quarta-feira, 26 de maio de 2010

São Paulo Apaga Seu Passado

Que Cidade é Esta?

São Paulo perdeu sua vocação de produção primária, por motivos inexplicáveis; o parque industrial foi desativado e a massa deslocada da lavoura para ser a mão-de-obra operacional das indústrias de produção permaneceu no perímetro urbano numa outra realidade sujeitando-se a outras atividades secundárias, não se deslocando na mesma proporção da desarticulação dessas indústrias, que mudaram para outras regiões buscando vantagens em tributos fiscais, ou simplesmente "faliram-se" deixando rombos e prejudicando uma massa operária que até hoje sente os reflexos dessa máquina de construir falências! Todo o grande complexo industrial foi desarticulado sem aviso prévio, e hoje a cidade se caracteriza por uma corrida imobiliária de destruição avassaladora enterrando várias São Paulo(s) sem comprometimento com preservação, em nome de um progresso sem planejamento, unicamente em nome dos interesses internacionais que fabricam varredura destrutiva do passado, que deve abrir espaço imobiliário, modernizando as capitais fomentadas pelo moderno ópio do povo, o futebol, que “apaga” outras crises!!! Todo este contexto aguarda análise acadêmica com profundidade merecida de entendimento sociológico.
Ao fundo Morumbi, SP
Praça América, Avenida Brasil, SP
Praça e Igreja Nossa Senhora do Brasil, SP
Avenida Brasil Esquina com Rua Colômbia, SP
Rua Colômbia, SP - LITERALMENTE "TOMBADO"
Avenda Rio Branco, SP
Avenida Rio Branco com Alameda Glete, SP
rua Helvétia com Alameda Barão de Piracicaba, SP
Teatro Municipal, SP: Quanto Custa a Reforma Social?
Igreja Nossa Senhora da Consolação, SP
Rua Caio Prado, SP
Colégio DES OISEAUX ou Sociedade Armando Conde Investimentos, quanto vale ou para que valem 24 mil m² em área de interesse imobiliário na Rua Caio Prado, SP
COLÉGIO DES OISEAUX Década 1920. Qual o sentido da demolição?
Rua Caio Prado, 255, SP
Augusta, Rua Augusta, onde está tua Augusta Juventude? Caída Pelo Descaso -SP
Rua Augusta, SP
1913, Glórias Esquecidas - Rua Augusta, SP
Desabas Como Descartas Cartas. Rua Augusta, SP
Antes horizontavas no horizonte e agora verticalizas.Viaduto Prof. Bernardino Tranchesi, SP
Hospital Matarazzo ou Humberto Primo, que importa O NOME se pouco importam por ti - SP
Rua Antonio Bandeira, Santo Amaro, SP - Hotel Vagas da Demolição Paulistana
Industrias PAulistanas, tua pujança são somente ruínas pichadas pelos muitos Josés.- Santo Amaro, SP

E agora José? Hípica de Santo Amaro, SP

A cidade de São Paulo ocupa a 117ª posição em um ranking de qualidade de vida divulgado pela consultoria internacional em Recursos Humanos Mercer. São Paulo aparece atrás das outras duas cidades brasileiras incluídas no ranking, Rio de Janeiro em 116º e Brasília 104º lugar.

Mercer divulga também uma segunda lista, das "ecocidades", e a performance de São Paulo neste ranking é o 148º lugar.

"Altos índices de criminalidade também continuam sendo um dos maiores problemas em muitas cidades da região".

Quando o valor imobiliário é maior do que o humano, beiramos o caos!
O local das Américas Central e do Sul com a melhor colocação no ranking de qualidade de vida é Pointe-à-Pitre, em Guadalupe, no 62º lugar, seguido de San Juan, em Porto Rico 72º, e a capital argentina, Buenos Aires em 78º lugar.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

CACICADO NACIONAL E O INTERESSE INTERNACIONAL

“Uma Mentira Bem Contada” ou “Autoritarismo Econômico Democrático”!!!...

Muito se contribuiu com o governo brasileiro na sua pseudo-modernização em sua industrialização tardia, embora tudo financiado com investimento estrangeiro, porque o Brasil não possuí reservas para impulsionar pesquisas de monta ao nosso imenso potencial, ou por incapacidade administrativa ou falta de planejamento. Empresas estrangeiras contratadas para ampliar o “parque industrial” brasileiro “tropicalizaram”[1] máquinas para siderurgia e mineração, com know-how vindo de países detentores do saber tecnológico, porque infelizmente há déficit de tecnologia de ponta no país. Somos o “maior” em alguns segmentos, que não faz parte ao interessa de grupos estrangeiros de alto desenvolvimento tecnológicos, a saber: quando se necessita construir qualquer equipamento gigantesco como carcaças das estruturas metálicas recorre-se a caldeirarias, fomentamos nossa mão de obra barata, desqualificada, formada em cursinhos técnicos de ocasião, para construir produtos com tecnologias estrangeiras, financiadas por capital estrangeiro que assumem o controle acionário, mas só construímos o invólucro do equipamento. Hoje vangloriam de construção de estaleiros gigantescos, mas havia anteriormente a FRONAPE, ou nosso campo siderúrgico controlado atualmente por grandes trustes internacionais, já houve, um dia, investimentos no setor pela SIDERBRÁS, enfim citemos apenas dois potenciais “assassinados” na raiz por influências externas.

O Brasil nunca proporcionou uma revolução industrial, sempre tornou-se subalterno e dependente, com um povo humilde que é controlado pelas oligarquias em todo território nacional. Estamos submissos aos interesses de poucos autocratas que governam pouco para o todo e muito para si. Não há nisso espanto, pois o continuísmo do "cacicado" vem de longa data e perdura, ora como golpe, ora como ditadura, ora como república sindicalista, mas nunca uma real revolução, no âmago do problema, pois a preocupação maior do Estado é criar subsídio aos interesses políticos e econômicos. Este casamento, política e economia, geraram uma estrutura social abandonada, com filho pobre sem estudo, sem condições básicas de moradia com déficit de 28 milhões de residências populares, onde no Fórum Social Mundial de 2009, o representante mor do país proclamava, para impressionar a mídia, a construção de um milhão de residências ao valor de R$ 34.000,00 a unidade. Pergunta-se onde estão as mesmas, e qual o valor de venda para a população? Vivem de demagogia, haja vista que em São Paulo com sua famigerada "gentrificação", enobrecimento do centro da capital as empreiteiras, construtora de prédios de luxo, enchem a “burra da algibeira” com valores exorbitantes com construções verticalizadas.

Porque não evoluímos na proporção direta da extração das matérias primas?

Sempre resta a indignação desta incapacidade de resolver os problemas do país, onde a democracia inexiste como direito de opinar nas grandes questões, questionando o que fazer para construir uma nação livre, pois tudo está atrelado ao poder que cria “soviets”, conselhos manipulados e controlados por mesa autoritária, onde a plenária nunca é absoluta, capitalizando os lucros para poucos e socializando as perdas para muitos, uma mistura que poderíamos batizar de “Autoritarismo Econômico Democrático”!!!...
Toda América Latina esta acorrentada pelos interesses capitalistas e a única virtude que possa existir no país, por mérito natural, é possuir reservas vitais suficientes para crescer ainda mais a economia dos países mais ricos do mundo, os maiores interessados nessas reservas, num nítido “segundo estágio de colonização” através do extrativismo de reservas esgotáveis, deixando para trás rastro de miséria e destruição, esgotando ao limite a capacidade local, além da destruição e prostituição humana.
O povo é adestrado para ser usado como “exército de reserva” de mão de obra descartável, que na sua simplicidade não observa a sutileza a sua volta, ainda não se apercebeu que o soldo recebido por determinada atividade esta sobre o controle do Estado mancomunado com os interesses de uma economia globalizada e controlada por um grupo que detém toda a riqueza produzida nas três "AS": América, África e Ásia, sempre abaixo da linha do Equador, campeia a miséria instituída.

Uma massa da população que tem direito ao sufrágio universal pela democracia é forçada ao ato obrigatório de dirigir-se às urnas, recebendo sanções pelo não cumprimento cívico, deslocam-se em osmose 127 milhões de eleitores, onde metade não concluiu o ensino que lhe forneça o fundamental, ou seja, menos de 8 anos de estudos, sem contar a informalidade que é produto de um progresso insustentável, as custas da miséria popular usada como massa de manobra,, promessas vãs de incautos homens públicos.
Países de grande investimento em pesquisa tecnológica estabeleceu-se um "destino manifesto" de formarem homens para controle das massas em países considerados subdesenvolvidos ou emergente, sem caracterizar esta qualidade, e que são executivos escolhidos em suas sedes de origem para manter sobre as rédeas desta massa proletariada disforme, nome depreciativo no seu contexto, remetendo àqueles que fazem prole e acasalam-se para produzir mais e mais mão de obra a custo baixo. Este indivíduo será mais um consumidor voraz das benesses oferecidas desde seu nascimento, recebido com alegria, pois será um potencial grande ou pequeno de consumo de bens, produtos industrializados que serão anunciados dia e noite em rede nacional, e que depois de sua vida ser consumida por cartões de crédito ou financiamentos bancários, agiotagem permissível, terá uma morte inevitável a todo ser vivo. Muitos irão chorar a perda, pois não consumirá mais, sendo a indústria funerária o último setor lucrativo, onde a Prefeitura paulistana não abre mão deste controle. Todos enfim lamentarão inclusive os credores, que assumiram alguma hipoteca de algum empréstimo financeiro para socorrer o imediatismo da vida moderna, que por falta de pagamento aos agiotas institucionalizados, terá os bens arrolados pelo sistema financeiro. Banco é uma praga a ser extirpada, não produz nada e controla o jogo de interesse capitalista.

Desta retórica emergem os poucos empregos formalizados existentes e vemos que as empresas hoje se dão ao luxo de analisar uma gama enorme de currículos para entre tantos determinar aquele que poderá ser o colaborador ideal nas suas pretensões desenvolvimentistas do Estado Forte apregoado. Depois de exaustivas provas de capacidade e entrevistas de especialistas em comportamento humano, eis que surgirá no universo deste exército industrial de reserva, um “soldado” capaz de exercer as funções que permeiam o setor produtivo de determinado segmento e estarão sujeitas as regras do jogo trabalhista.
Este "colaborador" receberá treinamento de destreza para operar tudo aquilo que se apresentar como lucro aos interesses dos detentores dos meios de produção. O colaborador-operador agora é o mais novo homem máquina desta legião silenciosa que marcha em direção a almejada vaga onde ele se saiu o grande vencedor. Haverá direitos adquiridos pela legislação vigente e também estará sujeito as obrigações inerentes ao cargo empossado. A regra número um é não chegar atrasado, e por isso a indústria fornece os vales transportes para que no tom paternalista, estará ajudando o funcionário, aquele que na fábrica irá exercer função determinada, a subsidiar e dele cobrar pontualidade.

Na cidade de São Paulo, o transporte coletivo esta sobre controle de poucos, na nova modalidade de lobby da parceria empresarial-político, legislando pela aprovação da concessão mais rendosa financeiramente. O transporte coletivo é feito por demanda de carga, e carga são todos que se servem deste meio de locomoção, pagos a vista na boca do caixa às roletas de controle coletivo pelo cartão magnético ou a circulante moeda corrente. Na hora de alta concentração humana, parte da manhã e no período noturno, os empresários de transporte enviam ônibus articulados que saem de suas respectivas garagens vazios, com o letreiro “recolhe”, percorrendo uma distância considerável para “recolher” essa massa disforme. Veículos articulados capazes de transportar 300 pessoas numa condição de "carregamento de gado", pelo déficit do transporte coletivo e alta demanda. As horas despendidas no transporte não são remuneradas pelo empregador, mas gasta energia de "produção de locomoção", uma nova modalidade do “progresso” industrial moderno.

Nas empresas que o novo colaborador atuará, cada funcionário terá seu guarda objetos, que compreenderá macacão de operador, farda de soldado industrial, fornecido com módico desconto em folha de pagamento no holerite. Junto vem uma gama de proteções, como óculos, capacete, botina, protetor auricular, máscara contra gases indesejáveis, como se fosse possível gás desejável. Enfim, aparelhados, estará dispostos para a jornada habitual de trabalho, para a grandeza da nação.
Desde o momento que o “indivíduo” adentrar no piso da fábrica, será denominado “operador”, devendo tomar precauções necessárias suficiente para preservar sua integridade física, para não ser mutilado por máquinas monstruosas irracionais, doravante controladoras do sujeito racional que fará parte da máquina, que irá ditar as regras de produção, com sua capacidade limite em número de peças por hora.
O proletário racional, com o mínimo de estudo fundamental irá depois do treinamento, apertar somente dois botões, um verde para iniciar a operação e outro vermelho para parar a operação e que somente será desligado por algum inconveniente de produção ou no término da jornada, incessante, estafante, sem analisar o mérito da condição insalubre. Se por ventura as condições fisiológicas do operador exigir deslocamento a privada pública, local de necessidades básicas, tem que ser comunicado ao encarregado do setor, o chefe de divisão para providenciar a sua substituição temporária. Assim a classe bastarda deslocar-se-á para necessidades fisiológicas e os detentores dos meios de produção, classe abastada, idealizaram em determinados setores máquinas de trabalho contínuo automático, através de “robô”, pois os mesmos não precisam ausentar-se para ir ao banheiro e nem se deslocar para fazer refeições, nítida substituição do homem.
A alimentação do operário, ou operária, é controlada por nutricionista, fazendo o balanço energético necessário de calorias para aquela atividade específica para manter tudo sobre controle. Atualmente as empresas trabalham com sistemas de operação de “operário controlando operário” onde uma tarefa esta atrelada a tarefa do outro operador, espécie de células de trabalho, tipo confinamento de alta produção industrial pelos sistemas "just-in-time"[2], "kanban"[3], incorporado a produção após a Segunda Guerra na Europa proveniente de conceito japonês, pelo pouco espaço territorial.

O Brasil não possuiu uma revolução em seu processo de produção industrial, aliás, toda a América Latina. As máquinas chegaram ao país para certo interesse de determinado finalidade, produto de interesse de consumo em grande escala, e foram montadas em galpões, estilo inglês, começando a produzir o que era necessário ao mercado externo.
Os ingleses iniciaram com maestria toda esta logística, para “logicamente” suprir demandas de seus próprios interesses, adaptando um testa de ferro local arregimentado na origem, comandando operações de transporte, para escoamento de produção, em locomotivas a vapor depois substituídas pelo diesel e tração por motores geradores de eletricidade e deste progresso mentiroso e subjetivamente inglês escoou-se por muito tempo a economia do Brasil por portos de estivas ou gruas elevatórias alimentando navios de transporte.
A América Latina não precisa necessariamente do modelo europeu de desenvolvimento, nem precisa estar atrelada ao modelo econômico de alienável propriedade privada. A terra sempre foi para os povos latinos americanos, terras comunitárias, tanto quanto a água, que querem privatizar. O Brasil, na atualidade, já comercializou uma carteira de intenções com grupo francês para monopólio de parte da água doce da Amazônia, sem contar que é um território cercado pelo arame farpado de terras improdutivas com meia dúzia de cabeça de ruminantes que possuem mais direito a propriedade, a saber: qual espaço necessário a cada animal, explicitando humano e ruminante?...

Políticas espúrias de governantes, sabendo serem efêmeros, querem a todo custo usufruir as benesses do poder ao máximo, demandando intenções arbitrárias em detrimento ao interesse geral, aprova o reprovável, submetendo as futuras gerações à submissão local, sem direitos básicos de usufruírem aquilo que lhe é natural. Poder-se-ia alargar-se no tema da miséria que estão criando na América Latina, fazendo uma latrina de sujeiras que deverá ser limpa desta contaminação do poder da compra, aquisição pelo prazer de possuir. As futuras gerações necessitará promover uma revolução nas mentalidades, para rever está miséria construída do poder, verdadeiros lesa pátria.

[1] Tropicalizar era termo corrente para um pacote de projeto, o dossiê, ser adaptado às condições do país aonde ir-se-ia montar determinado equipamento, com normas adaptáveis da Associação Brasileira de Normas Técnicas,(ABNT), que de miscelâneas de normas estrangeiras adaptou-se sistemas métricos e polegadas, usando ambos!

[2] Just in time é um sistema que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora exata. Pode ser aplicado em qualquer organização, para reduzir estoques e os custos decorrentes. O produto ou matéria prima chega ao local de utilização somente no momento exato em que for necessário. Os produtos somente são fabricados ou entregues a tempo de serem vendidos ou montados. Está relacionado a produção por demanda, onde primeiramente vende-se o produto para depois comprar a matéria prima e posteriormente fabricá-lo ou montá-lo.

[3] Kanban é uma ferramenta (cartões de controle) por meio da qual o sistema puxado de produção (que é o eixo da produção Just in Time) é gerenciado. Um sistema de controle de produção para controlar o movimento de materiais entre centros de trabalho, bem como a produção de novos materiais para recolocar aqueles mandados para o próximo centro de trabalho. São cartões kanban que coordenam o sistema de produção.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

EDUCAÇÃO PRODUTIVA E OS APERTADORES DE BOTÃO

O Sistema Educacional e a Máquina do Estado *

Todos os governos do Brasil sempre optaram por ficar atrás da história mundial, com o imediatismo de suas políticas, “sem nunca” haver preocupação em formar “uma política de Estado” com objetivos definidos de metas futuras. A preocupação política maior foi sempre determinar a hierarquia, assumindo sua participação na disputa de mando, ou acobertando um ao outro de mesma ideologia ou ainda apagando incêndios quando fazem a devassa da oposição. Existe a preocupação em combater as administrações do passado que criaram subsídios para manter a máquina estatal da corrupção política. Atualmente temos várias facções de poder que prometem administrar com lisura em discursos vazios sem um mínimo de sustentação da verdade necessária. Desde muito o Estado administrou seus interesses na condição de subjugar homens livres de pensamento, censurando a liberdade, tanto os direita quanto esquerda ou centro, embora haja nos três semelhanças em muitos paralelos de controle.

No sistema educacional, que pelo fato de “ser um sistema” já possui evidencias de controle da máquina do Estado em seus interesses imediatos, sujeita o indivíduo aos interesses do Estado totalitário com controle das liberdades, sem jamais preparar com formação, mas omitindo esta, e substituindo-a pela informática, robotizando a população para controle da mesma. Vigiar e domesticar o povo são as primeiras metas para que não haja contestação das administrações incompetentes. A educação livre deveria dar condições plenas para desenvolvimento social na busca em construir liberdades autônomas de uso comum para o lugar das ações citadinas. O desenvolvimento de um povo está relacionado ao meio geográfico que lhe fornece o recurso de sustentação, sendo para isso necessário respeito às liberdades sem conflitos possessivos, embora o capital exija a competição entre indivíduos para alcançar seu objetivo maior que é a fonte de lucro, não refletida pela igualdade participativa.

A educação libertária deveria ser aplicada neste espaço físico com adaptações no conjunto, refletindo beneficio comum cada qual com sua tarefa social não acarretando ônus pela falta da participação coletiva. No Brasil as decisões sempre vieram das hierarquias sem haver vínculo do indivíduo e da coletividade com o expansionismo burguês que cria o meio para seus próprios interesses. “Sempre, neste país, vive-se do Carpe Diem”[1], o imediatismo dos interesses, adquirindo todo o "saber" de seu desenvolvimento em outro país que aplica na educação seu desenvolvimento, para capacitar livres descobertas. Muitas vezes adquirimos equipamentos “tropicalizando-os” para uso de nossas atividades, usados inadequadamente, ou por falta de pessoal capacitado ou pela inabilidades até em fazer manutenção preventiva. O que o país paga por uma tecnologia saem das reservas do extrativismo usando equipamentos estrangeiros, por vezes obsoletas, de grandes multinacionais de cada setor de interesse próprio, onde o Brasil, através de suas representações legais, subsidiam toda esta tecnologia, recebendo em troca, dividendos em royalties do país estrangeiro.

O Brasil com política educacional retrógrada adquiriu o hábito de investir na formação técnica de sua mão-de-obra exclusivamente para manter este investimento em equipamentos que não condizem com a realidade de seu povo, formando “apertadores de botão on e off”.
Evidentemente que há parcerias de interesse entre o empresariado que produz usando a tecnologia estrangeira e o Estado, que fornece os subsídios de manter a empresa multinacional em solo brasileiro, investindo nas escolas técnicas para formação de acionadores de equipamentos conforme a necessidade imediatista. Em toda essa teia complexa entre a extração de matéria prima captada por investimento econômico, somada à aquisição de máquinas e consumo, reverte ao Estado impostos de contratos lucrativos dos investidores externos, que não são aplicados ao bem estar ao corpo social para preparação de um povo capaz de assumir sua própria administração; ao invés disso, as riquezas do país, de petróleo, minério, produção agrícola, e tantos outros recursos primários, não são aplicadas para subsidiar cultura educacional, ou revertida em infra-estrutura para abastecer suas necessidades, saúde, habitação, geradores de trabalho e renda.

O Estado aplica o conceito paternalista de distribuir dinheiro, anunciando recursos fartos em programa televiso, buscando popularidade nas classes que ele sustenta, sem apoio educacional. Enfim, rouba a dignidade humana ampliando guetos sociais e o inchamento das cidades, criando a perniciosa condição do vicio e ociosidade.
O Estado USA copiar toda uma gama de influências externas sobre a miscigenação dos componentes étnicos da constituição de seu povo, ainda incandescente no cadinho indefinido de sua identidade, separando-as para melhor controlar, em cotas indefinidas das necessidades populares.

O Brasil, no fim da primeira década do século 21, é o primeiro lugar em futebol, carnaval e em doenças contagiosas erradicadas desde muito, em vários países, mas no ranking educacional, elaborado pelas instituições internacionais que abrangem 128 nações, vem ocupando o não honroso 88ª lugar em qualidade e eficiência de ensino. Isso explica a qualidade baixa da mão de obra que recebe uma “educação básica fundamental” para manter a máquina expansionista de espaço vital da economia, em formação única de habilidades motoras, sem desenvolvimento do intelecto ou emocional.

Sem estimulo de permanecer no ambiente escolar há um êxodo juvenil para jogos eletrônicos viciosos, importados “made in China”, alimentando as lotadas “lan houses”, numa condição inversa de escolas vazias, embora haja intelectuais da área educacional que aplicam alternativas para usar estes conceitos para estimular a aptidão estudantil podendo ser aplicado para o jovem ganhar confiança, segurança, refletindo no seu crescimento, para reverter em capacitação humana. A educação precisa emancipar o individuo, sem obrigatoriamente conduzir a proliferação de profissionais somente técnicos. A falta de investimento no setor é gritante, e muitos formados em pedagogia abandonam o ensino e investem suas habilidades no setor privado. O único vinculo que ainda existe do aluno para com a escola, exigência compensatória, é o fornecimento da merenda escolar e uma lata de leite distribuída mensalmente, que deveria ser um critério de sustentação familiar de trabalho e renda para manter suas próprias necessidades alimentares. A criança vai à escola, infelizmente, para comer, quando, deveria ser suprida pela renda proveniente do trabalho da família.

Nosso ensino é retrógrado, com jovens enfileirados em ordem unida em uma sala de aula apática sem interesse pelas decorações exigidas do saber de meio século atrás (o estímulo sensorial, não apenas o visual é o requerimento central do desenvolvimento cerebral e intelectual). Não há formação através do construtivismo de Paulo Freire e outros pensadores que usavam ferramentas próprias do cotidiano familiar do cotidiano da criança ou jovem para desenvolvimento das potencialidades de um saber construtivista, de pensamento livre.
O reflexo na baixa qualidade tecnológica do país, que investe altos recursos em equipamentos tecnológicos adquiridos pelo dinheiro do extrativismo e royalties de multinacionais implantadas em campos industriais subsidiados e não da produção independente, quando muito produz cópia rudimentar de feiras mundiais tecnológicas, abrasileirando equipamentos, como surrupiadores, nicho de larápios que roubam uma obra de arte. A tecnologia brasileira é “chupada”, nítido furto do saber alheio.

O Brasil é regido por utopias de seus gerentes, fomentado por ilusões monetárias passageiras que não dará jamais a liberdade necessária ao seu povo, que vive em uma escravidão consentida, sendo o Estado seu algoz, e o Estado, ao mesmo tempo que é algoz do povo, é servo do capital.
A existência do país resume-se na alegria de ser “grande produtor de crianças” que, ao nascer, lhes é ofertado o consumismo através do capital de muitos presentes, felicidade de boas vindas, como consumidor, que, em vida, será despreparado educacionalmente, mas será ávido pela posse e que ao morrer terá carpideiras contratadas que devem chorar a morte de um consumidor de produtos globalizados, estampados na mídia da obrigatoriedade do consumo, sendo a televisão referência simbólica do povo, onde são vendidas centenas de produtos explícitos, outros sutilmente, apresentados como solução das necessidades, meras mentiras e ilusões, adquiridos pelo impulso da compra que é anunciada em determinado programa, aliado ao perfil de quem assiste, sugados pelo consumismo.

O Brasil não produz nada, só crianças!
* "Parto de um problema em termos em que se colocar na atualidade e trato de realizar sua genealogia. Genealogia quer dizer que analiso o problema a partir de uma questão do presente”.
Michel Foucault

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O JUIZ ORDINÁRIO E O JUIZ DE FORA

Ordenações Filipinas: Livro 1 titulo LXV Comentários

Juiz[1] ordinário era o magistrado eleito anualmente pelo povo e câmaras, tendo lugar e domicilio e estabelecimento.
Juiz ordinário era um juiz independente da realeza e a legislação que executava estava fora do alcance do mesmo poder, e só o costume(consuetudinário[2]) podia alterá-la. O predomínio da chicana (sutileza capciosa em questões judiciais) era ali impossível, porque todos conheciam a legislação, e o arbítrio do juiz expirava com o ano. Com a chegada da Corte de Portugal em 1807 ao Brasil, o judiciário dispunha em primeira instância[3] de juizes ordinários.
O juiz ordinário tinha jurisdição nas comarcas[4] em que obrigatoriamente teria de residir, e era eleito pelo povo. Era o presidente das sessões da câmara municipal.

Juiz de fora ou fora-aparte, como a princípio se denominaram desde o primeiro instituidor o Rey Dom Afonso IV, era o magistrado imposto pelo rei a qualquer lugar, sob o pretexto de que administravam melhor a justiça aos povos do que os juízes ordinários ou do lugar, em razão de suas afeições e ódios.
O fim principal de sua criação foi à usurpação da jurisdição para o poder régio, dos juízes territoriais, o que pouco a pouco se foi fazendo, com gravame (ofensa grave, agravo, encargo, ônus) das populações, a quem a instituição sempre pareceu e foi abnóxia (inofensiva). Até que no reino de Dom Manoel ou de Dom João III, tomando a realeza a seu cargo o pagamento da maior parte dos seus ordenados, impô-lo por todo Estado.

A nova organização judiciária do império acabou[5], tanto com o juiz de fora, como os ordinários, que na época já eram uma excrescência (excesso jurídico), e apenas uma deferência do poder real com os privilégios das populações, já de há muito menosprezados.
Os juízes de fora eram delegados e nomeados por triênios e sem direito a recondução. Precediam de ordinário as câmaras das vilas e cidades onde funcionavam que não excediam a dois, e raras vezes era um só eleito.

O juiz de fora era um magistrado nomeado pelo rei de Portugal para atuar em comarcas onde era necessária a intervenção de um juiz isento e imparcial. Em muitíssimas ocasiões os juízes de fora assumiam também papel político, sendo indicados para presidir câmaras municipais como uma forma de controle do poder central. A figura do juiz de fora surgiu em Portugal em 1327, no reinado de Dom Afonso IV. Este tipo de magistrado era nomeado pelo rei e mudava de localidade frequentemente. A principal função do juiz de fora era zelar pelo cumprimento da justiça em nome do rei, conforme as leis do reino. Ademais, a autoridade que o juiz de fora gozava era muito superior à dos juízes ordinários dos concelhos (prefeituras municipais).
A introdução desta figura judicial justifica-se na necessidade de nomear um juiz realmente isento, imparcial e, literalmente, de fora das povoações, a fim de garantir julgamentos justos, imparciais. Por esse motivo o cargo não podia ser exercido no local de origem residencial do magistrado. Também não eram permitidos quaisquer outros vínculos com a população local, por meio de matrimônio ou amizade íntima.

Durante o período de formação da formação da estrutura do Estado, e a conformaçao de uma identidade nacional, a coroa portuguesa investia nas autoridades locais para enfraquecer o domínio de senhores feudais. No Brasil nas áreas de difícil acesso e administração, a figura do juiz de fora era uma forma de evitar a adoção de medidas em conflito com os interesses da Metrópole
A consolidação definitiva da figura jurídica do juiz de fora foi levada a cabo pelo rei Dom João III, em 1532 , pois possuia amplo domínio dos poderes do Estado, empreendendo uma significativa centralização. Com a União Ibérica em 1580 sobre o reinado de Filipe II da Espanha já eram mais de cinqüenta os concelhos(municípios) portugueses governados por juízes de fora.
Depois da Restauração em 1640, Portugal concentrou todas as suas forças na consolidação do poder recém-recuperado, procurando não iniciar conflitos desnecessários. Desta forma, os municípios brasileiros mantiveram sua "autonomia" até os últimos anos do século XVII. O primeiro juiz de fora do Brasil tomou posse na cidade de Salvador em 1696, dando início a uma etapa de transição que duraria mais de cem anos.

Varas vermelhas e brancas
MONUMENTO À INDEPENDÊNCIA DO BRASIL/IPIRANGA

A vara era, e ainda é, a insígnia que traziam os juízes e oficiais seculares em sinal de jurisdição para que fossem conhecidos e não sofresse, em suas ordens, resistência. Segundo alteração de 30 de junho de 1652 e decreto de 14 de março de 1683, os juízes deviam trazê-las (as varas) arvoradas(asteadas) no alto quando andassem a cavalo, não devendo ser delgadas(pouca espessura).
A vara pintada de branco competia ao juiz letrado e a vermelha aos leigos, e por motivos bem fundados, pois os magistrados e julgadores que usam da insígnia não as possa trazer de rota[6], ou de outra coisa semelhante, salvo de pau da grossura costumada, não as trazendo abstidas(privadas), mas a direita da mão levantadas em proporção ao corpo; e só as prisões lhes(era) permitido as possam trazer quebradiças.
Não obstante a legislação em vigor, os juízes de fora e ordinários usavam no Brasil da vara quando incorporados com as câmaras, servindo-se ordinariamente, para distintivo de sua autoridade, de uma meia lua e vime enrolada em pano de seda branca ou vermelha, se não, pintado dessas cores pregadas na aba direita das casacas.

[1] O juiz (do latim iudex, "juiz", "aquele que julga", de ius, "direito", "lei", e dicere, "dizer")

[2] Direito consuetudinário é "complexo de normas não escritas originárias dos usos e costumes tradicionais dum povo, direito costumeiro". É o direito que surge dos costumes de uma certa sociedade, não passa por um processo de criação de leis como no Brasil onde o legislativo e o executivo criam leis, emendas constitucionais, medidas provisórias etc. No direito consuetudinário, as leis não precisam necessariamente estar num papel ou serem sancionadas ou promulgadas.

[3] A primeira instância de um processo judicial é o local em que deu-se início o letígio. Na grande maioria os processos são de competência estadual, ou seja, o foro da própria cidade.A primeira instância é denominada "a quo" ( Do qual- Para se referir ao juiz ou tribunal que proferiu a decisão recorrida, e de onde proveu o processo, bem como ao dia ou termo inicial do prazo.) e a segunda instância é denominada “ad quem” (Para quem- Para designar o juiz ou tribunal responsável pelo julgamento do recurso, para o qual se encaminha o processo, bem como o dia ou termo final da contagem de um prazo. )

[4] Comarca (origem latim; commarca ou comarcha, derivado do termo de origem germânica Mark, "confim", "limite", "marca") termo originalmente empregado para definir um território limítrofe ou região fronteiriça.

[5] Embora muitas disposições tiveram vigência no Brasil até a promulgação do código civil de 1916.

[6] A rota de que trata o alvará, e do que se abusará, é uma espécie de cipó, ou junco de atar, como a chibata.

AS “COMUNAS” E O “GOVERNO BOM”

Uma História Bem Mal Contada

Não existe governo bom, existem povos que se submetem aos interesses e condições determinantes impostas por um “staff” que mudam as correntes conforme regras de um momento histórico. O poder, por sua vez, é composto de homens formados dentro de um jogo de interesses estabelecidos por uma hierarquia dominante, perdurando as mesmas regras do “beija mão” onde o soberano do Estado monárquico fazia-se reconhecer pela graça que distribuía, recebendo em troca desta mercê, um séquito parasitário da coroa, incorporado com honrarias que manobram os interesses do reino, sendo os editos do rei, copilavam as constituições da Carta Magna do reino a ser cumprida pelos seus súditos. Esta massa popular sujeitada admite ser governada, assumindo os riscos da concordância daquilo que se estabeleceu como o padrão de escolha, sendo completamente manobrável nas condições dominantes do poder, manipuladores de interesses de beneficio próprio. Desta resultante moldou-se povos submissos, fantoches que admitiam a vontade dos cordéis das marionetes.
As monarquias em determinado instante da história subiram os cadafalsos e foram guilhotinadas no físico, mas não na essência, perdendo, por um momento, o controle das ações. A estrutura governante não foi destruída e com a revolução inesperada coube formatar novas maneiras de controle, disfarçando o cetro e a coroa por uma estrutura que se prevalece a escolha, desde que a hierarquia se mantivesse intacta.
A resultante das comunas na “Primavera dos Povos” foi aceita pelo impacto do momento, mas aos poucos foi perdendo sua força e sufocada em seus guetos de articulação popular. Não havendo uma liderança soberana de regra comunal, o poder apercebendo-se desta ineficiência, reassumiu aos poucos o controle plutocrático estabelecendo novo paradigma. Assimilado o golpe institui-se regras de participação em câmaras de participação popular, que abalizassou os interesses de um novo modelo de escolha, onde todos deveriam participar, sem exclusão de classes ou gêneros, embora em seu bojo, excluíssem os que não fossem proprietários de terras, estabelecendo que os de posse, conhecidos com “homens bons” ditariam as regras do “governo bom”. Esta mudança ousou-se denominar “democracia”, pelo consentimento popular, responsabilizando todo o povo pelo destino que ele mesmo escolheria em plebiscito dos “homens bons”. Muito foram excluídos pelas regras, pois muitas nações negavam a liberdade humana e manteve escravos, além de excluir mulheres contribuintes com sua constância laboriosa, segregação imposta pelos “homens bons”. Deste modo restabeleceu-se o controle do poder, conseguindo sufocar os interesses das comunas, que nada se assemelhava com sindicatos controlados em sua cúpula, reduto de interesses políticos momentâneos.
As comunas se movimentavam por si, sem manipulação de interesses externos, uma legião perigosa ao poder estabelecido, que precisava ser combatida pelo poder. Maquiaram o jogo de escolha através de um contrato social e sufocaram as comunas, quebrando a corrente para que não se fortalecessem exigências efetivas, benefícios para todos, sem classe de domínio, sem ditadura proletária.
Manipularam as comunas que foram extintas nos redutos urbanos, nas barricadas centrais e demolidas para evitar novas concentrações, aniquilando todos os meandros e esconderijos, estabelecendo-se novo conceito urbano para controlar através de um centro de vigilância de todos os redutos possíveis, empregada como controle dos governos, em nítido modelo do Grande Irmão, de George Orwell, em “1984”.
Para que houvesse transformações derrubando o poder das oligarquias, deveria haver resistência contra as estruturas manipuladoras da economia, verdadeiro condicionante de domínio, onde o mercantilismo fantasiou-se posteriormente de capitalismo, determinando e implantando o modelo ideal de interesses soberanos. Passando a fase do impacto implantaram-se os subsídios o que fosse aprazível a Corte reinante, que se adaptou aos seus interesses, modificando-se constantemente para que o modelo implantado revertesse dividendos rentáveis. A sustentabilidade deste modelo tornou possível criar as ideologias e concorrências da xenofobia entre os povos, os mesmos dominados em suas origens pelo Estado, criador de fronteiras, controlando a economia e poder, reagentes ao bem estar das condições sociais.
"Massacre dos Galicianos",1846.Jan Lewicki(representa o aprisionamento de servos sublevados)

Na atualidade, as demandas financeiras aplicam seus recursos nos fomentos esportivos, como as olimpíadas ou quaisquer jogos internacionais, onde o retorno financeiro é liquido e garantido, sem riscos de perda de investimentos abalizadas por organismos internacionais. Os banqueiros investem grandes somas nas grandes cidades, controlando um exército de reserva, que são aqueles que o Estado não proveu com sistema educacional eficaz, sendo somente investido na instrução básica mínima necessária para subsistência de prole. Este modelo ordinário deve ser combatido, pois é útil ao sistema imprestável do Estado que usa as riquezas naturais para criar um falso modelo de crescimento, e mais ainda, apregoa o fortalecimento do Estado como único recurso para seu crescimento. Quando o povo é relegado a plano secundário não existem condições de sustentabilidade, e criam-se as condições favoráveis ao totalitarismo.
O governo do presente é conivência das regras do continuísmo de controle do passado, pois aqueles ávidos pelo trono aceitaram as regras do Estado, juradas na posse, concordando em assumir os débitos anteriores e em arcar seus compromissos, como acontecem com as estruturas modelares empresariais. Quando o poder, maquiado pelos partidos políticos, aceitaram as condições do jogo do poder, obrigatoriamente devem assumir os riscos, quem não tem competência não deve se estabelecer em quaisquer empreitadas. O carteado lançado na mesa do Estado fornece subsídios suficientes para dentro das regras do blefe do jogo de truco dos investidores trapaceiros das bolsas de valores. Os bancos sustentam esses interesses, pois são os maiores beneficiados do maior símbolo capitalista que são as cidades, ser vivo das estruturas financeiras, bancando as transformações para seus próprios benefícios. Comuna de Paris - 1871 - Primeira Mobilização da Massa Operária

Todos os governantes, sem exceção, são culpados, na medida em que não fornecem condições de subsistências quando cerceiam as condições de educação, trabalho e renda. O Estado, sustentado por investimentos globalizados, deslocam as comunas que persistem em locais de difícil acesso, guetos ligados entre si, verdadeiras redes de ajuda mútua, por ineficiência governante. A sustentabilidade destas áreas ditas de risco pelo poder público, são controlados pelo modelo paternalista para implantar seus próprios interesses políticos dominantes.

Áreas enobrecidas são cobiçadas pelo setor imobiliário, o mais beneficiado deste modelo impetrado pela construção civil de transformações das cidades, que são constantemente autodestruídas em ciclos através das décadas para manter o apogeu capitalista. Prédios “modernos”, novas estradas, viadutos, portos são reformados pelo continuísmo, sujeitando a massa obreira à condição de letargia, interessante ao controle do Estado, conjugado aos bancos, parceiro constantes da máquina de desenvolvimento econômico. Estes magnatas formados em academias fornecem a constância do modelo, preparando a nata seleta da elite governamental que dará a continuidade ao sistema de controle do poder.

O Estado, por sua vez, vive com “o chapéu alheio” buscando investimentos externos de financistas que ora aplicam recursos em uma localidade, ora em outra, dependendo dos lucros que se sobrevenham dos recursos investidos, jogando algum tempo na Ásia, outra vez em África e em outros momentos na América, todos abaixo da Linha do Equador, por coincidência áreas mais carentes de capital, usados pelo sistema especulativo internacional de investidores que aplicam suas barganhas no momento oportuno, além de controlarem e investirem na mídia propagandista dos grandes empresários.

As comunas transformadoras estão fadadas ao extermínio, sucumbidas pela vontade do poder controlador, além das manobras econômicas dos cartéis manipuladores das bolsas de valores de jogo marcado de um modelo que precisa necessariamente ser implantado para uso e fruto plutocrático. Assim o rei e seu séquito, ou o presidente e sua comitiva, assemelham-se em suas intenções, onde o grande inimigo a ser combatido é o povo dentro das muralhas dos castelos das grandes cidades.

O Estado forte deve combater a insatisfação popular com suas milícias hoplitas, armadas com um padrão único em todas as partes do mundo, escudos capacetes bombas, enfim um arsenal compatível a refrear quaisquer manifestações em quaisquer partes do planeta. Esses mesmos militares saíram das comunas e foram adestrados a defenderem o Estado, que oprimiram e continuam a oprimir todo clã comunal em que ele mesmo faz parte.

As “favas” os reinos e o Estado opressor, da ditadura governante, independente da ideologia, que oferece as migalhas de sua mesa farta aos miseráveis, resto de toda a riqueza humana, semelhante em toda parte.
Mesmo assim as comunas subsistem para o desespero do poder!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Profissão de Historiador, a Política e a Comissão de Assuntos Sociais do Senado: Projeto de Lei PLS 368 de 2009.

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado e o Projeto de Lei PLS 368 de 2009, vinculando-se com a questão irreversível da profissão de Historiador.

“A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) aprovou em 10 de março de 2010 o PLS 368/09, Projeto de Lei que Regulamenta a Profissão de Historiador.”

O ANJO DA HISTÓRIA realmente olha para a frente, para o presente e age, como deve ser o sujeito da história, com o objeto que se quer observar e incorporá-lo na historiografia!

Temos que realmente ficar satisfeitos, mas, como pesquisadores, devemos olhar o fundo dos meandros da política e seus interesses com ressalvas deste momento. Alguém se ater à esta questão, é salutar em prezar e instituir a profissão de historiador, é algo relevante, pois há tantas outras profissões que são reconhecidas, sem demérito às mesmas, com seu valor específico, por que não se instituiu ainda a profissionalização daquela que busca a “verdade” do acontecimento histórico?

CLIO(MUSA GREGA DA HISTÓRIA)1689. Pierre Mignard(1612-1695)

Debatemo-nos com a questão e jamais nos conformamos com esta injustiça, sabendo de outros interesses escusos em prol do benefício da incompetência administrativa. Esperamos que os trâmites sejam breve pela reparação, pois não pode existir tempo moroso daquilo que é uma ratificação e retificação histórica; em não existir no país o profissional “historiador”, e aceitarmos um corpo de historiadores estrangeiros com o nome de “brasilianistas” escreverem sobre a história do Brasil e ter os méritos reconhecidos daquilo que sem dúvida pertence àqueles acadêmicos formados nas instituições do país, sem xenofobia, mas que haja respeito pelo historiador brasileiro que se formou pela habilidade especifica mas é enquadrado na competência de “professor de história” para controle do sistema educacional.

Urge vasculhar os porões reconditos e trazer à luz todas as ocultas condições manipuladoras do Estado, que insiste em manipular a história do Brasil ao bel prazer de seus próprios interesses.

Legalizar a profissão do historiador é reparar mais um dos tantos erros históricos existentes nos escombros da história do Brasil!!!

ENTROPIA DO PROGRESSO: O "ANJO DA HISTÓRIA"

DESORDEM DO SISTEMA
O Angelus Novus, de Paul Klee (1920) inspirou Walter Bendix Schönflies Benjamin, que adquiriu a obra em 1921, em vê-lo como “Anjo da História", representando a 9ª tese de seu ensaio “Teses na Filosofia da História”:

A obra mostra um anjo olhando como se estivesse a ponto de mover-se em direção a algo, sem saber o que ao certo, contemplando fixamente, com sua boca aberta e suas asas espalhadas.
Assim é como se compreende o Anjo da História:
Sua face é voltada para o passado, onde nós percebemos uma corrente de eventos, ele (o anjo) vê uma catástrofe que mantém a destruição empilhada em cima de destroços e arremessada para frente de seus pés, sem base de apoio.
O anjo gostaria de permanecer, despertando os mortos, e de refazer completamente o que foi destruído, mas uma tempestade vinda do Paraíso apanhou suas asas com tal violência que o anjo já não pode mais fechá-las. A tempestade propele-o irresistivelmente para o futuro sem retorno, empilhando escombros antes que o anjo consiga desenvolver seu vôo.
Esta tempestade é o que chamamos de progresso!

terça-feira, 6 de abril de 2010

TERRA DAS PATACAS

SÉCULO 18, OS DESCLASSIFICADOS E O CICLO DO OURO, DAS PEDRAS E DA PRATA

Metalismo:ou bulionismo, mercantilismo de acúmulo de metais preciosos

CIDADE DE OURO PRETO ao fundo "Museu da Inconfidência" (ex "Palácio dos Governadores")

COTAÇÃO DO OURO em abril 2010: R$ 37,80/um grama
(R$ 37 800,00/quilo de ouro)
(maior pepita de ouro de Serra Pelada: 52,33 kg)
DÓLAR AMERICANO:R$ 1,76
LIBRA ESTERLINA:R$ 2,70
EURO:R$ 2,40
BARRIL DE PETRÓLEO(159 litros):US$84,00(R$148,00/barril ou R$0,92/litro)

1(UMA) LIBRA TROY IMPERIAL=373 GRAMAS

1(UMA) ONÇA=1/12 DA LIBRA TROY=31,09 gramas (serve atualmente para cotação do ouro)
(extração na América:Espanha 325ton.ouro+25000ton prata/Portugal 900ton.de ouro+3 milhões de quilates diamante(4,5 quilates=1 grama) maior diamante: “SERGIO”= 3167 quilates(Brasil)

Companhia Vale (do Rio Doce): prospecção média de 15 toneladas/ano de ouro

CASA DOS CONTOS DE OURO PRETO-CONTROLE DO CICLO DO OURO

1(um) quilate=0,20575 gramas unidade de massa empregada no comércio de diamantes, pedras preciosas,pérolas.A quantidade de ouro puro aquivale a 24 quilates, atualmente mais comum o uso de 18 quilates=3/4 de ouro e ¼ de outra liga.

1/8 da onça=3,6 gramas (vale quanto pesa)=1 ducado (Ducado:unidade monetária de Veneza)
1(uma) onça =14 réis (moeda)
1(um) maravedis=27 réis (moeda)
1(um) ducado=375 maravedis
1(um) ducado=25 cruzados
1(um) quintal de pau-brasil=1875 maravedis (5 ducados)
1(um) quintal (aprox.60 kg) de pimenta=35 ducados
1(uma) arroba de açúcar=1/2 ducado
1(um) escravo negro=3000 cruzados (120 ducados)
1(um) nativo novo=1000 cruzados (40 ducados)
1(um) artilheiro de nau=10000 cruzados/ano (400 ducados)
1(um) ferreiro=150 cruzados/ano (6 ducados)
1200 kg de ouro=350000 ducados (preço pago por Portugal pelas Ilhas Molucas -Espanha)
20000 quintais=1 200 000 kg de pau-brasil=10000 ducados para Lisboa para reduzir a serragem e fazer tinta na Holanda vendido=40000 ducados
preço abaixo do mercado da época1(um) quintal de pau-brasil=1875 maravedis (5 ducados)
Pintura da Capela Cistina por Michel Ângelo=16000 ducados (meio milhão de libras)

Ducado:moeda de ouro cunhada em Veneza por volta de 1280 e dos séculos 13 ao 17 foi referencia do câmbio da Europa (o dólar da época)

Cruzado:moeda criada pelo rei Afonso V em 1489,mas a moeda de referência era o real (do rei) usado por Espanha e Portugal (20 réis=1 vintém ; 40 réis=1 pataca ; 100 réis=1 tostão ; 1 milhão de réis=1 conto de réis e por muito tempo usado na Índia portuguesa e que o Brasil de maneira “inédita” ressuscitou-a em nome do “progresso”)

Maravedi:ou marabitino,era moeda onde solviam as obrigações com a coroa de Portugal e Espanha

de 1700 ATÉ 1801 BRASIL “EXPORTOU” 65000 ARRÔBAS DE OURO= 955 000Kg de ouro (955 toneladas)-em receita atual quase 20 bilhões de dólares!
MONUMENTO À INDEPENDÊNCIA DO BRASIL (Bairro do Ipiranga, São Paulo): 1º plano: Os Inconfidentes Mineiros 1789 e ao fundo: Marcha Triunfal da Nação Brasileira (autor: Ettore Ximenes)

De 1762 a 1788 a derrama cobrava dívida de 538 arrôbas de ouro=
7 910 Kg ( 3,3 bilhões de réis) , muitas vezes recolhida na bateia (no rio) ou na faísca(na mina)

ARRÔBA: antiga medida de massa usada em Portugal e Espanha equivalente a 14,7 kg
(para líquidos equivalia a um almude=16,81 litros)
4 arrobas= 1(um) quintal=58,8 quilos

DEGREDADOS: “É A PEÇONHA QUE ENVENENA A TERRA” -Duarte de Albuquerque Coelho
(prisioneiros em Portugal mas que ganhavam a liberdade condicional na Colônia Brasil=Pindorama)

TERRA DAS PATACAS ou ÁRVORE DAS PATACAS: Denominação do Brasil na época Colonial pelos recursos naturais em virtude das riquezas e a facilidade de enriquecimento.

PATACA: moeda de prata= 320 réis cunhada em Gôa, Índia por Filipe III (Espanha), II em Portugal (1578-1621) .

quinta-feira, 25 de março de 2010

OS TERRATENENTES DO BRASIL (18): Termos Pejorativos Usados para Designar os Povos da América

DESMERECER E DIVIDIR PARA MELHOR GOVERNAR[1]

Observação: Sem julgamentos inerentes aos termos, não há neste texto conotação alguma de racismo, ou algo pré-concebido, ou divisão de crenças quanto às origens destas construções, mas valendo-se deles para compreensão histórica de valores e como os mesmos foram usados ao longo do tempo pelos do poder para dividir e melhor governar, tanto nas origens da Península Ibérica quanto nas colônias achadas e divididas entre si por Espanha e Portugal, e que os conflitos, quando houve entre ambos, foram contornados pela hegemonia da Península.
Palavras chave: Eurocentrismo, Península Ibérica, árabe, mourisco, mudejar, Marranos, Melungeon, Zambo, cafuzo, cambujo, mulato, Cholo, mestizo, castizo, criollo, crioulo, mameluco, caboclo, caipira, matuto

Na Europa onde apenas pertencer ao governo e ser cavaleiro das ordens de guerra eram ocupações dignas da nobreza, a aristocracia menor se expandia com os "hijos d’algo". Estes “filhos de algo”, origem da palavra "fidalgo" preenchia todos os cargos administrativos e eclesiásticos, numa Europa de “sangue azul” que mantinham hierarquias de controle e domínio.
Eurocentrismo era a prática de ver o mundo de uma perspectiva européia com uma crença implícita, consciente ou inconscientemente, a preeminência dos europeus ocidentais. O termo implica a crítica dos interesses e valores em detrimento dos não-europeus.
Os efeitos desta condição de superioridade européia começou lentamente no século 15 e continua no hodierno. O caráter progressivo da imposição da cultura européia foi implantado nas conquistas das Américas, África, Pacífico e Australásia, região da Oceania que compreende a Austrália, Nova Zelândia e ilhas vizinhas, no Oceano Pacífico.

Mesmo as civilizações em bom estágio de cultura como a Arábia, Pérsia, Índia, China, México, Peru e Japão foram consideradas subdesenvolvidas em comparação a Europa dos colonizadores, que sempre impuseram uma óptica de desprezo às demais culturas considerando-se superiores aos povos subjugados, prevalecendo à estrutura hierárquica imposta a qualquer preço, submetendo as outras culturas, extinguindo-as, prevalecendo a idéia de ser superior no mais elevado da hierarquia e, portanto, mais próximo do ápice da nobreza do que os subordinados que estavam em um estrato inferior.

Na Peninsula Ibérica encontramos o Mudéjar, que permaneceram após a Reconquista da mesma. Refere-se ao termo árabe para "doméstico" ou "domesticado" e que se utiliza para designar mulçumanos espanhóis que permaneceram vivendo na Peninsula após a “Reconquista” pelos cristãos, submentendo-se ao controle político, dando-lhes o direito de prosseguir a prática da sua religião e utilizar o seu idioma e seus costumes. Com a Reconquista adaptou-se o costume vigente na Península Ibérica, a al-Andalus árabe, com garantias de proteção política e religiosa às populações que se submetessem ao novo poder. Estas comunidades islâmicas, denominadas de “aljamas”, agora sob domínio cristão, receberam o nome de mudejares, que no vernáculo árabe definia a submissão mediante um pacto de garantias, que poderiam ser políticas ou religiosas. “Mudajalat” tinha sua raiz na expressão “mudayyan”, referindo-se a “gente que permanece” ou “grupo dominado”, e, por conseguinte tributários e vassalos submetidos à nova ordem estabelecida.

Depois da Reconquista optou-se pela “Limpieza de sangre”, usado tanto por espanhóis quanto por portugueses, que para ambos significava a ancestralidade sem mistura dos tempos da invasão árabe. Eram àqueles peninsulares considerados puros, “cristãos velhos”, sem nenhuma ligação com judeus ou mulçumanos, que mais tarde serão obrigados a acatar a crença propagada pela igreja romana, impondo-lhes o cristianismo e aceitos como “cristão novos”. A nobilidade espanhola começou em torno do 9º século quando se estabeleceu a forma militar clássica de ocupação das terras pela cavalaria medieval, processo que durou por longos cinco séculos recuperando terras da Península Ibérica em mãos de ocupantes árabes, e seus vários califados. Deste modo estabeleceu-se na Península uma estrutura baseada na nobreza e uma linha de ancestrais que demonstraram poder levantando a espada para indicar a força da defesa de seus escudos que deram origem aos seus brasões, demonstração de lealdade, e que nas veias corriam o sangue azul e que seu nascimento não tinha sido contaminado pelo inimigo de mistura “escuro-descascada”.

Esta estrutura formatada de desvalorização do outro, sem aceitação de seu modelo não poderia ser repetida no Novo Mundo, pertença pela “graça de Deus” e mais sobre a força da espada que havia se levantado contra o “impuro mouriscado, misturado” fora das purezas determinadas e não vai admitir as imperfeições de quaisquer povos que fujam as regras dos dois poderes da Península, Portugal e Espanha, e para isso usará de termos pejorativos para segregar e melhor controlar, aqueles sobre o julgo do barbarismo transportado para a América.
Embarque de Mouriscos para Valencia, por Pere Oromig
Marranos, Cristãos-Novos da Península Ibérica

Na mesma linha os judeus conversos foram denominados “marranos” [2]. O termo "marrano" teve interpretação extraída da palavra hebraica anussim, ou "conversos forçados". É exatamente o caso daqueles judeus que tiveram de abandonar o judaísmo, e aceitar a fé cristã praticada na Península Ibérica. Um dos problemas enfrentados pelos judeus descendentes de marranos é o seu reconhecimento por outros judeus e para alguns, os marranos não são judeus verdadeiros e precisam de uma conversão de retorno à fé, a Fênix de Abraão, ave mitológica retornada das cinzas.

O termo marrano pode ter suas raízes na palavra árabe “máhram”, que significa “coisa proibida”. Essa palavra designa o cervo ou porco, animal proibido tanto para os muçulmanos como para os judeus. Na Espanha, a palavra marrão é usada para designar o leitão desmamado antes de ser castrado para engorda, que biblicamente é considerado animal impuro, referência pejorativa para denegrir os judeus forçados a se converter ao cristianismo chamados de cristãos-novos ou marranos. Outro termo encontra-se na junção de duas palavras hebraicas: MAR (amargo) + UNA (nós), dando origem ao um novo sentido para marrano, designando em hebraico “Nossa Amargura”.
Anussin é o termo hebraico usado para designar os marranos e significa “forçados”. Benei-anussim significa filhos, “ben anús” refere-se ao “filho forçado”, ou descendentes daqueles forçados a se converter, os marranos, e, que procuram retornar ao Judaísmo.

Melungeon os primeiros colonos da America do Norte

A instabilidade promovida pela Inquisição espanhola, pode ter sido responsável pelo primeiro assentamento permanente de muçulmanos em direção ao Novo Mundo mais precisamente na America do Norte.
Estes muçulmanos eram conhecidos como Mudajjan na Espanha, uma palavra que originou provavelmente o termo Melungeon vindos nas frotas de limpezas étnicas, de berberes muçulmanos recrutados a partir da região berbere galega das montanhas ao norte de Portugal em 1567.

O que pode este mistério Melungeon significar como fundamento desta origem muçulmana? Há duas palavras em turco: “melun" significa “amaldiçoados ou condenados” completada pelo restante da palavra com sentido de "vida" ou "alma", que utilizada em conjunto traduz-se como "aquele cuja vida ou alma foi amaldiçoada." O que parece ser uma referência aos primeiros muçulmanos que se submeteram a esta “pena” pelo oceano para se livrar das perseguições da Península aos não cristãos e que se propagaram pelo sudeste dos Estados Unidos. Uma vez no Novo Mundo, estes prisioneiros muçulmanos foram submetidos ao trabalho escravo nas plantações de açúcar e nas operações de mineração, talvez remanejados também ao Caribe e ao continente da América do Sul.

Em meados do século 17, havia pessoas que viviam entre tribos da Virgínia e Carolina do Norte, que foram descritos como índios escuros, talvez a cor cobreada moura, e que eram conhecidos como "Portugals." Em 1690, exploradores franceses anunciaram a descoberta de "mouros cristianizados" nas montanhas de Carolina.Quando os ingleses chegaram ao continente em meados século 18, grandes colônias dos chamados "Melungeons" já estavam estabelecidas no Tennessee e Carolina. A palavra Melungeon tornou-se mais um termo depreciativo, classificação para "ninguém em absoluto". O Melungeons, expulsos de suas terras e negados seus direitos, por vezes, assassinados, sempre maltratado, quase perderam o seu patrimônio, parte de sua cultura, os nomes de origem e sua religião original, mas não a sua estrutura genética.
Zambo era um termo espanhol, sendo que em português usa-se cafuzo para referir a mesma expressão ao termo. Era usado pelo império espanhol para identificar indivíduos da América espanhola que haviam miscigenado com africanos ou ameríndios. Outros termos foram sendo criados como um sinônimo ou semelhanças referidas aos zambos como cambujo que era a miscigenação do zambo com o ameríndio, numa segunda linhagem. Atualmente o termo refere-se a ancestralidade de africanos ou ameríndios, denotando que o africano e ameríndio produz o lobo, sinônimo para zambo, os zorros astutos dos altiplanos, fugindo da condição de escravos se refugiaram também na América Central.

No Caribe e parte da América do Sul, formaram comunidades e como exemplo ter-se-ia a República Dominicana e o Haiti que se mestiçaram com os tainos, os nativos da Ilha e que foram considerados renegados pelos colonizadores. Nas costas do Belize e Honduras era denominado garifuna, formado pela misiginação de índios Caraibas e Arawak com africanos refugiados nessas ilhas. Na Nicarágua, são reconhecidos nos miskitos, oriundos de um motim em um navio português com escravos da Guiné chegando à costa da Nicarágua, onde muitos apresentam traços africanos.
Mulatto denota uma pessoa com de ancestralidade branca e negra. O termo deriva do árabe e pode criar certas confusões em sua citação. Alguns dicionários definem a origem da palavra ao termo árabe “muwallad”, etimologia de mulato com o significado para “uma pessoa de ancestralidade misturada”. Muwallad é literalmente “nascido, procriado, produzido, gerado”, com a implicação de ser pertencente ao seio entre os árabes, mas não de sangue árabe puro. Muwallad é derivado da palavra raiz WaLaD (Árabe: transliterado do árabe direto do ولد: waw, lam, dal), onde a pronuncia árabe coloquial pode variar extremamente. Walad refere-se a “descendente, prole, herdeiro; criança; filho; menino; animal novo, jovem.". Muwallad refere-se à prole de homens árabes com estrangeiras, mulheres não-árabes. O termo muwalladin é usado ainda no árabe contemporâneo para descrever crianças de pais árabes e de mães estrangeiras.

Cholo é um termo de uso corrente, como criollos, pelos espanhóis no século 16, e foi aplicado aos indivíduos de ancestralidade ameríndia, ou outra origem proveniente desta origem. Atualmente o uso preciso de Cholo variou extensamente de épocas e lugares diferentes, mas perdeu a conotação negativa. Cholo, é um termo aplicado a pessoas de ascendência indígena com espanhol. A palavra “xolotl” (pronunciado “cholotl”) foi subtraida de uma palavra Asteca com o significado de cão,de onde resultou a connotação negativa para aplicar aos seres humanos.

O uso do termo é gravado primeiramente em um livro publicado em 1609 e em 1616, Comentarios Reales de los Incas por Inca Garcilaso De La Veja, onde escreveu:

“a criança de um macho preto e de uma fêmea índia, ou de um macho índio e de uma fêmea preta, chama-se mulato e mulata. As crianças destes é que se chamam cholo. Cholo é uma palavra das ilhas de Barlavento, que são as ilhas do sul das Pequenas Antilhas, no Caribe; significa cão, não da variedade respeitável mas de origem má reputação; e os espanhóis usaram-no para insulto e o vitupério”

No México Colonial os termos cholo e chacal eram sinônimos para indicar o “mestizo”[3] de união européia (Espanha) com ameríndia ou castizo de ancestralidade ameríndia. Sob a casta imposta pelo sistema de colonial na América, cholo era aplicado originalmente às crianças resultantes da união de um Mestizo e de uma ameríndia. O termo “cholo” tornou-se elemento caracteristico do Peru e evoluiu para caráter honroso dos habitantes do país onde são identificados sem complexo, como “cholos”. Em anos recentes, a migração extensiva aos centros urbanos maiores e a difusão de valores culturais além das cidades em áreas rurais, resultaram para inclusão de números vastos dos povos. "Cholas" e "Cholitas" são mulheres que adotam formas de vestir-se muito semelhante entre si, com vestidos e blusas revestidas de um chalé de uso apropriado, variado e bem colorido. Cholas possuem o cabelo enrolado, uma identidade impar, até apropriando um chapéu coquinho para dar uma aparência singela.

Os Criollos eram aqueles que formavam uma classe social no sistema de castas das colônias estabelecidas pela Espanha no século 16 na América Latina, compreendendo quem tinha ancestralidade espanhola e veio fixar-se na América. Criollo era uma classe abaixo daquela da Península, eram os colonos transportados para a América, considerados acima dos outros povos fixados como ameríndios e escravos africanos. De acordo com o sistema de casta, um criollo poderia legalmente ter algum ancestralidade ameríndia e não perder sua posição social. Nos séculos 18 e inicio do 19, as mudanças políticas espanholas para as colônias criaram tensões entre os criollos e Peninsulares. Os nacionalistas das guerras da independência eram em grande parte criollos.
A palavra criollo e seu correlato português crioulo, derivam do “verbo criar”, significando “produzir” ou nascido fora da origem. O termo foi usado nos estabelecimentos ao longo da costa africana ocidental pelos portugueses, quando do inicio das navegações rumo às Índias. O termo originalmente distinguia os membros de qualquer grupo étnico estrangeiro que eram nascidos localmente daqueles transportados da terra natal, no caso da Península, e que constituíram ancestralidade étnica misturada. Assim, nas colônias Portuguesas de África, crioulo era uma pessoa local transportada na descida pela costa africana. Na América portuguesa, crioulo era uma pessoa originária do preto puro, de ancestralidade africana.
Nas colônias espanholas, criollo era um espanhol de origem que fosse nascido nas colônias, ao contrário do espanhol peninsular também de pais espanhóis, mas nascido na Península, em território de Espanha. Os ingleses adaptaram o termo “creole” tal qual o francês créole, do espanhol criollo ou português crioulo.

No Brasil o termo tornou-se genérico a todos os que predominavam daqueles que tinham ancestralidade africana, que devido a suas raízes étnicas múltiplas e à extensão geográfica do país, não houve uma concentração de descendentes, não constituiu um grupo étnico coeso, único, não havendo uma separação de várias etnias africanas.

O mameluco, o “caboclo”, o caipira e o matuto
"Caipira picando fumo" José Ferraz de Almeida Júnior,óleo sobre tela, 1893.Pinacoteca do Estado de São Paulo

Sem considera-los forçosamente sinonimos vemos outras influências nos referidos termos, para uma manobra de controle para estipular um modelo de segregação e afastamento destes que eram considerados sem muita influencia no sistema desenvolvido, mas usados como parte integerantes para apossamento das terras pela ocupação, modelo praticado à época para determinar a quem pertenceria por esta qualificação, ou simplesmente ocupar para mandar.

Os mamelucos refere-se a palavra árabe para escravos que geralmente serviam a seus amos como pajens ou criados domésticos, e eventualmente eram usados como soldados pelos muçulmanos. Os primeiros mamelucos serviram os califas que os recrutavam em famílias não muçulmanas capturadas em áreas, onde não predominavam a cultura árabe. O uso de não muçulmanos justifica-se sobretudo porque os governantes islâmicos, muitas vezes lidando com conflitos tribais e debatendo-se com as intrigas e para manter o poder, muitas vezes desejavam depender de tropas sem ligação com as estruturas familiares e culturais de poder estabelecidas, motivo meramente político. As vantagens das tropas-escravas, formadas por maelucos, é que eram estrangeiros, estranhos as culturas árabes, possuiam o estrato mais baixo possível na sociedade, não poderiam conspirar contra o governante sem correrem o risco de ser punidos.
O termo caipira é um termo tupi Ka’apir ou Kaa-pira, que significa “cortador de mato”, referência dada pelos índios guaianás do interior do estado de São Paulo, deram aos colonizadores sentido de caboclos ou mamelucos, resultado da mistura de grupos indígenas e brancos. É também uma designação genérica dada, no Brasil, aos habitantes das regiões situadas principalmente no interior que retiram a subsistência da agricultura de sustentação, e às vezes referido como também como matuto, fruto de um processo de elementos que foram aos poucos incorporando em suas vidas o modelo de ser “encaixados” na mata original existentes, que era o habitat nativo e que resultou, para esse novo elemento, também seu espaço, considerado, desde então, como rural.
O termo teve sua origem no Estado de São Paulo, onde o núcleo original do caipira formou-se Região do Alto Tietê, estão entre as primeiras vilas fundadas no interior de São Paulo, durante o Brasil colonial, e de onde partiram algumas das importantes bandeiras no desbravamento do interior brasileiro, passando a Minas Gerais como “capiau”, palavra também significando “cortador de mato”.

O "caboclo" foi formado por um modelo de abandono e marginalização implantada pelos colonizadores para a conquista formando núcleos desamparados na mata e da opressão aos povos indígenas.

Outros termos persistem em descaracterizar um grupo de indivíduos:
1) SUDACA: é uma expressão depreciativa utilizada para referir-se aos sulamericanos muito freqüente na Europa. Usa-se o também termo “Sudaquia” para referir-se a América Sul.
2) JETAS DE LA PAMPA: porcos da planície (pampa=planície em quéchua)
Jeta tem vários significados para qualificar as feições podendo ser focinho de animal, ou no sentido de ser cara de pau

3) NACO é um termo usado freqüentemente na América Central, mais especificamente nas fronteiras do México para descrever alguém sem conduta social, de mau gosto sem uso refinado da expressão verbal e falta de gosto da maneira de vestir, além de mal educado, referindo-se geralmente aos estratos mais baixos e também às pessoas que adquiriram posição social através de um poder recente adquirido pelo dinheiro, os novos ricos. 4) COOLIE era um trabalhador não qualificado vindo do a partir do Extremo Oriente, particularmente China e Índia contratados para subsistência ou de baixos salários, a partir do século 19, usados para carregarem e descarregarem navios. A palavra coolie pode derivar do Hindi qūlī e que significa “o trabalhador do dia”,àquele que se sujeita as jornadas de quaisquer labor. A escravidão tinha sido difundida no império britânico, mas a pressão social e política conduziram libertação pelo Ato de Comercio Escravo de 1807; dentro de algumas décadas, muitas outras nações européias libertaram os escravos. Mas o intensivo trabalho colonial de produção de açúcar e plantações do algodão para abastecer as tecelagens inglesas, ou as minas de carvão para abastecer as siderurgias de produção de aço ou para movimentar as recentes estradas de ferro que estavam sendo exportadas pelo mundo requeria mão de obra alta e barata, a opção foram os coolies. Foram enviados também para a América, para suprir a falta de mão de obra, onde era usado até para recolher “guano” no Peru, fertilizante natural das fezes de aves de alto nível de nitrogênio, e foi exportado a partir do século 19 para a Europa. O comércio desta mão de obra proveniente dos coolies foi um modelo disfarçado de um novo escravismo.

CONSIDERAÇÕES:

Na realidade, quanto as procedências e suas diferenças variadas, mas assimiláveis ao longo do tempo através de uma miscigenaçâo diversificada faz de todos mestiços, pessoas que são descendentes de duas ou mais etnias, espécie humana[4], grupos étnicos variados[5]. Vale à pena considerar e celebrar a nossa etnia e nossa complexa ancestralidade. Uma amalgama fundida em um cadinho efervescente que forma outra estrutura diferente e mista. O poeta Octavio Paz, escreveu que o labirinto do mestizo (mestiço), estava na extremidade, “aquela de todos os homens”.

Gráfico das referências criadas para controle: ESPANHA

CRUZAMENTOS: Referências usadas por Colonizadores na América Espanhola

ESPANHOL+ ÍNDIA=MESTIZA

ESPANHOL+ MESTIZA=CASTIZA

ESPANHOL+NEGRA=MULATO

ESPANHOL+ MULATA=MORISCA

PRETO+ ÍNDIA=CHINA CAMBUJA

CHINA CAMBUJA+ ÍNDIA=WOLF (LOBA)

LOBA+ ÍNDIA=ALBARAZADO

ALBARAZADO + MESTIZA=BARCINO

ÍNDIO + BARCINA=ZAMBAIGA

CASTIZO+ MESTIZA=CHAMIZO

MESTIZO+INDIA=COIOTE

Referências de controle nos cruzamentos: PORTUGAL

Português+Ameríndio=caboclo (mameluco)
Ameríndio+Africano=cafuzo (zambo)
Português+Africano=mulato (mulatto)

Os métodos repressivos dos colonizadores foram bem semelhantes, mesmo quando administrados por conceitos diversos tiveram o mesmo modelo de ação para exercer seus domínios, e requerer valores descabidos, como a invasão de terras[6] que pertenciam anteriormente aos autóctones ameríndios. O poder sempre se assemelhou ao longo do tempo, somente trocou sua roupagem para prevalecer seus interesses, mas o uso da coerção foi sempre de intimidação e desrespeito a alteridade. Manter um povo na penumbra do saber dando-lhe o mínimo de subsistência é um modelo retrogrado de submissão, que fomenta o desespero e a violência, uma nação não tem que possuir medo de seus filhos para prover-lhes condições para que haja respeito mutuo, e se não houver de ambas as partes participação de crescimento, a nação sucumbe e seu povo torna-se submisso a outro povo mais coeso.


BIBLIOGRAFIA

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Mattos, Hebe. As cores do silêncio, 2ª Edição, Nova Fronteira, 1998.

FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Formação da Família Brasileira sob o Regime de Economia Patriarcal. Editora Record, Rio de Janeiro, 1988.

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Prado, Paulo. Retrato do Brasil, org. Carlos Augusto Calil, 8ª ed., São Paulo, Companhia das Letras, 1996.

Schwarcz, Lilia. O espetáculo das raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil , 1870-1930, São Paulo, Companhia das Letras, 1995.

Paz, Octávio. O labirinto da solidão e Post-scriptum; tradução de Eliane Zagury. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2ª Edição, 1984.

Brent Kennedy é o autor de "O Melungeons: A ressurreição de um povo orgulhoso”. Artigo na Islâmica Horizons Magazine (November/December 1994) a nd republished here with permission. (Novembro / dezembro de 1994).

Saraiva, Antônio José. Inquisição e Cristãos-novos. 5ª Ed., Lisboa, Editorial Estampa, 1985.

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/populacao/cor_raca_Censo2000.pdf.
"The Race Question", UNESCO AND ITS PROGRAMME, 1950.
http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001282/128291eo.pdf

QUADROS: Las castas. Anonymous, 18th century, oil on canvas, 148x104 cm, Museo Nacional del Virreinato, Tepotzotlán, Mexico e Miguel Cabrera, oil on canvas


ANOTAÇÕES:

[1] Como se tornou prostituta a cidade fiel, cheia de retidão. Outrora habitou nela a justiça, mas agora habitam os homicidas. A tua prata converteu-se em escória; o teu vinho misturou-se com água. Os teus príncipes são infiéis, companheiros de ladrões; todos eles amam as dádivas, andam atrás das recompensas. (Isaías, 1: 20-23)

[2] Cripto-judeus é como foram designados os judeus obrigados a praticarem a sua fé em segredo, ficando nos “subterrâneos” , escondidos para praticarem a fé que professam mas que efeito das perseguições religiosas, publicamente praticam outra religião.

[3] Do latim mixticius, misturado.

[4] A palavra "raça" não deve ser utilizada para dizer que existe diversidade humana. A palavra "raça" não tem base científica. Ela foi usada para exagerar os efeitos das diferenças aparentes, ou seja, físicas. Não se pode basear nas diferenças físicas: a cor da pele, o tamanho, os traços do rosto, para dividir a humanidade de maneira hierárquica, ou seja, considerando que existem homens superiores em relação a outros homens, que seriam postos em uma classe inferior. Eu te proponho não mais utilizar a palavra "raça”. (Le racisme expliqué à ma fille, Tahar Ben Jelloun)

[5] A palavra "etnia" é derivada do grego ethnos, significando "povo". Esse termo foi utilizado para se referir a povos não-gregos, então também tinha conotação de "estrangeiro", que foi usado para diferenciar os de fora, os gentios.
Etnia compreende os fatores culturais, nacionalidade, a afiliacão tribal, religião, língua e tradições, enquanto raça compreende apenas os fatores morfológicos, como cor de pele, constituição física, estatura e traço facial.
Recorrer ao termo raça(antigo conceito antropológico) para os humanos sempre esteve ligado a questões políticas, com utilização dominadora e de estratificação social.
No conceito biológico de espécie hoje em dia o taxon* mais aceito é o de Dobzhnzsky e Mayr e tem-se que: "Espécies são grupos de populações naturais que estão ou têm o potencial de estar se intercruzando, e que estão reprodutivamente isolados de outros grupos".(*taxonomia; tassein/classificar+nomos/ciência)

[6] Ai de vós os que ajuntais casa com casa e ides acrescentando campo a campo, até chegar ao fim de todo o terreno! Porventura haveis de habitar sós no meio da terra? (Isaías, 5:8)