sexta-feira, 23 de setembro de 2022

AS URNAS ELETRÔNICAS E MINHA MÃE CURTINDO, COMENTANDO E COMPARTILHANDO

 As eleições sem urnas eletrônicas

Isso me lembra a época de eleição das antigas, quando não tinha essas maquininhas tipo caça níquel e eram cédulas para você colocar o nome do candidato “menos ruim” daquele tempo.

Minha mãe cumprindo religiosamente o “ato cívico obrigatório democrático” ia sempre votar, nunca faltou à seção do colégio da região.

Ela tinha suas preferências, que não coincidiam com as minhas e dizia por que eu não votava no candidato dela dizendo: “O que ele fez pra você para você nunca votar nele”?

Eu ria e ela se zangava, mas meu pai falava para não arrumar encrenca por causa disso, pois nenhum político se importaria com o eleitor e nem viria apartar a briga minha com a mãe.

Meu pai era sábio, calmo toda vida, tirar o velho do sério era impossível, quando ele não gostava de algo, saia de fininho pedindo licença, mas minha mãe era uma “pilha ligada direto no 220 volts” e para ela o candidato certo era o que ela tinha votado e pronto.


Uma vez, em uma dessas eleições com cédulas, passou na televisão o que não poderia ser feito de jeito nenhum, e eis que apareceu a cédula com a letra de minha mãe escrito:

 Deus te ajude!

Minha mãe tinha uma caligrafia bem-feita, toda desenhada era inconfundível, ela vendo a imagem televisiva comentava:

“Fui eu, fui eu...!!!”

Meu pai passivamente e pacificamente só balançava a cabeça dando um sorriso maroto.

Então a repórter disse: “Votos com alguma coisa escrita serão todos anulados”!

Minha mãe não se conformava de anularem o voto dela só porque tinha escrito “Deus te ajude”!

Se Deus ajudou o candidato dela não sei dizer, mas em eleições lembro-me sempre dessa passagem e ela no infinito deve lembrar-se também.


Hoje recordando fico imaginando que as urnas eletrônicas tinham que ter, curtir, comentar e compartilhar, seria o máximo para minha mãe...

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

A Independência do Brasil graças a Napoleão Bonaparte no vem e vai de Dom João

....quando penso no início do século 19, o século das grandes transformações e revoluções, não sei o motivo porque enxergo Napoleão Bonaparte e a “GRANDE FUGA” preparada de 1807/1808 de Portugal pelos ingleses, com um contingente de 15 mil pessoas fugindo da Metrópole indo para um Colônia, única onde uma soberana, rainha Maria I, que de louca não tinha nada, e sim piedosa, onde sua loucura hoje pode-se rotular de “depressão” (eis um mote bom para psiquiatras e historiadores pesquisarem!!!) e seu filho regente europeu aventurou-se conhecer, por força da necessidade, com toda a família e seu séquito mantenedor de seu reino, apoiado pela Inglaterra “protetora” de Portugal, com seus grande$ interesses.

Tornou-se o Brasil parte da Europa com o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, onde o rei de Portugal coroado no Brasil, com a morte da mãe, logo se viu forçado a voltar a Metrópole em 1821, com o risco de perdê-la, deixou seu filho português a “tomar conta das terras”, influenciando-o a assumir o Brasil, como seu império. A estrutura estatal ficou instalada no Rio, com mais de 2/3 dos que vieram na fuga fugindo de Napoleão, com a derrota deste em Waterloo em 1815 pelas forças aliadas da Inglaterra, que morreu em 1821. (foi só coincidência da data de 1821 ser a volta de Dom João 6º e a morte do "corso" francês)
Esse retorno do rei para Portugal foi o verdadeiro “Dia do Fico”, e como Dom João chegando na Barra do Tejo no dia 3 de julho em Lisboa, (partiu do Brasil em 26 de abril, viagenzinha demorada!!! ) teve que jurar uma constituição portuguesa com a Revolução Liberal, (vide quadro do que supôs ser a Sessão das cortes de Lisboa, em quadro de Oscar Pereira da Silva) pressentiu que seu reino estava em risco, e orientou o filho a assumir uma coroa...começou deste modo a independência do Brasil, claro apoiada pela Inglaterra.
O conselho do pai foi seguido à risca pelo filho:
“Pedro, o Brasil brevemente se separará de Portugal: se assim for, põe a coroa sobre tua cabeça, antes que algum aventureiro lance mão dela."!
Viva a Independência imperativa do Brasil!!!

terça-feira, 6 de setembro de 2022

O Museu Paulista e o Mito Fundador: Não destruir o que existe, mas construir o que falta!


1895 A 1890: 5 ANOS DE CONSTRUÇÃO
2013 a 2022: 9 ANOS DE REFORMAS
No local onde foi proclamada a Independência do Brasil foi edificado o Monumento do Ipiranga construído pelo governo provincial, e governo imperial para registro da Independência do Brasil, no bairro paulistano do Ipiranga.
As primeiras tentativas de criação de um monumento comemorativo datam de 1824. O edifício iniciou-se em 1885, sem atribuição de uso definida para a edificação. Haviam várias propostas voltadas para a áreas educacional. Vindo a Proclamação da República, decidiu-se em 1893 por transformá-lo em museu, na visão da Era dos Museus, tão em voga na Europa, que se tornaria o Museu Paulista, popularmente mais conhecido por Museu do Ipiranga.
A construção ficou a cargo do arquiteto e engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, contratado em 1884 para realizar o projeto de um monumento-edifício no local onde aconteceu o evento histórico da Independência do Brasil, em 1822.
O edifício começou a ser construído em 1885 e contando com 123 metros de comprimento e 16 metros de profundidade.
As obras encerraram-se em 15 de novembro de 1890, no primeiro aniversário da República. Cinco anos mais tarde, foi criado o Museu de Ciências Naturais, que se transformou no Museu Paulista.
O acervo foi formado a partir de duas grandes coleções de objetos: a coleção do coronel Sertório, que já representava o “Museu Sertório”; e a coleção do Museu Provincial de São Paulo, reunidas pouco antes de 1890, a partir de peças do Museu Sertório, comprado pelo Conselheiro Francisco de Paula Mayrink, que doou a coleção para o Governo de São Paulo, com o intuito de se constituir-se um museu com caráter de instituição científica.
O Museu Paulista, teve no início como seu diretor, o botânico sueco Alberto Loefgren, que já havia sido contratado por Joaquim Sertório, para catalogar e organizar o acervo.
Deste modo o “Museu Sertório”, que era uma coleção particular do Coronel Joaquim Sertório, constituiu o primeiro acervo do Museu Paulista.
Em 1891, no dia sete de abril, foi idealizado o Museu do Estado, que respondia à Comissão Geográfica e Geológica, sob a gestão interina do botânico Alberto Loefgren. Logo depois, o diretor da Comissão Geográfica e Geológica, Orville A. Derby, solicitou a criação de uma ala zoológica da Comissão, onde Hermann von Ihering foi designado responsável pela área, a partir de maio de 1893.
O Governo instituíu a lei nº. 192 de 26 de agosto de 1893, que determinava que o museu deveria ser situado no Monumento do Ipiranga, e a lei nº. 200 de 29 de agosto de 1893, que renomeou o espaço como Museu Paulista e o transformou em uma organização independente e subordinada à Secretaria do Interior.
Em 7 de setembro de 1895, em cerimônia solene, o Museu Paulista foi inaugurado com as coleções Sertório e Pessanha.
O Museu Paulista foi, em seu primeiro momento um espaço destinado à história natural e local da história da pátria brasileira. Dessa forma, dentre o vasto acervo de espécimes naturais, também foi formada uma coleção de objetos históricos.
Nos últimos dez anos, diversas teses e textos foram escritos sobre o Museu Paulista, tendo, em sua maioria, como centro a gestão de de Hermann von Ihering e sua priorização em relação à História Natural.
Hermann Friedrich Albrecht von Ihering (1850-1930-Alemanha)
Professor famoso no Instituto Zoológico de Göttingen, conhecido nos círculos científicos chegou ao Brasil em 1880, aos 30 anos de idade, após casar-se com Anna Maria Clarz Belzer Wolf (1846 - 1906), no dia 26 de abril 1880.
Dentre os diversos motivos pessoais e profissionais que influenciaram a vinda de Hermann para o Brasil, estavam o ambiente competitivo do campo zoológico na Alemanha e a ausência de locais de trabalho. Chegou ao Rio Grande do Sul, para se dedicar às pesquisas patrocinadas pelo governo imperial, em 1880, até a data de encarregar-se do Museu Paulista, na cidade de São Paulo.
O museu foi inaugurado oficialmente em 7 de setembro de 1895 com o nome Museu de História Natural.
Em 1909, o paisagista belga Arsênio Puttemans executou os jardins ao redor do edifício, substituído, provavelmente na década de 1920, pelo paisagismo do alemão Reynaldo Dierberger, desenho que se mantém, em sua maior parte, até os dias atuais.
Affonso d'Escragnolle Taunay dirigiu o Museu Paulista de 1917 a 1945, quando boa parte do acervo primitivo foi transferida para o Departamento de Zoologia da Secretaria de Agricultura, para formar o Museu de Zoologia da USP, também no bairro do Ipiranga. Com sua administração o museu incorporou um perfil de museu no campo da história nacional.
Atualmente o Museu Paulista está vinculado à Universidade de São Paulo desde 1963.
Uma reforma de quase uma década: 2013 a 2022
Em 3 de agosto de 2013 houve o fechamento das portas do Edifício do Museu, para visitação pública, para reforma e ampliação do espaço.
Valores com adendos acrescidos nos valores de restauro foram, conforme fontes anunciadas, um montante de $ 235 milhões de reais.
Jardins:
Em 1909, o paisagista belga Arsênio Puttemans executou os jardins ao redor do edifício. Este desenho de jardim foi substituído, provavelmente na década de 1920, pelo paisagismo do alemão Reynaldo Dierberger, desenho que se mantém, em sua maior parte, reformado nos dias atuais, mantendo-se suas dimensões de então.
Os gastos atuais com o jardim, financiados por aportes do governo estadual, foram de $ 19 milhões de reais.
O museu será reaberto para grupo seleto em 7 de setembro de 2022 em comemoração ao Bicentenário da Independência político-administrativa do Brasil!
A "instituição" poderá ser visitada pelo público em geral, em 8 de setembro...em diante!
CAMPBELL, Joseph. O Poder do Mito, Editora Palas Athena, São Paulo, 1990.
Cronologia detalhada do restauro do Museu do Ipiranga https://museudoipiranga2022.org.br/cronologia-detalhada/
Fotos em vários momentos: acervo em pesquisa e pessoal!





























“Orçamento Secreto Pras Outras Coisas Secretas”, das Eleições ao Futebol!

Vi na TV que tem um tal de orçamento secreto!
O que é isso?
Bem, parece que é uma emenda.
Putz, complicou!
É uma grana política que não se sabe quanto é!
É só pra político?
É, chamam de repasse!
Tipo futebol?
Não entendo de futebol!
No futebol um passa pro outro a “bola”!
É mais ou menos isso, passando a “bola”.
Política faz parte de nossa vida!
Eu não entendo de política!
A política é para o “bem” do povo!!!
Esse negócio de emenda funciona “bem”?
Pegam a grana e dão para as bases.
Eu posso ser uma base?
Não a base é pra outros políticos.
Oxê, então um político passa pra outro político?
Correto, isso mesmo!
E depois, o que acontece?
Vão repassando, até acabar a grana!
Como acaba toda essa grana secreta?
Falam que é pra educação, saúde e outras coisas.
Entendi, então vai pra "outras coisas secretas"!
Você entendeu “bem” mesmo!!!
Claro, entendi “bem” esse tal de orçamento secreto.
É mais fácil que entender de futebol, né.
Entendi bem...a grana vai sempre pras “outras coisas”!!!
Você entendeu realmente o orçamento para o “bem” do povo...
Verdade, o voto também é secreto, como esse orçamento!
Esse ano tem eleição para escolher “bem” os políticos!
Hoje tem futebol...faz parte de nossa vida!!!
Parece que futebol não tem muito segredo...
Muito “bem”, vamos lá, está “bem” na hora...
Logo o povo fica sabendo tudo sobre esse jogo de bola!!!
Tchau!!!

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Fragmento de um Bairro Cheio de História Paulistana: Ipiranga

São Paulo, possui ainda algumas nuances do passado, presente em obras escondidas por entre novo conceito de urbanismo contemporâneo.

No Ipiranga, nos deparamos com uma dessas joias raras que nos espanta, em ter sido conservada antes da chegada da “máquina do progresso”. Sempre que nos deparamos com essas “obras de arte” encrustada por entre prédios atuais, perguntamos no nosso íntimo, quem era o morador da residência que admiramos em determinado tempo.
Na maioria das vezes não encontramos a história desse legado de família que participou do desenvolvimento da cidade, ficando a frustração do desconhecimento histórico daquele imóvel que por algum instante foi vibrante em todo contexto local. A casa a que nos referimos, situada na Avenida Nazaré, 366, Ipiranga, é uma obra prima que a ótica não nos deixa passar sem registrar todo esse vislumbre que nos fez parar para admirá-la. Arquivada na lente da câmera fotográfica, voltamos de onde partimos e fomos pesquisar o que ela representou para a cidade de São Paulo. A casa da Avenida Nazaré, 366, Ipiranga, São Paulo, consta ter sido a primeira edificação residencial construída em 1916, da referida avenida por Tito Oliani.





Se a casa parece imponente e de grande esplendor, imagina tal qual foi a surpresa ao saber que a casa foi residência familiar do maestro Fúrio Franceschini. Se a casa parecia de grande importância, descobrimos ter maior importância seu proprietário.
Citamos abaixo quem era o ilustre dono da casa, o Maestro Furio Franceschini, pequeno fragmento do que foi toda sua grande obra, com a vibração cultural emanada no interior da casa.
Furio Francischini nasceu em Roma em 04 de abril de 1880. Seu primeiro mestre foi seu pai Filippo Franceschini, professor do Conservatório de Roma da Real Academia de Santa Cecília. Estudou naquela Academia e na Escola Superior de Música em Roma, onde se diplomou com distinção. Estudou ainda em Paris onde teve por mestre J. Mouquet e na Escola de Solesmes estudou canto gregoriano com D. André Mocquereau.
Em 1904 no Rio de Janeiro era regente auxiliar da companhia lírica. Resolveu ficar. Fixou residência em São Paulo, onde permaneceu até morrer. Foi professor de música sacra e canto gregoriano no Seminário Central de São Paulo. Considerado como o maior organista do Brasil deixou como sucessor seu brilhante aluno: o organista Angelo Camin. Suas obras: "Curso de Análise Musical", "Compêndio de Canto Gregoriano" e algumas monografias. Foi autor de mais de 400 peças entre missas e cânticos sacros. Não aceitou convites para substituir seu professor Filippe Capocci como mestre de Capela da Arquibasílica de São João de Latrão e para ser auxiliar de D. Lorenzo Perosi e Mons. Rella na Capela Sistina. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Música instituída por Vila Lobos. Suas obras musicais importantes foram: "Paixão segundo São João", de Bach, missas de Palestrina, composta Missa "Cristo Rei". Faleceu em 15 de abril de 1976.
(Dicionário De Ruas)
Obs.: A Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga (FUNSAI) mantem a história do bairro do Ipiranga viva, prevê instalar na residência da Avenida Nazaré, 366, tombada pelo patrimônio histórico, que pertencia ao maestro, o Liceu de Artes Musicais Furio Franceschini, uma escola de música, com o propósito de beneficiar crianças, adolescentes e jovens.
(cred. fotos preto e branco do Maestro Furio Franceschini: Museu Vicente de Azevedo)

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Monumento e Museu Paulista (do Ipiranga), hoje, 24 de agosto de 2022

Visita não agendada!!!

Fomos ver os obreiros na restauração do Monumento a Independência e a fachada do Museu. No monumento não há cercas, acreditamos que a demanda precisa apresar-se, para fazer jus aos quase 4 milhões de reais de custo e não deu tempo de colocar tapumes para não se ver o andamento da obra.


Já o Museu será a grande madona do evento, porque está envolto em grande mistério “uspeano”, nada a declarar até o clímax do dia 7 de setembro, mas só se não for uma mídia importante, pois se for, escancara-se os portões das vaidades!

Sempre deixam algumas brechas, aliás recolher a história em São Paulo, podem ter certeza de que está cheia de “nãos” e proibições, onde o segurança, que faz seu trabalho, aliás bem-feito, tem o discurso lacônico bem decorado: “Não pode entrar, só 7 de setembro”!!! Ok, sigamos as regras do poder, que estará em palanque que já está sendo montado entre o Museu e o Monumento. 

Neste momento histórico os egrégios representantes titulares do Estado, estarão no ápice da glória, sentindo-se a cavalaria imperial tal qual em 1822, e também a massa, estará presente e será representada por aquele homem e seu carro de boi, olhando para a cavalariça no quadro fake News de Pedro Américo, o visionário pintor que na Itália imortalizou-se essa passagem segurando seu guarda-chuva, como se brandisse uma espada da vitória nesse momento raro. 

Há algum tempo desconstruí esse imponente quadro, que de verdadeiro nada consta, nem a Casa do Grito, aliás, pelo que consta na historiografia, nem o grito.

Desconstruímos na academia essa imagem, que se diga de passagem, ser considerada a obra mais importante, mas uma invenção típica de seu maior incentivador, Affonso Taunay. A Comissão do Monumento do Ipiranga, dirigida pelo conselheiro imperial Joaquim Inácio Ramalho, que contratou Pedro Américo em 1886 no valor de trinta e seis contos de réis. Estava selada a “importância” do que se pretendeu registrar para o Museu Paulista, uma ideia fundamentada no imaginário de quem detém a estrutura de poder. 

Mas, e sempre há um, mas, deixemos para lá isso, apenas conjecturas sem muita importância. O que vai valer mesmo é a festa dos 200 anos, corações batendo forte, só o de Dom Pedro que não, mas estará na cerimônia!!!

Depois irá haver eleições para o povo democraticamente no Estado de Direito, escolher os representantes da República Independente do Brasil e "depois do depois", haverá Copa do Mundo, muito futebol...a gosto do freguês!!!

Só alegria para o povo brasileiro e sua Pátria verde e amarela!!!