segunda-feira, 22 de junho de 2015

PONTE LAGUNA E PONTE ITAPAIÚNA, NO RIO PINHEIROS, SÃO PAULO

Descobriram a periferia da Zona Sul!

A zona sul está ganhando mais um complexo viário para desafogar o trânsito que ocorre na região da Vila Andrade que desembocada atualmente na Ponte João Dias. Ocorre uma expansão imobiliária intensa nesta localidade entre o Parque Burl Marx, na antiga Chácara Tangará e a antiga Estrada do Morumbi, que até pouco tempo era a pacata Rua Itapaiúna. 

 PONTE DA JOÃO DIAS-MARGINAL DÉCADA DE 1960

ITAPAIÚNA-PANAMBI / DÉCADA DE 1960

Houve primeiramente uma desenfreada corrida para a construção excessiva de prédios residenciais de alto custo nesta localidade, inclusive com perda também excessiva de matas nativas, sem a compensação de vegetação na zona sul, pois a legislação vigente tem o disparate de aceitar que as empreiteiras que implantam seus empreendimentos imobiliários façam a compensação em quaisquer localidades, não necessariamente na região devastada!


As ruas que convergem para estes grandes condomínios são acessadas por vias estreitas que não foram alargadas, onde um plano diretor foi abortado, pois o mesmo era caduco na sua essência anterior, para receberem um contingente elevado de pessoas que se deslocaram para residir na região, onde a avenida principal é uma “rua” estreita onde circula uma lata demanda de veículos, e que se chama Avenida Giovanni Gronchi. Somente depois da cidade expandida para as periferias ousou-se aprovar um novo plano diretor da cidade de São Paulo.






Paralela a esta avenida está a Marginal Pinheiros onde se constroem atualmente a Ponte Laguna, que recebe este nome porque vai desembocar do lado oposto do Rio Pinheiros, na Rua Laguna, em Santo Amaro, onde haverá algumas desapropriações como ocorrida do lado da Itapaiúna. 

A Ponte Laguna terá 365 metros de extensão que juntamente com parte viária de acesso recebeu investimento na ordem de 500 milhões de reais coordenada pela Infraestrutura Urbana e Obras, sujeito a reajustes no andamento da obra. O sentido de acesso será do lado da Granja Julieta para a região da Vila Andrade, onde a entrada da ponte ocorrerá na esquina da Rua Alceu Maynard Araújo com Luiz Seráphico Júnior. Nisto tudo será ainda completado pela extensão da Avenida Chucri Zaidan até a Avenida João Dias.


A Ponte Itapaiúna receberá o trafego do sentido oposto, do lado do bairro Penhinha, um dos mais antigos bairros depois da Ponte João Dias, para o lado de Santo Amaro. Haverá desapropriações locais para receber aproximadamente sete (7,0) quilômetros de vias e túneis de acesso.






Descobriram Santo Amaro como pólo de expansão imobiliária, mas sem os ajustes necessários, permaneceram as mesmas estruturas de vias onde circularam as carroças de nossos avôs!




Se há algo inverídico na crônica, aceita-se a crítica, desde que comprovada, e se há algo a completar que seja feito para que um dia tenhamos um registro fiel aos fatos.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Documentos de Santo Amaro, São Paulo: Início da Villa e Extinção do Município

Dois tempos das famílias Sales

Antônio Francisco das Chagas foi o primeiro Presidente da Comarca de Santo Amaro. Era casado com Maria Angélica, pais de Paulo Francisco Emílio de Sales, o poeta Paulo Eiró. Francisco Antônio das Chagas era professor de primeiras letras e foi nomeado primeiro presidente da Câmara de Santo Amaro junto com mais 7 vereadores.

Ata da primeira Sessão da Villa de Santo Amaro em 1833.

Presidente da Nova Villa de S. Amaro tem a honra de participar para a V. Exª, que se fez efectiva a sua installação no dia 3 do corrente mez; e que de principio de sua primeira reunião 6 do mesmo. Ella reconhece que tem que marchar com passos vagarosos, e incertos no trilho dos seos deveres; Ella tema precipitar-se a cada momento em muitos erros, por falta de luzes, e experiencia, e não dos bons desejos, e verdadeiro Patriotismo; mas conta com a indulgente e prompto auxilio de V. Exª, e com tal Proteção e Guia, Ella espera promovera felicidade publica, como solemnemente prometteo. Esta Camara, nutrida pelos mesmos sentimentos, que animão a V. Exª, e ao Conselho Geral desta Provincia, offerece toda coadjuvação, que estiverao seu alcance em beneficio da Liberdade, Independencia e Integridade do Imperio; e prottesta não reconhecer funcionário algum intruzo, e ilegal, só sim as authoridades legitimamente constituídas. Deos guarde a V. Exª, Salla da Camara Municipal da Villa de S. Amaro. 8 de maio de 1833.
Ill.mo Ex.mo Presidente desta Provincia.

Facsimile do transcrito acima (assinado Chagas no canto da folha)


DECRETO DA EXTINÇÃO O MUNICÍPIO DE SANTO AMARO EM 1935(ortografia de época)

DECRETO N. 6.983, DE 22 DE FEVEREIRO DE 1935

Extingue o municipio de Santo Amaro, cujo territorio passa a fazer parte do municipio da Capital.

O DOUTOR ARMANDO DE SALLES OLIVEIRA, Interventor Federal no Estado de São Paulo, usando das attribuições que lhe são conferidas pelo decreto federal n. 19.398, de 11 novembro de 1930,
Considerando que, dentro do plano geral de urbanismo da cidade de São Paulo, o municipio do Santo Amaro está destinado a constituir um dos seus mais attrahentes centros de recreio; considerando que, para a organização desse plano, o Estado tem que auxiliar, diretamente ou por acto da Prefeitura, as finanças de Santo Amaro, tanto que desde já declara extincta a sua responsabilidade para com o Thesouro do Estado, proveniente do contracto de 18 de julho de 1931, e que muito onera o seu orçamento e difficulta a sua expansão economica e cultural; considerando que, liquidada essa divida, todas as suas rendas poderão ser applicadas no seu proprio desenvolvimento; considerando, ainda, que o Estado não só se dispõe a incrementar, em Santo Amaro, a construcção de hoteis e estabelecimentos balneareos que permittam o funccionamento de casinos, como tambem já destinou verba para melhorar as estradas de rodagem que servem aquella localidade, facilitando-lhe todos os meios de communicação, rapida e efficiente, com o centro urbano;


Decreta:

Art. 1.º 
-Fica extincto o municipio de Santo Amaro, cujo territorio passará a fazer parte do municipio da Capital, constituindo uma sub-prefeitura, directamente subordinada á Prefeitura de São Paulo.
Art. 2.º - O sub-prefeito será nomeado pelo Prefeito da Capital, com os vencimentos annuaes de 24:000$000 (vinte e quatro contos de réis);
Art. 3.º - Serão mantidos os direitos dos actuaes funccionarios da Prefeitura de Santos Amaro, que poderão servir na sub-prefeitura, ora  creada, ou ser approveitados na Prefeitura da Capital.
Art. 4.º - Fica o Thesouro do Estado autorizado a cancellar o adeantamento de 500:000$000 (quinhentos contos de réis), actualmente accrescido dos juros de ......... 124:658$600, e que foi feito ao municipio de Santo Amaro em virtude do contracto de 18 de julho de 1931, abrindo-se, para esse fim, o necessario credito.
Art. 5.º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrario.

Palacio do Governo do Estado de São Paulo, aos 22 de fevereiro de 1935.

ARMANDO DE SALLES OLIVEIRA
Valdomiro Silveira
Francisco Machado de Campos.

Publicado na Secretaria do Estado dos Negocios da Justiça, em 22 de fevereiro de 1935.
Arthur M. Teixeira, Director da Justiça.



Foi Santo Amaro por mais de um século região de independência administrativa, um dos locais mais aprazíveis do Estado de São Paulo, que somado aos seus 640 quilômetros quadrados forma hoje a vasta extensão territorial da cidade, cobiça de grandes empreendimentos expansionistas, sem um bem elaborado  plano diretor condicente com sua grandeza, vê suas áreas e reservas de belezas naturais serem devastadas por falta de planejamento urbano. Santo Amaro agoniza por interesses escusos e políticos profissionais em interesses próprios, pois não administram a cidade como uma verdadeira polis, por medo de perder hegemonia política local, fazendo da região meros celeiros do sufrágio, campeados por todos lugarejos fechando os olhos para os problemas que eles mesmo criam com promessas vãs. Tristes trópicos, tristes e malfadadas terras arrasadas pelo lucro imediato a cada eleição, tomadas a força. 

Antes se mantivesse pelo esforço próprio com seus sacrifícios do que ver sua própria destruição em nome do progresso desenfreado de São Paulo.

O MONOPÓLIO NA HISTÓRIA E AS BIOGRAFIAS

A liberdade de expressão e informação

O que é a história senão os feitos que foram produzidos pelo homem que é aquele que relata o que ocorreu no seu cotidiano. Cada vez mais se torna mais dificultoso acompanhar o desenrolar da história, pois ela é, na atualidade, instantânea e produzir documentos requer paciência e trabalho árduo no mundo cada vez mais veloz.

Queriam neutralizar a pesquisa através da ingerência sobre as biografias, impedindo que fosse feito a história com o valor de sua realidade, considerando o concreto daquilo que foram fatos e que não podem ser escondidos.

Queriam controlar a história e somente autorizar aquilo que fosse de interessa subjetivo e fomentasse algum prestígio, mantendo-se no silêncio o que era desagradável, mesmo que isso completasse um capítulo do fato ocorrido é que seccionando daria interpretação distorcida.

A fragilidade do homem está em seus atos, nem todos sempre magnânimos, muitas vezes opostos a outros que compõe o momento na macro história, que está relacionada a micro história daqueles homens do séquito que dão sustentação  para que apareçam mitos.

Uma afirmação histórica requer muito esforço de pesquisa para não comprometer o fato real, é um policiamento constante em busca do ocorrido e transformá-lo, não como notícia passageira, mas como algo duradouro que complemente um momento contemporâneo. Há uma metodologia a ser aplicada e que deve ser respeitada para que não ocorram abusos.

Vemos nos noticiários do Brasil as atuais disputas entre biografados e seus autores que relatam fatos que ocorrem e ocorreram em suas vidas públicas. Os biografados não queriam de maneira alguma que algum fato fosse exposto à opinião pública e tentaram barrar a todo custo que as referidas biografias fossem editadas.

O biografado ditaria as regras através de autorização prévia para que uma pesquisa árdua, que por vezes levaram anos para ser concretizada, abalizada ainda por relatos de conviventes do biografado, somado a material publicado na mídia anteriormente fosse dada “autorização” de publicação às editoras.

Tudo isto foi encaminhado aos tribunais e advogados contratados prepararam as defesas de seus clientes para impedir o rumo desta parte da história, ainda que não seja ela um fator relevante que transforme um todo como revolução histórica. Evidente que o inverídico possa ser questionado e até que receba sanções de julgamento e que há uma Constituição que deve ser respeitada, pois serve a todos os implicados sem distinção.

A garantia de liberdade está diretamente ligada a responsabilidade do autor em relatar os fatos como se apresentaram e não fantasiar o ocorrido com opiniões subjetivas. A censura exigida não dava direito a liberdade de expressão e conseqüentemente um passado ficaria a mercê de autorizações pessoais, com nítida interferência do censor sobre o momento ocorrido.

A história é dinâmica, embora nem tudo transforme realmente como fato histórico, sendo uma parcela apenas de um personagem que ditou por um determinado tempo um estilo que alguma geração seguiu como modelo em um instante qualquer. Biografias sempre existiram para complemento e entendimento das ações individuais que comprometeram um tempo histórico num espaço determinado.


A liberdade de expressão foi garantida perante a Constituição e em respeito à lei pelo Supremo Tribunal Federal, salvando parte da história do Brasil que não se pode calar por mordaça ou escondê-la das gerações futuras. Salvou-se parte da História do Brasil com a responsabilidade da pesquisa e a liberdade de expressão com o direito da informação.

sábado, 23 de maio de 2015

Escola Adventista e o Capão Redondo: 100 anos de convívio

O EXTREMO SUL DE SÃO PAULO: SANTO AMARO

O Capão Redondo abrangia vasta área em uma grande extensão de terra que pertencia ao senador Uladislau Herculano de Freitas Guimarães[1], gaúcho, que se tornou presidente (termo usado na época para governador) do Estado do Paraná em 1890, além de tornar-se Ministro da Justiça e Negócios Exteriores em 1913, e dirigir a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, tornou-se ainda deputado e senador estadual por São Paulo.

Estas terras do Capão Redondo, depois, foram adquiridas por outros donos por meio de permutas entre terras da família Corrêa, na cidade de Itapuí, antiga Bica da Pedra, região de Jaú, no interior paulista. A outra parte da propriedade foi vendida posteriormente ao Capitão Amaro Vieira de Moraes, e aos pais da esposa de Pantaleão Teizen e englobava a soma do território de Salvador Antonio Corrêa.

Em 1912 a família de Salvador Corrêa, Antonio Pires de Oliveira e Antonio Rodrigues da Silva, mudaram para a região, seguidos de outras famílias. Em depoimento de 1995, (Jornal O Campo Limpo, ano 1, nº 4) o senhor Adão Corrêa, caçula de uma linhagem de oito filhos de Salvador Corrêa e dona Joana Maria das Dores, e, que havia sido delegado da 47ª delegacia de polícia,  expunha que: “No Capão Redondo existiam dois lagos, um lago nós conhecíamos como lago Salvador Corrêa e o outro lago era o lago dos Moraes. O meu pai (Salvador Antonio Corrêa) e o senhor Antonio das Chagas(morador pioneiro na região) construíram um engenho, que fabricava farinha de mandioca e de milho e era movido por água que vinha do lago Salvador Corrêa”

Como parte decorrente da imigração alemã veio para a região de Santo Amaro,[2] em 1914 Johannes Rudolf Berthold Lipke, original de Berlim, na Alemanha, onde realizou uma série de conferências pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, tendo na época contato com o casal Benedita da Conceição e Pantaleão Teizen que venderam a fazenda, propriedade de aproximadamente 50 alqueires paulista[3] por vinte milhões de réis, acertados em 28 de abril de 1915, dando início ao Seminário Adventista no Capão Redondo, hoje UNASP, Campus São Paulo, na Estrada de Itapecerica, onde foram implantadas as instalações do "Colégio da União Conferência Brasileira Adventista do Sétimo Dia", com sede fundada em 06 de maio de 1915 e que mais tarde passou a denominação de Colégio Adventista Brasileiro. 

A localização do “Collegio Adventista” era apresentado em prospecto da época e de como proceder para chegar-se a instituição:
LINHA SÉ-SÃO PAULO À SANTO AMARO (1937)

“De São Paulo até Santo Amaro o trajeto é feito de bonde em cerca de 45 minutos e daí até o local da escola em veículo a tração animal que faz o percurso em uma hora”.

Mais tarde por regime de comodato foi cedido pelo governo paulista área para ser beneficiada e cuidada e que estava conjuntamente à gleba adquirida pela instituição que se tornava usufrutuário da cessão, sendo que em 1979 voltou a fazer parte das “propriedades do governo” e onde foram edificados prédios populares que comumente se conhece como COHAB (conjunto habitacional). Em área de bosque de 134 mil metros quadrados foi implantado, após devolução de terras, o Parque Santo Dias, em 7 de novembro de 1992.

Como primeiro diretor do Seminário Adventista de 1915 a 1918, Johannes Rudolf Berthold Lipke (1875-1943) foi apoiado por John Henrique Boehm, (1874-1975) fundador e primeiro administrador desta instituição, o qual foi incumbido de construir o prédio da escola, idealizado para formar estrutura educacional e para ser auto-suficiente, produzindo as próprias necessidades básicas da instituição na agropecuária e agricultura. 

Depois de edificada toda a estrutura paulistana, Boehm foi incumbido de idealizar o mesmo estilo empreendedor no Espírito Santo, nas colônias alemãs, dirigindo para este Estado em 1917.

Na década de 20 e 30 implantou-se a “Produtos Alimentícios Superbom”, empresa fundada pelo Instituto Adventista, que iniciou a produção de sucos, em especial de uvas adquiridas na cidade de Jundiaí, classificadas com esmero de especialistas antigos, como senhor Hugo que mantinha o sumo da uva no lagar, além de manter as caldeiras em fogo brando, com produção de mel, cevada e grãos integrais, e concentrados de soja vendidos em pequena loja que havia com fachada voltada para a Estrada de Itapecerica.

A primeira professora brasileira do colégio foi Albertina Rodrigues Simon, pois terminada a Primeira Guerra Mundial, o governo brasileiro decretou que nenhuma escola particular poderia funcionar sem ter um educador (a) brasileiro formado para ensinar a língua vernácula, História e Geografia do Brasil. Assim, no início de 1918, Albertina recebeu um chamado para lecionar no Colégio Adventista Brasileiro (CAB), atual UNASP-SP[4]. 

Temos que lembrar a participação ativa de Ernesto Bergold, gerente do Departamento Agropecuário do Instituto Adventista de Ensino, grande colaborador da pecuária leiteira[5] do “gado holandês preto e branco” criado na região de onde saíram muitos reprodutores para várias regiões brasileiras. Deste esforço muitos troféus foram conquistados pela “vaca Fortaleza” por sua “performance” na produção leiteira, sendo responsável pelo troféu “Vaca de Ouro” conquistado em 1957. 

Tudo isso foi concretizado a partir de 1945, quando o Serviço de Controle Leiteiro da Associação Paulista de Criadores de Bovinos difundiu os resultados conseguidos em ordenhas. Existiam animais com nomes pitorescos como Nativa, Festa, Botãozinho, que eram vacas de lactação, fornecedoras, em média diária per capita de 40 litros de leite, ou sendo preparadas para a cria sendo inseminadas com sêmen de touro que "bufafa" na raia, solitário, e por sua aparência recebia nomes de sua qualidade reprodutora como o sugestivo nome inglês “Strong”, pela sua robustez, de estrutura fortalecida, meio amarronzado, além de outros animais que fizeram parte de um quadro genético dos melhores, como Jaguari, Sorriso e Fumaça, e que mais tarde outros tratadores como Bonfim e Sassá deram seguimento, este último apelidado desde criança lá em Itabuna, Bahia, onde aprendeu o manuseio, e, aplicava-se a técnica apropriada, cuidando com carinho a pequena manada desta seleção de animais escolhidos para dar qualidade aos produtos locais deste subúrbio meio interiorano do Capão Redondo.

Havia determinadas pessoas que cuidavam de outros seguimentos, como o senhor Framiak, que dirigia toda a turma que havia nesta área produtiva da instituição, ou como o Zé Horta, que recebeu a alcunha por cuidar das leguminosas, ou o seu Antonio do Trator, que remexia a terra preparando o solo para o cultivo, ou o seu Paulo veterinário que recebia toda informação possível por parte do Lourival, que também controlava o plantel.

Com a iniciação do loteamento os primeiros a adquirir os terrenos próximos a Escola Adventista foram os Zorub e os Van Rôo, talvez integrantes de famílias provenientes de outras regiões européias, e que foram sendo adaptados a outra realidade. Aos poucos foram sendo loteadas outras glebas em antigas propriedades de Antonio Chácara, Quirino Diz, Belchior de Araujo, Juca Candido e Juca Grilo, dando origem a expansão de novos bairros em volta de colégio, como o Parque Fernanda, em 1959, com área de 37.248,50 m2 do espólio de Jose Figueiredo Junior, processo nº 291/59 loteado por Dantas de Freitas S.A Comercial Agrícola e Construção; Jardim Comercial, em 1961 possuindo 110.491,85 m2 constituído pela Comercial e Construtora A. E. Carvalho S.A. ou o Jardim das Rosas, projetado em 1963 com 98.773,00 m2 e o Parque Independência com 223.248,00 m2, feito pela Simberg Imobiliária e Agrícola Ltda.


São Paulo tinha aproximadamente em 1915, 500 mil habitantes e o Capão Redondo possuía alguns “fogos”, casinhas esparsas, com não mais que 50 pessoas espalhadas em longas extensões de terras do extremo sul paulistano. Hoje se tornou um local adensado com aproximadamente 300 mil pessoas distribuída numa extensão de 13,6 Km2, sendo, na atualidade, um dos distritos paulistanos.

Deste modo que onde foi um capão, um bosque em meio e um descampado, área de caça, de pequenos animais selvagens que possuíam seu habitat natural na localidade, surgiu esta região administrativa do Capão Redondo com área estimada atualmente em 13,6 km2 adensada na periferia que cresce no extremo da capital, de muita arte e cultura paulistana.


NOTA: Crônica sujeita a revisões para aprimoramento das informações e complemento da historiografia.


Complementos disponíveis para análise e considerações:






Jornal O Campo Limpo, ano 1, nº 2 e 4

Exposição do Colégio Adventista ocorrida em abril de 2009

Revista Adventista, outubro de 1984, p. 30. SIMON

Revista Adventista, agosto de 1943, p. 25; 34-LIPKE

João Rabello, John Boehm - Educador Pioneiro (São Paulo: Centro Nacional da Memória Adventista, 1990).




[1] Homenageado com denominação de rua próximo ao Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, mas devido à dualidade de nomes dentro do mesmo município, pois São Amaro perdeu sua emancipação política em 1935, tornado-se parte integrante do território do município de São Paulo, foi alterado, mais tarde, para Rua Desembargador Bandeira de Melo. Nota: há alguns desembargadores com o referido sobrenome, falta informação a respeito do homenageado.

[2] Em 1829 Imigrantes alemães instalam-se na Região da Colônia Paulista e Itapecerica, regiões pertencentes, à época, a Vila de Santo Amaro, independente administrativamente de 1832 a 1935.

[3] 50 alqueires paulista (onde um alqueire= 24200 m2) corresponde a aproximados 300 acres (onde um acre=4046,85 m2). Um acre era quantidade de terras planas que um homem poderia arar em um dia com uma junta de bois. Fazenda é uma grande área rural, destinada para a prática de agricultura e da pecuária que podem ser dirigidas por pessoas, famílias, ou comunidades, ou por corporações e companhias. 
[4] O Ministério da Educação transformou em 1999 o IAE em Centro Universitário.

[5] Houve um grande empenho no desenvolvimento educacional e agroindustrial da escola, destacando-se a partir de 1925 a criação de gado leiteiro holandês, importado dos Estados Unidos.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

VILA ANASTÁCIO, LAPA, SP: Nova Ponte Sobre o Rio Tietê e a Av. Raimundo Pereira de Magalhães

A ponte antiga e a moderna: Gentrificação local!

Aquele espaço bucólico que existia nas vilas e aonde cada pessoa se conhecia pelo nome está sendo esquecido com a verticalização da cidade. Não haverá, em curto espaço de tempo, aquelas casas de varandas e ajardinadas de antes, onde todos possuíam relações de amizade eternizadas que aproximavam todos num bem comum, que poderia ser uma associação de bairro para reivindicar melhorias perante as autoridades representativas municipais e por vezes até estaduais, ou por intermédio da religião tornavam-se ligados por matrimônio ou compadres de conhecimento por longa data.

Participavam de datas festivas, aniversários, festas juninas, natividade, jogando um futebol, tricotando, além de manterem comércio variado, com relações comerciais diariamente, sem as grandes estruturas dos supermercados mantendo ativa a relação de compra e venda, do haver e o dever.

Enfim tudo tinha um sentido para estarem juntos, ou por simplesmente “jogar conversa fora”. As pessoas uniam-se e reuniam-se na sua própria localidade e assim tinham forte ligação e possuíam identidade e pertencimento.

 As cidades crescem e o tempo passa e muitos que deram origem ao bairro já não fazem parte de uma história em transformação, pois a vida é finita e muitos tiveram seu passamento e seus filhos ainda tentam manter alguma tradição, mas a expansão imobiliária faz o “apoderamento” do espaço. Toda estrutura anterior é transformada em outra que nada tem haver com a embrionária que fundou as bases da localidade.

Cada espaço tem seu cuidado, mas se assemelham no tempo, e os bairros de operários das décadas anteriores vão aos poucos desaparecendo ganhando ares de “gentrificação” através de grandes edifícios urbanos que transformam a paisagem, edificando em pouca área física de terreno, um adensando com número muito grande de pessoas. 

O “anjo da história” olha sempre para frente em nome de um progresso sem fim e os locais das inter-relações desaparecem dando lugar a uma relação unicamente de interesses financeiros. Esta é a moeda de troca e o preço que se paga de estar em local que expandirá com o tempo e terá o valor monetário como poder daquilo que se tem como um bem de consumo, expande-se sem controle e a cidade está a venda todo tipo de imóvel, em nome do mercado imobiliário.

As vilas  que antes foram consideradas longínquas e periféricas da cidade de São Paulo agora fazem parte de cidade e precisam ser transformadas em outra realidade que não aquela de nossos antepassados.

Momento houve em que se lutava por melhorias básicas como energia elétrica, asfalto, ônibus, esgoto, uma ponte para cruzar um rio, e outras necessidades. Por esses motivos reuniam-se todos para requerer melhorias locais, e, deste modo nasceram a “Sociedade Amigos de Bairros”, que através de abaixo assinados procuram egrégios representantes políticos para juntos ao prefeito atingir os objetivos das reivindicações coletivas com petições como esta encontrada nos Anais da Câmara Municipal de São Paulo, onde a população da Vila Anastácio, na Lapa, requeria urgência de uma nova ponte sobre o Rio Tietê. 
  
Em 1948, pelo estado precário da ponte que ligava a Lapa, na Vila Anastácio, com Pirituba, houve mobilização popular para requerer ao executivo prioridade de construção de "uma nova ponte" no local. Depois de mais de seis décadas parece que a reivindicação será atendida pelo poder público! (Vejam documento abaixo)


2ª SESSÃO ORDINÁRIA EM 12 DE JANEIRO DE 1948 (escrito conforme documento da época)


Presidência do dr. Marrey Júnior


Secretários Anis Aidar e Angelo Bôrtolo


Indicação nº 18-48


Considerando que a ponte sobre o Rio Tietê entre a Lapa e Vila Anastácio, na Armour, é de pequena largura, dando passagem a apenas um veículo;
Considerando que, em virtude do grande movimento que aí se escoa para a Via Anhanguera, intenso é o trânsito de caminhões e ônibus;
Considerando que estes veículos, por suas maiores dimensões, ocupam toda a largura da mencionada ponte;
Considerando, ainda, que por tratar-se de zona densamente povoada e industrializada, o movimento de pedestres aí é intensíssimo;
Considerando que, pelas razões acima apontadas, são quase diários os atropelamentos de pedestres sobre a citada ponte;
Considerando finalmente, que pela estrutura dessa ponte, fácil se torna a construção de uma passagem para pedestres pelo lado extremo da atual grade de proteção ficando, assim o atual estrado inteiramente livre para os veículos;
INDICO ao Sr Prefeito Municipal a urgente necessidade da construção, na mencionada ponte, de uma passagem para pedestres. Sala das Sessões, 12 de janeiro de 1948 – Roberto Grassi – “À Prefeitura”.


A reivindicação conforme citada acima não possui mais espaço na cidade de São Paulo, conforme acontecia anteriormente em décadas passadas, não há mais essa aproximação entre o cidadão e a representação política da cidade, e tudo esta atrelado a grandes projetos com grandes investimentos financeiros onde os empresários ditam as normas de reajustes no andamento da obra e aos contribuintes resta apenas aceitar as condições impostas. Tudo esta atrelado entre grandes empreiteiras e o poder administrativo da cidade e nem em pequenas obras de manutenção há locução entre as partes envolvidas do projeto e os munícipes, que se resigna a aceitara as condições impostas.

Segue a afirmação deste ponto de vista das pontes que já existem cruzando o Tietê próximo a Vila Anastácio, onde a primeira existente, finalizada em 1955, houve alguma participação da população. O Complexo Viário Rodovia dos Bandeirantes, inaugurada em 1995, pouco ou nenhuma participação existiu. A novo complexo que está prestes a cruzar novamente o rio Tietê entre a Vila Anastácio e Pirituba, para adensar a região com uma população flutuante, pouco há de explicação como será feito a nova estrutura viária, e há a falta de informação de projetos em andamento em toda a cidade!

Somente existe uma aproximação entre o poder político do executivo e o capital financeiro das grandes incorporadoras imobiliárias em detrimento da população que se fixou na região antes da mesma ter valor financeiro. Como romper essa resistência dessa quebra de paradigma dos que residem na vila e não abrem mão de seu espaço conquistado ao longo do tempo? 
Os mandatários aumentam os impostos prediais, essa é a fórmula de expulsar e destruir e reconstruir uma nova estrutura urbana!

Cada momento tem seu histórico.

Pontes existentes que ligam na Vila Anastácio, Lapa a complexos em rodovias:

A Ponte Atílio Fontana foi inaugurada em 1955, a Rodovia Anhanguera, no bairro da Lapa. A Ponte Ulysses Guimarães (Complexo Viário Rodovia dos Bandeirantes) foi inaugurada em 1994.

Uma nova ponte de um novo complexo entre a Vila Anastácio, na Lapa, e Pirituba


Uma nova ponte foi orçada em 70 milhões de reais e será construída partindo da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, que ligará A Vila Anastácio, na Lapa, com Pirituba, projeto e obra a cargo da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras. Será um complexo viário com orçamento total "inicial" de 300 milhões de reais, recursos esses advindos da Operação Urbana Água Branca.  



Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, Vila Anastácio, na Lapa



Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, em Pirituba


Biografia de Raimundo Pereira de Magalhães

Raimundo Pereira de Magalhães nasceu em 1871, na pequena povoação de Vila Meã, Conselho de Amarante - Portugal. Veio para a Bahia em 1884, onde logo em 1891, se estabeleceu no local em que hoje em grande e belo edifício, está instalado a Sociedade Anônima Magalhães. Casou-se com Elisa Magalhães, com quem teve 8 filhos, fundador da firma Sá Ferreira & Magalhães, em sociedade com Sr. Domingos de Sá Ferreira, passando a denominar-se depois de Magalhães & Cia, a maior empresa do norte e nordeste Brasileiro, e a maior do Brasil na produção e comercialização do açúcar em todo território nacional. A Magalhães & Cia, terminou suas atividades comerciais, em 1978, já com a razão social de Sociedade Anônima Magalhães Comércio e Indústria, sob a gestão da quarta geração dos Magalhães na Bahia.
Passou a atuar também na indústria do açúcar, abrindo filiais no Rio de Janeiro e em Recife, que se ligaram as suas Refinações e usinas de açúcar em cuja atividade manteve preponderância em todo o Brasil.


Em 1924 fundou na Lapa, a Cia. Industrial Suburbana, depois denominada Companhia Suburbana Imobiliária. Custeou o saneamento desse local, aterrando-o, inclusive uma longa extensão do braço morto do rio Tietê, utilizando cerca de 3 milhões de metros cúbicos de terra. Imaginou, então, aproveitar essa grande área, para instalação de industriais e armazéns, dada a vizinhança com as duas estradas de ferro, Sorocabana e Santos - Jundiaí, as quais ligou os terrenos por ramais e sub-ramais, abrindo largas ruas de servidão, mandando construir os viadutos necessários, transformando aqueles terrenos em grande parque industrial, onde estão instaladas, entre outras, Anderson Clayton & Cia Ltda, Sociedade Técnica de Fundições Gerais (Sofunge), Armazéns Gerais do Estado de São Paulo, Moinho da Lapa Socil e Serrarias Lameirão. Para facilitar a vinda aos operários dessa indústria, localizadas na Vila Anastácio, a Companhia Suburbana. Doou uma gleba de terreno à Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, no Km. 88, entre as estações da Lapa e Pirituba, para ser construída uma estação de trens de subúrbios. Raimundo Pereira de Magalhães faleceu em 1934 em Portugal.

Petição popular para denominação da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães em 1959





Crédito dos documentos: facebook.com/vilaanastácio


561ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal em 23 de dezembro de 1959 e a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. Projeto de Lei 558/59 na íntegra


NOTA: Crônica sujeita a revisões para aprimoramento das informações e complemento da historiografia.

Referências: