terça-feira, 29 de novembro de 2011

Baby Pignatari: O Novo “Playboy” nº 1 (matéria de 1958-adaptação 1ª PARTE)

Rico ‘Baby’ Pignatari, especialista em velocidade e moças, é o novo herdeiro do trono

VIDE 2ª PARTE EM: http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2011/12/baby-pignatari-preludio-com-as-estrelas.html

Há uma pequena e real harmonia entre conquistador internacional e a alegre mas não sofisticada massa que o mundo permanece largamente inconsciente dos obstáculos na qual o milionário brasileiro Francisco (Baby) Pignatari superou em alcançar sua presente promissão de preeminência  no Café Society[1]. Baby, hoje tem as melhores mesas nas melhores casas noturnas, com música orquestrada, de Nova York, Paris, Londres e Roma, sendo saudado com sussurros e comentários quando ele entra. Homens fixam os olhos nele. Mulheres suspiram. Garçons pairam sobre ele como urubus circundam a presa. Porém Baby pode somente ser considerado como um pretendente ao trono – e, na verdade, pode até mesmo ser forçado a esperar por algum lucro – se a atriz Linda Christian não tivesse esvaziado os pneus de sua Mercedes uma noite do último ano em Roma.
           Um Playboy internacional, se ele pegar o título de tais gigantes como Aly Khan e Porfirio Rubirosa, deve atender a certos padrões de exigência. Ele deve ser bonito. Ele deve adorar garotas e ser adorado por elas. Ele deve exibir um inconfundível ímpeto em todas as suas ações. Ele também deve ter, requerimentos básicos, posição social, charme, conduta, acesso a muito dinheiro, e sobre tudo, sorte. Baby gloriosamente preenche todos esses requerimentos[2].

           Ele é, para começar, uma bonita e poderosa figura masculina. Ele tem 1,90 de altura, 90 kg, tem cabelos negros e sombra celhas caídas, e tem uma marcante semelhança com o ator de cinema americano Victor Mature (de quem a principio não simpatizava, apesar de nunca terem se encontrado). Baby tem 41 anos de idade (Playboys nunca são garotos). Ele gosta das moças e estas gostam dele. Ele tem ímpeto, ele pode ficar de pé em uma motocicleta a 90 km por hora com seus braços cruzados. E ele é repleto de básicos requerimentos.

Apesar de tudo isso, Baby era virtualmente desconhecido há um ano. Ele tinha tristemente negligenciado, em sua carreira de Playboy, obter a cooperação de atrizes americanas. Publicidade é a pedra de toque da vida de um Playboy, e em tempos modernos nenhum Playboy tinha feito sucesso sem ter tido um caso – ou, ao menos, ter sido casado – com uma estrela de cinema.
Linda Christian

Mas quando o destino levou a senhorita Linda Christian para o encontro de ambos, ela risonha e bonita, que esvaziou os pneus de seu carro depois de uma festa em Roma, Baby não exitou. Ele agarrou não somente a oportunidade, mas também Linda. Ela aceitou alegremente.  De repente, contudo, ela percebeu que um dos brincos de jade tinham sumido. E foi nesse momento que Baby proveu uma vez mais seu galanteio: “Eu te levarei para Hong Kong,” e completou, “e te comprarei outros brincos”.

Essa oferta era a essência para um Playboy, envolvendo dinheiro, impetuosidade e uma linda mulher, mas Linda recusou a proposta. Na verdade, ela em seguida foi para Dusseldorf para “ir para várias festas”- mas reagindo sugeriu para que ele a segui-se até Dusseldorf, mas o deixou enciumado quando Linda insistiu em dançar com dois alemães. Linda foi para Paris. Baby fez as malas e foi com ela novamente. Desta vez, Linda estava interessada na promessa do brinco perdido, e ele a levou triunfantemente ao redor do mundo – Roma, Atenas, Cairo, Bangkok, Tókio, Honolulu, Hollywood, cidade do México, Panamá e finalmente sua cidade natal, São Paulo – colocando seu nome em relevância, mas comprando para ela produtos de pouco valor na viagem.
“Go home Linda”

           Tudo isso, contudo, foi um simples prelúdio da estratégia pela qual Baby finalmente fez o mundo tremer. Aborrecido, depois de algumas semanas, pela qual atingiu ele como uma alarmante possessividade sobre Linda, ele empregou pessoase uma banda para marchar ao redor do hotel dela no Rio de Janeiro, com placas onde diziam “Go home Linda.” Seus amigos Aly Khan tinha sua Rita Hayworth e Rubirosa sua Zsa Zsa Gabor, mas Baby alcançou um resultado maior desprezando Linda ao invés de cortejá-la. A publicidade foi instantânea e marcou-o como o mais novo campeão dos Playboys.
BABY E LINDA

           Desde que assumiu o titulo, Baby causou impressão em todos os sentidos. Ele está firmemente colocado no clã da alta sociedade do Brasil e Roma. Ele é o mais importante, ele é o maior gastador na qual se tornou um modelo quase extinto no EUA porque o modelo dos impostos americanos inibia tais atitudes sociais. Baby nunca comprava travel-cheque em quantidades menores do que USD$ 10.000 (com  assinatura rápida, quando algumas vezes ele precisa de um pouco dos dólares para poucos dias) e não deixa menos de USD$ 100 de gorjeta e USD$ 5.000 nas contas de uma semana de hotel. Quando ele vê um relógio sofisticado de ouro na cidade de Zurique que simultaneamente mostra quais as horas em todas as capitais do mundo, ele compra 10 e distribui como se fossem pirulitos. Baby é brasileiro o suficiente para ficar a noite toda sambando, mas ele fala inglês, espanhol, francês, Italiano, um pouco de alemão, bem o português, e também esta preparado para viver em todas as regiões do mundo ocidental.

            Baby não é um simples Playboy. Ele é um homem duro nas ações, uma mistura (pousse-café) de contradições. É um incomum ganhador de títulos, e na atualidade é capaz de trabalhar muito. (Durante os últimos 20 anos ele juntou o terceiro maior império industrial do Brasil: uma grande laminação reforçada por um formidável complexo de minas, fundindo e fabricando peças). Ele é um inveterado gastador, mas ele ganha muito dinheiro (cerca de USD$2 milhões por ano). Ele é atrevido na ações, romântico, exibicionista, como um latino sensitivo para compromissos de honradez e orgulho pessoal. Mas ele é também intensivamente prático, um industrial que exige eficiência, um mecânico e inventor que entende cada processo usado em sua produção e se alegra em sujar suas mãos nos maquinários.

Como primeira virtude, ele é de fala mansa, pensador, com conduta maravilhosa e quase tímido. Como segundo quesito, ele se veste como um gaúcho ou um rei canibal. Ele tem um jeito selvagem de generosidade, mas suspeita de ter sido usado por um aproveitador, e ele tem uma fobia de assinar o nome em qualquer lugar que não seja cheque bancário. Baby daria a uma mulher um colar de diamantes, mas não enviaria nenhuma nota escrita com o presente, e preferia enviar rosas (20 dúzias todos os dias) a seus amigos do que escrever uma carta, e até mesmo acumular dívidas com contas de telefone. Apesar de tudo ele é rico e detesta: 1) A atitude da maioria  de outros ricos 2) Aqueles que imitam suas maneiras: “Eu sei sobre estes homens da Wall Street com suas gravatinhas e chapeuzinhos. Eles ficam muito bêbados, quando eles pensam que ninguém está olhando. Eles se aproveitam de mulheres que eu não desprezaria. Mas na manhã seguinte eles apontam seus longos narizes para mim com arrogância.”

Referência:

Life Magazine 1º DE DEZEMBRO DE 1958.136 páginas Vol. 45, Nº 22 - Baby Pignatari, New No. 1 Playboy (Pg... 130 ARTICLES: New King of Playboy World: Rich "Baby" Pignatari, Specialist in Speed, Spending and Girls, is Successor to Aly Khan and Rubi. By Paul O'Neil)



[1] Café Society: Barney Josephson, derrubou as barreiras raciais como dono do lendário Café Society aberto em um porão em 2 Sheridan Square, em dezembro de 1938, ele mudou um costume de longa data em boates americanas. Chegou a comentar:''Não houve, até onde eu sei, um lugar parecido em Nova York ou em todo o país.'' Foi o primeiro clube noturno em um bairro branco para receber os clientes de todas as raças. Durante um período de férias na Europa, ele ficou fascinado pela política do cabarés de Praga e Berlim, lugar este de encontro de artistas, intelectuais e profissionais liberais de vários segmentos que se encontravam no “Café Central”, idéia do húngaro Ferenc Molnár (idealizador dos Centrál Kávéház).Barney Josephson havia se tornado um fã de jazz, em suas andanças ao Harlem para ouvir as bandas de Duke Ellington no Cotton Club, quando visitou Nova York. Com US $ 6.000, emprestados de dois amigos de seu irmão Leon, ele alugou o porão de 2 Sheridan Square por US $ 200 por mês, assim começava o Café Society. ( VIDE: http://norumbega.co.uk/2008/05/12/ferenc-molnar/ e The New York Times, de John S. Wilson Published: September 30, 1988 Publicado em 30 de setembro de 1988)
[2] Seria dizer quando se comenta sobre alguém que detenha certo prestígio, ser BCBG(Bon Chic, Bon Genre), ou aproximando de Bom estilo e de boa classe.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Baby Pignatari: AS PREMISSAS DO PODER

Os Interesses das Indústrias de Base

O complexo industrial Pignatari começa a ser implantado pelo tato de Giulio Pignatari quando em comum acordo há a partilha de interesses das indústrias que houve com o sócio Ciccillo Matarazzo Sobrinho, filho de Andrea Matarazzo, irmão braço direito do conde Francisco Matarazzo, e do genro deste, o médico Dr. Giulio Pignatari, casado com Lydia Matarazzo, matrimônio ocorrido em 1915. O filho de Andrea, Francisco Matarazzo Sobrinho, conhecido com Ciccillo, e Giulio Pignatari, associaram-se formando a Companhia Pignatari & Matarazzo, no ramo de metalurgia, embalagens metálicas e laminação de metais. Em 1935, a empresa foi desmembrada e Ciccillo tornou-se o único proprietário da Metalúrgica Matarazzo, METALMA e Giulio Pignatari ficou responsável pela expansão dos negócios da LAMINAÇÃO NACIONAL DE METAIS S.A. algumas empresas satélites faziam parte do complexo industrial que abarcava outros setores, com a Companhia Brasileira do Cobre, CBC, Companhia Brasileira de Zinco, Alumínios do Brasil S.A., Indústria Sul Americana de Metais, enfim uma gama enorme de setores vitais para as indústrias de base. O campo vasto da metalurgia levava as indústrias Pignatari a abarcar segmentos diversos da trefila de ligas leves de alumínio, cobre e estanho, compostos do bronze, latão, níquel, prata ouro. Na laminação desenvolvia perfilados diversos, discos, chapas planas, originando as bobinas laminadas, tarugos, além de tubos e vergalhões de bitolas variadas. A indústria brasileira, mesmo com o desenvolvimento tardio iniciado na década de 30, do século 20, mostrava perspectivas enormes de desenvolvimento. Com a quebra da bolsa de valores americana de 1929, o governo brasileiro buscava diversificar sua economia, que era baseada unicamente na produção agrícola. Busca formar uma legislação mineral com a criação Departamento Nacional de Produção Mineral, DNPM, sondando em 1934, o industrial Pignatari, interessado na prospecção das  Minas de cobre de Camaquã, em Caçapava do Sul, Rio Grande do Sul que mais tarde daria origem  a criação da Companhia Brasileira de Cobre, denominada anteriormente de COBRACO, depois CBC, foi formada em 1942 com capital misto do governo do estado do Rio Grande do Sul e a Laminação Nacional de Metais de Francisco Pignatari, o Baby, que será o idealizador na mesma época da Companhia Aeronáutica Paulista, CAP.

O que ocorreu entre a implantação das primeiras células industriais geradoras de desenvolvimento entre a administração de Giulio Pignatari e seu filho Francisco Pignatari?

O menino Baby nascido em Nápoles na Itália, em 11 de fevereiro de 1917, havia estudado no colégio tradicional paulistano Dante Alighieri, com depoimento de Baby:  Quanto aos meus estudos, terminei o ginásio no "Dante Alighieri" fiz o liceu por três anos, e depois comecei a trabalhar”.

Sua linhagem direta com a família Matarazzo vinha por parte de mãe, Lydia Matarazzo. Seu avô o Conde Francisco Matarazzo era o maior empreendedor da América Latina e comandava as Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM). Tanto o pai, Giulio Matarazzo e seu avô paterno faleceram no ano de 1937. Os seus mentores deixavam uma lacuna de exemplos que não haveria substituição. Começou novo nas empresas do pai, em 1934, ou seja, antes mesmo de completar maioridade assumia responsabilidades administrativas. Ele possuía duas irmãs, Olga Matarazzo Pignatari, mais velha,  nascida em 16 de abril de 1915 e Fernanda Pignatari, que  , casou-se com o conde Giovanni Luigi Sofio, assinando-se Fernanda Pignatari Sofio e fixando residência à Rua Colatino Marques, 87, entre a Avenida Indianópolis e Rua Fernando Borges. Com o falecimento da Irmã Olga, em Roma, em 1945, foi determinada partilha de bens entre Fernanda e o irmão que resultou no processo 17.785, da delegacia do imposto de renda, seção de revisão e fiscalização, que intimou sobre o nº 2046.

Havia interesses de unirem as tradicionais famílias das indústrias italianas, do grupo Bombrini-Parodi Delfino, conhecida como DBP. Bombrini era um grande idealizador; foi um oficial de artilharia e idealizador dos maiores estaleiros navais de guerra do mundo recebendo por seus méritos para a indústria o título de Cavaleiro do Trabalho. A empresa foi fundada em 1912 em Colleferro, ao sul de Roma por Giovanni Bombrini e Leopoldo Girolamo Parodi Delfino, onde a primeira atividade estava voltada a produção de pólvora e explosivos. Após a  1ª Guerra Mundial , a empresa expandiu suas atividades produzindo fertilizantes e de cimento. In 1938 an explosion in the gunpowder plant killed 60 people. [ 1 ] After World War II , BPD diversified into mechanics, textiles and chemistry. Após a 2ª Guerra Mundial , diversificou as atividades em mecânica, têxtil e química, voltando-se para a expansão de misseis após o conflito bélico da 2ª Guerra. The last remaining owner, the Parodi-Delfino family, entered a joint venture with SNIA-Viscosa in 1968. [ 2 ] SNIA's chemical division was thereafter named SNIA BPD until BPD was sold to Simmel Difesa , when it was renamed SNIA SpA. [ 3 ]
Fernanda Pignatari dá o seguinte depoimento em documento:

“Conheci-os (os Parodi Delfino) em 1938, por contato com minha irmã Olga a qual como já dito, era amiga de Marina Parodi-Delfino, tendo unido uma amizade de minha irmã com os Parodi, iniciada por um princípio de namoro de Olga, com o irmão de Marina, que se chamava Gerardo, que, em seguida, morreu em um acidente aéreo. Após a morte dele, minha irmã foi convidada para hospedar-se na casa Marina e continuou a cultivar sua amizade em memória do seu namorado. Por conseguinte, o conhecimento entre as duas iniciou-se na casa de Parodi. Não há como negar que Olga tinha o desejo no  noivado de meu irmão e a fixação por parte de Marina Parodi-Delfino, noivado visto com bons olhos até mesmo pelo  pai da noiva, o qual esperava assim unir a fortuna das duas famílias. Claro que seu pai estava satisfeito. E quanto a minha família, devo observar  que mamãe estava insatisfeita por não ter sido avisada em tempo sobre o noivado sendo que não se mostrou contente pelo  fato que meu irmão era muito jovem”.
Assim por afinidades de interesses houve por bem concretizar  a união das duas  famílias italianas, os Parodi-Defino com os Pignatari. O casamento de “Baby” com “Mimosa”, como era chamada Marina Parodi Delfino, foi celebrado em Roma, na Igreja do Palácio de Veneza, em 7 de Junho de 1939, cerimonia grandiosa idealizada por Leopoldo Girolamo Parodi Delfino e Lucie Henny, pais de Marina. O acordo nupcial foi cumprido conforme as leis italianas, e assim o casal veio residir no Brasil, à Rua Haddock Lobo, em São Paulo. Marina ficou grávida dando a luz a um menino em 1940, que recebeu o nome de Júlio(Giulio) Cesare Pignatari. A guerra assolava a Europa, não haviam viagens comerciais regulares, cruzeiros e deste modo não havia como as famílias terem contatos, e muitas divergências ocorriam no cotidiano entre ambos, mas para prevalecer o compromisso do matrimônio que a mãe de Baby achava “indecoroso” romper, findou-se este último elo de Baby, quando sua mãe faleceu em 21 de setembro de 1946. Foi invitável a separação ocorrida em 1947 por incompatibilidade. A primeira separação foi consensual, e mais tarde foi legal. Começará uma vida de glamour de Baby Pignatari com as musas do Hollywood!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A AVIAÇÃO E AS EMPRESAS PIGNATARI

PIONEIRISMO EM SÃO PAULO[1]

On December 17, 1913, the Aviation branch of the Public Force of São Paulo was born officially, through the First School of Military Aviation, whose first headquarters were at the Guapira Field, having Eduardo Pacheco Chaves (Edu Chaves) and Cícero Marques as instEm 17 de dezembro de 1913, nascia oficialmente a Aviação da Força Pública de São Paulo, através da Primeira Escola de Aviação Militar, cuja primeira sede foi no Campo Guapira, instituído pela Lei nº 1.395-A, de 17 de dezembro de 1913, tendo Eduardo Pacheco Chaves (Edu Chaves) e Cícero Marques como instrutores.
The lack of trained technicians and supply problems resulting from the ending of the First World War, made it impractical to maintain this first nucleus, so that the Paulista Public Force only recovered it wings in 1919, having the Northamerican Orton W. Hoover as instructor. São Paulo teve impulso no setor de partir 1919, quando a Força Pública Paulista passou a ter orientação do aviador norte americano Orton William Hoover, instrutor de pilotos. The new headquarters was already established at the Marte Field and the initial steps, made with determination, bore fruit so that by 1920 landing fields started to appear in some cities in the interior, such as Bragança Paulista and Guaratinguetá. A partir de 1920, desativado o campo anterior, os vôos partiam do Campo de Marte, em Santana, São Paulo, rapidamente difundindo-se para outros campos de pouso no interior paulista possibilitando o desenvolvimento e troca de experiências por parte de pilotos civis e militares, pelo incentivo da Lei Nº 1.713, de  27 de dezembro de 1919,  assumindo o  Estado de São Paulo, as expensas para a criação da Escola de Aviação da Força Pública, com compra de aparelhos, equipamentos e criação de oficinas e hangares, sendo o primeiro deles  batizado de  "Maneco", em homenagem a Manuel de Lacerda Franco que era amigo de Fritz Roesler e de Thereza de Marzo.
Enrico e João Robba eram instrutores de vôo, em competidores de reides e tinham entre seus alunos  a bela jovem Thereza de Marzo que acabara de adquirir um avião francês "Caudron G-3" , de 120 HP., veio a tornar-se a primeira mulher brasileira a voar e a receber o brevê de piloto-amador no Brasil (nº 76), em 08 de abril de 1922.


Em 1918 foi criada por Idílio Bernini, a Fábrica Nacional de Hélices Cruzeiro, em São Paulo, tornando-se responsável pelas hélices dos aviões dos pilotos italianos dos irmãos Robba. Através disso, Idílio, participou de curso oferecido pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, que promoveu trabalhos em madeira. Assim a oficina foi aberta próximo ao Campo de Marte sendo que a mesma trabalhou para a Força Pública no Levante Paulista, a Revolução Constitucionalista de 1932, contra as arbitrariedades do governo federal. Forneceu ainda para grandes aviadores portugueses, Sacadura Cabral e Gago Coutinho. Com o advento das hélices metálicas houve um decréscimo nas demandas e assim em 1948, após ter fornecido aproximadamente 1500 hélices de jacarandá, pau marfim e mogno, encerrou-se as atividades.

Fritz Roesler, engenheiro-mecânico, formado na Escola Politécnica de Estrasburgo, Alemanha.Tornou-se instrutor de vôo na Escola dos irmãos Robba que ficava em Indianópolis,São Paulo, e, em 1922, abriu uma oficina mecânica e uma garagem em sociedade de Antonio, o irmão de Thereza de Marzo. Em l923, adquiriu do piloto Edu Chaves muitas peças e aviões para a Escola de Aviação Ypiranga, que havia fundado, ajudado por Antonio de Marzo, construíram um hangar. Neste mesmo ano, mudou-se para o Campo de Marte, encerrando as atividades da Escola de Aviação Ypiranga e do Clube de Planadores.

Orthon Hoover veio pela primeira vez ao Brasil, em meados de 1916, como representante da Curtiss para contato com a Marinha do Brasil, que tinha acabado de adquirir equipamento para inaugurar a Escola de Aviação Naval.
Then, Hoover joined a group of aviation enthusiasts which included Fritz Roeslere and Henrique Santos-Dumont, nephew of Alberto Santos-Dumont to create the "EAY-Empresa AeroOrton William Hoover determinado e apaixonado pela aviação juntou-se a Fritz Roesler para criar a  Empresa Aeronáutica Ypiranga-EAY, em 1931, tendo como presidente Henrique Santos Dumont . The object of the new conceren was the design, construction and sale of aircraft. O objetivo era conceber a construção e venda de aviões leves, sendo construídos 5 aparelhos EAY-201, concebido por Fritz Roesler.
Hoover já havia participado ativamente na concepção de planadores, em 1938, desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas, IPT, com gerência de Frederico Brotero no projeto. Hoover deu sua cota de participação na importante história da indústria aeronáutica brasileira, por seus contatos com os Wrights, Glenn Curtiss, Santos-Dumont, a Marinha, o IPT e o EAY.

This was a low-wing fixed-gear monoplane with a fairly high wing Em São Paulo, em 1931, criou-se a Fundação do Aeroclube de São Paulo, no Campo de Marte, e do Clube de Planadores Mackenzie, e, em 1933, a VASP. O Brasil despontava no cenário da aviação. Em 1934, o Laboratório de Ensaio de Materiais, anexo à Escola Politécnica da USP, é transformado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT tendo o Engenheiro Ary Torres, Diretor do IPT, sugerido a criação de curso de engenharia aeronáutica em São Paulo, implantado em 1939, além da criação, em 26 de dezembro de 1941, da Diretoria de Tecnologia da Aeronáutica.

Entre 1927 a 1935, o Brasil importou aproximadamente 550 aeronaves. Além disso, o Brasil concorria para a expansão de planadores nos meios profissionais aeronáuticos, com grandes perspectivas comerciais.
As dificuldades, entretanto fez com que os ideais fossem assumidos Two glider were designed and produced in small numbers, followed by the "Ypiranga" in 1935, a high-wing light plane much like the Piper Cub. pela empresa Companhia Aeronáutica Paulista, formada a partir 1942, do grupo Pignatari,  dando inicio a fabricação do Paulistinha, CAP-4, com motor Franklin de 65 HP, usado em aeroclubes brasileiros para instrução de aviação. A concepção teve êxito pleno e exportado para vários países da América Latina, sendo que Portugal também adquiriu algumas unidades. O CAP-4 deu origem, mais tarde, ao Neiva 56, pela Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva.

O empresário Pignatari via grandes perspectivas neste mercado e deste modo com apoio de sua maior empresa a Laminação Nacional de Metais, instalada em Santo André, São Paulo, inicia-se também na indústria da aviação; e, em agosto de 1942, é fundada a Companhia Aeronáutica Paulista (CAP)[2] que comprou os direitos de fabricação do avião EAY-201, da Empresa Aeronáutica Ypiranga. O IPT foi contratado para projetá-lo, tarefa cuja direção coube a Romeu Corsini. Em abril de 1943, a CAP começava a produzir em série a aeronave que ganhava o nome industrial CAP- 4. Tinha início a longa e bem-sucedida trajetória do “Paulistinha”. (A CAP construiu o protótipo denominado IPT-4, projetado por Clay Presgrave do Amaral[3], que teria a designação industrial CAP-1 e o nome comercial “Planalto”, um monomotor de dois lugares, concebido para instrução de pilotos) A Companhia Aeronáutica Paulista fabricou aproximadamente 800 unidades do tipo CAP-4, o “Paulistinha”. O pequeno aparelho, distribuído pelos aeroclubes do país, estimulou o aprendizado de grande número de jovens aviadores no Brasil.

Referências:

ANDRADE, Roberto Pereira de e PIOCHI, Antônio Ermete. História da Construção Aeronáutica no Brasil. São Paulo, Aquarius Editora e Distribuidora de Livros Ltda., 1982. I am afraid it is not easily available, if at all.
TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi. Viagem na Memória: Guia Histórico das Viagens e do Turismo no Brasil. São Paulo, Ed. SENAC, 2002
CANAVÓ Filho, José e MELO, Edilberto de Oliveira. Polícia Militar – Asas e Glórias de São Paulo. 2. ed. São Paulo, 1978. P. 19/21.
ANDRADE, Roberto P. de; PIOCHI, Antonio Ermete; BOLIN Erkki Keijo K.. História da Construção Aeronáutica no Brasil . 2ª Edição,1983.

VIDE COMPLEMENTO:

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2011/08/pioneiros-da-aviacao-civil-no-campo-de.html









[1] O avião São Paulo foi o primeiro inteiramente projetado e construído em Osasco, no Estado de São Paulo, no dia 7 de janeiro de 1910. O vôo, amplamente descrito pela imprensa paulista, foi realizado diante de uma pequena multidão de curiosos que viram o avião "S.Paulo" percorrer 103 metros em pouco mais de seis segundos, voando entre dois e quatro metros de altura. Na sua edição do dia 8 de janeiro, o jornal "O Estado de São Paulo" descreve, detalhadamente, a máquina e os planos de construção. Ela foi projetada por Demetre Sensaud de Lavaud, um francês radicado no Brasil, que começou a trabalhar em fins de 1908, e utilizou apenas materiais brasileiros no monoplano "S.Paulo". O motor foi fundido e usinado na capital paulista. O esqueleto era de sarrafos de pinho e peroba e a cobertura externa, de cretone envernizado. Uma fábrica paulista forneceu os grampos e cabos de aço, que garantiram a rigidez do conjunto e o carpinteiro Antônio Damosso preparou a hélice de jequitibá. As rodas eram de bicicleta, reforçadas.

[2] O Grupo Pignatari, era formado pela Laminação Nacional de Metais S/A, Companhia Brasileira do Cobre, CBC, as Indústrias Brasileiras de Máquinas, a fábrica Alumínio do Brasil. Anterior a fundação da Companhia Aeronáutica Paulista as empresas do grupo já fornecia matéria prima para produção de planadores (Em 1941, foram produzidos 30 planadores Alcatraz, cópias brasileiras do famoso planador Grunau Baby alemão) e componentes para a aviação brasileira alem de máquinas operatrizes de usinagens gerais.

[3] Nascido em Santos/SP. foi um dos pioneiros nas competições a vela organizadas pelo Clube de Regatas Saldanha da Gama a partir de 1941, quando tripulando o veleiro " Taca " foi campeão da 1a. Regata de Veleiros realizada na Cidade em 14/12/1941. Engenheiro Aeronáutico formado pelo MIT colaborou para o desenvolvimento e projeto dos primeiros aviões e planadores construídos pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo na década de 1930.
Foi também consultor técnico da VASP enquanto funcionário do IPT e trabalhou na Laminação Nacional de Metais S/A, empresa que criou sob orientação de Clay Presgrave do Amaral em 1942, a Cia Aeronáutica Paulista.Faleceu em 24/09/1942, aos 27 anos de idade, em trágico acidente de trem ocorrido na Pensilvânia- EUA quando procurava estabelecer contratos com empresas aeronáuticas norte-americanas.(fragmento do  Artigo publicado por Frederico A. Brotero no jornal A Tribuna em 02/10/1942)

sábado, 19 de novembro de 2011

Baby Pignatari, Getúlio Vargas[1] e a Companhia Brasileira do Cobre: Matéria prima vital (1944)

"A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”- Karl Marx

Exmo. Snr. Dr. Getúlio Vargas
DD. Presidente da República

Com o presente temos a honra de passar às mãos de Vossa Excelência o incluso memorial da Companhia Brasileira do Cobre, que contem um apelo para que a Interventoria Federal no Estado do Rio Grande do Sul seja, junto do patriótico governo de Vossa Excelência, o intermediário das justas aspirações daquela Companhia.

Depois de havermos lido, com maior atenção, o memorial referido e após termos tido vários entendimentos verbais com alguns Diretores da mencionada Sociedade, pé com maior satisfação que atendemos ao seu apelo, pois que as razões que nos foram dadas nos convenceram, realmente, de que a pretensão da Companhia Brasileira do Cobre[2] atende, integralmente, aos mais elevados interesses nacionais e se identifica com os alevantados propósitos que, para o bem do Brasil, têm norteado o esclarecido governo de Vossa Excelência.
Permita-nos, Senhor Presidente, resumir, em rápido escorço, o que pretende a  Companhia Brasileira do Cobre.

Essa Companhia que conta entre os seus maiores acionistas com o próprio Governo do Estado do Rio Grande do Sul, vem, com ininterrupto esforço e à custa de naturais e ingentes sacrifícios, cumprindo o programa a que se impôs, de aproveitamento das riquezas minerais de nosso País, especialmente das que se refere ao cobre, sem contestação possível, ocupa o primeiro plano entre as matérias primas de maior importância para a indústria moderna e, sobretudo, para o aparelhamento bélico do Brasil.

Na consecução desse programa, a Companhia Brasileira do Cobre já pôs em franca produção as minas de Camaquã e Seival, neste Estado e cuja produtividade, bem como a de outras minas ainda em estudo, está procurando elevar a um nível capaz de satisfazer as necessidades mais presentes de nossa Pátria, emancipando também, neste setor, da nociva dependência industrial em que até pouco tempo viveu.
Ora, Senhor Presidente, não há como se negar que, entre os fatores que tornaram possível àquela Companhia vencer as sérias e inumeráveis dificuldades iniciais, avultam as que decorrem desta hora de provações universais e que tem forçado nosso País, orientado pela sábia visão de Vossa Excelência, a procurar, o quanto possível, bastar-se a si mesmo e, além disso, levar um contingente mais eficaz em seu auxilio e em cooperação às nações que, no mundo, se batem pela cauãs da liberdade.

Afirma-se, portanto, com a força incontrastável das evidências, uma grande e séria lição: faz-se mister aproveitemo-nos definitivamente de todos os esforços e de todos os sacrifícios da hora presente para que, no momento da reconstrução universal, no mundo de pós guerra, nós encontremos aparelhados para manter todas as nossas conquistas econômicas, sobretudo as que se referem ao mercado interno e as que dizem respeito à implantação e ao desenvolvimento das nossas industrias básicas.
País que até pouco viveu na absoluta dependência de uma matéria prima estratégica e essencial como o cobre, o Brasil precisa, iniludivelmente, acautelar-se contra a concorrência que as indústrias dos outros países farão às indígenas, com o risco de as sufocar, tornando inúteis e improfícuos os sacrifícios que a sua criação custou.

Releve-nos, Senhor Presidente, lembrar-lhe -pois que o carinho e cuidado que lhe é merecido todos os problemas pátrios tornem impertinentes e desnecessárias quaisquer sugestões- que se apresenta agora uma magnífica oportunidade para um passo decisivo na definitiva orientação da indústria do cobre em nosso País. Pelo decreto-lei n. 5751[3], de 16 de agosto do ano passado, Governo Federal autorizou a venda, em concorrência pública, de 21.900 ações e 4.812 partes beneficiárias da Pireli S/A[4], com sede em São Paulo, ações e partes beneficiárias essas que pertenciam a súditos do eixo[5].
Sendo essa Companhia um dos maiores consumidores, no Brasil, de cobre, que é matéria prima indispensável à sua indústria, daí decorrem, sem dúvida, duas conseqüências. A primeira é que a Companhia Brasileira do Cobre e seu complexo lógico e natural seria a Pireli S/A, pois que, assim, teria aquela, nessa, um consumidor certo de sua produção, pondo-a ao abrigo da concorrência estrangeira na disputa do mercado interno brasileiro, ao nosso tempo em que teria, no consumo certo de seu produto, campo propício, para o seu desenvolvimento e sua expansão. A segunda é que o Brasil só poderá lucrar com a articulação das duas indústrias, que se transformarão em uma organização modelar, cujas atividades, partindo da extração do minério, irão até a entrega ao consumidor dos produtos industrializados, com exclusão dos intermediários e conseqüente barateamento dos preços.

Além disso, como muito bem notou aquela Companhia, em seu memorial, há um aspecto que deve ser considerado e que sobrepuja os interesses individuais: o sentido nacional da solução dessa questão.
De fato, a concorrência pública, com o critério da oferta mais alta, poderá fazer com que as ações da Pireli S/A venham a cair em mãos de quem, mais tarde, talvez imprima àquela Companhia uma orientação tendente ao aproveitamento exclusivo de matérias primas estrangeiras, com evidente e enorme dano para a economia nacional, que será prejudicada de duas maneiras: pela evasão do ouro decorrente da aqusição de tais matérias primas e pelo entravo ou mesmo sufocação de uma indústria extrativa que está aproveitando riquezas nacionais.

Nem há que se falar na volta ao regime de dependência a outras nações,  com regressão lamentável no caminho que, com ingentes sacrifícios, estamos trilhando para a completa emancipação de nossas industrias básicas
Acresço ainda que a gravíssima hora mundial que estamos vivendo aconselha a que outros critérios presidem à escolha daqueles que devem orientar as indústrias que, como a de produtos manufaturados de cobre, tão, intimamente se acham ligadas à produção bélica do País e tão alto contingente representam para a defesa nacional.

Assim, pois, sobre o imediatismo de uma oferta melhor  - que mais tarde poderá ser grandemente danosa para a economia nacional – devem prevalecer outros e mais importantes requisitos.
Desde que a venda daquelas ações se faça por seu justo e real valor - a escolha deverá recair naquele que mais convenha, no presente como no futuro, à defesa, à economia e à autonomia brasileira.

Sob esse ponto de vista ninguém, realmente, poderá apresentar melhores títulos para, evitando os riscos de leilão de melhor oferta, pleitear a aquisição das ações da Pireli S/A, que a Companhia Brasileira do Cobre.

Dificilmente outro qualquer concorrente poderá apresentar requisitos que mais respondem aos princípios que acima expusemos:

a)      –É ela concessionária e mantém em lavra as únicas jazidas de cobre economicamente exploráveis até agora conhecidas no território nacional;

b)      – É uma Companhia cem por cento brasileira;

c)      – Tem como um dos seus maiores acionistas o Estado do Rio Grande do Sul o que assegura  a fiscalização direta do poder público e garante, a todo momento, uma orientação inteiramente nacional às suas atividades;

d)     – Pelos trabalhos feitos até agora, tem demonstrado o acerto e a eficiência de sua orientação;

e)      – É a única produtora, no território nacional, da matéria prima, (cobre) que a Pireli S/A consome em maior quantidade;

f)       – Formaria com a Pireli S/A uma organização que completaria todo o ciclo de produção, indo da extração do minério até a entrega do produto industrializado ao consumidor.

É, pois, Senhor Presidente, que, conscientes de estarmos prestando relevante serviço a indústria e a economia nacionais e de estarmos servindo aos altos interesses do Brasil, que fazemos nosso apelo da Companhia Brasileira do Cobre e nos permitimos levar esse apelo até Vossa Excelência para que, modificando-se a forma de alienação adotada pelo mencionado decreto-lei 5.751, se decrete seja a venda das ações e partes beneficiárias da Pireli S/A feita, independentemente de concorrência pública, à  Companhia Brasileira do Cobre, mediante prévia  avaliação e pelo valor nela apurado.
A indústria nacional, o Estado do Rio Grande do Sul E O Brasil receberão, dessa forma, do sábio governo de Vossa Excelência, com o imprescindível apoio a uma medida inteiramente oportuna, mais um grande serviço para a sua grandeza e seu progresso.







[1] Em 1942, foi convidado para uma conversa com Getúlio Vargas, que lhe ofereceu participação na recém-criada Companhia Brasileira de Cobre, para explorar as minas de Caçapava do Sul. Baby aceitou, depositou o valor correspondente à sua parte e tornou e seria, dali para frente, o rei do cobre no Brasil. http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/baby-a-celebridade-esquecida

[2] A Companhia Brasileira do Cobre - CBC, localizada nas Minas do Camaquã, Município de Caçapava do Sul - RS (terceiro distrito), durante muitos anos foi a maior produtora de cobre  do país. Fundada em 1942 pelo italiano , naturalizado brasileiro, Francisco Baby Matarazzo Pignatari. Chegou a gerar 30% da arrecadação do municipio, que encerrou as atividades em 1996. Hoje a empresa tem como maior acionista à família Mônego, que desenvolve em parceria com o Grupo Votorantim, pesquisas minerais nas áreas de chumbo, zinco, cobre e ouro, para quem sabe num futuro próximo retomar às atividades minerais nas Minas do Camaquã, alavancando assim o progresso nesta região.
[3] DECRETO-LEI Nº 5.751 - DE 16 DE AGÔSTO DE 1943 Autoriza a venda de bens e direitos que na emprêsa Pireli S.A., Companhia Industrial Brasileira, com sede em São Paulo, possue a emprêsa Pireli Holding S.A., e dá outra providências
O Presidente da República, Usando dá atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição, decreta:
Art. 1º - Tendo em vista o disposto no art. 3º' do decreto-lei nº 5.661 de 12 de julho de 1943, fica o Banco do Brasil S. A., como agente especial do Govêrno Federal, autorizado a vender, em concorrência pública, vinte a uma mil e novecentas (21.900) ações, ao portador, da emprêsa Pireli S.A., Companhia Industrial Brasileira, com sede em São Paulo, que no mesmo Banco se acham depositadas em custódia em nome de Pireli Holding S.A., e quatro mil oitocentos e doze (4.812) Partes Beneficiárias que naquela emprêsa possue esta última e que se encontram depositadas nos cofres da primeira.
§ 1º - Os bens e direitos a que se refere êste artigo serão prèviamente avaliados por peritos nomeados Pelo Banco, mas a venda não será efetuada em base inferior ao valor nominal para as ações, e ao valer por que foram emitidas, para as Partes Beneficiárias.
§ 2º - A concorrência obedecerá, no que fôr aplicável, às normas da portaria nº 144, de 30 de novembro de 1942 do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial de 3 de dezembro do mesmo ano, e poderá ser anulada sem que caiba contra o ato procedimento judicial.
Art. 2º - Sòmente poderão concorrer à compra dos bens e direitos mencionados no art. 1º pessoas físicas ou jurídicas brasileiras, estas constituídas de forma que a maioria das ações representativas do capital pertençam, obrigatoriamente, a brasileiros.
§ 1º - Aos atuais acionistas da emprêsa Pireli S.A., Companhia Industrial Brasileira, que preencham as condições estabelecidas nêste artigo e apresentem proposta de compra na concorrência, abrir-se-á, nos editais de concorrência, opção pelo prazo não superior a trinta (30) dias para a compra dos bens pelo preço da maior oferta.
§ 2º - A prova da qualidade de acionista para os efeitos da preferência estabelecida no parágrafo anterior, far-se-á pela exibição da cautela de ações anteriormente possuídas, por certificado expedido por estabelecimento bancário onde a mesma se achar depositada ou por outra fome admitida em lei.
Art. 3º - O produto liquido da venda dos bens e direitos a que Se refere o art. 1º ficará depositado no Banco do Brasil S.A., para os fins previstos no decreto-lei nº 4.166, de 11 de março de 1942, ou para ser oportunamente levantado por quem de direito, mediante autorização do Ministro de Estado dos Negócios da Fazenda.
Art. 5º - Êste decreto-lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 6º - Revogam-se as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, 16 de agôsto de 1943, 122º da Independência, a 55º da República.
GETÚLIO VARGAS.

[4]Usou-se a grafia antiga Pireli S/A exposta no documento:  A Pirelli Spa é uma  empresa italiana  fundada em Milão em 1872 pelo engenheiro Giovanni Battista Pirelli. O seu atual presidente é o empresário Marco Tronchetti Provera, genro do neto do fundador, Leopoldo Pirelli. É um dos principais grupos econômicos italianos, ativo nos setores de beneficiamento da borracha, imobiliário (com a Pirelli Real Estate) e, desde 2001, da telefonia  fixa e móvel, depois da compra da Telecom Italia (TIM).
[5] O Eixo formado pela beligerância de Alemanha, Itália e Japão na 2ª Grande Guerra