quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

ITALIANOS EM SANTO AMARO, SÃO PAULO

Santo Amaro e sua Sociedade Italiana de Mútuo Socorro

Nos escombros arqueológicos da historiografia encontramos uma referência de ajuda entre os imigrantes italianos com sede em Santo Amaro.

Há de se colocar que Santo Amaro tinha um crescimento populacional baixo em relação ao seu dimensionamento territorial de 640 quilômetros quadrados.

Conforme apontamentos dos Recenseamentos Gerais do Brasil, Santo Amaro em 1886 possuía 6259 habitantes, e depois de 14 anos, em 1900, passou para 7132 habitantes, dobrando essa margem em 1920, sendo estimado com 14101 habitantes. Desse número em 1920 tinha-se em Santo Amaro 362 italianos! Esse isolamento foi quebrando-as aos poucos depois da implantação da linha férrea “Companhia de Carris de Ferro São Paulo a Santo Amaro”, (tramway) com equipamentos importados da Krauss, Alemanha, construída por Alberto Kulhmann em 1886, ligando São Paulo à Santo Amaro, e que foi usada para abastecimento da capital com gêneros alimentícios e lenha de abastecimento energético e toras para fabricos diversos. Depois essa ligação com a capital foi ampliada com a instalação dos bondes a partir de 1913 pela Light and Power.



 Societá Italiana di Mutuo Soccorso XX Settembre

 


 BANDEIRA DA SOCIEDADE DE MÚTUO SOCORRO PRINCIPE DE NAPOLI 


Esta sociedade foi fundada em 20 de outubro de 1895, com a denominação de Societa Italiana di Beneficenza Principe Di Napoli, sendo a seguinte a sua primeira diretoria:

Presidente: Alfonso Vitale (Affonso Vitalli ou Vittale)
Vice-presidente: Settimo Giannini
Tesoureiro: Eugenio Montanaro
Secretário: Abramo Montanaro
Vice-secretário: Luigi Bussolini (Bussoli)
Procurador: Andréa Paolinetti
Conselheiros: Pietro Bleinatti; Giulio Montanaro e Giacobbe Lucca (Jacob)

Foi posteriormente reorganizada recebendo a denominação de Societa Italiana di Mutuo Soccorso XX Settembre.

Sua nova diretoria foi assim formada:

Presidente: Carlos Gusbertti
Vice-presidente: Enrico Pongiluppi  (proprietário de "engenho" de serra e olaria)
Secretário: Domingos Lascalla
Tesoureiro: Angelo Tanchella
Conselheiros: Angelo de Lucia; Giovanni Baroncini; Natalino Bertolini; Michele Martella
Revisor: Giovanni Robba
Porta-bandeira: Vittorio Belotti

 


SEDE DA SOCIEDADE EM SANTO AMARO/SP

 

A sede da sociedade estava instalada em prédio próprio à rua Doutor Antônio Bento.

 

Em 25 de agosto de 1900 celebrou-se uma cerimônia fúnebre na Societa Italiana di Principe Di Napoli, em respeito a Humberto I.

Em 22 de dezembro de 1911 a sociedade inaugurava prédio próprio e em 20 de janeiro de 1914 ela pede isenção do imposto predial que é concedido deferimento por 3 anos quando o pedido era de 5 anos.

 

Os italianos de Santo Amaro iniciaram suas atividades por meio da “Sociedade Principe de Napoles”.

Em 4 de setembro de 1903 a sociedade enviou a Câmara ofício de festividades de data nacional na Itália, em homenagem ao aniversário da reunificação italiana.

 Constava no referido ofício:

“No dia 20 do corrente, às 5 horas da manhã, a distnticta banda musical “16 de Julho”, desta Villa. Percorrerá as ruas da mesma em alvorada, queimando-se nesta ocasião uma bateria de 21 tiros.

À uma hora da tarde, na sede da Sociedade. Reunir-se-ão os sócios e convidados, organizando-se um préstito, que percorrerá as ruas principaes da localidade, cumprimentando a Camara Municipal e mais autoridades.

O préstito, ao recolher-se ao edifício da Sociedade, será fotografado.

Em seguida, no teatro “Adolpho Pinheiro” servir-se-á um modesto jantar.

Às 8 horas da noite começará o sarau dançante que deverá correr animadíssimo e finalizará os festejos.”

 

Em 22 de dezembro de 1911 foi inaugurado o edifício destinado à sede da Societa Italiana di Mutuo Soccorso XX Settembre, em Santo Amaro.

 

Aparece dentro da ajuda aos italianos a beneficência, modelo gerador para os imigrantes de nacionalidades diversas e a italiana não fugiu à regra, como existiu o Hospital Humberto Primo, na região da Avenida Paulista, idealizado pela família Matarazzo. Não com a dimensão desta sociedade de socorro aos italianos, foi incorporado em Santo Amaro, algo que estava organizado como benefício hospitalar, agregado a Societá Italiana di Mutuo Soccorso XX Settembre.

A Societá Italiana di Beneficenza i Mutuo Soccorso

 

Está sociedade foi fundada em 1898 com o objetivo de proporcionar aos seus associados assistência médica, monetária e funerária, cuidando de residentes italianos ou seus descendentes residentes em Santo Amaro. A sede social foi instalada à rua Dr Antonio Bento, 113, compondo-se sua diretoria dos seguintes membros:

Presidente: Francisco Cataldo

Vice: Eurico Pongiluppe

1º secretário: Roberto Vaccaro

Vice secretário: Hugo Benatti

Tesoureiro: Angelo Tanquella

Revisores ce contas: Carlos Gasperti e Julio Benatti

Conselheiro Consultivo: Angelo De Lucia, João Robba, Domingos Lascalla e João Micelli

 

Estava instalada em boas dependências com grandes salões para atividades sociais, havendo intenção de criar-se um Conservatório destinado aos filhos dos sócios de desejassem estudar música.

Conservatório Musical de “Santo Amaro”

Este estabelecimento de ensino musical foi fundado em setembro de 1931, pelo maestro professor Giuseppe Brachetto, patrocinado pela Prefeitura Municipal na gestão do Dr Francisco Ferreira Lopes. O Conservatório funcionava nos salões da Sociedade Italiana de Santo Amaro, à Rua Antonio Bento, número 5.

Atuação “Avanguarditi” em Santo Amaro

As sociedades estrangeiras sobre controle de imigrantes durante a 2ª Guerra

Em de 1935 os jovens na Itália surgem como soldados engajados ao Estado Fascista infiltrados no momento oportuno seguindo o lema:

“Avanguardisti: vocês são a aurora da vida, vocês são a esperança da Pátria, vocês são, sobretudo, o exército de amanhã”.

Avanguardisti italiani visitam o monumento aos aviadores na Represa de Guarapiranga, Capela do Socorro, Santo Amaro.1936. Tombo- DC- 0005438-A

Os jovens do grupo dos Avanguarditi, possuíam treinamento militar avançado como em uma ação belicosa com a habilidades militares. A década de 1930 tinha toda a formação de quadro juvenil para posteriormente combaterem pelo Estado. O que nos revela que, na década de 1930, a educação militar, com prática de armas e de guerra, era cada vez mais presente no dia a dia dos Avanguardisti, que tiveram participação ainda que pequena em países onde houve imigrações italianas, e o Brasil não foi exceção.

Muitas sociedades do Eixo, Alemanha, Itália e Japão, estiveram na mira dos aliados, e muitas sociedades, ou alteraram seus nomes ou desapareceram. Esta é uma das hipóteses do desaparecimento da Sociedade Italiana de Mútuo Socorro em muitos lugares do Brasil.



Observação:

Há uma lacuna a ser preenchida, pois não encontramos ainda documentos do porquê do desaparecimento dessa sociedade em questão, de grande interesse pela historiografia italiana em Santo Amaro. Se porventura aqueles que estudam a região souber o motivo, favor colabora com tão preciosa informação!

 

 

Ref. Bibliográficas:

Caldeira, João Netto. Álbum de Santo Amaro. São Paulo: Ed. Organização Cruzeiro so Sul. Bentivegna & Netto. 1935

Guerra, Juvencio; Guerra  Jurandyr. Almanack Commemorativo do 1º Centenario do Municipio de Santo Amaro. São Paulo: Estabelecimento Graphico ROSOLILLO

Atas da Câmara Municipal de Santo Amaro. Arquivo Histórico Municipal Washington Luís

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Por que do nome Chácara Narcisa, atual Alfomares, no Alto da Boa Vista, em Santo Amaro/São Paulo?

O porquê de chamar-se Chácara Narcisa antes de ser Alfomares?

Paulo de Souza Queiroz, que era proprietário da Chácara Narcisa, em Santo Amaro, nasceu em 1852, em Brussels, na Bélgica, e era filho do barão de Limeira e, portanto, sobrinho do barão de Souza Queiroz. Bacharel em direito, ocupou importantes cargos no início da República, tornando-se chefe de polícia da Capital. Foi senador estadual e mais tarde deputado federal pelo Partido Republicano Paulista, cargo que exerceu de 1894 a 1896, quando foi convidado por Campos Salles, então Presidente (termo à época para governador) do Estado, para secretário da Fazenda, e nesse posto permaneceu até 1897. Paulo de Souza Queiroz Faleceu em 28 de agosto de 1934 e não consta na genealogia descendência.

Foi casado com Narcisa Candida de Andrada.

Narcisa Candida de Andrada, recebeu o nome de casada, Narcisa Andrada de Sousa Queiroz, e era filha do conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, o Moço, que era casado com sua prima, Adelaide Eugênia da Costa Aguiar de Andrada em primeiras núpcias e após o seu falecimento casou-se em segundas núpcias com Rafaela de Souza Aguiar Gurgel do Amaral.

Do primeiro casamento José Bonifácio de Andrada e Silva, o Moço, teve os seguintes filhos: José Bonifácio, Martim Francisco, Narcisa, Maria Flora e Gabriela.

Portanto a Chácara Alfomares, no Alto da Boa Vista, em Santo Amaro, São Paulo, recebeu primeiramente o nome de Chácara Narcisa, que era o primeiro nome de batismo da esposa de Paulo de Souza Queiroz.


Residência do casal, que aparece como referência no “Almanack Commemorativo do 1º Centenário do Município de Santo Amaro”, organizado e publicado por Juvencio e Jurandyr Guerra, 1932.

 


Única referência jornalística, por enquanto, onde foi encontrado o nome Chácara Narcisa; O Estado de São Paulo, 10 de setembro de 1960

 

Obs.: Em pesquisa mais aprofundada, aceita-se informações do caso. Sujeito a revisão futura, sem prévio aviso.

 

Fontes:

http://www.genealogiahistoria.com.br/index_baroesviscondes.asp?categoria=3&ca

https://dicionarioderuas.prefeitura.sp.gov.br/

O Chafariz da Misericórdia, o Primeiro Chafariz Público de São Paulo voltou em 2020

MISTÉRIO

O chafariz do Largo da Misericórdia, voltou no final do ano de 2020, uma obra antiga que existiu em São Paulo e foi removido definitivamente em 1903 e agora reaparece do nada, no lugar em que estava edificado anteriormente!!!

O Chafariz da Misericórdia

Foto de 1862 e atual (dezembro de 2020)

O Chafariz da Misericórdia, foi erguido em 1793, no governo do Capitão Geral de São Paulo, governador da capitania, Bernardo José de Lorena que contratou o astrônomo e geógrafo português Bento Sanches D’Orta, em 1791, para analisar a qualidade da água para consumo público em São Paulo. Localizava-se no cruzamento das atuais ruas Quintino Bocaiuva[1], Direita[2] e Álvares Penteado[3], no Centro de São Paulo. Era uma construção de pedra , edificado por Joaquim Pinto de Oliveira Tebas e foi o primeiro chafariz público de São Paulo, com 4 torneiras.

O historiador Nuto Santana escreveu que a pedra veio de Santo Amaro.

Foi desmontado em 1886 e transferido para o Largo de Santa Cecília (de onde seria removido em 1903).

Na esquina da Rua Direita existia também a Igreja da Misericórdia, que pertenceu à Irmandade da Misericórdia, esta prevalece ainda como Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. 


Localização da Igreja da Misericódia: PLANTA DA CIDADE DE SÃO PAULO EM 1868

Estava localizada na esquina da Rua Direita, em São Paulo, em sentido da Praça da Sé. Foi construída por volta de 1608 e reedificada neste local em 1716 pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia e destruída em 1886, para dar espaço à expansão do centro da cidade. Ali fora instalada a Santa Casa, que praticava caridade sendo um centro de filantropia aos carentes.
Proclamas da Câmara eram afixados em frente à igreja para onde afluíam muitas pessoas e que se tornou o centro de atração do núcleo urbano ao longo dos séculos XVIII e XIX. As atividades religiosas tinham o poder de congregar os paroquianos nas missas dominicais e em procissões obrigatórias.

O chafariz era um ponto de encontro de pessoas onde se informavam sobre vários assuntos enquanto se recolhiam a água para transporte ou simplesmente por “servidão pública” se saciar algum sedento de passagem, embora houvesse uma escassez de água que incomodava à épocaEm 1886, com a demolição da Igreja da Misericórdia o chafariz foi deslocado para o Largo de Santa Cecília, com a transferência da Santa Casa para essa região.

No lugar da igreja demolida foi construído, para renda da Misericórdia, o atual edifício "Ouro para São Paulo", com o ouro arrecadado para apoiar a Revolução Constitucionalista de 1932.

Vide mais sobre o assunto do chafariz em:

O Chafariz do Largo da Misericórdia em São Paulo em granito doado pela Vila de Santo Amaro! Será?

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2019/02/o-chafariz-do-largo-da-misericordia-em.html

A Igreja e o Chafariz da Misericórdia na Cidade de São Paulo

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2014/11/a-igreja-e-o-chafariz-da-misericordia.html

Joaquim Pinto de Oliveira, ou o "Tebas Construtor do século 18"

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2020/11/joaquim-pinto-de-oliveira-ou-o-tebas.html

https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,o-largo-da-misericordia,530573



[1] Rua do Príncipe, atual rua Quintino Bocaiúva

A rua Quintino Bocaiúva chamou-se primitivamente "rua do padre Tomé Pinto" (pois lá morava em 1765 o Cônego Tomé Pinto Guedes) e depois passou a se chamar “rua da Cruz Preta”, porque lá havia uma cruz pintada de preto que era muito cultuada pelo povo. Uma certa noite, os estudantes da Faculdade de Direito resolveram pilheriar, roubando a cruz de seu lugar e jogando-a no rio. Depois recebeu o nome de “rua do Príncipe”. Com a morte de Quintino Bocaiúva, em 1912, passou a homenageá-lo com seu nome até hoje.

[2] Rua Direita (porque ia pela rua sempre reta (Direita) passando pela Igreja da Misericórdia e a Igreja Santo Antônio, na atual Praça Patriarca)

Um dos mais antigos logradouros da cidade de São Paulo, a Rua Direita foi aberta ainda no século XVI com o intuito de fazer a ligação do centro da cidade com a antiga estrada que levava à aldeia indígena de Pinheiros. Naquela época, ela iniciava-se no “Largo da Sé” e seguia em direção ao “Piques” (atual largo da Memória e Praça da Bandeira). Ali iniciava a antiga Estrada de Sorocaba (atual Rua da Consolação) que levava até Pinheiros. Já em 1638 encontramos referências de sua existência na malha urbana. Naquela época ela era conhecida como “Rua que vai para Santo Antônio”, numa clara alusão à Igreja de Santo Antonio, localizada hoje na Praça do Patriarca. Mais tarde, ela passou a ser conhecida como “Rua Direita da Misericórdia para Santo Antônio” numa referência à Igreja da Misericórdia (hoje demolida) que se localizava no “Largo da Misericórdia”. Encontramos também para ela o nome de “Direita de Santo Antônio”. De qualquer modo, a origem do nome “Direita” estava sempre ligada a uma Igreja, seja a da Misericórdia, seja a de Santo Antônio. Neste caso, temos aqui uma referência da tradição portuguesa de denominar as ruas principais de cada cidade como iniciando-se “à Direita” da porta principal de cada templo. Curiosidades: No dia 11/12/1891, cinco vereadores aprovaram uma indicação substituindo o nome da "Rua Direita" para "Rua D. Pedro de Alcântara". Mas, na sessão do dia 18/12/1891, esta decisão foi anulada. Através da Resolução nº 82 de 12/03/1897, a Câmara Municipal novamente substituiu o nome da "Rua Direita" para "Rua Marechal Floriano Peixoto". Porém, no dia 28/08/1899 (Lei nº 416), a denominação "Direita" foi restaurada. 

[3] Rua do Comércio, atual rua Álvares Penteado

A Rua Alvares Penteado corresponde a um trecho entre o Largo da Misericórdia e a atual Rua da Quitanda. Antes de 1907, ela era designada como Rua do Comércio, mas para homenagear o Conde Antônio Alvares Leite Penteado, passou a chamar-se apenas Alvares Penteado. A rua era conhecida por ser uma das mais habitadas na cidade de São Paulo no início do século vinte.

 

ALFOnso MARtín EScudero=ALFOMARES

Alfomares é uma gleba de terra de mais de 60 mil metros quadrados, incrustada no Alto da Boa Vista, em Santo Amaro, São Paulo, e que pertenceu a Dom Alfonso Martín Escudero, cidadão de Espanha, nascido em 10 de junho de 1901. De família grande para ajudar seu pai que era telegrafista, bem cedo o rapaz Alfonso, pelas necessidades econômicas da época, foi trabalhar como representante de tecidos, até que depois de muito tempo e trabalho, adquirindo conhecimento no ramo têxtil, afirmou-se no ramo e participou de uma sociedade para atacado de tecidos em La Coruña. Desposou Lucia Lavandera Espina, falecida em 21 de julho de 1979, sendo que o casal não deixou descendentes diretos.

Resolveu Alfonso interromper seu lucrativo negócio na Espanha, de prospecção de minério da Minas de Hierro Alfomelo Sociedad Limitada, além de uma subsidiária de transporte de minério “Transporte de Minas”, e a participação na CUPA Piedras Sociedad Limitada, amealhou pelos negócios capital suficiente para “tentar a vida” na América. Empreende viagem rumo ao outro lado do Atlântico estabelecendo-se primeiramente em Cuba.
Com a transição política de Cuba convulsionada pelas condições sociais que culminou com a revolução para depor Fugêncio Batista, alterou seu percurso novamente, optando pelo Brasil, estabelecendo-se em São Paulo em 1955, reduto de imigração europeia onde já havia algumas indústrias espanholas que ampliavam seu campo de desenvolvimento e garantindo capitais fortalecidos fora de Espanha.
Para aplicar parte de seu capital adquiriu ações do Banco do Estado de São Paulo, que lhe deu ampla visão do modelo econômico e comercial aplicado no país, na transição politica de desenvolvimento onde as conturbações do período Getúlio Vargas estavam controladas, advindo para o governo JK visionário da expansão do país num plano de trabalho de fomentar o tardio desenvolvimento rumo ao progresso, assumindo construir 50 anos em 5, que proporcionava a quaisquer investidores subsídios para aplicação de capitais há lucros vultuosos. Nesta cena do mercado que exigia pujança e arrocho para investir, Alfonso, funda o Banco Alfomares, se tornando presidente do Conselho Administrativo Don Alfonso Martin Escudero, em São Paulo e que em 1968 que foi adquirido pelo BANESTADO do Paraná.
Alfonso Martín Escudero podia-se classificar como um Mecenas sempre pronto a colaborar com entidades de cunho filantrópico, tanto que em 1957 cria a fundação privada com aval do Ministério da Educação e Ciência da Espanha, pois sempre tinha admiração por aqueles que detinham conhecimento, talvez devido às condições adversas que ele havia passado e que não proporcionou recursos econômicos para aplicar em sua formação. Deste modo foi criado a “Fundação Alfonso Martín Escudero”, em Madrid, na Avenida do Brasil, classificada como benéfico-docente (Registro de Fundações nº MAD-1-2-105) para incentivo dos vários ramos científicos e ainda inserir o homem no campo de trabalho.
Falecido em 02 de março de 1990 seus bens passaram a integrar como propriedade da fundação , mas ocorreu inesperada situação que havia uma reclamante do referido espólio, por ser adotada legalmente, Blanca Antonia Martín Escudero, que residia na Espanha, país que não reconhecia direito sucessório em adoção simples, mas no Brasil sim, e o fato adoção ficou reconhecido o direito ao imóvel da Rua Fraternidade, no Alto da Boa Vista, em Santo Amaro
Eis a questão “mal resolvida” que se precisa resolver!!!

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Joaquim Pinto de Oliveira, ou o "Tebas Construtor do século 18"

São Paulo era uma cidade de passagem, sem muitos atrativos como Rio de Janeiro, Bahia ou Recife. Seus recursos parcos faziam que as casas e outros edifícios fossem construídos com o que se tinha à mão, ou seja, barro e paus recolhidos nas matas que deram origem as construções de “sopapos”, ou seja, uma armação de varas entrelaçadas preenchidas com barro para a formação das paredes. Mais tarde essa técnica foi evoluindo constituindo as armações de taipa, de paredes grossas, por vezes mais de um metro de espessura, piladas, levando por vezes pedras que compunham com o barro essa estrutura, resultando o que comumente chamamos de taipa de pilão.  

 Tebas nasceu em 1721, na cidade de Santos, em São Paulo, sendo seu senhor Bento de Oliveira Lima, português mestre de obras da região. Foi com ele que Tebas teve seus primeiros ensinamentos de pedreiro. Ambos subiram a serra em busca de serviço na cidade de São Paulo em 1740.

Por volta de 1750, Tebas ganhou fama em seu ofício de construtor, sendo o responsável na cidade de São Paulo pela construção do Chafariz de Tebas, no Largo da Misericórdia (1793), sua obra mais conhecida, de fachadas das principais igrejas paulistanas da época, como a da Ordem Terceira do Carmo (1775-1776), a do Mosteiro de São Bento (1766 e 1798), a da velha Catedral da Sé (1778), a da Ordem Terceira do Seráfico São Francisco (1783).

Antiga Igreja Matriz da Sé. Tebas construiu a torre em 1750 e executou a reforma do prédio entre 1777 e 1778

Alforriado entre 1777 e 1778, aos 57 anos de idade, Tebas morreu no dia 11 de janeiro de 1811. O velório e o sepultamento foram realizados na Igreja de São Gonçalo, na Praça João Mendes.

 Uma curiosidade sobre o arquiteto

 No século XVIII, enquanto construíam a primeira catedral da Sé, em São Paulo, Tebas passava um bom tempo observando as obras. Intrigado com a curiosidade do escravo, o padre Justino, capelão do Convento do Carmo, perguntou-lhe o motivo dele estar ali. Tebas retribuiu com outra pergunta: Cadê a torre? o padre Justino disse que não havia nenhum construtor capaz de erguer tal torre. Tebas, que dominava a técnica de taipa e pilão, entendia de alvenaria e hidráulica, se dispôs a construí-la, sob duas condições: receber sua carta de alforria e que o primeiro casamento da catedral fosse o dele. E, em 1755, ficou pronta a primeira catedral da Sé, com a torre construída por Tebas. 

                                                   O Chafariz da Misericórdia

 Ali fora instalado em 1793 o Chafariz da Misericórdia, no governo do Capitão Geral de São Paulo, governador da capitania, Bernardo José de Lorena que contratou o astrônomo e geógrafo português Bento Sanches D’Orta, em 1791, para analisar a qualidade da água para consumo público em São Paulo, que possuía alto índice de insalubridade, mas nenhuma providência foi tomada para melhoria de sua qualidade. 

A construção do chafariz ficou a cargo do mestre de obras, alforriado por seu senhor, Joaquim Pinto de Oliveira Tebas, contratado como jornaleiro por 600 réis, para edificar em pedra de quatro lados para abastecer a sedenta população sendo o primeiro chafariz público da cidade de São Paulo.

 

Igreja e Chafariz da Misericórdia (Chafariz do Tebas)

Desenho de José Wasth Rodrigues

 Consta ainda como referência, embora a comprovação seja remota, que a pedra fora trazida dos arredores de Santo Amaro, conforme citação do historiador Silvério de Arruda Sant’ Anna, que era conhecido pelo pseudônimo de Nuto Santana. Há de se ter em mente que Santo Amaro em seu núcleo histórico da citada Vila, não possui prospecção de minério, logo se há nisso um cunho de verdade o granito que deu origem ao chafariz em São Paulo, seja algo proveniente das periferias que deram na atualidade novas cidades como Itapecerica da Serra ou Embu das Artes, antes denominada simplesmente de M’ Boy.

O Chafariz da Misericórdia, também conhecido como Chafariz do Tebas, era abastecido das águas que afluíam da formação na nascente do ribeirão Anhangabaú, que ficava no antigo Morro do Caaguaçu, onde na atualidade se situa a Avenida Paulista, na região do Paraíso. As águas eram recolhidas em barricas e depois transportadas para as residências locais por cativos que serviam seus senhores ou por homens livres denominados “aguadeiros” que se serviam deste afazer diário ao preço de 40 réis o barril de 20 litros em pipas carregadas por carroças de burros, podendo encarecer dependendo da dificuldade de fornecimento da água.

 









Hoje, 20 de novembro de 2020, Dia da Consciência Negra, Tebas Arquiteto, recebe justa homenagem com a inauguração da obra na praça Clóvis Beviláqua, em São Paulo, dos artistas plásticos Francine Moura e Lumumba Afroindígena.


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

60 ANOS DA PARÓQUIA SÃO LUIZ GONZAGA: 30 DE OUTUBRO DE 2020 (Bairro Jardim São Luiz/SP)

 De Capela à Paróquia

Em 27 de abril de 1957 foi gravado em ata as resoluções da assembleia inaugural da Comissão para construção de uma Paróquia no bairro Jardim São Luiz, pois a capela existente já estava pequena para o grande número de fiéis. O primeiro presidente da Comissão foi Zacharias de Paula e Silva.

A capela provisória recebeu o andor que continha a imagem de São Luiz Gonzaga, ornado para acolher todo o povo do local e dos arrabaldes. Nos festejos participou até uma das mais tradicionais bandas de Santo Amaro, a Corporação Musical de Santo Amaro, com “uma alvorada de fogos de estouro”. Consta em ata lavrada pelos membros de comissão: “A imagem de São Luiz foi comprada à prestação no valor de um mil e trezentos cruzeiros, sendo quinhentos cruzeiros de entrada e o restante em pequenas prestações mensais de trezentos cruzeiros”.

A capela teve zeladoria a cargo das senhoras Ana Luiza Garbieri de Freitas e Joana Molina Martins. Na ata de 10 de dezembro de 1957 consta: “comissão pró construção da Paróquia São Luiz Gonzaga, bairro do Jardim São Luiz em Santo Amaro, Paróquia Capão Redondo, sendo   ofertados pela população tijolos para erguer as primeiras paredes”.

As missas na capela provisória eram mensais e os fiéis dependiam de um padre que sempre viria do Capão Redondo. A população não era atendida pelos serviços párocos nem em dia de festas importantes. A Cúria Metropolitana de São Paulo, representada por Dom Paulo Rolim Loureiro não autorizava celebrar a Missa do Galo em uma capela.

Providências foram feitas pela Comissão criando a “Campanha para a construção da Igreja de São Luiz Gonzaga”, instituindo-se um carnê que marcava as mensalidades em prol da construção, que foram acrescidas e reforçadas com quermesses. Providenciou-se as quermesses com barracas que mantinham: leilões de prendas, quentão, casinhas numeradas para entocar um porquinho da índia assustado e espantado pelos concorrentes ao prêmio em disputa, e as argolas lançadas no gargalo d’alguma garrafa e aparada por um toco quadrado ao fundo da mesma onde a argola deveria vencer apoiando-se na mesa e fazendo jus ao prêmio disputado. A quermesse também contava com a série de números de um bingo competitivo, as barracas das bebidas e churrasco.

Além dos esforços da comunidade local, a Comissão também buscou apoio externo. A Light and Power Company Ltd., cedeu cinquenta metros cúbicos de areia das margens do então limpo Rio Pinheiros, correndo o transporte por conta da Comissão, que teve custo de Cr$ 3.600,00 (três mil e seiscentos cruzeiros).

Em 2 de fevereiro de 1958 o membro da comissão sr. Vitório Libone trouxe até a capela o chefe de gabinete do prefeito Adhemar Pereira Barros, o sr. Arlindo Rodrigues. Este demonstrou interesse em criar benfeitorias no bairro. Havia a necessidade de infraestrutura e era preciso envolver os poderes públicos, tanto a prefeitura paulistana quanto o governador em exercício, Jânio da Silva Quadros.

Na ata do dia 21 de agosto de 1958 constava o pedido para se demolir a capela provisória.

Locomover-se para igreja era difícil, pois situa-se no alto do morro e as pessoas contornavam pelas ruas vizinhas para chegar até ela.  Ainda em 1959, a comunidade, a comissão e a Sociedade Paulistana de Terrenos, que loteou o bairro São Luiz, prontificaram-se arrumar a escadaria da igreja para facilitar o acesso dos moradores e paroquianos.

A ata de 10 de setembro de 1959, menciona a aquisição do telhado da igreja no valor de Cr$ 58.500,00 (cinquenta e oito mil e oitocentos cruzeiros), conseguidos para completar a cobertura em 25 de outubro de 1959 da futura Paróquia São Luiz Gonzaga.

A igreja firmava-se como condição prioritária no desenvolvimento do bairro e os padres Joel Ivo Catapan, do Seminário Verbo Divino, na Chácara Santo Antonio e Fabiano S. Cochel da Paróquia Capão Redondo assumiram a causa apoiados por uma comissão bem estruturada.

Em 1960 o bispo auxiliar de São Paulo, Dom Paulo Rolim Loureiro, comunicava que a igreja do Jardim São Luiz seria elevada à categoria de paróquia. Em 30 de outubro de 1960 a capela do Jardim São Luiz foi elevada à Paróquia, pelo bispo Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta que posteriormente nomeou interinamente o padre Fabiano S. Cochel, vigário da paróquia São Luiz Gonzaga. O padre que assumiu a Paróquia após Fabiano Cochel foi Avedis Kherlakian. O pároco e vigário Edmundo as Mata é um capítulo à parte, com 56 anos de atividade contínua na Paróquia São Luiz Gonzaga, que já expusemos anteriormente, foi o responsável pela construção da nova matriz do Jardim São Luiz.

Imagens da solenidade