segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A MÚSICA CAIPIRA DE SANTO AMARO/SP

A VIOLA E A CASA DO VIOLEIRO[1]

A viola é o símbolo da música sertaneja[2], conhecida como moda de viola ou música de raiz. É um instrumento de cordas e há várias denominações desse instrumento como, por exemplo: viola de pinho, viola de caipira, viola sertaneja, viola de arame, viola de cabocla, viola nordestina, viola de Queluz, viola de serena, viola brasileira entre tantas outras denominações. A origem está nas violas portuguesas provenientes de instrumentos árabes, como o alaúde, trazidas provavelmente por colonos e jesuítas que faziam uso catequético delas. Faz parte do folclore que preserva a cultura caipira oriunda de uma época colonial e que possui fortes laços religiosos e com alguma superstição enraizada no contexto. Sua relação está com os habitantes do interior onde se preservou certas características de costumes como São Paulo, Minas Gerais, como um termo próprio de capiau, no Nordeste conhecido como matuto e mais ao sul como colono. A história destas pessoas foram passadas para entoadas próprias que muito contavam de si e seu jeito de ser.

A PARÓQUIA SÃO LUIZ GONZAGA E A CASA DOS VIOLEIROS DE SANTO AMARO

Em agosto de 1973 Santo Amaro com auspiciosa colaboração da Paróquia São Luiz Gonzaga, através de seu pároco Edmundo da Mata participava da formação da “Casa do Violeiro de Santo Amaro”, onde houve apresentação de gala nas dependências da igreja que ocorreu em 14 de outubro de 1973 em “missa ao som de violas e violões”. Na ocasião houve a colaboração de seu organizador o “caboclo” Silva Araújo, o professor Armando Vidal e o senhor Armando Cury, que á época era diretor da revista Acampamento.

SANTO AMARO E A MANIFESTAÇÃO DA MÚSICA CAIPIRA

Com o passar do tempo os Violeiros de Santo Amaro, como a população os chamava, foi se apresentando em “rodas de viola” em manifestação de cultura popular ligada a história de Santo Amaro, prontos a se manifestarem com boa música caipira, que em seus quadros possuíam compositores e improvisadores.  A manifestação era imediata, espontânea e a platéia ficava entretida a observar os acordes de grandes violeiros que se apresentavam em praça pública da Floriano Peixoto, o Jardim de Santo Amaro e muitas vezes no Mercado Velho Municipal. Havia no grupo do já citado incentivador Silva Araujo que tinha vindo de São Manoel e fixado residência em Santo Amaro e chegou a criar o Festival da Viola de Santo Amaro onde se reunia uma turma grande de violeiros de várias partes do Brasil. A competição e grande mais salutar com um show digno da grandeza santamarense e geralmente apresentavam-se na Praça da Viola. Sem muito apoio conseguiram manter por muito tempo apenas pela dedicação e amor a música de raiz. Silva Araújo levava toda essa manifestação artística folclórica a se apresentar em Tietê na “Semana de Cornélio Pires[3]” no mês de agosto. Houve ainda o 1º Festival de Música Sertaneja da Rádio Record, em São Paulo, em 1978, que apresentou esse universo da música caipira.
CARICATURA de Cornélio Pires - CAPA DO LIVRO "MEU SAMBURÁ": Companhia Editora Nacional, 1928

Há uma série de manifestações que eram apresentadas como a catira, cururu, folia de reis, fandango de tamanco, bugre da caiapó, moçambique, congada, quadrilha, enfim uma série de manifestações folclóricas de grande representatividade.

Assim era a música caipira alegrava Santo Amaro!



Espera-se a crítica da crônica e material fotográfico que se possa disponibilizar para ilustrar este momento representativo sobre os Violeiros de Santo Amaro.



REFERÊNCIAS







Memória da Cultura Popular. Acervo Instituto Memória do Brasil. Nº 17, 9/9/2013

OS TERRATENENTES DO BRASIL (18): Termos Pejorativos Usados para Designar os Povos da América





[1] A criação da primeira Casa do Violeiro do Brasil aconteceu oficialmente em 10 de fevereiro de1971, embora se apresentassem antes da formação da entidade civil. Foi da Casa do Violeiro que saiu a primeira Orquestra de Violeiros do Brasil, com sede em Osasco, São Paulo, iniciando na Igreja de Santo Antônio com apoio do monsenhor Camilo Ferrarini. O fundador da Casa do Violeiro do Brasil foi o tenente Marino Cafundó de Moraes (1921-2010), regente e compositor de música sertaneja. É dele e de Marçal e Duartinho a autoria da Missa sertaneja (Edições Paulinas), gravada em disco compacto em 1979. O tenente Mariano Cafundó de Moraes morreu em 28 de fevereiro de 2010, aos 88 anos e a orquestra perpetua-se com abnegados que mantêm as tradições da música caipira.

[2] Atualmente a música caipira é chamada de música raiz para se diferenciar da música sertaneja.

[3] “O que são caipiras? São os filhos de nossas brenhas, de nossos campos, de nossas montanhas e de ubérrimos vales de nossos piscosos rios”, perguntava e ao mesmo tempo respondia Cornélio Pires, o mais importante e dedicado estudioso espontâneo dos usos e costumes do povo do campo.
O grande incentivador da vida rural paulista até hoje foi Cornélio Pires (1884-1958), nascido em Tietê, que viveu toda a vida desempenhando profissões de jornalista, humorista, brincante etc.. Ele deixou 23 livros publicados, o primeiro de 1910 (Musa caipira; Livraria Guimarães) e dois filmes, “Brasil pitoresco” de 1923; e “Vamos passear” de 1934, dirigidos por ele, dando espaço a música caipira quando ninguém acreditava ser rentável patrociná-la. Cornélio foi também o primeiro produtor de discos independentes do Brasil. Cornélio em selo independente produziu até o início de 1931 uma série de 49 discos, com 98 gravações, patrocinando os custos de produção do que se convencionaria chamar de moda de viola. No campo da música caipira, quase tão importante quanto Cornélio foi o seu sobrinho Ariowaldo Pires (1907-1976), autodenominado de Capitão Prudêncio Pombo Furtado ou Capitão Furtado, como gostava de assinar suas obras; um personagem fictício da Revolução Constitucionalista de 1932. Descobriu talentos como Tonico e Tinoco, Alvarenga e Ranchinho e Hebe Camargo, entre outros, era um homenzarrão brincalhão e afável e também o mais profícuo compositor de São Paulo, possuindo muitas composições, versões e adaptações do gênero.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ÍNDICE: TEXTOS SOBRE O BAIRRO JARDIM SÃO LUIZ-SÃO PAULO/SP

TEMPO E ESPAÇO HISTÓRICO

Anexamos alguns links da parte da história do Bairro Jardim São Luiz, para conhecimento daquilo que um dia foi “um pedaço de chão” aonde nossos pais e avós vieram lutar pela vida no cotidiano e hoje faz parte de nossa história.
Interagir com o espaço ocupado, permanecer no “lugar” deve ser entendido como aceitação Cada pessoa é responsável pelo espaço em que vive e melhorá-lo como integrante do bem estar social e convivência harmoniosa.
Não pertencemos somente porque nascemos em determinado espaço, mas porque participamos deste espaço.
Na história precisa-se desarmar de tudo e a observação deve ser desprendida, sem prévios conceitos de nossas convicções e penetrar no universo dos outros, a alteridade, aceitação das diferenças, mesmo que ela pareça estranha a nossa ótica.

Podemos discordar de opiniões, mas os fatos se sobressaem aos nossos conceitos subjetivos, pois possuímos o livre arbítrio e a liberdade de expressão.

Boa leitura de ampliação do conhecimento local e que compartilhemos nossas experiências para que recuperemos parte de nossa identidade onde cada local represente algo de pertencimento na vida de cada jardinense.


TEXTOS: não há uma sequência a seguir, pode-se ler independente um do outro 

BAIRRO JARDIM SÃO LUIZ, São Paulo/SP

João Dias, em Santo Amaro e o Bairro Jardim São Luiz /SP

Yoshimara Minamoto, o Bairro Jardim Brasília e o time de várzea: Distrito São Luiz

Os Ônibus de Emílio Guerra, a Viação Colúmbia e a Empresa São Luiz Viação Ltda

O BAIRRO NAGIB SALEM E A SAGA SÍRIO-LIBANESA NO JARDIM SÃO LUIZ/SP

Bernardo Vicente Xavier e o Bairro Jardim São Luiz, São Paulo

A Pintura Artística na Paróquia São Luís Gonzaga: Frei Lázaro Aparecido Diogo

O Escultor Marino Del Favero e a Imagem de Nossa Senhora da Penha no Bairro Jardim São Luiz/SP

PONTE LAGUNA E PONTE ITAPAIÚNA, NO RIO PINHEIROS, SÃO PAULO

Escola Adventista e o Capão Redondo: 100 anos de convívio

João Dias, em Santo Amaro e o Bairro Jardim São Luiz /SP

O morro do Elizeu no Jardim São Luiz, Santo Amaro
Padre Edmundo da Mata e o Bairro Jardim São Luiz - São Paulo
Penhinha: Jardim São Luiz
O peixeiro Amaro “Macuco”
http://www.saopaulominhacidade.com.br/historia/ver/5396/O%2Bpeixeiro%2BAmaro%2BMacuco

Baby Pignatari e Nelita Alves de Lima: Fundação Julita (Jardim São Luiz)

O Jardim São João e “seu” João Manecão

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2013/09/o-jardim-sao-joao-e-seu-joao-manecao.html

A SOCIEDADE AMIGOS DO JARDIM SÃO LUIZ / SÃO PAULO

IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE SAÚDE NO JARDIM SÃO LUIZ: SUS, UBS, AMA, AME e PSF


Maria do Carmo Felismino (Dona Corrinha) e o Bairro Jardim São Luiz/São Paulo


O futebol de várzea e "Seu" Quita do "Sete de Setembro": Jardim São Luiz/SP


Antonio Manuel Alves de Lima: A Elite Cafeeira de São Paulo e o Jardim São Luiz/SP


A Catedral de São Paulo, o artífice Daniele Amato Pascale e o Jardim São Luiz/SP


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Yoshimara Minamoto, o Bairro Jardim Brasília e o time de várzea: Distrito São Luiz

IDENTIDADE E PERTENCIMENTO LOCAL

A família Minamoto, é parte de tantas outras que vieram do Sol Nascente e iniciaram sua saga no Brasil a partir de 1908 quando aportaram em Santos com o navio Kasato Maru.
Yoshimasa Minamoto
Yoshimasa Minamoto veio muito jovem para o Brasil, em 1923, e era natural da província de Ishikawa-Ken, onde nasceu em 1903, honrou sobremaneira a história de sua família e de seu país, o Japão.
Há no Bairro Jardim Brasília, que se confunde com o bairro Jardim São Luiz, uma rua em homenagem ao senhor Minamoto, mas que por desconhecimento do significado importante de seu nome em japonês, o requerimento da Câmara Municipal registrou a rua com o nome Yoshimara ao invés de Yoshimasa.
Das tradições enraizadas no bushidô (código de honra) com mais de 700 anos de tradição histórica, baseado no código moral ético com valores de perseverança, retidão e honra, definia-se como sendo da linhagem dos samurais, ao qual pertencia. Estabeleceu-se no início como colono em fazendas de café na região da Alta Mogiana, deslocando-se depois para a cidade de Pitangueiras.
Em 1936, mudou para a Alta Sorocabana, próximo as cidades de Álvares Machado e Presidente Bernardes, em São Paulo, localidade de fortes laços nipônicos, dedicando-se a agricultura típica do local, café, amendoim e algodão. Hoje essa região do Pontal se tornou área de pasto para animais da pecuária brasileira.
Contraiu matrimônio com a senhora Taka Minamoto e precisava buscar novos rumos, pois a família crescia. Em 1947, com muitos sonhos e ideais, embarcou no moderno sistema ferroviário paulista de então e com coragem dirigiu-se para a Capital de São Paulo, instalando-se em Santo Amaro, onde se situa atualmente o Bairro do Panambi, na estrada velha do Morumbi, na Rua Itapaiúna, próximo a Ponte João Dias, onde cultivava hortaliças, batatas e frutas. Hoje o local está se desenvolvendo com a especulação imobiliária e ganhando nova estrutura viária com a ponte Itapaiúna.
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MESMO ESPAÇO EM DOIS MOMENTOS: DÉCADA DE 1960 E ATUALMENTE

CONSTRUÇÃO DA PONTE ITAPAIÚNA
A família cresceu e completada pelos filhos Romário, Fuguetsu, Shooin, Teruko, Mitiko e Satiko, tornando-se pioneiros na região exercendo sua cultura milenar mesclada com o jeito caipira do local.
Para que seus filhos pudessem estudar o senhor Minamoto atravessava- os em um pequeno barco a remo de uma margem a outra do Rio Pinheiros, onde caminhavam até o Grupo Escolar Paulo Eiró, em Santo Amaro. Depois faziam o caminho inverso e eram reencaminhados para casa, atravessando em canoa o mesmo rio.
Marco de uma era cultural efervescente de Santo Amaro com o brilho das festas de cunho religioso com todo fervor popular como as festas do Divino e festas juninas, a família dava continuidade disciplinar aos Minamoto, no estilo japonês de respeito às culturas locais. 

MESMO ESPAÇO EM DOIS MOMENTOS: 1928 e 1978 ano da demolição completa


O Grupo Escolar Paulo Eiró foi demolido pelo Poder Público sem motivo aparente na década de 1970, sendo em seu lugar construída a Praça Salim Farah Maluf e a escola Paulo Eiró ganhou novas instalações na Rua Padre José Maria, perto do atual terminal de ônibus Santo Amaro.
Da família Minamoto surgiu uma educadora conhecida no bairro como a professora “Dona Terezinha”, que era como seus alunos chamavam à senhora Mitiko Minamoto, que lecionou por muito tempo em escolas públicas do Jardim São Luiz.
Mais tarde o senhor Yoshimasa arrendou terras na "Chácara dos Padres" nas proximidades da Avenida João Dias, que pelo afluxo de muitos nipônicos ficou registrado oficialmente como “Chácara Japonesa” próximas ao lado oposto ao antigo Mercado Municipal de Santo Amaro, atualmente Casa da Cultura Manoel Cardoso de Mendonça, onde se apresenta o Samba da Vela.

MESMO ESPAÇO EM DOIS MOMENTOS: ÁREA DE INTERESSE IMOBILIÁRIO
Neste local onde era uma área de cunho rural instalou-se mais tarde o Laboratório Squibb, iniciando a produção de medicamentos. Encerrou suas atividades na Avenida João Dias, número 966, no início da década de 2000. Por algum tempo ainda manteve em suas dependências a Prodotti Laboratório Farmacêutico, mas depois foi tudo demolido e na atualidade é um terreno que esta sendo descontaminado para dar lugar a empreendimentos imobiliários.
Com a vinda deste laboratório as terras ocupadas pelos agricultores foram vendidas, obrigando-os a entregar a propriedade. Sempre com sonhos e usando a força do trabalho, no ano de 1948 o senhor Yoshimasa mudou-se de Santo Amaro onde as terras eram arrendas para o florescente Bairro do Jardim São Luiz. 



Loteamento iniciado em 1938, pela Companhia Paulistana de Terrenos, com típicas características rurais, o senhor Yoshimasa adquiriu um alqueire e meio de terras aráveis, onde, mais tarde, originou-se parte do Bairro do Jardim Brasília, divisa com o Jardim São Luiz pela Rua João Fernandes Camisa Nova Junior, onde se situa a Padaria Rainha do Bairro e onde foi anteriormente pasto de cavalos, num descampado ainda coberto por grande vegetação.
Os Minamoto iniciaram novo modelo de empreendimento, diferenciado do costumeiro, que era cada família possuir um galinheiro particular repleto de aves para completar o sustento. Assim se construiu a primeira granja para produção e comercialização de aves e ovos na região.

Tanto foi sua participação no quotidiano santamarense que presidiu ainda a "Associação Japonesa de Santo Amaro" e também a "Comercial de Santo Amaro" com dedicação e honradez que o caracterizou ao longo da vida estampado no seu próprio nome.
Yoshimasa Minamoto com méritos por serviços prestados na região foi agraciado pela Câmara Municipal de São Paulo com comenda de mais relevante honraria, característica que o marcou até o limiar de sua existência acontecido em 24 de agosto de 1977, ficando seu nome como exemplo às futuras gerações como o próprio nome Yoshimasa representa: "Grande e de Bons Feitos".





No ano de 2015 comemora-se 120 anos do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão, iniciado em 1895 que possibilitou a vinda deste povo laborioso, que hoje vêem seus filhos fazerem o caminho inverso para o Japão onde são conhecidos com decasséguis, literalmente “trabalhando distante de casa” como fizeram seus antepassados anteriormente vindos ao Brasil.

A Rua Yoshimara Minamoto, que mesmo com o nome com erro em sua escrita, representa a possibilidade de expansão imobiliária de grandes edifícios para moradias, por ter áreas grandes desocupadas(GLEBAS) que estão sendo adquiridas por grandes empreiteiras crescendo o número de prédios circunvizinhos aos vilarejos locais que se situam no Distrito São Luiz. 

MESMO ESPAÇO EM DOIS MOMENTOS: ONTEM E HOJE 

(Qual é o Plano Diretor para a região que se expande sem controle e com uma infraestrutura antiga?)

Esperemos que o poder público esteja atento a este crescimento imobiliário e de respostas positivas com implantação de infraestrutura condizente com o urbanismo que avança pela região propiciando a vinda de um enorme contingente de pessoas que demandarão necessidades básicas de bem estar social.

O Bairro do Jardim Brasília ganhou infra-estrutura e desenvolveu-se ganhando organizações de cunho social como a Casa do Meninos, entidade que fomenta amparo a juventude e ainda uma casa de amparo “Casa Madre Teodora dos Idosos” tendo a frente da administração a irmã Natalina Cerchiaro. 



Este local foi anteriormente um  campo de futebol de várzea do Vasquinho onde se reuniam todos os adeptos desta modalidade esportiva. Depois a área passando a ter cunho social foi idealizado novo campo de futebol para receber os jovens que começaram a defender as cores do C.R. Vermelhinhos do Ritmo que mais tarde passou a ser denominado de Jardim Brasília Futebol Clube, JEBEC, com data de fundação em 20 de maio de 1964, pelo decreto 12.429/75 e ata de fundação de 26 de abril de 1976, que passou a fazer parte dos locais lúdicos sendo denominado como Clube Desportivo Municipal União Brasiliense de Esportes, e que ganhou na década do ano 2000 o nome de Clube da Comunidade, diretamente subordinado a Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo.


MESMO ESPAÇO EM DOIS MOMENTOS

Yoshimasa Minamoto é exemplo de tenacidade no trabalho e exemplo que deve permanece para as gerações precedentes que possuem identidade e pertencimento com Bairro Jardim Brasília e são responsáveis para cultuar o bem estar social de toda comunidade em todos os campos de relações pessoais.



Muito há de se contar, e a crônica está aberta para novas referências históricas.


Vide:

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Tramway da Companhia de Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro e o Matadouro da Vila Clementino/SP

Uma mudança sistemática

Em virtude de Lei Provincial de 25 de abril de 1880, houve a concessão por contrato de 14 de julho de 1883 para construção da Estrada de Ferro de São Paulo a Santo Amaro, que os antigos "paulistas santamarenses" falavam com orgulho, pois fizeram parte do financiamento dos Tramway[1] da “Companhia de Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro”.

Um lugar longínquo, uma cidadezinha interiorana, caipira no trato, bela no ato, separava os botinas amarelas em quase vinte quilômetros da capital de uma estrada de ferro construída por um “visionário” nascido em Bremenhaven, Alemanha, em 31 de julho de 1845, vindo para o Brasil em 1862, naturalizando-se brasileiro, acreditando na sua nova pátria.

Georg Albrecht Hermann Kuhlmann, engenheiro formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, trabalhou para o Império em planejamento urbano. Em 1879 veio para São Paulo, contratado para superar o modelo de cidade do interior existente até então, sem planejamento e reformular conceitos novos de uma cidade moderna. São Paulo possuía uma população à época de 30 mil habitantes, sendo quadruplicada no final do século. Deste modo São Paulo precisa sair de condição da construção do improviso da taipa de pilão.

O engenheiro Alberto Kuhlmann construiu a “Ferrovia de Santo Amaro”[2], inaugurada em 14 de março de 1886, após ter percorrido 19,1 quilômetros, chegou a Santo Amaro a primeira composição ferroviária da “Companhia Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro” para o transporte de cargas, em uma época em que Santo Amaro supria a capital de São Paulo com aproximadamente 25 toneladas de produtos por ano, seguindo o plano de estrutura de abastecimento da cidade de São Paulo.

Projetou e construiu também o Matadouro Municipal de Vila Clementino[3], oficialmente inaugurado definitivamente em 21 de junho de 1887 após várias pré-inaugurações. Localiza-se no Largo Senador Raul Cardoso (antigo Largo do Matadouro), nº. 207, em Villa Marianna, atualmente espaço da Cinemateca Brasileira. Nas paredes do prédio consta: “Construído no quadriênio de 1883 a 1887. Presidente da Câmara Dr. Manoel Antonio Dutra Rodrigues. Architecto Alberto Kuhlmann”.

O jornal Correio Paulistano 06 de janeiro de 1887relata a inauguração:

“Realizou-se ontem a inauguração do novo matadouro, sito no arrabalde de Villa Marianna. Às duas da tarde, partiu da Rua Vergueiro um comboio da Companhia Carris de Ferro de Santo Amaro, conduzindo o excelentíssimo presidente da província, vereadores, representantes da imprensa, outras pessoas gradas e uma banda de música, chegando todos ao novo matadouro às três horas e um quarto...”

O abate de gado e outros animais foi extinto em 1927, pelos mesmos motivos que determinaram o fim Dio Matadouro da Liberdade[4]. O Matadouro estava pequeno para atender a demanda da cidade de São Paulo, então com aproximadamente 600 mil habitantes, e somava a isso o problema de higiene quando o descarte era feito nas águas do Córrego do Sapateiro (passando pelo Ibirapuera, descendo para o Itaim Bibi, na atual Avenida Juscelino Kubitschek, desembocando no Rio Pinheiros).

Tanto o Matadouro quanto a ferrovia obedeciam a um plano diretor de expansão da cidade que estava em franco crescimento. Depois do abate a carne era transportada de trem até a Estação São Joaquim, Liberdade, e dali em carroções apropriados para esta finalidade, indo até o tendal[5]. Ao lado do matadouro, de instalações modernas para a época, foi construído um curtume, próximo ao Córrego do Sapateiro, que recebia todos os detritos do abate.

Em 1891, com a República, foi eleito deputado estadual pelo PRP para formar a Constituinte de São Paulo, em 1891. Faleceu na Alemanha, em 5 de novembro de 1905, representando o governo brasileiro para fortalecer o intercâmbio teuto-brasileiro e fazer propaganda do café paulista.

Santo Amaro já possuía um histórico empreendedor muito anterior a essa expansão, embasada em parte ao empreendimento assumido pelo empresariado de Santo Amaro, haja vista que, muito antes do desenvolvimento industrial da segunda metade do século XX, já havia preocupação de ampliar redes de fornecimento para São Paulo, sendo que a primeira linha férrea Cia. Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro, com locomotivas de fabricação Krauss, BN2, idealizada por Alberto Kuhlmann, alemão de nascença, naturalizado brasileiro, assumiu o compromisso, em 1883, depositando 5.000 réis na assinatura de garantias do contrato, com recursos próprios, e teve a participação de recursos privados de investidores santamarenses na ordem de 300.000 réis, sem intermediários.

Em 14 de março de 1886, o Conselheiro João Alfredo, presidente (governador de então) abriu a cerimônia da nova estrada de ferro dos trens de fabricação alemã TRAMLOK KRAUSS  vapor que saiu da estação da Rua São Joaquim às 11:36 horas da manhã.A linha tinha como trajeto as atuais Rua Vergueiro, Rua Domingos de Morais, Avenida Jabaquara, até o local da atual Igreja de São Judas Tadeu. Neste local ficava a Estação do Encontro, onde os trens faziam um reabastecimento de combustível(lenha) e água(que produzia o vapor da locomotiva). Seguia depois por vastos campos onde hoje estão os bairros do Aeroporto e Campo Belo para depois alcançar o Brooklin Paulista, onde havia curvas acentuadas, sendo o local chamado mais tarde de Vota Redonda. Seguia seu percurso pela atual Chácara Flora e entrava em Santo Amaro pelas atuais ruas São José e Nove de Julho.
Por déficit de demanda a linha funcionou com prejuízos, até que em março de 1900 a Companhia foi a leilão, sendo arrematada pela “São Paulo Tramway Light and Power Company”, pelo preço de 155:000$000, sendo a respectiva escritura lavrada em 17 de março desse mesmo ano e em dezembro de 1902, a nova proprietária celebrou com o Governo de Estado a renovação de seus contratos, com as seguintes observações à época:

1-   As linhas concedidas nos contratos anteriores ficam reduzidas, para efeito dos mesmos, ao trecho da Vila Mariana a Santo Amaro.

2-   A nova proprietária manterá o trafego com regularidade até 1908, ano em que findo seu privilégio, não podendo haver alteração dos preços existente para todos os transportes de procedência dos pontos situados de São Joaquim a Vila Mariana e Ramal do Matadouro, de modo que os fretes e passageiros antigos não são modificados pela incorporação desses trechos à rede urbana elétrica.

3-   Fará os melhoramentos que forem indicados na linha e no material rodante.

4-   As fiscalizações das linhas urbanas e suburbanas caberá à Câmara Municipal, embora verificados os caracteres das linhas estaduais, conforme Lei de Concessão nº 30, de 13 de junho de 1892.
   
A Estação da Ferrovia de Santo Amaro tinha parada obrigatória onde hoje se situa o colégio Linneu Prestes, e que mais tarde foi também utilizada pelo Bonde elétrico da Linha 101, com extensão de 31,0 km, inaugurada em 07 de julho de 1913 sobre a administração da "The São Paulo Railway Light and Power Company Ltd.", que havia adquirido a Carris, as locomotivas a vapor foram substituídas pelas Puffing Billy e que depois foram desativadas definitivamente em 1914. Um ciclo se fechava para iniciar os bondes elétricos.

Dos trens, aos bondes e ao Metrô

O bonde servia o Itinerário desde o Largo da Sé, Rua Marechal Deodoro, Praça João Mendes, Rua Liberdade, Domingos de Morais, Jabaquara, Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, que atingia até a atual Avenida Adolfo Pinheiro (ainda não existia a Avenida Ibirapuera com seu traçado atual e muito menos a avenida vereador Jose Diniz, que era bem atuante com sua especialidade farmacológica), seguindo para a várzea de Santo Amaro, com ponto final no Largo Treze de Maio, onde era feito o balão de retorno. Em 23 de dezembro de 1920, foi inaugurado o trecho de 1600 m de extensão à represa de Guarapiranga, que pretendia ligar do Largo Treze de Maio à Capela do Socorro. Em 27 de março de 1968, São Paulo dava adeus a última linha da cidade que percorreu do Biológico a Santo Amaro.

O que foi o Caminho do Carro de Boi, ligando Santo Amaro à capital paulista, para abastecimento de produtos, na atualidade tem novos trilhos no caminho, através do prolongamento da "Linha 5 do Metrô", e podem estar certo que desde a Linha do Trem a Vapor ao Bonde, mudou-se o modelo do transporte o trajeto é semelhante, seguindo para a Vila Mariana até atingir a Chácara Klabin. 

A crítica é salutar para aprimorar o conhecimento do objeto estudado. Buscamos o entendimento da disputa de poder industrial entre ingleses e alemães pela hegemonia de tecnologia das ferrovias, além de saber mais do trem a vapor da empresa alemã Krauss ou os Kastenloks da "Companhia de Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro”.



Vide para complemento:

“Santo Amaro Sobre Trilhos: do trem a vapor, ao bonde e ao metrô”
Referências:

ANGRIMANI, Danilo. Vila Clementino,Coleção Historias dos Bairros de São Paulo.São Paulo: Departamento do Patrimônio
MASSAROLO, Pedro Domingos. O Bairro de Vila Mariana, Série Historia dos Bairros de São Paulo - VIII. São Paulo: Departamento do Patrimônio Histórico, 1971. Histórico, 1999.
PONCIANO, Levino; Bairros Paulistanos de A à Z. São Paulo: Editora Senac, 2001.
PRADO JUNIOR, Caio. A Cidade de São Paulo: geografia e história. São Paulo: EditoraBrasiliense, 1989.
CÂNDIDO, Antonio. O mundo do caipira. Encarte do CD Caipira – raízes e frutos. São Paulo: Sony Music e Estúdio Eldorado Ltda, 1980.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Os caipiras de São Paulo. São Paulo: Ed. Brasiliense, Coleção Tudo é História, v. 75, 1983.
FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder. Editora Globo. 3a. Edição. São Paulo. 2001.
ZENHA, Edmundo. A Vila de Santo Amaro. Imprensa Oficial do Estado, São Paulo, 1977 )
ZENHA, Edmundo. A Colônia Alemã de Santo Amaro. in Revista do Arquivo v. CXXXI São Paulo, Departamento de Cultura, 1950.
 ZENHA, Edmundo. Mamelucos.Emprêsa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1970.
ZENHA, Edmundo. O município no Brasil (1532-1700). 1.ed. São Paulo: Editora Ipê,1948.
ZENHA, Edmundo. Terras Devolutas – A Lei n° 601, de 1850, in Revista de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, abr/jun, 1952.
CALDEIRA, João Netto. Album de Santo Amaro. São Paulo, Organização Cruzeiro do Sul - Bentivegna & Netto, 1935
BRUNO, Ernani da Silva. História e tradições da Cidade de São Paulo. Rio de Janeiro: Liv. José Olympio Editora, 1954
PRADO JR, Caio. Evolução política do Brasil. 11.ed. São Paulo: Brasiliense,1979.
VIANNA, Oliveira. Evolução do povo brasileiro. Rio de Janeiro: M.Lobato & Cia Editores João Paulo, 1923.
LIMA, Ruy Cirne. Pequena História Territorial Do Brasil; Sesmarias E Terras Devolutas. 2a Ed. Porto Alegre, Sulina, 1954.
FAUSTO, Bóris. História do Brasil. EDUSP. São Paulo. 2.003.
VARNHAGEN, A História Geral do Brasi1.3.ed. integral. São Paulo: s.n., 1927.

Depoimento Dna. Adozina Caracciolo de Azevedo Kuhlmann, sobrinha-neta do Engº Alberto Kuhlmann, quando das festividades dos 457 anos,em 15 de fevereiro de 2009, em Santo Amaro, na Associação Comercial de São Paulo, Distrital Santo Amaro




[1] O termo “tramway” em inglês corresponde ao “Strassenbahn”, que pode ser traduzido como “trem de rua”, ou seja, uma via férrea, assentada em uma estrada ou rua, por meio de trilhos de aço sobre o qual transitam veículos preparados para essa finalidade. Os “tramway” no Brasil foram chamados de bondes (bonds) bilhetes usados por esses veículos. O tramway, que era semi-urbano, levou o desenvolvimento para o lado sul da Cidade entre a Vila Mariana e Santo Amaro. O Tramway partia de uma estação existente à rua Vergueiro, próxima à São Joaquim, e seguia por esta até a Vila Mariana, depois ao Jabaquara, Vila do Encontro, chegando a Santo Amaro na parte final da atual avenida Adolfo Pinheiro.

[2] Foi ainda autor do projeto da Estrada de Ferro Mairinque-Santos, a Estrada de Ferro Bragantina (1893) e o Matadouro Municipal da Vila Mariana, atualmente a Cinemateca de São Paulo.

[3] O Matadouro Municipal de Vila Clementino, na “Villa Marianna”, foi tombado pelo Patrimônio Histórico Arquitetônico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo em 1983.

[4] Em São Paulo O Engenheiro Carlos Abrahan Bresser projetou o primeiro matadouro que foi construído em 1852 sob a direção de Achilies Martin d'Estadens e localizava-se nas cabeceiras do córrego do Anhangabaú, onde hoje é a Avenida 23 de Maio, próximo a rua Humaitá, no Bairro da Liberdade. Naquela época, São Paulo tinha 40 mil habitantes um matadouro pequeno na Liberdade, que surgira quando apenas 10 mil pessoas moravam na capital. Além da defasagem, a localização atrapalhava a movimentação no local com a chegada das boiadas que tumultuava as ruas da região central, sem contar que os dejetos despejados no Rio Anhangabaú levavam mau cheiro para o vale, proveniente da atividade de abate.

[5] Entreposto onde se estende a carne das reses abatidas para venda aos açougues.