quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Santo Amaro e o Torneio de Futebol de Várzea Luiz de Mona
Clube Atlético Socorro Tri Campeão
Pelo noticiário do então jornal A
Tribuna, nº 1155, de 6 de dezembro de 1958 anunciava-se os preparativos para o primeiro
Torneio Luiz de Mona, onde eram convidados os dirigentes das maiores
agremiações de Santo Amaro. Era o passo inicial para tão esperada contenda futebolística
da várzea de Santo Amaro e que muitos aguardavam com grande entusiasmo.
A Copa Luiz de Mona iria ser
disputada com o sentido transitório ou definitivamente desde que o competidor
se sagrasse tri campeão e seria em homenagem ao desportista local Luiz Silva
tradicionalmente Luiz de Mona. Todo o tramite preparatório coube ao anfitrião Grêmio
União Santo Amaro que montou a comissão organizadora do certame.
Foram realizados seis torneios
anuais a partir de 1960. No derradeiro torneio do ano de 1965 sagrou-se tri
campeão o Clube Atlético Socorro, do Bairro Capela do Socorro, onde se localiza
a Represa de Guarapiranga e pelo regulamento tornou-se ganhador definitivo do troféu,
onde estavam presentes as seguintes equipes:
Clube Atlético Socorro
Clube Atlético Santo Antonio
Corinthians de Vila Iza
Estrela do Norte
Esporte Clube Jardim São Luiz
Grêmio Campo Grande
Grêmio União Santo Amaro
Velnac Futebol Clube
Deste torneio também foram selecionados os seguintes atletas para figurarem na seleção de Santo Amaro:
Grêmio União Santo Amaro =Espanhol, Empadinha e Dinhola
Corinthians de Vila Iza =Branco, Gê, Alemão e Wilton
Estrela do Norte =Julinho, Bahia, Pelé e Craveiro
Clube Atlético Socorro =Barbosa, Romeu, Alir, Loiro, Yostia e
Oduvaldo
Grêmio Campo Grande =Moacir e Maurício
Esporte Clube Jardim São Luiz =Clarêncio, Ditão, Dudu, Wilsinho e Maloca
Clube Atlético Santo Antonio =Zé Souza, Paico, Diamante, Lauro e
Giloca
Velnac Futebol Clube =Quebrinha, Véia e Oswaldinho
A Tribuna de 24 de abril de 1965
estampava o seguinte dizer relativo ao VI Torneio Luiz de Mona:
“Ganhem jogos, mas não percam
respeito ao competidor. Percam jogos, mas não percam a linha que dignifica e
enobrece os desportistas. O insucesso é estimulo para melhorar e progredir!
Vitória é prêmio justo àquele que lutou mais, que suou mais a camisa, que perseguiu
com mais insistência o caminho das redes, que teve mais entusiasmo ou que teve
mais sorte. Vencedor como perdedor deverão receber o fato como contingências do
esporte. Nada mais. Nada manos. Quem compete, ganha ou perde. O importante e ter
sobriedade, calma e respeito para receber um ou outro”.
No jornal A Tribuna, nº 1510, de
2 de outubro de 1965 estampava: C.A.
Socorro festeja a posse definitiva da Copa “Luiz de Mona”.
Coube ao Clube Atlético Socorro
realizar o feito da conquista definitiva da Copa Luiz de Mona, onde granjeou
o respeito de todas as agremiações que estiveram representadas no certame e que
foi comemorada com a entrega de medalhas aos atletas campeões, além de um
coquetel e uma suculenta churrascada, com acompanhamento musical dos “Os
Sambam-Boy’s” e completado com “grandiosa reunião dançante” abrilhantada pelos “The
Funny Boy’s”.
Havia um agradecimento da
diretoria do Clube Atlético Socorro ao senhor Pierre Gustavo Pelerin, dono do
Depósito de Materiais Guarapiranga pela gentileza em ceder sua linha telefônica
para transmissão radiofônica para o encerramento da Festa do Tri de um dos mais
expressivos torneios de várzea da época.
(Revista Interlagos-Dezembro de 1953)
(Revista Interlagos-Dezembro de 1953)
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
O "Código de Posturas" e o "Plano Diretor Estratégico" da Cidade de São Paulo
Muito se fala hoje de
plano diretor da cidade de São Paulo, plano de bairros, enfim uma gama de pré-soluções
para providências mínimas de sustentabilidade e bem estar para a população paulistana.
O que se há de requerer para uma finalidade de um aglomerado onde a cidade esta
em constante transformação. O que se busca é adequar o espaço físico ao
crescimento expandido da cidade.
O que era a solução
anterior onde se tinha bairros formados por residências baixas, numa verticalização
por todo o território, modela-se atualmente um novo modelo que é sem dúvida a
verticalização da cidade de São Paulo. Hoje ainda se discute o território e o
tributo daquilo que representa o que seja o núcleo central expandido com sua
valorização imobiliária e seus tentáculos financeiros que valorizaram áreas
antes consideradas de referência rural.
No hodierno requer-se
mais valor agregado no imposto predial, em locais que excedem valores
financeiros ao que antes pouco valia como área física em valor venal de
imposto. Forçam uma valorização de bairros anteriormente considerados periferia
da cidade, querendo impor aos proprietários o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) elevado, alegando
valorização urbana, sem levar em consideração todo o contexto do crescimento de
determinada localidade.
Código
de Postura (século 19)
Voltemos um pouco ao
tempo neste mesmo espaço citado:
Os arruamentos de
vilas, bairros, figuram na planta de 1897 onde a preocupação é a formação das
vias públicas, na extensão dos arruamentos que tiveram origem ainda na transição
da política do regime imperial para o republicano. Pelo “Código de Postura” de
1886, eram definido a “Carta de Datas”, onde data representava a denominação
para os terrenos em função de sua localização em cada local da Cidade de São
Paulo. Nesta ótica de então, com o
prolongamento de ruas existentes que não afluíam tanto movimento de veículos e
onde circulavam apenas veículos leves como aranhas, carroças, charretes e tilburis,
e, estavam prevalecendo nas ruas largas e travessas próxima ao povoamento mais
adensado os terrenos(datas) amplos de no
mínimo 15 metros de frente, com 35 metros de fundo. Em áreas situadas fora
deste eixo das povoações prevaleciam os terrenos (datas) com 15 metros ou mais e com, sendo que o
comprimento (fundos) atingiam a dimensões 80 metros.
A Constituição
Federativa de 1891 transferiu para os estados a regulamentação e organização do
serviço de terras, usando a disposição dos princípios estabelecidos pela Lei da
Terra de 1850, e pelo seu regulamento de 1854, onde se organizou o plano geral
da cidade. Assim a Constituição do Estado de São Paulo com a lei nº 16 de 1891,
toma com base na legislação de terra do século 19 adotando o plano básico para
a ocupação de terras do município, originalmente “Terras Reservadas” destinadas
à colonização.
Comissão
Técnica de Melhoramentos
Surge então o projeto
de lei de Mendes Gonçalves, aprovado em 20 de agosto de 1896, sob o nº 264,
criando a Comissão Técnica de Melhoramentos, subordinada à “Intendência de
Obras”, que estaria encarregada de elaborar o “Plano Geral da Cidade”, fazendo
o levantamento topográfico e o cadastro, além de aprovar novos alinhamentos de
ruas e assumindo o tombamento de terrenos municipais que consistia do registro
dos requerimentos de concessão (das datas), onde a decisão dependia da Intendência
de Obras e da Intendência de Finanças. Em 23 de novembro de 1896, foi nomeado
para a Comissão Técnica de Melhoramentos o engenheiro João Pereira Ferraz, que
havia sido docente da Escola Politécnica e presidente da Comissão de Saneamento
do Estado de São Paulo, entre os anos de 1892 a 1896.
Assumia a tarefa de
organizar “o plano ou projeto geral da
cidade de São Paulo, fazendo para esse fim os serviços necessários e
confeccionando os planos técnicos gerais, parciais e detalhes para o conjunto
de obras e edificações a executar para retificações, melhoramentos,
embelezamentos e tudo que seja necessário para que a cidade seja colocada em
condições estéticas e confortáveis”. (FERRAZ, p.269)
No ano de 1898 a Planta
Geral era publicada como e desprende da afirmação feita pelo presidente da Câmara,
o coronel Antonio Proust Rodovalho, em discurso de janeiro de 1899:
“Que
a recente publicação da planta da capital pela Intendência de Obras foi um
passo dado para chegar-se a perfeita averiguação a área ocupada Poe esta
cidade, bem com dos terrenos de propriedade da Câmara, os quais, em zonas
inteiras são mal conhecidos, conforme disse, em seu relatório de 1897 a Comissão
Técnica de Melhoramentos”.
PLANTA
GERAL DA CAPITAL DE SÃO PAULO Organisada sob a direcção do Dr Pedro Augusto
Gomes Cardim – 1897 –Escala de 1:20.000.
Em 1897 foi elaborada a
“PLANTA GERAL DA CIDADE”, pelo Intendente de Obras, Pedro Augusto Gomes Cardim[2],
contendo o sistema viário existente com propostas entre as quais a realização
de uma avenida circular, visando integrar os bairros mais distantes como Campos
Elíseos, Avenida Paulista, às estações ferroviárias, sem necessidade de passar
pelo centro, onde o percurso previsto seria: Avenida Angélica, Avenida
Paulista, Rua do Paraíso e Estrada do Vergueiro, locais à época distantes da
Sé.
Plano
Diretor Estratégico (ano de 2013)
Entre as primeiras interferências
na Cidade de São Paulo, e as novas tendências de ocupação do solo, há uma
distancia de acomodação significativa ao longo de mais de um século.
O projeto de lei para o
Novo Plano Diretor Estratégico (2013) da cidade de São Paulo prevê construções
de edifícios mais altos do que regia anteriormente em vias servidas por corredores
de ônibus e linhas de metrô e trem, aumentando a concentração de residências nos
eixos servidos por esses tipos de transporte. Deste modo incentiva-se a construção
por parte das incorporadoras de imóveis a construir prédios que sejam quatro
vezes a área física do terreno desde que as mesmas assumam o compromisso de investir
mais na infra-estrutura urbana.
Nova realidade, velhos problemas para um novo
olhar da Cidade de São Paulo!
Vide:
A “Cracolândia” e a
Implosão “Moinhos Matarazzo”
A INTENDÊNCIA, A
RETIFICAÇÃO DO TAMANDUATEÍ E A ILHA DOS AMORES
Bibliografia:
ALMEIDA
JR,
João Mendes de. Monographia do Município da Cidade de São Paulo. Estudo
administrativo de São Paulo. Typografia de Jorge Secker, 1882
FERRAZ,
João Pereira. Comissão Técnica de Melhoramentos, 20 de outubro de 1897.
Relatório apresentado à Câmara Municipal de São Paulo pelos intendentes de Obra
Doutor Pedro Augusto Gomes Cardim, 1897. Escola Typográfica Salciana, p.269
REIS
FILHO, Nestor Goulart. Algumas Experiências Urbanísticas no
Início da República: 1890-1920. São Paulo: FAUUSP, 1994.
FICHER,
Sylvia. Os Arquitetos da Poli. Ensino e Profissão em São Paulo. São Paulo:
FAPESP, EDUSP, 2005
O
ESTADO DE SÃO PAULO, Especial, p.H 18. 25 de outubro de
2013
[1]
O barão Haussmann foi prefeito de Paris entre 1853-1870. Ele
empreendeu uma profunda e polêmica reforma urbana que inspirou intervenções em
várias outras cidades do mundo. O objetivo principal era modernizar Paris que
em pleno século XIX mantinha muito de sua estrutura medieval, cujo centro era
composto de muitos quarteirões insalubres. Seu projeto consistia em redesenhar
o traçado urbano compondo uma “nova cidade” mais racional, organizada e
harmônica. Para realizar esta tarefa foram necessárias várias demolições. Isso
fez com que muitos estudiosos criticassem duramente essa haussmanização. As
críticas não eram contrárias à reforma em si, mas sim na maneira como ela foi
realizada.
[2]
Pedro Augusto Gomes Cardim foi
diretor do Correio Paulistano e era Intendente de Obras de São Paulo quando da
realização da Planta Geral da Capital de 1897 sendo responsável pela
regulamentação do loteamento de Higienópolis. Foi um dos fundadores do
Conservatório Dramático e Musical e o principal idealizado, em 1925, da
Academia de Belas Artes de São Paulo, tendo sido seu primeiro diretor.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Autonomia de Santo Amaro/SP: Quais as vantagens hoje?
Os interesses políticos
e suas nuances
A emancipação
política de Santo Amaro pode-se dar por Decreto Lei através do governo de São
Paulo, revogando o decreto nº 6983, de 22/02/1935 da perda da autonomia ou pela
convocação de plebiscito, ou seja, pelo voto popular de eleitores que
participam da região.
De tempos em
tempos há burburinho sobre a autonomia de Santo Amaro e sua emancipação
política, administrativa e econômica, havendo anteprojeto tramitando novamente
em parlamento abrindo espaço para mais aproximadamente duas centenas de novos
municípios. Há de se ter como primeira prerrogativa a possibilidade de um novo município
tenha que ser autônomo primeiramente por ter capacidade em gerar riquezas para
a sua auto-sustentação!
Santo Amaro já teve
seu período de administração autônoma de 1832 a 1935. Em 22 de fevereiro de
1935, já havia um decreto 6983, à porta do subprefeito de Santo Amaro, onde o doutor
Brenha Ribeiro, foi destituído do cargo através do interventor do Estado de São
Paulo, Armando de Salles Oliveira, cumprindo ordem expressa do governo federal
Getúlio Dornelles Vargas. Coube ao engenheiro Américo de Carvalho Ramos ser
nomeado pelo interventor de São Paulo para o Departamento das Municipalidades,
e em 1936, designado pelo prefeito paulista, Fábio da Silva Prado, subprefeito
de Santo Amaro, que contava à época com aproximadamente cinqüenta mil
habitantes. O novo prefeito recebeu na época o montante 2,38 bilhões de réis, pára
serem administrados e orçamento de 600 milhões de réis do ano de seu exercício.
Santo Amaro possuía então
522 casas comerciais, 10 padarias, 6 carvoarias de médio porte que inclusive
por longa data abastecia a cidade de São Paulo, somado a isto mais 7
carpintarias e uma unidade de ladrilhos, outra de tamancos, calçados comum na
lavoura, feitos em madeira, indústria moveleira, enfim uma gama de
empreendimentos em expansão. Nisso ainda se somava uma estação de rádio,
jardins arborizados, 45 automóveis de aluguel, 250 autos particulares, 3 carros
oficiais, 12 caminhões, 127 bicicletas, 65 barcos e 200 charretes, modelo aranha.
As fronteiras de Santo
Amaro compreendiam um território de 640 quilômetros quadrados inserido dentro
desta área física o Aeroporto de Congonhas, que delimitava com o município de São
Paulo à região pelo Córrego da Traição, um ribeirãozinho afluente do Rio
Pinheiros, que hoje está canalizado e por onde passa a Avenida Bandeirantes. O
atual Palácio do governo paulista, no Bairro do Morumbi, também está em área do
antigo município de Santo Amaro, assim como outros equipamentos particulares
como o Estádio do Morumbi, e mais para o extremo sul o Autódromo de Interlagos,
que antes era ligado pela Auto Estrada S.A., hoje a Avenida Washington Luís
idealizada por Louis Romero Sanson. Além disso, corria em “suas veias”
mananciais de abastecimento hídrico da cidade de São Paulo e a Represa Velha,
depois denominada de Guarapiranga, e que dá (ainda) suporte em 30 % de água
potável da cidade de São Paulo, onde a Nova foi idealizada com o nome de Represa
Billings, constituindo entre ambas o Bairro Interlagos. Além disso, possuía Santo Amaro seu próprio Mercado
Municipal, nas proximidades da atual Avenida João Dias, onde afluíam produtos
produzidos na lavoura e mantinha também o Matadouro Municipal, nas proximidades
da Rua Carlos Gomes, que era regido pelo concessionário Olyntho Simonini. Muitos
bairros que hoje ganharam “status” de distrito foram parte integrante da cidade
de Santo Amaro, que atualmente como distrito representa apenas 15,6 quilômetros
quadrados, um arremedo de sua potencialidade, ou seja, quase quarenta vezes
menor do que seu território inicial.
Na década de 1950 com a
interferência de Carlos Sgarbi juntamente com o advogado Geraldo Valiengo e
mais alguns adeptos criou-se o “Movimento Autonomista de Santo Amaro”.
Buscaram-se informações a respeito da viabilidade de reverter e rever a perda
de autonomia. Vicente Rao, que fora Ministro da Justiça do governo Vargas,
orientou os autonomistas de então a requerer o pedido de revogação do decreto
de cassação de autonomia de Santo Amaro. Buscou-se apoio do então governo Jânio
da Silva Quadros, indicando o apoio do Secretário de Justiça, Queiróz Filho.
Neste ínterim o deputado estadual Scalamandré Sobrinho propunha a restauração
da autonomia pelo projeto lei nº1923 no ano de 1957. Montou-se plebiscito à
época, mas a causa não foi vencedora.
Em 1963, há outra
tentativa junto a assembléia onde alguns representantes fazem representar-se
por Santo Amaro, na pessoa do senhor Rubens de Azevedo Marques, recebendo no ato
o documento os deputados Cyro de Albuquerque e Farabulini Junior. Nova
tentativa quando Santo Amaro possuía estrutura forte de produção industrial.
Em 01 de março de 1973,
Santo Amaro passa de subprefeitura a administração regional pelo artigo 32 da lei
7858, e a extinção do cargo de subprefeito pelo artigo 29, publicada no Diário
Oficial do dia seguinte.
Em 15 de setembro de
1985 há outro plebiscito, pela autonomia de Santo Amaro liderado pelo então
deputado estadual Paulo Sogayar, sendo seu maior argumento pela arrecadação
Imposto de Circulação de Mercadorias que naquele ano atingia cifras de 120
milhões de cruzeiros (moeda vigente iniciada em 1942, findada com o plano da
nova moeda “real”) que dava a Santo Amaro capacidade de gerir receita própria.
Mesmo assim não houve convencimento e mais uma vez a autonomia não foi aceita.
Ao mesmo tempo houve um desmantelamento do parque industrial de Santo Amaro,
muitas indústrias optaram por isenções ou por tributos menores de outros
municípios.
Outras tentativas
políticas foram apregoadas ao longo do tempo pela autonomia de Santo Amaro. Hoje
Santo Amaro é apenas um resquício de todo seu pólo industrial, totalmente
desmontado nas últimas décadas, e que já representou a maior concentração de indústrias
químico-farmacêuticas da America Latina, resta quase nada deste segmento.
Santo Amaro sofre com o
crescimento e o saneamento básico não acompanha essa expansão desenfreada, onde
o plano diretor é mero documento de formalidades. O esgoto é descartado nas
águas dos mananciais “in natura”, a concessionária responsável não acompanha
nos investimentos de crescimento, tudo corre por desmandos e a revelia, além de
falta de políticas públicas sérias. Obras imobiliárias vultosas afloram por
todo Santo Amaro, prédios de primeira grandeza, mas que escondem suas sujeiras
nas galerias sub dimensionadas, não houve antes preparação para receber tão
alta demanda populacional que ainda se amplia mais com o sistema metroviário da
linha 5, Lilás. Outros são os interesses ainda maiores de grandes empresários
em manter um aeroporto para aeronaves executivas e helicópteros, que teriam
demandas exclusivas de um grupo seleto e sem usufruir o beneficio de uma rota
alternativa de tráfego aéreo.
Fica a indagação que
sempre vem à baila nestes momentos onde arregimentam o povo apregoando seu
direito de opinar pelo gerenciamento administrativo do Município de Santo
Amaro. Então ficam os questionamentos ao povo paulistano e sant'amarense:
Na atualidade seria
viável Santo Amaro tornar-se autônomo?
Quais seriam os
benefícios advindos de ser contra ou a favor da emancipação política?
Quem mais se
beneficiaria com a emancipação política?
Santo Amaro possuiria receita de sustentabilidade
econômica para arcar com custos da emancipação política?
Acrescente também suas dúvidas!
Bibliografia:
Cidade Satélite de
Interlagos, Avenida Washington Luís e o Aeroporto de Congonhas.
EXTREMO SUL DA CIDADE DE SANTO AMARO: SOCORRO!
A TRIBUNA DE 09 de novembro de 1957
Gazeta de Santo Amaro de 3 de maio de 1963
Jornal da Tarde: de 14 de março de 1985, de 02 de
fevereiro de 1985
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Antonio Bocchiglieri, “O Plantador de Vilas” na região de Santo Amaro
Um "Oriundi" do
desenvolvimento
Santo Amaro era um local
que atraia pequenos empresários da cidade de São Paulo e até do interior
paulista no início do século vinte.
Em 1909 o casal Afonso
e Rosa Bocchiglieri, de origem italiana, partiu de Sorocaba, onde residiram por
um período até se fixarem na capital de São Paulo, na Aclimação, em 1909. Seu
Afonso tinha o oficio a arte de mestre cortador de calçados e sapateiro. Os
filhos estavam enumerados na grande família, a saber: Luisa, Maria Gracia,
Antonio, José, Carmela, Lucinda, Judith e Paulino. Em companhia do filho
Antonio o patriarca tomou os rumos de Santo Amaro, um local aprazível, que em
suas virtudes estava o seu bom clima e local de vegetação exuberante. Santo
Amaro já possuía certa produção agrícola que abastecia parte dos mercados
locais e ainda fornecia parte de seu excedente para São Paulo sendo que já
mantinha uma linha férrea dos trens a vapor modelo alemão Krauss que ligava o
matadouro próximo a Rua São Joaquim onde fazia seu ponto final na Liberdade,
completando um trajeto de dezenove quilômetros até a cidade de Santo Amaro.
Deste modo o senhor Afonso
Bocchiglieri em 1914 vende suas propriedades e segue em direção a Cidade de
Santo Amaro, e fixa residência e oficina própria na Alameda Santo Amaro, nº 10.
O filho Antonio, nascido
em Sorocaba em 26 de dezembro de 1895, chega à Santo Amaro muito jovem e aos
poucos participa da vida social da “cidade” e se torna sócio do pai em 1920 no
empreendimento da família denominada “Manufatura de Calçados Progresso” que
fornecia calçados nas redondezas e para operários da construção da Usina
Piratininga e da Estrada de Ferro Sorocabana. Manteve contatos alternados com
seus passeios costumeiros nos arredores de Santo Amaro que levam o aguçado interesse
em criar loteamentos com “vilas” providas de arruamentos e com planejamento
básico para prover condições nestas “novas” terras.
Antonio Bocchiglieri
teve efetiva participação na vida social santamarense, tendo como parte de seus
feitos juntamente como outros amigos a formação do Esporte Clube Progresso,
agremiação esportiva local e ainda atuou como ator advindo do “sangue italiano”
no teatro amador nos salões do Cine Rio Branco, São Francisco e Sociedade do
Circulo Italiano.
CINEMA RIO BRANCO: AVENIDA ADOLFO PINHEIRO
(construído na administração de Thiago Luz)
Deste modo aproximou-se
da pessoa do Dr. Afonso de Oliveira Santos, que já tinha vasta experiência como
loteador de terrenos, sendo responsável pela implantação do loteamento da Vila
São Pedro, área esta que pelo decreto nº 1634, de 5 de março de 1952, teve que
ceder área para instalação do cemitério da City Campo Grande, via carroçável na
Estrada da Pedreira, a atual Avenida Nossa Senhora do Sabará. O agenciador para
a vila supracitada coube ao jovem Antonio Bocchiglieri, começava assim uma
história vencedora no ramo de “criação de vilas”.
Tinha como suas
relações mais constantes na atividade de corretagem a outros como Alexandre
Bechara, Honório Prado, Mimi Prado, Benedito Borba de Araujo e outros.
Associando-se
a Ricardo Nascimento e Izidoro Maretto criam o loteamento denominado “Vila
Luciola” que foi vendido com facilidade. Estava selada a sorte misturada com
muito trabalho aquele que se tornou “O Plantador de Vilas” nome este merecido
quando planeja, faz o arruamento e cria as condições básicas para expandir os
seguintes loteamentos:
1)
Vila
Luciola,
2)
Vila
Andaluzia,
3)
Vila
Constancia,
4) Vila
Santa Terezinha, em parceria com Moacyr Monteiro, criou
o loteamento do lado esquerdo oposto a Estrada de Itapecerica, próximo ao
bairro do Jardim São Luiz.
5) Vila Arriete, fundada em
1947 em homenagem a sua
filha primogênita Arriete Bocchiglieri Castro e Silva.
O marco de
referência da Vila Arriete é a Igreja Verde, pois possuía o telhado em cor
verde, mas oficialmente é denominada Paróquia Nossa Senhora do Sabará, sito à Avenida Nossa Senhora de Sabará, 3.212, que
nos registros consta que o terreno fora doado por Nilo Souza de Carvalho, o
empresário das Lojas “A Exposição Cliper. Um dos grandes incentivadores na
sociedade amigos foi Benedito Vicente Prado, que colaborou para a infra-estrutura
básica ocorresse com presteza por parte das concessionárias da época.
6) Vila
Santa Margarida, adquirido por Rafael Parise, dando
origem e impulsionando os Bairros da Vila Remo e Jardim Ângela
7)
Vila
Bocchiglieri,
8)
Parque
Sabará,
em parceria com Antonio Coutinho de Carvalho, Arnaldo e Francisco Camacho
9)
Vila
Ester,
em parceria com Alexandre Bechara,
10)
Jardim
Rosalina,
loteamento com penetração mais ao extremo sul em direção a antiga Estrada
do Parelheiros.
11)
Vila
Romano.
Contando com a primeiro
gleba da “Vila Luciola” somado até ao último loteamento da “Vila Romano” foram implantados
onze loteamentos que muito contribuiu para a valorização das terras do antigo
município de Santo Amaro. As grandes realizações de suas iniciativas e com
grande espírito pioneirismo inovador de ser um visionário forjou este homem que
teve vida libada e de feitos idôneos, somados a tantas virtudes tinha a
solidariedade participativa sempre presente de sua esposa Constância Romano Bocchiglieri.
Há de ser somada aos
esforços de implantação de novos aglomerados urbanos a Sociedade Amigos da
Estrada da Pedreira, fundada em 1955 que muito contribuiu para a expansão e
implantação de infra-estrutura básica destes loteamentos sempre com a presença
de Antonio Bocchiglieri que colaborava sempre para o desenvolvimento local.
Sua filha Norma
Bocchiglieri relatou em reportagem jornalística certa feita:
“Lembro-me que em
vários natais, papai fazia com que todos nós – mamãe e os sete filhos – passássemos
o dia de Natal distribuindo brinquedos e doces nas vilas que construía. Dias
antes do Natal, ele passava com um caminhãozinho recolhendo doações dos
comerciantes locais.”
Residência da família Bocchiglieri em Santo Amaro: Rua São Benedito
Antonio Bocchiglieri
foi um pioneiro da expansão dessas regiões, deu opção de crescimento e
ampliando horizontes maiores aos operários que vieram para trabalharem no
grande aglomerado industrial que se desenvolvia em Santo Amaro. Tentou uma
última cartada juntamente com seu irmão Paulino Bocchiglieri e seu genro Romeu
Toledo, que cedeu sua participação ao casal Antonio de Arruda Sampaio e Odete
de Arruda Sampaio, para implantação de um novo loteamento, o Parque Paiolzinho, mas a
frágil saúde o afastou de sua maior atividade vindo a ter o passamento em 13 de
maio de 1986.
Espera-se
a crítica salutar para acréscimos e correções que possam completar a crônica!
Referências:
Gazeta de Santo Amaro,
15 de Janeiro de 1983
Revista Interlagos, dec.
50
Revista do Arquivo Municipal, CXLIX, 1952, p. 79,80
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Rua do Jogo da Bola: O porquê deste nome
Jogo da
Ferradura, Malha, Bocha e Ludopédio
O Homem é um ser social e com uma necessidade constante de
sentido de pertença. Há muitas formas de socializar, mas uma das mais antigas
são os jogos populares. Jogos antigos, cheios de tradição, que espelham
momentos passados em épocas presentes. Baseados muitas vezes em situações de
vida real ou representando cenários bélicos, permitem juntar pessoas diferentes
proporcionando momentos de convivência com representação de saberes antigos.O
jogo popular elege a diferença, afirmando a identidade, insensível à
igualização massificante, atrai as pessoas como pessoas (...) o prazer da relação interpessoal, em
que o adversário é o companheiro de jogo; o culto da amizade duradoura, o riso
saudável ante o insucesso, a tolerância, o gosto das coisas simples, a
ligação florida ao passado, a sua evocação lendária (António Cabral, in A Teoria do
Jogo).
A primeira referência
sobre à Rua do Jogo da Bola, que se tem notícia da cidade de São Paulo, data
dos meados do século 18. Sabe-se que a Rua do Ferrador, assim denominada porque
ali se ferrava cavalos, e de onde havia uma quantidade considerável de
ferraduras usadas e que mais tarde serviram para ser o objeto da prática do esporte
(originando através das ferraduras, originando o jogo de malhas) e que no
hodierno é a atual Rua Benjamin Constant, próxima a Largo São Francisco, em São
Paulo, e que foi primitivamente denominada de Rua Jogo da Bola, por causa do
esporte nela praticado. Em escritura de 1766, o referido jogo está situado no
Campo da Forca, no atual bairro da Liberdade, de fronte do Palácio em
construção dos senhores bispos.
“Não quero,
evidentemente, aludir ao Campo da Forca, o qual sofreu, como é sabido, uma
estranha metamorfose para converter-se, ao cabo na Praça da Liberdade atual,
mas à Rua do Jogo da Bola, ou melhor,
não à rua que assim se chamou, e que se chamou também de Ferrador, e recebeu
depois o nome de Benjamin Constant, que
ainda conserva, e sim ao mesmo jogo da bola, tão importante, aparentemente, que
conseguiu até ser nome de rua e não apenas em São Paulo, mas também em outras
cidade brasileiras”[1].(citação
de Sérgio Buarque de Holanda)
Largo Treze de Maio, denominação a partir de 1888 em Santo Amaro/SÃO PAULO. Na DÉCADA de 1940 era conhecido como Largo do Jogo da Bola. Em 1885, o nome foi mudado para “Largo Tenente Adolfo” porque ali ficava a loja do administrador Adolfo Pinheiro.
O que aconteceu com a rua, assim por ter sido objeto desse tipo de brincadeira, herdada dos portugueses e que deveriam ser comum à cidade, já que, no Campo da Forca, conforme diz o Auto da Posse transcrito, também se praticava o mesmo jogo. Quanto à característica popular do nome - não do jogo em si, pois segundo Sérgio Buarque, era mais próprio de fidalgos, na Idade Média - ou a sua vinculação a um fato comum, não se pode pôr em dúvida, o que não impedia, entretanto de ser reconhecida com topônimo pela Câmara, conforme se desprende de Ata de 25 de novembro de 1815:
...com determinação
a mim escrivão fosse à casa do Brigadeiro José Arouche de Toledo e lhe
participasse da parte desta Câmara mandasse tirar um formigueiro que se acha em
seu quintal que fica na Rua do Jogo da Bola. (Ata, XXII, 45) (Holanda, Sergio
Buarque de. Prefácio ao Livro do Tombo do Mosteiro de São Bento. p.28;29)
Jogo
do Fito
Os
portugueses possuíam o jogo popular, praticado assiduamente em todas as aldeias de
Portugal em que se atirava bola ou malhas a um pino que se denominava “fito”
(latim fictus)
que tem o sentido de fixar, mirar, ou seja, colocado em um
ponto determinado para ser alvejado em um campo de terra batida por bola ou malha, que pode ser geralmente de madeira, ou por
um disco feito de aço que faz o sentido do jogo. Este jogo antigo não decorre
de maneira alguma ao ludopédio, o futebol praticado por todo globo terrestre, pois
é anterior a essa prática[2].
(Ref. Editora Abril-Florença Medieval)
O
jogo de Malha teve origem no trabalho de ferrar os cavalos do exército romano,
quando as legiões paravam nas cidades indo às estrebarias cuidarem dos animais,
sendo que as antigas ferraduras eram substituídas por novos cravos e novas
ferragens forjadas. Nos acampamentos os soldados estacionados em suas centúrias
ocupavam as horas nos acampamentos atirando as ferraduras antigas em um marco,
estaca fixa, colocada a certa distância no campo do alojamento.
Em
Portugal, este tipo de esporte ganhou as ruas se popularizando como arremesso
de ferraduras ou malhas, ganhando o nome de chinquilho ou jogo do fito.
O
jogo da malha, ou de ferraduras,
foi trazido por imigrantes portugueses para o Brasil como passatempo na Colônia.
Destaca-se que em São Paulo, desde 1890, faltando lazer mais apropriado para a
massa trabalhadora houve a disseminação do jogo de malha como divertimento no termino
da jornada. Usavam peças rudimentares como pedras, ferraduras, pedaços de
chapas de ferro ou aço, sem um padrão determinado, tanto na dimensão do campo
quanto ao pino, pois evidentemente não havia regulamentação para a prática do
jogo[3].
Tudo era válido para conseguir o intento de acertar o pino colocado a certa
distância, sendo permissível certa tolerância para o divertimento coletivo.
Referência:
DICK, Maria Vicentina de Paula do Amaral. A Dinâmica
dos Nomes na Cidade de São Paulo(1554-1897). São Paulo: Annablume Editora, 1997.
[1]
Em Santo Amaro, consta que a mesma referência “Rua do Jogo da Bola” foi determinada como o ponto central da antiga
cidade, ao lado da Igreja Matriz, sendo que possuía administração independente
da cidade de São Paulo de 1832 a 1935, e que foi a primeira denominação do
atual “Largo 13 de Maio”, referência ocorrida com a homologação da Lei Áurea de
1888.
[2] Parece não haver dúvidas que o jogo de bocha surgiu na Península Italiana
durante o Império Romano, quando era praticado com o nome de
"boccie", sendo levado pelos exércitos para a França,(onde há o registro da
prática em documento de 1644) Espanha,
Portugal, com transformações várias transformações ao longo do tempo. O padre Raphael Bluteau, pregador da
Rainha de Inglaterra, define o jogo do Fito no seu livro Vocabulário Português e Latino,
datado de 1713: Fito – um
pauzinho fincado no chão (…) coisas
que atiravam os antigos em diferentes jogos. Fito também se chama o jogo em que
se põe um tijolo em pé, a que se atira para o derrubar ou para ficar
mais perto dele. Parece-me que se pode usar destes termos por ter este jogo
alguma semelhança com o dos antigos atletas romanos.
[3] Forma-se equipes de dois elementos com o objetivo
de derrubar o pino (fito) ou colocar as malhas o mais perto
possível do pino, somando pontos ao longo do jogo em lançamentos alternados.
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