acompanhado pelo seu amigo Abel Costa que trabalhava na Chácara Santo Antonio na CANCO fabricante, como a citada PRADA, de latas de óleo em chapas de folha-de-flandres, que depois foi incorporada pela RHEEM METALURGICA S.A., que fez parte das “grandes fabricantes de latas de aço do País”, juntamente com a Metalúrgica Matarazzo.
Muitas indústrias estavam nesse pólo industrial e que fazia parte deste universo fabril, como a ALFA LAVAL, fabricante de equipamentos alimentícios, como centrifugas de sucos e equipamentos para empresas de laticínios. A BAYER, outra força do setor farmacêutico alemão dos mais poderosos do mundo e que por muito tempo rivalizou com a SQUIBB BRASIL que ultimamente passou ao controle do LABORATORIO PRODOTTI e boa parte de sua estrutura já
foi demolida. No ápice da produção farmacêutica houve a implantação da CIBA que muito tempo depois, com associação empresarial, tornou-se CIBA-GEIGY QUÍMICA, ainda um marco na Avenida Santo Amaro, onde minha tia Odete trabalhava no controle de medicamentos, e onde em frente havia o “Juizado de Menores”, hoje área a ser demolida para dar passagem a linha 5 do metrô, que ligará a Chácara Klabin ao Largo Treze, em Santo Amaro, onde haverá um pátio das composições.
A fábrica de BATERIAS DUREX era vizinha da KIBON, liderança em picolés que fizeram a alegria de muitos, e da palha de aço BOM BRIL, ocupava um “bom lugar” de indústrias na região do Brooklin, e uma das mais afamadas no ramo alimentício, a LACTA, da família de Ademar de Barros, interventor e governador do Estado de São Paulo, além da MICRONAL aparelhos especiais e LIER do ramo de instrumentação na Rua São Sebastião, local da ARBAME representava a indústria de materiais elétricos que depois ganhou um sobrenome Mallory. A mais emblemática de todas na região do Brooklin, foi a empresa ORQUIMA, em plena Avenida Santo Amaro, tentava-se desenvolver uma indústria na fabricação de compostos e produtos utilizados em indústrias de alta-tecnologia das indústrias nucleares, que hoje possui lixo radioativo na confluência da Avenida Interlagos com Avenida Nações Unidas, sem solução para os resíduos.
Muitas se mudaram para o interior bem antes da crise dos anos 80, como as de FUNDIÇÃO ELETRO ALLOY, que devido à implantação do Centro Empresarial de São Paulo ser implantado na região tiveram as instalações desativadas, restando ainda na Avenida Maria Coelho Aguiar o que foi um dia o setor de recursos humanos.
As pioneiras do setor plástico pertenciam aos santamarenses de costado da família Dias, com o nome de PLÁSTICOS YORK, que ainda possui a área física como antes entre as Avenida Rio Branco e Tenente Cel. Carlos Silva Araujo. Sem contar a falência de uma das empresas deslocadas após o Rio Pinheiros que foi a PIRÂMIDES BRASÍLIA S/A, ou simplesmente
PIRASPUMA, que por muito tempo teve seu clube nas imediações da Avenida João Dias, produzia matéria prima para colchões e plástico, época do auge dos produtos plásticos, e que hoje é representada pela LALEKLA DIXIE, na Avenida Guido Caloi.

Sem contar a que fabricava lâminas plásticas como a PLAVINIL, hoje escombros amontoados de concreto que meu pai ajudou a levantar localizada próximo a Metal Leve
e a FIELTEX tecelagem com fibras sintéticas, que se localizava na Avenida das Nações Unidas, 20177, e que serão incorporadas pelo setor imobiliário que amplia seus interesses nos terrenos valiosos destes antigos galpões que foram a fonte produtiva de Santo Amaro.
A WALITA teve papel de desenvolvimento na região, e estava localizada na Rua Professor Campos de Oliveira, nº 605, em Santo Amaro. A Q'REFRESCO, na Ponte do Socorro foi demolida atualmente para dar espaço ao setor imobiliário, ficava na saída da ponte para a Marginal do Rio Pinheiros.
A primeira indústrias de frios de São Paulo foi fundada em 1º de junho de 1923 em Santo Amaro e foi o simbolo da eficiência através da competência dos sócios Alexandre Eder e Max Satzke que formaram a Alexandre Eder e Cia, localizada na Rua Isabel Schmidt. Além disto, mantiveram a Fazenda Santa Gertrudes, de onde saiam manadas para o abate no matadouro e respectivo tendal, repousa um monumento “teimoso”, não se sabe até quando, na Estrada de Itapecerica da Serra e que no hodierno a fachada resiste localizada nas proximidades do Rodoanel de São Paulo. Hoje a empresa faz parte do grupo FIAMO que administra as marcas Eder Santo Amaro e Pesarese.
A HORASA estava situada na Rua Isabel Schmidt, onde se fabricava os cucos em madeira maciça, e mais tarde com o advento tardio da produção automobilística, começou abastecer as indústrias montadoras de automóveis com componentes dos painéis, hoje acolhe as instalações da FACULDADE UNISA, assim como os tacógrafos VDO, controladores de velocidade usados em muitos ônibus e caminhões próximo a Embalagens Rubi, indústria de papel e papelão,  atualmente sede de subprefeitura de M' Boi Mirim na Avenida Guarapiranga, 1265, Parque Alves de Lima.
BERA DO BRASIL
Outra empresa que aos poucos foi sendo incorporada pelas multinacionais do setor automotivo em motores de arranque e alternadores, foi a empresa WAPSA, completou os interesses deste setor pela empresa alemã BOSCH, e atualmente é um galpão que podemos denominar de “elefante branco”, alguma coisa gigante mas de lentidão de uso para função de utilidade, que irá futuramente ser demolido como tantos inclusive seu vizinho fabricante de móveis de escritório a GIROFLEX, que mudou-se para o Taboão da Serra, incentivada pelos subsídios fiscais da localidade e que estava avizinhada da BERA DO BRASIL. Próximo destas estava à empresa FORIN Comercial que fornecia para equipamentos para uso industrial, peças e acessórios, localizada na Rua Bragança Paulista, próximo ao Tom Brasil, hoje casa de eventos HSBC.
A PHILLIPS na década de 70 construiu seu centro de controle, no meio do mato, após o Rio Pinheiros, que custou muito a ousadia sendo demitida a gerência pela multinacional holandesa, hoje o local, está entre os prédios dos empreendimentos do PANAMBY, área considerada nobre para o setor imobiliário. Seu “escritório base” era dirigido pela instituição na Alexandre Dumas, nº 2100, próximo ao primeiro Carrefour fundado no Brasil, na Chácara Santo Antonio, que forneceu a estrutura financeira para os demais.
Não se pode esquecer-se de citar que havia na Avenida Sabará a empresa SILVANYA BRASIL ILUMINAÇÃO, e também a Empresa MELLO MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, na Avenida Nossa Senhora do Sabará, 1822, fabricante de máquinas afiadoras e retificadoras de ferramentas.
Hoje se discute nas câmaras representativas do governo a possibilidade de passar para 40 horas trabalhadas, coisa impensável quando da industrialização tardia iniciado na década de 30, explodindo sua expansão na década de 50 e culminando com pólos de indústrias de base da década de 70. Era um burburinho de pessoas com grande circulação para cima e para baixo, e o ápice da produção elevava e salários ofertados para a classe operária melhoravam a condição de aquisição de bens, estes mesmos bens que se produziam nas fábricas. Vieram às crises mundiais, e de repente as grandes empresas se tornaram automatizadas, sem necessitar de uma quantidade elevada de operários. Deste modo, muitos que nos tempos áureos, deveriam ter se especializado em outros campos, aprimorando seu nível de conhecimento, não o fizeram. Pela pressa em adaptar o homem a máquina, fazendo o trabalhador mero apertador de botões verde e vermelho, do homem “faber” do liga-desliga, já não era mais necessário este tipo de operador, pois as máquinas estavam produzindo sozinhas com seus robôs automatizados. Outra agravante eram as constantes paralisações incentivadas por controladores de massa, onde se obrigou uma descentralização de empresas para outras praças do interior paulista e até em outros estados ou até oiptando em saírem do país.
C&D PRESTOLITE 1978
Os dejetos daquela industrialização a todo custo foram lançados in natura na fossa que se tornou os Rios Tietê e Pinheiros, e a massa proletária não acompanhou o desenvolvimento, ou melhor, os governantes que decantavam um crescimento imaginário, mas enriqueceram em nome deste engodo, não quiseram dividir o crescimento do bolo e o Brasil sucumbiu na recessão e décadas perdidas.
RUBBERART
As indústrias foram embora e deixaram um contingente de mão de obra obsoleta para o modelo atual, não reciclaram a capacidade produtora humana, onde o proletário continuou com o mesmo modelo reprodutor. As estruturas hoje são outras, a disputa acirrada pelo mercado de trabalho, exige além de qualificação poder de conhecimento, através dos livros, que José Mindlin, da Metal Leve tanto amou e ofertou a USP e ao deleite de quem os, por ventura, quiserem usufruir de bons livros.

Pode haver outras tantas indústrias, que foram omitidas, não por serem menos importantes, mas por estarem em outro núcleo, em outro espaço industrial, foram também tão ou mais importantes na vida de cada operário, que se entregou de corpo e alma acreditando poder melhorar cada dia mais, no incentivo as demais gerações, proles destes incansáveis trabalhadores, que contribuíram para um estágio maior de fartura para o desenvolvimento do Brasil em busca de sua liberdade social!
Depois de muito tempo fazendo parte dessa industrialização, Santo Amaro possui hoje uma nova fase, novo ciclo, e se não está completamente desindustrializada, não há retorno no movimento histórico, mas uma transformação de interesses no crescimento e expansão da Cidade de São Paulo. Muitas outras participaram deste processo e sucumbiu a nova ordem econômica da globalização, mas fizeram seu papel da expansão das indústrias em São Paulo e que infelizmente são hoje fornecedoras dos holdings de grandes empresas multinacionais muito mais poderosas que muitos países, inclusive o Brasil, que ditam as regras do mercado produtivo industrializado. Só resta o Brasil perder o campo da produção agrícola, aguardemos o desfecho de história que um dia será contada em complemento a esta!

[1] Há de se pesquisar o que foi a SIDERBRÁS que fazia o controle das siderurgias implantadas com COSIPA, USIMINAS e que surrupiaram investimentos absurdos e que mais tarde foram dadas como parte de pagamento destes próprios investimentos para países europeus e o Japão, grande produtor de aço de alta qualidade sem possuir grandes jazidas minerarias. O risco de investimento foi nulo: se o Brasil não pagasse no prazo as empresas seriam usadas como hipotecas.
Vide matérias complementares em:
Sofunge, uma indústria pioneira - Vila Anastácio, Lapa
A fábrica de ferro - Santo Amaro, Jardim São Luiz
A várzea, o futebol e a indústria paulista
Ferrovia e futebol em São Paulo
Proletariado paulista e os pelegos
Novos Trilhos nas Velhas Trilhas: Santo Amaro e Jardim São Luiz
Datas comemorativas e intervenções em Santo Amaro
180 anos de Imigração Alemã em Santo Amaro, São Paulo
A saga japonesa e o laboratório em Santo Amaro
Forjas Grassman: pioneirismo em Santo Amaro
A Indústria Caterpillar Centenária: 1925/2025

*Disponibilizamos esta crônica das indústrias em Santo Amaro, que poderá ser ampliada com outras experiências adquiridas pela vivência individual dos que participaram deste momento histórico. Aguardamos a crítica salutar pela ampliação do conhecimento, pois há muito a ser acrescido aguardando o que houver de matérias e imagens fotográficas para ampliação dos dados aqui referidos!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DESENVOLVIMENTO EM SÃO PAULO: FORÇA MOTRIZ DA CIDADE

DA LENHA DE SANTO AMARO AO GÁS E A ELETRICIDADE DOS FINANCIAMENTOS INGLESES NA CIDADE DE SÃO PAULO

A Rua do Gasômetro, na cidade de São Paulo, foi aberta por volta de 1870, ligando a Rua Tabatinguera ao Brás, porque a engenharia da usina de gás THE SAN PAULO GAZ COMPANY, escolheu o local como sendo o ideal para a construção de uma fábrica de produção de gás, que iria fornecer para a cidade de São Paulo, e iria substituir a iluminação antiga, estando próximo do Rio Tamanduateí.
“O primeiro ensaio de iluminação em São Paulo (...) era deficientíssimo. Uma enorme geringonça de ferro, pregada na parede de uma esquina, estendia por cima da rua um longo braço, em cuja extremidade estava dependurado um lampião. Colocados de longe nas rua principais, a luz desses lampiões, alimentada com azeite de peixe, difundia uma claridade mortiça(...)projetando longas sombras movediças quando o vento balançava os lampiões.” (in CAMPOS, p.36 – citação VIEIRA BRUNO-1830/40)

THE SAN PAULO GAZ COMPANY

Devido à insuficiência da iluminação na cidade, em 1863 foram contratados os empresários Jose Dutton e Francisco Taques Alvim, que se propuseram ao fornecimento de iluminação de hidrogênio carburado. Repassará, mais tarde, esses direito para a THE SAN PAULO GAZ COMPANY, empresa de capital inglês constituída em Londres em 1869, sendo que a concessão foi feita para manufatura e distribuição de gás obtido por quaisquer meios para iluminação pública e particular por 25 anos. Foi escolhido o carvão para a exploração do gás que teve início em 1870, como experiência e “a iluminação a gás foi inaugurada em São Paulo na noite de 31 de março de 1872”. (in,MOURA,p.250)
Com o sucesso do empreendimento foi concedida autorização para funcionamento assinada entre as partes em 28 de agosto de 1872, época em que a cidade possuía 30 000 habitantes. Era estimulado, desta maneira, outro modelo de iluminação que a partir de 1840 fora instalado na parte central da cidade de São Paulo, 101 lampiões abastecidos com azeite de peixe, que anteriormente também se usava como carburante o óleo de mamona e o óleo de baleia. Em 1873, já havia 700 lampiões a gás na cidade, que se multiplicaram e caracterizaram a iluminação pública. Até 1899 perdurou esse sistema, quando foi criada a THE SÃO PAULO RAILWAY, LIGHT AND POWER COMPANY LIMITED, com sede em Toronto e capital inglês. Já à época São Paulo, em 20 anos (1893) possuía um pouco mais de 120 000 habitantes.

Um momento único: O elo das transformações
A partir de 1880 a THE SAN PAULO GAZ COMPANY expandia seus negócios com o desenvolvimento dos fogões e o uso do gás de cozinha. Assim o contrato para fornecimento de gás assinado em 1863 por 25 anos, prorrogou-se até 1897, pois o governo paulista promulgou a lei numero 440, de 1896, que dispunha sobre a fabricação de gás para o uso doméstico e industrial, incentivando a partir de bônus de 20% a menos para o consumo do gás doméstico em relação ao de iluminação pública, incentivando a população no uso de fogões a gás em substituição dos fogões a lenha e carvão de hulha. Havia também a prática de uso do querosene:
“O querosene (desenvolvido a partir de 1853) era um combustível difundido nas residências paulistas. Alem dos fogareiros e latas improvisadas, eram comercializados também fogões de ferro movidos a querosene” (in, SILVA, p.51)
À época de 1908 a 1912 era presidente de São Paulo, Manuel Joaquim de Albuquerque Lins que conseguiu despontar como um dos maiores presidentes paulistas no auge do crescimento do Estado, construindo edifícios e expandindo o sistema de armazenamento da rede escolar, criando o ensino técnico agrícola, que era a necessidade daquele momento, justamente quando houve grande expansão na cafeicultura paulista e com a chegada de grandes contingentes de imigrantes, que graças aos preços elevados do café no mercado internacional, permitiu grande expansão agrícula completada com a expansão de redes ferroviárias.

A capital paulista também se expandia com a chegada dos imigrantes vindos de todos os cantos da Europa e precisava ser organizada para receber todo esse contingente. Antonio Prado foi quem deu estrutura para a cidade. Tinha sido Ministro da Agricultura do Império, foi conselheiro e por quarto legislatura foi eleito prefeito de São Paulo, quando aconteceu a primeira eleição municipal, empossado em 21 de novembro de 1898 permanecendo no cargo até 1911.
“Autorizou loteamentos que deu origem a novos bairros e substituiu o gás de carvão que iluminava logradouros pela energia elétrica” (in PONCIANO, p.54)
Pátio da Companhia Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro, em 1903 na Villa Mariana, depósito da carga: LENHA

O produto farto e barato era a lenha. Henrique Raffard(vide na bibliografia nº 5) observava na São Paulo do século 19:

“Cabe aqui dizer que a lenha, que outrora vinha de Santo Amaro e outros lugares circunvizinhos da Paulicéia, onde se vendia a preço de 4$ cada carrada, hoje é trazida em grande parte pelas vias férreas, regulando o seu preço 2$500 ou 5$ quando rachada e cortada em pequenos pedaços uniformes, existindo empresas montadas para esse fim, as quais trabalham com serras movidas a vapor”. (in SILVA, p.49)
Locomotiva: Tramlokomotive a Vapor Krauss (Alemanha) Tipo BN2 da Krauss Maffei JA & Company, carregada de lenha proveniente da Cidade de Santo Amaro na Estação do Encontro, atual cruzamento das Avenidas Bandeirantes e Jabaquara

A THE SAN PAULO GAZ COMPANY em relatório datado de 1911, quando a cidade em censo de 1910 já comportava 375 439 habitantes, senda a metade de imigrantes, observava os limites do uso da lenha com combustível:
“Acredito que temos aqui um vasto campo para operações (...). Para isto, basta conhecermos as condições de vida em São Paulo, onde se cozinha com lenha, que está se tornando escassa devido ao desmatamento nos arredores da cidade, para preservarmos o inevitável e constante crescimento na substituição da lenha pelo gás nas cozinhas da cidade de São Paulo”. (in SILVA, p.49)

A Casa das Retortas, inaugurada em 1872, próxima às margens do rio Tamanduateí abrigaria o Gasômetro, da companhia inglesa "The San Paulo Gaz Company", para introdução da iluminação pública da cidade.

A emenda prorrogou-se até 1911, quando o gás de cozinha tinha uma diferença de 33% em relação ao fornecimento do mesmo gás para iluminação. No mesmo ano o Governo do Estado assinava o primeiro contrato com Light para Iluminação. Até o ano de 1916 ainda havia 8.605 lampiões a gás e 864 lâmpadas elétricas, na cidade de São Paulo.

Nesta época uma nova tecnologia avançava para competir com o gás, era a eletricidade produzida por usinas de quedas d’água. O grupo, que mais tarde era reconhecido popularmente como LIGHT, adquiria em 1920, o controle acionário da THE SAN PAULO GAZ COMPANY para controlar o sistema de iluminação pública da cidade, além de se prestar a assumir várias empresas do serviço urbano. A construção da Usina da Parnaíba em 1901 viabilizou o fornecimento em uma escala maior de energia elétrica, aproveitando a abundante força hidráulica existente no Brasil, tanto para o uso domestico, quanto para iluminação pública e industrial, onde as poucas máquinas de produção motriz eram a vapor. Em uma explanação há de se colocar que a THE SAN PAULO GAZ COMPANY ficou com a responsabilidade para o fornecimento de gás domestico e permanecia com a iluminação publica de algumas áreas prestas em contrato e a THE SÃO PAULO RAILWAY, LIGHT AND POWER COMPANY LIMITED
Inauguração da linha de bondes Bom Retiro, em 12 de maio de 1900

exploraria a iluminação pública e doméstica alem do transporte público, pois a empresa havia adquirido em 1901, em batalha judicial, o controle da empresa Companhia Viação Paulista, que utilizava bondes de tração animal, além de haver logrado a aquisição de água e luz do Estado de São Paulo.

Bibliografia:
1) SILVA, João Luiz Máximo da. Cozinha Modelo: O Impacto do Gás e da Eletricidade na Casa Paulistana(1870-1930)São Paulo: EDUSP,2008
2) CAMPOS, Candido Malta; GAMA, Lúcia Helena; SACCHETTA, Vladimir (Organizadores). São Paulo, metrópole em trânsito: Percursos Urbanos e Culturais. São Paulo: Editora SENAC, 2004.
3) MOURA, Carlos Eugenio Marcondes de (Org). Vida Cotidiana Em São Paulo No Século XIX – São Paulo: Editora UNESP, 1999
4) PONCIANO, Levino. Todos os Centros da Paulicéia. São Paulo: Editora SENAC Sõ Paulo, 2007
5) *RAFFARD, Henrique. Alguns Dias na Paulicéia, in Revista do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, tomo LV, parte II( 3º e 4º trimestre), Companhia Typoghraphica do Brasil, RJ, 1892

*Júlio Henrique Raffard nasceu aos 26 de dezembro de 1851, no Rio de Janeiro, onde seu pai, Eugênio Raffard, era cônsul suíço. Sua descendência era de emigrados franceses, sendo dos Raffard, por parte de pai e dos Lafonte de Montelimart, por parte de mãe. Raffard foi um notável empreendedor. Homem de grande iniciativa fundou o Engenho Central de São João de Capivari, em 1883, implantando a primeira usina açucareira em São Paulo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

MAPAS DAS LOCALIZAÇÕES DO MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO: FIM DE UMA JORNADA

Aos amigos agentes da História: SUJEITO E OBJETO

O início de uma grande marcha começou com o 1º passo para superar a longa jornada na esperança de transformações ao longo do caminho. Nunca se desistiu do intento e jamais se acreditou nas intervenções das oligarquias, que não são donos do pertencimento do povo em valores de troca de conhecimento.

Não se necessita da intervenção paternalista do Estado que não julga pela isonomia dos direitos, mas medem com sua medida somente os valores econômicos. Projetos efêmeros de todos os reinos imperativos e dos vulgarmente denominados democráticos, embora restrinjam as liberdades do direito universal, não devem ser aceitos com migalhas caídas das mesas do poder.
Somos os agentes de nossa História, o saber das comunidades resultam de suas experiências, que o Estado sonha em apoderar-se em políticas contrárias as vontades populares agindo em detrimento do bem estar social, exigindo a negação da alteridade comunitária.

O Retorno do “MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO” foi um símbolo do que uma resultante de valores, por vezes dissonantes nas causas e efeitos, mas determinadas nos objetivos, são capazes de proporcionar como meta.

NO MAPA O PONTO 1 INDICA O LOCAL PARA ONDE, EM1987, FOI REMANEJADO O
“MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO”: PRAÇA NOSSA SRA. DO BRASIL E O PONTO "B" REPRESENTA O LOCA ATUAL NO PARQUE DA BARRAGEM, NA CAPELA DO SOCORRO.

Embora o local onde o poder municipal resolveu estabelecer o Monumento em 1987, entre os cruzamentos da Avenida Brasil com Rua Colômbia, tivesse referências com o Jardim América e Jardim Europa, ligações Atlânticas, não superaria o local do grande feito, a Represa de Guarapiranga, local original do pouso acontecido em 1927, realizado por Francesco De Pinedo e João Ribeiro De Barros, com os respectivos hidroaviões Santa Maria e Jahú.


30 de setembro de 2010 obra finalizada no seu contexto de memória:O MONUMENTO ESTÁ CONCRETIZADO COMO REFERÊNCIA PARA A HISTORIOGRAFIA
NOS MAPAS OS PONTOS "A" E "B" REPRESENTAM OS LOCAIS DE FIXAÇÃO DO MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO EM SUA PEREGRINAÇÃO DE 1987 A 2010, RESPECTIVAMENTE PRAÇA NOSSA SENHORA DO BRASIL, NOS JARDINS, EM SÃO PAULO E PARQUE DA BARRAGEM, NO BAIRRO PAULISTANO DA CAPELA DO SOCORRO, DISTANTES APROXIMADAMENTE 17 QUILOMETROS.

LÂPIDE TESTAMENTÁRIA DO LOCAL ORIGINAL DE FIXAÇÃO DO MONUMENTO ELABORADO PELO ARTISTA ITALIANO OTTONE ZORLINI EM 1929: ESQUINA DAS AVENIDAS DE PINEDO E JOÃO DE BARROS.

MAPA MOSTRA O PONTO "A" ONDE SE FIXOU ORIGINALMENTE O MONUMENTO, E, O PONTO "B" ONDE SE CONSTRUIU O PARQUE DA BARRAGEM, ÀS MARGENS DA REPRESA DE GUARAPIRANGA.

MONUMENTO AOS HÉRÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO QUE DO PONTO "A" (ANTIGO) PARA O PONTO "B" (ATUAL) DISTA DE 500 METROS, NAS ESQUINAS DA AVENIDAS JOÃO (RIBEIRO) DE BARROS COM ROBERT KENNEDY, QUE POSSUIA O NOME ORIGINAL DE AVENIDA ATLÂNTICA.


*Todos os mapas são de crédito do GOOGLE






segunda-feira, 1 de novembro de 2010

CASA DE DONA VERIDIANA E O TOMBAMENTO DO CONDEPHAAT

PESQUISA HISTÓRICA EM SÃO PAULO

Este artigo foi enviado para o CONDEPHAAT há um pouco mais de um ano, expondo as dificuldades em recolher informações da historiografia paulistana. Não pretendia expô-lo, mas devido as dificuldades inerentes a pesquisa de áreas de interesse historiográfico resolvi deixar aos pretensos “observadores existencialistas” as dificuldades que os aguardam, sendo que estes locais são vigiados com seguranças típicos destes locais, além de câmaras filmadoras inibidoras, mesmo expondo sermos apenas pesquisadores somos constrangidos em longas esperas, sendo recebido, na maioria dos casos, por um auxiliar, nunca um curador responsável pelo acervo, e o que há como resposta é a lacônica negação. Urge rever conceitos para que tenhamos acesso tanto quanto a mídia globalizada.

Ao
Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e
Turístico – CONDEPHAAT
Assunto: ANTIGA CASA DE DONA VERIDIANA

Estivemos no último dia 13 de março (2009) numa pesquisa da Arqueologia Histórica da Cidade de São Paulo. Dois objetivos estavam bem indicados para serem visitados: O Cemitério da Consolação e a sede da Chácara Vila Maria, em Higienópolis. Recolhemos informações da história e arte do cemitério, que sem dúvida podemos afirmar ser um museu a céu aberto de lápides que denotam o que foi o apogeu da industrialização da cidade de São Paulo; iniciada pelo desenvolvimento do setor cafeeiro do Estado. Tínhamos na bagagem muitas informações recolhidas em literatura bem formatada, como por exemplo:

1) Estado e Capital Cafeeiro Em São Paulo de Renato Monseff Perissionato
2) São Carlos e Seu Desenvolvimento - Contradições Urbanas de Um Pólo Tecnológico, de Alessandro Dozena
3) Segredos de Família, de Lia Fukui
4) Santa Veridiana - As Ferrovias Em Santa Cruz das Palmeiras, de Ralph Mennucci Giesbrecht
5) Café E Expansão Ferroviária-A Companhia E.F. Rio Claro, de Guilherme Grandi
6) Bens e Costumes na Mantiqueira, de Lucília Siqueira.

Enfim uma série de documentos importantes acrescidos de outros tantos que engrossavam este cabedal, da formação de todo este processo de desenvolvimento industrial tardio. Depois de ter em mãos uma informação importante que intrigava de uma das maiores representações femininas do seu tempo Veridiana Valésia da Silva Prado, que teimosamente consta em muita literatura acadêmica com ser o segundo nome “Valéria”, e pior ainda no www.dicionarioderuas.com.br de responsabilidade de instituto municipal dar como *“Valério”* mudando o gênero até do nome. 

Estava à minha frente gravada na lápide em letra de baixo relevo em campa simples, sem muita pompa, das grandes lápides familiares, o nome Veridiana Valesia da Silva Prado. 

No folder “História e Arte no Cemitério da Consolação”, na página 7, constava o túmulo de “Eduardo Prado era filho da lendária dona Veridiana Valéria da Silva Prado, filha do Barão de Iguape, com seu tio Martinho Da Silva Prado”. Embora houvesse esta grafia no folder fiquei satisfeito em ver grafado *Valesia*, diga-se sem acentuação, na pedra mortuária. Outro detalhe é que o folder “Guia de Apresentação” não constava a campa de tão ilustre dama da sociedade paulistana. Após recolher tais referências, desci para a Rua Mato Grosso em direção a Avenida Higienópolis, para conhecer a tão decantada residência de dona Veridiana, a Chácara Vila Maria, reduto de muitos intelectuais da época áurea de fomento artístico literário. Sabia de antemão tratar-se de um *patrimônio histórico artístico e turístico*, logo sendo assim fui visitá-lo, levando no arcabouço uma cópia da resolução do tombamento do CONDEPHAAT : ANTIGA CASA DE DONA VERIDIANA, Avenida Higienópolis, nº. 18, Processo 44.822/02, Tombo. Res. SC-96, de 28.12.06, com citação abaixo:

Vide: "Lembranças de São Paulo", de João Emílio Gerodetti e Carlos Cornejo, da Solaris Edições Culturais, 1999.
A Chácara denominada “Vila Maria”, cujo remanescente se encontra na junção das atuais Ruas Dona Veridiana e Av. Higienópolis, representa documento significativo do padrão de ocupação de vila suburbana da virada do Século XIX na cidade de São Paulo. O palacete foi construído em 1884 por Valésia da Silva Prado – Dona Veridiana, figura marcante da vida social, política e cultural paulistana no final do Império e inícios da República Velha. A edificação eclética, característica da elite paulistana de então, mesclando elementos da Renascença francesa e reminiscências renascentistas italianas, constitui-se marco da origem do bairro de Higienópolis. O tombamento contempla também as obras de arte incorporadas ao imóvel - pintura mural “Aurora” de autoria de Almeida Junior e a escultura em mármore de Victor Brecheret “Diana”; a massa arbórea; e o padrão atual de fechamento do lote, garantindo-se, assim, a visibilidade do bem.* Chegando à confluência das ruas Dona Veridiana e Avenida Higienópolis, no número 18, deparei-me com uma entrada muito bem protegida por seguranças particulares e um portão de aço fechado. Sendo o horário 15h45min horas, perguntei qual era o horário de funcionamento, após apresentar-me com interessado em pesquisa da família Silva Prado, os principais acionistas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que servia o Oeste Paulista no fim do século dezenove e início do século vinte. Após uma transmissão por rádio feita por um dos seguranças, adentrei a uma pequena sala aguardando alguém para dar-me aval da solicitação. Às 16h40min horas fui atendido por um senhor extremamente gentil, que me disse que a casa não estava disponível para visitação pública. Sem questionamentos falei de minha intenção de comunicar aos órgãos competentes para ver a possibilidade de conseguir meu intento. Por alguns instantes houve uma reflexão por parte dele antes de dar-me uma resposta, sendo que anteriormente mostrei-lhe parte da literatura de minha pesquisa, mostrando fotos que havia tirado no Cemitério da Consolação. Muito gentilmente “abriu exceção” expondo-me que o espaço era do *Iate Clube de Santos*, e que tomadas externas era-me permitido, mas que infelizmente as internas não poderiam ser feitas. Concordei, e em todo este processo fui acompanhado pelo senhor Antonio, duas moças também vinculadas em alguma pesquisa, e um acompanhante que estava comigo. Não pretendo tirar a autoridade de quem compete exercê-la, mas o que me causa certo constrangimento é ser impedido, e aqui argumento também em outras áreas tombadas, dificultando o trabalho de historiador exercido com dificuldade imposta por alguns. Tenho que deixar exposto que história de movimento, extraída “in loco” não deve ser marginalizada por quaisquer órgãos governamentais, pois patrimônio público a ele pertence desde que preserve sua integridade. Segui as determinações abaixo quanto às disposições legais, da casa que me parece ter sido o Iate Clube de Santos, implantado pelo neto de dona Veridiana, Jorge da Silva Prado; um tanto estranho ao olhar de historiador, parecendo estar em área pública vigiada pelo setor privado. Meu intento maior é divulgar e transmitir a memória histórica, embora a proteção em alguns casos sejam regidas em suas atribuições protetoras, mas sempre acato as medidas internas locais não as infringindo jamais, respeitando a lei imposta para o caso:

A Lei nº. 10.247, de 22.10.1968 criou o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – CONDEPHAAT, cuja finalidade é proteger valorizar e divulgar o patrimônio cultural no Estado de São Paulo. Estas atribuições foram confirmadas, em 1989, pela Constituição do Estado de São Paulo:

*Artigo 261 - O Poder Público pesquisará, identificará, protegerá e valorizará o patrimônio cultural paulista, através do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo. *

Resposta Condephaat - condephaat@cultura.sp.gov.br
Data 18 de março de 2009
Prezado senhor Fatorelli:

Agradecemos o seu contato. Temos a informar, entretanto, que o tombamento não muda a propriedade do imóvel tombado. O principal responsável por este continua sendo o proprietário. No caso da residência de Dona Veridiana, portanto, o Iate Clube de Santos tem o direito de decidir quem entra ou deixa de entrar no local.
Atenciosamente, Executiva Pública, UPPH

domingo, 31 de outubro de 2010

CARGOS E ENCARGOS

Cacicado Nacional e o Adestramento do Povo

A/C do Exmo Presidente Eleito hoje

Contribui com o Estado brasileiro em sua modernização, embora saiba que tudo foi financiado com investimento estrangeiro, pois não possuímos pesquisas a altura de nosso imenso potencial para impulsionar nossas necessidades, recorrendo a tecnologia externa.
Participei dentro de empresas estrangeiras que “tropicalizaram” máquinas para siderurgia e mineração, onde o dossiê do know-how foi adquirido de países detentores do saber tecnológico, porque o Brasil, infelizmente tem déficit de tecnologia de ponta.

Somos o maior em segmentos de produção bruta, que não interessa ao grupo dos países de alto desenvolvimento tecnológicos. Quando é necessário construir em grande escala qualquer equipamento monstruoso, as estruturas metálicas de caldeiraria, com mão de obra barata e desqualificada, quando muito adquire uma habilidade em cursinhos de ocasião, para construir produtos com tecnologia de fora, provinda de indústrias do capital estrangeiro que assumem o controle acionário.

O Brasil nunca possuiu uma revolução industrial autêntica, e no andar da carruagem nunca terá uma real, será sempre subalterno, sempre dependente, com um povo humilde que é controlado pelas oligarquias, isto em todo território nacional. Estamos submissos aos interesses de poucos autocratas que governam pouco para o todo e muito para si. Não me espanto mais, pois o continuísmo do "cacicado" vem de longa data e perdura, ora como golpe, ora como ditadura, ora como república sindicalista, mas nunca como uma real revolução social, no âmago do problema, pois a preocupação maior do Estado é criar subsídio aos interesses políticos e econômicos.
Este casamento, política e economia, geraram um social abandonado, um filho pobre sem estudo, sem condições básicas de moradia com déficit de 28 milhões de residências populares enquanto em São Paulo com sua famigerada "gentrificação", um enobrecimento urbano, talvez superado somente pela China, seja a maior construtora de prédios de luxo, controlada por meia dúzia de empreiteiras. Sempre resta a indignação, esta incapacidade de resolver os problemas da nação onde não há plena democracia, questionando o que fazer para construir uma nação livre, todas estão atreladas ao poder.

Toda América Latina esta acorrentada pelos interesses capitalistas, e que nossa única virtude é possuir reservas vitais suficientes para crescer ainda mais a economia dos países mais ricos do mundo, num nítido segundo estágio de colonização através do extrativismo do natural, de reservas esgotáveis, deixando para trás rastro de miséria e destruição, pois esgotam ao limite a capacidade local,além da destruição humana.
O povo é adestrado para ser usado como reserva de mão de obra descartável, que na sua simplicidade não observa a sutileza a sua volta, ainda não percebeu que o soldo recebido por determinada atividade esta sobre o controle do Estado mancomunado com os interesses de uma economia globalizada e controlada por um grupo que detém toda a riqueza produzida nos três "AS": América, África e Ásia.

Porque não evoluímos na proporção direta da extração das matérias primas?

Uma massa da população que tem direito ao sufrágio universal, e na democracia brasileira é ato obrigatório, próximos dos 136 milhões de eleitores, metade não concluiu o ensino fundamental, ou seja, menos de 8 anos de estudos, sem contar a informalidade que é produto de um progresso insustentável, as custas da miséria popular.

Porque disto?

Alta tecnologia desenvolvida destes países de grande investimento em pesquisa estabeleceu-se um "destino manifesto" de formarem homens para controle das massas e que são escolhidos para manter sobre controle esta massa disforme, que se denominou proletariado, sendo que o nome é por demais sugestivo embora depreciativo no seu contexto: o termo nada mais é do que aqueles que fazem prole e acasalam-se para produzir mais e mais mão de obra barata.

Este novo indivíduo será mais um consumidor voraz das benesses oferecidas desde seu nascimento, que nascendo é recebido com alegria, pois será em potencial outro grande ou pequeno consumidor, e que obrigatoriamente irá consumir produtos industrializados que serão anunciados dia e noite em rede nacional, e que depois de sua vida ser consumida por cartões de crédito ou financiamentos bancários, agiotagem permissível, terá uma morte inevitável a todo ser vivo.
Muitos irão chorar a perda, pois não irá consumir mais, embora a indústria funerária seja por demais lucrativa e a Prefeitura de São Paulo não abre mão deste controle. Todos enfim lamentarão inclusive os credores, que assumiram alguma hipoteca de algum empréstimo financeiro para socorrer o imediatismo da vida moderna, e que deixada de pagar aos agiotas institucionalizados, terá seus bens controlados pelo sistema financeiro. Banco é uma praga a ser extirpada.

Voltando ao que estamos dispostos a expor, nossa retórica levar-nos aos poucos empregos formalizados existentes e vemos que as empresas hoje se dão ao luxo de analisar uma gama enorme de currículos para entre tantos determinar aquele que poderá a ser colaborador nas suas pretensões desenvolvimentistas. Depois de exaustivas provas de capacidade e entrevistas de especialistas em comportamento humano, eis que surgirá no universo deste exército industrial de reserva, um soldado capaz de exercer as funções que permeiam o setor produtivo de determinado segmento e estarão sujeitas as regras do jogo trabalhista.

Este "colaborador" receberá treinamento de destreza para operar tudo aquilo se apresentar de produtivo e de interesse capitalista. Ele agora é o mais novo homem máquina desta legião silenciosa que marcha em direção a almejada vaga onde ele se saiu vencedor. Terão direitos adquiridos pela legislação vigente e também estarão sujeitos as obrigações inerentes ao cargo empossado. A regra número um é não chegar atrasado, e por isso a indústria fornece os vales transportes para que no tom paternalista, está ajudando o funcionário, aquele que na fábrica irá exercer função determinada, a subsidiar e dele cobrar pontualidade.

TRANSPORTE DE MASSA

Na cidade de São Paulo, o transporte coletivo esta sobre controle de poucos, verdadeiro monopólio, na nova modalidade de lobby da parceria empresarial-político.
O controle do transporte coletivo é feito por demanda de carga, e carga somos todos que nos servimos deste meio de locomoção, pagos a vista na boca do caixa, as roletas de controle coletivo. Na hora de alta concentração humana, parte da manhã e no período noturno, os empresários de transporte enviam ônibus articulados que saem de suas respectivas garagens vazios, percorrendo uma distância considerável para recolher essa massa disforme. Veículos articulados capazes de transportar 300 pessoas numa condição de "transporte de gado", que por vezes excede duas horas de viagens nesses espaços de pico, entre estes dois períodos há déficit de transporte coletivo, pois a massa transportada torna-se menor. As horas despendidas no transporte não são remuneradas, mas se gasta energia de "produção de locomoção", uma nova modalidade do progresso industrial moderno.

MODELO DE PRODUÇÃO

Nas empresas que o novo colaborador irá atuar, cada funcionário terá seu guarda objetos, que compreenderá macacão de operador, sua farda de soldado industrial, fornecido com módico desconto em folha de pagamento, o holerite. Junto vem uma gama de proteções, como óculos, capacete, botina, protetor auricular, máscara contra gases indesejáveis, como se fosse possível gás desejável. Enfim, aparelhados, estará dispostos para nossa jornada habitual de trabalho, para a grandeza da nação.
Desde o momento que você entrar no piso da fábrica, você será denominado operador. Deverá tomar precauções necessárias suficiente para preservar sua integridade física, para não ser mutilado por máquinas monstruosas irracionais, mas você deve fazer doravante parte dela, mesmo que seja racional agora você faz parte da máquina, que irá ditar as regras de produção com sua capacidade de limite em número de peças por hora. Você racional, com o mínimo de estudo fundamental irá depois do treinamento, apertar somente dois botões, um verde para iniciar a operação e outro vermelho para parar a operação e que somente será desligado por algum inconveniente de produção ou no término da jornada, incessante, estafante, nem vamos entrar no mérito. Se por ventura as condições fisiológicas do operador exigir deslocamento a privada pública, local de necessidades básicas, tem que ser comunicado ao encarregado do setor, o chefe de divisão para providenciar a sua substituição temporária. Por este motivo de a classe bastarda possuir necessidades de se deslocar para uso de banheiro ou alimentar-se, é que os detentores dos meios de produção, classe abastada, idealizaram em determinados setores máquinas de trabalho contínuo automático, através de robô, pois os mesmos não precisam ausentar-se para ir ao banheiro e nem se deslocar para fazer refeições. A alimentação do operário, ou operária, é controlada por nutricionista que faz o balanço necessário de calorias para aquela atividade específica para manter tudo sobre controle. Atualmente as empresas trabalham com sistemas de operação de operariado controlando operariado onde uma tarefa esta atrelada a tarefa do outro operador, e assim sucessivamente pelos sistemas "just-in-time", "kamban", incorporado a produção após a Segunda Guerra, na Europa.

O Brasil não possuiu uma revolução em seu processo de produção industrial, aliás, toda a América Latina. As máquinas chegaram ao país para certo interesse de determinado produto de consumo em grande escala, e foram montadas em galpões estilo inglês começando a produzir o que era necessário ao mercado externo. Os ingleses iniciaram com maestria toda esta logística, para logicamente suprir demandas de seus próprios interesses, com algum testa de ferro arregimentado do local de origem, comandando operações de transporte, para escoamento de produção, e para isso forneceram as locomotivas deste progresso mentiroso e subjetivamente inglês, assim como os portos com suas gruas elevatórias e seus navios de transporte.

A América Latina não precisa necessariamente do modelo europeu de desenvolvimento, nem precisa estar atrelada ao modelo econômico de alienável propriedade privada. A terra sempre foi para os povos latinos americanos, terras comunitárias, tanto quanto a água, que querem privatizar. O Brasil, que não possui identidade alguma como país Latino Americano, na atualidade, já comercializou uma carteira de intenções com grupo francês para monopólio de parte da água doce dos rios da Amazônia.
Política espúria de governantes da atualidade, que sabendo serem efêmeros querem usufruir ao máximo dos recursos naturais vendendo-os, submetendo as futuras gerações à submissão local, sem direitos básicos de usufruírem aquilo que lhe é natural. Poderia sem dúvidas me alargar no tema da miséria que estão criando na América Latina, fazendo uma latrina de sujeiras que deverá ser limpa desta contaminação do poder da compra, aquisição pelo prazer de possuir. Deverá às futuras gerações promover uma revolução nas mentalidades, para rever está miséria construída do poder.

Quem quer cargo, quer todos os encargos, logo, mãos a obra presidente, vamos trabalhar e cumprí-los!!!

METRÔ DE SANTO AMARO APÓS 47 ANOS, ENFIM, COM MUITO CUSTO $ !!!

Farsas das Empreitadas

Repúdio ao lobby do “entreguismo” da linha, 5 ou Lilás, de Santo Amaro para encher a algibeira de favorecidos em licitações, difundida na mídia, mas é praxe corriqueiro das folhas de pagamentos de propina e leniência do Estado.

Acerto prévio de mais quatro bilhões de reais para a linha lilás, que ligará Santo Amaro a Chácara Klabin, entre empreiteiras.
Não há novidade alguma no fato, pois há uma camarilha infiltrada no meio que forma o lobby das licitações estarem presente em todas as esferas do Estado brasileiro é repleta de conchavos e iminências pardas que fariam inveja as estrutura de Camorra!
Agora se vê os eminentes egrégios em espanto exclamarem: OH, nossa, que horror! A manipulação, mesmo parecendo crime perfeito, sempre deixa rastros, e as exclamações são para as luzes da ribalta, apenas para “inglês ver”.
Santo Amaro sempre teve políticas espúrias, em todas as épocas foi submetida ao grifo da repressão, não irei declinar a respeito, pois há historiografia a respeito. Santo Amaro seria o primeiro local a possuir metrô em São Paulo, na década de 60, do século 20, e foi surrupiada pelas políticas que haviam à época, houve desapropriações e depois não foi feita a obra. Agora, novamente Santo Amaro, parece ser o foco das atenções de lobby das empreiteiras e com a conivência do Estado.

Santo Amaro merece respeito, não é a lata de lixo da cidade de São Paulo!!!

Veja que o jogo de interesses foi denunciado em matéria vinculada em 26 de outubro de 2010, pelo jornal Folha de São Paulo e fazíamos matéria no blog em 15 do mesmo mês, daquilo que é corriqueiro no Brasil: OS COMEDORES DE BOLA! O país é o paraíso desta prática ilícita, mas tolerada e de levar "vantagem em tudo"!

A matéria é a confirmação da sorrateira manipulação em contratos de gavetas que favorecem quadrilheiros escondidos dos gabinetes!
*Veja o texto: PROLE, PROLETARIADO E AS RATAZANAS DO PODER

sábado, 30 de outubro de 2010

Monumento Aos Aviadores: Emblemático e Problemático!

TUDO COMO DANTES NA TERRA DE ABRANTES: ENVOLVIDOS E EMBRULHADOS

Com todo respeito estivemos diante de uma “obra faraônica”, uma bela grandeza do épico dos aviadores que cruzaram o Oceano Atlântico em 1927, numa época em que os riscos eram constantes, iminentes e pelo pouco conhecimento cientifico de engenharia aérea. Esta obra que representa este momento glorioso agora esta envolta em faixas para proteção da obra,sito à Parque da Barragem, Capela do Socorro, São Paulo. Desculpe-nos, aproveitando o ensejo de extrair da cultura do Egito a inspiração, o linho remete a outra lembrança das múmias dos mesmos faraós. Se um monumento requer tanto cuidado para não ficar a mercê de sua sorte quanto ao vandalismo isso deveria ter sido feito desde o primeiro instante. Acontece que esse “sujeito oculto”, embrulhado pela administração municipal, deveria respeitar um cronograma minucioso há muito tempo, além de um organograma das etapas a se concretizar, e não é isso o que acontece tudo corre a revelia do cidadão que pagou por este translado com seus impostos, portanto não há nenhuma benesse das intenções do Estado e aqui se cita as determinações municipais de São Paulo. Claro que há um vulto, que não é um sujeito indeterminado, é sim um sujeito histórico e tem nome: Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico.
MONUMENTO COM AS PLACAS COMEMORATIVAS NAS LATERAIS E PEDESTAL A DIREITA DO MONUMENTO PARA COLOCAÇÃO DE RÉPLICA (data: 30 setembro 2010)
Quem se tornou sujeito indefinido foi às diretrizes administrativas da subprefeitura responsável pelo translado do monumento. O autor da obra Ottone Zorlini, com as técnicas de então apresentou a mesma em 1929, num tempo hábil daquilo proposto para homenagear os aviadores De Pinedo (*Francesco) e De Barros (*João de Barros), mas no andar dos trabalhos iremos suplantar o artista no tempo para concretizar a obra.
MONUMENTO ENVOLVIMENTO DA OBRA

Pois vejamos: estivemos registrando as etapas da obra referida in loco, e em 30 de setembro estivemos diante do Monumento que estava “quase” pronto, faltavam pequenos detalhes conclusivos: as instalações elétricas, com os referidos cabos subterrâneos para prover o monumento de iluminação noturna para evitar alguma insurgência contra a obra nesse período e também havia um pedestal que iria ser colocada uma réplica do Monumento para quem possuísse dificuldades visuais, e no tato analisasse a imagem o que estava diante de si.
CONDUITES PARA CABOS ELÉTRICOS
Após exatamente mês, estivemos diante da obra que esta envolta em uma urdidura fina, que protege contra intempéries, mas não contra quaisquer outras coisas e o pedestal que havia para a referida réplica havia sido subtraído, ao que resulta saber se o mesmo precisou ser levado para um atelier onde esta sendo finalizada a obra ou simplesmente “foi passear” como aconteceu com o Monumento e retornará após 23 anos!!!
REPLICANDO: PEDESTAL DA RÉPLICA, ANTES E DEPOIS???

A morosidade é latente, e com estes “cuidados de preservação” da integridade do Monumento, estaremos ovacionando a história universal no limiar do ano vindouro.

BEM VINDOS, COM REDUNDÂNCIA, AMBOS!!!

*OBS: Saída do Monumento ocorrido em 22 de junho de 2010 da Praça Nossa Senhora do Brasil, região dos Jardins, São Paulo.