quinta-feira, 19 de março de 2026

Seminário do Ibaté, São Roque/SP, inaugurado em 19 de março de 1949

Formação de seminaristas ao sacerdócio

O Seminário de São Roque começou a funcionar em 1949. Até então, os padres da Arquidiocese de São Paulo usavam as dependências em Pirapora, no Seminário dos Padres Premonstatenses. Chegava-se ao Seminário do Ibaté de trem ou por ônibus das empresas que faziam trajetos pelas cidades de São Roque, Araçariguama ou Pirapora,
O Seminário Menor Metropolitano Imaculado Coração de Maria, conhecido por Seminário de São Roque ou Ibaté, teve sua inauguração realizada em 19 de março de 1949, onde permaneceu ativo até 1973.
Um pouco dessa história inicial
Na edição de 12 de março de 1949, o jornal “O Democrata” apresentava uma coluna assinada pelo frei Paulo Maria do Carmo, à época pároco de São Roque, enaltecia inauguração do Seminário do Ibaté, em bairro de mesmo nome:
“O certo é que a cidade de São Roque ainda não acordou para o entusiasmo, engrandecida e beneficiada com uma incomparável mercê de Deus”.
Naquele momento ocorria, a transferência do Seminário de Pirapora do Bom Jesus para São Roque, no bairro do Ibaté.
A construção foi iniciada pelo cardeal de São Paulo, Dom José Gaspar em 1943 para uso de seminaristas em férias. Transformar o espaço em Seminário partiu de decisão do cardeal Dom Carmelo de Vasconcelos Motta, arcebispo de São Paulo de 1944 a 1964.
Confirmou-se que os membros eclesiásticos para esse momento solene inaugural do seminário chegariam na cidade de São Roque no trem das 10:20 horas. As boas-vindas das autoridades religiosas, coube a recepção ao prefeito da cidade de São Roque, Joaquim Firmino de Lima.
Assim o Seminário Menor começaria suas atividades da propedêutica onde coube a honra de receber a incumbência de administração do Seminário do Ibaté, ao Bispo Auxiliar, Antônio Maria!
O Seminário do Ibaté foi edificado com o propósito de formação de centenas de jovens que chegavam ao Seminário do Ibaté de trem ou por ônibus das empresas que faziam trajetos pelas cidades de São Roque, Araçariguama ou Pirapora, e depois passavam para as dependências do Seminário.
Ficaram conhecidos como "ibateanos", e quando chegavam na entrada deparavam-se com uma inscrição em latim:
"Parva domus magna quies".(Casa pequena, muita paz)
INFORMATIVO Nº001
ESTAMPA A PARTIR DO Nº016 Muitos se reúnem desde 1993 nas dependências do Seminário e editavam o informativo de ex-alunos, que a partir do número 16, de maio de 1997, estampava nome na capa: “Echus de Ibaté”, com lembranças do Seminário e onde um desses seminaristas era o Bita, ordenado em 1963, tornou-se o padre Edmundo da Mata que teve uma passagem pela Freguesia do Ó, em São Paulo, quando era o pároco deste bairro tradicional de São Pulo, o padre José Maria Fernandes Collaço. Deste local recebeu a incumbência de vir zelar pela Paróquia São Luiz Gonzaga, no bairro do Jardim São Luiz
Reabertura:
Em 19 de março de 2024 o Seminário do Ibaté foi reaberto, retomando suas atividades com o curso propedêutico, para formação de novos seminaristas, a cargo da Diocese de Osasco, anúncio este feito pelo bispo diocesano, Dom João Bosco Barbosa de Souza.
Fotos do Seminário do Ibaté


















quinta-feira, 5 de março de 2026

O Que Foi o Feirão Coberto do Bairro Jardim São Luiz, São Paulo

Local das Feiras Livres do Bairro Jardim São Luiz, São Paulo  

No bairro Jardim São Luiz houve desde o início feiras livres em vários locais como na Rua 2, atual Rua Satulnino de Oliveira, na antiga Avenida São Luiz, atual Avenida Maria Coelho Aguiar e na Rua 25, atual Rua Dr. Octacílio de Carvalho Lopes.


No governo do prefeito Brigadeiro José Vicente de Faria Lima foram construídas feiras cobertas em terrenos municipais, para se evitar a obstrução de ruas.

A cobertura ficou conhecida como “Feirão”, construída a partir de 25 de novembro de 1968, através da empresa SERGUS Engenharia e Comércio Ltda, com o valor da obra orçada em Cr$345.279,56 cruzeiros, a moeda circulante da época, contrato número 375168, com projeto de responsabilidade do engenheiro Arnaldo Christiano e do arquiteto Carlos Egberto de Arruda Pinto.


No local do projeto original da feira havia duas residências e para se instalar o projeto piloto do “feirão” do Jardim São Luiz foi necessário desapropriar o fotógrafo “Chico” Furukawa e Dona Tereza, área localizada próxima à “Panificadora São Luiz”, no bairro Jardim São Luiz, São Paulo, que tinha a razão social T. D. Oliveira & Filhos, na antiga Rua 1, hoje Rua Geraldo Fraga de Oliveira, nº 195, com atividade iniciada em 1º de outubro de 1960.




A inauguração do “feirão coberto” aconteceu em 31 de março de 1969 com a presença de autoridades municipais da prefeitura da cidade de São Paulo. Nessa inauguração uma placa comemorativa em bronze foi fixada a uma enorme pedra extraída da “bica das lavadeiras”, uma mina de água que existe até hoje no local.


Com o passar do tempo, durante o período quando o local não servia para sua finalidade original, o galpão era usado para longas “peladas” das crianças ou a efêmera, mas atraente, Escola de Samba do saudoso Trabucão, ou da posterior “Grêmio Recreativo Esportivo Cultural Escola de Samba Mocidade Unida São Luiz” (subsidiada por um comércio emergente como o “Estacionamento Domingos”, “Supermercado Eduma” e “Gino Loterias”), que se tentou com sacrifício implantar[1]. Ali se escutou muito repique e “surdão” ao estridente comando de um apito pausado.

Enfim chegou a promessa da modernidade e a cobertura do Feirão foi derrubada na década de 1990.



Hoje, o lugar acomoda o a sede da Companhia da Força Tática da Polícia Militar de São Paulo, onde antes abrigava-se funcionários e equipamentos do serviço de manutenção municipal, responsáveis por manter limpo o feirão e as ruas adjacentes. A construção da sede da Companhia em comum acordo do governo municipal e estadual, fechou o acesso lateral da Rua Francisco Cerqueira, que era a entrada do Colégio Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva.



A feira livre estava sobre ameaça de ser retirada do seu local de origem e deste modo alguns feirantes e moradores do Jardim São Luiz foram para a Câmara Municipal de São Paulo com abaixo assinado de mais de 1500 assinaturas para que a feira permanecesse onde antes era o “Feirão Coberto”, sendo deferido o pedido de permanência das mais de 60 barracas oficializadas no local, nessa época.


Em 09 de agosto de 2007, foi inaugurada à Rua Arlindo Fraga de Oliveira, em frente a uma parte da feira do bairro, uma Agência da Caixa Econômica Federal, onde estiveram presentes autoridades de governo e recebendo às bençãos do padre Edmundo da Mata.





Muito se cogitou para que no local do Feirão se formasse um mercado modelo, mas optou-se por construir a Praça José Fernandes Camisa Nova. Em julho de 2006, com o compromisso de “Urbanização do Jardim São Luiz”, começaram as obras municipais através da Empresa de Engenharia Cosladel. A feira foi remanejada para a Rua Arraial dos Couros, rua adjacente à Praça José Fernandes Camisa Nova, onde permanece até hoje, todas às quartas-feiras e domingos.





Crônica sujeita a revisão sem prévio aviso.



Vide complemento no link:

Os feirantes mais antigos do Bairro Jardim São Luiz, quiçá de São Paulo, na ativa!

https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2017/04/os-feirantes-mais-antigos-do-bairro.html

Pioneirismo da “Panificadora São Luiz” no Bairro Jardim São Luiz/SP

https://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2019/06/pioneirismo-da-panificadora-sao-luiz-no.html



[1] Depoimento do morador do Jardim São Luiz, conhecido por Cacaio, em 25 de agosto de 2007, citando ainda o apoio de Fradisney e Chapinha, este é hoje integrante do atual Samba da Vela, apresentando-se no antigo Mercado Municipal de Santo Amaro, atualmente Centro Cultural. Sobre a primeira escola dirigida pelo Trabucão, Cacaio cita seus filhos ainda presentes na região, Serginho, José Luis e Osni.


...um dia na feira



















terça-feira, 3 de março de 2026

O HOSPÍCIO DO JUQUERY/SP

RESUMO DE COMO FOI IDEALIZADO O ASILO COLÔNIA DA SUCURSAL DO JUQUERY DO HOSPÍCIO DE ALIENADOS DE SÃO PAULO E NOSSA INCURSÃO EM SUAS DEPENDÊNCIAS



A comissão de Higiene do Estado de São Paulo estudou a implantação de um segundo hospital de Alienados em substituição ao Hospital da Várzea do Carmo, em São Paulo. Essa comissão era formada pelo engenheiro Teodoro Sampaio, o médico Francisco Franco da Rocha e o botânico Alberto Loefgreen.
O projeto do Juquery foi de responsabilidade dos arquitetos Emílio Olivier e Ramos de Azevedo. Suas obras foram iniciadas em 1895, tendo sido reservado um crédito de 1.000:000$000 de réis para as obras em um terreno de 600 mil metros quadrados, com edificações, que eram divididas em alas masculinas e femininas e contava inicialmente com 800 leitos. O hospital se tornou referência nacional em psiquiatria, apesar de a especialidade naquela época representar um grande mistério para a medicina.
O Asilo de Alienados do Juquery foi inaugurado pelo doutor Francisco Franco da Rocha em 18 de maio de 1898 e encerrou as atividades em 01 de abril de 2021, com a transferência dos nove últimos pacientes que ali viviam, neste que é um capítulo triste da história, havendo então o fechamento de todos os manicômios de internação permanente existentes no Brasil. ("Lei Antimanicomial" n. 10216/2001, que redireciona o modelo de assistência em saúde mental, para tratamento em meio aberto, diverso dos ditos "hospícios" e assim o SUS criou, os CAPS "Centros de Atenção Psicossocial")

HOJE 03 DE MARÇO DE 2026 FOMOS VISITAR O LOCAL
O QUE TEM MEDO O ESTADO DE MANTER TANTA VIGILÂNCIA NESSE COMPLEXO?
RESPOSTA: ABANDONO!
A pesquisa histórica não está na cadeira por trás de um computador de uma escrivaninha em uma sala com ar-condicionado!
Pegamos o trem da CPTM de São Paulo para Jundiai e desembarcamos em Franco da Rocha para conhecer esse complexo hospitalar do Juquery desativado.
No terminal tomamos o ônibus Linha 200, que não cobra pela tarifa, e desembarcamos próximo a farmácia onde o governo estadual concede remédio a população, e há de se dizer que dentro desse complexo o atendimento médico nos parece aceitável, ao menos é o que nos disseram as pessoas que se servem desse benefício, mas não foi esse o intuito que nos levou a esse local, e sim a história desse local!
Existe o Museu Osório Cesar, nas dependências do complexo, mas infelizmente fechado!


Observamos que o local é extremamente vigiado, e nosso primeiro contato com a vigilância, foi dito que não poderíamos tirar fotos, pois o local era “um patrimônio histórico”!
Continuamos a caminhar e vimos ao longe que os seguranças estavam preocupados com nossa presença, inclusive uns avisando aos outros.
Conseguimos furar um bloqueio onde não havia a “vigilância de proibição” e não usei minha câmera fotográfica, mas sim o celular para chamar menos atenção!










Registramos alguns galpões antigos, parecendo mais prisão do que um hospital até que um descuido nosso, um dos vigilantes nos obstruiu a passagem e nos disse que não deixaria continuarmos nossa excursão pelo complexo. Acatamos depois de questionar o porquê de não ser permitido registrar, pois não estávamos delapidando o patrimônio. Retrucou que recebia ordens e nós teríamos que voltar, pelo mesmo mato alto que entramos.
Para evitar conflito acatamos, pois ele recebe ordens superiores internas, e isso faz parte do serviço dele!
Ficam as perguntas:
De quem partiu a ordem de não se permitir registros históricos do maior manicômio que se construiu no Brasil?
Afinal qual é o medo do Governo paulista?
Assim retornamos para a cidade de Franco da Rocha e votamos para casa, em São Paulo, com algumas imagens que conseguimos com alguma pericia em nome da historiografia, por demais proibida pelos órgãos de poder!