quarta-feira, 5 de agosto de 2026

CURTUME DE JOÃO DIAS, A FÁBRICA ESTRELLA E O SINO DA IGREJA DO JARDIM SÃO LUIZ/SP

A FAMÍLIA DIAS QUE DEU O NOME A  AVENIDA  JOÃO DIAS

João Dias de Oliveira nasceu em Itapetininga, Estado de São Paulo, em 12 de julho de 1842. Era casado com Benedicta Dias da Silva.
No Império foi agraciado por merecimentos civis, com carta patente de Alferes da 1ª Cia do batalhão de infantaria de Itapetininga. Na República foi nomeado por Floriano Peixoto, em 8 de março de 1893, Tenente Quartel Mestre do 112º batalhão de infantaria da guarda nacional do Estado de São Paulo.
Em Santo Amaro onde se radicou em 1887, trouxe a primeira indústria de pólvora, em sociedade com seu irmão Gabriel de Oliveira Dias, que casou-se com Raphaela Dias da Silva, sendo que Gabriel voltou a Sorocaba, vindo a falecer em 1902.
João Dias de Oliveira foi várias vezes vereador Municipal, exerceu as funções de Inspetor Escolar. Foi o primeiro tesoureiro da primeira Diretoria da Santa Casa local, sucedeu o fundador da Santa Casa, Coronel Carlos da Silva Araújo, na provedoria. Faleceu em São Paulo, em 2 de maio de 1926. Então assumiu os negócios seu filho Antônio Dias da Silva. (nascido na cidade de Tatuí, na região de Sorocaba. em 7 de abril de 1873)


Em 1929, Antônio Dias da Silva adquiriu uma grande propriedade juntamente com a empresa nela instalada “Cortume Dias” onde foi implantada a Fábrica Estrella. Em livros de registros municipais de 1914 a 1927 de firmas e profissões (atualmente depositado no Arquivo Histórico Municipal) consta:
Dias e Cia, Ponte de Baixo, Fábrica de Arreios e Cortume
A empresa especializou-se na fabricação de couros cromados, pelegos variados, camurças, percalinas e "pano couro" para encadernações e estofamento geral, surgindo a empresa Dias & Cia Ltda, no bairro da Penhinha, na entrada do bairro Jardim São Luiz, que é cortado pelo “Córrego do Curtume” afluente do Rio Pinheiros.

A produção tratava os couros em tambores giratórios em solução de água e ácidos, camurçados. Mais tarde, intensificaram a produção e começaram a fabricar tecidos oleados, precursora das lonas plásticas da multinacional Sansuy, na atualidade.
Antônio Dias da Silva casou-se com Sebastiana Rodrigues Dias, onde mais tarde assumiram a gerência os filhos João Rodrigues Dias e mais adiante coube o segmento a Plínio Rodrigues Dias, este nascido em 9 de agosto de 1907, tendo constituído família com sua esposa, Rosa Maria de Almeida Dias, matrimônio realizado em 23 de junho de 1930.

A empresa ficou estabelecida na região até o início da década de 1970, quando ainda se encontra-se registros trabalhistas da Plástico Estrela, na Avenida João Dias, 3144, e depois os registros somem para efeito historiográfico!
"A empresa Dias & Cia Ltda." foi desmembrada da Plásticos Estrella, sendo fundada a Indústria York S.A., à Rua Ten. Cel. Carlos Silva Araújo, Santo Amaro. Em 1958 a Indústria York S.A foi adquirida por “Assad Abdalla e Filhos” para fabricação de gase, esparadrapo, aventais, toucas, algodão e outros artigos hospitalares. Em 1977 uniram a empresa têxtil Assad Abdalla S.A. (TAASA) com a empresas York resultando o “Grupo Indústria York S.A. Indústria e Comércio”
(Referências fornecidas por de André Assad Abdalla)
REMANESCÊNCIA DESTE LEGADO

Um dos sinos, fundido em 1904, que integrava o campanário da Capelinha Penhinha, quando de sua demolição, foi enviado para a Paróquia São Luiz Gonzaga, localizada no bairro Jardim São Luiz, na Rua Antonio da Mata Junior, nº 80, onde faz parte do acervo religioso, podendo se ler na lateral do sino o nome do doador: “Fábrica Estrella”, referência industrial da família Dias.
* Álbum de Santo Amaro e depoimento de Jose Luiz Moraes Dias, a quem devemos essa história e a da empresa York que também pertenceu a família Dias! (Em revisão e ampliação de dados sem prévio aviso. Podem, quem queira, disponibilizar como pretende-se, história não tem dono, nem muito menos posse!)

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