sábado, 1 de julho de 2017

A GREVE GERAL DE JULHO DE 1917: O CENTENÁRIO DO PRIMEIRO GRANDE CONFLITO ENTRE O TRABALHO E O CAPITAL NO BRASIL

O TRABALHADOR E A CAUSA SOCIAL

A tensão social das relações de trabalho do início do século 20 teve grande repercussão na cidade de São Paulo, provocada por uma crise econômica intensa, sendo parte disso a Primeira Grande Guerra na Europa, conflito beligerante que afetava a economia de vários países.

Em 1916, o custo de vida no Brasil aumentava na ordem de 16% em comparação ao ano de 1914, enquanto os salários aumentaram apenas em 1%. Em 1917 esses índices eram de 28% em aumento de preços e apenas 7% para os salários. Havia denúncias de especuladores que se aproveitavam da crise e subiam os preços dos produtos de primeira necessidade, do pão em particular.

A luta dos trabalhadores teve primeiramente como intenção primordial a jornada de oito horas. A greve acontecida em 1917 correspondia às aspirações mais de caráter social. A partir do mês de abril, foram realizadas várias reuniões, folhetos distribuídos para uma  chamada popular para combater a crise. Os jornais de grande circulação não divulgaram como deveriam, ou pouca importância deram aos acontecimentos e algumas redações emudeceram e somente jornais de caráter informativo dos trabalhadores se manifestaram como o “A Guerra Social”, “A Plebe”, “Avanti!”, “La Battaglia”, “O Amigo do Povo” entre outros.

Os efeitos são pontuais do movimento da massa de trabalhadores em São Paulo e os mesmos foram incentivados a manifestarem seu descontentamento com a situação de miséria que viviam e as precárias condições de trabalho nas fábricas.

O informativo jornalístico “A Guerra Social” congratulava-se com este despertar da consciência da classe operária.

Os trabalhadores de São Paulo estão em pé de guerra, finalmente reivindicam o seu direito à vida; de se livrar finalmente de apatia que os fez escravos dóceis, prontos para todas as condições servis, digno de todos os abusos, esquecidos de si mesmos, sempre humildes e submissos, sob um jugo constante. Congratulamo-nos com este despertar da consciência proletária que começa com um ato digno: a abolição do imposto de guerra[1] para os trabalhadores das fábricas. O movimento grevista de 1917 expôs desafios para os italianos de São Paulo em sua relação com o movimento operário, pois a comunidade de imigrados italianos estava sujeita às pressões dos comitês locais de arrecadação de fundos para o Exército italiano em guerra, sem contar que não poucas famílias tinham parentes na frente na Europa. As sociedades de socorro mútuo italianas no exterior apoiavam a guerra, em conjunto com toda aquela parte do empresariado imigrado entusiastas do conflito pelos ideais da pátria.

Para explicar esse despertar, o jornal faz a ligação entre os protestos do trabalho e a guerra mundial: como um primeiro passo, os trabalhadores aceitaram as restrições impostas pela crise, especialmente pelo medo do desemprego. Mas observando que a guerra não impedia que os especuladores prosperassem, pelo contrário, a massa proletária de São Paulo revoltou-se:

“O aumento do custo de vida e em particular o aumento do preço do pão, depende na verdade de causas gerais relacionadas com a conduta da grande conflagração de três anos afetando a humanidade na guerra, para satisfazer o prazer de um punhado de bandidos imperiais que estabeleceram a lei comum no privilégio econômico sem interesse de um Estado Social. Mas o efeito destas causas gerais pode ser encontradas nas atividades especulativas de sete ou oito ignorantes, que os reis podem fazer de comandantes, mas que não são menos que vulgares ladrões, bandidos das principais estradas de ferro, que impõem ao povo em geral, e ao proletariado em particular, o plano da fome.”

 As duas maiores empresas de São Paulo são os principais alvos dos ataques: As Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, e o Cotonifício Rodolfo Crespi & Cia, ambos proprietários imigrantes italianos. O Cotonifício Crespi estava situado na Moóca, no quadrilátero da Rua dos Trilhos, Rua Visconde de Laguna, Rua Javari (paralela a dos Trilhos) e Rua Taquari, em terreno de 30 mil metros quadrados e 50 mil de construção iniciada em 1898, que em 1917 possuía  2 mil operários distribuídos em vários galpões, sendo o prédio principal formado em quatro andares com duas torres laterais.


O primeiro recebeu a carga de insultos por deter um monopólio sobre a farinha em São Paulo, o segundo detentor das empresas do fabrico do maior setor têxtil da América Latina e onde irá desencadear a primeira greve iniciada com ressalvas e pouca adesão em maio de 1917. A empresa estava com alta produção abastecendo até mercados externos naquele momento e havia anunciado que os trabalhadores teriam que fazer trabalho noturno extra, mas com uma agravante: não iriam receber nenhuma compensação financeira por isso, além de que, os salários fossem baixíssimos em relação a “carestia de vida” (hoje denominada inflação). Poderia disser-se que os salários estavam dentro dos limites mínimos de subsistência da prole do trabalhador! Era o mote usado pelas maiores empresas fixadas em São Paulo, isso já havia acontecido na fábrica de bebidas Companhia Antártica Paulista, também situada na Moóca, no verão quando o consumo de bebidas era maior exigia-se prologamento das horas trabalhadas sem acréscimos nos proventos.

A reação foi instantânea, algo teria que ser feito em resposta as arbitrariedades patronais. O movimento culpava os empresários pela teimosia em se recusar a ceder algumas exigências, ainda modestas e razoáveis, para os trabalhadores em geral, que continham ideais de anarquistas na maioria italianos e socialistas (o Partido Comunista Brasileiro só seria fundado em 25 de março de 1922) que tentavam unir suas forças na luta e de colaborarem entre si.

Poucos possuíam acesso aos artigos dos jornais e apenas algumas centenas de trabalhadores receberam instrução suficiente para deflagar uma greve pelos interesses comuns e necessitavam de alguma forma conseguir adeptos pela causa e procurando obter de alguma de maneira as condições minimas para organizarem-se.

Antes mesmo de a greve geral se espalhar prevista para julho, as proporções de uma revolta popular real, insiste na natureza de modo espontânea do protesto e relativiza a influência que pode ter ativistas revolucionárias entre os trabalhadores:

Talvez por força da situação de penúria dos trabalhadores de São Paulo por si mesmos articulam para a greve geral. Uns apelam por um modelo a ser seguido, com alguma orientação, algo que os reúna, os anime, colocando-os em ação.

 Os primeiros movimentos de abril e maio de 1917, são acompanhados por um novo protesto nos estabelecimentos dos Crespi, com participação dos anarquistas na organização do proletariado.

A GREVE DE JULHO

A situação endurece na metade do mês de junho de 1917, quando a greve é retomada nas indústrias Crespi. Neste momento, a recém-nascida imprensa anarquista em português, “A Plebe”, publica sobre as greves e manifestações de trabalhadores em São Paulo, onde seus principais editores são Edgard Leuenroth e Florentino de Carvalho, ambos anarquistas sindicalistas que enxergam condições para orientação e organização do movimento.

As greves e reuniões de associações trabalhistas são muito mais detalhadas neste momento, em um novo contexto, pois as fábricas prosperam com o conflito mundial abastecendo o mercado consumidor. Há, deste modo, maior ênfase na estrutura organizada e com movimento menos teórico para arregimentar os trabalhadores.

Rodolfo Crespi, insiste em não ceder aos grevistas, não sendo poupado de críticas. A greve dura vários dias nas fábricas Crespi. Uma manifestação de solidariedade com os trabalhadores organiza-se em 24 junho.



Quando a greve fica mais forte, os trabalhadores começam a parar as fábricas de Crespi, e articulam-se para angariarem alimentos, pois  o movimento se estende a outros setores com prologamento previsto para os meses de junho e julho.

O governador do Estado, Altino Arantes Marques, do Partido Republicano Paulista, através do Secretário de Estado dos Negócios da Justiça e Segurança Pública,, Elói de Miranda Chaves, convocam o delegado geral Tirso Martins para entrar em ação e reprimir as primeiras manifestações, enviando destacamento da Força Pública, que de imediato tenta desmerecer os anarquistas aos olhos dos trabalhadores pelo boato de que os anarquistas são agitadores e que vivem dependentes dos trabalhadores.

Mas estas  tentativas não ficam apenas no menosprezo por todas as greves ocorridas em São Paulo de julho de 1917 e as ações se tornam mais violentas entre as partes e o confronto é inevitável, iniciando a repressão sangrenta entre os grevistas do "Cotonifício Crespi" com as forças policiais.

Os jornais circulantes expõe com condescendência e paternalismo as "exaltações lamentáveis" dos trabalhadores:

“É compreensível até certo ponto esse espírito exaltado. Por um lado, a argumentação do aumento dos preços tem consequências  terríveis, e por outro lado, parece que os donos de alguns estabelecimentos industriais procuram se aproveitar da situação, mas seria razoável aumentar os salários equitativamente. A este estado de coisas, apesar dos constantes apelos da imprensa, nossos homens públicos, embalados em seu habitual amor pela tranquilidade e indiferença, não fazem nada para entender os homens do trabalho e a pobreza, e ninguém se importa com seu sofrimento. Isto explica, em certa medida, porque os trabalhadores perdem a paciência e gritam para serem ouvidos. No entanto, e não muito facilmente, o que é ainda menos justificado, foram os excessos em que muitos deles estão envolvidos, insultando e atacando os soldados que protegem os que não obedecem a greve e  querem executar seu dever profissional, tentando evitar que outros trabalhadores exerçam seu direito de trabalhar e, finalmente, causando ferimentos a si mesmos e também aos outros”.

Durante os confrontos com as forças de segurança, como publicado em matéria jornalística, "que fazem o seu dever" nestes dias sangrentos há apelo para não se confrontarem com as mulheres que aderiram a greve geral. Vários trabalhadores ficaram feridos, mas o mais grave ocorreu no Brás, em frente a fábrica têxtil Mariângela, de propriedade das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, IRFM, com um jovem espanhol de 21 anos, José Ineguez Martinez[2], atingido por projetil de arma de fogo em 9 de julho, morrendo dos ferimentos na Santa Casa de São Paulo.


A imprensa reproduzia várias vezes a versão policial segundo a qual Martinez foi atingido "por algo que os agitadores atiravam nas autoridades", acrescentando também outra versão que o destacamento atirou para proteger o delegado de polícia.




“Na manhã paulistana de 11 de julho de 1917, sob intenso frio e chuva fina, uma multidão se formou à frente da casa número 91 da rua Caetano Pinto, no bairro do Brás. Desde as sete horas, homens, mulheres e crianças acotovelavam-se e agitavam bandeiras vermelhas à espera do funeral. Por volta das oito horas e trinta minutos, o corpo de José Ignez Martinez deixou a casa dos seus familiares. Um imenso cortejo fúnebre pôs-se em movimento” – jornal Fanfulla de 12/7/1917. Empregado de uma sapataria na rua Caetano Pinto, o espanhol José Martinez fora baleado no peito, no dia anterior, na rua Monsenhor Andrade, e não resistiu aos ferimentos. 

A morte de Martinez foi o estopim sobre a população de trabalhadores de São Paulo para começarem a greve geral. Cinco mil pessoas seguiram o cortejo fúnebre de Martinez em 11 de julho, acompanhado de destacamento policial coordenado pelo delegado auxiliar Rudge Ramos em direção ao cemitério do Araçá. 



Operários marcham portando bandeiras negras pela cidade de São Paulo em 1917



Bandeiras tremulam em funeral de operário morto durante a greve geral de 1917

Vinte mil trabalhadores desde este momento conclamam intensificar a greve, e seu número continua a aumentar nos dias seguintes, alcançando quarenta mil e em 14 julho eram de cem mil, de acordo com o jornal “Fanfulla”[3] edição de 15 julho.

No dia do funeral de Martinez, os grevistas novamente enfrentaram as forças policiais, bem mais numerosas na capital do Estado de São Paulo. Depois do enterro do sapateiro, a multidão dirigiu-se ao centro da cidade deslocando toda a massa operária para a Praça da Sé onde seria realizado um grande comício de protesto. 

Começou-se com a exigência a reabertura das ligas operárias, proibidas anteriormente ao crime ocorrido, de funcionar pelos delegados dos bairro da  Moóca e Brás, onde se concentravam o maior número de fábricas. Além dessa proposta requeria-se também a libertação dos grevistas presos e a punição dos assassinos de Martinez. Ocorrem então as reações violentas entre os grevistas e a polícia que se encontrava no local, sendo que a construção da “nova” Catedral de São Paulo, foi usada como trincheira.

Com a violência generalizada as respostas dos grevistas recrudescem ficando mais intensas. Um ataque ao Moinho Santista[4], situada na Rua André Leão, no bairro da Moóca, é planejado e saqueado, sendo levadas 600 sacas de farinha de trigo e inutilizadas outras tantas.

Toda a cidade está paralisada; ficando sem eletricidade, sem gás, sem meios de transporte e sem pão.


Em 11 de julho, o Comite de Defesa Proletária[5] (CDP), ressurgimento de um comitê homônimo que havia sido criado em 1914, composto por seis pessoas, cinco anarquistas e um socialista, publica as intenções dos grevistas. Em 13 de julho uma mobilização militar está postada na cidade com um contingente de 7 mil milicianos, entre cavalaria e infantaria. Em 13 de julho, os confrontos fazem duas novas vítimas, uma menina de doze anos, atingida na cabeça por um projétil e um pedreiro, Nicola Salerno. O Comitê recusa-se a tratar diretamente com as autoridades, mas aceita, no entanto, conversar com uma intermediação, no caso jornalistas. Dez jornalistas manifestam-se em 14 de julho, oferecendo-se para servir como intermediários entre o CDP, a indústria e o governo. O motivo dessa intermediação é duplo: há uma simpatia pela causa dos trabalhadores e o desejo de retornar a normalidade.

As negociações duram vários dias no final dos quais os jornais de São Paulo publicam o texto dos compromissos da indústria e do governo[6].

Estes compromissos são consistentes com as demandas dos grevistas. Estes requerem um aumento de 20% de 25% para salários de vencimentos baixos, considerando que eles pediram respectivamente 25% e 35%, sendo este último percentual referido aos que recebiam até 5$000 (réis).

Os industriais prometem-lhes também o pagamento regular dos salários quinzenalmente conforma apresentada na reivindicação dos trabalhadores. Asseguram ainda que será respeitado o direito firmado entre as partes e que não haverá nenhuma retaliação contra os trabalhadores grevistas.

Jorge Luís Gustavo Street[7], industrial proprietário da Companhia Nacional de Tecidos de Juta, no bairro do Belém, São Paulo, defendeu as reivindicações operárias junto ao patronato durante a greve daquele ano na capital paulista, após atendê-las em suas fábricas concedendo percentual requerido aos trabalhadores, recebendo críticas do empresariado[8], mas seguido por outros que desejavam produzir seus bens de consumo.

Finalmente, alegavam que "com a melhor boa vontade iria ser tomadas iniciativas para melhorar as condições morais, materiais e econômicas dos trabalhadores em São Paulo."

Por parte dos representantes do governo, os grevistas obtém a palavra de que pessoas presas por motivo da greve seriam soltas com a retomada do trabalho. O direito de reunião é reconhecido dentro dos limites impostos pela lei.

Sobre o trabalho de menores, trabalho noturno das mulheres e menores de 18 anos, os preços de produtos de primeira necessidade, o controle de preços de produtos alimentares, as autoridades públicas falavam que iriam "redobrar os esforços" e "estudar medidas viáveis", "interessados no que estivessem ao seu alcance" para conter os abusos.

Na contra proposta que atendia os compromissos da indústria e do governo, o CDP reiterava suas reivindicações sobre esses pontos mas não obteve resposta, e outros pontos que também ficaram sem resposta, tais como a garantia de emprego, o compromisso das 8 horas diárias de trabalho e a semana inglesa (8), o aumento de 50% para horas extras e a redução dos preços dos aluguéis de habitação.

Em 16 de julho de 1917, várias reuniões são organizadas no decurso da qual os membros CDP formularam o texto redigidos das propostas dos grevistas. O Comitê propõe-se a retomar o trabalho e se caso os compromissos não fossem assumidos iriam retomar a greve. O movimento é aplaudido por milhares de pessoas. Embora reconhecendo que todas as reivindicações não foram satisfeitas, o Comitê considerou uma vitória grandiosa, principalmente em relação ao direito dos trabalhadores, e que está vitória seria o ponto de partida para novas conquistas.

Deste modo  o Comitê anunciou o fim da greve!

O DESCUMPRIMENTO DO ACORDO

Os jornais “A Guerra Social” e “A Plebe” fazem o balanço da greve. Os jornais consideram falhas no processo em relação ao balanço do Comitê.

“A Guerra Social” publicou um artigo com o sugestivo título: "Vittoria"?

O proletariado de São Paulo não havia conseguido tudo o que pretendia, longe disso. No entanto, ele obteve uma vitória contra o Estado, que a greve geral obrigou-o a fazer concessões ante a pressão dos grevistas.

De acordo com “A Plebe”, os trabalhadores não estavam unidos ou não se motivaram suficientemente, pois não impuseram completamente sua direitos básicos. Em cidades do Interior do Estado de São Paulo, greves também foram realizadas, acontecidas mais tarde em comparação com os eventos de São Paulo, como em 15 de julho, em Santos, mas especialmente em 16 e 17. O jornal “A Guerra Social” expôs que devido a este atraso entre o interior e a capital a decisão do Comitê de Defesa Proletária, aconselhava o fim da greve e a aceitação da compromissos com os patrões e o Estado, com a intermediação dos jornalistas da grande imprensa.

De fato, em 13 de julho, depois de anunciada o final da greve as forças policiais de todo o Estado de São Paulo concentraram-se na capital. Se os movimentos tivessem sidos solidários e mais rápidos anteriormente, os grevistas de São Paulo poderia resistir muito mais.

Neste momento os ventos favoráveis aos trabalhadores mudaram, porque baixaram a guarda e tiveram que enfrentar as evidências da articulação imediata do Estado. O equilíbrio de poder agora era desfavorável pois deixaram o Estado reorganizar suas forças com a conivência dos industriais atingidos:

Na noite de 13 para 14 de julho, todas as forças policias estadual e federal, que estavam estacionadas em cidades próximas, foram remanejadas e concentradas em São Paulo. Em todas as ruas foram posicionadas metralhadoras para “restabelecerem a ordem”.

Se o governo não poderia ter outras forças que aquelas do início do confronto,  agora todo contingente possível de agrupar-se estavam baseadas na capital. Se os trabalhadores de São Paulo recebessem apoio do Interior do Estado, ter-se-ia evitado que outras forças policiais deslocassem de todos os lados da cidade e poderia supor-se, não que uma Revolução Social eclodisse por completo, mas teria sido uma vitória considerável dos trabalhadores e seus pedidos seriam cumpridos na integra pelo governo e pelos industriais.

A COLHEITA GERMINA

Neste momento o proletariado de São Paulo era composto em sua grande maioria de imigrantes italianos, especialmente no setor têxtil, onde a greve começou, embora houvesse pequenos focos em pequenas indústrias.

Houve na análise do movimento maus profetas e psicólogos, pois não compreenderam as classes trabalhadoras, e que a fome transbordou além dos limites suportáveis, pois as famílias reclamavam unicamente o alimento indispensável.

Embora o movimento popular de julho de 1917 foi "uma greve pela fome em vez de uma greve pelo trabalho",  a grande imprensa de São Paulo atribui a greve a influência dos líderes estrangeiros, principalmente os anarquistas e sua propaganda, mas outros acreditavam no desencadeamento espontâneo da greve:

“Não negamos a nossa responsabilidade em todos estes movimentos de trabalhadores. Pelo contrário, estamos orgulhosos disso. Mas é uma responsabilidade indireta. Por muitos anos, nós nos esforçamos para sair desta apatia do proletariado, para dar-lhe unidade. O trabalho foi feito em todos os lugares e parece que agora os primeiros frutos do trabalho amadureceram, embora em muitas comunidades remotas a propaganda infelizmente não penetrasse com facilidade”.

Se a crise econômica e os baixos salários e preços excessivos dos produtos básicos são as principais causas da greve geral de julho de 1917, não se pode negligenciar a mudança psicológica que ocorreu entre os imigrantes, agora instalados no Brasil por muitos anos (60% de estrangeiros e 80% dos italianos, chegaram no Brasil antes de 1905) e, que sabem que não voltarão para seu país de origem e que assim sendo estão dispostos a defender seus interesses em seu novo país, o Brasil! Os trabalhadores estrangeiros foram aos poucos se adaptando, constituindo famílias, alguns conseguiram a nacionalidade brasileira e tendo perdido a esperança de retornar à sua terra natal, eles começaram a se preocupar seriamente com seus salários e condições de vida na nova Pátria.

O mês de julho de 1917 marcou a história do movimento social no Brasil. O movimento resultou em uma vitória, embora parcial, da vontade de trabalhadores, mas os acontecimentos pós greve vai expor uma derrota inesperada pela ação direta do governo.

UMA VITÓRIA DE PIRRO[9]

O Estado e patrões não cumpririam as reivindicações assumidas no fervor do momento das paralisações!

Um mês depois da greve, o aumento de 20% prometido pelos empresários não foi cumprida. Além disso, no final de julho, pessoas presas durante a greve ainda não haviam sido libertadas, contrariando os compromissos assumidos pelas autoridades ao Comitê dos jornalistas:

A conduta das autoridades não podia surpreender a ponto do Secretário da Justiça desmerecer o pacto do Governo com os trabalhadores e os jornais não tratarem o caso com o devido merecimento em respeito ao trabalhadores que ficaram a mercê da retaliação vinda dos industriais, que não cumpririam o acordo e do governo que promoveria deportação da liderança grevista.

Somente a imprensa anarquista deu ênfase a este momento crucial revivendo a organização do trabalho, em consequência da greve de julho. 



Os grevistas que lideraram o movimento começaram a ser ameaçados de retaliação por parte das autoridades policiais, presos, processados e expulsos do Brasil, usando-se para isso a Lei Adolfo Gordo[10] que formulava as providências para expulsão de estrangeiros.

Havia no meio dos ativistas alguns infiltrados que  se venderam. Deste modo o movimento foi perdendo sua liderança e até uma falsa carta incriminadora era enviada a membros da liderança para impedi-los de aparecer em público e serem presos até com risco de deportação, se fossem estrangeiros. Havia agentes secretos por toda parte e a repressão recrudesceu.

As perseguições são iminentes e vão acontecendo por todos os redutos que se possa encontrar a liderança do movimento.

A retaliação começou verdadeiramente a menos de dois meses após a greve geral. A tipografia onde era impresso o jornal anarquista “A Plebe” foi cercada pela polícia, bem como o Centro Libertário de São Paulo. Edgard Leuenroth[11], acusado de ser o mentor ao ataque em 11 de junho ao Moinho Santista durante a greve geral, sendo aprisionado, e muitos ativistas são espancados ou aprisionados e ameaçados com a deportação. 

Nove pessoas foram deportadas a bordo do navio "Curvello" em rota para a Europa, e 15 outros são investigadas, entre eles, Gigi (Luigi) Damiani[12], que a nova equipe de elaboração do jornal “A Guerra Social” lamenta a ausência:

“Estamos perdendo, é verdade, a ajuda de Gigi Damiani procurado com ordem de expulsão do país e que se refugia no interior do estado, vítima de uma perseguição implacável”.

Damiani sabendo que estava sendo procurado refugia-se em local ignorado e em 3 de setembro de 1917  vê através do jornal “O Combate”, que ele está ameaçado de expulsão do território nacional. A justiça o procura até 15 de setembro. O advogado Evaristo de Morais, em 29 de outubro de 1917, entra com um pedido de habeas corpus em seu nome. Para demonstrar a ilegalidade da expulsão de Damiani, o advogado baseou-se na Constituição Federal que promulgava a não expulsão a quem tivesse residência fixa por mais de dois anos, demonstrando que Damiani possuía uma propriedade no Estado do Paraná, onde participou da implantação da Colônia Cecília, fundada por Giovanni Rossi, pagando os impostos, e que permaneceu neste local até 1912 residindo em uma propriedade de um “bem conhecido capitalista, que nem se pode ter suspeita de ter ideias contrárias à ordem pública", possuindo também uma carta de apresentação de uma das empresas Matarazzo "também acima de suspeita”. Ele contava ainda com várias ocupações profissionais, que no final do ano de 1913, exerceu sua profissão de decorador para a Câmara Municipal de Poços de Caldas e a Companhia Teatral de Jundiaí, em fevereiro de 1914. Finalmente, o advogado denunciou a perseguição a seu cliente, que era membro da comissão de trabalho e que integrou sim a greve de julho de 1917,  acusando o governo de ter quebrado sua palavra de não abrir processo contra os grevistas.

Em contraste, ao habeas corpus pedido ao mesmo tempo para Gigi Damiani, foi concedido sem demora ao chapeleiro José Sarmento Marques, ex-empregado da Estrada de Ferro Central, responsável pelo jornal “O Baluarte”, já possuindo sentença em Portugal, e que havia sido colocado junto com outros a bordo do navio Curvello. Neste caso específico havia a alegação que após a decisão do Supremo Tribunal Federal não se podia expulsar uma pessoa que havia completado um serviço público (José Sarmento Marques havia trabalhado em ferrovias brasileiras) e que estava de posse de um cartão de eleitor do Brasil[13].

EXPULSÕES DO ANO DE 1917

Muitos outros ativistas foram ameaçados de expulsão em retaliação a greve de 1917. Os registros são muito semelhantes entre si e denotam a procura de um pretexto para justificar a expulsão. Este pretexto encontrou-se rapidamente em todos os casos, usando um modelo padrão, onde o acusado admitisse ter participado da greve de 1917 e expressasse ser um anarquista ou socialista. Se alguém se expressasse ser socialista havia certa confusão com o  testemunho dos interrogatórios daqueles que se pronunciassem como anarquista. Deste modo as autoridades buscava concluir um dossiê que foi criado pela justiça brasileira para estes casos específicos. (Neste momento ambos grupos possuíam os mesmos ideais, embora diferenciassem em suas ideologias, separando suas convicções somente a partir da década de 1920).

As armas mais utilizadas pela repressão do Estado brasileiro, no período pós greve de 1917, foi a expulsão sumária dos militantes estrangeiros, só diminuindo a partir de 1921. Naquele momento, as lideranças sindicais e políticas de trabalhadores paulistanos eram na maioria dos casos estrangeiras e era necessário, por parte do poder, enfraquecer quaisquer focos de futuros movimentos e torná-los acéfalos.

Os processos de expulsão foram acompanhados de declaração de estado de sítio, com o fechamento dos comitês, das federações, dos socorros mútuos[14], dos grupos políticos e dos jornais operários.

Este “modus operandi” ocorreu entre 1917 e 1921, como resposta a um momento de organização da atividade político-sindical[15].

Mesmo pessoas próximas dos acusados ameaçados de expulsão os oprimiam com os piores adjetivos circulantes nas ruas como anarquistas reacionários, incorrigíveis anarquistas, libertários e perigosos, sendo estas expressões colocadas como parte dos registros para especificar a expulsão do país. Torna-se verdadeira “caça as bruxas”, no caso, caça aos líderes do movimento grevista!

O caso do colaborador do jornal Avanti![16], Teodoro Monicelli, é o melhor exemplo da incapacidade das autoridades de São Paulo em acompanhar os casos de expulsões. Com efeito, de acordo com o estabelecido em 1917, Monicelli conforme o processo deveria ser deportado em 11 de setembro de 1917, o que não aconteceu. O caso só voltou a ser analisado, após uma viagem que fez à Itália realizado três anos mais tarde, onde desejando retornar ao Brasil, foi impedido pelas autoridades brasileiras.

No auge dos acontecimentos, os jornais anarquistas sofrem o contragolpe da repressão. Edgard Leuenroth foi preso, e Francisco Azevedo Lomônaco passa então a ser responsável pela direção do jornal “A Plebe” que cessou sua publicação em 30 de outubro de 1917, por força da repressão violenta afetando a situação financeira do jornal. O jornal “A Guerra Social” sofreu também uma interrupção de um mês e meio, enquanto Gigi Damiani foi forçado a se esconder e um novo grupo foi criado para reativar e organizar o jornal em outubro. Este grupo, que publicou apenas o jornal número 56, era composto por Francesco Cianci, o diretor além de João da Costa Pimenta, Francisco Azevedo, Cleto Trombetti, Francisco Scudelario, Maria A. Soares e José Cardoso de Almeida. Se esta lista contém muito poucos nomes italianos, é provavelmente porque os operários brasileiros talvez não colaborassem até aquele momento para um jornal anarquista pelo pouco intendimento ideológico de contexto social. Note-se, pela primeira vez na equipe o nome de uma mulher, Maria A. Soares.

A MULHER E OS ANARQUISTAS ITALIANOS DE SÃO PAULO

As mulheres são efetivamente em menor número no movimento anarquista de 1917 em São Paulo, mas sua importância é considerável no trabalho do momento da greve, pois representava o maior contingente de mão de obra do setor têxtil. As italianas em particular são uma parte significativa desta mão de obra operária. Sua presença no movimento trabalhista está muitas vezes ligada à atividade cultural. As mulheres participam nas celebrações para a imprensa anarquista, nas trupes de teatro, quer representando nessas ocasiões, quer idealizando metas de ação. Sua participação ativa no movimento trabalhista em São Paulo aparece às vezes nos jornais, como em 1906, quando três mulheres lançam apelo aos trabalhadores na importância feminina em várias profissões, embora com maior ênfase na indústria têxtil. O objetivo maior é fomentar o interesse dos trabalhadores e tirá-los da "apatia dominante” o que os impediu de interessar-se pela greve geral de 1907 e defenderem interesses de condições básicas de subsistência da família, direitos e deveres que também pertencem as mulheres.

MULHERES ORADORAS

As mulheres muitas vezes preferiam o anonimato e apareciam pouco na imprensa anarquista. Houve alguns nomes que se sobressaíram como Emma Mennocchi (Ballerini?) Companheira de Gigi Damiani, integrante da  Associazione Femminile, associação de mulheres anarquistas italianas e Matilde Magrassi[17], esposa de Luigi Magrassi, ou Ines Betelli e Éster Marucci. Em alguns artigos do La Battaglia são assinados D. Giannini, ou "Uma jovem liberal". Enfim, alguns editores podem sentir a falta de nomes femininos no movimento, pois as mesmas escolhiam pseudônimos por vezes masculinos  para serem aceitas sem restrições.
Jornais anarquistas referem-se a Ernestina Lesina[18], a Giuseppina Stefani Bertacchi, professora de letras e de pedagogia, que fazia conferências sobre o tema do feminismo. Isabel Cerruti[19], Teresa Rocchi[20], Teresa Maria Carini[21]

Era muito raro que, nos textos que escreviam, mulheres darem seu ponto de vista sobre uma situação global, como faziamm os editores masculinos. Parece não haver essa conotação em citar os temas: as mulheres e a guerra, mulheres e o antimilitarismo, mulheres e a religião, o trabalho das mulheres, entre outros tantos assuntos. De acordo com as palavras dos editores femininos e masculinos da imprensa anarquista, a mulher é igual ao homem, mas, ao mesmo tempo, a mulher ainda são consideradas submissas em relação ao marido, ao filho, ao irmão[22].

No campo do trabalho, seus direitos são defendidos da mesma forma como os direitos dos homens, embora os salários não sejam de mesma proporção com atividades até semelhantes. Todas as reivindicações dos trabalhadores, em especial aqueles da greve de 1917, destinava-se a aliviar o trabalho das mulheres, proibindo o trabalho noturno e reduzindo carga horária. A igualdade de gênero deve ser para todos os humanos, deste modo não haverá mais um motivo para sujeição qualquer de pessoa. As projeções para o futuro, é este, dignidade de viver em um mundo melhor!

CONSIDERAÇÕES

Somente em 1º de maio de 1943 foi assinada pelo Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, Alexandre Marcondes Machado Filho, as reformas das relações de trabalho daquilo que era pauta imediata em 1917 como proibição do trabalho de menores e o pagamento de 50% de horas extras, itens consagrados com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Reivindicações pautadas de 1917 só foram concluídas, em partes, por ironia, pelo autoritarismo do Estado Novo de Getúlio Dorneles Vargas, de 1937 a 1946, na época da Segunda Guerra Mundial ocorrido de 1939 a 1945. Este conflito foi a continuação do capítulo de Primeira Guerra mal terminada como ocorrido com a greve geral do movimento operário no Brasil de 1917! 
Em 1917 ninguém acreditava, ninguém esperava, desde o governo como até os líderes do movimento, todo mundo estava convencido de que nada poderia vir desta amálgama de migração de resíduos, se não a demissão ou até mesmo covardia.
Os trabalhadores não conseguiram tudo o que queriam, mas eles tiveram uma grande vitória, não só contra o Estado, não só contra a indústria, mas especialmente sobre si mesmos.


Espera-se a crítica ou informações que venham acrescentar valores nesta crônica! 

 

 

 

 

Bibliografia

 

FELICI, Isabelle. "Os italianos no movimento anarquista no Brasil, 1890-1920"

Todas as versões deste artigo:francês
Tese de doutorado, dir. Mario Fusco, co - dir. Jean-Charles Vegliante. Universidade da Sorbonne notícias-PARIS 3:1994.p.216 a 231-10º capítulo http://raforum.info/spip.php?article661 & lang = en
BIONDI, Luigi. Mãos unidas, corações divididos. As sociedades italianas de socorro mútuo em São Paulo na Primeira República: sua formação, suas lutas, suas festas http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-77042012000200004

 SANTOS, Kauan Willian dos. Derrubando Fronteiras: A Construção do Jornal A Plebe e o Internacionalismo Operário em São Paulo (1917-1920)  História e Cultura, Franca, v. 4, n. 1, p. 122-139, mar. 2015.

Lopreato, Christina Roquette.O Espírito da Revolta: A GREVE Geral de 1917. São Paulo: ANNABLUME, 2000

FAUSTO, Boris. Trabalho urbano e conflito social : 1890-1920 2ª - ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.


DULLES, John E. F. Anarchists and Communists in Brazil, 1900-1935. University of Texas Press, 1973

Alves, Paulo.A Verdade da Repressão: Práticas Penais e Outras Estratégias na Ordem Pública: 1890-1921, São Paulo: Editora Artes & Ciência/ unip, 1977

GONÇALVES, Caroline. Alma e Vida: Os Deslocamentos de Ernestina Lesina, O Cotidiano e a Luta das Mulheres Operárias

Exposição permanente do Museu da Casa Brasileira, Avenida Brig. Faria Lima, São Paulo, nº 2705















[1] A greve de 1917 possuía a característica de forte etnicidade, com grande presença de trabalhadores italianos, imigrantes de uma nação atuante na Primeira Guerra Global. Os empresários emergentes imigrados no Brasil, como fortes tendências nacionalistas pró Itália, possuíam interesses envolvidos no conflito e exigiam a contribuição mensal, por vezes até semanalmente para os comitês paulistanos que arrecadavam verbas para o Estado italiano, agravando condições precárias de vida e de trabalho desse momento conflitante na Europa, mas que afetava o trabalhador deste período e criando insatisfação dos operários destas empresas.

[2] “A notícia da morte de um operário, assassinado nas imediações de uma fábrica de tecidos do Brás, divulgou-se como um desafio à dignidade do proletariado. Caracterizou-se como um violento impacto emocional sacudindo todas as energias. O enterro dessa vitima da reação foi uma das mais impressionantes demonstrações populares até então verificadas em São Paulo. Partindo o feretro da Rua Caetano Pinto, no Brás, estendeu-se o cortejo, como um oceano humano, por toda a avenida Rangel Pestana até a então Ladeira do Carmo em caminho da Cidade, sob um silencio impressionante, que assumiu o aspecto de uma advertencia. Foram percorridas as principais ruas do centro. Debalde a Policia cercava os encontros de ruas. A multidão ia rompendo todos os cordões, prosseguindo sua impetuosa marca até o cemitério. À beira da sepultura revezaram os oradores, em indignadas manifestações de repulsa à reação.  No regresso do cemitério, uma parte da multidão reuniu-se em comicio na Praça da Sé; a outra parte desceu para o Brás, até à rua Caetano Pinto, onde, em frente à casa da familia do operario assassinado, foi realizado outro comicio. Sem que se possa precisar detalhes, verificou-se uma agitação entre a multidão estacionada nas imediações da avenida Rangel Pestana. Havia sido assaltada uma carrocinha de pão. Essa ocorrencia teve o efeito da chispa lançada ao rastilho de polvora. Parece ter servido ela de exemplo e estimulo para que a mesma ação fosse praticada em muitas partes da cidade. Feito que aconteceu com rapidez fulminante, como se um veiculo de comunicação de excepcional capacidade pusesse em contato todo o elemento popular paulistano. As fábricas e oficinas esvaziavam-se, enquanto as ruas se povoavam de multidões, movimentando-se agitadas em todos os sentidos.”
(Fragmento, conforme original publicado, da carta de Edgard Leunroth enviada ao jornal O Estado de São Paulo que havia sido citado em matéria de 2 de junho de 1917 como responsável pelo início das manifestações de greve)

[3] Originalmente o Fanfulla era um jornal editado por italianos, predominantemente em língua italiana, com a sua distribuição principalmente na cidade de São Paulo.  O FANFULLA começou a circular a partir de 1893 recebendo outras denominações ao longo do tempo. O jornal impresso deixou de circular em 2014 e é apresentado em portal eletrônico www.jornalfanfulla.com

[4] Atualmente empresa incorporada pelo Grupo BUNGE

[5] Diversas categorias cruzaram os braços em solidariedade as greves de julho de 1917, a saber: marceneiros, pedreiros, tecelões, sapateiros, costureiras, cozinheiras, chapeleiros e outras tantas que colaboraram no processo reivindicatório contribuindo com propostas. Desse momento surgiu o Comitê de Defesa Proletária, CPD, para articulações em prol dos trabalhadores, tendo em suas fileiras os anarquistas Edgard Leunroth e Gigi Damiani. 

[6] Acordo dos trabalhadores, patrões e governo na Greve de 1917 http://www.projetomemoria.art.br/RuiBarbosa/glossario/a/greve-1917.htm

[7] Idealizou também em 1912 a primeira vila operária do Brasil, a Vila Operária Maria Zélia.

(8) A expressão semana inglesa se refere a jornada de trabalho de oito horas de segunda a sexta-feira e de quatro horas pela manhã do dia de sábado havendo, portanto, descanso no período do sábado à tarde e o dia de domingo, totalizando 44 horas semanais de trabalho

[9] Vitória de Pirro é uma expressão utilizada para se referir a uma vitória obtida a alto preço, potencialmente acarretando prejuízos irreparáveis.

[10] DECRETO Nº 1.641, DE 7 DE JANEIRO DE 1907, Lei Adolfo Gordo
Providencia sobre a expulsão de estrangeiros do territorio nacional. 
     O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brazil:
      Faço saber que o Congresso Nacional decretou e eu sancciono a seguinte resolução :

     Art. 1º O estrangeiro que, por qualquer motivo, comprometter a segurança nacional ou a tranquillidade publica, póde ser expulso de parte ou de todo o territorio nacional.

     Art. 2º São tambem causas bastantes para a expulsão:
     1ª, a condemnação ou processo pelos tribunaes estrangeiros por crimes ou delictos de natureza commum;
     2ª, duas condemnações, pelo menos, pelos tribunaes brazileiros, por crimes ou delictos de natureza commum;
     3ª, a vagabundagem, a mendicidade e o lenocinio competentemente verificados.

     Art. 3º Não póde ser expulso o estrangeiro que residir no territorio da Republica por dous annos continuos, ou por menos tempo, quando:  
a)
casado com brazileira;

b)
viuvo com filho brazileiro.
     
Art. 4º O Poder Executivo póde impedir a entrada no territorio da Republica a todo estrangeiro cujos antecedentes autorizem incluil-o entre aquelles a que se referem os arts. 1º e 2º.
     Paragrapho unico. A entrada não póde ser vedada ao estrangeiro nas condições do art. 3º, si tiver se retirado da Republica temporariamente.

     Art. 5º A expulsão será individual e em fórma de acto, que será expedido pelo Ministro da Justiça e Negocios Interiores.

     Art. 6º O Poder Executivo dará annualmente conta ao Congresso da execução da presente lei, remettendo-lhe os nomes de cada um dos expulsos, com a indicação de sua nacionalidade, e relatando igualmente os casos em que deixou de attender á requisição das autoridades estadoaes e os motivos da recusa.

     Art. 7º O Poder Executivo fará notificar em nota official ao estrangeiro que resolver expulsar, os motivos da deliberação, concedendo-lhe o prazo de tres a trinta dias para se retirar, e podendo, como medida de segurança publica, ordenar a sua detenção até o momento da partida.

     Art. 8º Dentro do prazo que fôr concedido, póde o estrangeiro recorrer para o proprio Poder que ordenou a expulsão, si ella se fundou na disposição do art. 1º, ou para o Poder Judiciario Federal, quando proceder do disposto no art. 2º. Sómente neste ultimo caso o recurso terá effeito suspensivo.
     Paragrapho unico. O recurso ao Poder Judiciario Federal consistirá na justificação da falsidade do motivo allegado, feita perante o juizo seccional, com audiencia do ministerio publico.

     Art. 9º O estrangeiro que regressar ao territorio de onde tiver sido expulso será punido com a pena de um a tres annos de prisão, em processo preparado e julgado pelo juiz seccional e, depois de cumprida a pena, novamente expulso.

     Art. 10º. O Poder Executivo póde revogar a expulsão, si cessarem as causas que a determinaram.

     Art. 11º. Revogam-se as disposições em contrario.
     Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1907, 19º da Republica.
AFFONSO AUGUSTO MOREIRA PENNA.
Augusto Tavares de Lyra.
Este texto não substitui o original publicado no Diário Official de 09/01/1907
Publicação: Diário Official - 9/1/1907, Página 194 (Publicação Original)

[11] Edgard Frederico Leuenroth nasceu em Mogi Mirim, São Paulo, em 31 de outubro de 1881, filho do imigrante austríaco e farmacêutico Valdemar Eugênio Leuenroth e de Amélia de Oliveira Brito. Utilizou pseudônimos como Demócrito, Frederico Brito, Palmiro Leão, Len e Leão Vermelho. Perdeu o pai aos cinco anos de idade, mudando-se para a cidade de São Paulo com a família, instalando-se no bairro do Brás. Aos 15 anos tornou-se tirador de provas do jornal O Comércio de São Paulo. Em setembro de 1887 concluiu seu primeiro periódico, o jornal “O Boi”, em pequena tipografia que comprara. Em 1899, lançou “A Folha do Brás”, que circulou até 1901. Nas páginas do jornal, fazia a denúncia da politicagem e da “falsidade do voto”. Começava deste modo sua atividade pelos direitos básicos do trabalhador.

[12] O pintor de cenários teatrais Gigi Damiani (1876-1953) foi um líder anarquista italiano que ao imigrar para o Brasil foi o principal editor de jornais libertários em São Paulo, como o La Battaglia e extinto este, fundou e dirigiu La Barricata (continuação do anterior de 1912 a 1913), La Propaganda Libertaria (1913-1914) e o A Guerra Social (1915-1917), terminando sua militância no Brasil como um dos principais colaboradores do jornal A Plebe (1917-1919). Voltou para a Itália em 1919 quando foi deportado do Brasil após a greve geral. Foi preso na Itália em conseqüência de suas atividades e passa a se dedicar a publicação contra a imigração para o Brasil, onde expõe a péssima condição do imigrante.(I paesi nei quali non si deve emigrare. La questione sociale nel Brasile, Milano, Edizioni di Umanità Nova, 1920) http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/DAMIANI,%20Gigi.pdf

[13] O problema fundamental era o da naturalização, onde os grupos italianos de socorro mútuo e os republicanos italianos de São Paulo queriam que o governo italiano permitisse a obtenção da dupla cidadania possibilitando, desta forma, a participação dos imigrantes italianos nas eleições. As respostas foram sempre negativas. Foram obrigados a optar pela naturalização adquirindo a cidadania brasileira e contribuindo, desta forma, para as eleições na política brasileira.

[14] Sociedade de socorro mútuo é uma associação de caráter não-lucrativo, formada voluntariamente com o objetivo de prover auxílio a seus membros, em caso de necessidade, baseado no mutualismo. Junto com as corporações de ofício, teria dado origem aos sindicatos.

[15] Os processos de expulsão de imigrantes italianos, a partir dos documentos do Ministério da Justiça e Negócios Interiores depositados no Arquivo Nacional (Rio de Janeiro), no período 1917-1921 consta que houve proporcionalmente mais expulsões neste tempo (40) que os 10 anos anteriores, 1907-1916 (86), com picos em 1917 e 1919. Do ponto de vista das lideranças sindicais e políticas, no período anterior a 1916 destaca-se somente a expulsão do socialista Vincenzo Vacirca, diretor do Avanti!, em 1908, ainda que se tentou expulsar o secretário da Federação Operária de São Paulo, Giulio Sorelli e os redatores do jornal anarquista La Battaglia. Depois de 1917, ao contrário, os líderes socialistas, anarquistas e sindicalistas de origem italiana em São Paulo, foram dizimados. Segundo o Anuário Estatístico do Brasil, Ano V, citado por Sheldon Leslie Maram, op. cit., Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979, p. 43, somente no quinquênio 1917-1921 houve 205 expulsões de estrangeiros do Brasil (36,8% do total), enquanto nos 10 anos precedentes foram 351. Segundo esta fonte, as porcentagens não mudam para o caso específico dos italianos (79 expulsões entre 1907 e 1916 e 42 - 34,7% do total dos italianos expulsos –, entre 1916 e 1921). https://nuevomundo.revues.org/3720

[16] O jornal Avanti !, homônimo do jornal Partido Socialista na Itália, foi publicado em São Paulo em língua italiana entre 1902 e 1908, sem equivalência em outra comunidade italiana nas Américas. Foi publicado também como semanário em São Paulo entre 1900 e 1902 e, depois, entre 1914 e 1920,  no auge das manifestações trabalhistas teve uma tiragens de mais de 8.000 exemplares.

[17] Ajudou na feitura de "Novos Rumos", lançado em maio de 1905 e colaborou assiduamente, entre outros, no "Amigo do Povo", e "O Chapeleiro" publicados em São Paulo em idiomas italiano e português, o primeiro sob a responsabilidade de Neno Vasco e o segundo de José Sarmento Marques.

[18] Ernestina Lesina, anarquista, dedicada à defesa das mulheres operárias do começo do século, foi uma das fundadoras do jornal operário “Anima Vita” em São Paulo. Foi brilhante oradora em manifestações de trabalhadores, defendendo a emancipação das mulheres e da classe operária. Participou da formação da Associação de Costureiras de Sacos, em 1906, lutando pela redução da jornada de trabalho e pela organização sindical. As mulheres trabalhadoras tiveram papel decisivo na greve geral 1917, denunciando maus-tratos e exploração, sobretudo das costureiras e têxteis.

[19] Isabel Cerruti veio bem jovem ao Brasil, e, interessada desde cedo pelas ideais anarquistas, participou intensamente e de forma duradoura do movimento libertário Isabel escreveu em jornais anarquistas, proferiu conferências, falava em comícios públicos, de comemoração e protesto, e tomou parte no Centro Educativo Feminino e na Liga Feminina Internacional. Colaborou na imprensa anarquista, em periódicos como “A Plebe”, com seu próprio nome e com os pseudônimos Isa, Ruti e Isabel Silva.

[20] Teresa Rocchi era casada com o maestro que veio para o Brasil no final do século XIX e que participou da fundação do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, em 1906. Possuía ligação com a esquerda italiana e entre o rol de amigos estava Astrogildo Pereira, Edgard Leuenroth, Antonio Piccarolo, Edmondo Rossoni, entre outros.

[21] Teresa Maria Carini (1863-1951): Ativista política, natural da Itália, veio para o Brasil em 1890, fixando-se em São Paulo (SP), onde se participou na luta dos trabalhadores, o movimento anarquista e a defesa da emancipação feminina. Elaborou o Manifesto às Trabalhadoras de São Paulo, publicado no jornal anarquista “A Terra Livre”, incentivando as costureiras a denunciarem as condições degradantes de vida, as longas jornadas de trabalho e os baixos salários.

[22] A MULHER É AINDA A PROLETÁRIA DO HOMEM! (Uma realidade que precisa ser mudada)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

QUAL A DIFERENÇA ENTRE LADRÕES QUE ROUBAM UMA EMPRESA PRIVADA E OUTROS QUE ROUBAM UMA EMPRESA PÚBLICA (LEIA-SE BRASIL)?

A Lei? Ora a Lei!

Hoje vendo em matéria jornalística apareceu um questionamento se um ministro do Supremo Tribunal do Brasil pode “suspender” a atividade de um senador da República.

Ora, se a pessoa empossada pelo sufrágio recebendo a confiança suprema do povo, não cuida bem das “coisas públicas” em que ele “está” no cargo como um “funcionário do público”, estando no lugar para trabalhar, devendo cumprir suas funções dignamente, o mesmo não tem o direito de continuar trabalhando com as “coisas públicas do Brasil” se não é confiável suas ações no cargo que ocupa.

Pensemos em uma empresa privada, onde um funcionário não cuida bem das coisas que lhes confiaram, pois o funcionário abusando deste “poder”, furta-se de “espécies” que lhes são confiadas e, de repente, é descoberto em revista esporádica na portaria? Há quanto tempo esse funcionário vem “saqueando” a empresa? Primeiramente ele perderá o emprego e em seguida será mandado embora por “justa causa”, ou seja, não receberá seus proventos e ainda será lavrado um boletim de ocorrência e será inquirido e preso!

O “administrador das coisas públicas”, dito senador, (ou outra função qualquer) sendo ladrão não deveria receber os seus “subsídios”, pois não estará trabalhando nas sessões do parlamento, mas a Casa continua pagando seus proventos mensais regularmente, o que não deveria, e, ainda seria obrigatório abrir boletim de ocorrência pela sua bandidagem e depois ser preso como acontece com quem rouba algo!

Quem cuida da empresa privada ou pública é o setor jurídico que deve selar pelas estruturas das empresas, que precisam ser sanadas destes danos causados e gradativamente recuperar a economia para continuar dando lucro!

No caso público o “patrão” é o povo o maior acionista, aquele que injeta dinheiro na "Empresa Brasil S.A."!


No caso privado é uma sociedade limitada por sócios particulares...e ainda se deveria ressarcir o todo do bem furtado, não apenas uma parte do roubo, para ambos os casos!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O Grande “Golpe de Mestre” e um provável Parlamentarismo por um ano e meio no Brasil!

Como de repente alguém cresce a olhos vistos e o dinheiro jorra a cântaros?

Trabalhei com um técnico industrial que dizia: “Atrás de um grande riqueza existe um grande ladrão”, e isso parece a máxima nessa Sodoma e Gomorra, onde a orgia geral acontece e nada se faz!
Por que um cara vai gravar um mandatário à noite e esse mandatário cai direitinho nessa cilada armada? (Não tenho político de estimação, gosto muito do meu cachorro, que é menos cachorro que muitos cachorros do poder!)
Porque o cara era o grande investidor político da alta cúpula, e o banco que lhe dava benesses secou a fonte e os negócios escusos estancaram repentinamente e o maior frigorífico do mundo que tinha 80% dos negócios nos Estados Unidos e empregava gente de lá, não podia estancar a produção por falta de investimento, dinheiro que corria solto do BNDES e Caixa Econômica Federal, coisa de aproximados 12 bilhões de reais.
A trama foi bem feita, não se negue a astúcia do “delator”! O cara acertou tudo direitinho, primeiro arrumou as malas, pegou seus bens como avião e iate caríssimos e mandou embora para esperá-lo quando ele chegasse à Terra Prometida, tudo financiado por mal feitores do Brasil, onde ele sem dúvida usou a máxima da Idade da Pedra:
“Ladrão que rouba ladrão de cem anos de perdão”!
Aplicou na Bolsa de Valores e levantou uma "graninha" extra para as futuras despesas no exterior até se estabilizar definitivamente e nunca mais voltar a este Monte Pascoal. Depois foi ter com o mandatário e levou um gravador e gravou conversa que só os larápios falam entre si, e assim o país novamente ficou estupefato de tanta sujeira e tantos desmandos de quem manda no poder.
A justiça caiu também direitinho e lhe deu plenos poderes para sair do país quando assim fosse de sua vontade, sem a parafernália de coisas que quem comete crime tem que pagar, mas o cara não pagava nada, tanto que seus débitos chegam a 2,4 bilhões a previdência nacional, mas vamos fazer jus ao homem que enganou todo mundo junto: ele pagava muito bem “seus colaboradores”, até promotor que ganhava 30 mil reais por mês recebeu 4 milhões de reais para controlar suas tramoias, o promotor pensou como todos que se vendem: esses 4 milhões levarei 10 anos para amealhar, se claro eu não gastar um centavo durante esse tempo, assim embolsou rapidinho e a lei prendeu o promotor que deveria trabalhar para “encanar o cara e foi encanado no lugar dele”, ou seja prendem quem trafica (influência), nunca o cabeça da ação!
Assim o cara que cresceu demais por interferência de outro Cara quando deteve às rédeas do poder, comprou governantes e governados de alto e baixo escalão político e agora livre e solto vai viver feliz para sempre com seus bilhões fornecidos pelos seus comparsas que lhe deram o aval de saquear a Nação.
Aqui continuará “tudo como antes na terra de Abrantes”, e os grupos que também recebiam mesada gorda de grana e cortaram essas regalias, embora outras ainda continuassem, pelo lobby de controle de massa, nessa manada de pasto, saem aos berros querendo outro governo, mas não um outro modelo de governo e depois de tudo quebrado os líderes falam que não tem responsabilidades nas “ações do povo”! Que povo? O povo real tem que sair todos os santos dias para manter sua subsistência!
Já vimos esse filme antes e deu a merda que deu:

Quebradeira geral, balburdia completa, depois irão realmente derrubar o governo atual e proclamar o “PARLAMENTARISMO” (tivemos essa breve experiência em 1962) onde o congresso mandará com um primeiro ministro de consenso político, como se isso existisse lá, onde o Brasil está comprometido e nas mãos de 594 parlamentares 

Depois, como antes, irá faltar o básico de alimentação e o fogo vai pegar e então o pau vai comer e o povo verdadeiro vai “pagar o pato” e os endinheirados irão fugir para o exterior...e pedirão anistia para voltar na nossa demo-cracia!

Tomara que essa "profecia" não se cumpra, o Brasil merece muito mais do que lhe dâo!
CurtirMostrar mais reações
Comentar

sábado, 13 de maio de 2017

Centenário das aparições de "Nossa Senhora de Fátima”: 1917-2017

O QUE É FÉ?

A primeira aparição da Virgem Maria

Os protagonistas dos eventos de Fátima são três crianças: *Lucia dos Santos de dez anos e seus primos Jacinta e Francisco Marto de sete de nove anos respectivamente.
Em 13 de maio de 1917, enquanto as crianças estão a pastorear com seu rebanho na Cova da Iria, Portugal, precedido por dois deslumbrante flashes de luz, aqui é sobre uma pequena colina verdejante uma Senhora mais brilhante que o Sol com voz suave e reconfortante diz:
"Não tenhais medo. Não quero causar mal".
Pergunta Lúcia: "De onde vens?"
"Venho do céu"
"O que você deseja?"
"Eu vim para pedir que venham aqui por seis meses consecutivos, no dia 13, há esta hora. Então direi quem eu sou e o que eu quero. Vou voltar aqui uma sétima vez novamente"
Pergunta Lucia: "Eu vou para o céu?"
"Sim"
"E a Jacinta?"
"Ela também"
"E o Francisco?"
"Ele, também, mas ele vai ter a recitar muitos rosários".
Lucia se lembrou de duas moças que tinham morrido recentemente:
"Maria Das Neves já está no céu?" (foi sua amiga falecida aos 16 anos)
"Sim."
"E Amelia?" (outra amiga falecida aos 18 anos)
"Permanecerá no Limbo, até o fim do mundo"
Pergunta Lucia: "Você sabe se a guerra termina em breve ou se dura muito tempo?" (aqui se fala da 1ª Guerra ocorrida de 1914 a 1918)
"Não sei ainda, antes de dizer o que quero".
A menina começa a falar:
"Você quer oferecer-vos a Deus, pronto para suportar todos os sofrimentos que Ele vai enviar, em reparação pelos pecados por que Ele está sendo ofendido e pretende obter a conversão dos pecadores?"
"Sim, queremos!"
"Então você terá que sofrer muito, mas a graça de Deus será seu conforto".
Lucia diz: "Em um momento quando a Senhora proferiu estas últimas palavras e abriu pela primeira vez as mãos, foi enviada uma luz tão brilhante, um tipo de reflexão que saiu e entrou no meu peito e nas profundezas da alma, deixando-nos ver Deus, mais claramente como nos vemos no melhor dos espelhos. 
Caímos de joelhos e repetimos: Santíssima Trindade, adoro-te. Meu Deus, eu te amo no Santíssimo Sacramento."
Depois de um tempo, a Senhora disse, "reze o terço todos os dias para alcançar a paz mundial e acabar com a guerra." Então a Senhora começou a subir e desapareceu em um céu que parecia abrir-se.

A aparição de junho

Em 13 de junho, na festa de Santo Antônio, houve a segunda aparição.
Lucia exclamou: "Já vimos o relâmpago, agora que apareça a Senhora!". Neste instante era seguida dos primos. A senhora apareceu com um vestido branco e com o Rosário na mão.
Lucia falou: "Foi-me ordenado que eu viesse aqui. Faça-me um favor e me diga o que quereis de mim?"
"Quero dizer-te para voltar aqui no décimo terceiro dia do mês que vem, para continuar a rezar o terço todos os dias para dizer a você, então, o que eu quero".
Lucia pediu a cura dos doentes, Nossa Senhora respondeu:
"Pela conversão vão sarar dentro de um ano!"
"Eu gostaria de pedir para nos levar para o céu"
"Sim, Jacinta e Francisco logo serão levados, mas você vai ficar por algum tempo ainda. Jesus quer te usar para tornar-me conhecida. Quer estabelecer devoção mundial ao meu Coração Imaculado. Para aqueles que o praticam promete salvação. Essas almas serão favorecidas por Deus, e como as flores serão colocadas por mim na frente de seu trono"
"Eu vou ficar sozinha aqui?"
"Não, mas não desanime, nunca te deixarei. Meu Coração Imaculado será o teu refúgio e o caminho a Deus".
Lucia relata: "Ao pronunciar estas palavras, ela abriu suas mãos e disse-nos, seguido de um reflexo da luz imensa, onde nos vimos como imerso em Deus. Na frente da palma da mão direita da Virgem havia um coração coroado de espinhos. Finalmente descobrimos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade."

A aparição de julho

Milhares de pessoas foram em 13 de julho na Cova da Iria ver os jovens falarem com Nossa Senhora. Agora as aparições públicas tornaram-se um fato. A notícia espalhou-se com grande rapidez e as crianças logo foram considerados apenas visionários ou loucos.
Ao meio dia, precedido pelo relampejo habitual, a Senhora apareceu...
"O que você quer de mim?"-perguntou a Lucia.
Responde a Senhora:
" Quero que voltes aqui no dia 13 do mês seguinte e que continues a rezar o terço todos os dias a nossa senhora do Rosário pela paz no mundo e o fim da guerra, porque só ela pode interceder em socorro"
"Eu gostaria de lhe pedir que nos diga quem és, para fazer milagre.
"Vêm todos os meses. Em outubro que direi quem sou e o que quero e vou fazer um milagre pra todo mundo ver para crer".
Para mais pedidos de perdões a aparência seria livre, deveis recitar o Rosário todos os dias com a família. "Oferecer sacrifícios pelos pecadores e dizer muitas vezes, especialmente cada vez que você faz alguns sacrifícios: Ó Jesus é por sua causa, para a conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria"
" Não quereis mais nada de mim?" – perguntou Lucia
"Não, eu não quero mais nada"
Aqueles que haviam participado tinham observado desta vez uma nuvem branca que tinha caído num carvalho, acompanhado de uma diminuição marcada da luz solar. A Mãe do Senhor naquele dia deu as crianças um segredo composto por três partes.
Explica Lucia: "Dizendo estas últimas palavras, a Senhora abriu as mãos novamente, como nos dois meses anteriores. Parecia que a reflexão penetrou a Terra e vi um mar de fogo. Imerso naquele fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronze, em forma humana, flutuando a conflagração, transportadas pelas chamas saindo de si mesmas, juntamente com nuvens de fumaça que caiam de todas as partes iguais em faíscas no grande incêndio, entre gritos e gemidos de dor e desespero muito horror e muito medo. Os demônios foram distinguidos pelas horríveis e assustadoras formas animais e desconhecidos ".
Estávamos assustados e como pedindo ajuda, nós levantamos nossos olhos a Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza: 
"Vistes do inferno onde as almas pecadores vão. Para salvá-los, o Senhor quer estabelecer na devoção mundial ao meu Coração Imaculado. Se fizeres o que te digo, muitas almas se salvarão e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI, começará algo pior. Quando virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida, sabe-se que este é o grande sinal que dará Deus, que em seguida é o castigo do mundo por seus muitos crimes, através da fome de guerra e perseguições contra a Igreja e o Santo Padre. Para evitar isso, virei pedir a consagração da Rússia ao meu imaculado coração e a comunhão de reparação nos primeiros sábados do mês. Se ouvirem meus pedidos a Rússia será convertida e haverá paz. Caso contrário espalhará seus erros pelo mundo, causando guerras e perseguições da igreja; muitos bons serão martirizados, o Santo Padre terá que sofrer muito; várias nações serão aniquiladas; finalmente, o meu Coração Imaculado triunfará. Consagrarei a Rússia para mim, que será convertida, e será concedido um período de paz para o mundo. Em Portugal o dogma da fé sempre estará presente...".
Neste ponto segue uma visão que é a terceira parte do segredo e que Lucia descreve desta forma: 
"Após as duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais acima um anjo com uma espada flamejante em sua mão esquerda; flamejante emitido chamas que pareciam ir incendiar o mundo, mas o esplendor que Nossa Senhora irradiando na direção apontando para a Terra com a mão direita, com uma voz forte disse: 
Penitência, penitência, penitência! E nós vimos uma luz imensa de Deus: "Algo parecido como as pessoas aparecem no espelho quando passam na frente do mesmo" um bispo vestido de branco "houve a impressão de que era o Santo Padre". Vários outros Bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subiam uma montanha íngreme, em cima da qual havia uma grande cruz; o Santo Padre, antes de chegarmos lá, atravessou uma grande cidade meio-arruinada, com aflitos com dor e tristeza, ele rezou pelas almas dos cadáveres que conheceu em sua jornada. Indo para o topo da montanha, prostrou-se de joelhos aos pés da grande cruz um grupo de soldados disparou vários tiros e da mesma forma, morreu um após os outros Bispos, sacerdotes, religiosos, mulheres e homens. Sob os dois braços da Cruz havia dois anjos cada um com uma taça de cristal na mão, no qual eles coletaram o sangue dos mártires e com ele espargia as almas que se aproximavam de Deus."
A Virgem, após o aviso de "não diga isso a ninguém exceto a Francisco", concluiu: 
"\Quando rezares o Rosário, diga no final: 
Ó meu Jesus, perdoai os nossos pecados, salva do fogo do inferno, trazer todas as almas para o céu, especialmente aqueles que mais precisam de misericórdia".

Aparição de agosto

O quarto encontro com a Senhora é em 13 de agosto, outro lampejo forte, imediatamente seguido pelo aparecimento de uma nuvem branca desaparece rápido.
As crianças foram impedidas de ir ao local porque o prefeito da cidade com ideias anticlericais, transferiu o encontro próximo a Câmara Municipal. Mesmo com a proibição, tirava as crianças de sua ideia fixa. Não revelariam o segredo jamais, confiando na mãe de Jesus, mesmo com ameaças. O segredo não poderia ser revelado, porque Nossa Senhora pediu-lhes para não contar a ninguém. 
As crianças ficaram presas por dois dias e ameaçadas com tortura e até morte, mas elas estavam prontas para oferecer suas vidas para não trair as promessas feitas à Virgem Maria. No domingo seguinte, dia 19, as crianças tiveram uma surpresa inesperada: no vale de pastoreio, a Virgem Maria apareceu a eles, enquanto eles pastam o rebanho.
"O que queres de mim?", era a pergunta habitual que a Lucia fazia a Virgem.
"Quero que continues na Cova da Iria no dia 13 e reze o Rosário todos os dias. Na última semana eu vou fazer um milagre para que todos possam acreditar".
O que quereis que eu faça na Cova da Iria?"
Deve ser promovida uma Festa de Nossa Senhora do Rosário e que seja idealizada a construção de uma capela ".
"Eu gostaria de pedir a cura de alguns doentes..."
"Sim, alguns serão curados ainda este ano. Reze muito e faça sacrifícios para redimir os pecadores. e ore por eles".
Depois disso começou a subir para o céu na direção do leste e desapareceu de vista deles.

A aparição de setembro

Para a quinta aparição na Cova da Iria reuniu-se uma grande multidão de todo. a 13 de setembro. De repente, o Sol de luz intensa chega de leste para oeste. Maria começa a falar com os pastores:
"Continuem a rezar o terço para obter o fim da guerra. Em outubro também estará presente o Senhor, Nossa Senhora das Dores, Senhora do Carmelo, São José com o menino Jesus, abençoando o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios”.
Lucia diz: "Rezei para pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, um surdo-mudo..."
"Sim, alguns vão se curar, outros não. Em outubro farei o milagre para que todos possam acreditar".
Tudo isto no momento do fim da visão da subida para o céu viu-se uma chuva interminável brilhante de pétalas que antes de atingir o chão desapareceu.

A última aparição em outubro

Outubro era o mês prometido por Nossa Senhora na Cova da Iria, porque a Virgem tinha mencionado especificamente em 13 de outubro, a data de sua última aparição. Havia ansiedade em ver o milagre que havia sido anunciado para essa data as crianças em nome da Mãe do Senhor.
Na manhã do dia 13, reuniu uma enorme multidão de locais vizinhos, Lisboa, Porto e Coimbra, e ainda enviados especiais nacionais e internacionais presumivelmente com sessenta a setenta mil pessoas aguardando o evento.
Começa a recitação do Rosário sob uma chuva forte. Lucia anunciou para notar-se um lampejo.
"Aí está ela! Lá está ela! "-grita a Lucia.
"O que quereis de mim?"-pergunta Lucia a Nossa Senhora
"Eu quero dizer que devem fazer neste local uma capela em meu nome, Nossa Senhora do Rosário e continuem a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os soldados logo voltarão para suas casas"
"Eu tenho muitas coisas para perguntar em nome dos doentes e a conversão dos pecadores..."
"Alguns sim, outros não. Devem mudar e pedir perdão por seus pecados. Não ofender a Deus Nosso Senhor, que já está tão ofendido".
A Virgem, neste momento abriu as mãos e o reflexo da sua própria luz continuou a refletir-se no Sol. Movido por uma inspiração interior Lucia gritou para todos para olhar para o Sol e onde se via ao lado do Sol, São José e o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com manto azul.
São José e a Criança parecia abençoar o mundo com gestos em forma de cruz com a mão. Alguns momentos depois outra visão: o Senhor e Nossa Senhora que Lucia pensou ser nossa Senhora das Dores. O Senhor parecia abençoar o mundo, da mesma forma que São José. Finalmente, uma terceira visão segue: A Senhora era semelhante a nossa senhora do Monte Carmelo.
Todos por mais longe que estivessem foram capazes de testemunhar o grande milagre prometido por Nossa Senhora, o que foi chamado o Milagre do Sol. 
Eles viram a chuva que caia cessar e o disco solar como uma roda de fogo, projetava feixes de luz em todas as direções de cada cor, que iluminava as nuvens do céu e tudo na Terra reverberava sobre a imensa multidão. Houve uma pausa momentânea, e então novamente uma dança de luz, como um cata-vento incrível e belo. Mais uma parada e então, pela terceira vez, um fogo mais colorida e mais radiante do que nunca. Muitas pessoas tiveram a impressão de às vezes o Sol sair do firmamento causando uma mistura de temor e de terror, gritando a multidão: "Milagre! Milagre! ".
Quando tudo terminou, mesmo as roupas do presente, antes encharcada de água da chuva, estavam completamente secas. 
Na Cova da Iria a Senhora realmente tinha feito um grande milagre na frente de todos que poderiam acreditar e testemunhar, numa mensagem de misericórdia e salvação.
Mas continua a aparição: seguindo a Virgem que sobe lentamente no fundo da luz do Sol até se perder se perder de vista e aparece uma última visão: A Sagrada Família. 
À direita a Nossa Senhora com manto azul celeste com seu rosto mais brilhante que o Sol e com São José com o Menino Jesus abençoando o mundo em sinal da redenção.

* Lucia Santos, a que manteve o diálogo com a Nossa Senhora, nasceu em 22 de março de 1907 em Aljustrel, uma aldeia (vilarejo) de Fátima. Seus pais, Antonio e Maria dos Santos, tiveram seis filhos: Maria, Teresa, Manuel (o único filho da família), Glória, Carolina e finalmente Lucia. A família vivia da lavoura e morava em uma casa modesta.

Fotos Missa da Paróquia São Luiz Gonzaga, Bairro Jardim São Luiz, São Paulo



























segunda-feira, 8 de maio de 2017

A *Filatelia e os três selos do Final da Segunda Guerra na Europa em 8 de maio de 1945

A Vitória é uma alegria e a Guerra um grande absurdo!

Há algum momento da vida em que nos interessamos por coleções as mais variadas possíveis, de gibis, objetos quaisquer, miniaturas, louças de época, enfim uma gama imensa de coisas que nos entretêm por algum tempo e até se tornando uma mania de cada vez mais ir atrás de raridades, consumindo um tempo que de algum modo traz satisfação.

Houve um tempo que, trabalhando em multinacionais, as correspondências vinham direto para o setor em que trabalhava e assim comecei a amealhar selos sem muita pretensão e então resolvi agrupá-los por países.




Um engenheiro do setor industrial vendo essa “coleção” despretensiosa disse-me que iria dar-me 3 selos e gostaria que eu guardasse e zelasse como parte da história onde o Brasil esteve presente com a FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA.**







(Estas gravuras com os respectivos créditos assinados foram extraídas do Pinterest, havendo objeção poderemos retirá-las a qualquer momento)

Foi uma surpresa imensa, sendo selos brasileiros em comemoração ao final da guerra, que hoje completa 72 anos e representa a capitulação da Alemanha na 2ª Guerra Mundial e o final da Guerra na Europa, embora continuasse no Pacífico até a rendição do Japão em 2 de setembro de 1945 com o catastrófico ataque atômico em Hiroshima e Nagasaki, respectivamente em 6 e 9 de agosto de 1945!

Afinal, para que servem as guerras?


*Filatelia é o estudo, a pesquisa dos selos empregados na postagem dos mais diversos países.

**Força Expedicionária Brasileira-FEB
A FEB foi uma força expedicionária de cerca de 25.700 homens e mulheres organizadas pelo exército brasileiro e força aérea para lutar na Segunda Guerra Mundial ao lado de forças aliadas no Mediterrâneo. O Brasil foi a única nação sul-americana a enviar tropas para lutar na guerra.
A FEB lutou na Itália de setembro de 1944 a maio de 1945, enquanto a Marinha e força aérea também atuaram no Oceano Atlântico, a partir de 1942 até o final da guerra.

Durante os oito meses da campanha italiana, a Força Expedicionária Brasileira conseguiu levar 20.573 prisioneiros do Eixo, constituída de dois generais, 892 oficiais e 19.679 soldados do eixo de outras patentes, bem como libertar um número de regiões da Itália, da ocupação do Eixo no Mar Mediterrâneo, retornando ao Brasil em junho de 1945.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

O homem, esse ser “obsoleto” e suas máquinas “inteligentes”!

Será o rompimento das relações trabalhistas?

As relações de trabalho do homem para com o homem estão chegando ao fim, pois máquinas inteligentes já não precisam ser operadas por vários homens, por turnos de produção.

As máquinas irão agir por si, pensando em operar com altíssima produção e se necessário for, 24 horas por dia, sem interrupções por necessidades fisiológicas e sem sentir a estafa do esforço produtivo, podem ser abastecidas até em movimento!

Os contatos humanos já não são obrigatoriamente presenciais, cada vez mais nos distanciamos das pessoas e “conversamos em rede”, além de muitas transações.

Houve um momento histórico que a produção já estava em alta e as tecelagens inglesas antecipavam esse momento com novos equipamentos de produção em série. Disto surgiu o "ludismo" que foi um movimento da Revolução Industrial (na Inglaterra, entre 1811/12) que ia contra a mecanização do trabalho, ou seja, a substituição da mão de obra por máquinas. Adaptado aos dias atuais, o termo “ludita” identifica toda pessoa que se opõe à industrialização intensa ou a novas tecnologias.

No século vinte foi o auge industrial por máquinas operatrizes, a produção dependia do homem e a máquina. Essa produtividade era desenvolvida por tempos e métodos de produção onde o homem tirava rendimento da produção horária da capacidade da máquina que operava. A atividade produtiva estava condicionada ao controle da condição motora do homem!

Não se exigia alto conhecimento técnico para ser “operador de máquinas” e tudo era resumido em uma aritmética elementar e apertar dois únicos botões das máquinas, um verde para ligar e começar a produzir e outro vermelho para parar de produzir, em tempos regulares, como almoçar, tomar café ou terminar o turno e ir para casa “descansar o homem” para reiniciar no dia seguinte!

Essa era a lógica produtiva desde o inicio da Revolução Industrial do século 19 repassada para o século seguinte, mas que não satisfaz mais a produção contínua e sempre em alta de produtos de consumo, em vários seguimentos.

A demanda de produção atual e as relações conflitantes seguiram-se para outro caminho com o advento das “máquinas-cérebros” que começou a controlar as atividades humanas e aquilo que antes era aceito como regra de o homem direcionar a máquina. Aos poucos os papéis se invertem e a máquina no hodierno “manipula” o homem nos seus anseios e tudo está sendo dirigido por computadores que controlam máquinas e que se tornaram autômatos e autônomos e não precisam mais do homem para produzir!


Não é o fim da história, é o início de um novo conceito, e o “homem do poder detentor dos meios de produção” não necessita de “tantos homens” para que sejam feitos todos os trabalhos que necessitam “todos os homens” para sobrevivência, pois possuirá máquinas inteligentes de produção[1]!

Algo precisa ser idealizado, pois o limite já está sendo rompido nessas relações de trabalho e parece que “homens cegos” estão caminhando para o abismo que separa os homens que antes se reuniram em “guildas[2]” para fazerem tudo quanto necessário para a sobrevivência e hoje essa intermediação não é mais necessário e o trabalho continua rendendo subsídios e diferenças!

O que antes, com o aparecimento das máquinas industriais, foi idealizado para o controle do corpo físico para se produzir em alta escala, hoje tudo está direcionado ao controle da mente humana, exigindo-se a capacidade máxima de rendimento produtivo!

A cibernética e a robótica da atual revolução tecnológica detentora da informação centralizada, fará do homem comum mero expectador das transformações, pois "saber é poder" e poucos serão os detentores deste saber que demandará as necessidades humanas no planeta e fora dele!

Quem se alimentar e tiver as condições mínimas de sobrevivência, se dará por satisfeito no futuro! 





[1] "Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes". (Klaus Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial).

[2] Guildas, primeiras organizações  de artesãos de um mesmo ramo. Eram pessoas que desenvolviam a mesma atividade profissional que procuravam garantir os interesses desta classe e regulamentar a profissão.

terça-feira, 2 de maio de 2017

O CORPORATIVISMO DO IMPOSTO SINDICAL

A receita financeira de quase 17 mil sindicatos no Brasil, somando-se ainda 13 centrais sindicais e algumas federações que forma a sustentação de sindicalistas “pelegos”, sendo que a estrutura deve ser provida apenas pelos seus adeptos filiados, não toda a classe trabalhadora!


História

A contribuição sindical foi instituída pela Constituição de 1937, conferindo aos sindicatos o poder de impor contribuições e exercer funções delegadas do poder público. Em 1940, através de decreto-lei, essa contribuição foi denominada de imposto sindical e estabeleceu, entre outros, a época do recolhimento pelas empresas e indicou o percentual a ser distribuído pelos sindicatos às entidades de grau superior. A Constituição de 1988 preservou a contribuição sindical compulsória, mantendo assim a principal fonte de recursos dos sindicatos.

Atualmente, os recursos da contribuição sindical são distribuídos da seguinte forma:

60% para os sindicatos, 

15% para as federações, 

5% para as confederações, 

10% para as centrais sindicais 

10% para a "Conta Especial Emprego e Salário".

Os empregados são obrigados a pagar a contribuição uma vez ao ano, sendo o valor correspondente a um dia normal de trabalho, sem inclusão de horas extras. Os trabalhadores autônomos e profissionais liberais deverão descontar a contribuição de 30% do maior valor de referência fixado pelo Executivo na época do pagamento. Para os empregadores, o pagamento do imposto é proporcional ao capital social da empresa, registrado nas respectivas juntas comercias ou órgãos equivalentes

Esse “imposto sindical” foi “imposto” ao trabalhador pelo Estado Novo de Getúlio Vargas e reforçado em 1943, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) quando era o Ministro do Trabalho Alexandre Marcondes Machado Filho, onde o slogan da época  era “Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado”.
Criou-se uma estrutura sindical corporativista, dependente e atrelada ao Estado, inspirada nas estruturas da “Carta del Lavoro” (Carta do Trabalho) do fascismo italiano de Mussolini, fundamentos para a fundação dos sindicatos oficiais e a criação do imposto sindical!
A Constituição da época incorporou ao sistema jurídico o corporativismo italiano, com modificações próximas aos trópicos da América do Sul, que era constituir os sindicatos atrelados ao controle do Estado e tendo atuação da massa trabalhadora em colaboração com ações do Estado brasileiro.
A liberdade de ação depende do rompimento com o paternalismo do Estado, que manipula como moeda de troca seus interesses no controle da direção sindical!