quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

BRASIL PICARESCO: A HISTÓRIA DA “CAROCHINHA”

UMA VERDADEIRA MENTIRA MUITO BEM CONTADA

Tudo que se passa na história do Brasil faz parte do real cotidiano dos que se encontram para dialogar sobre futebol, carnaval, praias. Essas coisas são o que realmente possuem grande valor das necessidades nacionais, aquilo que realmente é causa transformadora da realidade da identidade nacional!

_Bom dia, hoje é Dia da Mentira!!!

_Não hoje não é o Dia da Mentira, é o dia em que o ano está morrendo, Dia da Paz Mundial! O Dia da Mentira é 22 de abril.

_Ei, espera um pouco, lembrei-me que o dia da mentira é 1º de abril e não 22 de abril, acho que o engano agora é seu. Também tem o dia 21 é o dia de Feriado Nacional, ñão sei do que se trata, mas é dia de fugir para a praia!

_Verdade você esta certo, mas como tem tanta mentira na história do Brasil, pensei que você tivesse pensado nessa mentira do descobrimento do Brasil, aliás para mim seria melhor deixá-lo coberto e não o ter achado, pois foi isso que aconteceu, pois você somente procura algo que você sabe que existe e era isso que falava a aliança do papa espanhol com os portugueses, as duas nações eram uma coisa só.

Depois de descoberto os de Cabral foram embora para as índias ode o primeiro escritor da terra, que foi batizado de um monte de nome, morreu na Índias.

Depois vieram exploração com o comandante, amigo do rei, Martim Afonso de Souza, isso mesmo, “exploração” e até hoje não parou. Era o ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1530, pra quem “achou” alguma coisa, demorou somente 30 anos para um interesse no achado, tiveram umas pequenas explorações nesse meio, mas só para uma olhadela pra ver se o que descobriram não tinha interesse do alheio.

A igreja mandou um emissário juntamente com a Esquadra do Achamento, Américo Vespúcio, pois os da família italiana dos Médici tinham aplicado investimentos altos e logicamente participariam do lucro dos achados, naquele momento era muito mais lucrativo aplicar esforços nas Índias, que o retorno era imediato, mas sempre é bom se assegurar de outros meios, afinal aqui tinha o pau da tinta vermelha apreciado para tinturas.
Os produtos das Índias eram mais rendosos e para temperar os alimentos e dar sabores aos mesmos e o açúcar era ainda um produto de luxo. Deste modo começou-se, mais à frente, uma lavoura insipiente para abocanhar um comércio que seria o responsável de tantos crimes no Brasil, de índios e africanos usados pelos interesses do poder.

Os índios resistentes a esses interesses foram exterminados. Além disso, as ordenanças tratavam-os como atrasados, preguiçosos, vagabundos, pois não aceitaram a chibata; evidentemente, pois sempre viveram livres nas matas que eram posses de todos não queriam participar do modelo europeu, de posse de um só rei.
Os primeiros contingentes enviados para administrar a terra eram soldados que levaram as bandeiras da Coroa para roubar os vizinhos de Espanha, sem respeito pelo tratado de 1494, pois os espanhóis tinham descoberto muita prata nas terras dos incas.
Deste momento em diante começa a ser construído um consciente coletivo, um mito nacional: os bandeirantes lutando pela unidade nacional! Cometeram atrocidades que hoje seriam considerados crimes contra a humanidade, crime de guerra que Haia consideraria “crime sem defesa” e Nuremberg daria o veredito de atrocidade com enforcamento dos responsáveis no comando.

Em trezentos anos nunca houve realmente um “plano diretor” para a Colônia, denominada de Quinto dos Infernos, no singular, pois era parte do ouro que chegava da metrópole para os cofres portugueses e que ajudou a reconstruir Lisboa através de seu Ministro Pombal em 1755, após o terremoto que assolou a região, ouro este que causou cobiça de muitos aventureiros pelo vil metal e que dos portos da Europa afluíram em desvairada corrida do ouro, nas serras e em bateias dos rios.

Nessa “leva” vieram alguns artistas do barroco, arte perpetuada no Brasil, para dar causa aos interesses de posse do poder do Estado e também da Igreja, que controlaria esse deslocamento através da fé, dos castigos merecidos, um controle dos ímpetos sociais. Neste local vai também aparecer insurgentes que a história irá descrever como um momento libertário, mas infelizmente saído dos quartéis, como todo o momento da história do Brasil, dito revolucionário aconteceu. Sobrou, as conseqüências, para um alferes, Joaquim Jose da Silva Xavier, um soldado do poder português, que foi responsável pelo Feriado Nacional do dia 21 de abril. Fizeram-no mártir, esquartejando-o em praça pública ordenado pela rainha “louca” Maria I, como insubordinação e os demais, letrados, ganharam degredo nas terras de Portugal, no continente de África e lá fizeram família e fortuna.

Apareceu, neste tempo, uma nova mentalidade na Europa que estremeceu as coroas governantes, foi considerada como Revolução. Falava-se na França de liberdade, igualdade e fraternidade. Napoleão abalava as estruturas dos reinos e enfrentava os domínios dos impérios, a maioria controlada por Inglaterra e países Ibéricos. Assim Portugal vê-se ameaçado, fazendo o ainda regente de Portugal, João, que se tornou o 6º rei de Portugal, em 1816, coroado ainda na estadia na Colônia, com o apoio da Inglaterra, aliás onde existisse uma nau portuguesa havia um “chupim” inglês, para dominação a posteriori, que financiado a preço do ouro do Brasil, houve por bem formar a comitiva de fuga concretizada em final de 1807, viagem que durou 54 dias.

Chegando ao Rio de Janeiro, de imediato assinaram o decreto abrindo os portos às nações amigas, que era somente a Inglaterra. Napoleão foi o grande incentivador, indiretamente, dos benefícios alcançados pelo Brasil que passou a ser parte integrante do Reino Unido Português tornando-se assim parte da história moderna de então.
A vinda para a Colônia foi recebida com muita pompa e beija mão, as melhores residências foram usurpadas para acomodar a comitiva, e diga-se que não eram muitas. Fala-se até que muitos queriam fugir de volta e enfrentarem o exército Napoleão, seria melhor do que no Brasil permanecer, mas isso são conjecturas. Mas como “tudo permanecia como dantes na terra de Abrantes” resolveram ficar, foi o primeiro “dia do fico”, pois houve um segundo que foi proclamado pelo filho do fujão, o pretendente Pedro de Alcântara, que o pai mais tarde mandou lançar mão da coroa antes que algum aventureiro o fizesse, prevendo o continuísmo reinante da família. O rei para não perder as mordomias do vasto império em 1821 voltou para Portugal forçado pela junta militar que foi instituída a partir da Cidade do Porto, o mesmo que deu o nome a terra PORTOCALE.

Começa um novo ciclo para o imaginário que a historiografia insiste em transmitir após a dependente independência: o primeiro herói nacional foi Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, Pedro I, embora português, amava a terra “em que se plantando tudo dá”. Começou alguns poderes assumir cargos de confiança do imperador do Brasil independente, uma contradição que mesmo o Libertador Simon Bolívar queria distância sem as influencias do império na libertação das colônias espanholas. Esse nosso rei, o imperador, ou o que hoje se proclamaria ditador, abdicou em nome do filho e voltou para a Ilha Terceira, onde se armou para tirar o trono português das mãos do seu irmão Miguel para entronizar sua filha, que se tornaria a rainha Maria da Glória, que presidiu a coroa como fantoche do pai e quem realmente tomava as decisões.
Todas as revoltas populares deste tempo foram sufocadas s e seus lideres expostos em praça pública! Onde já se viu insurgir com um governo BOM e independente, livre das correntes da escravidão!

Outra mancha da liberdade foi a escravidão onde os juristas de então davam liberdade ao sexagenário, aquele que depois de velho não servia mais para o engenho e para o cabo da enxada; ou a Lei do Ventre Livre, onde o recém nascido era livre quando nascesse, como se pudesse sair pelo mundo de fraldas, se é que tivesse direito a elas. Assim permanecia a rondar a senzala onde a mãe vivia. Hipocrisia não faltou, mesmo com a expansão das indústrias manufaturados da Inglaterra exigindo a liberdade para os escravos, não por serem humanitários, mas porque precisariam de consumidores para seus tecidos de algodão e terras para plantá-los.

Depois forçados pela mesma Inglaterra o Brasil se aliou a Argentina e Uruguai para enfrentar o todo poderoso exército paraguaio, que ousou construir uma siderurgia sem consentimento da Inglaterra e com financiamento do seu arqui-rival, a Alemanha. Mesmo lutando contra uma tríplice aliança afugentou o comando das forças armadas do Império na Retirada da Laguna. O Brasil levou para os campos de batalha "homens brancos livres", mestiços, que criavam confusões nos centros urbanos e chamados de vadios, além de escravos, que em troca ganhariam alforria e se sujeitavam a guerra e a morte na batalha, e índios submissos dirigido por altos brados de “quem for brasileiro sigam-me”. Assim nascia o dia do soldado, em 25 de agosto, em homenagem ao Duque de Caxias. Além disso, houve a batalha do Riachuelo financiado por apoio inglês onde seus comandante eram desta origem, um mito de força com apoio alheio e que perdura em aquisições internacionais, gozamos com coisa que não nos pertence!...

Não se esta aqui enxovalhando as armas e sim demonstrar que os combatentes, os homens simples, catados a laço e involuntariamente e que tornaram voluntários daquilo que era interesses externos das potências, nunca foram lembrados. Sem contar que as forças militares de terra comandas por conde D’Eu, genro do imperador Dom Pedro II, casado com Isabel, que passou à história como Redentora, (do quê?) não poupou com a cavalaria crianças e mulheres postados em seu caminho.

Muitos títulos foram vendidos pela coroa, muitas terras distribuídas que hoje são parte integrante dos grandes latifúndios maiores ate que muitos países da Europa, perdendo-se, deste modo, uma das maiores oportunidades para a reforma agrária!

Depois disso tudo sentiram a necessidade de colonizar o país, não porque queriam um plano ou modelo de gerenciamento, mas porque as terras devolutas pertenciam aos que dela tomasse posse. Houve por enviar os primeiros colonos para o sul, armá-los como defesa a favor do insipiente exercito brasileiro. Por vezes pensa-se se já não era um modelo de militarização do sul!
Grandes levas se somaram aos primeiros colonos e vieram para assumir um novo mercado consumidor de um produto onde a bolsa de café internacional que era novamente controlada pela Velha Senhora, a Inglaterra.

O imperador que governou o Brasil por quase seis décadas, Pedro II, era um homem alquebrado pelo tempo, manipulado por oligarquias que lhe bajulavam de dia e conspiravam de noite!

Assim nascia a res-pública, ou seja, as coisa públicas, embora de poucos, depois de libertar todos os cativos, que ganharam a liberdade física do corpo, mas que foram lançados nas estradas com a roupa do corpo, sem diretos a posse, coisa já bem delineada anteriormente com a Lei da Terra de 1850, onde teriam direito a mesma quem a adquirisse por compra, impossível ao escravo que não possuía mínimo salário.

Tudo isso foi previamente estudado pelo poder e os satelites em sua volta, nada acontecido que não saísse de um gabinete. Após pouco mais de um ano da “lei áurea”, que do brilho do ouro só houve as indenizações aos "heróis nacionais", senhores de engenho, pagos pelos cofres públicos pela posse de sua mão de obra escrava que fora adquirida anteriormente por estes coronéis dos negreiros contrabandistas e que inclusive foi incinerada toda documentação pelo digníssimo senhor Rui Barbosa, então da pasta fazendária, que alegava proteger o Estado contra indenizações posteriores, mas queimou a historiografia das atrocidades deste tempo obscuro da história do Brasil.

Em 1889, veio a república saída dos quartéis remanescentes das insurretas divisões daqueles que lutaram na Guerra do Paraguai, e formaram juntamente o trino interesse no cone sul.
Deste modo foi transmitida esta VERDADE histórica do Brasil até a presente data, desde o Descobrimento. Depois da Colônia, seguido da (in)dependência, chegou-se a república, lembrando que dia 1º temos mais posse presidencial do Brasil, que presidirá o “interesse nacional” de “todos” os “brasilianos”.

Não é dia da mentira, é verdade da cultura brasileira e da história contemporânea!

_Amigo, deixa esta história da “carochinha”[1] pra lá, vamos jogar futebol e tomar cerveja e fazer churrasco, minha mulher Maria, é “louca” por praia e amanhã será feriado e vai ser um carnaval!


[1] Diminutivo de carocha, história sem fundamento, inutilidades, histórias infantis, fantasias.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os Insultos entre Portugal e Brasil e o Valor da Independência da Colônia

Causa Brasílica - Tratado de Paz e Aliança firmado em 29 de agosto de 1825

Em 24 de abril de 1821, D. João partia, deixando em seu lugar, como regente, o príncipe D. Pedro, mas havia discussões das Cortes que o objetivo do movimento constitucional de Portugal era restabelecer a supremacia sobre o restante do império.
Assim proclamam os Decretos de 29 de setembro de 1821, subordinado juntas administrativas provinciais diretamente ligadas a Lisboa, exigindo o retorno a Portugal de D. Pedro de Alcântara, (Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, tornou-se 1º Imperador do Brasil e 4º de Portugal) que resolveu agir, aproximando-se da parte conservadora da elite brasileira, formada por elementos que tinham freqüentado a Universidade de Coimbra e partilhavam de ideais libertários. Com esse apoio e a intenção de conservar o seu poder pessoal, D. Pedro proclamou, em 9 de janeiro de 1822, o dia do Fico, com a decisão de permanecer no Brasil, desobedecendo ao congresso de Portugal.

Iniciava-se insultos mútuos de ambas as parte até o tratado ser definitivamente aceito pela Metrópole e o país emergente, Brasil.

Os insultos de separação entre portugueses, chamados de marinheiros pelos brasileiros, por irem e virem da Metrópole para a Colônia quando bem entendessem se tornaram cada vez mais graves de ambas as partes.
Portugal era “o jardim das Hespérides[1] os Elíseos, deste pequeno mundo chamado Europa” que concentrava em si todas as delícias e prazeres da Terra. A imagem do Brasil por sua vez era identificada com o a “terra dos macacos, dos pretos e das serpentes”; enquanto a de Portugal ao “país de gente branca, dos povos civilizados e amantes do seu soberano”. Inversamente, outra imagem surgia do português visto como um “gárrulo mesquinho, um declamador insolente, um verme obscuro, que “ousou enxovalhar o país”, "menoscabar” os direitos dos brasileiros e “insultar” a “família brasileira”.

Outra representação tomava forma pelos pés de chumbo dos soldados portugueses da divisão auxiliadora do Brasil. Essa idéia surgiu a partir dos calçados dos soldados portugueses repletos de cravos na sola. Por sua vez os brasileiros desdenhados a serem chamados de pés de cabras, pois tinham calçados inferiores aos dos da Metrópole. Mais tarde a linguagem política ampliou e o significado do termo pés de chumbo era “todo europeu que não assentiu a causa brasileira”[2]
A essas rivalidades, logo se sobrepôs o termo quanto a presença dos lusitanos na orbita da Corte no Rio de Janeiro. Essa ojeriza decorria em parte, de uma suposta “recolonização”. Segundo Francisco Gomes da Silva, o conhecido Chalaça, favorito do imperador Dom Pedro I, a indisposição contra os portugueses “não provinha tanto do desejo de vingar antigos ultrajes”, mas do receio dos brasileiros que os europeus “urdissem tramas para privar a independência”.[3]
Além disso, em termos de política, a presença portuguesa constituía uma ameaça a organização do novo país, em virtude da influencia que poderia exercer junto ao imperador do Brasil que transmitiam ideais de um governo centralizador e absolutista, ou seja livravam-se de um império para ser governado por outro.
Outra questão estava ligada ao sistema de administração a ser adotada e o acirramento das disputas de cargos entre lusos e brasileiros, ministros de Estado, oficiais, magistrados, deputados, inclusive o próprio imperador havia nascidos em Portugal, antigo império opressor da Colônia. O jornal “A Estrela Brasileira”, em 1823, aconselhava o governo empossado a afastar todos os portugueses “dos grandes empregos nacionais, enquanto não fosse reconhecida a independência do Império”

Do lado oposto vinha na mesma proporção a tréplica da Gazeta de Lisboa, em 9 de janeiro de 1824:

“Cegos! Estão a borda do abismo, e não o vêem esses demagogos Brasileiros, que enchem a boca das palavras independência, liberdade, vasto Império, etc.,etc. Como se os povos que estabeleceram, se poliram, opulentaram, e ilustraram as sábias Leis, e do suave Governo dos Reis de Portugal, pudessem jamais chamar-se escravos, e não tivessem sempre sido tratados como os próprios Portugueses da Europa, de quem pela maior parte descendem, cuja língua falam, de cujo ilustre nome pela fraternal união participam, e cuja glória sublime também gozam,( bem que para ela pouco ou nada tenham concorrido) pelo mesmo enlace nacional! E tudo isso desejam apagar os sedutores facciosos, que pretendem desligar o Brasil da Mãe Pátria! Ingratos, vossa própria maldade será um dia o flagelo que há de vos punir: vós já comeceis a ver as conseqüências das desatinadas revoluções”

TRATADO DE PAZ COM PORTUGAL (grafia original)

Tratado de Paz e Aliança entre Portugal e Brasil assinado em 29 de agosto de 1825, por Dom João VI, de Portugal, e Dom Pedro I, do Brasil, no qual Portugal reconhece a independência da antiga colônia. Acordo entre pai e filho decidem em nome do Antigo Império a favor do Novo Império.

Em Nome da Santíssima e Indivisível Trindade Sua magestade fidelíssima Tendo constantemente no Seo Real Animo os mais vivos desejos de restabelecer a Paz, Amizade, e boa harmonia entre Povos Irmãos, que os vínculos mais sagrados devem conciliar, e unir em perpétua alliança, para Conseguir tão importantes fins. Promover a
prosperidade geral, e Segurar a existência política, e os destinos futuros de Portugal, assim como os do Brasil; e Querendo de huma vez remover todos os obstáculos, que possão impedir a dita Alliança, Concordia, e Felicidade de hum e outro Estado, por Seo Diploma de treze de Maio do corrente ano. Reconheço o Brasil na Cathegoria de Imperio Independente, e separado dos Reinos de Portugal e Algarves, e a Seo sobre Todos muito Amado e Prezado Filho Dom Pedro por Imperador, Cedendo e Transferindo de Sua livre Vontade e Soberania do dito Imperio ao Mesmo Seo Filho, e Seos Legitimos Sucessores, e Tomando sómente, e Reservando para a Sua Pessoa o mesmo Titulo.
E Estes Augustos Senhores, Acceitando a Mediação de Sua Magestade Britannica para o ajuste de toda a questão incidente à separação dos dous Estados (...) convierão em que, na conformidade dos principios expressados neste Preambulo, se formasse o presente Tratado.

Artigo Primeiro.
Sua Magestade Fidelissima Reconhece o Brasil na Cathegoria do Imperio Independente, e Separado dos Reinos de Portugal e Algarves; e a Seo sobre Todos
muito Amado, e Prezado Filho Dom Pedro por Imperador, Cedendo e Transferindo de Sua Livre Vontade a Soberania do dito Imperio ao Mesmo Seo Filho e a Seos Legítimos Sucessores. Sua Magestade Fidelissima Toma sómente, e Reserva para a Sua Pessoa o mesmo Titulo.

Artigo Segundo.
Sua Magestade Imperial, em reconhecimento de Respeito e Amor a Seo Augusto Pai o Senhor Dom João VI, Annue a que Sua Magestade Fidelissima Tome para a Sua Pessoa o Título de Imperador.

Artigo Terceiro.
Sua Magestade Imperial Promette não Acceitar proposições de quaesquer Colonias Portuguezas para se reunirem ao Imperio do Brasil.

Artigo Quarto.
Haverá d'ora em diante Paz e Aliança e a mais perfeita amizade entre o Imperio
do Brasil, e os Reinos de Portugal e Algarves, com total esquecimento das desavenças passadas entre os Povos respectivos.

Artigo Quinto.
Os Subditos de ambas as Nações, Brasileira, e Portugueza serão considerados e tratados nos respectivos Estados como os da Nação mais favorecida e Amiga; e seos direitos, e propriedades religiosamente guardados e protegidos; ficando entendido que os actuaes possuidores de bens de raiz seráõ mantidos na posse pacifica dos mesmos
bens.

Artigo Sexto.
Toda a propriedade de bens de raiz ou moveis, e acções, sequestradas ou confiscadas, pertencentes aos Subditos de Ambos os Soberanos, do Brasil e Portugal, seráõ logo restituidas, assim como os seus rendimentos passados, deduzidas nas despezas da Administração, ou seos proprietarios indemnisados reciprocamente pela maneira declarada no Artigo oitavo.

Artigo Sétimo.
Todas as embarcações, e cargas apresadas pertencentes ao Subditos de Ambos os Soberanos serão semelhantemente restituidas, ou seos proprietarios indemnisados.(...)

O Brasil concordou em pagar 2 milhões de esterlinas a Portugal pela Independência. Foi o inicio da dependência financeira com dinheiro emprestado da Senhora dos Mares, a Inglaterra[4].

Assim acabava o Império Colonial e surgia o Império Independente!!!
Incoerência?

Com a palavra a História!

NOTAS:

[1] Na Jardim das Hespérides (mitologia grega) foi a morada destas ninfas. Situado às margens do rioOceano guardado por um dragão (ou uma serpente). As Hespérides personificam o final da tarde, transição entre o dia e a noite.

[2] Para a origem desses termos pejorativos vide C. Seider, Dez Anos do Brasil. São Paulo. Ed. Martins, 1991. P. 305, conforme descrição “Periquitos na Serra dos Órgãos, congratulando-se com seus companheiros. Rio de Janeiro, Tipografia Nacional, 1822

[3] Francisco Gomes da Silva, O Chalaça. Memórias (Prefácio e Anotações de Noronha Santos). Rio de Janeiro: Editora Souza, 1959.p.62

[4] Em 1822, a independência do Brasil separou os dois sistemas monetários e provocou crises inflacionárias tanto no Brasil quanto em Portugal. Mais forte no Brasil, pois quando D. João VI retornou a Portugal, levou consigo o tesouro nacional. As reservas bancárias brasileiras reduziram-se a 20 contos de réis (Ð 800.000). Desde o dia 28 de julho de 1821, a conversibilidade do papel-moeda em ouro havia sido suspensa. Passou-se a emitir papel-moeda sem lastro metálico suficiente, ocasionando a progressiva desvalorização do dinheiro.A libra esterlina, que valia 3$555 antes de 1822, foi temporariamente reestabilizada em 4$166 em Portugal a partir de 1826 (ou 1$875 por oitava de ouro) e em 5$555 no Brasil a partir de 1833 (ou 2$500 por oitava de ouro). Nesse período, um mil-réis português valia 1$333 brasileiros. Isso não foi suficiente: a inflação continuou e novas reformas monetárias se mostrariam necessárias em ambos os países. No Brasil, a partir de 1846, a oitava de ouro passou a valer 4$000 e a libra esterlina passou a valer 9$000. Essa confusão mostrou-se prejudicial para os negócios. Para racionalizar o meio circulante, em 1853, Portugal tornou-se o segundo país do mundo (depois do Reino Unido) a adotar a uma moeda totalmente baseada no ouro – ou melhor, na libra esterlina – e a prata deixou de ser de aceitação obrigatória para pagamentos acima de 5$000. A paridade definida era de 1,7735 mg de ouro com um título de 916 2/3 por real (ou 1,6257 mg de ouro fino), de modo que o par com a libra se fixasse em 4$500 réis (ou 53 1/3 pence por mil-réis). A libra esterlina passou a ser a única moeda estrangeira com curso legal em Portugal. Com isso, na segunda metade do século 19, o mil-réis português passou a valer o dobro do brasileiro. Com a busca de racionalização e decimalização do sistema monetário: as principais moedas portuguesas passaram a ser o tostão de 100 réis, a coroa de prata de 1$000 e a coroa de ouro de 10$000. No Brasil, o sistema monetário também tendeu à simplificação. A partir de 1849 foram cunhadas novas denominações com base no novo padrão de 9 mil-réis por libra, como tostões de 100 réis, moedas de mil-réis e peças de ouro de 10$000 e 20$000, estas com 8,9648 g e 17,9296 g de ouro de 22 quilates, respectivamente. Apesar do câmbio do papel-moeda continuar a se desvalorizar, essas moedas de ouro continuaram a ser cunhadas até 1922 – quando, em papel-moeda, o dólar já valia 7$740 e a libra 35$660.

Fonte: http://antonioluizcosta.sites.uol.com.br/moeda_brasil.htm#milreis

MEDICINA LEGAL TARDIA NO BRASIL

Início da Medicina no Brasil Colônia

Os estabelecimentos de ensino e estudos médicos recebeu o nome oficial de faculdade em 1832, pelo decreto de 3 de outubro, sendo as Academias Médico Cirúrgicas, passadas a faculdades de medicina do Rio de Janeiro e Bahia, sendo que a primeira criada por alvará de 1º de abril de 1813 e a segunda por Carta Régia de 29 de dezembro de 1815. A que deu origem a faculdade da Bahia foi primeiramente estabelecido como Escola Cirúrgica da Bahia, criada em 18 de fevereiro de 1808, e considerado o marco do ensino médico do Brasil. No Rio de Janeiro foi primeiramente denominada de Escola Anatômica Cirúrgica e foi criada com a vinda da Família Real para o Brasil e estabelecida em 5 de novembro de 1808. Foi sugerida pelo médico assistente da família real, Jose Correa Picanço, que era docente da Faculdade de Coimbra[1] desde 1772, e acatada pelo Príncipe Regente Dom João.

Vicente e Sebastião Navarro, ambos médicos, vieram para o Brasil com a Família Real, além do Doutor Amaro Baptista Pereira, que era Físico Mor[2] da Armada e Médico da Imperial Armada.Juntou-se a emérito medico o doutor Justiniano de Mello Franco, filho mais velho de Francisco de Mello Franco, formado na Alemanha em 1814,casado com dona Ana Carolina Overbeck, que vindo para o Brasil formou o quadro clinico e foi nomeado pelo Príncipe Regente Juiz Delegado Comissário do Físico Mor do Reino. Mais tarde tornou-se físico mor interino das tropas da Província de São Paulo, sendo também relator ao governo sobre os procedimentos do hospital real militar. Assim por providências que requeriam o lugar, para agilizar atendimento e isolamento de contágios fora construído lazaretos ou gafarias, pequenos hospitais construídos ao redor dos povoados, para combater a hanseníase que assolava em varias partes, par atendimento dos hansenianos, comumente chamados de gafos.

Esses médicos estrangeiros foram favorecidos do “protomedicato[3]” que foi instituído pela rainha dona Maria I, em 1792, obrigando a exames de revalidação de diploma estrangeiro, foi abolida em janeiro de 1809 pelo seu filho regente Dom João, e restabelecidos os cargos de físico mor e cirurgião mor.

Do cirurgião exigia-se muito esforço físico, executado por escravo, ou alguém de classe inferior e não precisava freqüentar faculdade, pois sendo oficio braçal bastava a “Carta de Cirurgião” para fazer amputações sem anestesia e (muitos) tinham origem judaica.

Em 19 de fevereiro de 1810, houve acordo entre Inglaterra e Portugal que facilitou a formação de médicos no Brasil, e evitava a perseguição por motivos religiosos, firmando-se no Rio de Janeiro dois Tratados de Comércio e Amizade e Aliança, onde rezava no artigo 9º:

“Não se tendo até aqui estabelecido e reconhecido no Brasil a Inquisição, ou Tribunal Do Santo Oficio, sua Alteza e Príncipe Regente de Portugal, guiado por uma iluminada e liberal política aproveita a oportunidade que lhe oferece o presente tratado, para declarar espontaneamente, no seu próprio nome e no de seus herdeiros e sucessores que a Inquisição não será para o futuro, estabelecida nos meridionais domínios americanos da coroa de Portugal”.

No artigo 12º estipulava: “Os estrangeiros residentes nos domínios portugueses não seriam perseguidos por matérias de consciência, nem nas pessoas nem nos seus bens”.

Começa uma tardia manifestação pela formação acadêmica no Brasil, sendo reconhecida oficialmente com Faculdade de Medicina em 3 de outubro de 1832!

Bibliografia:

CANDIDO, Mendes. Código Filipino, Volume I, p. 1148. Notas à Ordenanças, Liv.5, Tit. 1, Auxiliar Jurídico, p. 82,83

HERSON, Bella.Cristãos Novos e Seus Descendentes na Medicina Brasileira(1500-1850). EDUSP, 2ª Edição Ampliada. São Paulo, 2003.

NOTAS:

[1] Para matricular-se na faculdade de Coimbra exigia-se o atestado de batismo emitido pela igreja, sendo mais tarde abolido com a reforma pombalina e após a queda de Pombal, voltou a vigorar. ERA EXIGIDA “Limpeza de Sangue”o que fazia os estudantes buscarem locais de livre pensamento, longe da inquisição, opressão e obscurantismo. Muitos buscavam a Escola de Languedoc, Escola de Medicina de Montpellier, bem localizada no Mediterrâneo, que facilitava transações de comércio.
[2] Denominação para os médicos profissionais.
[3]Corte Real do Protomedicato era um corpo técnico encarregado de vigilância ao exercício das profissões sanitárias, assim como para exercer uma função educacional e para a formação destes profissionais. Criado na Espanha no século 15, prolongou-se às colônias.

sábado, 25 de dezembro de 2010

O UNIVERSO MATEMÁTICO E A EPIFANIA

HOUVE A CRIAÇÃO SEGUIDA DA EVOLUÇÃO!

A astronomia iniciou-se nos vales do Eufrates estendendo-se ao rio Nilo. Remonta 25 séculos através das observações dos caldeus, onde mais tarde a ciência grega deu sua contribuição através da cosmologia de Tales. Os pitagóricos por sua vez dedicaram estudos aos astros com bases matemáticas da geometria de então preparando o caminho para a teoria científica, sendo seu primeiro representante Aristarco de Samos. Houve certo descrédito e um retrocesso neste campo prevalecendo então a teoria aristotélica do “geometrismo”, vindo somente uma reação considerável neste campo a partir do século 15 com as comprovações de Copérnico, Kepler, Galileu, Newton e Einstein, dando novos conceitos interplanetários, alterando a ordem do conhecimento humano.

Os pitagóricos consideravam a astronomia a e a música como irmãs gêmeas, pois as leis que regem os acordes musicais assemelhavam a harmonia do céu. A astronomia possuiu ao longo do tempo outros nomes de batismo como “uranologia” ou “cosmografia” e era considerada “mecânica celeste”.
Definição de Poincaré:
“A astronomia, é, de todas as ciências, a que nos reserva maiores motivos, para nos maravilharmos. Sem falar das avaliações prodigiosas que estabelece para as massas e as temperaturas estelares, fornece, sobre as dimensões do espaço e as distâncias respectivas dos corpos celestes, precisões realmente impressionantes”.
AS HOSTES CELESTES ANUNCIAM ATRAVÉS DOS MAGOS DO ORIENTE (vide Origenes)

“Sai uma estrela de Jacob, ergue-se um cetro em Israel. (Números 24:17)

Os magos eram o que atualmente denominam-se astrônomos, e não astrólogos como comumente querem denominá-los, pois possuía formação na ciência dos astros, eram da casta dos sacerdotes medos e persas, de vida austera.

Melchior fazia parte da escola do “Monte Horeb”, sendo que Baltazar por sua vez fazia parte dos solitários ermitões dos Montes Sagros, na Pérsia, representava a casta dos “ruditas”, duros como as rochas que suportam as mudanças do tempo, baseado no “Zend-Vesta” de Zoroastro. Por fim integrou-se ao grupo trino, outro mago, Gaspar, senhor de “Srinagar”, príncipe de Bombaim, dirigia os monges solitários do Monte Zuleiman, junto a Caxemira, às margens do Rio Indo.
Eram de locais distintos e vão se encontrar em Sela, próximo ao Monte Hor na Arábia, para peregrinarem juntos encaminhados pela estrela no firmamento. Os três não possuem vinculo anterior ao fato, mas ao mesmo tempo foram encaminhados a um ponto central, para juntos irem atrás do prenunciado de um novo tempo e ao mesmo tempo, e através deles as várias raças estarão presentes na longa jornada, através de Gaspar, representando a origem semita, Melchior, a origem indo européia e Baltazar a origem africana.
“Os reis de Tarsis e os das Ilhas pagarão tributo; os reis da Arábia e de Sabá oferecerão presentes”(Salmos 71-10)
Estarão unidos no oferecimento ao “Perfeito” pelo ouro, oferta aos reis, e pelo reino infinito somado o incenso como o perfume de fragrância impar de uma Divindade que se faz conhecer e somado a esses atributos tem-se no bojo das oferendas a mirra do amargor de Alguém que estará voltado a entrega da salvação da criação divina.

Há uma incógnita sobre essas três celebridades apresentadas como os primeiros a procurar o esclarecimento Salvador. Não são apresentados nominalmente nos evangelhos, estão incógnitos, e assim parece melhor para os desígnios desta “epiphanéia” (epifania), uma aparição e manifestação do Enviado a todos os povos, sem exceção.

“Virão embaixadores do Egito. A Etiópia se adiantará a estender as suas mãos para Deus” (Salmo, 67:32)

Vem do Líbano, minha esposa, vem do Líbano (Cânticos, 4:8)

É anunciado aos três como um chamamento e este perfume acompanhará um trajeto longo[1], saídos do meio dos gentios, homens estrangeiros que compareceram como a dizer: estamos prontos para a caminhada desta jornada!
“Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no oriente, e viemos adorá-lo” (Mateus, 2:2)
Et venimus adorare dominum!

“Dominus”, domínio de um Senhor que transpõe a um plano do entendimento humano.
É muito mais do que rei dos judeus e da ascendência da casa real de Davi, que como este foi Ungido para a finalidade de reinar, mas que transcende a tudo quanto houve de acontecimento anterior, que foi prenuncio de sua chegada e esta acima de quaisquer títulos reais, sendo o soberano de todos os reinos e de todo o poder, “dominator dominus”[2].
Além disso, governa sobre todas as potencias cósmicas, através do império que perdurará até mais do que os astros do Universo, é o império maior, o “Kratos” e exercer sobre este um direito[3] e anunciado soberano de todos os impérios, vindo para estabelecer as bases messiânicas.
Aquela estrela no firmamento, vista por homens que possuíam esta clarividência, e eram assim denominado magos receberam todas estas citações e entenderam rapidamente sem titubear nas decisões e foram imediatamente acompanhando a luz e o encontro da maior, lúmen de lumine[4] que irá iluminar o criado a semelhança divina, a verdadeira luz, o “sol invictus”, que ilumina o homem em sua estadia de um tempo finito.
Os magos de muito conhecimento sem retórica vazia atravessaram as fronteiras que os separavam partindo do oriente em busca do “rei herdeiro do trono”, que era representado pela estrela, que pertence ao reino dos céus e tem caráter sagrado e divino com a realeza.
“vimos a sua estrela no Oriente,[5] e viemos prestar-lhe homenagem”. Deus se faz conhecer desta maneira (Salmo, 75:2)
"Verte-as inundada de uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e de Efa, todos virão de Sabá, trazendo-te ouro e incenso e publicando os louvores do Senhor" (Isaías, 60:6)
“Acharam-me os que não me não buscaram” (Isaías, 65:1)

Como foi determinado antes, manifestou aos que não estavam procurando para se gloriar do fato acontecido, se manifestou no silêncio como acontecem sempre aos anúncios de Deus. O novo Adamah (Adão) aquele vindo da terra, um errante, dominado pela ambição, junto de Eva, de quem emana vida, busca nova aliança instaurada a partir da manjedoura, de um poder que emana do Espírito libertador para salvação do homem.

[1] Líbano: termo grego para incenso
[2] Senhor Soberano
[3] Eksusía/Potestas
[4] Luz da luz
[5] Em Taís Anatolais

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A PENHA DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

O CAMINHO REAL DE SÃO PAULO

São Paulo, uma Província emergente, era marcada nas estradas por pequenas capelas e cruzes, lembranças dos viajantes que eram agradecidos por algum milagre de familiares que haviam sido beneficiado pelas graças dos céus e queria demonstrar todo o sentimento. Estes locais tornaram-se pontos de peregrinação onde louvores a Deus eram proclamados além do oferecimento de uma oração em louvor da alma que ali repousasse o corpo ao longo da estrada.
No século 16 já se conhecia o “Caminho da Penha” onde findava o Caminho Real que se iniciava a partir do Rio de Janeiro, sede de Capitânia do governo de Portugal. Todo viajante que se propunha em empreitada pela estrada pedia proteção divina, empunhando em sua comitiva uma imagem religiosa, sinônimo de proteção para a viagem.

BASÍLICA NOSSA SENHORA PENHA DE FRANÇA

Conta-se em oralidade transmitida em gerações, que um desses viajantes, nome perdido no tempo e espaço histórico, a caminho da longa jornada, viu-se muito cansado, armando sua tenda de descanso e depositando a imagem que levava consigo ao seu lado. Reza a oralidade que ao acordar sentiu falta da imagem e então começou a procurá-la voltando para o caminho anteriormente já percorrido, encontrando-a alojada em uma gruta, recolheu-a e assim continuou a jornada. Novamente necessitando pernoitar, após estafado dia, seguiu o ritual costumeiro, posando a imagem que o acompanhava a seu lado. Quando amanheceu o dia, repetiu-se o fato do dia anterior e ele assume a mesma postura retrocedendo no trajeto e eis que a imagem é encontrada no mesmo local anterior. Aquilo foi tomado pelo viajante como um fato semelhante a um aviso, algo que precisasse ser cumprido no local da gruta, assim o homem cumprindo os desígnios repousa sua acompanhante de jornada na gruta deste acontecimento, numa fenda aberta no “penhasco”, o que originou na localidade o termo Penha, e que por obra da imagem que portava ser a Senhora de França, pois a mesma santa já fazia parte do contexto religioso desde o século 15 e bem conhecido na Península Ibérica, pelos fatos ocorridos através do monge Frances Simão Vela, que originou a peregrinação para então “velar no rochedo”. Assim como fez o monge, fez o viajante tornando-se o local Nossa Senhora da Penha de França, e nela há uma simbologia da proteção da mãe com seu filho, para o livramento dos males que possam, por ventura, acontecer ao longo da empreitada que tenha que ser feita sem adiamento e a seus pés um réptil representa essa condição do perigo, e que esta aos pés da Santa que nos braços segura o filho. (por vezes um lagarto, outras um jacaré ou até uma serpente).

Existem referências na historiografia de penetração pela “Boca do Sertão” que remonta aos jesuítas que ousaram a formar núcleos de povoamento desde a subida triunfal da Serra do Mar, que culminou em formar as bases do que seria a se conformar com o Estado de São Paulo, que, aliás, possui uma infinidade de termos indígenas em suas determinações geográficas. Assim forma-se o povoamento dos Campos do Ururaí, proximidades do que hoje é o Tatuapé, que por sugestão do espanhol de Tenerife, padre José de Anchieta, passou a ser São Miguel de Ururaí, que aos poucos foi se tornado uma aldeia de índios catequizados que fazia parte de uma sesmaria cedida aos jesuítas e que se estendia numa grande gleba ate o Ribeirão de Ari-Candivai(Aricanduva[1])

MATRIZ:1682
Os bandeirantes seiscentistas se aproximavam destas aldeias da região para capturar mão de obra sem custo algum, na condição de preação e que por possuírem sesmarias nestas localidades como domingos leme e que fora recebida do capitão-mor (ou do mato!)Francisco da Fonseca Falcão em 1643, e que por tal motivo achava-se proprietário de tudo quanto havia no interior da sesmaria. Outro proprietário era Amador Bueno da Veiga que possuía gleba estendida de Guarulhos até a Penha, margeando sempre o rio Tietê. Havia conflitos inerentes aos interesses dos jesuítas E àqueles em relação aos bandeirantes quanto ao modelo de servir dos nativos, e vez ou outra se deflagravam guerras consideradas justas, para aprisionar os autóctones.
Assim a história da Cidade de São Paulo caminhava entre os limites das necessidades locais e do amparo religioso promovido pelos jesuítas que tentavam evitar a escravidão indígena traves da pregação. A imagem da Penha tornou-se referência de devoção da Província de São Paulo, tanto que em 1864 o governo provincial iniciou a construção da matriz no alto do cume do caminho da penha. Em fevereiro de 1667[2] por devoção no local foi edificada a Igreja Nossa Senhora da Penha (de França).

Em 15 de setembro de 1796 A Penha é elevada a Freguesia, numa área bem maior aos atuais domínios fazia parte dela os bairros atuais de Guaianases, São Miguel, Ermelino Matarazzo e Vila Matilde.
IRMANDADE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS DA FREGUESIA DA PENHA -16/06/1802

Em 1768 houve grande surto de varíola que assolou a Província de São Paulo. Por determinação da Câmara Municipal da Cidade, a edilidade enviou as autoridades eclesiásticas de então, requerimento formalizado requisitando que houvesse por bem decretar Nossa Senhora da Penha Padroeira da Cidade de São Paulo. Assim da data referida ate o ano de 1876 houve peregrinação da Igreja da Penha para a Catedral de São Paulo, sempre com cortejo festivo na data comemorativa da natividade da santa, ou seja, 8 de setembro.

Em 1822 o imperador do Brasil dom Pedro I, fixa toda sua comitiva vinda do Rio de Janeiro pela Estrada Real, nesta topografia de 800 metros acima do nível do mar, onde partiu a 14 de agosto chegando às imediações em 24 de agosto, em longa jornada exaustiva de 10 dias. A partir desse “ponto alto” os acontecimentos vão se desenrolar de tal maneira que duas semanas após a chegada a São Paulo, no dia 7 de setembro de 1822, nas proximidades do riacho Ipiranga, distante uma légua a frente da Penha, é alterado o rumo da história da parte mais Atlântica do continente sul americano, e assim é proclamada a independência do Brasil, protegido pela Senhora da Gruta dos Viajantes, Penha.

A COLUNA SUSTENTÁVEL DA INDEPENDÊNCIA

A importância do local determinou que em 1909 a Matriz tornasse Santuário Mariano, com a denominação de Nossa Senhora da Penha de França. A antiga matriz datada como construção de 1682, passa a ser patrimônio de todo este contexto histórico, e a Basílica atual Nossa Senhora da Penha de França edificada como pedra fundamental em 1957, passa a condição de Basílica em 1982.

[1] Aricanduva: lugar onde há muitas palmeiras da espécie airi -ou brejaúva- (Ponciano, Levino. Bairros Paulistanos de A a Z. Editora Senac. São Paulo)
[2] Fontes citam também duas datas prováveis do fato: 1630 ou 1650

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

EGRÉGIO EDIL

OS PASSOS DO PAÇO MUNICIPAL DE SÃO PAULO

CONSIDERAÇÕES faz-se necessárias daquilo que representa a Câmara Municipal de São Paulo e o edil que esta a frente das necessidades urbanas:
PAÇO MUNICIPAL - J. Wasth Rodrigues
A Casa das Leis, antiga referência popular para a Câmara Municipal de São Paulo tem seu histórico desde 1560, sendo então 450 anos de atividades pelos interesses de muitos cidadãos. Nos primórdios o legislativo percorria longas em cavalgadas pela “boca do sertão” paulistano, e assim por quase três séculos as tarefas de idealizar as leis locais foram levadas a locais longínquos para julgar, prender, e elaborar taxas. Era formado por um pequeno colegiado representado por um juiz, três vereadores, um procurador do conselho, além de um almotacel responsável pela fiscalização de mercadorias e um escrivão. Essa representação era escolhida pelos interesses dos “homens bons”, os abastados que formavam uma seleta classe de comerciantes portugueses e fazendeiros, de prestigio e posses votavam elegendo seis pessoas que denominariam os seus pares. Destes seis escolhidos era aplicado sorteio sendo que cada uma delas governaria por um ano. Isto ocorreu na Colônia até um pouco além da Independência do Brasil, em maio de 1828, quando a Câmara perde o poder de justiça.
As Leis eram compatíveis e beneficiarias as necessidades da cidade como um todo não a um grupo de “homens bons”. Quando havia adversidades de interesse determinavam o degredo, que era o afastamento dos indesejáveis e escorias ou aqueles que contestavam poder da edilidade, a uma distância de trinta dias da Serra do Mar que mantinha na orla toda estrutura através da vigia de um forte de litoral supervisionada por demandas dos alcaides, que se comunicavam entre si pelas relações das armas, em suma militares ao soldo da Metrópole.

EDIS EM SESSÃO SÉCULO XVII

O edil tinha obrigações para com a cidade de seu tempo, sendo que a falta deste em sessão da Câmara, era aplicada multa de dez cabeças de gado, isso no primeiro quarto século 17. Alguns moradores da região onde fica o Distrito de Santo Amaro tinham que percorrer 3 horas a cavalo para chegar ao local do Paço Municipal de São Paulo. A primeira sede oficial foi implantada na Rua do Carmo, atual Robert Simonsen, em 1619, embora houvesse projeto anterior para dispor-se da nova sede que fora cancelado. Houve depois novo Paço da Câmara no Largo do Ouvidor, em 1720 e em 1770 já estava na Praça João Mendes.

Exemplo da participação de edilidade: em 1927 quando ocorreu a Travessia do Atlântico, o local tinha um viés voltado para o Oceano que banha a costa brasileira. Mais tarde foi idealizada na região de Santo Amaro uma Estrada que ligava a Avenida Victor Manzini, na Capela do Socorro ao largo da Cidade Dutra, que homenageou aquele momento histórico com o nome de Avenida Atlântica. Depois com as relações bilaterais fortalecidas com os Estados Unidos, houve novo nome para a avenida que passou a se denominar Robert Kennedy, então senador americano. A partir de 19 de dezembro de 2010 voltou-se ao nome original com emolumentos cartoriais de R$16,24 para mundança de nome em documentos oficiais!!!
POR QUÊ?
Em 1875 é aprovada as primeiras leis urbanísticas para a cidade de São Paulo com o CÓDIGO DE POSTURAS, seguida da lei municipal nº 374 que definia o cargo do prefeito e a Câmara Municipal de São Paulo passou a função de legislativo. Com a PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA as Câmaras Municipais foram fechadas por decreto instituído do governo militar que assumiu o país. Depois disso houve altos e baixos em uma democracia comprometida e frágil. Hoje a Câmara Municipal de São Paulo dirige suas atribuições desde 7 de setembro de 1969, no Paço Anchieta, no Viaduto Jacareí, São Paulo. Com a promulgação da CONSTITUIÇÃO CIDADÃ DE 1988, louvável denominação atribuída a Ulisses Guimarães, e o que realmente devem ser todas, pois senão não existe sentido constituir algo contrário aos interesses do cidadão, promulgava-se a Lei Orgânica da Cidade, esta um organismo vivo, que deve possuir uma Câmara a altura de seus interesses e cumprir suas funções administrativas para o bem estar e social do cidadão que vive neste espaço limitado.
Depois de tudo quanto ousamos pesquisar para interpolar realmente as funções do edil, sabe-se que os mesmos devem ter suas funções claras que são suas demandas legislativas. Se os mesmos em suas atribuições são administradores além de suas funções pelas quais foi empossado e são incumbidos de verbas parlamentares, as mesmas devem reverter para ações gerais e não de exclusividade de gabinetes, aplicando as mesmas nas condições das necessidades da cidade, pois os munícipes são aqueles que revertem isso em estipêndios de uso parlamentar e IMPOSTO PELO MUNICÍPIO.
Caríssimo edil, ao usar a verba que lhe é direcionada deves fazer não para exclusividades, mas para beneficio comum e se assim é feito louva-se, embora “não fazes nada além do que suas funções e obrigações e não são favores para os que lhe deram o aval do “contrato social” pelo voto.

Não se limite a mudar nomes de ruas, pois o fato começou no ano de 1846, quando o Governo Imperial mandou mudar os nomes de ruas que eram conhecidas por nomes hilários ou agressivos aos costumes, e fariam por bem homenagear os que contribuíram com o nosso modelo de nação e seus símbolos. Desde então houve esse costume de aplicar, por exemplo no Largo do Riachuelo, mesmo com todo respeito a batalha naval, passou a denominar-se Praça das Bandeiras, aliás local de uma só, ou as Rua das Freiras recebeu o nome do tutor do regente do império, Senador Feijó, e assim tantas outras que foram nominadas e “renominadas” ao longo do tempo.

Manter o silêncio para enfraquecer os adversários é coisa antiga, que Maquiavel ensinou aos Bórgias no Príncipe, que deve ser livro de cabeceira de muitos que “parlam”, mas nada disso é novidade, pois demonstra incapacidade e insensatez, além de insensibilidade política.
O edil precisa do munícipe e a recíproca não é verdadeira, aliás, a mesma retórica dos palanques, aonde se mostra que a verdade administrativa não condiz com as obras parlamentares. O que afinal é verdade, ou mentira, se o progresso das ações parecem acobertadas por conchavos? Não se pode dar aquilo que não se tem, e se vossa senhoria, com toda a data vênia que merece a deferência do cargo, vós somente podeis dar aquilo que a municipalidade ofertou.
Se quiseres se gloriar de benefícios use de sua própria remuneração para beneficiar as necessidades urgentes da cidade de São Paulo, que para isso foste eleito e deste modo egrégio representante, com toda honra podereis dizer:

EU, EDIL DA CIDADE, DEI AQUILO QUE ME PERTENCIA e legislo unicamente pelo interesse comum e TRABALHO REALMENTE PELA CIDADE DE SÃO PAULO!

domingo, 19 de dezembro de 2010

REINAUGURAÇÃO DO MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO: 19 DE DEZEMBRO DE 2010

A COMUNA PRESENTE!!!

Não somos coadjuvantes da história, somos SUJEITOS!

Apesar de você amanhã há de ser outro dia!!!

SEU MORAES, 96 ANOS:PRESENTE, quando dos pousos e agora, reverências merecedíssimas!!

CIRCOLO TOSCANO SÃO PAULO: PRESENTE

A COMUNIDADE É A MAIS RESPONSÁVEL DA CAUSA:PRESENTE

SEU LOURENÇO, DESCENDENTE DA FAMÍLIA BORBA:PRESENTE

VAMOS REGISTRAR O MOMENTO :PRESENTE
A COMUNA PARTICIPA SEMPRE: PRESENTE
REPORTAGEM DA CIDADE DE JAÚ, TERRA DO AVIADOR "DE BARROS": PRESENTE
"alterem TAMBÉM o nome da Avenida João de Barros, complentando-a com RIBEIRO, aguardemos os egrégios nomeadores de avenidas!!!
OS ESPORTISTAS:PRESENTE
A COMISSÃO: A PSICOLOGIA PRESENTE

QUEM EXPÔS O HISTÓRICO DO MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO: COMISSÃO PRESENTE

QUEM FOI BARRADO: A COMISSÃO
TENTERAM IMPEDIR A PRESENÇA DA "COMISSÃO EM PROL DO RETORNO DO MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO", O PREFEITO ARBITROU: ENSINE seus subordinados SENSIBILIDADE POLÍTICA!!!

A ITÁLIA: PRESENTE, com ressalva: por que não avisaram o CÔNSUL?
AVENIDA ROBERT KENNEDY VOLTA AO SEU NOME ORIGINAL: ATLÂNTICA

FAMÍLA ZORLINI:PRESENTE, representantes mor de OTTONE ZORLINI, AUTOR DO MONUMENTO!

FORÇA AÉREA BRASILEIRA: PRESENTE, apesar de avisada em 17 de dezembro de 2010

FAMÍLIA ÇUKURS, DO HIDROAVIÃO SEABEE: PRESENTE
COMISSÃO EM PROL DO RETORNO DO MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO: PRESENTE

SÃO PAULO, 19 DE DEZEMBRO DE 2010,
FIM DA FINALIDADE!!!

AGORA MANTER SUA INTEGRIDADE DE PRESERVAÇÃO, DEVE SER CUMPRIDA, PARA REALMENTE TER VALÍDO A PENA EM PERPETUAR NO TEMPO E ESPAÇO, OS QUAIS SERÃO AS TESTEMUNHAS DESTE MOMENTO HISTÓRICO, LEGADO DOS QUE FIZERAM O ESFORÇO DE MANTÊ-LO PARA A POSTERIDADE!!!
A TODOS OS ENVOLVIDOS, OS PARABÉNS MERECIDOS DESTE "REGALO" NATALINO, ESTENDIDO AOS DA COMUNA E AQUELES QUE INFLUENCIARAM DE ALGUMA MANEIRA COM AS RELAÇÕES POLÍTICAS DE BEM ADMINISTRAR AS CAUSA PÚBLICAS E PELO RETORNO DO "MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO".













sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A COLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO EM SÃO PAULO: AMBÍGUOS INTERESSES

COLONOS E COLONIZAÇÃO

A Imigração Imperial foi feita de maneira a substituir uma mão de obra que não despendia salários, e a expansão agrícola necessitava de novos modelos, por isso foi feito acordos entre o governo brasileiro e europeu para se enviarem as primeiras levas de mão de obra contratada por via de interesses mútuos: por parte do Brasil era a oportunidade de se mostrar para o cenário mundial como produtor agrícola de economia de expansão se livrando de um passado escravista, sendo o último país a libertar-se deste modelo ultrapassado, mas somente aconteceu depois de ressarcidas despesas ou acordos de fomentar o novo modelo que viria com o colono europeu.
Do outro lado foi à oportunidade de se livrar de homens livres a procura de terras que poderiam a qualquer momento fazer conturbação interna através de comunas de resistência,além de não se ter que despender muito e se livrar dos indesejáveis iletrados. Assim um contingente foi enviado para ao Novo Contente, com os acordos mútuos, coincide com a expansão da produção agrícola do café em substituição ao declínio da cana de açúcar, e a Província São Paulo, em processo emergente receberia grandes levas desta mão de obra de lavoura.

• Abaixo o texto foi reproduzido com a ortografia de então ( 1867 )

Documento p.38, 39-VIDE REF.1

“Em São Paulo vemos a cultura da batata, chamada vulgarmente ingleza, elevada em tão alto grão de perfeição, que não só toda a província é abastecida d’esse ramo de subsistência, como sua exportação e considerado para Minas, Goyaz e Rio de Janeiro. Esses colonos não só tem augmentado consideravelmente quanto são número de seus habitantes, como se têm enriquecido ao paiz pela introdução de carros sobre eixos, que facilitam a condução de muitas arrobas de mercancias diferentes por meio de dois bois, o que ate então os nacionaes não faziam com quatro ou seis. Elevaram o fabrico do carvão a um grão do apuro tal, que a província é d’elle soccorrida com abundância, fornecido o trem militar, e sua extração do centro da terra é feita sem perigo de vida. Os colonos de são Paulo fazem saborosíssimos queijos, muito boa manteiga, que por muitas vezes tem socorrido o paiz na falta da do estrangeiro, que se importa”.

Documento p.40-VIDE REF.1

“O governo, pois deve lançar suas vistas benfazejas sobre este obstáculo ao augmento da colonização. Os colonos, em lugar de encontrarem n’esses fingidos um patrício interessado em seus estabelecimentos, ou um protetor constante, acham um amo impertinente, que pelo vil preço do pouco sustento e grosseiro vestuário, d’elles se servem por espaço de três, quatro annos, sem lhes darem o mais pequeno ordenado; utilizando seus préstimos de uma fórma mais infame, do que com os africanos”.

Documento p.42-VIDE REF.2

O TRATO PRAGMÁTICO COM IMIGRANTES- Exemplo Da Fazenda Santa Veridiana

Em 1883, Antonio (Prado) avisou os imigrantes de Santa Veridiana que estava reduzindo em 25% o salário pago por saca recolhida. Avisou ainda, que embora houvesse um contrato de 5 anos em vigor, que os descontentes tinham 3 meses para partir.a maioria dos imigrantes alemães conformou-se com a redução salarial, mas os italianos preferiram partir, fato que foi amplamente comentado em São Paulo.
Depois desse incidente, as relações trabalhistas parecem ter melhorado...

Consideração: Muitos se deslocaram da fazenda de origem de contrato dirigindo-se para a capital do Estado, que já despontava com uma nova "roupagem", como se pode atestar em matéria anunciando esse desenvolvimento:

"Fala-se do desenvolvimento extraordinário da cidade de São Paulo. Os poderes municipaes estão tratando de desenvolver o centro da cidade, abafada dentro dos traçados dos antigos bandeirantes. Para isso, a situação econômica do nosso grande e próspero Estado nunca foi melhor, o preço do café e de nossos principaes productos nacionaes attingiu um preço respeitável” (O Estado de São Paulo, em 18 de dezembro de 1910- grafia de época)

Antonio da Silva Prado tornou-se o primeiro prefeito da cidade de São Paulo do período republicano, permanecendo por 12 anos à frente da municipalidade findando seu último mandato em 15 de janeiro de 1911.

vide: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_da_Silva_Prado

BIBLIOGRAFIA:

1) Revista Trimensal do Instituto Geográfico e Ethnográfico do Brasil. Fundado no Rio de Janeiro, debaixo da immediata proteção de S.M.I. o SR. D. Pedro II.
Tomo XXX parte primeira, 1867 - Stanford library - B.L. Garaier-Livreiro-Editor, R. do Ouvidor, 69. R.J.

2) Marcovitch, Jacques. Pioneiros e Empreendedores, A Saga Desenvolvimentista no Brasil. São Paulo, EDUSP

AVANÇOS DOS COSTUMES DO BRASIL E A MARGEM ESTRUTURAL

Pecúnia da Pecuária e os Alimentos das Necessidades Básicas da Amálgama das Etnias

Como se constituíram as relações por um período longo de expansão territorial do Brasil Colônia administrada por Ordenações Filipinas e Concílio de Trento que predominaram a influência dominadora de homens avessos aos bons costumes de integração e que foram ao seu modo, iletrados e grotescos, responsáveis pelo vasto território que se tornou a maior Colônia do império português.

Muito já se questionou sobre esta expansão, mas houve algum suporte econômico por parte da Coroa Portuguesa ou foi simplesmente oferta de terras que a cobiça de então prevaleceu para que houvesse o triunfo do aço que os nativos não conheciam e os tiros dos bacamartes que exterminavam a distância. Como foi esta penetração pelo território antes por direito ofertado na partilha pelo Tratado de Tordesilhas**** aos espanhóis?

Podemos criar estas e tantas outras conjecturas de formação de uma estrutura de posse através da força das armas e do medo do poder opressor. Por que os naturais, muito mais numerosos se deixaram dominar? Estavam dispersos em um enorme território e não tinham a homogeneidade suficiente para evitar seu aprisionamento e não eram homogêneos?

Os ritmos dos dominados e dominantes possuíam diferentes necessidades, onde a concentração de uma massa era bem maior na Eurásia do que no continente do Novo Mundo. Havia a “inferioridade de raça” do eurocentrismo, que foi posta como base de domínio centralizador. Esse ponto não condiz com os fatos e determinante foi o avanço das tecnologias que foi alcançada por um e por outro em revoluções no continente europeu em ebulição de guerras constantes que os obrigaram a se defenderem entre si, que os adestrou para o bélico e resultando na expansão marítima que resultou a expedição do “Achamento da América”?

Além disso, havia a formação política e administrativa que fortalecia as instituições de poder e foi determinante para submeter os americanos aos seus interesses, que prevaleceu como abastecimento dos interesses obrigando a idealizarem “guerras justas”, como se existisse alguma nestas condições, para escravizar os nativos, para uma submissão constante dos povos destas áreas submetidas aos encargos de necessidades dos invasores.

Vejamos uma situação aplicada em um instante determinado e sua influência nas estruturas da constituição das necessidades básicas de habilidades e necessidades dos que constituíram a formação da população que se denominou por raça e etnia e que se confundindo ambas.

A ESTRUTURA DE SUBSISTÊNCIA

Antes de vir para a Colônia o gado de formação da pecuária os que penetravam nos territórios não eram homens sobrenaturais que construíram como mito e começou pelo sul pela influência das necessidades de observar depois de mais de 30 anos através da expedição exploradora de reconhecimento comandada por Martim Afonso de Souza que invadiu áreas de influência de Espanha para buscar informações de onde saia prata pelo estuário em larga escala. Através deste caminho do “argentum” do Cerro de Patosi fez com que os espanhóis esquecessem das terras a leste de seus domínios demarcadas até próximas a linha do Tratado como também ibéricos portugueses, terras estas onde “nada” de prata existia e ainda pouco se extraia.

A primeira exploração na nova colônia portuguesa de interesse comercial foi o pau-brasil, cientificamente aesalpinia achinata, que servia para tingimento, um símbolo de nobreza apreciado desde os tempos do império romanos e Holanda tornou-se o maior centro de distribuição através do porto de Amsterdã, que despertou o interesse de “bucaneiros” de outras nações, financiados por outros reinóis.

Depois de 30 anos de abandono administrativo, pois Portugal tinha o maior interesse voltado para a região das Índias, houve por bem formar a expedição exploradora par reconhecimento do sul do Brasil, pois o maior interesse era voltado para a região da Prata, de onde saiam as riquezas de Espanha, a expedição antes de tudo vinha espionar e a primeira cidade fundada de São Vicente, foi antes de tudo, base militar, como o foi também Cananéia, que recebeu em 1502 a expedição de Gaspar de Lemos e Américo Vespúcio, terra de tupiniquins, o litoral de São Paulo, província ainda não existente à época.

Constituição dos primeiros brasileiros

O termo “eiro” denota algo depreciativo, e foi deste jeito que enxergavam a nobreza da Coroa, uma população heterogênea que era formada em um cadinho de escoria de restos. Os custos de povoar um território longínquo sem “nada” que precisava ser povoada era necessário sujeitar homens degredados e aventureiros. Evidente que seria também necessário fazer-se presente, pois isto era determinante como posse.

Foi deste jeito que se começou a penetrar nas terras de Leão e Castela. Para isto o governo português foi formando núcleos de homens dispersos que se estabeleciam em capoeiras abertas nas matas e aprisionando mulheres nativas e com elas criando uma nova estrutura, o matuto do mato, um caboclo acobreado, que prepara as coivaras, para preparo do plantio e pastos esgotando a terra ao extremo pelas queimadas, em processo rápido de se apossar do latifúndio. Estes rebentos fruto dos “negros da terra”**, os autóctones que juntamente com os exploradores formaram as primeiras “crias” miscigenadas, termo ainda usado em muitos lugares do Brasil, filhos de duas etnias diferentes e que influenciaram na raça em formação da Nova Roma, dito por Darcy Ribeiro em relação ao Brasil. Estes mamelucos começaram a ser olhados às margens de ambas as estruturas, pois nem eram índios, pois não pertenciam ao grupo de nativos, nem eram portugueses, ou outros europeus fora da Península Ibérica, eram uma nova formação, na nova Índia dos sonhos de Colombo, um caboclo desconfiado e abandonado a própria sorte no mato. Desta amálgama das duas estruturas resultante do cadinho incandescente nascia um novo homem que faz a implantação das roças de subsistência vivendo à margem e que também terá um valor de expansão pela posse de território por parte da Metrópole.

A caça e a coleta, aprendida com os nativos, desenvolveram um modo de alimentação que foi sendo incorporada ao modelo novo também, que tinham na sua base alimentar o milho que originou a canjica e supria ausência de arroz e a farinha de mandioca. Isso tudo era feito numa condição próxima a aldeia e foi preservado como modelo protetor dando origem às pequenas vilas de proteção e estabelecendo as bases do corpo de abastecimento das Entradas pelas terras do alheio (Espanha), anteriormente campos pertencentes aos autóctones.

Mais tarde foi expandindo as primeiras manadas de gado, que resultou os animais ditos pés-duros, que vieram de Cabo Verde estabelecendo-se no vale do rio São Francisco, chamado de rio dos Currais, em alusão a pecuária na região onde predominava currais.

As aves, fizeram parte da empreitada do “Achamento do Brasil”, que consta como referência na Carta de Caminha e do espanto dos nativos com a galinha.

Os primeiros suínos vieram nos primórdios da América e introduzido por Colombo em 1494 em sua segunda vinda. Era espécie parecida com o javali, domesticado desta espécie selvagem que no Brasil foi introduzido pela expedição exploradora de Martim Afonso de Souza em 1532, bovino rústico e resistente, adaptado ao clima tropical, ao calor, à seca, em especial, ao semi-árido com sua vegetação de caatinga de fácil adaptação.

O porco que determinou muitos pratos nacionais como torresmos, pernil, e a gordura retirada do toucinho e conservada em salmoura, ficando em varal pingando o sal derretido pela gordura, para preservação em um longo período, e ingerido por vezes em nacos cortados a cutelo sem cozimento, pois era de fácil criação e condimentada com ervas e temperos da terra sem os requintes das especiarias das Índias de Ásia.

Completado todo o ciclo de sustentação de campanhas de penetração dos avanços de territórios houve por bem o uso dos rios para navegação. Na região o rio Tietê serviu muito bem para essas expedições onde se atingia a Boca do Sertão entrando neste afluente atingia-se o rio Paraná um alimentador das águas da Bacia da Prata de grande interesse aos invasores.

Estes homens agora possuem a base alimentar para o avanço para o interior, tomam o rumo da região do atual Mato Grosso e Minas Gerais de onde baseia as primeiras minas de riquezas minerais, não de prata como as minas dos espanhóis, mas ouro de aluvião e de escavação como as de Sabará terras de Manoel de Borba Gato, onde as bateias e o repique das picaretas ainda se ouvem e um dia se escoou o contrabando pelo “porto” de Parati, para evitar o tributo real, e eram terras paulistas, que se proibia vendas e tabernas junto das lavras, pois favorecia a venda do ouro aos negociantes. O ouro circulava em pó, denominado de “folhetes” embora houvesse a proibição que havia até 1736 mas que eram transportados em capangas carregada a tiracolo.

Essa tropa que iam à caça da mão de obra barata dos índios, mesmo proibidos pela coroa eram preados aos montes e usados como mão de obra em São Paulo das Missões dos índios catequizados por jesuítas, grandes produtores de muares que sustentavam todo o transporte da minerarão da região da Prata além de todas as tralhas eram transportadas por estes indígenas cativos, depois substituída pela dos escravos de África, e ajudada pelo lombo de muares, animais que transportavam todo o farnel.
TROPEIROS POBRES DE SÃO PAULO-Debret

Quando se aprisionava o líder autóctone todos os demais o acompanhavam para a empreitada seguida por toda aldeia que formava a tribo. Os catequizados, por não oferecerem resistência eram considerados índios bons pelos invasores que dariam mais tarde os núcleos miscigenados dos caboclos que se mantiveram com o mínimo de estrutura de subsistência e abandonados a sua própria capacidade resultando um modelo de indivíduo desconfiado e adaptado ao campo e ao terreiro aberto em taperas de claros no que era considerada Boca do Sertão, modelo aprendido pela mistura destes com os indígenas em semelhança com as aldeias incrustadas nas matas.

Estes bandeirantes por vezes foram chamados por uma conformação de proprietários honoríficos das Capitanias das regiões do nordeste para combater os “índios” que “roubavam” o gado. Era os tapuias* da região nordeste do país que ao perder autonomia de caça em terras que um dia era parte de seu deslocamento de caça atacaram o gado, que representavam para eles animais passíveis de alimento e substituto de sua caça anterior para sua sustentação. Assim foram contratados os “paulistas”, que usavam a arma branca comum para abertura de picadas e também para homicídios através de cortes de cabeças, modelo de receber pelo número delas, parte da paga que poderia ser feito com parte das terras das sesmarias e ofertadas como finança pelos “curraleiros” das fazendas criadoras. A cactinga era local de vegetação não muito alta, mas que oferecia campo de fuga dos nativos que conheciam a região obrigando o uso de gibão e botas de cano alto para evitar a penetração dos espinhos de cactos e outros obstáculos. Os nativos que não combatiam eram aprisionados e vendidos como escravos***, a um preço baixo e rapidamente, pois não podiam dar-se ao luxo de mantê-los esperando melhores preços, pois os bandeirantes eram homens de deslocamento sem estabelecimento. Os escravos vindos de África eram adquiridos para abastecer os ricos mercados de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro e não resistiam com os “negros da terra” que combatiam e resistiam à captura.

São Paulo tornou-se base militar destes bandeirantes, terra de tropeirismo, caminho de passagem trajeto de Peabiru, direção dos Andes do Eldorado Inca. São Paulo não possuía importância econômica como Pernambuco, com a cana de açúcar ou as Minas Gerais do ouro, não havia o que poderia estabilizar para formar uma vila de desenvolvimento, era lugar paupérrimo, não possuía recursos de suporte da coroa portuguesa. São Paulo nunca possuiu condições de compra direta de escravos e somente com o declínio da cultura da cana de açúcar pela expansão dela nas Antilhas e dominada por holandeses e que São Paulo promoveu a expansão deste tipo de mão de obra adquirida dos antigos coronéis dos locais de origem primária e que foi usado no Vale do Paraíba quando assumiu a condição de grande produtora de café.
Acampamento nas Planícies de Guarabi,1841-Noel Aimée Pissis

Toda essa experiência de deslocamento foi adaptada pela formação de núcleos de suporte alimentar que já possuía a experiência desenvolvida com mandioca, milho, carne de porco, feijão que formava uma mistura de alimentos que pelo deslocamento informatizado, sem documentação oficial desta constituição que originou o “virado paulista” que por sua vez adaptou mais a frente como o “tutu de feijão” que chegou ao norte adaptado a sua localidade com o “baião de dois” com o acréscimo mais tarde do arroz, um luxo de então. Um charque das carnes eram salgadas e estendidas em varas a secar ao sol, que depois era cozida e misturada com a farinha de milho, vindo da maçaroca, a espiga, ou de mandioca, pilados num vaso escavado com enchó. Esta alimentação incluía O ovo virado ou mexido que era misturado no todo, que originou o beiju, um bolo da fécula da mandioca, que serviu de trigo para formar o pão de roça, verdadeiro pitéu saboroso. A base alimentar da Colônia era daquilo que era ofertado pelo lugar, dos rios se tirava o peixe que era reforçado por outros alimentos como o cará, inhame, taioba, batata doce. Além de uma série de frutos tropicais como mamão, laranjas, abacaxi, bananas.
FRUTAS DO BRASIL - DEBRET
Enfim um mameluco de origem ao caipira paulista, do caboclo que viveu com bem pouco na sua condição formada de uma edificação meio indígena meio europeu, construiu sua casa com aquilo que estava à mão, e das varas das matas abundantes, eram estruturadas uma oca de maneira a receber um barro batido que ia manualmente preenchendo os espaços entre as varas com “sopapos”. Esta casa frágil era que os protegiam das feras e intempéries e onde as refeições eram feitas em condições mais naturais possíveis, ficando em cocorocas dobrando os joelhos, em engonços, no chão com o “prato” de barro, sem condições de louça fina, se alimentava encostado a parede o alimento mexido com as mãos iluminado por candeeiro enfumaçando o recinto. e depois um pito amassado fumo de corda enrolado na palha de milho molhado pela saliva uma goma que segurava as bordas depois de enrolado.

São Paulo foi capitania instituída em 5 de setembro de 1721 e seu primeiro governo foi administrado pelo capitão geral Rodrigo Cesar de Meneses.Tornou província de fato em 23 de junho de 1821 e de direito pela constituição de 25 de março de 1824. Há ainda a especulação sobre a referencia de província ocorreu quando da Carta Régia de 15 de dezembro de 1815 que elevou o Brasil a Reino Unido e assim instituindo as províncias em substituição as capitanias.

Fomos soltos a própria sorte, sem apoio de formação adaptados ao meio e conseguimos sobreviver apesar do desamparo do poder. Temos os reflexos dessa estrutura nos dias atuais?

A IGNORANCIA É O ATRASO DAS MASSAS!


VIDE MAIS: http://carlosfatorelli27013.blogspot.com/2009/08/o-nome-brasil-6-duas-culturas-iberica-e.html

Bibliografia:

DIAMOND
, J. Armas, Germes e Aço: Os destinos das sociedades humanas, Editora Record, Rio de Janeiro, 8a edição, 2006.

HOLLANDA, Sergio Buarque de. Raízes do Brasil. 26ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Editora Record, Rio de Janeiro,1998, 34ª edição.

PRADO Jr., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo, Editora Brasiliense, 23ª edição, 1994.

CASCUDO, Luís da Câmara - História da Alimentação no Brasil - 2 vols. 2ª ed. Itatitaia, Rio de Janeiro, 1983.

RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro, A Formação e o Sentido do Brasil Editora: Companhia das Letras , 1995.

FURTADO, Milton Braga, Síntese da Economia Brasileira, 7ª edição, Ed. LTC, São Paulo, 1999.

MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de(org). Vida Cotidiana Em São Paulo No Século XIX: memórias, depoimentos evocações. São Paulo, Editora: UNESP, 1998

PUNTONI, Pedro. A Guerra dos Bárbaros, Povos Indígenas e a Colonização do Sertão Nordeste do Brasil, 1650-1720. São Paulo, Editora:HUCITEC,1998


*Há diversos entendimentos das origens do termo, mas em geral observa-se que seria de procedência tupi e teria significado semelhantea"forasteiro","bárbaro","aquele que não fala nossa língua", "inimigo".

O termo Tapuio não é expressão designativa de uma etnia. É tão somente “Um vocábulo de origem tupi, corruptela de tapuy-ú – o gênio bárbaro come, onde vive o gentio. [...] É um dos termos de significação mais vária [diversificada] no Brasil. No Brasil pré-cabraliano assim chamavam os tupis aos gentios inimigos, que, em geral, viviam no interior, na Tapuirama ou Tapuiretama – a região dos bárbaros ou dos tapuias”. Tomislav R. Femenick

**No Brasil adota-se auto-classificação para sua população: branco, preto, pardo, amarelo e indígena(antes chamados "negros da terra"), além de outras de censo do IBGE. O termo pardo é citado na carta de Pero Vaz de Caminha, durante a descoberta do Brasil, ele relatou ao rei de Portugal que os indígenas brasileiros “eram pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos”.Caboclo é o mestiço de branco com índio; caboclo, mameluco, cariboca, curiboca, estas referindo-se a antiga terminação do autóctone brasileiro.

***Em 1568, sobe ao Trono de Portugal El-Rei D. Sebastião I, criando a Lei de 20-03-1570, com a influência da Bula Papal de 1537, proíbe a escravidão indígena, exceto em caso de "guerra justa" e no caso dos irredutíveis Aimorés ao Nordeste do Brasil, mas a força dos capitães obriga o Rei a fazer concessões. E elas foram de tal ordem que piorou a sorte do indígena.

****A Espanha em 4 de maio de 1493, pelo calendário juliano, junto ao papa Alexandre VI, o espanhol Rodrigo de Bórgia, promulga a Bula Intercoetera, reconhecendo as pretensões da Espanha , pelas terras além mar. Dividia deste modo o mundo por um meridiano fixado 100 léguas a oeste dos Açores e do arquipélago de Cabo Verde (a mais ou menos 47 graus de longitude oeste, Portugal protesta e ameaça entrar em guerra. Em 1494, o mesmo papa arbitrou um acordo entre Portugal e Espanha, que ficou conhecido como o Tratado de Tordesilhas, alterando de 100 para 370 léguas a oeste de Cabo Verde o limite foi determinado pela Bulas Intercoetera. O tratado de Tordesilhas vigorou por mais de dois séculos, somente modificado em 1750 pelo Tratado de Madrid definindo as fronteiras e obrigava Portugal a se retira do Estuário do Rio da Prata. Logicamente que os jesuítas possuíam as Missões na região e controlava o fluxo de muares, os quais eram os grandes produtores, preparavam o confronto. Em 1759 o Marquês de Pombal arrumou pretesto para em ações de Estado confiscar os bens da Companhia, que não aceitava se retirar das Missões, muitos são detidos e o governo português arma campanha de desmoralização popular contra os jesuítas, chamados de "ímpios e sediciosos". Foram 256 anos de conflitos e debates, Portugal se retirava Rio da Prata, a região denominada de Sacramento, no sul e por sua vez seria compensado com as terras do Brasil, por direito, pois de fato os bandeirantes já haviam dela se apossado.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

MANDO

Manda-se ou se é mandado?

Como vai?
Como Deus manda.
Mandar é o único que tem direito;
no pouco que se anda,
sempre há alguém com jeito pra mandar.
“Ele” não dá ordens e nem as quer dar,
é o que menos quer "falar".

Todos estão a mando d'um comando,
Seja um exército ou um bando.
O macaco manda na macaca,
o médico, no enfermeiro e sua maca,
este na aprendiz enfermeira,
Que diz asneira medicinal.
O Papa manda no cardeal,
que por sua vez ordens no padre dá.
O maestro executa o Dó, Ré, Mi, Fá
e manda no músico, este no instrumento.
A cozinheira manda na panela a dentro, coentro.

O menino, o pipa manda ao vento.
O marido ciumento manda na patroa.
O vagabundo anda à toa.
Na janta manda o garçom.
Na jamanta em disparada fala a buzina em bom som.
Na privada quem manda? A latrina.
Quem manda na manada?
O cavalo de bela crina.
O pai no menino e na menina
e no boné manda a cabeça.

E quem fala: PLANTA CRESÇA?
O biólogo? Não diga!!!
Quero ver ele mandar com vara de condão:
“Faça-se um chuchu agora neste chão”.

Quem manda na briga?
O valentão, mas algumas vezes, não é não.
E quem dá a diretriz numa reunião?
Quem manda na meretriz é o cafetão.

Afinal quem toma a decisão?
Quem comanda o batalhão?
Que está pronto a intervir,
para cumprir as ordens da nação.

Solta-se uma matilha de lobos esfomeados,
Cai-se na armadilha como uns bobos
e também somos mandados!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO: BEM VINDO A REPRESA DE GUARAPIRANGA!

ALEA JACTA EST, VENI, VIDI, VICI

Duas frases, dois momentos, que demonstram nossa determinação:

Recuar....., fortalecer.....combater.....vencer!!!

Os próximos acontecimentos foram abortados, pois o poder quer os louros para si. Façam bom proveito senhores, vocês merecem gladiar-se pela glória que tanto labutamos, mesmo que consigam silenciar-nos não podem jamais tirar a condição que fomos aqueles que lutaram no campo de batalha; não dirigimos os fatos aquartelados nos gabinetes, nunca precisamos das inverdades ou do silêncio para esquecermos nossa parcela de “culpa” de nossa vontade de incluirmo-nos como sujeitos históricos, onde o objeto foi a causa que o poder tentou manter-nos no ostracismo e que a história implacável julgará. Anunciamos a vitória de muitos apesar de vocês, vencemos e isto basta para a posteridade, mesmo que o reconhecimento não parta de um sistema arcaico de mando, abarcando nossa idéia com coisa de posse, aliás, a única coisa que podem fazer ao furtar é andar ao nosso lado nunca a nossa frente, pois sois limitados em compreensão sobre momentos históricos.

Tivemos que atravessar o nosso Rio Rubicão, como o fez César na Itália e exclamar diante dos desafios:

ALEA JACTA EST (A sorte está lançada)

Essa é nossa exclamação de nossa decisão arrojada e decisiva. Atravessar o Rubicão foi "pensar grande", ultrapassar fronteiras, defrontar-se com um caminho sempre difícil e desconfortável que foi nossa superação de confrontar com as diversidades criadas pelo poder que jamais no quis por perto, tentaram tirar o brilho de nossa estrela apartidária, mas não conseguiram e o que dissemos, fizemos e feito está!

Quando em campanha na Ásia Menor, o mesmo general proferiu outra máxima que contra fatos não há argumentos. Repetimos o reflexo da vitória conseguida não esperando acontecer, fizemos à hora:

VENI, VIDI, VICI ("Vim, vi, venci")

Essa determinação tivemos, e comemoramos o fato e o feito de conseguirmos Combater o Bom Combate (anunciado por Paulo, na Boa Nova), e não perder a fé. Fizemos a junção e a união das duas frases:

ALEA JACTA EST, VENI, VIDI, VICI.

Ora, ora o poder, nós tivemos tanto quanto precisavamos para concretizar o bom combate unidos nas intenções e nossa limitação foi nossa força, e seu poder foi sua fraqueza. Conseguimos e isto basta apesar de tudo, bem vindo a Represa de Guarapiranga o “MONUMENTO AOS HERÓIS DA TRAVESSIA DO ATLÂNTICO”, no Parque da Barragem, que um dia foi o Paredão que aprisionou suas águas para este momento existir em comemoração as Velhas Águias.

Quem tiver ouvidos, ouça, para entendimento do exposto!

DEMAGOGIA OU DETERMINAÇÃO DAS AUTORIDADES?

O Corpo, Os Membros e O Caput das Oligarquias[i]

Às vezes incorporam demandas outras afora das determinadas no agendamento e criando situações inexplicáveis, pois quando existem pautas e marcações prévias não pode haver o despropósito de uma das partes assumir compromissos paralelos, em desrespeito a quem faz parte da solução.

Uma coisa aprende-se com o tempo da história longa, que é aguardar o que faz ao corpo social, os administradores ásperos e avessos que compromete a estrutura do corpo inteiro.
Nunca nesse país houve causas especificas para que houvesse real crescimento, em geral, fabricaram soluções momentâneas sem fortalecer todas as instituições.

Esqueçamos a palavra “progresso”, que deve realmente ser analisada à parte, pois doença também pode ser progresso evoluindo para um quadro clínico sem solução culminado com o fim do corpo.

O corpo administrativo também precisa estar ciente que não podendo assumir seus compromissos deve delegar a quem de direito for em “ad hoc” e possa realmente representar com ciência do direito da legislação para diagnosticar e dar o parecer do “quadro clínico social” com relatório adiante dos demandados até solucionar a questão, pois é o poder que cria documentos, imperfeitos ou não! Parece ser este o modelo eficaz de combater a doença administrativa. O corpo completo necessita dos membros e se anda sem, é acéfalo e constrói debilidades, destruindo todo o sistema, pois um fruto podre compromete o corpo inteiro.
O “melhor possível” que decantam nos bastidores é o “menos de quem administra”.
O administrador deve disponibilizar o necessário do desenvolvimento para o corpo saudável!

Espera-se dos bons governos que sejam límpidos e transparentes nas ações e que não omitam informações das condições físicas reais do corpo sem a “insanidade ou demagogia dos controladores das esferas administrativas” que devem zelar pela integridade do corpo. Se houver insanidade do corpo, é de bom alvitre, antes do agravamento do quadro clínico, que se faça o internamento, e isto compete aos órgãos de saúde diagnosticar.

Se, por outro lado, houver resistência quanto as demandas em omissões, que se usem da lei por aqueles que defendem a causa os direitos, para se fazer cumprir as decisões, das obrigações através do ajuizamento, fazendo prevalecer o que outorgaram os tribunos como condição de justiça.

Cumpram-se os direito e deveres de todo dos membros pelo salutar desenvolvimento do corpo. Os subsídios do desenvolvimento de todo o corpo aparecem das questões e envolvimento do todo, não só do caput e sem oligarquias.

Que a carapuça sirva na cabeça de quem assim desejar!

[i] “Os governos, semelhantes a relógios, seguem o movimento que os homens lhes dão, e, assim como os governos são criados, movimentados pelos homens são, também, arruinados por eles. De modo que os governos dependem antes dos homens, do que os homens dos governos. Quando os homens são bons, o governo não pode ser mau. Se for mau, eles o curarão, mas se os homens forem maus, mesmo que o governo seja muito bom, eles tentarão perverte-lo e estragá-lo para a sua própria conveniência”. (Willian Penn fundador da Pensilvânia)

*Vide:http://www.saopaulominhacidade.com.br/list.asp?ID=4019