sábado, 4 de junho de 2016

O futebol de várzea e "Seu" Quita do "Sete de Setembro": Jardim São Luiz/SP

Um legado da história jardinense

Tímido na aparência, franzino, poucas palavras de "mineirice" pura, forte nas ações. Serviu na conturbada época do Governo de Getúlio Vargas ao Exercito Brasileiro e das Terras das Alterosas seguiu o rumo da Capital Bandeirante.
Dirigiu-se com muita vontade de vencer das longínquas terras das Minas Gerais, para o Bairro do Jardim São Luiz na década de 1950, tentar a vida em São Paulo que ofertava emprego a quem quisesse e tivesse coragem de enfrentar o "batente pesado", trabalho duro, afinal, São Paulo crescia a "olhos vistos".
Garra não faltava ao senhor José da Cruz Silva, que poucos ou quase ninguém conhecia pelo nome de batismo, mas que pelo apelido de "Seu" Quita era logo reconhecido, pois carregou por longo tempo, times "do coração pela várzea" dos gramados locais, quando ainda existia o campo do Continental, na Avenida João Dias, hoje uma base do Departamento de Trânsito de São Paulo na Avenida Marginal.
"Seu" Quita montou, no ano de 1957, o primeiro time que levava o nome do bairro Jardim São Luiz e depois abdicou desse nome por uma harmonia local, pois outra agremiação vinha despontando com o mesmo nome e para evitar confusões fundou a agremiação "Sete de Setembro Futebol Clube", no dia da Independência do Brasil do ano de 1963, com as cores verde e amarelo da Pátria, com sede na atual Rua Arlindo Fraga de Oliveira, nº53, antiga Rua 21.
Foi seu primeiro presidente sempre promovendo grandes festivais de memoráveis disputas de futebol de várzea que foram marcantes na década de 1960, onde seu reduto das competições era realmente na várzea do Rio Pinheiros, no Campo do Continental, muito conhecido por todos da região, de dimensões oficiais, que quem corresse 90 minutos sairia exaurido deste campo, meio gramado e meio "careca" de terra endurecida no centro.
O campo do Continental era uma referência do futebol da zona sul. O nome do time do Continental foi extraído de um mapa estampado em maço de cigarros que ostentava esse nome em letras estilizadas muito bem desenhadas. 

Dois momentos: 50 anos depois(ao fundo mata resiste ainda)

Na Rua Itapaiúna, no início da Velha Estrada do Morumbi, têm alguns ex-jogadores remanescentes desse tempo do time Continental, como por exemplo, o Cindão da família dos Ricci, antigos donos de olaria local, onde hoje se ergue uma nova ponte sobre o Rio Pinheiros.
      PONTE ITAPAIÚNA
Nesse campo "era sempre domingo de festas", sim, no plural, pois juntavam vários times e o “Sete de Setembro” sempre tinha uma surpresa de formação no primeiro quadro, pois nesse tempo havia também o segundo quadro, o “cascudinho”, uma “molecada” nova, boa de bola, um celeiro de craques do futebol de várzea e aspirantes a vaga do time principal. 


A região era ainda com mata virgem, era um lugar lúdico para a prática esportiva (do futebol) e muitos afluíam para ver o time do Sete de Setembro sair de sua sede  e ir galhardamente perfilados em fila indiana pela Rua 1, hoje Rua Geraldo Fraga de Oliveira, entrando pela Avenida São Luiz, alterada mais tarde para Avenida Maria Coelho Aguiar, pois, depois da construção do Centro Empresarial de São Paulo, fazia-se confusão com a avenida homônima do Centro da Cidade de São Paulo.
ONTEM E HOJE



Todos seguiam a pé em Direção ao Campo do Continental, entoando hino ao "clube" atravessando a "Avenida" João Dias, naquele tempo uma rua de curvas estreitas e empoeirada, hoje há um resquício desta antiga avenida que sai do “Bairro Peinha” e vai em direção ao Terminal de ônibus, mas não tem saída para veículos, usada apenas por pedestres.
Evidente que havia toda uma estrutura bem organizada em volta do presidente Quita, por vezes vinham até os batedores da "guarda civil", com suas "motonetas" para abrir caminho nas grandes apresentações comemorativas.

No galpão dos Sgarbi, em Santo Amaro, promovia-se, por iniciativa do da diretoria do time Sete de Setembro, todos os anos, o baile era a tão esperada festa de premiação das princesas que disputavam a preferência dos craques que formavam nas fileiras do Sete de Setembro. 


Os nomes dos atletas eram conhecidos no meio futebolístico da várzea da zona sul: 
Geraldinho, Zeca, Mané, Francisco, Zé Lúcio, Germano, Toninho, Nardo, Boneca, Bitão, Zezito, Denico, Clebinho, Dico, Piraci, Natomi, Moacir, Gabriel, Paulo, Mazola, Zé Italiano, Geraldo, Valdir, Zeca, Tatu, Ailton, Baianinho, Alemão, Álvaro, Ailton, Sarapião, Ramiro, Geraldo, Helio, Zé Caiçara, Zé Baiano, Nô, Lelé, Dinho, João, Paraná, Branco, Vitamina, Nenê, Acácio, Chico Sanfoneiro, Dinho, Landinho e tantos outros que honrosamente defenderam por muito tempo as cores verde e amarelo da agremiação.
O "Seu" Quita era o festeiro e o grande preparador da alegria do futebol de várzea do Jardim São Luiz e dos arrabaldes, como se falava dos locais de bairros vizinhos. Participou na “Casa de Caridade Antonia de Oliveira”, na Rua Arlindo Fraga de Oliveira, 122, antiga Rua 21, onde residia no Jardim São Luiz e promovia o bem aos necessitados com seus irmãos de fé.


Ele era a própria alegria do futebol e em 2013, quando o Sete de Setembro Futebol Clube completaria meio século de existência, o seu grande presidente completou sua jornada de festeiro, nos deixando como legado parte de sua história enriquecendo o Bairro Jardim São Luiz.




*Aguardamos a crítica da crônica e algo além que possa acrescentar informações sobre este momento histórico daqueles que se reconhecem neste momento histórico.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Antonio Manuel Alves de Lima: A Elite Cafeeira de São Paulo e o Jardim São Luiz/SP

A SAGA DOS ALVES DE LIMA EM SÃO PAULO

O pai de Antonio Manuel Alves de Lima foi uma das expressões máximas do setor cafeeiro brasileiro, Octaviano Augusto Alves de Lima era filho de Antonio Manoel Álvares de Almeida Lima e de dona Maria Leopoldina Álvares de Lima, e não conheceram outra atividade senão a agrícola. Sofreram revezes e tiveram que reiniciar em novos horizontes. Isso os levou para Buenos Aires, Argentina, onde havia a tradição do mate. Montou no país vizinho o comércio do café, vendido em xícaras a moda brasileira, desconhecido na Região do Prata. Assim nascia a sua marca “Café Paulista – O Melhor do Mundo”. Deste modo o referido mercado argentino passou de sua insignificante importação de 15 mil sacas de café para 600 mil, sem apoio algum do governo brasileiro. Em 1902 o presidente do Brasil, Campos Salles em visita a Argentina do presidente Julio Roca foram em suas “viaturas” puxadas por animais degustar a bebida do antigo lavrador brasileiro o que contribuiu para divulgação maior do produto, tornando-se até distribuidor do café brasileiro, sendo em 1910 uma referência na Exposição Internacional realizada em Buenos Aires. Depois disso diversificou com outros artigos como o cacau da Bahia e Pará, o mate e goiabada paulista.

Alves de Lima, Octaviano. La República Argentina 1906-1907 p.267 - Referência acima cedida gentilmente por Martín Giardelli

(Tornou-se denominação da “Rua Octaviano Alves de Lima”-Pioneiro do Café no Prata-1848-1921, na Marginal direita do Rio Tietê, no trecho que fica entre a Ponte da Casa Verde {era para ser entre a Ponte das Bandeiras} e a ponte da Via Anhanguera, Processo nº 6.814/57; Projeto de Lei nº 601, de 3 de outubro de 1957; informação nº 4.759 da Câmara Municipal de São Paulo, de autoria do vereador Elias Shammass, processo encerrado em 10 de março de 1960)

OS IRMÃOS DE ANTONIO MANUEL E O RAMO DO CAFÉ

Seus irmãos Joaquim  Bento Alves de Lima e Octaviano Alves de Lima tiveram papel fundamental na continuidade dos negócios dos pais da fazenda Ribeirão Fundo, em Tietê. A Fazenda São João, em Capivari, era outra propriedade de Octaviano Augusto Alves de Lima e fazia parte dessa estrutura cafeeira.

Joaquim  Bento Alves de Lima no mesmo seguimento fundou a empresa “Lima, Nogueira Cia” sendo junto com os irmãos, um membro ativo das decisões Automóvel Clube de São Paulo, Clube Comercial, Clube Atlético Paulistano, Sociedade Hípica Paulista, Jockey Club, Clube de Campo Santo Amaro.

Octaviano Alves de Lima[1] além de suas ações junto aos irmãos teve participação efetiva como presidente diretor do “Café Paulista S.A.” que tinha se fixado na Argentina, em Buenos Aires desde 1911, por iniciativa de seu pai Octaviano Augusto Alves de Lima. Foi ainda diretor do Banco Noroeste de São Paulo em 1924-25; sendo depois, em 1928,chefe da missão Instituto Brasileiro do Café. Foi grande produtor de café em Campinas[2], e criou a Cooperativa Central dos Cafeicultores. Tornou-se, desde 1931, proprietário e diretor da empresa Folha da Manhã Ltda (hoje Folha de São Paulo) e Folha da Noite. Foi autor do livro “Revolução Econômico-Social”.
 
ANTONIO MANUEL ALVES DE LIMA: UMA CARREIRA ILIBADA

Antonio Manuel Alves de Lima foi empresário do ramo de café, nascido em 27 de junho de 1873, sendo filho de Octaviano Augusto Alves de Lima e Izabel de Arruda. Fez os estudos primários em Tietê e Capivari, e mais tarde foi enviado para especialização em Altona, Alemanha, onde permaneceu por uma década. 

Casou-se em 1898 com Jullita Prado[3], filha de Martinho da Silva Prado Junior e de Albertina Pinto. Tiveram os filhos Maria Isabel, Jorge, Antonio, Vera e Stella.


O casal fixou residência na Avenida Higienópolis, nº 8, em São Paulo, Capital, onde foi contratado o senhor Manoel dos Santos (avô deste missivista) em 1925, conforme consta em documento expedido pela “Directoria de Fiscalisação do Serviço Doméstico”, como jardineiro da locatária Julitta Prado Alves de Lima! 




Sua carreira foi pautada no ramo da agricultura tendo sido presidente da Companhia Agrícola Guatapará e do Instituto Brasileiro do Café de São Paulo, empossado em 1924, permanecendo no cargo por 30 anos, além de ter sido Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo de 1930 a 1931, com o fim da República Velha.

Tornou-se membro da União Cultural Brasil Estados Unidos; da Sociedade Agrícola do Jóquei e do Automóvel Clube de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Foi condecorado com a Medalha do Mérito Agrícola, concedida pelo Rei da Bélgica, Alberto II.

Por muito tempo manteve moradia na Praça da República nº 77, na esquina da Avenida Ipiranga e com escritório na Rua Barão de Itapetininga, nº 50, em São Paulo.

EDIFÍCIO SÃO LUIZ, nº 77, PRAÇA DA REPUBLICA, SÃO PAULO/SP


RUA BARÃO DE ITAPETININGA, SÃO PAULO/SP

CONDOMÍNIO CASA ALVES DE LIMA-PRÉDIO DE 9 ANDARES COM 248 UNIDADES

Após a morte de sua esposa Julita, em 1945, a chácara de propriedade da família localizada no Jardim São Luiz, à Rua Nova Tuparoquera, 249, era uma zona rural com muitas chácaras, passou a ser denominada “Fundação Julita” a partir de 6 de dezembro de 1951, tendo sua referência pautada no campo social nas áreas da saúde, educação e outros afins.














Antonio Manuel Alves de Lima possuía currículo invejável e de grande virtude, vindo a falecer em 11 de abril de 1969, aos 96 anos de idade. Há em sua homenagem a “Escola Estadual Antonio Manuel Alves de Lima”, situada no Bairro São João, distrito do Jardim São Luiz.



Vide referência e complementos:


ERVILLE LEVI, Darrell. A Família Prado. São Paulo: Editora: Cultura, 1977
SANT’ANA, João Gabriel. Repertório Biográfico e Genealógico Paulista. São Paulo, Press Grafic, 1987



Câmara Municipal de São Paulo, Projeto de Lei nº 601, de 3 de outubro de 1957 de autoria do vereador Elias Shammass.

HILTON, Ronald. WHO’S WHO IN LATIN AMERICA. London: Geoffrey Cumberlege/Oxford University Press. USA: Stanford U. Press (printed)/ The A.N. Marquis Company


O Jardim São João e “seu” João Manecão

Baby Pignatari e Nelita Alves de Lima: Fundação Julita (Jardim São Luiz)




[1] Octaviano Alves de Lima nascido dia 28 de fevereiro de 1883, natural de Tietê, Estado de São Paulo. Filho de Octaviano Augusto Alves de Lima e de Dona Isabell Arruda Alves de Lima. Era casado com dona Anna Telles Alves de Lima e tinha cinco filhos. Foi comerciante e exportador de café em São Paulo e Santos, além de fazendeiro. Dedicou-se ao jornalismo, sendo um dos proprietários, e diretor da Folha da Manhã e Folha da Noite, hoje fundidos na Folha de São Paulo. Em Campinas foi proprietário durante longos anos da Fazenda Chapadão que ganhou fama pela sua cafeicultura, administração e benfeitorias de alto padrão. Constituiu um dos primeiros loteamentos de Campinas, destinando parte da área de sua fazenda para criar o bairro Jardim Chapadão onde se iniciou a venda de lotes e casas a prestações. Numa fase anterior de sua vida, radicou-se em Buenos Aires, Argentina, dedicando-se à indústria e ao comércio tendo sido diretor presidente do café Paulista, empresa fundada por seu pai que foi o primeiro na introdução do café no país vizinho, cujo povo, até então só conhecia o chimarrão extraído do mate e o chá que era importado da Inglaterra. Era fisiocrata por idealismo e adepto da doutrina de Henry George. Faleceu dia 11 de maio de 1972, sendo sepultado no Cemitério da Consolação.

[2] Anna Silva Telles Alves de Lima, esposa de Octaviano Alves de Lima, herdou parte da fazenda Chapadão em Campinas. Nos anos de 1940, seu marido se tornando o único proprietário, a vendeu em 1942 ao Exército Brasileiro para que fosse instalado um quartel.

[3] Julita Prado era filha do dr. Martinho da Silva Prado Junior e de Albertina de Morais Pinto, irmã do dr. Firmiano de Morais Pinto, tendo sido o quinto prefeito de São Paulo, sendo seus pais o alferes Antonio José Pinto e a segunda mulher Francisca Emília de Morais, das famílias tradicionais de Itu e Porto Feliz. Era sobrinha de Antonio da Silva Prado, que foi deputado por São Paulo, Ministro da Agricultura, Ministro dos Estrangeiros, Senador do Império e ainda prefeito de São Paulo em três legislaturas, permanecendo no cargo de 1899 a 1911.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A Igreja e o Convento de Itanhaém, SP, em perigo Iminente!

Quem são os responsáveis pelo patrimônio material da Nação?

No papel todas as instituições são bem estruturadas, muito organizadas nos seus setores de fiscalização de atividades referentes ao escopo de suas obrigações perante o que se refere aos compromissos assumidos, e estão pautados por regulamentemos internos que devem ser seguidos na totalidade por comandantes e comandados.
Parece simples assim, mas na realidade tudo que tange a essas normas não são seguidas a risca conforme a pauta destes regulamentos e há dificuldades em se manter o mínimo necessário de metas. Deste modo emperram-se todas as ações que devem ser assumidas pelas hierarquias e cada qual faz o que bem entende com alguma iniciativa que possa proteger o patrimônio histórico brasileiro, tanto que na “ruína” dos bens materiais não há padrão a ser seguido para evitar um colapso, não existindo consenso e aparecem explicações inexplicáveis em tombamentos abandonados em todo território nacional, onde os doutores de academia argumentam, debatem, mas não conseguem prosseguir além da mesa diretora em assembleias constantes.
A Igreja Matriz de Sant’Anna, e o Convento no alto do Morro de Itaguassú em dedicação a Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, cidade fundada em 22 de abril de 1532 por Martim Afonso de Sousa, é um marco muito importante da história do Brasil, do local da presença da ordem dos jesuítas importante na criação de vilas que depois se aventuram pela Serra do Mar penetrando na “boca de sertão” onde fundam mais tarde a primeira “cidade” do interior do Brasil em 1554, que hoje é a maior da América do Sul e leva o nome de São Paulo de Piratininga.
Estes marcos antigos, Matriz e Convento, estão hoje sobre ameaça de riscos provenientes da ação das intempéries, e precisam ser monitorados para que haja o mínimo de convivência dos munícipes e àqueles que porventura buscam essa cidade litorânea como local turístico.



Para isso estes dois locais citados precisam estar em condições de receberem visitas em suas dependências sendo que a Igreja Matriz de Sant’Anna tem ainda a função primordial de celebração litúrgica, mas está com vazamentos constantes em seu telhado, com clara evidência de falta de manutenção preventiva (não interessa somente a corretiva) tendo vazamentos das águas das chuvas, inundando as dependências da nave central, onde voluntariamente pessoas que residem na cidade fazem o esforço para manterem o local para receber os paroquianos.




Há de reforçar nesta missiva que correm perigo também os retábulos laterais da Matriz por conta das infiltrações provenientes de umidade!
Já o Convento e a Ermida de Nossa Senhora da Conceição, está com suas atividades paralisadas, com as portas fechadas para quaisquer visitas, estando a mercê de vandalismos que possam ocorrer por não haver um quadro efetivo para direcionar as atividades do local.




Há de se supor que seria necessário um esforço conjunto entre os poderes civil e religioso para manter as atividades em funcionamento continuo, pois como consta a placa no edifício é um bem material referido como “Patrimônio Histórico Artístico Nacional” e além de receber a referência de bem tombado deve ser mantido com zeladoria para preservação!
Com a palavra o “eminente” Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que é o instituto brasileiro que tem a competência de gestão, proteção e preservação do patrimônio histórico e artístico do Brasil, devendo cuidar dos Patrimônios Nacionais.
(Consta na página da Prefeitura local como sendo a última intervenção na Matriz ocorrida em 1992 e que manteve o local fechado para obras de restauração por 5 anos!)

Vide:

Diretrizes de Tombamento na Cidade de São Paulo


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Cleptocracia:“Governo de ladrões” controlado nas sombras por uma eminência parda

A UTOPIA DO GOVERNO PERFEITO
Na cleptocracia (gr) o Estado é governado por políticas espúrias onde se desviam verbas de bem comum por meios ilegais com super faturamento de fornecimento de produtos para o Estado. Além da arrecadação que sustenta o Estado através de impostos, taxas e tributos há indivíduos que se apoderam da máquina administrativa para uso de benefício subjetivo se aproveitando do cargo que assume para enriquecimento pessoal nítida aplicação de peculato.
Peculato e Malversação
O peculato corresponde ao crime de subtração ou desvio, por abuso de confiança, de dinheiro público ou bens, para proveito próprio ou alheio, por funcionário público que os administra ou guarda com nítido abuso de confiança pública.
Malversação: má administração, má gerência. Apropriação indébita de fundos, valores durante administração de patrimônio alheio, público ou privado.
Eminência parda
Eminência parda é um assessor influente agindo como conselheiro atuando nos bastidores, podendo ter cargo oficial ou não, sendo considerado braço direito de decisões.
Na política, eminência parda é o indivíduo que atua nos bastidores não sendo o governante do país, mas exerce toda sua influência agindo muitas vezes em nome do soberano acéfalo, que age somente através de seus métodos de coação, tendo muitas vezes penetração máxima no poder executivo, legislativo, judiciário além de influência no poder militar, econômico e religioso.

Em seu estágio pleno, o modelo cleptocrático passa a exercer poder máximo da Nação substituindo o Estado de Direito que fica nas mãos de um grupo controlador que se apropria de todas as esferas de poder com adeptos seguidores deste sistema para construir um poder econômico apropriado às suas ações, instaurando a corrupção política rompendo com o equilíbrio da sociedade alterando a ordem do direito e a cidadania.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Imigrantes andarilhos do Mundo na Nova Roma: Uma “cota” miscigenada de gente habita o Brasil

Amálgama de várias culturas: Uma família, e muitas misturas

Vamos lá ver quem somos nessa amálgama incompleta de um povo que se denomina brasileiro:

Sou parte de uma mistura com a “Santa Terrinha”, da Aldeia de Cadima, lá dos lados de Catanhede, Portugal, por parte de mãe.

Pelo lado paterno sou do Nordeste da Itália, de Vêneto e a tez clara. Pois bem os dois grupos se enveredaram pelo Atlântico e aportaram por essas bandas e “estou cá indo”.

Já pelo lado de minha esposa, o pai tinha traços de holandeses, com cabelo crespo, mas que aqui mudou de categoria e ficou “sarará” como diziam.

Sua mãe é afro-descendente, cabelo liso, e sua avó (mãe de sua mãe) era escrava e seu pai tinha origem nos índios do Brasil. Desta mistura veio ao mundo a filha (minha esposa) que tinha tez mais morena que eu e cabelo bem crespo.

Disso resultaram nossos quatro filhos que a genética definiu do seu jeito num modelo nada igual:
Um filho tem tez clara e cabelo e barba crespa ao extremo, o outro é mais claro e tem barba pouca, estilo caboclo, um pouco ali outro pouco acolá.

Uma das filhas é aloirada, puxando pelo lado lusitano, da mistura talvez dos “imigrantes” suevos e visigodos, bárbaros que povoaram a Península Ibérica e completada pela soma daquele lado holandês do avô materno. A outra acredito que venha um pouco da forma dos mouros que “saltaram” Gibraltar, tendo tez mais escura, numa amálgama completada da avó materna de ascendência africana.

COMIDA: GOSTOS VARIADOS

A família não possui gosto homogêneo, e o paladar é bem diversificado, muito diferente. Este missivista, mesmo possuindo sangue europeu, aprecia o sarapatel, buchada, mocotó, peixe, virado paulista bem caipira e tudo com muita pimenta, o que já não agrada o paladar, de três filhos que são voltados a comidas não tão fortes, estando incluindo as pastas italianas, mas sem “regar” a vinho, que a água-ardente “abriu o apetite”. A “moura” por sua vez já gosta de tudo que tem muito vegetal, do palmito apreciado antes do “Achamento” pelos indígenas, suplemento das carnes magras típica dos galináceos que têm que ser salpicados com muita pimenta, daquelas “malaguetas” que ferve não só o paladar, mas faz chorar de ardência.

Já por parte materna a preferência é pela feijoada, uma variante da mistura do sarrabulho[1], além da carne seca, embora não se exclua o churrasco, esse bem tipicamente brasileiro, (embora se possa supor que foi a primeira maneira de coser as carnes em braseiro feita pelo homem das cavernas) degustado com uma bela cerveja bem gelada, embora a cevada seja no Brasil completada com milho, produto farto que insistem em indicar “cereais não maltados”. Dos holandeses nem o costume do queijo adquirimos, mas uma coisa neles apreciamos: o cultivo e o bom gosto pelo colorido das flores.

Tudo isso completado com as frutas tropicais que abundam pelas terras brasileiras e que as frutas de inverno europeu só completam as festas natalinas de fins de ano.

Os doces são bem simples, onde o bolo de fubá, mandioca e coco têm a preferência sem perder o costume do café matutino bem brasileiro.

Desta somatória podemos chegar a consideração que já perdemos a identidade da língua da pátria antiga, com raras exceções, e também não dançamos mais a tarantela e nem cantamos o fado, não festejamos São Nicolau como os holandeses, não vivemos em tabas indígenas e pouco temos dos ancestrais africanos, mas fomos contemplados com o candomblé, somado aos sabores do acará e vatapá nacionalizado.

Enfim no “frigir dos ovos” acontece uma miscelânea interna no organismo que não se sabe o que realmente o que foi ingerido que fez bem ou mal.

Somos ítalo-brasileiros, luso-brasileiros, holando-brasileiros, afro-brasileiros, com adição pelo gosto autóctone das redes e a tapioca, o substituto do pão de trigo, completada com os pescados dos grandes rios caudalosos circulados por canoas.

Não temos mais pertencimento e identidade com a terra natal de origem de nossos antepassados, vivemos e respiramos no Brasil, curtimos o lúdico do samba, frevo, catira, fandango e futebol que mesmo não sendo originalmente brasileiro faz parte da “paixão nacional” de tantos povos e tantas culturas que não sabemos dimensioná-las por completo em diversidades diferenciadas!

Hoje todos nós estamos ainda em um cadinho efervescente dessa miscigenação que Darcy Ribeiro com toda propriedade denominou “Nova Roma” e que alguns insistem, por alguma característica ou uma ideologia tacanha da política, separar-nos entre nós e eles!

Quem são os nós e quem são eles?
A quem interessa a separação desta linda diversidade cultural?




[1] Prato típico português feito com  miúdos de porco e condimentos ("sarrabulho", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008 2013, http://www.priberam.pt/dlpo/sarrabulho  [consultado em 03-05-2016].)