segunda-feira, 5 de outubro de 2020

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (04): A REBELIÃO PALATINA e AS TERRAS OFERECIDAS EM SANTO AMARO/SP AOS COLONOS ALEMÃES

 TERRAS DEVOLUTAS

- À insignificante freguesia que era de Santo Amaro em 1828, coube o histórico papel de ter sido o lugar de São Paulo onde primeiro se instalou uma colônia de imigrantes. Pelo que se sabe da importância da imigração em São Paulo, isso torna-se fator um alto interesse.

Aquela povoaçãozinha humilde, pobre e conformada do princípio do século passado fica situada como o marco do início no mais profundo movimento econômico e social do país. Com os primeiros colonos alemães de Santo Amaro começam o Governo e o povo de São Paulo as suas experiências com o imigrante. Após essa tentativa que, se não deu os esperados frutos, não deixou, entretanto, de contribuir para a modificação da mentalidade nativa quanto ao colono estrangeiro, tornaria a ideia migratória novos impulsos. (ZENHA, p. 26, 1950)

Aquela referência à freguesia de Santo Amaro, como local para a Colônia, é a primeira vez que aparece nos documentos. E marca a segunda e definitiva fase dos trabalhos de instalação da mesma.

Este ofício foi discutido, no mesmo dia de sua remessa, pelo Conselho da Província de São Paulo. Ficou resolvido, à vista das “diferentes pretensões (dos colonos) sobre o seu estabelecimento; e pois se declara (o diretor) que eles se contentam, que se lhe deem terras  em qualquer lugar que melhor parecer visto que sendo estrangeiros não têm o preciso conhecimento das que se acham devolutas para as pedirem, assentou o Exmo. Conselho, que como o referido diretor não se acha nessas circunstâncias pode indicar as que, estando devolutas, julgar mais convenientes aos ditos colonos, declarando sua extensão”. Cumprindo esta determinação, vai o diretor informar-se e descobrir uma região devoluta capaz de abrigar a colônia que, poucos dias depois, receberá a adesão de mais um grande grupo de alemães.

O destino, na pessoa do Capitão Joaquim Manoel de Moraes, juiz de paz, levaria o Dr. Mello Franco para Santo Amaro. (ZENHA, p. 26, 1950)

Em 23 de novembro (1828), o diretor dá conta ao Conselho de exame que fez nas terras devolutas de Santo Amaro. Acompanhara-o o juiz de paz. O sertão que se dizia devoluto ficava pouco mais ou menos a quatro léguas da freguesia, no sul, onde se encontrava o ribeirão Itaquaquecetuba, “que corre para Weste”. Confinavam as terras examinada com as de propriedade do juiz de paz e de Joaquim Machado. O caminho até o ribeirão era de carro (de boi) sem morros nem passagens difíceis. Pouco para o sul encontrava-se o ribeirão Vermelho que desembocava no Itaquaquecetuba[1]. Para além desse ribeirão até a Serra do Mar, tudo era sertão devoluto. Existia uma picada que ia a Conceição de Itanhaém “por onde consta já ter seguido gado” e ter varado gente escoteira com dia e meio. Havia facilidade de comunicação com esta vila e, pelo Rio Grande, do qual não ficava longe o sertão visitado, poder-se-ia rumar para Santos. Os matos eram “assentados” e de boas madeiras. O lugar se mostrava bem regado, já que, além dos dois ribeirões citados, entre os quais se devia localizar a colônia, dele manavam algumas fontes do Rio Grande e outra aguadas. (ZENHA, p. 27, 1950)

O sertão examinado era o mais próximo era o mais próprio, pois além das vantagens apontadas oferecia a de se achar perto de povoações. Este fato era de suma importância. Se tal lugar fosse escolhido, deviam as famílias acomodarem-se em Santo Amaro, freguesia mais próxima.

E para o estabelecimento de cada uma delas, o diretor sugeria que, escolhido o local, fosse adiantada a importância correspondente ao subsídio de quatro meses afim que pudessem construir seus ranchos e iniciar plantações. Com o que, dizia mui finalmente, ganhava a Fazenda pois quanto mais depressa se instalasse a colônia, mais depressa cessaria o subsídio.

A 28 de dezembro (1828) o diretor comunicava (ao Conselho) que os colonos tinham ido ver as terras da freguesia de Santo Amaro e que, por documento escrito as aceitavam. Que o Conselho, no lugar examinado, concedesse “a mercê que S. M. Imperial foi servido fazer-lhes das 400 braçadas em quadra porque há tanto suspiram”.

A lista de alemães que aceitam as terras na freguesia de Santo Amaro compreende 129 nomes. O diretor fizera um documento na língua dos colonos e estes o assinaram. Teriam todos os signatários examinado os terrenos? A interrogação se justifica em face de dúvidas, que logo mais surgirão. Embora o diretor faça esta comunicação a 5 de janeiro de 1929, o documento firmado pelos imigrantes é de 12 de novembro do ano anterior, circunstância digna de ser retida. (ZENHA, p. 28, 1950)

 

Nesse momento o presidente da Província de São Paulo, José Carlos Pereira de Almeida Torres, estava desesperadamente sem verbas de manutenção e dizia não se esperar pela resolução do Império e que se assentassem o colonos no sertão próximo à freguesia de Santo Amaro, em terras desocupadas no Distrito da Aldeias de Itapecerica, Mboy (hoje Embu das Artes) e Carapicuíba como já havia deliberado o Conselho. Pedia ao sargento mor José da Silva Carvalho examinasse essas terras das aldeias assim como ao Capitão Antonio de Oliveira fizesse o mesmo com as terras de Araçariguama, onde se pretendia enviar colonos também. Era dado um prazo de três dias aos enviados para informarem sobre a questão dos assentamentos, o que foi feito em 8 de fevereiro de 1829.

As terras são localizadas com as mesmas indicações do diretor. Quanto as culturas “dizem que dão milho em parte bem, em outras sofrivelmente, e dá bem batatas, carás, arroz e mesmo mandioca”. Ficava o local a futura colônia em ponto mais ou menos central, ente Santos, Conceição (de Itanhaém), Santo Amaro e São Paulo.            (ZENHA, p. 29; 30, 1950)

Algumas famílias pela indecisão do governo resolvem adquirirem suas próprias terras, sendo que oito famílias o fizeram em Itapecerica, duas em Santo Amaro e três ne Freguesia da Penha e cinco pelos lados de Sorocaba, com seus próprios recursos da venda de suas propriedades que possuíam na Alemanha.

De posse dessas informações, o Conselho realiza a sessão extraordinária de 12 fevereiro de 1829 em que fica a colônia instituída, definitivamente, em Santo Amaro.

Os senhores conselheiros da Província de São Paulo achavam que tinha cessado os debates sobre os assentamentos e deram aval para formar a ordem expedida pela Secretaria de Estado dos Negócios do Império.

Não sendo possível aos colonos se instalarem imediatamente nas terras que lhes estavam destinadas, “se assentou ser igualmente indispensável, que se compre para o indicado fim os cultivados que naquele lugar tem Joaquim Machado a custa dos ditos colonos, para o que deverão concorrer com a oitava parte de seus subsídios, atenta à utilidade, que desta providência lhes venha, em que seja a Fazenda Nacional obrigada a fazer mais esta despesa, a qual apenas montará na quantia de 50 mil réis e por isso não lhes será pesada”. Que se, entanto, não quisessem ir logo para o serão, “construíssem o seu arranchamento no sítio denominado Rio Bonito, que também fica próximo e à entrada do sertão”.

O que estava em jogo era o assentamento rápido dos colonos em quaisquer pontos que se oferecessem e isso deixava claro pelas intenções do presidente da Província de São Paulo, para que cessassem logo os subsídios advindos da Fazenda Nacional, que a condição primordial eram os assentamentos o mais breve possível. A preocupação de todos os conselheiros era com o tesouro provincial, pois atormentava a curta bolsa pública.

Estava assim instituída a Colônia alemã de Santo Amaro. A sessão iniciou-se às 10:00 horas da manhã e terminou à 2 horas da tarde. Assinam a ata: José Carlos Pereira de Almeida Torres, presidente da província, Manoel Joaquim Ornellas, Dom Manoel, bispo diocesano, José Arouche de Toledo Rendon, Bernardo Pinto Galvão Peixoto e Rafael Tobias de Aguiar. Ficam estes nomes ligados também a história da imigração de São Paulo.  (ZENHA, p. 31, 1950)

Resolvida a instalação da colônia, era necessário transportar para Santo Amaro os colonos que estavam em São Paulo e Itapecerica. Para tanto foi enviada ordem ao sargento mor afim de que este pusesse a disposição do diretor os carros necessários. O Dr. Melo Franco (diretor agrimensor) pediu 64 carros. O sargento mor conseguiu reunir unicamente cinco. Comunicava ter mandado, entanto aviso para todos os carreiros se reunirem numa quarta-feira e procederem ao transporte dos colonos. Ninguém se aluiu a grande pare dos colonos fez a mudança a pé. (ZENHA, p. 32, 1950)

Neste interim assume os interesses dos colonos alemães o agrimensor Theophil (ou Teófilo) Schmidt para mediar os lotes. Sabe-se que ele entrou no Brasil na categoria de avulso em 22 de maio de 1828 vindo para São Paulo na Sumaca “Santa Delfina[2]”. Assumiu a posição de Henrique Droge, o primeiro indicado para mediador, que foi afastado da colônia por divergências com os próprios colonos.(ZENHA, p. 31, 1950)

Dando conta do pedido feito pelo mediador alemão Theophil Schmidt que era proibir os nacionais de abrirem roças nas áreas a serem divididas entre os colonos; o senhor diretor Melo Franco deveria enviar todos os colonos para ajudar nas demarcações, inclusive um marceneiro; convocar o alemão senhor Fluer, versado em medicina e conhecedor de geometria, e sendo agora um dos colonos ajudar na empreitada; arrumar instrumentos, prancheta, cadeira, para anotações cabíveis a cada família.

Parecia coisas simples, mas a empreitada precisava acima de tudo trabalho árduo nas terras de mato virgem e começa uma desavença entre os interesses dos colonos e os interesses da província, informando de que o lugar destinado para ao alemães não prestava, era contra o ajuste que com os colonos na Alemanha se tinha feito, e que eram para aquele lugar designados para favorecer homens ricos e poderosos.

Theophil Schmidt apresenta então a Declaração dos dois cultivados de Joaquim Machado:

Estes cultivados seriam adquiridos para neles instalar-se a povoação. O Conselho do Governo não podendo medir, como desejava, até o fim do ano, as datas (terrenos) grandes e livrar-se do subsídio, usou um subterfúgio: comprou com os próprios vencimentos dos colonos os dois cultivados e neles mandou medir pequenos lotes, distribuídos de forma a permitirem futuras ruas. Estes lotes foram entregues aos alemães para construções de suas casas, enquanto se aguardava a medição das datas(terrenos) de quatrocentas braças. (ZENHA, p. 34, 1950)

Indiscutivelmente os dados apresentados pelo alemão Teófilo Schmidt eram muito mais precisos e minuciosos do que os apresentados pelos outros examinadores. O tesouro estava sem verbas e urgia pôr fim ao termo das despesas tão pesadas. As coisas pareciam ir a contento quando o mediador alemão afirmou que as terras oferecidas nada valiam e que um grande fracasso era anunciado.

Theophil Schmidt em 17 de março de 1829, endereça ao vice-presidente da província uma longa nota. O fato de ter sido dirigida diretamente ao alto procurador da coroa dá bem a medida das coisas dentro da colônia. O mediador não se julga mais obrigado a representar primeiro ao diretor, como estava estabelecido: salta pela autoridade deste, e se dirige ao Conselho e ao vive presidente. O Dr. José Carlos Pereira, por esta ocasião desempenhava-se de seu mandato na câmara dos deputados, substituindo-o Dom Manoel, bispo diocesano.

Nesta nota, entre outras coisas, diz Theophil Schmidt que o sertão destinado aos colonos não podia preencher uma das cláusulas do contrato firmado na Alemanha “por pessoas encarregadas de “Negócios deste Império”, pois nele se pactuava que ao colono seria entregue um quinhão formado de matos e campos. Isto não se podia, satisfazer com as terras destinadas aos alemães, “...será necessário, - diz ele, - que o Governo, em cumprimento dos referidos contratos, evitando queixas e agravos, conceda lugares competentes aos colonos”. (ZENHA, p. 35, 1950)

TheAfter further negative trials, a wilderness near Santo Amaro was considered and shown to the prospective colonists. Este plano foi recusado pelos alemães e, especialmente, os palatinos protestaram contra ela e insistiu em seu contrato, que lhes prometeu terras aráveis e prados, e não em uma região de selva encharcada de regulares inundações. A letter of protest of Uma carta de protesto de March 17, 1829 17 de março de 1829 was sent to the Vice President of the province and signed by 26 persons: foi enviada ao Vice Presidente da província e assinada por 25 colonos, quase todos eles do Palatino Kusel:

 

Theofílo SCHMIDT, who had measured out the territory,Frederico Lang,

Philippe Anton,

Jakob Kuntz de Essweiler,

Pedro Schumacher,

Johannes Stoffel;

Pedro Bauer,

Heinrich Gilcher de Bosenbach, (ou Gilger?),

Pedro Hassel (ou Hessel?),

Nickel Mueller,

Adão Weinbreger (seria os atuais Rheinsberg?),

Philipp Schaefer de Erdesbach,

Jacob Walder,

Theobald Ulrich de Ulmet,

Frederico Hasse (ou Haeseler),

Elizabetha Walter (viúva de Max WALTER), Diderico GERES (= GEERS), Pedro SCHUCK, Luiz GADNER ( = Ludwig KETTLER!), Jacobo MATER (= MADER), João PFEIFER, Frederico FRANCK, Daniel SANSEL (= SAMSEL!), Philippe WEINREICH, Frederico THEOBALD und Jacobo REY , almost all of them Palatines from the Kusel region who had the courage to protest and who traded in enormous difficulties for themselvesMax Walter),

Diderico Geres (ou Geer?),

Pedro Schuck, (ou Schunck?)

Luiz Gadner (Kettler Ludwig),

Jacobo Mader, (ou Mater?)

Johannes Pfeiffer (de Bosenbach),

Friedrich Franck, Friedelhausen,

Philipp Weinreich, de Friedelhausen,

Daniel Sansel,

Frederico Theobald

Jacob Rey de Essweiler, (ou Jacobo?)

 

O diretor da colônia considerou esses protestos e a marcha de uma delegação alemã à sua casa como uma “revolta” e com a ajuda policial zelou pela “ordem”. Esses alemães foram definitivamente informados de que nenhuma outra terra estavam disponíveis para eles e além disso foram punidos com a retirada do apoio financeiro.

Os que encabeçaram a lista e exigiam seus direitos saíram para outros lugares, e Por causa destes fatos a Alemanha por algum tempo fechou suas fronteiras imigratórias ao Brasil, para rever as condições em que os colonos estavam sendo tratados.

Esses palatinos que insistiam nos direitos declarados em seus contratos sairam de Santo Amaro. Alguns deles, como Johannes Pfeiffer, procurou trabalho na jovem siderúrgica de Ipanema, contruida por ordem de Dom João VI. Outros se mudaram para Minas Gerais, Santa Catarina ou Curitiba. Por causa destes fatos a Alemanha por algum tempo fechou suas fronteiras imigratórias ao Brasil, para rever as condições em que os colonos estavam sendo tratados.

Em 28 de março de 1829, o vice presidente exarou o seguinte despacho: Informe ao Sr. Diretor, ficando na inteligência de que hoje foi dispensado da comissão em que se acha empregado o alemão Theophil Schmidt.

Como represália os signatários foram excluídos da Colônia Paulista. After repentful pleas, some of them were accepted again as colonists three weeks later: Theobald ULRICH , Heinrich GILCHER , Johannes STOFFEL and Peter BAUER . Após alguns ajustes foram alguns desses colonos signatários recolocados novamente no programa de imigração e seus nomes são ainda preservados em Santo Amaro.

Mas boa parte que assinaram a carta de protesto tinham que sair e não se encontravam mais na primeira lista de habitantes de Santo Amaro de 1830.

Theophil Schmidt que havia substituído Melo Franco e Henrique Droge, para representar os interesses dos colonos alemães, que chegou e São Paulo através da Sumaca “Santa Delfina”, em 22 de maio de 1828, que considerou o solo demasiado pobre para fins agrícolas e que tinha debates conflitantes sobre este assunto com o diretor da colônia, e que até se ofereceu em ir para ir ao Rio de Janeiro expor as condições da primeira colônia de São Paulo, a Colônia Paulista, ao Imperador, desaparece como referência da colônia e a que tudo indica encaminhou-se para o Rio de Janeiro, depois de lutar pela causa dos colonos alemães de São Paulo.

O gado prometido não estava disponível nas quantidades necessárias, assim os colonos receberam uma compensação monetária. Em fevereiro de 1830, o Juiz de Paz, Joaquim Manoel de Moraes, fez uma lista da colônia alemã de Santo Amaro e contava 62 famílias com 229 pessoas. Em Itapecerica, havia 30 famílias alemãs, em um total de 163 pessoas.

Os colonos de Santo Amaro e foram mediados pelo Juiz de Paz Joaquim Manoel de Moraes e a partir de julho de 1829, sendo que essas famílias alemãs começaram a se estabelecerem em Santo Amaro.

Informava ainda o bispo que “Sua Majestade o Imperador acaba de não só aprovar, como de louvar todas as medidas tomadas pelo Excelentíssimo Sr. Presidente desta Província sobre o estabelecimento dos referidos colonos nas terras que ele em Conselho designara”.

Em 3 de abril de 1829 o director comunicava que haviam chegado a Santo Amaro muitos imigrantes daqueles que se tinham separado no mar e ficado na Inglaterra, como naufragos do Veleiro “Helena e Maria”!



[1] Não confundir o município de Itaquaquecetuba localizado na Região Metropolitana de São Paulo e Alto Tietê distante 42,6 quilômetros a nordeste da cidade de São Paulo, com a Estrada de Itaquaquecetuba, na “Ilha” do Bororé, na zona sul de São Paulo. (Em São Bernardo do Campo há a Estrada Taquacetuba e a represa Billings que recebe águas de um rio de mesmo nome!!!)

[2] Embarcação pequena de 2 mastros, usado comumente na América do Sul

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (03): O VELEIRO “HELENA E MARIA” E SEU NAUFRÁGIO NA INGLATERRA

IMIGRANTES ALEMÃES NAUFRAGADOS 

Os emigrantes para Brasil partiam de Hamburgo, de Bremen, na Alemanha e mais tarde também de Amsterdã, na Holanda, este último porto preferido pelo imigrantes do sul da Alemanha, porque era facilmente acessível através do rio Reno. (FEY, p. 24, 2019)

O grupo de emigrantes do Palatinado em November 7, 1827 7 de novembro de 1827 went to deslocou-se a Amsterdam para embarcar em dois veleiros distintos o “Alexander” e o "Helena e Maria".  It is thinkable that they all went to Bremen first to get the necessary papers and from there to Amsterdam or also that the bulk of them went to Amsterdam directly and only some family fathers went to Bremen in order to get the necessary stamps and joined their waiting families and friends in Amsterdam before sailing off. They were a large group of over 200 persons already, and more emigrants from the Hunsrueck , from the Rhinelands and from other parts of Era um grupo grande de pessoas que ficavam na fila para embarque a bordo de um dos dois navios.

Muitos foram separados de seus filhos menores que realizaram a viagem em veleiros diferentes, com a esperança de chegar ao mesmo tempo em South America América do Sul.. Trinta e um membros da família do grupo de Küsel[1] que não puderam viajar a bordo do navio "Alexander", foram transferidos para o navio "Helena e Maria".

10.A SEPARAÇÃO DAS FAMÍLIAS E Ocatastrophe NAUFRÁGIO DO VELEIRO “HELENA E MARIA”

O veleiro “Helena e Maria[2]” foi construído em 1813, em Maassluis, Holanda, recebendo o nome de Welbedagt. Era um veleiro de dois mastros e dois decks, tipo brigue[3]. Em 4 de julho foi vendido e recebeu o nome de Thalia. Em 12 de dezembro de 1827 o veleiro sofreu alteração construtiva de 2 para 3 mastros e recebeu o nome de “Helena e Maria”, sendo adquirido pelo capitão Bartolomeus Karstens, oriundo de Amsterdã. Nessa reforma o veleiro teve suas dimensões originais diminuidas.(FEY, p. 42, 2019)

31 family members of the Kusel group could not travel on the vessel “Alexander” , but O veleiro "Helena e Maria" partiu de Amsterdam Amsterdã, doharbour porto deTexel Texel, a maior das Ilhas Frísias, na Holanda, on em January 6, 1828 6 de janeiro de 1828 com 350 pessoas, e em.. zarparam e         A week later, on12 de janeiro de 1828 ao passar pelo canal da Mancha em direção ao Atlântico, foi surpreendido com  mau tempo e um furacão. O veleiro foi sacudido pela tempestade sofreu avarias ficando a deriva, pois os seus três mastros foram danificados[4]. Para não adernar[5] os mastros que sustentavam as velas, os mesmos foram encurtados pelos passageiros ficando o “Helena e Maria” a deriva cerca de 40 quilômetros da costa da Cornualha, por aproximadamente duas ou três semanas.

Os emigrantes foram resgatados pelo navio britânico “Plover Packet[6] sob o comando do Capitão Edward Jennings. Ele rebocou os destroços para o porto de Falmouth. O capitão holandes Bartholomeus Karstens, do veleiro "Helena e Maria" ofereceu uma compensação monetária como retribuição por rebocarem os destroços do veleiro, mas a gratificação foi recusada pelo capitão Edward Jennings do Plover Packet, dizendo que julgou necessário fazer o resgate.




Falmouth - Foz do Rio Fal na costa sul da Cornualha, no Reino Unido. Fotos Andréa Dias


Um considerado número de iimigrantes que viriam ao Brasil, morreram em Falmonuth, ou em consequência do naufrágio do veleiro “Helena e Maria”, ou ao longo do tempo permanecendo em condições precárias, atacados por enfermidades causadas pelo inverno, ou fadiga, ou pouca alimentação, numa espera longa aguardando pela viagem ao Brasil.

Os emigrantes alemães haviam perdido todos os seus pertences na tempestade e também o valor da passagem que pagaram antecipadamente para viajarem e ao invés de estarem na América do Sul, o objetivo dos seus sonhos, viam-se completamente desprovidos de tudo na Inglaterra invernal.

A cidade de Falmouth através do “Comitê para Socorro dos Emigrantes Alemães Afligidos” conseguiram abrigar, nutrir e cuidar desafortunados viajantes durante um ano inteiro. O Vice-Presidente desta Sociedade, Lord de Dunstanville, teve uma grande participação nesta ação de socorro.

Somente no final de outubro o governo britânico decidiu cuidar do transporte dos alemães para o Brasil. O veleiro “Helena e Maria” foi reparado em um estaleiro, para seguir viagem, mas os imigrantes não aceitaram, pois, inspeções feitas pela Marinha Inglesa, reconheceu a insegurança da embarcação.

Por fim In the first days of December 1828, “a very nice ship” fromeem 03 de dezembro de 1828 o navio James Laing

 

de bandeira inglesa, aportou em Falmouth, com a incumbência de levar os emigrantes ao Brasil. Passaram a bordo para em January 2 nd , 18292 de janeiro de 1829 partirem   parte   para Brazil o Brasil. Os imigrantes alemães eram formados por um grupo misto de 313 imigrantes de regiões diferente da Alemanha: Moselanos, Palatinos e Hunsruck[7], sobreviventes do naufrágio na Inglaterra.

.O navio James Laing foi posto à disposição dos colonos alemães por Felisberto Caldeira Brant, o Marquês de Barbacena, de descendência alemã, diplomata brasileiro que, em passagem por Falmouth, em 24 de setembro de 1828, quando acompanhava a rainha D. Maria II, que contava apenas nove anos de idade, filha de D. Pedro I, pôde constatar o triste estado em que se encontrava aqueles imigrantes que tinha por destino o Brasil, sendo contratado o navio James Laing para leva-los ao Brasil. os náufragos do navio “Helena e Maria”. (denominado supostamente ser um navio chamado Cäcilia[8], mas não há confirmação de sua existência).

O navio James Laing foi construído em 1818, na cidade de Stockton, na Inglaterra. Suas dimensões de convés eram de 32,7 metros de comprimento por 9,05 metros de largura, com capacidade de transporte de 418 toneladas. Possuía casco com revestimento de cobre para proteção da corrosão da água salgada do mar. Pertencia a empresa de navegação James Laing & Sons, de SunderlandInglaterra.

Assim, em 03 de janeiro de 1829, os alemães náufragos do veleiro “Helena e Maria” partiram em direção ao Brasil, chegaram ao Rio de Janeiro em 19 de fevereiro de 1829.

Dos dois navios, “Helena e Maria” e o “Alexander” que sairam de Amsterdã, rumo ao Brasil, somente o veleiro holandês "Alexander" com os seus 174 emigrantes alemães,  chegou ao Rio de Janeiro, Brasil, sem dificuldades aparentes, sendo que os imigrantes continuaram a viagem no dia 20 de junho de 1828 embarcando na sumaca[9] “Rocha” para serem levados a Santos, e, em seguida para São Paulo, sob as ordens do intérprete, Inspetor de colonização de estrangeiros, Johann Heinrich Kagel. (ZENHA, 17; 1950)went to

Deste modo as duas levas de imigrantes ao Brasil depois de um ano puderam encontrar-se novamente após embarcarem em Amsterdã em November 7, 18277 de novembro de 1827.

Em 28 de dezembro de 1828 o diretor da imigração comunica ao Conselho que os colonos tinham ido ver as terras da Freguesia de Santo Amaro e que por documento escrito as aceitavam. O Conselho da Província de São Paulo, realiza sessão extraordinária em 12 de fevereiro de 1829, em que fica instituída a Colônia Alemã, definitivamente em Santo Amaro. (ZENHA, p. 28 e p..30; 1950)

Em 10 de abril de 1829, 342 passageiros somados de outros veleiros que aportaram em São Paulo, seguiram viagem com destino a Porto Alegre, no costeiro Florinda e registrados como chegados a São Leopoldo em maio de 1829.

Essa epopeia desta viagem foi considerada como a 25 ª leva de imigrantes alemães chegadas ao Brasil.



[1] Kusel é um distrito da Alemanha localizado no estado da Renânia-Palatinado

[2] A embarcação que recebeu o nome “Helena e Maria”, também chamado “Helena Maria”, que algumas vezes trocam-se erroneamente o lado dos nomes femininos (Maria Helena) em muitas obras a respeito do assunto do navio que naufragou na costa da Inglaterra, é chamado de Cacilia, Cacilie ou Cecilia, nome esse que aparece na obra “Cem Anos de Germanidade no Rio Grande do Sul”, do padre jesuíta Theodor Amstad (1851/1938) que veio para o Brasil em 1885.

[3] Um brigue é um tipo de embarcação à vela, com dois mastros com velas quadradas transversais.

[4] Uma semelhança de fatos: O 1º embarque de imigrantes suíços de ascendência alemã para o Brasil foi efetuado pelo navio Argus, ou Argo. Era capitaneado por B. Ehlers e Peter Zink. O comandante do transporte era Conrad Meyer. Partiu em 27.7.1823 do porto de Amsterdã na Holanda e chegou no Rio de Janeiro no dia 7.1.1824. Trazia 284 imigrantes, sendo 150 soldados e 134 colonos destinados a Colônia Alemã de Nova Friburgo no Rio de Janeiro. O navio enfrentou fortes tempestades ainda no Mar do Norte, vindo a perder o seu mastro principal, obrigando-o a atracar na Ilha Texel na Holanda, de onde, após consertado, reiniciou a viagem em 10.9.1823.

[5] Pender, abater duradouramente (embarcação) sobre um dos bordos, quer pelo deslocamento da carga, quer pelo impulso do mar ou do vento (navio a vela), ficar de banda.

[6] Consta que o Plover Packet, também fez viagem em direção ao Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1829 (FEY, p. 24, 2019)

[7] Hunsruck ( Hoher Rucken) significa Lombas Mais Altas. Região de planalto ondulado encrustado entre os rios Reno, Mosela, Sarre e Nahe, situada na parte sudeste das montanhas Renânia-Palatinado com 400 e 800 metros de altitudes. Dominam a paisagem os morros Idarkopf e o Erbeskopf.

[8] Friedrich Huttenberger autor de How the Guilgers came to Brazil-An emigration in 1827- the rediscovery of a forgotten Palatine emigration, escreveu artigo a partir de sua pesquisa sobre imigrantes palatinos deixando claro que o navio Cacilia não existiu e que o navio se chamava na realidade Helena e Maria. (FEY, p. 43, 2019)

[9] Embarcação pequena de 2 mastros, usado comumente na América do Sul

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (02): A DIÁSPORA DA REGIÃO DO HUNSRÜCK

 A Região do Hunsrück

Hunsrück é uma cadeia de montanhas baixa na Renânia-Palatinado, Alemanha. É delimitada pelos vales dos rios Mosela (norte), Nahe (sul) e Reno (leste). O Hunsrück é continuado pelas montanhas Taunus, no lado leste do Reno. No norte atrás do Mosela, é continuado pelo Eifel. Ao sul do Nahe é a região do Palatinado.

Muitas das colinas não ultrapassam 400 metros (1.300 pés) acima do nível do mar. Existem várias cadeias de picos muito mais altos dentro do Hunsrück, todos com nomes próprios: a (Floresta Negra) Hochwald, a Floresta Idar, a Soonwald e a Floresta Bingen. A montanha mais alta é a Erbeskopf , com 816 metros de altura.

Cidades notáveis ​​localizadas dentro do Hunsrück incluem Simmern, Kirchberg e Idar-Oberstein, Kastellaun e Morbach. O Aeroporto de Frankfurt-Hahn também está localizado na região.

O clima em Hunsrück é caracterizado por tempo chuvoso e névoa subindo pela manhã. A ardósia ainda é extraída nas montanhas.

A situação econômica em Hunsrück tornou-se grave durante os anos de 1815 a 1845. Uma colheita ruim em 1815 foi seguida pelo ano sem verão em 1816; os preços dos grãos subiram rapidamente e 1817 se tornou um ano de fome.

Em setembro de 1822, o governo brasileiro enviou Georg Anton Schäffer à Alemanha para recrutar mercenários e colonos. Chegou em 1823, como representante do imperador Dom Pedro I do Brasil, e visitou as cidades hanseáticas[1], Frankfurt e muitas das cortes alemãs. Essa missão desencadeou a primeira grande onda de emigrantes alemães no Brasil. Muitos deles foram recrutados por Schäffer em Hunsrück, nas partes norte e oeste do atual Sarre e no palatinado ocidental[2].

Os primeiros imigrantes de Hunsrück se estabeleceram em 1824 no que é hoje o estado brasileiro do Rio Grande do Sul, perto da cidade de São Leopoldo. Somente em 1830 o número de emigrantes no Brasil começou a cair.

A década de 1840 na Europa foi marcada por inflação, falhas de safra e um grau de agitação social, de modo que novamente (especialmente em 1846 e 1861) muitas pessoas em Hunsrück decidiram deixar a região, em duas ondas de emigração, especialmente para a América do Norte e Brasil. Os emigrantes faziam uma jornada de um dia para Bremen e Bremerhaven, pela estrada por meses, muitas vezes três meses, até que seu navio chegasse ao porto.

Em agosto de 1846, foi anunciado em Dunquerque que a passagem livre para o Brasil não seria mais possível. Nesse momento, havia mais de 800 pessoas esperando lá. A Prússia recusou-se a prestar assistência aos emigrantes empobrecidos e desamparados. Eles foram transportados da França em três navios de guerra para a Argélia e se estabeleceram nas aldeias de Stidia e Sainte-Léonie. A maioria de seus descendentes retornou à França após a Guerra da Argélia em 1962.

Como resultado da crescente negligência e privação de partes da população da Alemanha durante a era da industrialização, uma associação da Missão Interior foi fundada por iniciativa do pastor Simmern e, posteriormente, superintendente Julius Reuss, em Simmern, com o objetivo de contruir um centro de resgate em Hunsrück para crianças que viviam na pobreza. Em 1851, uma área entre Simmern e Nannhausen, o Schmiedel, foi adquirida. Lá, o primeiro edifício foi erguido como uma "casa mãe" (Mutterhaus ou domus materna), inaugurada em 13 de setembro de 1851. Ainda hoje, a sede da organização Schmiedel permanece no local.

Desde 2010, a região se tornou uma das principais regiões de energia eólica da Alemanha, com grandes parques eólicos localizados perto de Ellern e Kirchberg. O turismo baseado na natureza aumentou nos últimos anos e, em 2015, um novo parque nacional foi inaugurado. Culturalmente, a região é mais conhecida por seu dialeto Hunsrückisch. A região experimentou emigração significativa em meados do século XIX, principalmente para o Brasil.



[1] Liga Hanseática (die Hanse) foi uma aliança de cidades mercantis alemãs ou de influência alemã, que estabeleceu e manteve monopólio comercial sobre quase todo norte da Europa e Báltico entre os séculos 12 e 17. Abrangeu cerca de 100 cidades, tendo como centro Lubeck, um dos maiores portos da Alemanha. De início com caráter essencialmente econômico, desdobrou-se posteriormente numa aliança política. No século 18 o governo hanseático subsistia apenas em Lubeck, Hamburgo e Bremen, cidades alemãs. Hamburgo e Bremen referem-se ainda como vilas hanseáticas.

[2] A presença da princesa Leopoldina na Família Real foi decisiva para a vinda dos imigrantes ao Brasil. Leopoldina Carolina Josefa de Habsburgo-Lorena, arquiduquesa  da Áustria, esposa do imperador Dom Pedro I, primeira imperatriz do Brasil. Era filha do imperador Francisco I  e de Maria Teresa das Duas Sicílias, de um ramo da Casa de Bourbon. Pertencia a casa imperial de Habsburgo, uma das mais importantes e mais longas casas reais reinante na Europa. Também foi cunhada do imperador Napoleão Bonaparte casado com sua irmã mais velha, Maria Luísa. 

O propagandista contratado para percorrer os estados germânicos buscando imigrantes foi o médico e militar major Antônio Schaeffer. Ele era conhecido em meio aos empresários, políticos e militares. Schaeffer nasceu em Münnerstadt, na Baviera, estado da Alemanha, em janeiro de 1779. Morreu em Jacarandá (Brasil), em 1836. Recebeu promessa de recompensa financeira por cada imigrante recrutado. Para obter maior lucro, montou uma rede de subagentes espalhados pela Alemanha a fim de angariar colonos e soldados para a emigração. (192 ANOS DA COLONIZAÇÃO ALEMÃ NO BRASIL. A HORA. p.14)

 

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (01): DA REGIÃO DO PALATINADO PARA SANTO AMARO/SP

Guerras napoliônicas e a relação com a imigração alemã


Em 1793 o exército revolucionário francês invadiu os territórios da esquerda de Rhinehart na expansão da França pela força militar. Neste momento, Napoleão Bonaparte conquistou toda a região esquerda do Reno e do Palatinado que se tornou território francês a partir de 1798 até 1814, denominado "departamento Mont-Tonnerre".

 

Com uma nova administração o Palatinado tornou-se oficialmente território francês, tal qual seus cidadãos, embora tivessem ascendência alemã.

 

After Napoleon's fall, the Depois da queda Napoleão, o Palatinate Palatinado was taken away from foi retirado da France França at the “Vienna Congress” in 1815, and added to the pelo Congresso de Viena em 1815, e acrescentados ao Kingdom Reino of de Bavaria Bavária, até a unificação do Império Alemão em 1870.

 

O novo soberano destas terras do Palatinado, na margem esquerda do rio Reno, necessitava da mão de obra dos agricultores e dos militares, inclusive que haviam estado no exército napoleônico, para reforçar sua defesa e sua economia. Deste modo existiam exigências burocráticas para obter uma permissão para a emigração[1].

 

The village mayors had to report to the district administration ( Landkommissariat ) about the morals, behaviourOs prefeitos de cada região tinha que informar a administração distrital sobre as and debts of the candidates for emigration.dívidas de impostos e outras contribuições dos candidatos à emigração alemã, que tinham o dever de quitar todos os valores imobiliários, quando houvesse, antes de uma eventual partida. O governo não queria que seus cidadãos emigrassem, e criaram obstáculos burocráticos, e assim somente alguns pretendentes ganhavam autorização oficial, para emigrar da Alemanha.

 

Em 1820, com as relações imperiais entre Alemanha e BrazilBrasil seemed to be de livre comércio, abriam-se as portas da emigração da Alemanha, onde as “terras comuns” agrícolas escasseavam.

No início de novembro de 1827, os emigrantes do distrito de Kusel já haviam sido inscritos numa lista oficial do governo de "applications for emigration to"pedidos de imigração para Brazil Brasil".".  

 

Muitos A whole lot of families of the Kusel district decided to leave the country at all costs, and even without a governmental permission.MiuitosmmMMMMvenderam seus bens, pois precisavam de dinheiro para a viagem e para novas terras, outros sem possuírem posses optaram por viajarem The families emigrating from the Kusel region in 1827 must have met before and planned their travel together .Muitos clandestinos, sem esperar pela autorização oficial. O controle do governo distrital torna-se mais rígido, exigindo listas dos imigrantes clandestinos, com relatórios de famílias. The royal district government collected the reports and made the sum. No ano de 1827 um total de 196 pessoas tinham desaparecido das aldeias do Quirnbach, Ulmet, Horschbach, Altenglan, Essweiler, e Bosenbach Neunkirchen Neunkirchen.

 

Em 1827 os interessados a imigrar para o Brasil dirigiram-se para a cidade de Bremen Bremen para obter um selo oficial do Consulado Geral do Brasil de assentamento no país no valor de duas gulden[2] como "taxa de certificação". After having got this stamp, the paper Depois de ter obtido este selo, o documento had to be authenticated by the government-office of the free city oftinha de ser autenticado pelo escritório do governo da cidade de Bremen Bremen, e somente depois era liberada a viagem para o Brasil....

Os navios Brazil para o Brasil didn't wait and those who wanted to get there had to travel to comumente saiam dos portos de Bremen Bremen,, Hamburg Hamburgo or to ou de Amsterdã. ..

 

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[1] A difícil missão de angariar colonos e contratar soldados alemães para os Batalhões de Estrangeiros do Brasil, coube ao Major Johann Anton von Schaeffer, que havia chegado ao Brasil em 1814 e conseguido granjear a amizade de D. Leopoldina, pelo interesse de ambos nas ciências naturais.

De posse de uma procuração que o nomeava de "Agente de afazeres políticos do Brasil", Schaeffer encontrou inicialmente grandes dificuldades em contratar soldados na Alemanha. A exportação de soldados era proibida, desde o Congresso de Viena em 1815, pois as grandes potências europeias
(Prússia, Inglaterra, Áustria e Rússia) não permitiriam o surgimento de um outro "Napoleão" no mundo, e , D. Pedro I, com a independência do Brasil foi considerado um usurpador do poder, um rebelde que traíra o pai.

Enquanto em alguns Estados alemães havia a proibição, em outros existia o direito dos cidadãos à emigração, principalmente nos Estados da atual Renânia onde, pela proximidade com a França, a destruição provocada pela guerra havia sido maior e onde mais se fizeram sentir os efeitos do fim do feudalismo. Cerca de 50% dos imigrantes são provenientes desta região, mas precisamente do "Hunsrück" quadrilátero compreendido entre os Rios Reno, Mosela, Nahe e Saar. Os camponeses que agora podiam abandonar o campo, não encontravam trabalho nas cidades também já repletas de artesãos desempregados, pois as indústrias estavam trocando a mão-de-obra humana pelas máquinas que produziam mais e melhor.

Os minifúndios criados pelo direito hereditário, aliado às terras exauridas por sua contínua exploração, foram, como já vimos, fatores que determinaram a expulsão dos camponeses que, por não encontrarem ocupação nas cidades, tinham na emigração a única saída.

Com a oferta pelo Governo brasileiro de terras (150 Morgen=77 hectares), além de ferramentas, gado, sementes, auxílio financeiro nos 2 primeiros anos e isenção nos primeiros 10 anos, a missão de Schaeffer foi grandemente facilitada.  (http://www.mluther.org.br/Imigracao/imigracao_ii.htm)

 

[2] Florim, do italiano, fiorino, é um termo genérico para designar a moeda de ouro, que ficou conhecida, em holandês e alemão, como gulden, originalmente (em alto-alemão médio) guldin pfenninc, que significa "centavo de ouro".