segunda-feira, 18 de março de 2013

Festa do Divino Espírito Santo: A Festa das Semanas e Pentecostes

Relação do Sagrado e o Secular

Os festejos comemorativos dos cinquenta dias contados a partir da Páscoa, (Hb. Pessach) da passagem de transformação para uma vida nova e da libertação da escravidão para a liberdade. 


No “religare” o céu com a terra na visão cristã da Páscoa representa uma manifestação de vencer a morte pela ressurreição através de Jesus em anúncio prévio de estarem juntos com todo o apostolado, quando Jesus permanece por quarenta dias preparando o caminho anunciado pelo testemunho real do ressurgir das profundezas da morte após três dias e ascendendo ao plano incompreensível ao homem, bastando a este caridade, esperança e fé: 

“Eu (Jesus) vou mandar sobre vós o Espírito Santo, prometido por Meu Pai; entretanto permenecei na cidade, até que sejais revestidos da virtude do alto” (Lucas, 24 - 49)

“Homens da Galilélia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?” (Atos, 1-11)

Isto se torna deste modo uma manifestação de alegria de viver na esperança como mensagem. 

Onde surgia esta festa de preparação no conceito judaico que passa a ter referência de libertação no conceito da fé cristã?

A Festa das Semanas (Hb Shavuot) ou Pentecostes (50 dias -7 semanas - após a passagem para a liberdade de uma vida escrava no Egito para uma vida livre) é uma celebração agrícola, rural, onde se mantinha o valor relacionado a terra.

A cerimônia inicia-se quando a foice era lançada contra as espigas, as sementes provenientes da colheita (Deuteronômio 16.9). Deveria também ser respeitada a recomendação do direito de respigar dos pobres e estrangeiros, onde eles podiam recolher as sementes disponíveis que se desprendiam das ramas (espigas) para delas se alimentarem. (Levítico 23.22; Deuteronômio 16.11). Os feixes de trigo ou cevada eram apresentados como oferta a Deus, o Doador da terra e a Fonte de todo bem (Levítico 23.11), em ação de graças pelos dons da terra e relembrar a libertação do povo judeu da escravidão no Egito e a observação da obediência aos preceitos divinos (Deuteronômio 16.12). Através da festa da colheita celebra-se o ciclo da vida, reconhecendo que a Palavra de Deus estava na origem da vida “da semente” da árvore e “do fruto” do alimento e da vida em si.

Características 

“Contarás sete semanas desde o dia em que puseres foice na seara, e celebrarás a Festas das Semanas em honra ao Senhor.” (Deuteronômio 16.9)

“Na solenidade não aparecerão diante do Senhor de mãos vazias, mas cada um oferecerá segundo o que tiver e segundo a benção que o Senhor seu Deus, lhe tiver dado.” (Deuteronômio 16. 16-17)

Os celebrantes (levitas) alimentavam-se de parte das ofertas trazidas pelos agricultores que ofertavam parte do que as benesses da natureza que lhe agraciavam com boa colheita. Era uma festa aberta para todos os produtores e seus familiares, os pobres, os levitas, cuidadores dos preceitos religiosos, e aos estrangeiros (Deuteronômio 16.11). Deste modo todo o povo apresentava-se diante de Deus. Reconhecia-se e afirmava-se o compromisso de fraternidade e a responsabilidade de promover os laços comunitários, além do povo hebreu.

O calendário lunar (de 29 dias mais uma fração/mês totalizando 354 dias) nas festas judaicas:

A páscoa judaica, pelo calendário judaico refere-se ao dia 14 de Nissan (Abib) pelo sacrifício do cordeiro, celebrando a liberdade da escravidão do Egito, sendo um dia após o dia desta refeição (o cordeiro, sem marca alguma que o manchasse).

Nissan é o primeiro mês do ano judaico, março – abril, iniciado na plenitude da primavera e que abre o ciclo das culturas. (Mês da Espigas)

No concilio de Nicéia (325 d. C.) definiu-se ufanado das prerrogativas de calendário:

“A Páscoa é o domingo (dominus) seguinte ao 14º dia da lua cheia, que atinge o ápice no dia 21 de março (equinócio) ou logo depois”.

De acordo com essa regra, a Páscoa pode então ocupar, conforme os anos, 35 posições diferentes, entre os dias 22 de março e 25 de abril.

Tal fato, na Boa Nova de Jesus fortalece-se com a ideia da água viva que Ele representa: “Se alguém tiver sede, venha a Mim e beba”(Jo 7:37). 

Pentecostes (Hb. Shavuot)

O Shavuot (Pentecostes) é uma festa do antigo calendário bíblico. (Êxodo 23.14-17; 34.18-23) que geralmente está presente no mês de Sivan, entre maio e junho, no hemisfério norte a transição da primavera e verão. Era o quinquagésimo dia depois da Páscoa judaica, contando sete semanas, resultante disto também se denominar “Festa das Semanas” (Hb. Shavuot) com a colheita da cevada, findando com a colheita do trigo (Ex 34.22; Nm 28.26; Dt 16.10).

A festa culminante é representada com a alegria da colheita, que passa a ser representado como modelo da obra cristã, nascimento da Igreja através dos apóstolos que começam a pregar em vários idiomas (glossolalia) dirigindo-se a vários povos de várias línguas dispersas.

Originalmente, essa festa é referida como:

Festa da Colheita ou Sega (Hb Hag Haqasir): Nome referido a colheita de grãos, trigo e cevada. Segar, ceifar: Cortar as searas com foice de cereais semeados e já nascidos sendo feita a colheita dos mesmos.
“Observarás a solenidade da ceifa e das primícias do teu trabalho, de tudo o que tiveres semeado no campo; e também a solenidade no fim do ano,quando tiveres recolhido todos os teus frutos do campo”. (Êxodo 23.16, vide também: Números 28.26).

Dia das Primícias dos Frutos: Representa o conjunto dos primeiros produtos da terra ou de um rebanho, primeiros lucros, começos, prelúdios. Provavelmente, a oferta das primícias acontecia em cada uma das três tradicionais festas do antigo calendário bíblico. Na primeira festa, a Páscoa, entregava-se uma ovelha nascida naquele ano para ser imolada; na segunda festa, é a festa da Colheita ou Semanas, entregava-se uma porção dos primeiros grãos colhidos; e, finalmente, na terceira festa, Tabernáculos ou Cabanas, de onde o povo oferecia os primeiros frutos da colheita de frutas, como uva, tâmara e figo.

Festa dos Tabernáculo, ou Festa das Cabanas ou das Colheitas (Hb Sucôt)

A festa em alusão as Cabanas é uma festa judaica que se inicia em 15 de Tishrê, do calendário judaico representando a semana entre setembro e outubro que no hemisfério norte representa a colheita dos últimos frutos de outono antes das chuvas de inverno, e momento de preparação da terra para nova semeadura. As Cabanas eram cobertas com ramos de árvores frondosas como as palmeiras, salgueiros, numa alusão da condição natural do ser humano, e que serviram de habitação montadas no deserto do Sinai (Horeb) quando da travessia observando ainda a abstinência alimentar sendo respeitado o cozer dos pães sem fermento, a festa dos Pães ázimos (Hb. Hag Ha-Massot) representado pelo pão da aflição quando da saída do Egito, numa preparação de “não esquecimento” quando assentados novamente na Terra Prometida, preparando-se durante sete dias, relembrando o Salmo 26; 5: “ Escondeu-me no seu Tabernáculo; no dia da aflição me protegeu no segredo do seu Tabernáculo”. Quando já livres da escravidão do Egito o sacerdote relembrava a passagem tirando água da Fonte de Siloé e despejava a mesma próxima ao altar do templo, em sinal de que isto fosse representação do derramamento do Espírito de Deus como ação de graças das águas vindas dos céus pela chuva que abunda a colheita de cada ano. Orações por mais chuva eram feitas para possibilitar a colheita da próxima estação. 

A Festa do Divino Espírito Santo, cinquenta dias após a Páscoa Cristã

“Quando se completaram os dias do Pentecostes, estavam todos juntos no mesmo lugar; e de repente, veio do céu um estrondo, como de vento que soprava impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados os apóstolos. Apareceram-lhes repartidas umas como línguas de fogo, e pousou sobre cada um deles. Foram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. (Atos dos Apóstolos, 2, 1-4)

História no Reino de Portugal e Reinado do Imperador do Divino

Desde o período do Brasil Colônia, tem-se a presença ao culto ao Divino Espírito Santo, tendo algumas variantes regionais que enxertam uma festa local, em nome de algum Santo de devoção, ou festa tradicional, como por exemplo, a Cavalhada, juntamente com a preparação da Festa do Divino. Em um todo, a festa do Divino é apresentada em boa parte do território brasileiro, com maior ou menor grau de intensidade conforme o local. 

Consta ter havido a introdução da Festa do Divino Espírito Santo (Pentecostes) no reino de Portugal por conta da Rainha Isabel,  após  litígio entre o Rei Dom Dinis I pelo desagrado do legítimo herdeiro ao trono de Portugal, o infante Dom Afonso, resultando na guerra civil entre 1319 e 1324 entre pai e filho, pois Dom Dinis optava por Dom Afonso Sanches, um  filho bastardo do rei que foi depois legitimado e era o predileto de Dom Dinis I ao trono de Portugal.  Houve várias escaramuças, onde a Batalha de Alvalade  esteve prestes a travar-se em 1323, entre as tropas de Dom Dinis I e Dom Afonso IV, mas a batalha foi impedida pela intervenção da Rainha Santa Isabel.

Por causa deste momento belicoso entre ambos a Rainha clamou ao Espírito Santo que restabelecesse a paz, o que foi atendida. Em honra a este fato e em sinal de gratidão mandou confeccionar uma cópia da coroa do Reino de Portugal, colocando ao alto uma pomba branca, o símbolo do Divino Espírito Santo, para sair pelas terras da Coroa de Além Mar, arrecadando donativos aos menos favorecidos do Reino. que após o falecimento do rei entrou para o convento tornando-se Monja de Santa Clara (Santa Isabel de Aragão) e construindo a Igreja do Espírito Santo em Alenquer.

O início das práticas destes festejos pode estar relacionado as estruturas judaicas através dos "cristãos novos", judeus convertidos ao cristianismo pela interferência do Reino provenientes da Península Ibérica, que tinham conhecimento dos ritos do Pentecostes judaico, a Festa das Semanas ou Shavuot, passando isto, com algumas variáveis de adaptação aos preceitos dos dogmas para o calendário da cristandade.

Reinado

No domingo antecedente ao de Pentecostes, após a preparação através de novenas, tem início à benção da bandeira através do pároco local, seguido do levantamento do mastro e do acender da luz divina, representado por uma fogueira central. Há sempre a presença da banda que inicia a esperada festa do Divino de algum rincão rural e/ou de município urbano e que se apresentam em coretos com músicas festivas pela alegria da Festa do Divino Espírito Santo.

Império

O Imperador do Divino é o maior referencial secular da festa do Divino Espírito Santo. Há alguns referenciais que sacralizam o momento numa somatória de eventos que possuem um modo cadenciado e respeitado ao longo do percurso da festa como a benção da Coroa, alvoradas através de fogos anunciantes do momento inicial, onde os participantes das novenas caminham para a missa de Pentecostes.

A Coroação do Imperador, geralmente é realizada pelo sacerdote da Matriz, simbolizando o ritual de representação quando o Espírito Santo desce a terra, em línguas de fogo, dando início a Igreja de Cristo em Pentecostes, no meio dos apóstolos e deste modo  e um simbolismo personificado na figura do Imperador. Este, por sua vez, é apresentado ao povo geralmente através de sorteio dos pretendentes a serem o Imperador, sendo que darão os subsídios de sustentação aos festejos, através de prendas (colheita) entre toda a comunidade, contribuição esta, ofertada ao responsável dos festejos, o Imperador de determinado ano, que deve arcar com grande parte da preparação dos festejos, onde há o envolvimento de várias famílias e membros da comunidade, com o trabalho voluntário, onde são preparados os recursos da articulação comunitária. Andam-se de casa em casa com o Capitão do Mastro apresentando a Bandeira do Divino, com os seus sete dons, (Saberia; Inteligência; Ciência; Conselho; Fortaleza; Piedade; Temor de Deus) onde a acolhida é feita pelo dono da residência visitada e faz a oferenda que lhe apraz ou que tenha disponível ofertado com o carisma e boa vontade de cada um.

A bandeira está relacionada na ligação entre Deus e Seu povo que leva, através dela, a religiosidade por todas as cidades. Predomina a cor vermelha representando as línguas de fogo aparecidas no Cenáculo aos apóstolos e também ao sangue dos mártires cristãos.

O Espírito Santo, que representa a terceira pessoa da Santíssima Trindade, tinha seus festejos elaborados com um banquete de convite aos comensais e que era anunciado a toda a comunidade que afluíam de todas as localidades assentadas próximas. Esta referência ao culto do Divino Espírito Santo passou do continente aos arquipélagos da Madeira e dos Açores sendo transportados nas diversas naus que afluíam ao continente, nas possessões portuguesas.

As folias possuem o objetivo de recolher prendas e espórtulas para a Festa do Divino Espírito Santo. A folia é composta de grupo que sai às ruas batendo de porta em porta com os símbolos do Divino Espírito Santo e são denominados por uma hierarquia como alferes, embaixadores, regentes procuradores e salveiros (que fazem as salvas da presença) que completam giros, trajeto a percorrer pelos foliões a entoar músicas de um repertório definido em versos rimados em saudação aos donos das casas, onde toda comitiva adentra na aceitação do Pouso do Divino. Tudo o que é recolhido é entregue no altar da Coroa, na residência do Imperador. 

Reinado: Podem ser apresentadas na Festa do Divino outras bandeiras complementares representando santos devotos de outras praças religiosas e que se reúnem na Matriz onde se representa a festa do Divino, unindo-se no ápice das comemorações. Tudo esta acompanhado das insígnias como coroas de prata, quadros representativos de santos devotos, andores que são formados pelo Juiz e juíza do santo de cada Reinado.

"Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança (autodomínio)”. (Gálatas 5 -22)

Os Devotos do Divino: Ivan Lins
 
1.Os devotos do divino vão abrir sua morada pra bandeira do Divino ser bem-vinda, ser louvada, ai, ai.

2.Deus vos salve esse devoto pela esmola em vosso nome. Dando água a quem tem sede, dando pão a quem tem fome, ai, ai.

3.A bandeira acredita que a semente seja tanta, que essa mesa seja farta que essa casa seja santa, ai, ai.

4.Que o perdão seja sagrado, que a fé seja infinita, que o homem seja livre, que a justiça sobreviva, ai, ai.

5.Assim como os três Reis Magos que seguiram a estrela-guia, a bandeira segue em frente atrás de melhores dias, ai, ai.

6.No estandarte vai escrito que ele voltará de novo. E o Rei será bendito, Ele nascerá do povo, ai, ai.


Vide também:  



Nota:
Há necessidade de fazer-se a crítica da crônica para aproximar o fato ao feito, para o salutar complemento historiográfico!


Bibliografia
DIESENDRUCK,Rabino  Menahem Mendel. Sermões. São Paulo: Editora Perspectiva, 1977

SOARES, Pe. Matos (Tradução da Vulgata). Bíblia Sagrada. São Paulo. Edições Paulinas, 1989



Revista Morashá: Leis e Tradições http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_  


Museu do Divino: Pirenópolis, Goiás. Antiga Casa da Câmara e Cadeia. Rua Bernardo Sayão, s/n

Festa do Divino na Cidade de São Paulo: Paróquia Nossa Senhora do Ó, Largo da Matriz, Freguesia do Ó, São Paulo/SP
 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

MATADOURO DA LIBERDADE: Refrega de terras entre Dr. Muniz de Souza e o Conde de São Joaquim

Terras do Primeiro Matadouro Oficial de São Paulo: Questão Agraria, problema antigo!


 MAPA DE 1868: Vê-se em "AZ" localização do Matadouro idealizado por Karl Abrahan Bresser, na cabeceira do Córrego Anhangabaú, próximo a Rua Humaitá, fundo do que viria a se constituir como a Avenida 23 de Maio

O Estado de São Paulo: 13 de janeiro de 1898

Camara Municipal

Tendo pela segunda vez o elmo. sr. dr. Muniz de Souza, na qualidade de vereador e em sessões da camara municipal, aggredido a minha espôsa, chamando-me usurpador de terrenos da camara, preciso esclarecer a verdade, uma vez que o sr. dr. Muniz de Souza me agride sem ter razão de fazer.
Para que o publico se scientifique do critério que presidiu à imputação do sr. dr. Muniz de Souza, vou declarar como adquiri os terrenos que possúo entre as ruas da Liberdade, Humaytá, Santo Amaro e Jaceguay.
_ A primeira parte dos aludidos terrenos foi comprada ao Sr. Capitão Joaquim Antonio Pinheiro.

_A segunda à exma., sra. D. Maria Telles de Escobar.

_A terceira, e desta a maior de todas ellas, ao Sr. Berbardo Meyer.

_ E finalmente, a quarta, à illustradissima camara municipal conforme a escritura lavrada de 1880, no cartório do fallecido tabellião Elias Machado, declarando a vendedora ter vendido todos os terrenos do antigo matadouro que devidem com o comprador João Lopes Lebre, com a estrada de Santo Amaro, com terrenos de Francisco Antonio Pedroso, e ruas do Matadouro e Liberdade e de accôrdo com uma planta que descrimina o terreno em questão, cuja se acha na camara, por mim entregue conjunctamente com a cópia da respectiva escriptura.

Por aqui poderá o publico avaliar da procedência das imputações feitas  pelo sr. dr. Muniz de Souza.

Estando eu, portanto, habilitado em face destes documentos, a provar que só me utilisei dos terrenos que legitimamente me pertenciam, estou certo de que aquele cidadão se estivesse bem informado da verdade, de certo não formaria a meu respeito juízo tão desfavorável.

S. Paulo, 10 de janeiro de 1898

CONDE DE S. JOAQUIM


QUADRILÁTERO DE LOCALIZAÇÃO DO MATADOURO: Rua  Santo Amaro (atual Brig. Luís Antonio), Humaitá, Jaceguay (entre ambas existia a Pitanguy) e "Rua" da Liberdade

Nota: grafia do documento usada à época da edição do O Estado de São Paulo de 13 de janeiro de 1898



Liberdade “Abre as Asas Sobre Nós”

A Rua da Liberdade possuiu várias denominações ao longo de sua história. Chamou-se primitivamente Rua do Rego d'Água, em razão das nítidas “vertentenses dos campos para a cidade”. Mais tarde denominou-se Rua da Pólvora, devido ao paiol nas proximidades que alimentava com munição o quartel, caminho este que levava à Casa da Pólvora, construída em 1754, e que se localizava nas proximidades do atual Largo da Pólvora.

Por volta de 1775 foi construída uma forca nas imediações, utilizada para cumprir as penas de morte e onde muitos foram suplicados e assim ficou conhecida o nome de Rua da Forca. Também foi chamada de Rua de Cima, pela posição privilegiada de sua localização do morro acima do rio Tamanduateí de um lado e o Anhangabaú, na Itororó do outro lado, hoje a Avenida Vinte Três de Maio de fluxo intenso de veículos.

MAPA 1841: REGIÃO DA LIBERDADE

Na região havia também a Casa Paroquial onde residiu o Capelão da Catedral, membro do colegiado da administração da Sé o Cônego Leão José de Sena. Por esse motivo àquela que viria a ser a Rua da Liberdade chamou-se no início do século 19, Rua do *Cônego Leão, aparecendo como tal em referência em mapa de 1841 elaborado por Carlos Abraão Bresser (nome adotado pelo construtor de origem alemã que elaborou o primeiro matadouro e tantas outras obras pela cidade de São Paulo).

Partia a rua da Liberdade entre o Largo de São Gonçalo (igreja ainda existente) e a Igreja dos Remédios,(demolida e hoje o Fórum da João Mendes) onde fica a Praça Sete de Setembro indo deste ponto até ao Largo da Liberdade (atualmente praça). Neste local era o marco inicial da Estrada de Santos (depois Rua Vergueiro) partindo da cidade de São Paulo.

Em 1865, a via recebeu o nome de Rua da Liberdade, alterada depois para Avenida da Liberdade, pelo alargamento desta em 1952. Este nome deveu-se ao fato da existência no local do “Chafariz da Liberdade”, talvez em alusão  aos anseios paulista de liberdade.

*Capelão da Catedral de São Paulo, Cônego Leão José de Sena, foi um dos signatários, num total de 259 nomes, de documento a Vossa Alteza Real Dom Pedro I, datada como São Paulo em Vereação de 31 de dezembro de 1821, contrário ao pedido do Decreto das Cortes Gerais de Portugal que requeria que “V.A.R. seja recolhido em Lisboa”.




Considerações:

A mudança do matadouro para o Largo Senador Raul Cardoso, na Vila Mariana,(hoje Cinemateca) deu-se pelo fato dos detritos descerem para os baixios do Vale do Anhangabaú causando fedor insuportável no centro da cidade de São Paulo. Essa transferência somente mudou o problema para outro local, pois o uso do Córrego do Sapateiro tinha o mesmo efeito, ou seja, descartar miúdos e sangue da matança dos animais. O Córrego do Sapateiro alimenta o Lago do Ibirapuera, descendo da República do Líbano atravessando a Av. Santo Amaro, indo pela região do Itaim Bibi, onde hoje se encontra a Avenida Juscelino Kubitschek, desaguando no Rio Pinheiros!!!

Focando a Liberdade, da luta de antes,  é ela fruto do que almeja agora cada cidadão com liberdade responsável sem libertinagem do poder.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Santo Amaro Paulistano: Presente

PERTENCIMENTO E IDENTIDADE

De repente vemos Santo Amaro “presente” em muitos locais: jornais, TVs, entrevistas, trabalhos científicos. O setor imobiliário em sua desenfreada ânsia de poder financeiro anunciam grandes obras nos faróis em folhetos atrativos.

Na atualidade passam por cima da história de Santo Amaro, que tende a desaparecer definitivamente, através de prédios frios, verdadeiros pombais, quadradões e empilhadores verticalizados de gente, obras que se expandem por sobre casas horizontais onde viveram boa parte desta estrutura historiográfica que hoje tentamos registrar, embora muitas delas já estão soterradas pelas obras de demolição. 
Chamam isso progresso, mas doença também é progresso e se não combatida, mata. Combatemos o bom combate para denunciar desmandos e deste modo Santo Amaro tenta sobreviver destes escombros provocados pelo poder de controle por intenções de abarcar somente interesses de capitais, cifrões. 
                                                      TOMBAMENTO HISTÓRICO

Muitos vão chegar e não conhecem o local, e não possuem essa obrigação, nem culpa possuem desta situação descontrolada pelo “espaço vital” da cidade, mas porque muitas coisas estão desaparecendo e estranhos ao meio não possuem pertencimento nem identidade com o lugar.
PRAÇA FLORIANO PEIXOTO: "Fonte" Paulo Eiró - A Iguatinga "foi-se" para a Biblioteca Prestes Maia/SantoAmaro e o espelho d'água "secou-se"!
Ainda resta em Santo Amaro alguma coisa popular e de tradição. Um som caipira aqui, uma galinhada, um feijão tropeiro ali, tudo junto e misturado, uma reza ou romaria de Bom Jesus deslocada para dar espaço ao trânsito e...arte, que permanece nas praças de um artista santamarense, Julio Guerra, que da guerra somente tem no nome, pois, em vida a paz foi o seu contexto, mesmo na crítica manteve-se sereno, afinal a crítica é o combustível da superação de qualquer artista. Santo Amaro possui obras variadas do escultor e pintor Julio Guerra, talvez um dos bairros que mais possui várias obras dessa importância. Parece que no periférico de São Paulo é “proibido haver obras artísticas expostas”! 
Santo de casa não faz milagres

O elogio pelo fato exposto tem que haver dosagem certa e quando se torna norma constante pode ser perigoso, pela acomodação e soberba de quem o recebe! Santo Amaro tem o seu espaço, e deve receber dos administradores menos elogios e mais ótica de intervenções de melhorias, sem planilhas planejadas de controle falseadas por números frios para expor aos superiores em visitas esporádicas em palanques! Todo equipamento deve ser para uso comunitário; esse é o dever do edil e sua comitiva que tem por obrigação servir e para isso foi empossado. Deve-se ser autentico nas ações.

Exposição: “JULIO GUERRA: Lembranças de São Paulo”

O Centro Histórico Mackenzie nos apresenta um pouco desse “pequeno grande espaço” denominado Santo Amaro com as obras de “JULIO GUERRA: Lembranças de São Paulo”, que estará disponível de 29 de janeiro a 08 de março de 2013, de segunda a sexta das 9:00 às 20:00 horas e aos sábados das 10 às 17:00 horas.Local Rua Maria Antonia, 307 –prédio 1 – Higienópolis. Entrada franca