quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Geraldo Fraga de Oliveira, um expoente do Bairro Jardim São Luiz/SP

O Bairro do Jardim São Luiz e seu povo

Geraldo Fraga de Oliveira nasceu em 2 de setembro de 1928, natural do Carmo, no estado do Rio de Janeiro, vindo para São Paulo ainda criança, quando seu pai, Arlindo Fraga de Oliveira, foi transferido por ser funcionário da Light que, devido às usinas em expansão e instalação de redes elétricas ao longo da extensão do Rio Pinheiros, fixou residência na esquina da Avenida João Dias com a antiga Rua Piratininga[1], atualmente denominada Rua Dr. Rubens Gomes Bueno.

Jaldelina de Souza Fraga, sua mãe, assumia a responsabilidade de cuidar das crianças com a educação rígida da época, mantinha,além do menino Geraldo, o Osvaldo, Orlando, Rosa, Haroldo e Ivone. Uma heroína como todas as mães conseguia a disciplina da boa convivência.!


Nesta época o famoso Grupo Escolar “Paulo Eiró”[2], fundado em 1910, era a única alternativa para as crianças estudarem. Foi ali que o menino Geraldo conseguiu a formação básica. Demoliram essa escola no final da década de 1970, para construir a Praça Salim Farah Maluf, sendo construído novo prédio próximo ao Terminal de ônibus de Santo Amaro.



Santo Amaro era um local aberto e propício para as crianças extravasarem toda sua alegria e energia, e a felicidade do menino estava nesses encontros com a “molecada”, que formavam as mais espetaculares peladas em campos de futebol “carecas” de terra batida.

Quando jovem, formou-se no time do Benfica, de futebol da várzea paulistana, que era próximo de sua casa, tornando-se campeão da modalidade de 1952 e 1954, e que com várias agremiações como Rubro Verde, Palmeirinha, Formoso, GUSA, Vila das Belezas, Santo Amaro Futebol Clube, Portuguesinha, somadas a tantas outras que alegravam os domingos santamarenses.

Geraldo Fraga de Oliveira era bem extrovertido e de boas relações com os moradores, tornando-se inspetor de quarteirão, atividade em que controlava pequenos atritos locais, mantendo a política da boa vizinhança, além de requerer melhorias perante a Subprefeitura de Santo Amaro. Foi apartando um entrevero no Bar Esportivo, onde ficavam expostos os troféus e se reuniam todos para comemorações das disputas vencidas, que em 1953 foi golpeado com facadas por um desconhecido, sendo prontamente socorrido na Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro.

Conseguiu restabelecer-se, mas, desde então, engordou de tal maneira que já não havia condições da prática esportiva e assim abandonou as quatro linhas como jogador, e foi dirigir o time que defendia: o Esporte Clube Benfica, fundado no dia 1º de janeiro de 1934, nas proximidades da Avenida João Dias.

Em 1952, a família mudou-se para o bairro do Jardim São Luiz, à Rua 1, que atualmente recebe o nome de Rua Geraldo Fraga de Oliveira.



O bairro do Jardim São Luiz[3] formou-se após o Rio Pinheiros pelo decreto do governo de São Paulo nº 3079, de 15 de setembro de 1938, quando foi loteado pela Sociedade Paulistana de Terrenos S.A., possuindo bela vista panorâmica da cidade.


Geraldo Fraga de Oliveira constituiu família com a senhora Geralda Laudino de Oliveira e crescia com a chegada dos filhos Luiz Carlos, Mário Luiz, Maria Helena e Sonia Maria.

Exercia a profissão de despachante, profissão requerida pelos moradores que chegavam à região precisando de regularização de documentos pessoais e de imóveis e outros assuntos relativos à prestação de serviço nesta área.

O Bairro Jardim São Luiz era um local ainda em formação e carecia de todo saneamento básico, água, esgoto, luz, asfalto, transporte coletivo e para sanar algumas dessas deficiências foi fundada em 1956 a Sociedade Amigos do Bairro[4], onde Geraldo Fraga de Oliveira fez parte da primeira diretoria como vice presidente, contribuindo bastante para lutar por melhorias do local juntamente com a comunidade.



Mas o futebol estava no sangue, e em 13 de março de 1961 ele, com mais outros abnegados esportistas, fundaram o Esporte Clube Jardim São Luiz, “O Vermelhinho”, defrontando-se com muitos times formados na época em memoráveis disputas.



Por muito tempo usaram o terreno municipal onde criaram a “Praça de Esportes Dr. Fernando Escalamandré Junior”, hoje é a “Escola Municipal Charles de Gaulle”.



A topografia do terreno era íngreme e dificultava muito o trabalho de terraplenagem, mas a diretoria incansável, dinâmica e operosa dirigida pelo seu presidente não desistia de seu intento. Em 19 de outubro de 1963 o jornal “A Tribuna”, da família Manzini, registrou o feito em sua edição quando o time local defrontou-se com o Grêmio Esportivo Vasco da Gama.


Em substituição ao antigo campo de futebol, foi construído em outro terreno ao lado da “Escola Municipal Charles de Gaulle” o Centro Desportivo Municipal São Luiz, criado pela portaria 605 de 04 de dezembro de 1975, decreto nº 12.429, vinculado à Secretaria Municipal de Esportes.


Por novo decreto municipal, alterou-se o nome para Clube da Comunidade[5] (gerida por organizações da sociedade civil) a “Praça de Esportes Geraldo Fraga de Oliveira”, em homenagem ao homem que foi incansavelmente voltado ao bem-estar da comunidade jardinense e que merece todo respeito por parte daqueles que usufruem atualmente do espaço nas competições da atualidade.




DISTINTIVO ORIGINAL DO ESPORTE CLUBE JARDIM SÃO LUIZ


Seu passamento ocorreu em 18 de março de 1972, sendo transportado pelo corpo de bombeiros, pois era um homem de físico avantajado, corintiano de coração, e acima de tudo um belo exemplo de grande desportista.


Fonte:

Depoimento concedido aos 14/04/2006, por Rosa Fraga de Oliveira, Jucélia Rocha de Oliveira, respectivamente irmã e cunhada, no bairro Jardim São Luiz, de quem os feitos da família são eternamente enaltecidos.



[1] Neste local onde antes havia uma chácara, depois foi construída as empresas: Américo Marieta Tintas, depois a Móbil Química, seguida da atacadista Grande Giro e por último a Igreja Universal.

[2] Demoliram o Grupo Escolar “Paulo Eiró”no final da década de 1970, para construção da Praça Salim Farah Maluf, sendo idealizado novo prédio próximo ao Terminal de ônibus de Santo Amaro

[5] Os Clubes da Comunidade, CDCs, são unidades esportivas menores do que os Clubes-Escola.  Ocupam terrenos públicos municipais e devem ser geridos por entidades locais com estatuto regular com participação da comunidade. São espaços abertos ao público para a prática esportiva.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

João Brito de Araújo e a Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio no Jardim São Luiz/SP

O Bairro Jardim São Luiz e seu povo

A Rua João Brito de Araújo, situada no bairro Jardim São Luiz, São Paulo, foi assim denominada pelo Decreto nº 12.938 de 14 de maio de 1976.

João Brito de Araújo nasceu na cidade de São Paulo, no bairro Piraquara, próximo ao atual Shopping Ibirapuera, em 18 de julho de 1935. Era filho de Felício Brito de Araújo e de Brasilina Camargo Araújo, tendo como irmãos Maria Aparecida, Maria de Lourdes, e Sérgio Araújo. Os pais incentivavam os filhos, educando-os para assumir as responsabilidades da vida.

Naquela época, São Paulo estava em franca expansão, mas as dificuldades eram muitas, pois não havia estrutura suficiente para comportar grande contingente migratório, o que resultava em poucas oportunidades que deveriam ser agarradas com vontade e ímpeto ao trabalho que se apresentasse.

O menino Zinho, apelido carinhoso de João Brito de Araújo dos tempos de criança, conseguiu sua formação básica com muito esforço. Santo Amaro estava em franco desenvolvimento com um grande parque industrial e era propício para jovens com ímpeto e ideal buscarem sua formação profissional em escolas financiadas pela indústria e comércio, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, SENAI, e foi dessa maneira que João Brito superou todos os obstáculos, vencendo-os com muito esforço.
Quando jovem, na zona sul, extravasava toda sua alegria, estripulias e felicidade de menino simples e sorridente, pacato, buscando aproximação daqueles do convívio cotidiano. Casou-se, em 1958, com D. Maria Aparecida, jovem do interior paulista nascida em Bauru, no sítio Cabrália. O enlace ocorreu na igreja de Santo Amaro. Dessa união nasceram quatro filhos: Maria Estela, Walter, Wilma e Fátima. 





O futebol era uma de suas paixões, participando nas agremiações futebolísticas do bairro Piraquara, como o Guarany de Indianópolis, (Moema), depois fez parte do elenco da empresa Laborterápica[1], em Santo Amaro onde trabalhou e o Esporte Clube Jardim São Luiz, além de vestir a camisa do "scratch" da empresa Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio, também conhecida como Pira Spuma, participando no quadro principal sua presença de atleta exemplar mesmo nas ardorosas disputas memoráveis defrontando-se com times locais na região de Santo Amaro.

Em 1960 a família Araújo mudou-se para o Jardim São Luiz, à Rua 39, atual Rua Geraldo Antonio Coelho.
O bairro do Jardim São Luiz recebia os trabalhadores que se deslocavam a procura de trabalho. O bairro estava ainda em formação e possuía bela vista panorâmica da cidade, mas somente foram implantados arruamentos sem qualquer infra-estrutura básica.

A falta de água encanada, associada à dificuldade de perfuração do solo rochoso para poços de abastecimento de água, no Bairro Santa Cecília, nas proximidades onde a família Araújo morava e onde havia algumas “casas de companhia” obrigou a proprietária do empreendimento a construir, nos arredores, uma caixa d'água coletiva.

Maria Aparecida e seu cunhado, Tomás de Souza, tipógrafo, em contato com o senhor Arnaldo, da empresa Pirâmides Brasília S.A. Indústria e Comércio, do ramo de colchões e diversificada também para o ramo plástico, onde João Brito de Araújo trabalhava, que estava localizada na antiga Avenida São Luiz, hoje denominada Avenida Maria Coelho Aguiar, no bairro Jardim São Luiz, conseguiram empréstimo para adquirir o terreno da antiga Rua 8, hoje denominada rua João Brito de Araújo, concretizando o sonho da casa própria.

Propiciava muitas alegrias às crianças vestindo-se de Papai Noel transbordando sua caridade em dar "um pouco a quem não tinha muito", sorridente como sempre, por exemplo no Lar Maria Albertina, um internato fundado em 19 de abril de 1959, na Rua Nova Tuparoquera, nº 520. 

 A  Pirâmides Brasília S.A. através do empresário Sami Koudsi não media esforços para proporcionar essa festa natalina, um pouco de alento as meninas órfãs cuidadas pelas religiosas Irmãs Franciscanas de Ingolstatd, sendo hoje um Centro de Educação Infantil com o objetivo voltado para a pedagogia integral da criança, complementando a ação da família e da comunidade. O Lar Maria Albertina benemérita instituição de São Paulo teve como fundador Werner Sack[2].



Em homenagem João Brito de Araújo o "Jornal Informativo da Organização para o Funcionário da Pira Spuma Exportação", edição extra de novembro de 1972, legou em manchete o tributo justo daquele que cumprida sua missão teve seu passamento ocorrido em 9 de novembro de 1972, um exemplo a todos jardinenses.


Fonte: Depoimento de Maria Aparecida Souza Araújo, esposa de João Brito de Araújo, concedido aos 16/09/2006. (Foto acima)




[1] Vide: Laborterápica: Fim de Mais um Capítulo em Santo Amaro/SP

[2] Werner Sack nasceu em 1903. Dedicou-se à filantropia, sendo fundador do Lar Maria Albertina benemérita instituição situada no Bairro Jardim São Luiz, em São Paulo. Faleceu em 25 de outubro de 1960. http://www.larmariaalbertina.org.br/sobre-o-lar/historia/  

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

SÃO PAULO SEMPRE ALAGOU E O HOMEM NÃO APRENDEU!

A natureza não se vinga, apenas exige respeito!

Sempre que se inicia um novo ano temos notícias de enchentes em São Paulo!
 Por que será que a cidade inunda de uma hora para outra nestas chuvas de verão?

São Paulo tem um sistema hídrico impressionante e os povos indígenas viviam ao redor desses cursos de águas, mas sempre no planalto, nos lugares mais elevados, nunca em escarpas, elevações de encostas, jamais próximos a margens dos rios, haja vista que o marco zero, onde foi instituída a cidade de São Paulo de Piratininga era o lugar da aldeia de Tibiriçá e onde foi edificado um colégio religioso (embora alguns estudiosos citam o lugar da aldeia como sendo nas proximidades do Mosteiro São Bento atualmente) e que os colonizadores aproveitaram como base de observação da “boca do sertão” de todo vale circundado por rios como Anhangabaú, Tamanduateí, e tantos ribeirões que alimentavam esses e corriam para um rio maior, o Tietê!

Todas as aldeias com suas moradias ficavam acima dos rios que possuíam suas várzeas férteis e alagavam suas margens e voltavam a condição natural nos tempos mais secos.


Reconstrução “hipotética” da Aldeia de Tibiriçá (*), no planalto de Piratininga- Crédito: Vallandro Keating e Ricardo Maranhão

O colonizador europeu resolveu invadir e aterrar as várzeas, aprisionar os rios paulistanos em canais e depois cimentar todos para fazer estradas e a cidade cresceu e os rios perderam suas curvas e suas várzeas. (Todos rios paulistanos “ficaram” retos, sem força de movimento, quase águas paradas!)

Os rios estão ali como a natureza determinou e com tudo impermeabilizado a terra não absorve mais as águas da chuva que buscam o curso natural e abastecem os rios que estão aprisionados que por sua vez enchem até transbordarem para suas antigas várzeas e onde os “colonizadores” construíram suas casas e jogam resíduos que deslizam com o curso natural das águas, trazendo também lama das margens, pois até a retenção vegetal foi destruída!

(Os incas, que viveram nos Andes, jamais quiseram entrar “nas terras baixas”, pois inundavam com freqüência. Essas terras eram no Brasil!)

Simplesmente a natureza recuperando seu espaço!

Vide:

(*) PONTOS DE PARADA DE VIAJANTES ORIGINARAM OS PRIMEIROS BAIRROS DE SÃO PAULO
http://patrimoniohistorico.prefeitura.sp.gov.br/pontos-de-parada-de-viajantes-originaram-as-primeiras-freguesias-de-sao-paulo/

FOTOS DE ENCHENTES NA CIDADE DE  SÃO PAULO
Créditos: em pesquisa