sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O MATADOURO DA VILA CLEMENTINO (CINEMATECA), O TREM DE SANTO AMARO E SEU IDEALIZADOR, ENGENHEIRO ALBERTO KUHLMANN

ENGENHEIRO ALBERTO KUHLMANN

Georg Albrecht Hermann Kuhlmann, nasceu em Bremenhaven, Alemanha a 31 de julho de 1845, vindo para o Brasil em 1862. Formou-se engenheiro pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, trabalhou para o Império em planejamento urbano. Em 1879 veio para São Paulo, convidado pelo conselheiro Antonio Prado para idealizar outro conceito de cidade no posto de gerente da Companhia Viação Paulista.


Naturalizado brasileiro, construiu a Ferrovia de Santo Amaro, registrada como “Companhia Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro” inaugurada em 14 de março de 1886, com 19,1 quilômetros, presumivelmente indo de Largo 13 de Maio, paravam para cargas na Praça Santa Cruz, em Santo Amaro, indo até a Liberdade, usando locomotivas a vapor da empresa alemã Krauss ou os Kastenloks usada para abastecer a capital com produtos agrícolas, muita lenha para suprir a necessidade de energia, com aproximadamente 25 toneladas de produtos por ano, seguindo o plano de estrutura de abastecimento da cidade de São Paulo.
Alberto Kuhlmann assumiu o compromisso da ferrovia , em 1883, depositando 5.000 réis na assinatura de garantias do contrato, com recursos próprios, e investidores santamarenses assumiram o investimento na ordem de 300.000 réis, pois a ferrovia traria dividendos para a região. Em 1891, com a República, Alberto Kuhlmann foi eleito deputado estadual pelo PRP para formar a Constituinte de São Paulo, em 1891. Faleceu na Alemanha, em 5 de novembro de 1905, representando o governo brasileiro para fortalecer o intercâmbio teuto-brasileiro e fazer propaganda do café paulista. MATADOURO DA VILA CLEMENTINO
Projetou e construiu também o Matadouro Municipal de Vila Clementino, oficialmente inaugurado definitivamente em 21 de junho de 1887 após várias pré-inaugurações. Localiza-se no Largo Senador Raul Cardoso (antigo Largo do Matadouro), nº. 207, em Villa Marianna, atualmente espaço da Cinemateca Brasileira. Nas paredes do prédio consta: “Construído no quadriênio de 1883 a 1887. Presidente da Câmara Dr. Manoel Antonio Dutra Rodrigues. Architecto Alberto Kuhlmann”.
O jornal Correio Paulistano 06 de janeiro de 1887relata a inauguração:
“Realizou-se ontem a inauguração do novo matadouro, sito no arrabalde de Villa Marianna. Às duas da tarde, partiu da Rua Vergueiro um comboio da Companhia Carris de Ferro de Santo Amaro, conduzindo o excelentíssimo presidente da província, vereadores, representantes da imprensa, outras pessoas gradas e uma banda de música, chegando todos ao novo matadouro às três horas e um quarto...”
O abate de gado e outros animais foi extinto em 1927, pelos mesmos motivos que determinaram o fim do Matadouro da Liberdade. O Matadouro estava pequeno para atender a demanda da cidade de São Paulo, então com aproximadamente 600 mil habitantes, e somava a isso o problema de higiene quando o descarte era feito nas águas do Córrego do Sapateiro (passando pelo Ibirapuera, descendo para o Itaim Bibi, na atual Avenida Juscelino Kubitschek, desembocando no Rio Pinheiros).
Tanto o Matadouro quanto a ferrovia obedeciam a um plano diretor de expansão da cidade que estava em franco crescimento. Depois do abate a carne era transportada de trem até a Estação São Joaquim, Liberdade, e dali em carroções apropriados para esta finalidade, indo até o tendal. Ao lado do matadouro, de instalações modernas para a época, foi construído um curtume, próximo ao Córrego do Sapateiro, que recebia todos os detritos do abate.











O TREM DE SANTO AMARO
A Cia. Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro duraria até o ano de 1900, pois a linha ferroviária tornou-se deficitária e São Paulo assinou contrato com a Light and Power em 1899, empresa canadense sediada em Toronto, tendo entre seus acionistas ingleses e norte americanos, para implantar o sistema eletrificado das linhas. Deste modo a Cia. Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro entrou em liquidação e seu ativo e passivo foram arrematados em leilão pela The São Paulo Tramway Light and Power, que continuou explorando-a até 1913, quando os trens foram substituídos pelos bondes elétricos, sendo construída a primeira Hidrelétrica de São Paulo, a Usina de Parnaíba, no Rio Tietê inaugurada em 23 de setembro de 1901 (depois denominada Usina Hidrelétrica Edgard de Souza ou Barragem Edgard de Souza).








Nota:
O Matadouro Municipal de Vila Clementino, na “Villa Marianna”, foi tombado pelo Patrimônio Histórico Arquitetônico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo em 1983. O Matadouro Municipal é atual Sede da Cinemateca Brasileira, Largo Senador Raul Cardoso, n.º 207 - Vila Mariana - São Paulo.
Créditos das fotos Arq. Hist. Municipal e/ou autor

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