sexta-feira, 30 de outubro de 2020

60 ANOS DA PARÓQUIA SÃO LUIZ GONZAGA: 30 DE OUTUBRO DE 2020 (Bairro Jardim São Luiz/SP)

 De Capela à Paróquia

Em 27 de abril de 1957 foi gravado em ata as resoluções da assembleia inaugural da Comissão para construção de uma Paróquia no bairro Jardim São Luiz, pois a capela existente já estava pequena para o grande número de fiéis. O primeiro presidente da Comissão foi Zacharias de Paula e Silva.

A capela provisória recebeu o andor que continha a imagem de São Luiz Gonzaga, ornado para acolher todo o povo do local e dos arrabaldes. Nos festejos participou até uma das mais tradicionais bandas de Santo Amaro, a Corporação Musical de Santo Amaro, com “uma alvorada de fogos de estouro”. Consta em ata lavrada pelos membros de comissão: “A imagem de São Luiz foi comprada à prestação no valor de um mil e trezentos cruzeiros, sendo quinhentos cruzeiros de entrada e o restante em pequenas prestações mensais de trezentos cruzeiros”.

A capela teve zeladoria a cargo das senhoras Ana Luiza Garbieri de Freitas e Joana Molina Martins. Na ata de 10 de dezembro de 1957 consta: “comissão pró construção da Paróquia São Luiz Gonzaga, bairro do Jardim São Luiz em Santo Amaro, Paróquia Capão Redondo, sendo   ofertados pela população tijolos para erguer as primeiras paredes”.

As missas na capela provisória eram mensais e os fiéis dependiam de um padre que sempre viria do Capão Redondo. A população não era atendida pelos serviços párocos nem em dia de festas importantes. A Cúria Metropolitana de São Paulo, representada por Dom Paulo Rolim Loureiro não autorizava celebrar a Missa do Galo em uma capela.

Providências foram feitas pela Comissão criando a “Campanha para a construção da Igreja de São Luiz Gonzaga”, instituindo-se um carnê que marcava as mensalidades em prol da construção, que foram acrescidas e reforçadas com quermesses. Providenciou-se as quermesses com barracas que mantinham: leilões de prendas, quentão, casinhas numeradas para entocar um porquinho da índia assustado e espantado pelos concorrentes ao prêmio em disputa, e as argolas lançadas no gargalo d’alguma garrafa e aparada por um toco quadrado ao fundo da mesma onde a argola deveria vencer apoiando-se na mesa e fazendo jus ao prêmio disputado. A quermesse também contava com a série de números de um bingo competitivo, as barracas das bebidas e churrasco.

Além dos esforços da comunidade local, a Comissão também buscou apoio externo. A Light and Power Company Ltd., cedeu cinquenta metros cúbicos de areia das margens do então limpo Rio Pinheiros, correndo o transporte por conta da Comissão, que teve custo de Cr$ 3.600,00 (três mil e seiscentos cruzeiros).

Em 2 de fevereiro de 1958 o membro da comissão sr. Vitório Libone trouxe até a capela o chefe de gabinete do prefeito Adhemar Pereira Barros, o sr. Arlindo Rodrigues. Este demonstrou interesse em criar benfeitorias no bairro. Havia a necessidade de infraestrutura e era preciso envolver os poderes públicos, tanto a prefeitura paulistana quanto o governador em exercício, Jânio da Silva Quadros.

Na ata do dia 21 de agosto de 1958 constava o pedido para se demolir a capela provisória.

Locomover-se para igreja era difícil, pois situa-se no alto do morro e as pessoas contornavam pelas ruas vizinhas para chegar até ela.  Ainda em 1959, a comunidade, a comissão e a Sociedade Paulistana de Terrenos, que loteou o bairro São Luiz, prontificaram-se arrumar a escadaria da igreja para facilitar o acesso dos moradores e paroquianos.

A ata de 10 de setembro de 1959, menciona a aquisição do telhado da igreja no valor de Cr$ 58.500,00 (cinquenta e oito mil e oitocentos cruzeiros), conseguidos para completar a cobertura em 25 de outubro de 1959 da futura Paróquia São Luiz Gonzaga.

A igreja firmava-se como condição prioritária no desenvolvimento do bairro e os padres Joel Ivo Catapan, do Seminário Verbo Divino, na Chácara Santo Antonio e Fabiano S. Cochel da Paróquia Capão Redondo assumiram a causa apoiados por uma comissão bem estruturada.

Em 1960 o bispo auxiliar de São Paulo, Dom Paulo Rolim Loureiro, comunicava que a igreja do Jardim São Luiz seria elevada à categoria de paróquia. Em 30 de outubro de 1960 a capela do Jardim São Luiz foi elevada à Paróquia, pelo bispo Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta que posteriormente nomeou interinamente o padre Fabiano S. Cochel, vigário da paróquia São Luiz Gonzaga. O padre que assumiu a Paróquia após Fabiano Cochel foi Avedis Kherlakian. O pároco e vigário Edmundo as Mata é um capítulo à parte, com 56 anos de atividade contínua na Paróquia São Luiz Gonzaga, que já expusemos anteriormente, foi o responsável pela construção da nova matriz do Jardim São Luiz.

Imagens da solenidade  









































sábado, 10 de outubro de 2020

ÍNDICE: TEXTOS SOBRE A COLONIZAÇÃO POR IMIGRANTES NO BRASIL (LINKS)

Links que possam interessar podem ser lidos independentes uns dos outros, não há uma sequência:

A DIÁSPORA DOS IMIGRANTES ITALIANOS: SÃO PAULO (1)

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2012/11/a-diaspora-dos-imigrantes-italianos-sao.html

A DIÁSPORA DOS IMIGRANTES ITALIANOS: SÃO PAULO (2)

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2015/07/a-diaspora-dos-imigrantes-italianos-sao.html

A DIÁSPORA DOS IMIGRANTES ITALIANOS: OS BRACCIANTI EM SÃO PAULO (3)

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2013/03/a-diaspora-dos-imigrantes-italianos-os.html

ITALIANOS EM SANTO AMARO, SÃO PAULO

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/12/italianos-em-santo-amaro-sao-paulo.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (01): DA REGIÃO DO PALATINADO PARA SANTO AMARO/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (02): A DIÁSPORA DA REGIÃO DO HUNSRÜCK

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao_5.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (03): O VELEIRO “HELENA E MARIA” E SEU NAUFRÁGIO NA INGLATERRA

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao_65.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (04): A REBELIÃO PALATINA e AS TERRAS OFERECIDAS EM SANTO AMARO/SP AOS COLONOS ALEMÃES

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao_96.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (05): UMA NOVA RELIGIÃO E UMA NOVA LINGUAGEM

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao_91.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (06): AS MISCIGENAÇÕES

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao_15.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (07): ALEMÃES E A “COLONIA PAULISTA” EM SANTO AMARO/SP

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao_80.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (08): PASSAGEIROS DO VELEIRO HOLANDÊS "ALEXANDER" EM 1828

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao_41.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (09): RELAÇÃO DOS IMIGRANTES QUE CHEGARAM AO BRASIL EM 1828/29 E FORAM PARA SANTO AMARO, SÃO PAULO.

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao_10.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (10): RELAÇÃO DOS IMIGRANTES QUE FORAM EM 1830 PARA ITAPECERICA DA SERRA, SÃO PAULO.

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao_61.html

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (11): REFERÊNCIAS DE PESQUISA

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/a-epopeia-dos-imigrantes-alemaes-ao_55.html

OS ENGANOS DA COLONIZAÇÃO EM SÃO PAULO (com graphia de 1867)

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2009/07/os-enganos-da-colonizacao-em-santo.html

FREGUESIA DE SANTO AMARO E A COLÔNIA PAULISTA, NÚCLEO COLONIAL IMPERIAL

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2009/07/freguesia-de-santo-amaro-e-colonia.html

NOBILIARQUIA DOS NOMES ALEMÃES NO BRASIL

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2009/07/nobiliarquia-dos-nomes-alemaes-no.html

IMIGRAÇÃO E AS CONSORTES EUROPÉIAS DE DOM PEDRO I

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2009/07/imigracao-e-as-consortes-europeias-de.html

PRIMEIRAS COLÔNIAS ALEMÃS NO BRASIL E A MILITARIZAÇÃO DO SUL

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2009/07/primeiras-colonias-alemas-no-brasil-e_02.html

CONSEQÜÊNCIA DAS LEVAS HUMANAS DA EUROPA PARA A AMÉRICA

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2009/07/consequencia-das-levas-humanas-da.html

EXÉRCITO DE RESERVA DO CULTIVO E O PÃO

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2009/07/exercito-de-reserva-do-cultivo-e-o-pao.html

SERTÃO DE SANTO AMARO: ITAPECERICA DA SERRA E PARELHEIROS

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2009/08/sertao-de-santo-amaro-itapecerica-da_21.html

QUE COISA ENTENDEIS POR UMA NAÇÃO?

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2009/09/que-coisa-entendeis-por-uma-nacao.html

Barragem e Colônia Alemã (Santo Amaro/SP)

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/barragem-e-colonia-alema-santo-amarosp.html

A IMIGRAÇÃO e MIGRAÇÃO JAPONESA COM SANTO AMARO NO CAMINHO

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2010/08/imigracao-e-migracao-japonesa-e-santo.html

Família Fatorelli: de São Carlos para Taquaritinga/Catanduva e depois à cidade de São Paulo

https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/10/familia-fatorelli-de-sao-carlos-para.html

O Navio alemão Windhuk e meu amigo Bubele (Erwin Kunz)

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/05/o-navio-alemao-windhuk-e-meu-amigo.html

A Primeira Ferrovia de Santo Amaro Paulistana em 1886

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2019/02/a-primeira-ferrovia-de-santo-amaro.html

 

180 anos de Imigração Alemã em Santo Amaro, São Paulo

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2018/06/180-anos-de-imigracao-alema-em-santo.html

Família Fatorelli: de São Carlos para Taquaritinga/Catanduva e depois à cidade de São Paulo

História publicada originalmente em 11/03/2014 no site da Secretaria da Cultura: saopaulominhacidade

Da diáspora dos italianos no ano de 1891, dos 105.839 imigrantes que vieram na custódia do Governo Central (Federal) e dos 697 que adentraram por exclusividade do governo de São Paulo, havia entre eles o grupo familiar dos Fatorelli.

Tudo converge para uma partida marítima do Porto de Gênova, no ano de 1891, de comunas unificadas em cidades que deram origem ao Estado Italiano, por força e mérito de Giuseppe Garibaldi e outros abnegados que lutaram para a unificação da Itália.

Evidentemente que nestes locais estavam repletos de diaristas que trabalhavam a terra e plantavam para manter o sustento por jornada trabalhada em terras de grandes proprietários. Eram tempos difíceis, não existiam mais as terras comuns onde esses trabalhadores podiam cultivar uma determinada gleba e dela tirar algum provento e sustento. A Europa estava em efervescência política e existia um excedente de mão de obra perambulando para cima e para baixo a procura de local para se trabalhar no meio rural ou se deslocando para as cidades a procura de alguns afazeres. Nem as ferramentas pertenciam aos agricultores e sim ao senhor que perpetuava a vassalagem e controlava os meios de produção. A situação era insuportável e os governantes e seus estados unificados estavam à beira de um colapso social, quando aparece a oferta de terras do Império do Brasil que necessitava de mão de obra para a lavoura, mais propriamente para a produção cafeeira.

Estava formado o que passou a ser a “grande diáspora de imigrantes italianos” para o Brasil, em busca de terras que pudessem trabalhar e encontrar esperança e um pouco de felicidade.

Deste modo uma leva de 132 famílias de imigrantes italianos partiu do Porto de Gênova, Itália, com o pouco que puderam amealhar, provavelmente velejando no Atlântico por três semanas na terceira classe que tinha preços módicos e possível de ser paga por famílias inteiras; chegando ao porto de Santos no “Vapor Santa Fé”, em 21 de outubro de 1891, onde estavam entre eles os Fatorelli, que na relação fornecida estava com a grafia errada como Fattorello. Traziam em seu bojo vontade de trabalhar onde os genitores Luigi Fatorelli e Carolina Tedesca, sobrenome referindo a uma possível ascendência germânica, ambos com a idade de 59 anos e que se responsabilizavam pelos filhos Rosina de 15 anos, Gaetano de 12 anos, e Virgílio (ou Vergílio) de apenas 9 anos. Estes dados se encontram dos Arquivos do Memorial do Imigrante, livro 029, página 057. Eram naturais da Província de Verona, região de Vêneto.

“Os vênetos” não saem com a esperança de voltar, como os do Sul. Saem se desfazendo de tudo, de seus animais e dos parcos utensílios domésticos, partem depois da colheita do trigo, no outono, entre setembro e novembro”. Adicionam assim ao escasso pecúlio obtido com a venda de seus bens, o produto de venda dos gêneros agrícolas.” (ALVIM, Zuleika M.F. Brava Gente! Os Italianos em São Paulo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1986)

Houve uma adaptação local para que os imigrantes tivessem acompanhamento médico e social na Hospedaria do Imigrante, sito à atual Rua Visconde de Parnaíba, 1316 - Brás, São Paulo - SP, de onde deveria seguir para as fazendas que deveriam trabalhar na lavoura por contratos assumidos pela Sociedade Promotora D’ Imigração de São Paulo.

Perdeu-se no meio do caminho um dos dois “Ts” do nome Fattorelli, pois o mesmo resulta do termo “fattoria” com o significado de fazenda, ou pessoas que estão no meio agrícola de produção, serviço braçal mesmo.

Muitos se desenvolveram em camadas subalternas, aquelas profissões que poucos queriam exercer ou era de baixa remuneração ou algumas outras que já traziam no bojo da experiência da Península e de estrito trabalho urbano entre os quais estavam os sapateiros, cocheiros, carregadores, cavadores, pedreiros, marceneiros, ferreiros, barbeiros, alfaiates, sapateiros. Outros enveredaram para o comércio e constituíram grandes empresas de distribuição varejista.

Muitos não tiveram como arcar com dívidas contraídas da viagem para o Brasil, mais precisamente em São Paulo, e neste grupo estavam os Fatorelli(s) remanejados para as fazendas da Comarca de São Carlos mantiveram-se presos ao sistema por dívidas contraídas de translado. Embora muitas viagens fossem custeadas, poucos tiveram este privilégio e tiveram que pagar com trabalho as dívidas assumidas.

Vieram “rastelar” o “ouro negro” em substituição ao escravo liberto por Lei Áurea do Império, diga-se que foi o último país a dar esta condição de liberdade aos negros, uma infâmia que manchou a reputação de país “livre e independente”. Perdendo a mão de obra escrava em 1888 não restava outra alternativa se não “importar” outra mão de obra disponível em substituição àquela que estava disponível até então, onde os escravocratas descontentes com o Império fomentaram a República em 1889!

Virgílio, o filho mais novo de Luigi, já falecido nesta época, resolveu se casar em 1909 com Maria Italiana, uma jovem colona nascida em 1889, natural de Napoli, filha de Michele Italiano e de Magdalena Lunarda. Irão começar vida nova em Taquaritinga e formarão uma prole de cinco filhos, a saber: Hermínia, Ernesto, Rosa, Madalena, que atendia pelo nome carinhoso de Nena, e João para ajudar na lida diária e nas fazendas de café.

Fica a indagação: o que fez a família se deslocar de São Carlos (denominada à época com o complemento do Pinhal) para a região de Taquaritinga e Catanduva, pela ferrovia Araraquarense, com aproximadamente 100 quilômetros de distância? Já havia um prenúncio da derrocada do café e buscavam-se novas culturas em outras fazendas e isto seria o atrativo maior de deslocamento da família Fatorelli? Quem sabe?

Em 12 de abril de 1916, nasceu Ernesto Fatorelli, que por ser o homem mais velho assume as obrigações de primogênito trabalhando com toda a família nas fazendas, que não davam a estrutura educacional suficiente para crianças e jovens, pois ensinavam somente “as primeiras letras” para “male-male” saberem assinar o nome e para rubricar garranchos em papéis e obrigações assumidas.

Deste modo, depois de algum tempo, e com muito sacrifício a família resolve vir para a capital paulista em 1940, quando o pai Virgílio Fatorelli já havia falecido. Fixa-se residência no terreno da Igreja São Dimas, antes denominada Nossa Senhora das Graças, na Vila Nova Conceição, de onde começaram vida nova na cidade de São Paulo.

Ernesto Fatorelli, depois de dez anos em São Paulo une-se ao cônjuge de origem portuguesa, Elsa Mello dos Santos e no ano de 1954 desloca-se para Santo Amaro, mais precisamente num bairro nos arrabaldes denominado Jardim São Luiz. São Paulo se formava como uma grande Metrópole e oferecia novas oportunidades e havia uma mão de obra excedente no meio rural que se deslocaram para novos desafios.

Nova etapa de uma saga ainda incompleta que muito tem que ser desvendada por muitos Fatorelli(s) espalhados por São Paulo e outras localidades do Brasil, em uma busca constante e um estímulo às sábias e novas gerações que podem dar respostas neste segmento da “arqueologia histórica” sobre as várias famílias que detém o sobrenome Fatorelli.

 

Vide crônicas nos links:

A DIÁSPORA DOS IMIGRANTES ITALIANOS: SÃO PAULO (1)

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2012/11/a-diaspora-dos-imigrantes-italianos-sao.html

A DIÁSPORA DOS IMIGRANTES ITALIANOS: SÃO PAULO (2)

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2015/07/a-diaspora-dos-imigrantes-italianos-sao.html

A DIÁSPORA DOS IMIGRANTES ITALIANOS: OS BRACCIANTI EM SÃO PAULO (3)

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2013/03/a-diaspora-dos-imigrantes-italianos-os.html

 

Barragem e Colônia Alemã (Santo Amaro/SP)

História publicada originalmente em 13/10/2010 no site da Secretaria da Cultura: saopaulominhacidade

 

Esta semana recebemos fotos intituladas: "Construção da Represa de Santo Amaro", datadas entre 1906 a 1912, verdadeiras preciosidades históricas. Nelas observa-se abnegados trabalhadores no que se transformou em um dos reservatórios de abastecimento da capital paulista, tanto em geração de energia como em abastecimento de água potável; coisa difícil na atualidade. O cedente destas raras belezas foi nosso amigo Lico Boeninha, da família Placoná, representante da mais distinta estirpe santamarense, e que muito nos orgulha ter havido confiança deste precioso tesouro e que agora extraímos das imagens congeladas no tempo, investigando "a fotografia como concepção histórica", e ficamos agradecidos pela confiança.

Isto nos remeteu a momentos vividos, e devido ao fato citado, resolvemos, por algum impulso momentâneo, ir além da barragem citada. Pegamos o metrô da linha cinco, que com sua futura expansão chegará até a chácara Klabin e o Largo Treze de Maio, em Santo Amaro.

Dirigimo-nos para a estação dos trens da CPTM que ligam Osasco ao Grajaú, de onde seguimos em um coletivo para o Terminal de Ônibus Parelheiros, com baldeação para o Bairro da Barragem. No meio do trajeto "apeamos" no que foi o projeto colonizador do império brasileiro, uma tentativa de instituir a primeira Colônia em São Paulo.

Uma apresentação estampava-se no local em placa esclarecedora: "Colônia Paulista - Antiga Colônia Alemã, fundada em 1829”. Este é um dos mais antigos focos de colonização estrangeira no Brasil. Abriga diversos patrimônios históricos que retratam sua trajetória, como o Cemitério da Colônia (1840) e a Casa de Taipa de Pilão (1870). Foi um entreposto imperial no antigo caminho de Conceição de Itanhaém, que ligava o litoral ao antigo Município de Santo Amaro de Ibirapuera.

Há algum tempo, atingimos a Aldeia Rio Branco, descendo pela Serra do Mar, seguindo o Rio Branquinho, de águas cristalinas, rompendo barreiras pedregosas, fazendo parte da Área de Preservação Ambiental dos rios Monos e Capivari, atingindo a Reserva Indígena Rio Branco, em Itanhaém.

O Cemitério de Colônia abriga em seu "campo santo" toda saga dos primeiros imigrantes, grandes homens e mulheres que acreditavam num novo porvir. Uma lápide na entrada demonstra o carinho com que os filhos destes demonstraram pela memória, como este fragmento: "Viemos pelo mar, viemos para ficar, trabalhar e construir uma grande nação", homenagem redigida pela Associação Cívica Colônia Alemã. Como um réquiem silencioso, passamos respeitosamente pela última morada destes trabalhadores vindos deste longínquo país, a Alemanha, singrando pelo Mar Tenebroso.

Seguimos para o Bairro da Barragem, local que um dia a mente infantil gravou como o lugar "mais bonito do mundo", coisas da imaginação verdadeira de criança. A mata, mistura Atlântica com pequenos clarões de vegetação rasteira parecia a mesma, embora a expansão imobiliária vá aos poucos chegando de mansinho, sem planejamento sustentável de ocupação, que faça jus a importância local.

Temos ainda alguma referência do passado teimoso dizendo: "Área de Segurança, Reservatório Billings". Há também citação aos guaranis "tokoa tenondé porã" e "tekoa nhe'em porã", como se conhece a aldeia Krukutu, e que são assentamentos familiares denominados "tekoa", o modo de ser guarani, mas conforme ao estatuto de reservas têm-se restrições às visitas, somente sendo possível com agendamento prévio.

Chegamos à Barragem ou Morro da Saudade, e parece que por algum motivo paralisamos assustados e até hipnotizados, pois onde havia um dia água batendo às portas da comporta, estava agora seco e uma mata secundária assumia seu lugar. Os recursos hídricos parecem intermináveis, mas urge reflexão quanto aos programas de adequação do sistema metropolitano de distribuição de água e abastecimento da cidade podem estar comprometidos ou próximos de um colapso.

Seguimos em área alagada por água estagnada através de uma pinguela saindo no costado passando por poucas araucárias, não muito comum no estado, saindo num talude de contenção, que um dia conteve as forças das águas e fez alegria de pescadores que recolhiam trinta quilos ou mais de peixes médios, sendo esta "mentira de pescador" muito verdadeira, confirmada na atualidade por seu João, que foi um deles, sustentando-se hoje com seu engenho de cana de açúcar próximo ao local, dizendo saudoso:

"O peixe foi embora, um castigo!"

Uma comporta abandonada estava a nossa frente, com estrutura oxidada e uma talha de transporte parada "observando" as enormes vigas de madeira da barreira adormecidas no chão amontoadas umas sobre as outras, como testemunhas de um tempo de fartura. Fechamos os olhos como não acreditando, tentando recuperar a óptica de um local repleto de alegres pescadores, competidores do maior prêmio: um "bitelo pescado". As águas recuadas das paredes estavam longe, e para não ser história de pescador, que aumenta, mas não inventa, distanciava-se mais de um quilometro da margem da barreira, em seu lugar cobria uma vegetação de terreno alagadiço e um monte de ramagem que há muito não se via, como a carqueja, que dizem possuir propriedades medicinais.

Sentimos a saudade batendo forte. Despedimo-nos do passado de São Paulo, assustados com a realidade. Uma vingança da natureza?

 Quem sabe seja mentira de pescador, ou pura verdade!

A EPOPEIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES AO BRASIL (11): REFERÊNCIAS DE PESQUISA

LIVROS, LINKS e ARQUIVOS ESTADUAL E MUNICIPAL

FEY, Ademar Felipe. Navio Cäcilia: Lenda & Realidade. Caxias do Sul, 2019. Ed. Clube de Autores

GOSSLER, Arnold, Partida para o exterior. História de emigração do antigo escritório Senheim Altkreis Zell / Mosel no século 19, Liesenich, 2003.

 

ZENHA, Edmundo, A Colonia Alemã de Santo Amaro, São Paulo 1950. Revista do Arquivo Histórico Municipal, p. 88 a 96

 

192 ANOS DA COLONIZAÇÃO ALEMÃ NO BRASIL. A HORA. Publicação Ministério da Cultura. Rio Grande do Sul, Lajeado: ZH Editora Jornalística, Agosto de 2016.

Memorial do Imigrante em São Paulo Rua Visconde de Parnaíba, 1316 - Mooca (Próximo à estação Bresser do metrô - linha Leste-Oeste)

Arquivo do Estado de São Paulo Rua Voluntários da Pátria, 596, São Paulo - CEP: 02010-000,  (Próximo à Estação Tietê)

Instituto Martius-Staden[1] de Ciências, Letras e Intercâmbio Cultural Brasileiro-Alemão / Fundação Visconde de Porto Seguro. Rua Itapaiúna, 1355 - Panambi, São Paulo – CEP 05707-000

 

LINKS: ACESSO EM SET/OUT 2020

https://memorialdotempo.blogspot.com/2017/09/a-lenda-do-navio-cecilia-cacilia.html

http://sagadosalemaes.faccat.br/cap3p.htm

https://familiafey.wordpress.com/james-laing/

http://www.mluther.org.br/Imigracao/relacao-veleiros.htm

 

http://www.mluther.org.br/Imigracao/imigracao_i.htm

 

http://www.mluther.org.br/Imigracao/imigracao_ii.htm

 

https://emsintonia.com.br/materias/novembro-2018/190-anos-de-imigracao-alema-em-santo-amaro/

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hunsriqueano_rio-grandense

 

https://en.wikipedia.org/wiki/German_Brazilians


http://fernandodias.blog.br/destinos/europa/reinounido/navegando-pelos-mares-britanicos-ilha-de-portland-e-falmouth/


[1] Instituto Martius-Staden é mantido pela Fundação Visconte de Porto Seguro, à qual pertence o Colégio Porto Seguro. É um dos grandes polos de estudo para assuntos ligados à imigração dos povos de língua alemã, assim como literatura, história e cultura da Alemanha. O instituto responde questões sobre genealogia de famílias de origem germânica no Brasil. Seu arquivo formou-se a partir de doações da comunidade, depois de publicado um anúncio no diário alemão Deutsche Zeitung de São Paulo, em 1925, solicitando envio de documentos, fotos, relatórios anuais, anúncios de comemorações da comunidade alemã e publicações de todo tipo relacionadas ao crescimento da colônia alemã. Reúne certificados, cartas, espólio de famílias alemãs, certidões e até registros judiciais de crimes ocorridos na cidade. Com o patrocínio da Siemens e da MWM, o instituto criado em 1916 como associação de professores da primeira escola alemã, a Deutsche Schule de São Paulo, está informatizando seu acervo e integrando os módulos Biblioteca e Internet, para melhor atendimento público.