segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A Igreja e o Chafariz da Misericórdia na Cidade de São Paulo

Identidade e autodestruição da cidade

Todo este pertencimento local e sua identidade que marcou e demarcou o espaço urbano de São Paulo foi aos poucos sendo diluído até sua destruição total, que como marca só deixou a denominação de uma rua, nenhum outro vestígio permanente e concretamente perpetuou-se através da identidade anterior, a não ser pelos relatos e registros fotográficos e iconográficos de alguns abnegados que se perpetuaram também em relatos historiográficos.

A vida determinante em momentos de uma urbanização foi sendo transformado pela dinâmica da cidade de São Paulo, tornando o local algo que necessitava ter outra função pela expansão deste centro histórico, de uma mudança paulatina que absorveu todo o contexto edificado ao redor foi de repente transformado em outra coisa diferente e que em nada se parece com aquele espaço que um dia foi referência de muitas gerações.

O espaço geográfico que se transformou pela ação humana também é transformado de tempos em tempos em novo modelo transformador para dar a localidade outra perspectiva que condiga com outra dinâmica que perdura também por poucas gerações, e que não se torna mais referência de convivência, mas apenas mero espaço de passagem.

Onde era antes local de culto, de negócios, de barganhas e de troca de experiências, são transformados por outra arquitetura antes de taipa de pilão rústica para as construções mais robustas arrojadas que darão outro olhar ao espaço, mas que também será transformada em novos conceitos um dia qualquer, pela autodestruição incessante do meio destas relações que nunca serão duradouras como edificações.

O Largo e a Igreja da Misericórdia


Na esquina da Rua Direita, em São Paulo, em sentido da Praça da Sé, antes existia a Igreja da Misericórdia, construída por volta de 1608 e que foi reedificada neste local em 1716 pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia e destruída em 1886, para dar espaço à expansão do centro da cidade. Ali fora instalada a Santa Casa, que praticava caridade sendo um centro de filantropia aos carentes. Proclamas da Câmara eram afixados em frente à igreja para onde afluíam muitas pessoas e que se tornou o centro de atração do núcleo urbano ao longo dos séculos XVIII e XIX. As atividades religiosas tinham o poder de congregar os paroquianos nas missas dominicais e em procissões obrigatórias.

O Chafariz da Misericórdia
 
Ali fora instalado em 1793 o Chafariz da Misericórdia, no governo do Capitão Geral de São Paulo, governador da capitania, Bernardo José de Lorena que contratou o astrônomo e geógrafo português Bento Sanches D’Orta, em 1791, para analisar a qualidade da água para consumo público em São Paulo, que possuía alto índice de insalubridade, mas nenhuma providência foi tomada para melhoria de sua qualidade. 
A construção do chafariz ficou a cargo do mestre de obras, alforriado por seu senhor, Joaquim Pinto de Oliveira Tebas, contratado como jornaleiro por 600 réis, para edificar em pedra de quatro lados para abastecer a sedenta população sendo o primeiro chafariz público da cidade de São Paulo.

Consta ainda como referência, embora a comprovação seja remota, que a pedra fora trazida dos arredores de Santo Amaro, conforme citação do historiador Silvério de Arruda Sant’ Anna, que era conhecido pelo pseudônimo de Nuto Santana. Há de se ter em mente que Santo Amaro em seu núcleo histórico da citada Vila, não possui prospecção de minério, logo se há nisso um cunho de verdade o granito que deu origem ao chafariz em São Paulo, seja algo proveniente das periferias que deram na atualidade novas cidades como Itapecerica da Serra ou Embu das Artes, antes denominada simplesmente de M’ Boy.

 O Chafariz da Misericórdia, também conhecido com Chafariz do Tebas, era abastecido das águas que afluíam da formação na nascente do ribeirão Anhangabaú, que ficava no antigo Morro do Caaguaçu, onde na atualidade se situa a Avenida Paulista, na região do Paraíso. As águas eram recolhidas em barricas e depois transportadas para as residências locais por cativos que serviam seus senhores ou por homens livres denominados “aguadeiros” que se serviam deste afazer diário ao preço de 40 réis o barril de 20 litros em pipas carregadas por carroças de burros, podendo encarecer dependendo da dificuldade de fornecimento da água.

O chafariz era um ponto de encontro de pessoas onde se informavam sobre vários assuntos enquanto se recolhiam a água para transporte ou simplesmente por “servidão pública” se saciar algum sedento de passagem, embora houvesse uma escassez de água que incomodava à época[1]. Em 1886, com a demolição da Igreja da Misericórdia o chafariz foi deslocado para o Largo de Santa Cecília, com a transferência da Santa Casa para essa região[2]. 

Na antiga localidade do Largo da Misericórdia foi concedido pela Câmara, deferido em 1883, ao Sr José Antônio Garcia, que se construísse um quiosque de alimentos, café e bebidas. Eram novos tempos e a cidade necessitava de outras referências denominativas.


A imigração européia teve relevante participação na densidade demográfica da cidade a partir de 1867, ocasionou a ocupação desordenada de São Paulo. O abastecimento de água tornou-se crítico, exigindo do governo da Província obras de captação da água do ribeirão Anhangabaú e transportando por novas tubulações aos chafarizes existentes. 

Em 1877 foi idealizada a Companhia Cantareira de Águas e Esgotos e, em 1881, os moradores da Imperial Cidade de São Paulo começaram a ser distribuídas às residências as águas captadas da Serra da Cantareira. Estas chegavam ao reservatório construído na região da Consolação “cuja pedra inaugural foi lançada em 27 de setembro de 1878 pelo Imperador Pedro II”. A própria Assembléia Provincial recebeu a água canalizada da Cantareira em 1883.  Os serviços tinham de ser pagos e houve resistência da população à sua adoção, mas no início da década de 1890, vários chafarizes e bicas foram desativados como forma de obrigar os paulistanos a terem seus prédios ligados à rede distribuidora das águas da Cantareira, então sob o controle do governo do Estado de São Paulo. Assim se desativaram os tanques que abasteciam a cidade e naturalmente os chafarizes foram aos poucos perdendo sua importância de “servidão pública”. O governo do Estado assumiu a Companhia Cantareira de Águas e Esgotos em 1892, criando a Repartição de Águas e Esgotos, aproveitando a ocasião para expedir a ordem para que todos os chafarizes da cidade fossem destruídos. Acabou a distribuição de águas livres, através da “catação” de água, sendo idealizada a “captação” da caixa d’água da Consolação que distribuía para a rede pública, sendo que para isso havia um dispêndio de fornecimento.

Assim o Chafariz da Misericórdia que fora removido quando da demolição da Igreja da Misericórdia em 1886 e transportado para o Largo de Santa Cecília, acompanhando o deslocamento em 1884 da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, permaneceu até o limiar do século 20 neste local, sendo depois recolhido a algum depósito municipal e esquecido de seus momentos de glória quando abastecia a Cidade de São Paulo.

A Igreja da Misericórdia deu lugar ao atual edifício “Ouro para São Paulo”, que remete a alusão do apoio a Revolução Constitucionalista de 1932. A Igreja e o Chafariz da Misericórdia, dois símbolos paulista que construíram a história de São Paulo foram destruídos pelo dinamismo constante da cidade para sempre.

Referências:

Amaral, Maria Vicentina de Paula do. A dinâmica dos nomes na Cidade de São Paulo, 1554-1897: São Paulo: ANABLUME

Frehse, Fraya. O Tempo das Ruas na São Paulo de Fins do Império. São Paulo: Edusp, 2005

Simões Jr, José Geraldo. Anhangabaú, História e Urbanismo. São Paulo: SENAC

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/de-gota-em-gota



[1] “Estamos sem água”  era o grito que surgia impresso na coluna de reclamações do jornal Diário de S. Paulo no dia 28 de fevereiro de 1867. “A população sofre sede, e o que faz o governo? (…) Não temos água? Esperai, logo há de chover, e chover muito…” (Será possível que ainda chova? - Paula Janovtich)

[2] A Irmandade já esteve alojada no Largo da Misericórdia, Chácara dos Ingleses e Rua da Glória, até ser inaugurado, em 1884, o Hospital Central no bairro de Santa Cecília.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Urna eletrônica e a Submissão do Povo

Democracia vigiada: Estado de Direito ou Direito do Estado?

Se estas famigeradas urnas eletrônicas fossem confiáveis já teriam sido adotadas em outros países que usam o sufrágio para escolherem seus governantes. Tem “algo” que não condiz com o voto livre de cada cidadão que quer se expressar nas urnas. Outro fato é o porquê de exigir-se o voto obrigatório em um país dito democrático, tolhendo o livre arbítrio da escolha ou não escolher ninguém, quando assim o desejar. Liberdade é diferente de libertinagem, atual condição do Estado do governo brasileiro. 

A individualidade deve ser respeitada no âmbito da escolha política e isso nada tem a ver em ser patriota, pois o Brasil não pertence a governantes e seus partidos políticos. Hipocrisia não deve ser usada como moeda de troca do toma lá dá cá, do dando que se recebe, pois não se mede a pobreza pelo número de esmola que se oferece, mas sim pela condição de sair da condição da letargia de esmoleiro ganhado a liberdade de conhecimento adquirido para sair de tal condição. 

Deve-se negar também todo tipo de reeleição em todas as esferas, inclusive em todas as câmaras federais, estaduais e municipais. Se não fazem nada em quatro longos anos não farão jamais em momento algum, pois se tornarão vendilhões dos bens do país em benefício próprio. Há políticos de carreira que se servem do Estado por décadas e que não representam, e nunca representaram, à vontade e necessidades populares, pois vivem do erário público eternamente, e o que fazem largar os benefícios é apenas a condição finita de seu estado natural desaparecendo através da morte. Mas mesmo assim não cessa o financiamento dos cofres públicos, que são prolongados por muitas gerações subseqüentes. Reforma política com participação geral da Nação deve ser requerida com urgência daqueles que mantêm as condições mínimas de sobrevivência do Estado de Direito, sem a truculência dos decretos e seu aparato policial de vigilância constante. 


Ditadura nunca mais, ou se mudou o modelo de subserviência com um novo sistema de controle do vigiar e punir?

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A "Fundição Sarraceno" da Escócia e a "Estação da Luz" de São Paulo, Brasil

Símbolo das mudanças do encontro dos séculos 19 e 20
A “Fundição Sarraceno” (Saracen Foundry) era conhecida também por Possilpark, situada em Glasgow, era à base da fundição da companhia Walter MacFarlane & Co. Ltd, fundada por Walter MacFarlane, sendo o mais importante fabricante de indústria siderúrgica decorativa na Escócia.
Walter MacFarlane I nasceu em Torrance de Campsie, perto de Glasgow em 1817. Ele trabalhou para o joalheiro William Russell, antes de servir como aprendiz com o ferreiro James Buchanan. Trabalhou por uma década Moses na Fundição McCulloch & Co’s Cumberland, situada na Rua Stockwell.
Sua residência estava situada na Circus Park, 22, em Glasgow, Escócia. MacFarlane foi figura proeminente na política local, assumindo a presidência da Associação Liberal de Glasgow e tornou-se vereador da cidade.

Referência: Estação da Luz, em São Paulo, Brasil
Saracen Foundry
MacFarlane, uniu-se Thomas Russell e James Marshall, implantando com eles a sociedade Walter MacFarlane & Co. Ltd em 1850. Eles montaram uma fundição na Alameda Sarraceno, atrás da Passagem Subterrânea Sarraceno, em Gallowgate. Em 1862 o negócio mudou-se por um período para a Rua Washington.
Os negócios expandiram-se, e MacFarlane precisa de um grande terreno para construir uma fundição e uma infra-estrutura com força de trabalho e vila operária. MacFarlane fez um acordo com o filho de Coronel Alexander Campbell de Possil para comprar uma área de 100 hectares (1 ha =10000 m2 = 0,01 km2) na região de Possil em meados de 1860, incluindo a propriedade principal da residência de  Sir Archibald Alison, 1º Baronete e o xerife de Lanarkshire  para construir as instalações da fundição.

MacFarlane supervisionou a remoção de todas as árvores, criando a fundição em 14 hectares, com seus portões principais voltados para a Rua Hawthorn, nº 73.
Depois de criar o acesso à ferrovia para a sua fundição em duplo ramal ferroviário do  North British Railway e o Ramo de Hamiltonhill do Caledonian Railway, MacFarlane tirou o resto da terra do parque fazendo ruas e casas, incluindo a nomeação de rua da frente de sua fábrica de "Rua Sarraceno"
MacFarlane transformou o local de Possilpark, que deixou de ser residência de apenas 10 pessoas em 1872, pasando para 10.000 em menos de duas décadas mais tarde, em 1891. O layout em desenvolvimento de Possilpark foi descrito até então pelo Conselho de cidade de Glasgow como:
"seu trabalho é de uma elegância e de melhor realização em Glasgow, e o novo subúrbio de Possil Park, estabelecidas por eles com habilidade e inteligência, está rapidamente se tornando um complemento importante para a cidade."
Ironicamente, a poluição da fundição de Macfarlane ganhou o apelido de "O Senhor de Fossiltown."

Nova etapa
Integrando o escritório em 1871, o sobrinho de MacFarlane, Walter MacFarlane II (1853-1932), tornou-se sócio em 1880. Sucedendo seu tio, falecido em 1885 e sepultado na Necrópole de Glasgow.  
O jovem MacFarlane resolveu fazer design e normalização como chave para o desenvolvimento da empresa.
Catálogo da Fundição Sarraceno de 1882
Posteriormente, a Fundição Sarraceno passou a produzir um conjunto de projetos padrões, uma série de trabalhos de ferro decorativo, de trilhos, bebedouros, coretos, lâmpadas de rua, edifícios pré-fabricados e conjuntos de características arquitetônicas.  Para atingir o padrão da exigencia dos desenhos idealizados, a empresa empregou os melhores arquitetos de Glasgow, incluindo John Burnet, James A Ewing, James Sellars e Alexander Thomson. James Boucher foram contratados para projetar os quartos da mostra de fundição de Possilpark como uma gigantesca vitrine para os produtos, completados com vidro e cúpula de ferro e fundições decorativas elaboradas no seu portão de estilo gótico. As obras da “Fundição Sarraceno” foram exportadas para todo o Império britânico, e ainda podem ser encontrados em abundância em muitas partes do norte de Glasgow.

Mudanças para o fim
Após a segunda guerra mundial, com o desmoronamento do Império britânico, e a mudança das máquinas a vapor e a adaptação de novos equipamentos e materiais, significaram um grande declínio para projetos de padrão do ferro em moldes da Fundição Sarraceno. 

A empresa da MacFarlane mudou para peças de fundição padrão, tornando-se fornecedora de Sir Giles Gilbert Scott fabricando para os Correios as caixas de telefone, como as clássicas K6, vistas ainda em algumas regiões britânicas. 


Após essa etapa a família MacFarlane tentou reassumir o comando da empresa em 1965, mas os tempos eram outros e houve por bem terminar as atividades, fechando sua portas em 1967. O local de fundição foi parcialmente preservado em sua arquitetura, sendo atualmente ocupada por um número de empresas comerciais.

A Estação da Luz

O Campo do Guaré ou Caminho do Guarepe, termo indígena para definir o campo de “matas em terras molhadas”, era deste modo conhecido devido às cheias dos rios Tamanduateí e Tietê que em tempos de chuvas fortes inundavam a região transbordando em suas margens. Por iniciativa do Barão de Mauá, implantou-se a estação ferroviária da The São Paulo Railway Company, em associação com o capital inglês dos Rothschild, para o escoamento do café proveniente do interior de São Paulo para o porto de Santos, nas terras da antiga Fazenda Sharpe, pertencente a Roberto Sharpe, também denominada de Chácara Mauá. Em 1860 teve início a construção da Estação da Luz.

Fazenda Sharpe ou Mauá
A Estação da Luz foi inaugurada em 16 de fevereiro de 1867 sendo o ponto principal no planalto paulistano da estrada de ferro que ligava Jundiaí a Santos da São Paulo Railway Company. A antiga estação da Luz do século 19 era um local típico de uma estação interiorana, apenas com uma plataforma e uma bilheteria. Completava o projeto da Estação o Jardim já existente inaugurado nas imediações em 1825 que se incorporou a Estação de Luz integrando o arrojo que se pretendia para a capital paulista. 





A arte da Fundição Sarraceno na Estação da Luz / São Paulo

Naquela época a cidade crescia e aflorava imigrantes de todas as partes do mundo e a demanda de passageiros aumentava a cada dia e a produção de carga era grande que necessitava a construção de uma estação que competisse com a demanda de número de pessoas e produção cafeeira. A cidade de São Paulo já exigia um transporte moderno e os bondes elétricos começavam sua expansão em 1900 pela canadense São Paulo Tramway, Light and Power Company.
A Railway com o Tramway

Já estava em construção desde 1895 à nova Estação da Luz, aonde iria “correr” a riqueza do solo paulista e paulistano. A estrutura metálica foi totalmente elaborada na Inglaterra em ferro fundido cinzento de grande resistência a compressão dando sustentação de grandes cargas em peças pré-moldadas de fácil montagem e de fácil transporte. O projeto da nova estação dos primórdios do século 20 esteve a cargo do arquiteto inglês Charles Henry Driver em estilo neoclássico, com semelhanças a uma estação existente em Melbourne, Austrália, conhecida como Flinders Street Station, acrescida com a réplica da torre Westminster, em Londres, onde está instalado o relógio Big Ben, sentido do predomínio econômico da época, do final da Era Vitoriana.
Interior da Estação da Luz/São Paulo

No início do século 20 não havia na arquitetura da cidade de São Paulo nada que comparava a grandeza da “nova” Estação da Luz, uma nova etapa estava por vir com a implantação das ferrovias naquele que seria o maior pólo industrial da América Latina. 

A arquitetura tinha relação com o clássico estilo inglês, solene em uma fachada longa de 157 metros de comprimento na fachada e torre central de 52 metros de altura onde estava um relógio de 3 metros de diâmetro, com toda a semelhança dos prédios que demarcavam o horário da precisão britânica copiado do estilo do Big Ben londrino. 


Toda estrutura da estação propriamente dita, onde iriam circular as locomotivas, eram em forma de arco metálico, que cobria o leito ferroviário, abaixado em 10 metros em relação ao nível da entrada principal da estação, onde estariam as plataformas de embarque e desembarque. 
   
O  material da construção da Estação da Luz foram importados e transportados em módulos para São Paulo em navios cargueiros que trouxeram desde  rebites, tijolos do prédio, madeiras e portas de pinho-de-riga da Irlanda, telhas e cerâmicas de Marselha, França, e a estrutura de aço e peças fundidas de Glasgow, Escócia. Estimou-se à época um custo aproximado de 150 mil libras esterlinas.

A inauguração da “nova” Estação da Luz ocorreu no dia 1º de março de 1901, embora já fosse utilizada antes desta data, tornando-se símbolo da época de ouro do ciclo da alta produção cafeeira da cidade de São Paulo. Consta que não houve solenidade de inauguração, apenas uma aprovação do então Ministro da Viação e Obras Públicas, Epitácio Pessoa, em despacho deferido em 23 de fevereiro de 1901.
Estação da Luz: 1900

Estação da Luz: 2010 - implantação da linha 4 do metrô de São Paulo

Deste modo foi “apresentada” a obra edificada numa área de 752 metros quadrados, símbolo da pujança paulistana. Em um vão livre de 35 metros de treliças fortemente rebitadas a quente em uma altura de 25 metros, cobertos por telhas de zinco, onde as “obras de arte” fundidas pela “Fundição Sarraceno” permanecem vivas no século 21 e dão o estilo da beleza a Estação da Luz, no espaço urbano de São Paulo.



Referências:
Kühl, Beatriz Mugayar. Arquitetura do Ferro e Arquitetura Ferroviária em São Paulo: Reflexões sobre sua Preservação. São Paulo: Fapesp, 1998