sábado, 18 de fevereiro de 2012

A FÁBRICA DE FERRO NO MORRO DA BARRA DE SANTO AMARO – SÉCULO XVII – UMA INDAGAÇÃO

FATOS, REALIDADE E ORALIDADE
               
              Fatos históricos contados e averbados por documentos são marcantes para desvendar mistérios que ficam por vezes obscuros. Ao possuir maiores informações da história transmitida, surge uma série de indagações presumíveis, da qual pode resultar uma dedução.

Ao descortinar a história, nos aproximamos de uma citação a um rio denominado Geribatiba, o atual Rio Pinheiros, que por certo não possui nenhuma semelhança ao Rio Jurubatuba, com sua nascente na Serra do Paranapiacaba. O Rio Pinheiros teve sua sinuosidade alterada, contornando a margem de Santo Amaro que, diga-se também é a mais antiga vila do planalto, anterior até a São Paulo de Piratininga. À beira do rio, a madeira, combustível básico das forjas, e o minério a céu aberto, eram transportados rapidamente do litoral de Santos, com vilas prósperas, construídas às margens de rios ou litorâneas.1


MAPAS DA LOCALIDADE DAS "FORJAS"

Assim as forjas, que hoje denominaríamos fábricas, estavam situadas nas terras de Afonso Sardinha que, embora fixado em Santos, possuía lá seus interesses no planalto e aqui tinha morada em Ubatá, atual Butantã. Uma gleba de terra naquele tempo incluía léguas e léguas de distância, até perder-se de vista. Abrangia o “Borapoeira”, tornando-se depois Ibirapuera e que, devido à devoção portuguesa a Santo Amaro, já deu muitas histórias maravilhosas, nascidas da fé erigindo muitas igrejas e capelas. Havia uma capela de Santo Amaro de Ibirapuera referenciada em 1605, anterior a fábrica de ferro datada de 1607 nos assentos de Martin Rodrigues Tenório: “O engenho de Ferro começou a fundir quinta-feira a 16 de agosto de 1607 ao qual possuíram por nome Nossa Senhora de Agosto que é a Assunção Bendita e seu dia 15 do dito mês”.1
FORNO CATALÃO-APROVEITAMENTO DO MORRO PARA SUSTENTAÇÃO
A implantação da forja foi a passos lentos, pois parte do equipamento perdeu-se na viagem marítima, talvez provindo da metrópole portuguesa ou de seus consórcios com holandeses ou ingleses. Citava-se que Diogo de Quadros era provedor das minas, tinha poucas posses e ia devagar com o projeto, mas acabá-lo era importante, pois ali havia muito metal de ferro.

O equipamento era composto de dois malhos de 175 quilos, duas argolas de mesmo peso, duas chapas cada de 30 quilos e duas de 60 quilos. Tudo perfazendo a soma de investimento de 36 mil réis.1

Não havia mão de obra especializada, e era tudo lento, demorando quase dois anos para sua implantação. A produção tornou-se dispendiosa, o ferro era produzido a custo de 4 mil réis o quintal, quando valia só a metade. Queixava-se Diogo de Quadros da baixa produtividade dos “índios maramomís” na produção de carvão e o serviço não se desenvolvia como “Sua Majestade” pretendia, perdendo seus reais quintos, imposto da produção efetiva.[1]

Novos sócios alavancaram o empreendimento, como o próprio marquês das minas, Dom Francisco de Souza e o seu filho mais velho, Dom Antonio de Souza.

Assim, fato contado não é fato consumado, fazendo-nos divagar que à margem oposta ao Rio Pinheiros pode estar enterrada a história do “primeiro engenho das Américas”, anterior ao engenho de Araçoiaba, da Fábrica Real do Ipanema. Podem ter existido antigas vilas, arraiais, núcleos pequenos de grandes homens, que viram antes de nós os morros atuais do atual Bairro do Jardim São Luiz e seu rio, antes sinuoso, a conter um volume imenso de água e, ao lado, as belezas do sítio Guarapiranga, circundante como um jardim de matas verdejantes. Neste local, porta de entrada para a “Cidade de Santo Amaro” onde aportou a primeira expedição, que consta ter sido em 1552, embora não se encontra em anais oficiais para confirmação desta informação verbalizada ao longo do tempo, deslocou-se a primeira expedição rumo a “Boca de Sertão” e que daria origem a cidade de São Paulo, com anuência dos autóctones locais, que teve a inter locução de algum naufrago ou desterrado deixado nestas paragens na expedição ao Brasil com supervisão de Américo Vespúcio, custeada pelos investidores de Veneza, os Médici, OS maiores investidores de então. A intenção primeira da Expedição de Exploração da armada portuguesa comandada pelo fidalgo Martim Afonso de Sousa foi apenas pretensão para aproximar-se da entrada do Rio da Prata, possessão espanhola, disso resultando as fundações de vilas litorâneas auxiliado pelo prático de navegação Henrique Montes[2]. Deste modo começa a saga da interiorização, pelos rios, as primeiras estradas do Brasil e que o Rio Tietê e seus afluentes tiveram suma importância.

RUÍNAS - em que lugar?

           Não há vestígios do que fora a Primeira Fábrica de Ferro das Américas, nas imediações de Santo Amaro, em São Paulo, mas se mantém na oralidade local, sem embasamento oficial da localidade. Compete aos magnânimos estudiosos da arqueologia histórica encontrar no Morro da Barra, referência a barragem natural contra os ventos locais, estudar está lacuna e que foi o início da prospecção da rica mineraria brasileira.  


Considerações sobre a Primeira Usina de Ferro das Américas em Santo Amaro, Patrimônio Histórico do Município
Pesquisando anais historiográficos de Santo Amaro, há tempos nos deparamos com documentos que ora anexamos, com citação sobre a Primeira Usina de Ferro das Américas, datada de 1606/7, situado no Morro da Barra em Santo Amaro. Houve por bem requerer na década de 1970 ao Conselho do Patrimônio Histórico do Município de São Paulo o tombamento histórico ao referido sítio. Em documento da época refere-se a 3(três) fotos de agosto de 1936, as quais não foram localizadas.

Em pleno século 21, Santo Amaro (Paulista) aparece no cenário urbano de São Paulo com espaço importante para expansão do município. Deste modo voltamos a rever antigas pesquisas deste relevante momento e faz-se nova petição, reforçando-a a egrégia administração atual da Subprefeitura de Santo Amaro, requerendo novos estudos arqueológicos deste espaço geográfico em nome da historiografia local.



[1] HOLANDA, S. B. (1948). A Fábrica de Ferro, DIGESTO ECONÔMICO, no 38. 78-81.
[2] Henrique Montes foi uma personalidade do início da era colonial do Brasil, tendo sobrevivido à Armada de Solis, tal como Melchior Ramirez. Teve como funções Prático e Encarregado da nau de mantimentos. Por muitos anos, viveu em São Vicente onde desenvolveu suas atividades até o Rio da Prata junto a Gonçalo da Costa e do Bacharel de São Vicente, mas não prosperou junto a estes e tornou-se desamparado, denotando um possível desentendimento no desejo de posse da Ilha Pequena para prender escravos da tribo Jurubatuba, onde se instalou por dois anos sob permissão de Martim Afonso. Tendo interferindo com o rompimento de poder do Bacharel Cosme Fernandes, ocorreu-lhe o fim de sua existência diante das forças de Rui Mosqueira.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O PLÁGIO E O PLAGIADOR

Por que se plagia?
Para ganhar notoriedade, talvez, ou algum reconhecimento, atrelado ao fato de desejar estar no rol de celebridades, comete-se o ilícito do plágio. Usurpar algo mesmo parecendo sem importância acarreta situações que define o plagiador com um parasitário, vivendo da seiva de uma árvore que produz frutos.
É diferente de uma planta epífita, pois esta jamais busca se alimentar do hospedeiro, contrário do parasita que é agente agressor retirando nutrientes para sua subsistência. A epífita troca com o hospedeiro os nutrientes que são suportes para vicejarem juntas sintetizando a luz e usufruindo ambas do ar respirado.

Este sentido figurado remete pensar na condição do plagiador que se hospeda não como epífita, mas como parasita beneficiando-se de todos os benefícios que se propõe arrancar do hospedeiro que o beneficia, roubando-lhe o ar e a luz.

O plagiador não quer aprender como aluno, aquele que não tem luz, mas usufruir das benesses de quem possa lhe oferecer luz, é o plagiador um astro sem luz própria, um satélite que necessita de um hospedeiro para parasitar suas intenções.

Diderot na “Enciclopédia” define que “Um plagiador é um homem que a todo o custo quer ser autor e, não tendo nem gênio nem talento, copia não só frases, mas também páginas e passagens inteiras de outros autores e tem a má fé de não os citar; ou aquele que, com pequenas mudanças e adição de pequenas frases, apresenta a produção dos outros como algo que fosse imaginado ou inventado por si; ou ainda aquele que reclama a honra de uma descoberta feita por outro”.

Não se sabe ao certo se o plagiador tem em seu íntimo a vontade de tornar-se aquele que ele plagia, ou é possuído do ímpeto de um cleptomaníaco, que esta no limiar do prazer e da doença com a intenção do furto das idéias.

A ética deve ser demonstrada por àqueles que de certa maneira subsidia qualquer pesquisa com suas referências, assim se credita o direito da menção do crédito de qualquer trabalho, respeito as árduas horas, dias, anos, despendidos para provar o fato como científico.

COPYRIGHT
Muitos apresentam titularidades falsas, para angariar benefícios em suas carreiras, com pesquisas cientificas alheias,  que complementam teses com cópias de outro trabalho cientifico para usurpar cargos que por direito pertence ao titular da obra. Usurpa tudo a sua volta formando um currículo e existência falsa, são normas das ações do plagiador.
Apoderar-se de algo sem citação bibliográfica é querer subjetivamente os lauréis da honra de uma batalha que jamais participou, nunca pesquisou o campo, jamais saiu em busca das evidências e não sabe discernir o verdadeiro do falso.

Houve cópias de trabalhos científicos que desmascararam seu “pesquisador” que se beneficiou por algum tempo de prestígio e fama, mas a má fé do plagiador trazida à tona constrange o mesmo e o cobre de desonra, além da obrigação de retratação pública.

Buscando prestigio imediato há fatos relatados na mídia recentemente comentou-se o “auto plagio”. Para obtenção de um segundo título maquia-se o original criando-se uma cópia alterada do primeiro trabalho cientifico que tem validade cientifica no meio acadêmico e apresenta outro trabalho, se beneficiando da validade do primeiro, ganhando assim dupla titularidade.

COPYLEFT
Usam de outras estratégias os plagiadores: compelidos pela vontade de reconhecimento adquirem obras de outro país, de língua diferente de sua origem e fazem traduções editando “seus livros” no país de sua nacionalidade, uma reprodução grosseira com alguns enxertos, quase “um crime perfeito”. Esse esquema já rendeu dissabores a muitos adeptos do “plágio da tradução”, inclusive sendo acionados judicialmente por ações com direito a indenizações a quem  age nesta linha de usurpação de trabalhos alheios.

Um fato corriqueiro em trabalhos apresentados são imagens fotográficas que são reproduzidas sem a menção do seu autor, mesmo que as mesmas excedam o tempo liberando para utilização de domínio público, é de bom alvitre e respeito ao autor, fazer a citação para que valorize mais ainda o trabalho em evidência de determinado pesquisador e a imagem recolhida e congelada em determinada época seja usada em estudo contemporâneo.

 DOMÍNIO PÚBLICO
Enfim, todo trabalho que demande referências de outrem requer a menção do autor, para valorizar e autenticar o trabalho onde a fonte é de suma importância em quaisquer campos, para uma autenticação registrada e abalizada para tornar-se um documento reconhecido e confiável, tornando-se fonte para outras pesquisas.