quinta-feira, 5 de março de 2026

O Que Foi o Feirão Coberto do Bairro Jardim São Luiz, São Paulo

Local das Feiras Livres do Bairro Jardim São Luiz, São Paulo  

No bairro Jardim São Luiz houve desde o início feiras livres em vários locais como na Rua 2, atual Rua Satulnino de Oliveira, na antiga Avenida São Luiz, atual Avenida Maria Coelho Aguiar e na Rua 25, atual Rua Dr. Octacílio de Carvalho Lopes.


No governo do prefeito Brigadeiro José Vicente de Faria Lima foram construídas feiras cobertas em terrenos municipais, para se evitar a obstrução de ruas.

A cobertura ficou conhecida como “Feirão”, construída a partir de 25 de novembro de 1968, através da empresa SERGUS Engenharia e Comércio Ltda, com o valor da obra orçada em Cr$345.279,56 cruzeiros, a moeda circulante da época, contrato número 375168, com projeto de responsabilidade do engenheiro Arnaldo Christiano e do arquiteto Carlos Egberto de Arruda Pinto.


No local do projeto original da feira havia duas residências e para se instalar o projeto piloto do “feirão” do Jardim São Luiz foi necessário desapropriar o fotógrafo “Chico” Furukawa e Dona Tereza, área localizada próxima à “Panificadora São Luiz”, no bairro Jardim São Luiz, São Paulo, que tinha a razão social T. D. Oliveira & Filhos, na antiga Rua 1, hoje Rua Geraldo Fraga de Oliveira, nº 195, com atividade iniciada em 1º de outubro de 1960.




A inauguração do “feirão coberto” aconteceu em 31 de março de 1969 com a presença de autoridades municipais da prefeitura da cidade de São Paulo. Nessa inauguração uma placa comemorativa em bronze foi fixada a uma enorme pedra extraída da “bica das lavadeiras”, uma mina de água que existe até hoje no local.


Com o passar do tempo, durante o período quando o local não servia para sua finalidade original, o galpão era usado para longas “peladas” das crianças ou a efêmera, mas atraente, Escola de Samba do saudoso Trabucão, ou da posterior “Grêmio Recreativo Esportivo Cultural Escola de Samba Mocidade Unida São Luiz” (subsidiada por um comércio emergente como o “Estacionamento Domingos”, “Supermercado Eduma” e “Gino Loterias”), que se tentou com sacrifício implantar[1]. Ali se escutou muito repique e “surdão” ao estridente comando de um apito pausado.

Enfim chegou a promessa da modernidade e a cobertura do Feirão foi derrubada na década de 1990.



Hoje, o lugar acomoda o a sede da Companhia da Força Tática da Polícia Militar de São Paulo, onde antes abrigava-se funcionários e equipamentos do serviço de manutenção municipal, responsáveis por manter limpo o feirão e as ruas adjacentes. A construção da sede da Companhia em comum acordo do governo municipal e estadual, fechou o acesso lateral da Rua Francisco Cerqueira, que era a entrada do Colégio Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva.



A feira livre estava sobre ameaça de ser retirada do seu local de origem e deste modo alguns feirantes e moradores do Jardim São Luiz foram para a Câmara Municipal de São Paulo com abaixo assinado de mais de 1500 assinaturas para que a feira permanecesse onde antes era o “Feirão Coberto”, sendo deferido o pedido de permanência das mais de 60 barracas oficializadas no local, nessa época.


Em 09 de agosto de 2007, foi inaugurada à Rua Arlindo Fraga de Oliveira, em frente a uma parte da feira do bairro, uma Agência da Caixa Econômica Federal, onde estiveram presentes autoridades de governo e recebendo às bençãos do padre Edmundo da Mata.





Muito se cogitou para que no local do Feirão se formasse um mercado modelo, mas optou-se por construir a Praça José Fernandes Camisa Nova. Em julho de 2006, com o compromisso de “Urbanização do Jardim São Luiz”, começaram as obras municipais através da Empresa de Engenharia Cosladel. A feira foi remanejada para a Rua Arraial dos Couros, rua adjacente à Praça José Fernandes Camisa Nova, onde permanece até hoje, todas às quartas-feiras e domingos.





Crônica sujeita a revisão sem prévio aviso.



Vide complemento no link:

Os feirantes mais antigos do Bairro Jardim São Luiz, quiçá de São Paulo, na ativa!

https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2017/04/os-feirantes-mais-antigos-do-bairro.html

Pioneirismo da “Panificadora São Luiz” no Bairro Jardim São Luiz/SP

https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2019/06/pioneirismo-da-panificadora-sao-luiz-no.html



[1] Depoimento do morador do Jardim São Luiz, conhecido por Cacaio, em 25 de agosto de 2007, citando ainda o apoio de Fradisney e Chapinha, este é hoje integrante do atual Samba da Vela, apresentando-se no antigo Mercado Municipal de Santo Amaro, atualmente Centro Cultural. Sobre a primeira escola dirigida pelo Trabucão, Cacaio cita seus filhos ainda presentes na região, Serginho, José Luis e Osni.


...um dia na feira



















terça-feira, 3 de março de 2026

O HOSPÍCIO DO JUQUERY/SP

RESUMO DE COMO FOI IDEALIZADO O ASILO COLÔNIA DA SUCURSAL DO JUQUERY DO HOSPÍCIO DE ALIENADOS DE SÃO PAULO E NOSSA INCURSÃO EM SUAS DEPENDÊNCIAS



A comissão de Higiene do Estado de São Paulo estudou a implantação de um segundo hospital de Alienados em substituição ao Hospital da Várzea do Carmo, em São Paulo. Essa comissão era formada pelo engenheiro Teodoro Sampaio, o médico Francisco Franco da Rocha e o botânico Alberto Loefgreen.
O projeto do Juquery foi de responsabilidade dos arquitetos Emílio Olivier e Ramos de Azevedo. Suas obras foram iniciadas em 1895, tendo sido reservado um crédito de 1.000:000$000 de réis para as obras em um terreno de 600 mil metros quadrados, com edificações, que eram divididas em alas masculinas e femininas e contava inicialmente com 800 leitos. O hospital se tornou referência nacional em psiquiatria, apesar de a especialidade naquela época representar um grande mistério para a medicina.
O Asilo de Alienados do Juquery foi inaugurado pelo doutor Francisco Franco da Rocha em 18 de maio de 1898 e encerrou as atividades em 01 de abril de 2021, com a transferência dos nove últimos pacientes que ali viviam, neste que é um capítulo triste da história, havendo então o fechamento de todos os manicômios de internação permanente existentes no Brasil. ("Lei Antimanicomial" n. 10216/2001, que redireciona o modelo de assistência em saúde mental, para tratamento em meio aberto, diverso dos ditos "hospícios" e assim o SUS criou, os CAPS "Centros de Atenção Psicossocial")

HOJE 03 DE MARÇO DE 2026 FOMOS VISITAR O LOCAL
O QUE TEM MEDO O ESTADO DE MANTER TANTA VIGILÂNCIA NESSE COMPLEXO?
RESPOSTA: ABANDONO!
A pesquisa histórica não está na cadeira por trás de um computador de uma escrivaninha em uma sala com ar-condicionado!
Pegamos o trem da CPTM de São Paulo para Jundiai e desembarcamos em Franco da Rocha para conhecer esse complexo hospitalar do Juquery desativado.
No terminal tomamos o ônibus Linha 200, que não cobra pela tarifa, e desembarcamos próximo a farmácia onde o governo estadual concede remédio a população, e há de se dizer que dentro desse complexo o atendimento médico nos parece aceitável, ao menos é o que nos disseram as pessoas que se servem desse benefício, mas não foi esse o intuito que nos levou a esse local, e sim a história desse local!
Existe o Museu Osório Cesar, nas dependências do complexo, mas infelizmente fechado!


Observamos que o local é extremamente vigiado, e nosso primeiro contato com a vigilância, foi dito que não poderíamos tirar fotos, pois o local era “um patrimônio histórico”!
Continuamos a caminhar e vimos ao longe que os seguranças estavam preocupados com nossa presença, inclusive uns avisando aos outros.
Conseguimos furar um bloqueio onde não havia a “vigilância de proibição” e não usei minha câmera fotográfica, mas sim o celular para chamar menos atenção!










Registramos alguns galpões antigos, parecendo mais prisão do que um hospital até que um descuido nosso, um dos vigilantes nos obstruiu a passagem e nos disse que não deixaria continuarmos nossa excursão pelo complexo. Acatamos depois de questionar o porquê de não ser permitido registrar, pois não estávamos delapidando o patrimônio. Retrucou que recebia ordens e nós teríamos que voltar, pelo mesmo mato alto que entramos.
Para evitar conflito acatamos, pois ele recebe ordens superiores internas, e isso faz parte do serviço dele!
Ficam as perguntas:
De quem partiu a ordem de não se permitir registros históricos do maior manicômio que se construiu no Brasil?
Afinal qual é o medo do Governo paulista?
Assim retornamos para a cidade de Franco da Rocha e votamos para casa, em São Paulo, com algumas imagens que conseguimos com alguma pericia em nome da historiografia, por demais proibida pelos órgãos de poder!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

FREI XAVIER, DA DIOCESE DE SANTO AMARO, DEU-NOS ADEUS

 



Ambrogio Fornasiero, conhecido como Frei Xavier, da Ordem dos Frades Menores, era natural de Milão, Itália, nascido em dia 5 de agosto1930, e ingressou na ordem religiosa em 11 de julho de 1947. Fez a profissão solene no dia 15 de agosto de 1948 sendo consagrado sacerdote no dia 25 de junho de 1955.

Seu passamento terreno ocorreu em 25 de janeiro de 2026, deixando a comunidade com as bençãos que sempre ofertava, como lembrou-nos o Bispo Diocesano de Santo Amaro, Dom José Negri e também presente o bispo emérito Dom Fernando Figueiredo, em missa de réquiem, do padre Xavier ocorrido em 27 de janeiro, na paróquia de Santa Rita de Cássia, em Veleiros/Interlagos, onde deixa seu legado aos jovens com o Instituto Nossa Senhora de Fátima, com meio século de compromisso social!